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Radiologia Brasileira

versão On-line ISSN 1678-7099

Radiol Bras vol.53 no.3 São Paulo may/jun. 2020  Epub 30-Abr-2020

http://dx.doi.org/10.1590/0100-3984.2019.0050 

Artigos

Acesso transglúteo para punção percutânea de abscesso prostático guiada por tomografia computadorizada

Rômulo Florêncio Tristão Santos1 
http://orcid.org/0000-0002-8679-7369

Reinaldo Santos Morais Neto1 
http://orcid.org/0000-0001-8278-7449

Fábio Galvão Vidal1 
http://orcid.org/0000-0002-9956-7626

Luiz Augusto Morelli Said2 
http://orcid.org/0000-0001-6681-5382

Thiago Franchi Nunes1 
http://orcid.org/0000-0003-0006-3725

1Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Campo Grande, MS, Brasil.

2Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS), Campo Grande, MS, Brasil.


INTRODUÇÃO

O abscesso prostático é uma ocorrência clínica rara, que pode resultar em complicações graves como urossepse e morte se não houver diagnóstico e tratamento adequados(1). Uma vez estabelecido o diagnóstico, a administração de antibióticos, de dreno perineal aberto ou a ressecção transuretral do abscesso prostático são habitualmente realizadas. Atualmente, procedimentos minimamente invasivos, como aspiração por agulha guiada por métodos de imagem, estão bem estabelecidos dentro da prática radiológica intervencionista e são preferíveis aos métodos convencionais, com baixo índice de complicações e bons resultados terapêuticos(1-8).

As drenagens percutâneas de abscessos pélvicos são desafiadoras em razão da interposição de grande número de estruturas anatômicas. Consequentemente, várias rotas de acesso e técnicas de drenagem foram descritas(2,9). Para que o procedimento seja bem sucedido, é fundamental o planejamento da via de acesso, que necessita de um conhecimento detalhado da anatomia pélvica. As principais vias para a abordagem das lesões pélvicas profundas são: transabdominais (anterior e lateral), extraperitonial anterolateral, transvaginal, transretal e transglútea(9).

No acesso transglúteo o paciente geralmente é posicionado em decúbito ventral ou em decúbito lateral. Esta técnica também é denominada de transciática, pois a agulha irá passar pelo forame isquiático maior. Quando possível, a agulha irá transfixar o ligamento sacroespinhoso, localizado abaixo do nível do músculo piriforme, para evitar a lesão dos vasos glúteos e do plexo sacral que estão localizados anteriormente ao músculo. As lesões elegíveis para o emprego dessa técnica são as posteriores à bexiga urinária e massas anexiais(9,10). Este acesso tem as vantagens de evitar a transfixação do peritônio, minimizar riscos de lesões a intestino, bexiga e vasos ilíacos, e permitir acesso estável à agulha que irá transfixar uma massa muscular estática, isenta dos movimentos respiratórios da parede abdominal. A desvantagem recai no posicionamento pouco confortável do decúbito ventral, trazendo mais dificuldades a respiração e manejo anestésico.

PROCEDIMENTO

A revisão dos exames de imagem antes do procedimento é de suma importância para o sucesso técnico, com base na melhor definição anatômica, identificação do abscesso prostático e planejamento de um trajeto seguro para a agulha de punção.

O acesso transglúteo realizado com o paciente em decúbito ventral (Figura 1), anestesia local e orientação tomográfica permite a visualização da agulha de aspiração 17G desde sua inserção na pele até a cavidade pélvica (Figura 2). A agulha irá passar pelo forame isquiático maior e transfixar o ligamento sacroespinhoso, localizado abaixo do nível do músculo piriforme, para evitar a lesão dos vasos glúteos e do plexo sacral que estão localizados anteriormente ao músculo(9). Aspiração do conteúdo abscedido, lavagem com soro fisiológico 0,9% - 50 mL utilizando seringa Luer Lock de 10 mL - e antibioticoterapia apresentam alta taxa de sucesso (Figura 3) e poucas complicações, comparadas a ressecção transuretral do abscesso e inserção perineal de cateter de grande calibre com drenagem a longo prazo para controlar a infecção residual; entretanto, é uma técnica pouco difundida(2,9-11). As vantagens desse procedimento incluem menor potencial de complicações e ser realizado sob anestesia local e sedação, minimizando os riscos de adversidades pós-anestesia geral, principalmente em pacientes graves, além da possibilidade de o procedimento ser repetido em caso de recidiva. Deve, idealmente, ser realizada por radiologistas intervencionistas com treinamento em procedimentos percutâneos(9-11).

Figura 1 Tomografia computadorizada de pelve pós-contraste, aquisição axial, mostrando abscesso prostático. 

Figura 2 Acesso transglúteo guiado por tomografia computadorizada realizado com o paciente em decúbito ventral (A) e aspiração de conteúdo purulento (B). 

Figura 3 Tomografia computadorizada realizada quatro semanas após o tratamento, sem coleções prostáticas residuais ou recidivadas. 

REFERENCES

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9 Kuligowska E, Keller E, Ferrucci JT. Treatment of pelvic abscesses: value of one-step sonographically guided transrectal needle aspiration and lavage. AJR Am J Roentgenol. 1995;164:201-6. [ Links ]

10 Maher MM, Gervais DA, Kalra MK, et al. The inaccessible or undrainable abscess: how to drain it. Radiographics. 2004;24:717-35. [ Links ]

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Recebido: 03 de Abril de 2019; Aceito: 13 de Junho de 2019

Correspondência: Dr. Thiago Franchi Nunes. Avenida Senador Filinto Müller, 355, Vila Ipiranga. Campo Grande, MS, Brasil, 79080-190. E-mail: thiagofranchinunes@gmail.com.

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