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Revista Brasileira de Fruticultura

Print version ISSN 0100-2945On-line version ISSN 1806-9967

Rev. Bras. Frutic. vol.30 no.3 Jaboticabal Sept. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-29452008000300001 

A figueira

 

 

A figueira, originária da Ásia Menor e da Síria, na região mediterrânea, foi, pela primeira vez, cultivada e selecionada pelos árabes e judeus, numa região situada no sudoeste da Ásia. É uma das mais antigas plantas cultivadas no mundo, desde os tempos pré-históricos, sendo considerada pelos povos antigos como símbolo da honra e fertilidade. Segundo os botânicos da Universidade americana de Harvard, as figueiras do Oriente Médio foram o primeiro cultivo realizado pelo ser humano, há 11.400 anos. Os pesquisadores encontraram restos de figos pequenos e sementes secas, enterradas num povoado no vale do Rio Jordão, ao norte de Jericó. Os frutos estavam bem conservados, o que demonstrou evidências de que eram secos para o consumo humano.

O figo foi um dos alimentos mais populares que sustentaram a humanidade desde o começo da sua história. Os frutos foram utilizados como alimento dos atletas olímpicos adiantados e oferecidos aos vencedores, como a primeira medalha olímpica. A planta foi descrita em muitas passagens bíblicas, como árvore sagrada e respeitada pelos homens.

Durante o período dos grandes descobrimentos, o figo foi difundido para as Américas. No Brasil, acredita-se que a figueira tenha sido introduzida pela primeira expedição colonizadora, em 1532, no Estado de São Paulo.

A figueira é chamada botanicamente de Ficus carica, L. e pertence à família das Moráceas. A planta de figueira chega a atingir de 3 a 7 metros de altura. No Brasil, devido às técnicas culturais utilizadas, especialmente as podas anuais de frutificação, seguidas de desbrotas, que condicionam o desenvolvimento de um número determinado de ramos por ano, a planta adquire um porte arbustivo.

A figueira é planta de folhas caducas. As gemas frutíferas e vegetativas aparecem nos ramos, junto às axilas das folhas, durante a estação de crescimento. A espécie F. carica é ginodióica, havendo duas distintas formas de plantas: o caprifigo, que é monóico, e o figo, que é dióico.

O fruto verdadeiro do figo, denominado aquênio, é proveniente da polinização e singamia. A figueira cultivada no Brasil, caracteriza-se por apresentar flores no interior de um receptáculo suculento, denominado sicônio, que nada mais é do que o próprio figo, desenvolvido partenocarpicamente.

A cultura da figueira no Brasil teve o início da sua exploração econômica somente a partir de 1910, onde começou a ser cultivada comercialmente na região de Valinhos-SP. Nessa região, os plantios restringem-se ao cultivo de uma única cultivar, que é o Roxo de Valinhos. Essa cultivar foi introduzida no Brasil no início do século XX, na região de Valinhos-SP, pelo italiano Lino Bussato, sendo proveniente da Itália, numa região situada próxima ao mar Adriático.

A planta do figo 'Roxo de Valinhos' é vigorosa, produtiva e adaptada ao sistema de poda drástica, cuja prática teve de ser adotada para ajudar no controle de pragas e doenças. Trata-se da única cultivar que possui valor econômico, caracterizando-se pela rusticidade, vigor e produtividade, sendo também um produto sensível ao manuseio e facilmente deteriorável. A produção pode ser destinada à indústria, para fabricação da compota de figos verdes, geléias, figo cristalizado, ou para o consumo ao natural.

A figueira é cultivada comercialmente nos Estados do Rio Grande do Sul (39,42%), São Paulo (35,15%) e Minas Gerais (18,75%). A produção paulista é principalmente destinada para o mercado de frutas ao natural, e a dos outros estados para o processamento industrial. Conforme dados do Ministério da Agricultura (2008), o Brasil produziu 26.476 t de figos em 2006, numa área de 3.020 ha, resultando numa média de produtividade nacional de 8,8 t/ha.

A cultura da figueira é interessante para o Brasil, pela possibilidade de as exportações brasileiras entrarem na entressafra da Turquia, que é o maior produtor mundial. O Brasil destaca-se como um grande fornecedor de figos para o mundo, sendo que, de 20 a 30% do volume total produzido no País, é destinado para a exportação. A comercialização é feita em caixas de 1,6 kg da fruta.

No Estado de São Paulo, a cultura apresenta cerca de 510 mil pés cultivados, numa área de 330 hectares, sendo que o cultivo se caracteriza por ser uma atividade predominantemente familiar, em pequenas áreas. Na região de Campinas, principalmente no município de Valinhos, onde a cultura se desenvolveu inicialmente, concentra-se mais de 80% da produção paulista de figo.

 

Sarita Leonel
Professor Adjunto do Departamento de ProduçãoVegetal
Horticultura da Faculdade de Ciências Agronômicas
Universidade Estadual Paulista
Caixa Postal 237 - 18.610-307. Botucatu-SP
sarinel@fca.unesp.br

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