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Revista Brasileira de Fruticultura

Print version ISSN 0100-2945

Rev. Bras. Frutic. vol.32 no.1 Jaboticabal Mar. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-29452010000100001 

A cultura da pereira no Brasil

 

 

A pereira é a única frutífera relevante, de clima temperado, cuja área de plantio ainda não está plenamente desenvolvida no Brasil. É também uma das espécies menos estudadas em nosso meio. Essa estagnação ou pouca importância deve-se à baixa produtividade e qualidade dos frutos obtidos até o momento, essencialmente devido à falta de cultivares com frutos de alta qualidade que sejam bem adaptadas às condições do pouco frio hibernal existente no País. Outros fatores também contribuem para isso, tais como a falta de informações referentes ao comportamento de porta-enxertos; o controle inadequado de doenças e pragas; a falta de financiamento de longo prazo para a implantação de novos pomares; a falta de disponibilidade de mudas de alta qualidade; a deficiência no manejo das plantas e a competição de outras frutíferas de retorno econômico mais rápido, como a macieira.

Cerca de 90% das peras consumidas no Brasil são importadas. Em 2008, foram importadas 139 mil ton. de pêra, ao custo de US$ 120,6 milhões (FOB). Essas quantidades de pera representam a maior percentagem no total dos frutos in natura importados pelo Brasil: 54,8% da quantidade e 49,6% do valor. As peras de alta qualidade aqui produzidas suprem apenas uma pequena parte do mercado e somente entre os meses de fevereiro e abril. Após este período, existem somente frutos importados no mercado, principalmente da Argentina, Chile, EUA e Portugal.

Comercialmente, é possível dividir a pera em dois tipos: europeias e asiáticas. As europeias (Pyrus communis) são as peras mais consumidas no Brasil e apresentam formato piriforme e polpa amanteigada quando bem maduras, sendo exemplo as cvs. Williams (= Bartlett), Packhams Triumph, Anjou, Rocha e Abate Fetel. As peras asiáticas podem ser divididas em japonesas e chinesas. As peras japonesas (P. pyrifolia var. culta) possuem frutos arredondados. As peras chinesas (P. bretschneideri e P. ussuriensis) apresentam frutos mais piriformes e polpa menos doce e menos suculenta que as japonesas.

A produção de pera europeia, de alta qualidade, está concentrada no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina; a da pera chinesa (cv. Yali), no Paraná, Santa Catarina e São Paulo. As pequenas áreas de plantio da pereira japonesa de alta qualidade estão localizadas em Santa Catarina (cerca de 131 ha), Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais.

Pela pouca difusão e conhecimento da população, porém de elevada qualidade de frutos e potencial produtivo, apresentamos, em destaque especial, estudos sobre a pera japonesa, cujas principais variedades plantadas no Sul do País são as cvs. Housui, Nijisseiki e Kousui. Nos últimos dez anos, cresceu o plantio da cv. Housui e decresceu o plantio das cvs. Nijisseiki e Kousui. Esta última, apesar da excelente floração, produz frutos pequenos e é altamente suscetível à seca dos ramos. No Estado de São Paulo, são mais plantadas as peras japonesas das cvs. Atago e Okusankichi, de menor qualidade comercial. Os frutos da pera japonesa são arredondados e possuem casca marrom ou verde-amarelada; a polpa é branca a creme-clara, macia, muito suculenta e doce; e o aroma é suave e discreto. Devem ser colhidos quando maduros e não quando ainda estão imaturos, como é feito com a pera europeia. O mais indicado é saborear os frutos gelados e sem a casca.

Testes de mercado indicaram uma excelente aceitabilidade da pera japonesa pelos consumidores, sendo que a preferência brasileira é para frutos com peso médio de 250g. O preço final, em supermercados, tem variado entre R$ 3,00 e R$ 6,00/kg. Em mercados seletos, como as quitandas especializadas, o preço é maior, e os frutos de maior peso atingem preços mais altos, principalmente os ensacados durante o desenvolvimento do fruto na planta.

Há diversas cultivares de pereira sendo testadas atualmente, principalmente pelas Estações Experimentais da EPAGRI, da EMBRAPA e do IAC. Na Epagri/Estação Experimental de Caçador, está localizado o maior Banco de Germoplasma de Pera do Brasil, no qual existem 34 acessos do tipo asiático e mais 164 acessos de cultivares europeias e híbridos. Em face das mudanças climáticas, ora em andamento, tornam-se estratégicos a pesquisa e o lançamento de novas cultivares de pereira, mais adaptadas às condições edafo-climáticas do Sul do Brasil.

Neste contexto, torna-se necessário o aumento de pesquisas e o consequente repasse das informações sobre a pereira aos produtores rurais além de outras ações governamentais, objetivando o aumento da área plantada. Assim, oferecer-se-á mais uma importante opção de renda, e o desenvolvimento da cultura trará economia de divisas ao Brasil.

Uma boa fonte de consulta sobre a pereira é o livro editado pela Epagri/Jica: "Nashi, a pera japonesa".

 

Ivan Dagoberto Faoro1 e Afonso Inácio Orth2
1Epagri/Estação Experimental de Caçador, faoro@epagri.sc.gov.br
2Universidade Federal de Santa Catarina/CCA/RGV, aorth@mbox1.ufsc.br

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