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Summa Phytopathologica

versão impressa ISSN 0100-5405

Summa phytopathol. vol.40 no.1 Botucatu jan./mar. 2014

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-54052014000100010 

ARTIGOS

 

Reação de crisântemos a Meloidogyne incognita, Meloidogyne javanica e Meloidogyne enterolobii

 

Chrysanthemum reaction to Meloidogyne incognita, Meloidogyne javanica and Meloidogyne enterolobii

 

 

Lucivane Aparecida Gonçalves; Andressa Lima de Brida; Maria de Fátima Almeida Silva; Cezar Bueno Junior; Silvia Renata Siciliano Wilcken

UNESP - Faculdade de Ciências Agronômicas, Departamento de Proteção Vegetal, 18603-970, Botucatu, SP

Autor para correspondência

 

 


RESUMO

Este trabalho teve como objetivo avaliar a resistência de 14 variedades de crisântemos aos nematoides Meloidogyne incognita, M. javanica e M. enterolobii. O experimento foi conduzido em delineamento inteiramente casualizado, constando de 15 tratamentos e 4 repetições, por espécie de nematoide. Cada parcela foi constituída por uma planta por vaso, mantidas em casa de vegetação e inoculadas com 5.000 ovos e eventuais juvenis de M. incognita, M. javanica e M. enterolobii. Após 60 dias, os índices de massas de ovos, número de nematoides por grama de raiz e o fator de reprodução foram avaliados. As variedades apresentaram imunidade a M. incognita, M. javanica e M. enterolobii, exceto 'Capello Vermelho' e 'White Reagon', que foram respectivamente suscetível e resistente a M. incognita.

Palavras-chave adicionais: Ornamental, Crisântemo, Nematoide das galhas.


ABSTRACT

This study aimed to evaluate the resistance of 14 chrysanthemum varieties to the nematodes Meloidogyne incognita, M. javanica and M. enterolobii. The experiment was conducted in a completely randomized design, consisting of 15 treatments and 4 replicates per nematode species. Each plot was constituted of one plant per pot; plants were kept in a greenhouse and inoculated with 5,000 eggs and possible juveniles of M. incognita, M. javanica and M. enterolobii. After 60 days, the rates of egg masses, the number of nematodes per gram of root and the reproduction factor were evaluated. The varieties showed immunity to M. incognita, M. javanica and M. enterolobii, except 'Capello Vermelho' and 'White Reagon', which were susceptible and resistant, respectively, to M. incognita.

Additional keywords: Ornamental, Chrysanthemum, root-knot nematodes


 

 

O crisântemo (Dendranthema grandiflorum) é planta ornamental muito popular, devido à grande diversidade de cores e formatos de flores (12, 16). Em plantios de corte (diretamente no solo), o crisântemo apresenta graves problemas fitossanitários, principalmente devido à produção sucessiva em cultivos protegidos. A ocorrência de fitopatógenos em plantas ornamentais é favorecida pelas condições de cultivo como umidade, temperatura e densidade de plantio (11). Dentre os fitopatógenos presentes no solo, os nematoides são os que causam maiores perdas, destacando-se os nematoides do gênero Meloidogyne Goeldi (13). O parasitismo por Meloidogyne spp. promove alterações anatômicas no sistema radicular das plantas, comprometendo a absorção de água e nutrientes (7), fazendo com que haja a diminuição da altura da planta, tamanho e quantidade de flores e, consequentemente, da produção final.

As espécies de maior importância desse gênero são Meloidogyne incognita Chitwood, M. javanica Chitwood, M. arenaria Yang; Eisenback e M. hapla Chitwood. Esses nematoides são fitopatógenos de grande importância em todo o mundo e possuem uma vasta gama de hospedeiros. Sua multiplicação ocorre tanto em plantas de interesse econômico quanto em plantas daninhas (1,14).

Em plantas ornamentais, considerando sua importância econômica no mercado de flores, há grande escassez de informações relacionadas à ocorrência, danos e resistência genética aos nematoides do gênero Meloidogyne (12).

Há poucas informações sobre as espécies de Meloidogyne que atacam a cultura do crisântemo no Brasil e quais variedades são resistentes ou suscetíveis. Diante da importância da cultura para o estado de São Paulo, este trabalho visou determinar a multiplicação de espécies de Meloidogyne (M. incognita, M. javanica e M. enterolobii) em diferentes variedades de crisântemo.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Três experimentos foram conduzidos separadamente para cada espécie de nematoide estudada, mas seguindo a mesma metodologia, sendo conduzidos em casa de vegetação ajustada as temperaturas para não ultrapassar 30ºC.

A população de M. enterolobii foi obtida em área de cultivo de pimentão (Capsicum annum) 'Silver' em Campos Novos Paulista, SP; a população de M. javanica foi obtida de raízes de tomateiro 'Magali', proveniente do município de Santa Rosa, RS; e a população de M. incognita, raça 2, obtida de raízes de cafeeiro proveniente do município de Osvaldo Cruz (SP). As espécies foram identificadas pelo padrão perineal das fêmeas e pelo padrão eletroforético de isoenzimas (4) e multiplicadas, separadamente, em tomateiro 'Rutgers', em casa de vegetação.

Foram estudadas 14 variedades de crisântemo de cinco diferentes tipos de inflorescência, cedidas pela Empresa Ricaflor: três de inflorescência do tipo Madiba ('Lindy White', 'Lindy Yellow' e 'Lindy Pink'), duas de Mini Margarida ('R26 Framint Branco' e 'R44 Mini Margarida Amarela'), três de Spider ('R02 Super White Branco', 'R50 Shena Branco' e 'R210 Shena Amarela'), dois de Pompom ('R43 Yoko Ono Verde' e 'R56 Calabria Branco'), uma de Girassol ('R32 Relinda Branco') e três de Margarida ('R05 White Reagan', 'R07 Sunny Reagan Amarelo' e 'R61 Capello Vermelho'). As mudas apresentavam bom nível de enraizamento e foram transplantadas em vasos plásticos de 700 mL contendo terra, areia e matéria orgânica (1:2:1), previamente autoclavadas.

Os nematoides utilizados como inóculo foram extraídos de raízes de tomateiro seguindo a metodologia de Hussey e Barker (10) modificada por Bonetti e Ferraz (3)

A infestação do solo foi feita quatro dias após o transplante, adicionando 2 mL da suspensão com 5.000 ovos de M. incognita, M. javanica ou M. enterolobii (Pi) . O tomateiro 'Rutgers` foi utilizado como padrão de viabilidade do inóculo.

O delineamento experimental utilizado foi inteiramente casualizado, com 15 tratamentos e quatro repetições, sendo um total de 60 parcelas por nematoide.

Após 60 dias da inoculação, os sistemas radiculares foram lavados sob água corrente, o excesso de água retirado com papel toalha, pesado e submetido à coloração com Floxina B (15). A quantidade de massas de ovos foram anotadas e relacionadas com a escala de notas de Taylor e Sasser (15). O índice de galha foi considerado apenas como parâmetro auxiliar, indicativo da reação sintomatológica das plantas. Em seguida, os sistemas radiculares foram processados, segundo o método de Coolen e D'Herde (5). A determinação do número final de ovos e eventuais juvenis recém-eclodidos na suspensão final foi efetuada com o auxílio da lâminas de Peters, sob microscópio ótico e o volume total examinado em siracusa reticulada, sob microscópio esteroscópio. A partir dos dados obtidos foi calculado o fator de reprodução (FR), dividindo-se o valor da população final (Pf) pelo valor da população inicial (Pi) utilizado na inoculação de cada uma das espécies de Meloidogyne. A classificação do FR foi considerada sendo 0 = imune, 0,1 a 1 = resistente e acima de 1,0 = suscetível.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A viabilidade do inóculo foi comprovada em todos os experimentos, com o tomateiro 'Rutgers' apresentando fator de reprodução (FR) de 37,1 para M. incognita, 51,2 para M. javanica e 25,3 para M. enterolobii.

Meloidogyneincognita não se multiplicou nas variedades de crisântemos (Tabela 1), exceto na variedade Capello Vermelho que apresentou FR igual a 5,3, sendo considerada suscetível. Apesar disto, não foram observadas massas de ovos externas em suas raízes.

A taxa de multiplicação de espécies de nematoides pode diferir de acordo com a cultivar da espécie vegetal estudada. Isto foi verificado, no presente estudo, para as variedades de crisântemo frente a M. incognita, quando a variedade Capello Vermelho se mostrou suscetível a esta espécie de nematoides, proporcionando FR = 5,30, enquanto as demais não permitiram a multiplicação desta espécie, apresentando-se como resistentes ou imunes.

Entretanto, Meloidogynejavanica e Meloidogyne enterolobii apresentaram baixos FR em todas as cultivares de crisântemo estudadas, as quais se comportaram como resistentes ou imunes a estas espécies de nematoides (Tabela 2 e Tabela 3).

Estudos nematológicos com a cultura do crisântemo, em geral, referem-se aos nematoides do gênero Aphelenchoides (17) ou a sua utilização no controle de nematoides das galhas (2, 9); enquanto estudos de reação de cultivares são escassos. No entanto, no presente estudo foi possível verificar diferenças no comportamento das cultivares de crisântemo avaliadas frente às diferentes espécies de nematoides estudadas. Foi verificado desde imunidade a M. javanica e M. enterolobii nas cultivares Super White Branco, Framint Branco, Lindy White e resistência nas cultivares Sunny Reagan Amarelo, White Reagan, Calabria Branco, Yoko Ono Verde, com os fatores de reprodução muito próximos de zero. Comportamento semelhante foi encontrado para M. incognita, com duas cultivares imunes e onze cultivares resistentes a esta espécie de nematoide das galhas. A cultivar Capello Vermelho comportou-se como suscetível a este nematoide.

Os resultados ora obtidos fornecem subsídios para a escolha das cultivares no planejamento de plantio de crisântemos em áreas infestadas com estas espécies de nematoides.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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2. Bar-Eyal, M.; Sharon, E.; Spiegel, Y.. Nematicidal activity of Chrysanthemum coronarium. European Journal Of Plant Pathology, Israel, v. 1, n. 114, p.427-433, 01 fev. 2006        [ Links ]

3. Bonetti, J.I.S.; Ferraz, S. Modificações do método de Hussey e Barker para extração de ovos de Meloidogyne exigua em raízes de cafeeiro. Fitopatologia Brasileira, Brasília, v.6, p.553,1981.         [ Links ]

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Autor para correspondência:
Lucivane Aparecida Gonçalves (lucivaneg9@hotmail.com)

Data de chegada: 06/12/2012.
Aceito para publicação em: 06/01/2014.

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