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Pesquisa Agropecuária Brasileira

versão impressa ISSN 0100-204Xversão On-line ISSN 1678-3921

Pesq. agropec. bras. v.43 n.11 Brasília nov. 2008

https://doi.org/10.1590/S0100-204X2008001100006 

FITOTECNIA

 

Adaptabilidade e estabilidade de genótipos de girassol no Brasil Central

 

Adaptability and stability of sunflower genotypes in Central Brazil

 

 

Anna Karolina GrunvaldI; Claudio Guilherme Portela de CarvalhoII; Ana Cláudia Barneche de OliveiraIII; Carlos Alberto de Bastos AndradeI

IUniversidade Estadual de Maringá, Departamento de Agronomia, Avenida Colombo, nº 5.790, CEP 87020-900 Maringá, PR. E-mail: karolgrunvald@hotmail.com, cabandrade@uem.br
IIEmbrapa Soja, Caixa Postal 231, CEP 86001-970 Londrina, PR. E-mail:cportela@cnpso.embrapa.br
IIIEmbrapa Clima Temperado, Caixa Postal 403, CEP 96001-970 Pelotas, RS. E-mail: barneche@cpact.embrapa.br

 

 


RESUMO 

O objetivo deste trabalho foi avaliar a adaptabilidade e estabilidade de genótipos de girassol, no Brasil Central, quanto ao rendimento de grãos e de óleo. Os dados foram obtidos de ensaios de genótipos de girassol coordenados pela Embrapa Soja, de 2004 a 2007. Foram usados os métodos de Eberhart & Russell, Porto et al., Rocha et al. e Annicchiarico. Foi realizada a decomposição do índice de recomendação de Annicchiarico nos ambientes favoráveis e desfavoráveis. Este método e o de Porto et al. foram similares e mais adequados para avaliar a adaptabilidade dos genótipos. Em relação ao rendimento de grãos, as variedades BRSGira 02 e Nutrissol apresentaram adaptação ampla. Os híbridos Agrobel 959, MG50 e V03005 e as variedades Catissol e Multissol apresentaram adaptação aos ambientes favoráveis, e os híbridos BRHS 02 e BRHS 04 apresentaram adaptação aos ambientes desfavoráveis. Quanto ao rendimento de óleo, os híbridos Agrobel 959, V03005, MG50, VDH 487, EXP 1441, EXP 1447 e EXP 1446 e as variedades BRSGira 01, BRSGira 02 e Nutrissol apresentaram adaptação ampla. O híbrido MG52 e as variedades Catissol e Multissol mostraram adaptação aos ambientes favoráveis, e BRHS 04 e BRHS 02 mostraram adaptação aos ambientes desfavoráveis. Os genótipos selecionados mostraram-se estáveis, mas em níveis diferenciados.

Termos para indexação: Helianthus annuus, interação genótipo e ambiente, melhoramento genético.


ABSTRACT

The objective of this study was to evaluate the adaptability and stability of sunflower genotype grain and oil yield, in Central Brazil. The analyzed data were obtained from sunflower genotype trials coordinated by Embrapa Soja, from 2004 to 2007. Genotype adaptability and stability were evaluated using the methods of Eberhart & Russell, Porto et al., Rocha et al., and Annicchiarico. The Annicchiarico method divides sites into favorable and unfavorable environments. This method and the one of Porto et al. were similar and more adequate to evaluate genotypic adaptability. For grain yield, the varieties BRSGira 02 and Nutrissol were widely adapted. The hybrids Agrobel 959, MG50 and V03005 and the varieties Catissol and Multissol were adapted to favorable environments and the hybrids BRHS 02 and BRHS 04 were adapted to unfavorable environments. For oil yield, the hybrids Agrobel 959, V03005, MG50, VDH 487, EXP 1441, EXP 1447, and EXP 1446 and the varieties BRSGira 01, BRSGira 02, and Nutrissol were widely adapted. The hybrid MG52 and the varieties Catissol and Multissol were adapted to favorable environments and BRHS 04 and BRHS 02 were adapted to unfavorable environments. The selected genotypes were shown to be stable, but at different levels.

Index terms: Helianthus annuus, genotype and environment interaction, genetic improvement.


 

 

Introdução

O girassol (Helianthus annuus L.) foi a quinta oleaginosa em produção de grãos (27,53 milhões de Mg) e em área cultivada (22,76 milhões de hectares) no mundo (Estados Unidos, 2008), na safra 2007, enquanto no Brasil foi cultivada em uma área de, aproximadamente, 100 mil hectares (Reunião..., 2007). Entre outros usos, suas sementes podem ser utilizadas para a fabricação de ração animal e para a extração de óleo de alta qualidade para consumo humano ou como matéria-prima para a produção de biodiesel (Leite et al., 2005). No Brasil, quando comparado a outras culturas, o girassol apresenta maior resistência à seca e a baixas temperaturas, além de ser pouco influenciado pela latitude, altitude e fotoperíodo (Castro et al., 1997). Em razão dessas particularidades agronômicas, da diversidade de utilização e da crescente demanda do setor industrial e comercial, há perspectivas de aumento da área cultivada, principalmente na região central do país. Nessa região, é comum a realização de uma segunda safra de verão em fevereiro/março, de modo que o cultivo principal é estabelecido de outubro a início de novembro, com colheita em fevereiro. O girassol é uma das culturas favoráveis para essa segunda safra, em razão da ocorrência de condições pluviométricas e de temperaturas adequadas para o seu cultivo (Porto et al., 2008).

Além da época de semeadura, o sucesso do estabelecimento da cultura do girassol, no sistema produtivo brasileiro, depende, entre outros fatores, da utilização de genótipos adaptados às regiões de cultivo. A escolha de genótipos adaptados a essas regiões é dificultada, quando se verifica a presença de interação genótipos x ambientes. Ela ocorre quando há respostas diferenciadas dos genótipos testados em diferentes ambientes, e pode ser reduzida pelo uso de cultivares específicas para cada ambiente, ou com ampla adaptabilidade e boa estabilidade ou, ainda, pela estratificação da região considerada em sub-regiões com características ambientais semelhantes, onde a interação passa a ser não-significativa (Ramalho et al., 1993; Cruz & Regazzi, 1994). Esta segunda alternativa tem sido a mais utilizada em diversas culturas (Ramalho et al., 1993).

O estudo de adaptabilidade e estabilidade favorece a identificação de genótipos de comportamento previsível e que sejam responsivos às variações ambientais, em condições específicas (ambientes favoráveis ou desfavoráveis) ou amplas (Cruz & Regazzi, 1994). No Brasil, desde 1989, a avaliação e a seleção de genótipos de girassol de várias empresas têm sido realizadas por meio da Rede de Ensaios de Avaliação de Genótipos de Girassol, coordenada pela Embrapa Soja e conduzida por instituições públicas e privadas. Contudo, poucos estudos de adaptabilidade e estabilidade desses genótipos têm sido realizados (Porto et al., 2007, 2008).

O objetivo deste trabalho foi avaliar a adaptabilidade e a estabilidade de genótipos de girassol, no Brasil Central, quanto a rendimento de grão e de óleo, entre 2004 e 2007.

 

Material e Métodos

Foram analisados os dados de rendimento de grãos e de óleo, obtidos entre os anos de 2004 e 2007, da Rede de Ensaios de Avaliação de Genótipos de Girassol, coordenada pela Embrapa Soja e que contou com a participação de diversas instituições públicas e privadas. As características locais, com as respectivas instituições responsáveis pelos ensaios, estão descritas na Tabela 1.

Os ensaios foram semeados nos meses de fevereiro e março, em delineamento experimental de blocos completos ao acaso, com quatro repetições. Cada parcela foi constituída por quatro linhas de 6 m, espaçadas de 0,7 a 0,9 m. As duas linhas externas de cada parcela (bordaduras) foram descartadas, assim como 0,5 m de cada extremidade das duas linhas centrais, o que representou uma área útil de 7 a 9 m2.

Genótipos híbridos (simples e duplos) e de variedades (populações de polinização aberta) de girassol, pertencentes às empresas Advanta, CATI, Dow AgroSciences, Embrapa Soja, Seminium e Helianthus do Brasil, foram testados. Como testemunhas de híbridos foram utilizados M 734 e Agrobel 960 e como testemunha de variedades, a cultivar Embrapa 122. Cada grupo de genótipos foi avaliado durante dois anos, nos ensaios finais de primeiro e de segundo ano.

As análises de variância foram realizadas para os componentes de rendimento aferidos em cada local e ano. Como nem sempre os locais de teste dos ensaios finais de primeiro ano foram os mesmos dos de segundo ano, uma análise conjunta de ambientes (local e ano específicos) foi realizada para cada grupo de genótipos. Para isto, verificou-se, para os dois caracteres, a existência de homogeneidade das variâncias residuais, obtidas nas análises de ambientes, sempre que a razão entre o maior e o menor quadrado médio residual foi inferior a 7 (Pimentel-Gomes, 1985). Além disso, os ensaios que apresentaram coeficientes de variação (CV) superiores a 20% não foram considerados na análise conjunta (Pimentel-Gomes, 1985; Carvalho et al., 2003).

Foi feita a avaliação da adaptabilidade e estabilidade dos genótipos, quanto a rendimento de grãos e de óleo, pelos métodos de Eberhart & Russell (1966), Annicchiarico (1992), Rocha et al. (2005) e Porto et al. (2007).

O genótipo ideal no método de Eberhart & Russel é aquele que apresenta alto rendimento, adaptabilidade geral (β1i = 1) e alta previsibilidade ( ou alto R2). No presente estudo, a superioridade dos genótipos em rendimento foi verificada por meio do teste de Scott & Knott, a 5% de probabilidade, e por comparação da média geral de cada genótipo com a média das médias gerais das testemunhas.

No método de Porto et al. (2007), é feita a decomposição da média geral em médias de ambientes favoráveis (MF) e desfavoráveis (MD). É considerado ambiente favorável aquele cuja média é superior à média geral do ensaio, e é considerado ambiente desfavorável, aquele cuja média é inferior à da geral (Verma et al., 1978). Um genótipo é indicado para os ambientes favoráveis, quando se destaca apenas para esses ambientes, o mesmo procedimento é realizado para ambientes desfavoráveis. Quando sua média é superior nos dois tipos de ambiente, ele tem indicação geral. No presente estudo, a superioridade dos genótipos, nos diferentes ambientes, foi verificada de modo similar ao realizado no método de Eberhart & Russel.

O ideótipo com máxima adaptabilidade geral, no método de Rocha et al. (2005), é aquele que apresenta os valores máximos observados em todos os ambientes estudados (ideótipo I); o ideótipo com adaptabilidade específica a ambientes favoráveis é o que apresenta máxima resposta em ambientes favoráveis e mínima resposta em ambientes desfavoráveis (ideótipo II); o ideótipo com adaptabilidade específica a ambientes desfavoráveis é o que apresenta máxima resposta em ambientes desfavoráveis e mínima resposta em ambientes favoráveis (ideótipo III); e o ideótipo de mínima adaptabilidade é o que apresenta os menores valores observados em todos os ambientes estudados (ideótipo IV). Para se avaliar a adaptabilidade dos genótipos de girassol, entre 2004 e 2007, foi feita a comparação de suas distâncias cartesianas das quatro referências ideais (ideótipos), por meio do cálculo da medida de probabilidade especial (P), conforme Rocha et al. (2005).

No método de Annicchiarico (1992), os genótipos selecionados são aqueles que apresentam índices de recomendação (ωig) superiores ou próximos (acima de 97) de 100. No presente estudo, calculou-se, também, a estimativa do parâmetro de adaptabilidade proposto por Annicchiarico (1992) nos ambientes favoráveis (ωif) e desfavoráveis (ωid), conforme Cruz & Carneiro (2003). Contudo, o índice de cada genótipo foi comparado à média dos índices das testemunhas, em cada tipo de ambiente. Os genótipos indicados para ambientes favoráveis foram aqueles que apresentaram valores de ωif superiores à média dos ωif das testemunhas e valores de ωid inferiores à média dos ωid das testemunhas. A indicação geral foi obtida, quando o genótipo mostrou ωif e id superiores à média dos ωif e ωid das testemunhas, respectivamente.

Todas as análises estatísticas foram realizadas por meio do programa GENES (Cruz, 2001).

 

Resultados e Discussão

Nas análises de variância conjuntas em relação a rendimentos de grãos e de óleo, diferenças significativas (p<0,01) entre os genótipos foram observadas pelo teste F, o que indica a necessidade de realização de testes de média para sua discriminação (Tabela 2). Os coeficientes de variação (CV), para os componentes de rendimento avaliados, foram classificados como médios, de acordo com Pimentel-Gomes (1985) e Carvalho et al. (2003) e indicam que a precisão experimental foi satisfatória.

Apesar dos valores aceitáveis de CV, o uso do teste de Scott-Knott, a 5% de probabilidade, para a discriminação dos genótipos, apontou, no geral, diferenças significativas entre eles somente quando houve grande diferença entre suas médias gerais (Tabelas 34). Resultados similares foram verificados por Oliveira et al. (2001), Carvalho et al. (2003), Oliveira (2003) e Porto et al. (2007, 2008), ao adotar o teste de Duncan e o mesmo nível de significância. No presente estudo, por exemplo, não houve diferenciação (p>0,05) entre híbridos e variedades (populações de polinização aberta) testadas, entre 2004 e 2006, quanto à média geral de rendimento de grãos (Tabela 3). A depender da safra avaliada, mesmo tendo-se adotado significância superior a 25%, os genótipos não foram diferenciados. Contudo, quando verificada a classificação dos genótipos, em cada ambiente testado, foi possível observar diferenças entre eles. Em 2006, o híbrido M 734 ocupou os primeiros postos, e a variedade Embrapa 122 os últimos, na maioria dos locais (Tabela 5). Além disso, em todos os anos avaliados, nenhum genótipo superou as testemunhas com base no teste de média utilizado. A não superioridade de genótipos de girassol, em relação às testemunhas, e a diferenciação na classificação de genótipos que apresentaram desempenhos produtivos similares, com base em testes de média, foram obtidas, também, por Porto et al. (2007, 2008).

Em razão da pouca diferenciação entre genótipos, no uso de testes de média, a seleção de híbridos e variedades de girassol foi feita por meio da comparação de seus desempenhos, em relação à média das testemunhas dos ensaios, como sugerido por Porto et al. (2007). Portanto, os selecionados foram aqueles que apresentaram média geral superior (em valor numérico) à média daquelas testemunhas. A utilização desse critério reduziu o número de genótipos selecionados, em relação ao teste de Scott-Knott (Tabelas 34).

Em 2005, os híbridos com média geral superior à média das testemunhas quanto ao rendimento de grãos foram V03005 e Agrobel 959, e a variedade superior foi a Catissol. Em 2006, nenhum híbrido superou a média dos híbridos, ao passo que a Nutrissol superou a das variedades. Em 2007, a variedade BRSGira 02 (2007) se destacou das testemunhas. Em relação ao rendimento de óleo, os híbridos Agrobel 959 (2005), V03005 (2005), MG50 (2005), BRHS 04 (2005), VDH 487 (2006), EXP 1441 (2006), MG52 (2006), EXP 1447 (2007), EXP 1446 (2007), e as variedades Catissol (2005), Nutrissol (2006), BRSGira 02 (2007) e BRSGira 01 (2007) tiveram média superior à média das testemunhas, nos respectivos anos de avaliação. Assim, apenas V03005, Agrobel 959, Nutrissol, Catissol e BRSGira 02 foram selecionados para os dois componentes de rendimento com base na média geral. Quando um genótipo for superior em apenas um dos componentes de rendimento, a escolha do melhor genótipo pelo produtor deve se basear na política vigente de comercialização das indústrias esmagadoras de girassol. Atualmente, elas prevêem bonificações aos genótipos que tenham teores de óleo acima de 40% (Oliveira et al., 2005).

Nas análises de variância conjuntas quanto a rendimentos de grãos e de óleo, diferenças significativas (p<0,01) na interação genótipo x ambiente foram observadas por meio de teste F (Tabela 2), o que indica que a diferença no comportamento entre genótipos variou em razão do ambiente avaliado e, por conseqüência, revela a importância de estudos de adaptabilidade e estabilidade dos genótipos. A presença de interação genótipo x ambiente, em ensaios de competição de cultivares de girassol, foi também verificada por Lu´Quez (2002), De la Vega & Chapman (2006) e Porto et al. (2007, 2008).

De 2004 a 2007, entre os genótipos que obtiveram maiores médias gerais quanto ao rendimento de grãos, nenhum híbrido foi considerado ideal pelo método de Eberhart & Russell (1966) (Tabela 3). Em relação ao rendimento de óleo, apenas o BRHS 04 (2005) e o EXP 1441 (2006) apresentaram adaptabilidade geral (β1i = 1) e boa previsibilidade (R2 elevado) (Tabela 4). Alguns híbridos, no entanto, tiveram adaptabilidade a ambientes específicos, como Agrobel 959 (2005) e V03005 (2005) (β1i>1) quanto ao rendimento de grãos e MG52 (2006) (β1i>1) em relação ao rendimento de óleo. Assim, apesar de esses híbridos terem tido médias gerais superiores à das testemunhas, essa superioridade ocorreu em conseqüência do desempenho em um ambiente específico. Quanto às variedades, Catissol (2005) e BRSGira 02 (2007) foram ideais para os dois componentes de rendimento avaliados, Nutrissol (2006) para rendimento de grãos e BRSGira 01 (2007) para rendimento de óleo.

Ao se adotar o método de Porto et al. (2007) similar ao obtido pelo de Eberhart & Russell (1966), nenhum híbrido avaliado teve indicação geral quanto ao rendimento de grãos, entre 2005 e 2007 (Tabela 3). No entanto, os híbridos Agrobel 959 (2005), MG 50 (2005) e V 03005 (2005) foram superiores nos ambientes favoráveis, BRHS 02 (2005) e BRHS 04 (2005) nos ambientes desfavoráveis, e são indicados para esses ambientes específicos. Com relação às variedades avaliadas, a BRSGira 02 (2007) teve indicação geral e a Catissol (2005) e a Multissol (2005) se destacaram nos ambientes favoráveis. Com relação ao rendimento de óleo, os híbridos Agrobel 959 (2005), V 03005 (2005), MG 50 (2005), VDH 487 (2006), EXP 1441 (2006), EXP 1447 (2007), EXP 1446 (2007) e as variedades BRSGira 02 (2007) e BRSGira 01 (2007) apresentaram indicação geral (Tabela 4). Quanto à indicação específica, o híbrido MG 52 (2006) e as variedades Catissol (2005) e Multissol (2005) foram indicados para ambientes favoráveis, e o híbrido BRHS 04 (2005) para ambientes desfavoráveis. Assim, nenhum genótipo teve indicação geral quanto ao rendimento de grãos e de óleo, apenas a variedade BRSGira 02 (2007).

Considerando-se os genótipos selecionados com base no método de Porto et al. (2007), 60% apresentaram a mesma classificação obtida pelo de Eberhart & Russell (1966) em relação ao rendimento de grãos, e apenas 28% quanto ao rendimento de óleo (Tabelas 34). Quando houve discordância entre os dois métodos, resultados mais coerentes foram obtidos pelo método de Porto et al. (2007), pois o de Eberhart & Russell (1966) classificou genótipos com base na média geral e, assim, não evidenciou genótipos que, apesar de apresentarem desempenhos inferiores à média geral, destacaram-se em ambientes específicos, como os híbridos MG50 (rendimento de grãos em ambientes favoráveis), BRHS 02 (rendimento de grãos e de óleo em ambientes desfavoráveis) e BRHS 04 (rendimento de grãos em ambientes desfavoráveis), além da variedade Multissol (rendimento de grãos e de óleo em ambientes favoráveis), na safra 2005 (Tabelas 34). A decomposição da média geral é importante para o fornecimento de informações sobre o tipo de ambiente para o qual um determinado genótipo pode ser indicado. A maior coerência do método de Porto et al. (2007), em relação aos obtidos pelo de Eberhart & Russell (1966), foram verificados, também, quando genótipos que se destacaram nos dois tipos de ambientes tiveram adaptabilidade a ambientes específicos pelo último método. No rendimento de óleo, por exemplo, os híbridos Agrobel 959 (2005), V03005 (2005), MG50 (2005), VDH 487 (2006), EXP 1446 (2007), EXP 1447 (2007), que apresentaram médias superiores à das testemunhas, em ambientes favoráveis e desfavoráveis, e mostraram ter indicação geral pelo método de Porto et al. (2007), foram classificados como possuidores de adaptabilidade a ambientes favoráveis (β1i>1), pelo método de Eberhart & Russell (1966) (Tabela 4). Observou-se, pelo método de Porto et al. (2007), também, que genótipos que apresentaram média superior à das testemunhas, em apenas um ambiente, foram considerados com indicação geral pelo método de Eberhart & Russell (1966), como Catissol em rendimento de grãos e de óleo (indicação a ambientes favoráveis) e BRHS 04 em rendimento de óleo (indicação a ambientes desfavoráveis), em 2005.

Segundo Porto et al. (2007), apesar da boa adequação da decomposição da média geral para a indicação de genótipos, a análise dos coeficientes de regressão contribui com informações adicionais. No presente estudo, por exemplo, os híbridos Agrobel 959 (2005), V03005 (2005), MG50 (2005), VDH 487 (2006), EXP 1446 (2007), EXP 1447 (2007) tiveram indicação geral pelo método de Porto et al. (2007), e coeficientes de regressão superiores à unidade quanto ao rendimento de óleo (Tabela 4). Assim, esses híbridos são indicados para ambientes favoráveis e desfavoráveis, mas apresentam maior responsividade nos ambientes favoráveis (β1i>1).

Essas informações evidenciaram que, quando o interesse for rendimento de óleo, o produtor pode cultivar esses híbridos nos dois ambientes, mas que a melhoria das condições ambientais poderá trazer retornos econômicos maiores, pois β1i>1. Por sua vez, a variedade Nutrissol, avaliada na safra 2006, obteve indicação geral pelo método de Porto et al. (2007), mas mostrou baixa responsividade à melhoria das condições ambientais (β1i<1); nesse caso, o investimento na melhoria das condições ambientais poderá não acarretar retornos econômicos satisfatórios.

Além do coeficiente de regressão, Porto et al. (2007) mencionaram, também, que os parâmetros e R2, utilizados no método de Eberhart & Russell (1966), são úteis na seleção de genótipos para a avaliação de suas estabilidades e verificação das oscilações dos componentes de rendimento quanto às mudanças ambientais. Os híbridos selecionados para rendimento de grão e de óleo, pelo método de Porto et al. (2007), apresentaram nulo ou R2 alto e, portanto, podem ser considerados estáveis. Mas, esta estabilidade ocorreu de modo diferenciado, como pode ser verificado pelos diferentes valores de R2 estimados. Resultados similares foram obtidos pelas variedades Nutrissol (2006) e BRSGira 02 (2007), em relação aos componentes de rendimento avaliados. Assim, a escolha da cultivar, de acordo com o método de Porto et al. (2007), associada ao estudo de regressão (β1i, e R2), pode ser uma ferramenta importante para indicar os genótipos a serem utilizados pelos produtores.

Apesar da classificação indicada na Tabela 6, poucos genótipos apresentaram probabilidade (P) de pertencer a um determinado ideótipo superior a 0,5, tendo sido a maioria próximo de 0,25. Rocha et al. (2005) mencionaram que a determinação da adaptabilidade de um genótipo, por componentes principais, será confiável somente quando P for superior a 0,5, e os dois primeiros componentes explicarem mais de 80% da variação total. Assim, os resultados do presente estudo não demonstraram boa confiabilidade para se determinar a adaptabilidade dos genótipos de girassol, avaliados entre 2004 e 2007 por análise de componentes principais.

Quanto ao método de Annicchiarico (1992), os genótipos que apresentaram média superior à média geral tiveram índice de recomendação ωig superior ou próximo (acima de 97) de 100 e, portanto, foram selecionados (Tabelas 3 e 4). Essa mesma tendência na seleção ocorreu, quando foi feita a decomposição desse índice em ambientes favoráveis (ωif) e desfavoráveis (ωid). Além disso, como a maioria dos genótipos avaliados foi de híbridos, a média geral tendeu a superar as médias das variedades, e nenhuma delas se destacou em nenhum componente de rendimento. Em razão disso, a seleção dos genótipos (híbrido ou variedade) foi feita, também, pela comparação dos respectivos índices ωif e ωid com a média dos índices de recomendação das testemunhas (híbrido ou variedade); neste caso, a seleção foi mais rigorosa e possibilitou a detecção de variedades promissoras. Houve boa concordância entre os métodos de Porto et al. (2007) e de Annicchiarico (1992), o que pode ser verificado pelas estimativas de correlação próximas, geralmente, da unidade (0,96 a 0,99) entre MF e ωif e MD e ωid, quanto aos caracteres avaliados. Houve discordância entre os métodos, somente quando as médias (MF e MD) dos genótipos foram próximas da média das testemunhas (ponto de referência). Em tais situações, um número maior de ambientes avaliados pode ser necessário, para melhor se definir a adaptabilidade dos referidos genótipos. Apesar dos resultados similares, a utilização do método de Porto et al. (2007), em relação ao da decomposição do índice de recomendação de Annicchiarico (1992), teve como vantagem a maior facilidade de cálculo.

 

Conclusão

Em relação ao rendimento de grãos e de óleo avaliados no Brasil Central, os genótipos de girassol apresentam adaptabilidade e estabilidade diferenciadas.

 

Agradecimentos

Aos pesquisadores e instituições que avaliaram os ensaios da Rede de Avaliação de Genótipos de Girassol, cujos dados experimentais foram necessários para a elaboração deste trabalho.

 

Referências

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Recebido em 7 de agosto de 2008 e aprovado em 13 de outubro de 2008

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