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Summa Phytopathologica

Print version ISSN 0100-5405On-line version ISSN 1980-5454

Summa phytopathol. vol.46 no.1 Botucatu Jan./Mar. 2020  Epub May 08, 2020

https://doi.org/10.1590/0100-5405/193189 

COMUNICAÇÕES

Ocorrência de Lasiodiplodia pseudotheobromae em bacurizeiro (Platonia insignis)

Alessandra Keiko Nakasone1 
http://orcid.org/0000-0002-6021-185X

Sandra Valéria Dias Cardoso2 
http://orcid.org/0000-0002-6280-2952

Ingrid Bernardo de Lima Coutinho1 
http://orcid.org/0000-0003-0251-6222

Kátia de Lima Nechet3 
http://orcid.org/0000-0002-6746-0576

Solange da Cunha Ferreira2 
http://orcid.org/0000-0001-6982-1171

Alessandra de Jesus Boari1 
http://orcid.org/0000-0003-3514-7232

Walnice Maria Oliveira Nascimento1 
http://orcid.org/0000-0002-1558-4059

José Edmar Urano de Carvalho1 
http://orcid.org/0000-0001-5889-9766

1Embrapa Amazônia Oriental, Tv. Dr. Enéas Pinheiro s/n, 66095-903, Belém, PA, Brasil

2Universidade Federal Rural da Amazônia, Av. Perimetral, 2501, 66077-830, Belém, PA, Brasil

3Embrapa Meio Ambiente, SP 340, km 127,5, CP 69, 13918-110, Jaguariúna-SP, Brasil


O bacurizeiro (Platonia insignis Mart.) é espécie frutífera nativa da Amazônia com potencial de comercialização para todas as regiões do Brasil. No ano de 2012, observou-se a ocorrência de plantas com sintomas de seca descendente e exsudação de resina (Figura 1A, B) no Campo Experimental da Embrapa Amazônia Oriental em Belém, Pará. As plantas sintomáticas foram coletadas e transportadas ao Laboratório de Fitopatologia, onde foram realizados os procedimentos para a identificação do patógeno. Após o isolamento e cultivo em meio de cultura batata-dextrose-ágar (BDA), foi realizado o teste de patogenicidade em mudas de bacurizeiro, por meio de sobreposição de disco micelial no caule, previamente ferido, e vedado com parafilme. Após oito dias da inoculação, constataram-se, nas plantas inoculadas, os mesmos sintomas de seca observados em campo (Figura 1C). O fungo foi reisolado e a patogenicidade comprovada. O isolado apresentou conídios hialinos, unicelulares, elipsoides que com o amadurecimento se tornavam marrom escuro, com parede espessa e septo centralizado e, algumas estrias longitudinais foram observadas (Figura 1D). O tamanho dos conídios variou de 23-26 µm x 10-15 µm (n=30). A morfologia é característica do gênero fúngico Lasiodiplodia. Para a caracterização molecular, o DNA foi extraído a partir da colônia do fungo em meio de cultura BDA por sete dias (5). Posteriormente, realizou-se PCR utilizando os pares de primers: ITS4 e ITS5 (14), referentes à região espaçadora transcrita interna (ITS), e EF1-688F e EF1-1251R (12), da região fator de elongação (EF1). Após amplificação do DNA, procedeu-se sua purificação e sequenciamento. As sequências ITS (KX171632) e EF1 (KX171633) obtidas foram comparadas com sequências disponíveis no GenBank via Blastn e citadas por Coutinho et al. (4), sendo posteriormente analisadas por meio de alinhamentos múltiplos através do programa ClustalW. As inferências filogenéticas para a verificação em nível de espécie foram aferidas por meio da análise de máxima parcimônia (MP) utilizando o método de busca heurística TBR no programa Mega X (7). A validade estatística da árvore foi testada usando análise de bootstrap com 1000 repetições. Um isolado de Macrophomina phaseolina (PD112) (6) foi usado como outgroup. Escores da árvore, incluindo seu comprimento, o índice de consistência (IC), índice de retenção (IR) e o índice de consistência redimensionada (CR) também foram calculados. As sequências obtidas foram depositadas no GenBank. A árvore mais parcimônia foi a de comprimento 498 (IC = 0,603104, IR = 0,848048 e CR = 543227). O isolado identificado formou clado com acessos de L. pseudotheobromae (CBS 116459 e CMM 3887) (1, 2, 9) suportado por 89% de bootstrap. A informação presente nesse estudo é o primeiro relato de Lasiodiplodia pseudotheobromae causando seca descendente em bacurizeiro em território brasileiro. No Brasil, há relatos de L. pseudotheobromae ocorrendo em manga (10), mamão (2), mandioca (8), pinhão-manso (9), uva (3), coco (13), caqui (11), cajueiro, tamarindo e ciriguela (4). O isolado encontra-se depositado na Coleção de Microrganismos de Importância Agrícola e Ambiental da Embrapa Meio Ambiente, com o código CMAA1756.

Figura 1 Sintomas da seca descendente (A) com a liberação de resina (B) em planta de bacurizeiro. Reação de muda de bacurizeiro nove dias após a inoculação de Lasiodiplodia pseudotheobromae (C). Conídios jovens (hialinos e unicelulares) e maduros com coloração escura e septo centralizado de L. pseudotheobromae (D

REFERENCES

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7 Kumar, S.; Stecher, G.; Li, M.; Knyaz, C.; Tamura, K. MEGA X: Molecular Evolutionary Genetics Analysis across computing platforms. Molecular Biology and Evolution, Oxford, v.35, p.1547-1549. 2018. [ Links ]

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11 Nogueira Júnior, A. F.; Santos, R. F.; Pagenotto, A. C. V.; Spósito, M. B. First report of Lasiodiplodia pseudotheobromae causing fruit rot of persimmon in Brazil. New Disease Reports, London, v. 36, p. 1, 2017. [ Links ]

12 Phillips, A.; Alves, A.; Correia, A.; Luque, J. Two New Species of Botryosphaeria with Brown, 1-Septate Ascospores and Dothiorella Anamorphs. Mycologia, Lawrence, v. 97, n. 2, p. 513-529, 2005. [ Links ]

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Recebido: 20 de Março de 2018; Aceito: 23 de Janeiro de 2020

Autor para correspondência: Alessandra Keiko Nakasone (alessandra.nakasone@embrapa.br)

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