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Pesquisa Agropecuária Brasileira

versão impressa ISSN 0100-204Xversão On-line ISSN 1678-3921

Pesq. agropec. bras. v.40 n.11 Brasília nov. 2005

https://doi.org/10.1590/S0100-204X2005001100013 

NOTAS CIENTÍFICAS

 

Seleção de isolados de Verticillium lecanii para o controle de Cinara atlantica

 

Screening of Verticillium lecanii isolates for controlling of Cinara atlantica

 

 

Maria Silvia Pereira LeiteI; Susete do Rocio Chiarello PenteadoI; Scheila Ribeiro Messa ZaleskiI; Joelma Melissa Malherbe CamargoII; Rodrigo Daniel RibeiroII

IEmbrapa Florestas, Caixa Postal 319, CEP 83411-000 Colombo, PR. E-mail: mspleite@cnpf.embrapa.br, susete@cnpf.embrapa.br, srmzaleski@yahoo.com.br
IIFaculdades Integradas Espírita, Rua Tobias de Macedo Jr., nº 333, CEP 82010-340 Curitiba, PR

 

 


RESUMO

O objetivo deste trabalho foi avaliar a patogenicidade de isolados de Verticillium lecanii, sobre Cinara atlantica, e estimar a CL50 do melhor isolado. No teste de seleção, utilizaram-se mudas de pinus com ninfas do pulgão, 20 isolados do fungo e um controle, num total de 21 tratamentos e dez repetições. Na CL50 do isolado CG 904, utilizaram-se seis concentrações, com dez repetições. VL 6, CG 902 e VL 2 apresentaram os mais altos índices de mortalidade, 72,22%, 67,34% e 67,31%, respectivamente. A testemunha apresentou mortalidade de 15,6%. Nos bioensaios de CL50, a concentração de 108 conídios mL-1 , do isolado CG 904, causou mortalidade de 100%, CL50 de 2x105 conídios mL-1 e TL50 de 4,4 dias.

Termos para indexação: Pinus, fungo entomopatogênico, controle microbiano.


ABSTRACT

The aim of this study was to evaluate the pathogenicity of Verticillium lecanii isolates against Cinara atlantica, and the LC50 of the best strain. For selection tests, nymphs of C. atlantica were placed on individual pine seedling with 20 isolates and one control, in a total of 21 treatments and ten replicates. For the LC50 estimation it was used the CG 904 strain with six concentrations and ten replicates. VL 6, CG 902 and VL 2 produced the highest mortality, of 72.22%, 67.34% and 67.31%, respectively. The control plot showed mortality of 15.6%. The LC50 of the CG 904 strain indicated mortality of 100% at the concentration of 108 conidia mL-1; LC50, 2x105 conidia mL-1; and LT50, 4.4 days.

Index terms: Pinus, entomopathogenic fungus, microbial control.


 

 

O pulgão-gigante-do-pinus, Cinara atlantica (Wilson, 1919) (Hemiptera: Aphididae), foi registrado no Brasil em 1998, em plantios de Pinus taeda e Pinus elliottii, tendo causado prejuízos em viveiros e plantios jovens de pinus (Penteado et al., 2000). O fungo Verticillium lecanii (Zimm.) Viégas causa epizootias naturais no pulgão-gigante-do-pinus e demonstra um grande potencial de controle. A patogenicidade de V. lecanii tem sido testada contra várias pragas, como os hemípteros Trialeurodes vaporariorum e Aphis gossypii (Hall, 1982); nos pulgões Myzus persicae, Brachycaudus helichrysi e Macrosiphoniella sanborni (Hall & Burges, 1979); sobre alguns afídeos de cereais, Diuraphis noxia, Acyrthosiphon pisum, Schizaphis graminum, Sitobium avenae, Metapolophium dirhodum e Rhopalosiphum maidis (Feng et al., 1990); sobre Bemisia argentifolii Bellows & Perring, em infestações em plantas de algodão (Gindin et al., 2000) e sobre Macrosiphum euphorbiae Thomas, em plantas de pepino (Askary et al., 1998).

O objetivo deste trabalho foi avaliar a patogenicidade de 20 isolados de Verticillium lecanii, para o controle do pulgão-gigante-do-pinus, e estimar a concentração média letal (CL50) do melhor isolado.

Os pulgões foram coletados em árvores de pinus e transportados para a criação em laboratório, que foi realizada em gaiolas de PVC, com 10x37 cm e três aberturas laterais cobertas por material de plástico transparente. Após a segunda geração, transferiram-se cinco adultos de C. atlantica para gaiolas com uma muda de pinus. Três dias depois, retiraram-se os adultos, deixando-se cinco ninfas por muda. Quando as ninfas atingiram o terceiro ínstar, foram iniciados os bioensaios.

Foram coletados vinte isolados de V. lecanii, de diferentes regiões do Sul e Sudeste do Brasil e do Uruguai (Tabela 1). Os isolados foram cultivados em meio de cultura de arroz, tendo-se aplicado 1,5 mL de suspensão fúngica, na concentração de 1,5x107 conídios mL -1, em cada muda de pinus acondicionada em gaiola. Para a testemunha, pulverizou-se água esterilizada e Tween (70%). Foram realizadas observações, durante 15 dias, registrando-se o número de insetos mortos, com observações dos sintomas apresentados pelas ninfas. Os insetos mortos foram imersos em álcool (70%) e água destilada e mantidos em câmara úmida, para a confirmação do agente causal.

 

 

Os isolados de V. lecanii foram avaliados, quanto à sua patogenicidade, em delineamento experimental inteiramente casualizado, com 21 tratamentos e 10 repetições, com cada unidade experimental constituída de uma muda de pinus, com cinco ninfas de terceiro ínstar de C. atlantica. O experimento foi conduzido em salas climatizadas, com fotófase de 12 horas e temperatura e umidade relativa interna das gaiolas de 20,8±2ºC e 89,1±10%, respectivamente. A eficiência dos isolados foi avaliada mediante a porcentagem de mortalidade e tempo letal médio (TL50). Os dados referentes à mortalidade foram submetidos à análise de variância, e as médias comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Para a estimativa da concentração letal média (CL50), foi selecionado o isolado CG 904, por ter apresentado um dos menores valores de TL50 (6,99 dias) e por não diferir, estatisticamente, quanto à mortalidade (64,10%) dos isolados que causaram os maiores índices: VL 6, CG 902 e VL 2 (Tabela 1). Além disso, em testes que vêm sendo conduzidos em laboratório, o CG 904 tem apresentado produtividade superior aos demais isolados. As concentrações das suspensões fúngicas foram de 5x104, 5x105, 5x106, 1x107 e 1x108 conídios mL-1 . O experimento foi conduzido em sala climatizada, com temperatura interna das gaiolas de 21±2ºC, UR de 88±10% e fotófase de 12 horas. O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, com seis tratamentos e 10 repetições. Na preparação, na aplicação das suspensões e na avaliação, utilizou-se a mesma metodologia empregada no teste anterior. A estimativa da CL50 foi efetuada mediante a utilização do programa computacional Micro Probit (versão 3.0). Os dados referentes à mortalidade foram submetidos à análise de variância, e as médias comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Os sintomas de infecção foram observados pelo escurecimento e pelo intumescimento da massa corporal. A extrusão do fungo ocorreu, inicialmente, pelas inserções do corpo, que produziram conídios de coloração branca. Segundo Alves (1998), a presença dos insetos doentes é determinada pelo aparecimento de um halo branco, associado à estrutura característica do conidióforo e dos conídios do fungo. A Tabela 1 contém os valores referentes às porcentagens de mortalidade de ninfas de C. atlantica e TL50, causados por diferentes isolados de V. lecanii. Os isolados que apresentaram alta infecciosidade foram: VL 6, CG 902, VL 2, VL 5, VL 4, CG 904, CG 903, VL 3, CG 899 e VL 7, que não diferiram estatisticamente entre si, com variação de infecciosidade de 55,4% a 72,2%. Os isolados que apresentaram infecciosidade moderada foram: VL 1, CG 896, CG 898, CG 897 e CG 901, com variação de mortalidade de 37,2% a 53,1%, não tendo diferido estatisticamente entre si. Os isolados CG 893, CG 892, CG 894, CG 900 e CG 895 não diferiram estatisticamente da testemunha e mostraram baixa infecciosidade.

O TL50 variou entre os diferentes isolados, de 6,95 a 12,62 dias, e os isolados CG 895 e CG 904 apresentaram os menores valores, com 6,95 e 6,99 dias, respectivamente, porém o isolado CG 895 causou baixa mortalidade (22,92%). Na testemunha, não foi verificada a ocorrência de V. lecanii em nenhuma das repetições, entretanto a mortalidade foi de 15,6%, em virtude do extenso período de avaliação (15 dias), o que ocasionou, ao final do experimento, sintomas de estresse nas plantas, como clorose e seca dos ponteiros, em conseqüência da alimentação dos pulgões. Alguns isolados de V. lecanii, utilizados na concentração de 107 conídios mL-1 , causaram mortalidade próxima a 72% em ninfas de C. atlantica (Tabela 1).

A suscetibilidade dos afídeos dos cereais ao fungo V. lecanii foi avaliada por Feng et al. (1990), que embora não citem a concentração de conídios utilizada, demonstraram que D. noxia, M. dirhodum, R. maidis, S. graminum, S. avenae e Rhopalosiphum padi apresentaram índices de mortalidade de 85%, 80%, 86%, 62%, 100% e 70%, respectivamente. Dos isolados selecionados, o CG 904 foi o que apresentou um dos menores TL50 (6,9 dias), na concentração de 1,5x107 conídios mL -1. Kim et al. (2003), ao avaliar a patogenicidade dos fungos V. lecanii, Beauveria bassiana e Paecilomyces spp., demonstraram que V. lecanii foi o mais virulento contra Aphis gossypii, tendo apresentado 100% de mortalidade e TL50 de 2,7 dias. Askary et al. (1998) avaliaram a infecciosidade de dois isolados de V. lecanii e o produto comercial Vertalec, no pulgão M. euphorbiae; o TL50 foi de 5 dias para o produto Vertalec e para o isolado 198499, e de 9 dias para o isolado 216596, o que indica que o produto Vertalec e o isolado 198499 foram mais eficientes, com mortalidade de 76% e 94%, respectivamente. Hall & Burgues (1979) obtiveram sucesso no controle de M. persicae, em casa de vegetação, com o fungo V.lecanii, cujo TL50 foi de 3,3 dias.

A CL50 para o isolado CG 904 foi de 2x105 conídios mL-1 , com variação de 1,3x105 a 2,7x105 conídios mL -1. A concentração de 108 conídios mL-1 causou 100% de mortalidade e o TL50 foi de 4,4 dias (Tabela 2), dados semelhantes aos obtidos por Kim et al. (2003), quando utilizaram a concentração 108 conídios mL-1 para o afídeo A. gossypii e para a mosca-branca (T. vaporariorum). Segundo esse autor, as concentrações de 104 a 107 conídios mL-1 resultaram em baixa mortalidade, e para ambas as pragas, a concentração ideal foi de 108 conídios mL-1 . A CL50 para C. atlantica apresentou valores semelhantes aos obtidos por Feng et al. (1990), que estudaram a suscetibilidade dos afídeos de cereais a V. lecanii e determinaram CL50 de 105 conídios mL-1 para D. noxia, M. dirhodum, R. maidis e S. graminum.

 

 

Referências

ALVES, S.B. Microorganismos associados a insetos. In: ALVES, S.B. Controle microbiano de insetos. Piracicaba: Fealq, 1998. p.75-96.         [ Links ]

ASKARY, H.; CARRIÈRE, Y.; BÉLANGER, R.R.; BRODEUR, J. Pathogenicity of the fungus Verticillium lecanii to aphids and powdery mildew. Biocontrol Science and Technology, v.8, p.23-32, 1998.         [ Links ]

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GINDIN, G.; GESCHTOVT, N.U.; RACCAH, B.; BARASH, I. Pathogenicity of Verticillium lecanii to different developmental stages of the silverleaf whitefly, Bemisia argentifolii. Phytoparasitica, v.28, p.1-11, 2000.         [ Links ]

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HALL, R.A.; BURGES, H.D. Control of aphids in glasshouses with the fungus Verticillium lecanii. Annals of Applied Biology, v.93, p.235-246, 1979.         [ Links ]

KIM, J.J.; LEE, M.H.; YOON, C.; KIM, H.; YOO, J.E.; KIM, K. Control of cotton aphid and greenhouse whitefly with a fungal pathogen. Disponível em: <http://www.fftc.agnet.org/library/abstract/eb502b.html>. Acesso em: out. 2003.         [ Links ]

PENTEADO, S.R.C.; TRENTINI, R.F.; IEDE, E.T.; REIS FILHO, W. Ocorrência, distribuição, danos e controle de pulgões do gênero Cinara em Pinus spp. no Brasil. Revista Floresta, v.30, p.55-64, 2000.         [ Links ]

WILSON, H.F. Some new Lachnids of the genus Lachniella (Homoptera: Hemiptera). The Canadian Entomologist, v.51, p.18-47, 1919.        [ Links ]

 

 

Recebido em 25 de agosto de 2004 e aprovado em 6 de maio de 2005

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