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Radiologia Brasileira

versão On-line ISSN 1678-7099

Radiol Bras v.37 n.1 São Paulo jan./fev. 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-39842004000100020 

RESUMO DE ARTIGO

 

Lesões torácicas congênitas: diagnóstico e caracterização com o uso da ressonância magnética no pré-natal

 

 

Juliana Mauro Caramel

Monitora de Radiologia da Faculdade de Medicina de Teresópolis (FMT) – Fundação Educacional Serra dos Órgãos (FESO)

 

 

Hubbard AM, Adzick NS, Crombleholme TM, et al. Congenital chest lesions: diagnosis and characterization with prenatal MR imaging. Radiology 1999;212:43–8.

INTRODUÇÃO E OBJETIVOS: As massas mais comuns parecem ser hérnia diafragmática congênita (HDC), malformação cística adenomatóide congênita (MCAC) e seqüestração broncopulmonar (SBP). Todas apresentam risco de morte ou comprometimento respiratório ao nascer. A proposta deste estudo foi comparar a utilidade diagnóstica da ressonância magnética (RM) pré-natal e da ultra-sonografia (US) para avaliar tumores pulmonares e determinar se há valor adicional do uso da RM.
MATERIAIS E MÉTODOS: Dezoito mulheres grávidas com diagnóstico ultra-sonográfico de tumor pulmonar primário (16 MCAC, sendo oito à esquerda, seis à direita e dois bilaterais, e dois SBP) foram avaliadas com RM no pré-natal. Todas as RM estudadas foram interpretadas por um único radiologista (o primeiro autor do trabalho), que também analisou as US.
RESULTADOS: Nos dezoito fetos observaram-se três hérnias diafragmáticas congênitas (duas à esquerda e uma à direita), MCAC em nove fetos, SBP em dois, e cistos, estenoses brônquicas, atresia pulmonar e traqueal em um feto cada. O diagnóstico pela RM foi compatível em nove fetos, com o mesmo diagnóstico dado pela US, e discordou em outros nove. No acompanhamento, a RM diagnóstica se confirmou em cirurgias ou resultados histopatológicos em 17 fetos. A RM melhorou substancialmente o diagnóstico da US em termos de localização da massa em relação à topografia lobar e a outras estruturas anatômicas do pulmão, particularmente em grandes lesões, e ainda conseguiu avaliar a quantidade do volume normal ipsilateral e contralateral do pulmão. A seqüência RARE provou ser a melhor em qualidade e com produção mínima de artefato à movimentação; esta qualidade só era diminuída quando a mãe era obesa, por causa dos limites do abdome, e também nos casos de polidrâmnio, o qual permitia um aumento da mobilidade fetal. O ultra-som tinha sido utilizado em muitas instituições e a maioria dos diagnósticos incorretos foi devida à má interpretação dos achados ultra-sonográficos.
DISCUSSÃO: De nosso conhecimento, este é o primeiro artigo sobre o uso da RM na evolução do pré-natal de fetos com tumores no tórax. Em relação à US, o pulmão tem aspecto homogêneo e uma aparência moderadamente hiperecóica. Até agora a US não tem sido usada com acurácia na maturidade pulmonar fetal, ao contrário da RM, que pode medir o volume pulmonar e o tecido pulmonar necessário para sustentar a vida. O diagnóstico pré-natal de massas torácicas é importante, porque é possível saber a história natural dessas lesões. Embora a RM seja capaz de demonstrar o fluxo sanguíneo, nós não conseguimos demonstrar a anomalia dos vasos. A RM no pré-natal foi útil para a definição da anatomia das massas e lesões atípicas na US. Mesmo nas instituições onde a cirurgia fetal não é realizada, a RM é útil para maior definição da massa torácica, para confirmação do diagnóstico pré-natal. A acurácia desse diagnóstico e o conhecimento da historia natural das diferentes lesões puderam afetar o aconselhamento dos pais. Em muitos dos pacientes dessa série o diagnóstico errôneo foi estabelecido com base na US, o qual afetou as decisões dos pais. Por isso, muitos desses pais preferiram a nossa instituição e tiveram continuidade da gravidez e os bebês necessitaram de cirurgia após o parto. O resultado na maioria dos recentes artigos foi que grande parte das lesões não era letal.
CONCLUSÃO: O diagnóstico pré-natal das massas torácicas torna-se característico pela RM, sendo esta um importante método complementar associado ao ultra-som na abordagem diagnóstica e no correto aconselhamento e tratamento dos fetos com estas alterações.

 


 

Comentário sobre o artigo

 

 

Marcelo Souto Nacif

Professor de Radiologia da FMT-FESO

 

 

A possibilidade de uma intervenção pré-natal e/ou de um planejamento do parto com preparação para ressuscitação e imediata cirurgia mostra que já estamos, atualmente, podendo optar por tratamentos antes inimagináveis. Nesse estudo a RM ajudou a caracterizar as lesões fetais, além de confirmar ou mudar diagnósticos pré-natais, dados por outros métodos, contribuindo consideravelmente para a diferenciação da HDC dos tumores primários torácicos. Essas informações trazem efeito importante no aconselhamento pré-natal e no planejamento e manejo da gravidez e do tratamento.

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