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Revista da Escola de Enfermagem da USP

Print version ISSN 0080-6234

Rev. esc. enferm. USP vol.46 no.1 São Paulo Feb. 2012

https://doi.org/10.1590/S0080-62342012000100033 

RELATO DE EXPERIÊNCIA

 

Espaço virtual de um grupo de pesquisa: o olhar dos tutores

 

Espacio virtual de un grupo de investigación: la visión de los tutores

 

 

Cláudia PradoI; Christiane Pereira Martins CasteliII; Tania Oliveira LopesIII; Rika M. KobayashiIV; Heloísa Helena Ciqueto PeresV; Maria Madalena Januário LeiteVI

IProfessora Doutora do Departamento de Orientação Profissional da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil. claupra@usp.br
IIEnfermeira. Mestre em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. Enfermeira do Serviço de Educação Continuada do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia. São Paulo, SP, Brasil. chrispereiramartins@gmail.com
IIIMestranda em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. Professora Assistente da Faculdade de Enfermagem do Hospital Albert Einstein. São Paulo, SP, Brasil. talopes@usp.br
IVPedagoga. Enfermeira. Doutora em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. Diretora Técnica do Serviço de Educação Continuada do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia. São Paulo, SP, Brasil. rikam@ig.com.br
VDoutora em Enfermagem. Professora Livre-Docente do Departamento de Orientação Profissional da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil. hhcperes@usp.br
VIDoutora em Enfermagem. Professora Livre-Docente do Departamento de Orientação Profissional da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil. marimada@usp.br

Endereço para correspondência:

 

 


RESUMO

O Grupo de Estudos e Pesquisas de Tecnologia da Informação nos Processos de Trabalho em Enfermagem (GEPETE) visa produzir e socializar o conhecimento na área de tecnologia da informação e comunicação na saúde e enfermagem, articular a integração com grupos de pesquisas desta área e propiciar a participação de alunos. O estudo realizado pelos tutores teve como objetivo relatar a construção do ambiente virtual de aprendizagem (AVA) e a experiência dos tutores como mediadores de um grupo de pesquisa na plataforma Moodle. Para tanto, foi construído um AVA, realizada a mediação pedagógica sob a temática tutoria e o diagnóstico inicial em relação às dificuldades na utilização da tecnologia na interatividade e na comunicação, o que permitiu a proposição da continuidade da utilização da plataforma como um recurso para apoiar as atividades de pesquisa, oferecer aos líderes pesquisadores mecanismos para socialização dos projetos e possibilidades de orientação à distância.

Descritores: Grupos de Pesquisa; Pesquisa em enfermagem; Educação a distância; Tutoria; Tecnologia


RESUMEN

El Grupo de Estudios e Investigaciones de Tecnología de la Información en Procesos de Trabajo de Enfermería (GEPETE) apunta a producir y socializar conocimiento en el área de tecnología de información y comunicación en salud y enfermería, articular la integración con grupos de investigación del área y facilitar la participación de alumnos. El estudio realizado por tutores objetivó relatar la construcción del ambiente virtual de aprendizaje (AVA) y la experiencia del tutor como mediador de un grupo de investigación en plataforma Moodle. Para ello se construyó un AVA, realizándose la mediación pedagógica bajo la temática tutoría y el diagnóstico inicial en relación a las dificultades de utilización de tecnología en interactividad y comunicación, lo que permitió la proposición de continuidad de utilización de la plataforma como recurso de apoyo a las actividades investigativas, ofreciendo a los líderes investigadores mecanismos para socialización de proyectos y posibilidades de orientación a distancia.

Descriptores: Grupos de Investigación; Investigación en enfermería; Educación a distancia; Tutoria; Tecnología


 

 

INTRODUÇÃO

O Grupo de Estudos e Pesquisas de Tecnologia da Informação nos Processos de Trabalho em Enfermagem (GEPETE), da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (EEUSP), cadastrado no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em 4 de setembro de 2006 tem como linhas de pesquisa Formação e gerenciamento de recursos humanos em enfermagem e em saúde e Gerenciamento de ações e de serviços de enfermagem.

Para o compartilhamento científico e tecnológico, socialização de informações e divulgação das atividades e produção acadêmica, o grupo percebeu a necessidade de criar um espaço tanto para o atendimento destas demandas quanto para a construção coletiva do conhecimento na área, vislumbrando, então, um Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) para o GEPETE.

Os AVA são sistemas computacionais disponíveis na internet destinados ao suporte de atividades mediadas pelas tecnologias de informação e comunicação. Permitem integrar múltiplas mídias, linguagens e recursos, apresentar informações de maneira organizada, desenvolver interações entre pessoas e objetos de conhecimento e elaborar e socializar produções, tendo em vista atingir determinados objetivos(1).

Em busca de uma plataforma que pudesse atender a essas necessidades, optou-se, em janeiro de 2009, pelo uso do Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment (Moodle) por se tratar de um software livre, gratuito, disponível na universidade e mostrar-se adequado aos anseios do grupo.

Para tanto, inicialmente os participantes do GEPETE realizaram cursos presenciais de capacitação sobre a plataforma Moodle, oferecidos pela própria universidade e promovidos pelo próprio grupo. Este ambiente virtual possibilitou a criação de um espaço para a interação, participação e cooperação entre os líderes e os integrantes do grupo. Assim, foi criado um espaço virtual do GEPETE no Moodle e foi neste cenário que se descortinaram múltiplas possibilidades de realização da tutoria.

O sistema tutorial compreende um conjunto de ações educativas que contribui para desenvolver e potencializar as capacidades básicas dos alunos, orientando-os a obterem crescimento intelectual e autonomia, e ajudá-os a tomar decisões em vista de seus desempenhos e suas circunstâncias de participação como aluno(2).

Ao tutor é atribuída a função de orientar o processo de aprendizagem dos alunos, assegurando o cumprimento dos objetivos de ensino. Ele deve propor atividades e auxiliar na sua resolução, sugerindo - quando necessário - fontes adicionais de informação(3).

O tutor tem papel fundamental na Educação a Distância (EAD), pois garante a inter-relação personalizada e contínua do aluno no sistema e viabiliza a articulação necessária entre os elementos do processo e execução dos objetivos propostos. Como mediador, neste processo, o professor-tutor assume papel relevante, atuando como intérprete do conteúdo junto ao aluno, esclarecendo suas dúvidas, estimulando-o a prosseguir e, ao mesmo tempo, participando da avaliação da aprendizagem(2).

É desejável que o tutor tenha algumas competências, habilidades e atitudes bem específicas para desempenhar esta função. Destacamos, dentre muitas, a comunicação assertiva, relacionamento interpessoal, liderança, dinamismo, iniciativa, entusiasmo, criatividade, capacidade para estimular o trabalho de equipes e promoção de um ambiente favorável à educação(4), além da competência tecnológica, assiduidade no feedback, capacidade de gerenciamento de equipes e gestão de pessoas, domínio sobre o conteúdo e competências de comunicação e de mediação, habilidades que se fazem presentes em seu cotidiano educacional(5).

Diante do exposto, por considerar o uso do AVA para um grupo de estudos e pesquisas como um espaço de aprendizagem colaborativa e de pesquisa na área das tecnologias da informação e comunicação em enfermagem, justifica-se relatar esta experiência.

 

MÉTODO

Trata se de um relato de experiência dos membros do GEPETE, desenvolvido na Escola de Enfermagem da USP, no segundo semestre de 2009 sobre o processo de estruturação, implantação, avaliação e mediação do espaço virtual do GEPETE na plataforma Moodle.

 

RESULTADOS

A construção do espaço virtual do GEPETE no Moodle permitiu a criação de um espaço para a interação, participação e cooperação entre os líderes e os membros do grupo, bem como a implementação das produções já realizadas (atas e listas de presença das reuniões, fotos, artigos lidos e recomendados aos demais membros do grupo, resumos de trabalhos e pôsteres enviados para eventos científicos).

Na estrutura do AVA do GEPETE, o processo social foi intensificado virtualmente por meio de ferramentas como fórum, chat, lista de contato dos integrantes, bem como a descrição do perfil dos membros, que foi baseada em aspectos pessoais, profissionais e fotos dos participantes. Outro espaço de descontração e comunicação é o cantinho cultural, destinado ao envio de dicas de locais e programações interessantes; de mensagens em datas festivas, aniversários e comemorações.

Foram criados, ainda, espaços destinados às orientações e às informações sobre as finalidades, objetivos, metas e normas de participação no GEPETE, incluindo o registro da história e as fotos dos eventos promovidos do grupo, bem como os trabalhos apresentados pelos participantes em congressos nacionais e internacionais e as atas das reuniões presenciais. Esses espaços favorecem a integração dos indivíduos de maneira organizada e estruturada, respeitando as regras e normas definidas pelo grupo.

A interação grupal também foi estimulada por meio de ferramentas como de quadro de notícias e avisos e por um espaço de divulgação científica. A biblioteca virtual e o glossário foram destinados ao processo cognitivo que permitiu o depósito de artigos, dissertações de mestrado e teses de doutorado de interesse dos membros do grupo. Com o objetivo de ampliar e intensificar o processo reflexivo grupal e coletivo, as produções científicas são postadas no ambiente virtual com breves sínteses elaboradas pelos membros e são discutidos em fóruns ou chats temáticos virtuais.

Destaca-se, ainda, na dimensão da pesquisa, o espaço para apresentação e avaliação dos projetos de produção tecnológica desenvolvidos pelos membros do grupo que são postados no ambiente, visando socializar os projetos e identificar as sugestões dos membros por meio do fórum.

No decorrer do uso do AVA, houve a necessidade de reorganizar o espaço virtual do GEPETE classificando-se as várias atividades e papéis exigidos do tutor em quatro áreas: pedagógica, gerencial, técnica e social(6).

Logo, os líderes do grupo atribuíram estas áreas de atuação a quatro tutores membros para atuarem como mediadores do espaço virtual junto aos integrantes do grupo, no período de junho a setembro de 2009.

Os tutores subdividiram-se e definiram o tema central a ser trabalhado nesse período, O Papel do Tutor no Ensino a Distância, por meio das diversas possibilidades disponíveis no AVA.

Delimitaram os objetivos de cada tutoria a fim de oferecer subsídios específicos aos integrantes do grupo durante o período da implementação da plataforma e seu acompanhamento, sendo eles:

1. Espaço Pedagógico: Constituído por ferramentas como glossário, fórum de discussão, agenda e cronograma de atividades, literatura indicada e complementar, construção coletiva do wiki, diário dos participantes e vídeos. Nesse espaço, o papel do tutor era mediar o processo educativo entre os integrantes do grupo, estimulando-os a explorarem o material disponibilizado e abrindo espaços para reflexão e discussão.

2. Espaço Social: Este espaço foi diferente dos demais, pois seu foco central foi o desenvolvimento das relações humanas no ambiente virtual mediado por fórum, notícias e avisos, opinião dos integrantes, divulgação de eventos, contatos, cantinho cultural, happy hour, datas de aniversários e galeria de fotos. Permitiu ao tutor compartilhar informações que pudessem estabelecer e estreitar os vínculos entre os participantes.

3. Espaço Gerencial: Composto por dados dos integrantes, histórico do GEPETE, cronograma das reuniões mensais e atas das reuniões. Esse tutor foi responsável por realizar o monitoramento dos participantes no ambiente virtual e pela divulgação das diretrizes iniciais para uso adequado da plataforma.

4. Espaço Técnico: nesse espaço, o tutor iniciou suas atividades orientando a construção do ambiente virtual e auxiliou os participantes na navegação da plataforma, esclarecendo dúvidas que surgiram no decorrer de sua utilização.

Experiência dos tutores como mediadores: No espaço pedagógico, foram propostas atividades através da indicação para a leitura de dois artigos científicos, um sobre Papel do Tutor no EAD e um vídeo sobre Ansiedade do professor no EAD, e os membros do grupo foram convidados a participar de um chat sobre este tema.

Esses materiais despertaram um grande interesse nos participantes, especialmente o vídeo, que serviu como ponto de partida para a abertura de um fórum de discussão a respeito do papel do tutor no AVA. Na etapa de desenvolvimento, foram utilizados o fórum na plataforma do Moodle e chat via ferramenta Skype, como recursos tecnológicos complementares ao AVA, para iniciar a discussão do tema. Na fase de síntese, foram elaborados e apresentados os resultados conforme descrito a seguir.

Participação dos membros do grupo de pesquisa no olhar dos tutores: Os membros do GEPETE foram convidados, pelos tutores, a realizarem a leitura dos dois artigos disponibilizados sobre O papel do tutor na EAD e, em seguida, convidados a participarem de um chat sobre este tema.

Este chat foi realizado via Skype e moderado por uma das líderes do grupo de pesquisa. Do total de 33 componentes do grupo, houve participação de sete componentes (21%). A discussão transcorreu de maneira bastante agradável e acalorada, na qual as falas giraram em torno dos conteúdos presentes nos artigos, de relatos de experiências dos participantes e de sugestões para renovação da prática pedagógica, mesmo com um número pequeno de participantes. Assim, devido à baixa adesão e à relevância do tema apontada pelos participantes, foi acordado com a moderadora a necessidade de abertura de um fórum para continuidade da discussão deste tema.

No fórum, obtivemos participação de um número mais significativo de pesquisadores, 13 (39%), por ser uma ferramenta assíncrona, que, segundo eles, facilitou a participação pela flexibilidade de horário.

Temáticas abordadas via fórum e chat: Durante o chat e o fórum, várias temáticas foram abordadas. No chat, foram destacadas a dificuldade de utilização da ferramenta e a necessidade de interatividade e comunicação, considerando as especificidades das formas de linguagens, o processo de sedução pedagógica e a postura do tutor e do aluno diante do processo de aprendizagem.

No fórum, as temáticas mais presentes foram relativas à interação/relacionamento, comunicação e capacitação docente, envolvendo a necessidade de diversas habilidades e competências do aluno e do professor para atuação no ensino a distância.

No que tange à dificuldade da utilização de ferramentas do ambiente virtual de aprendizagem, os próprios membros postaram tutoriais, sugeriram leituras e acionaram a tutora tecnológica para esclarecimento de dúvidas, sanando estas dificuldades de cunho técnico e permitindo uma navegação na plataforma de maneira mais tranquila e segura por parte dos usuários.

Gerenciamento do uso da plataforma: No que tange ao gerenciamento do uso da plataforma, observamos que alguns membros do grupo acessaram mais vezes que outros.

Vivência dos tutores: A partir da organização e desenvolvimento deste projeto de construção e gerenciamento de um AVA para um grupo de pesquisa, os tutores realizaram um diário de bordo, no qual apontaram algumas questões relevantes que merecem destaque:

Interação: Percebe-se, nos relatos dos diários, uma preocupação dos tutores em uniformizar a condução dos trabalhos, mantendo uma contínua sintonia sem perder de vista uma comunicação eficaz e eficiente. A interatividade foi o foco principal de atenção dos tutores, visando estabelecer tanto entre si quanto com os membros do grupo um fluxo contínuo de comunicação.

Capacitação tecnológica: As dificuldades de cunho técnico referente ao uso da plataforma foram sanadas pelos tutores por meio de suporte técnico, esclarecendo dúvidas, oferecendo informações técnicas e elaborando tutoriais. Assim, para o uso de qualquer ferramenta, o domínio da tecnologia é uma das competências iniciais e primordiais para que se possa dar continuidade a projetos que envolvem o uso de recursos e ferramentas tecnológicas.

Sensibilização e Mobilização: foram preocupações constantes no grupo dos tutores, visando atender as expectativas do grupo, definindo estratégicas para a sensibilização e mobilização dos participantes junto com as coordenadoras do grupo.

Para tanto, um espaço bastante trabalhado pelos tutores foi a divulgação de eventos científicos como um mecanismo de estímulo para o aprimoramento dos pesquisadores, bem como o planejamento e organização de workshops presenciais, visando à capacitação tecnológica dos membros do grupo, aberto à participação de outros enfermeiros.

Dessa forma, os membros do grupo participaram espontaneamente ao longo do período designado pelo projeto de pesquisa, em seu tempo e ritmo, contribuindo com textos, links e artigos de interesse, bem como sugerindo leituras sobre as ferramentas utilizadas na plataforma. As contribuições surgiram mostrando as várias possibilidades de caminhar melhor e com segurança para a construção proposta.

 

DISCUSSÃO

Os resultados da construção de um AVA para um grupo de pesquisa vão ao encontro da literatura que descreve a importância deste espaço para estimular as produções científicas no campo da tecnologia, considerando-se que as investigações de desenvolvimento de tecnologia ainda estão em fase de construção(7).

Ainda, esta ferramenta permite uma aprendizagem coletiva e colaborativa por reforçar e estimular a participação do indivíduo no processo de aprendizagem, tornando-o coautor de um processo ativo e efetivo(4).

A interatividade exprime a necessidade de um novo trabalho de observação, de concepção e de avaliação dos modos de comunicação que ocorre entre um grupo de pessoas, reforçando a cooperação. É mais que uma característica simples e unívoca atribuível a um sistema específico, não se limitando, portanto, às tecnologias digitais, mas à fluência comunicacional entre os indivíduos(8).

Entende-se ainda que membros de grupos de pesquisa possam mobilizar redes de atores em volta das mesmas situações, compartilhar desafios e assumir áreas de responsabilidade, características que devem ser incorporadas, no nosso entendimento, entre os pesquisadores do grupo(9).

Neste sentido, compartilha-se a visão que considera como um grupo de pesquisa um conjunto de indivíduos organizados hierarquicamente, no qual o fundamento organizador dessa hierarquia é a experiência, o destaque e a liderança no terreno científico e tecnológico. Assim, existe envolvimento profissional e permanente do grupo com atividades de pesquisa e o trabalho se organiza em torno de linhas comuns de pesquisa(10).

Também, foi possível observar a importância da formação e capacitação do tutor, a carência de estudos sobre avaliação da qualidade da EAD aplicada à enfermagem e sobre existência de indicadores nesta área.

A tutoria de um ambiente virtual exige do tutor o desenvolvimento de algumas competências, como a capacidade de gerenciar equipes, habilidades de criar e manter o interesse do grupo, habilidade gerencial para coordenar discussões e trabalhos em grupo e promover um ambiente colaborativo. Deste modo, o tutor é um articulador nos processos de EAD, enfatizando os elementos necessários para o desenvolvimento dos participantes(11).

Uma série de habilidades é necessária ao tutor no que se refere ao saber tecnológico, sendo elas: o domínio técnico suficiente para atuar com naturalidade, agilidade e aptidão no ambiente que está utilizando, ser um usuário dos recursos de rede, conhecer sites de busca e pesquisa, usar e-mails, conhecer a etiqueta, participar de listas e fóruns de discussão e ter sido mediador em algum grupo (e-group). O tutor deve ter um bom equipamento e recursos tecnológicos atualizados, inclusive com plug-ins de áudio e vídeo instalados, além de uma boa conexão com a web, ter participado de pelo menos um curso de capacitação para tutoria ou de um curso online, preferencialmente, utilizando o mesmo ambiente em que estará desenvolvendo sua tutoria(12).

Especificamente na área de EAD, os novos desafios estão voltados à capacitação dos envolvidos para a utilização e criação de tecnologias no processo de trabalho de assistir, de gerenciar, de educar e de pesquisar do enfermeiro, como ferramentas que criam novas dimensões na prática profissional, delineando limites e possibilidades(9-10,13).

A pesquisa e produção do conhecimento nesta área é uma prioridade mundial. Quando realizada de modo coletivo sob a forma de grupos, torna-se um caminho efetivo para: traduzir os resultados dos estudos à prática profissional; ampliar a sua produção; dar maior visibilidade à Enfermagem; integrar diferentes níveis de formação em um objetivo comum de avanço do conhecimento e ampliar e desenvolver a capacidade de produção científica multidisciplinar(14).

 

CONCLUSÃO

Neste estudo, evidenciamos a importância do papel do tutor em um grupo de pesquisa permeado pelas tecnologias, visando estabelecer interação, sensibilização e mobilização aos membros do grupo, bem como lhes proporcionar capacitação tecnológica.

Cabe destacar que, mediante esta experiência, a configuração do ambiente virtual do Grupo de Estudos e Pesquisas de Tecnologia da Informação nos Processos de Trabalho em Enfermagem (GEPETE) foi reformulado, sendo inserido o Espaço Pesquisa, onde cada coordenador de pesquisa inseriu seus projetos, visando disponibilizar ao grupo de pesquisadores ferramentas para o acompanhamento e desenvolvimento coletivo da pesquisa.

A utilização do espaço virtual do GEPETE traz como proposta apoiar as atividades de pesquisa, sobretudo, oferecer ao(s) líder(es) e pesquisadores mecanismos para socialização dos projetos e possibilidades de orientações à distância. A comunicação entre os membros do grupo pode ser melhorada a fim de facilitar o acompanhamento das atividades de pesquisa fomentadas no GEPETE, facilitando o acompanhamento e desenvolvimento dos grupos e subgrupos formados nos projetos de pesquisa.

 

REFERÊNCIAS

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10. Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ). Diretório de Grupos de Pesquisa no Brasil. Perguntas freqüentes [Internet]. Brasília; 2010 [citado 2010 maio 3]. Disponível em: http://dgp.cnpq.br/diretorioc/html/faq.html#g1        [ Links ]

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Endereço para correspondência:
Cláudia Prado
Rua São Vicente de Paulo n.686 - Apto. 11 - Higienópolis
CEP 01229-010 - São Paulo, SP, Brasil

Recebido: 05/08/2010
Aprovado: 13/07/2011

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