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Summa Phytopathologica

Print version ISSN 0100-5405On-line version ISSN 1980-5454

Summa phytopathol. vol.46 no.1 Botucatu Jan./Mar. 2020  Epub May 08, 2020

https://doi.org/10.1590/0100-5405/225015 

COMUNICAÇÕES

Controle do mofo-preto do cajueiro com indutores de resistência

Wéverson Lima Fonseca1 
http://orcid.org/0000-0002-8984-0297

Francisco Marto Pinto Viana2 

Marcio Akio Ootani3 

José Emilson Cardoso2 
http://orcid.org/0000-0002-2844-8451

Rita de Cassia Alves Pereira2 

Marlon Vagner Valentim Martins2 

1Departamento de Fitotecnia, Universidade Federal do Ceará, CEP 60356-001, Fortaleza, Ceará, Brasil

2Laboratório de Fitopatologia, Embrapa Agroindústria Tropical, CEP 60511-110, Fortaleza, Ceará, Brasil

3Laboratório de Bioprocessos, Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste,CEP 50740-540, Recife, Pernambuco, Brasil.


O mofo-preto (Pilgeriella anacardii (Bat., J.L. Bezerra, Castr. & Matta) Arx & E. Müll.) do cajueiro (Anacardium occidentale L.) causa danos de até 33% na produção de castanhas em cajueiro-anão (3). A utilização de opções ecologicamente viáveis no controle de doenças de plantas, como os indutores de resistência, tem se mostrado promissora no controle de fitopatógenos. Nesse sentido, objetivou-se comparar o efeito indutor de resistência de produtos químicos e produtos naturais na severidade do mofo-preto do cajueiro.

O estudo foi conduzido no período de abril a novembro de 2017 no Campo Experimental da Embrapa (4º 11’ 12’’ S; 38º 30’ 01’’ W, e a 79 m de altitude), em Pacajus, Ceará. Em um pomar composto por cajueiro-anão, clone ‘CCP 09’, as plantas foram submetidas à poda em março visando uniformizar a epidemia. O experimento foi delineado em blocos ao acaso com quatro repetições de uma planta por parcela, com tratamentos constituídos por: acibenzolar-S-methyl (0,5 g L-1, Bion®), fosfito de potássio (2 ml L-1, Yantra®), ácido salicílico P.A. (1,5 g L-1), silício (1 ml L-1, Supra Sílica®), uma mistura composta por óleos essenciais de alecrim-pimenta (Lippia sidoides) + capim citronela (Cymbopogon citratus) e a testemunha (sem tratamento). Os óleos essenciais de alecrim-pimenta e citronela foram obtidos por hidrodestilação. A partir de cada óleo essencial, preparou-se 1 L de emulsão a 0,8% e aplicada na concentração de 3 mL de emulsão por litro de água. As aplicações dos tratamentos, efetuadas nas copas (um litro por copa) no período da manhã, iniciaram na floração e repetidas sete vezes a intervalos quinzenais, com pulverizador costal manual de 20 L. As avaliações foram quinzenais durante o ciclo epidêmico, com auxílio de em uma escala descritiva da severidade dos sintomas: 0 = ausência de sintomas; 1= área lesionada cobrindo até 2% da área foliar; 2 = área lesionada cobrindo até 5% da área foliar; 3 = área lesionada cobrindo de 5 a 25% da área foliar; e 4 = área lesionada cobrindo mais que 25% da área foliar (2). Os dados médios de severidade da doença foram integralizados, estimando-se a área abaixo da curva de progresso da doença (AACPD) através da fórmula: AACPD = Σ[(y1+y2)/2]*(t2-t1), onde y1 e y2, refere-se a duas avaliações sucessivas da intensidade da doença realizadas nos tempos t1 e t2, respectivamente (1).

Os dados de AACPD foram submetidos à análise de variância utilizando o teste F (p<0,05) e as médias comparadas pelo teste Tukey (p<0,05) através do software “R” versão 3.5.1. Para a análise temporal da severidade, foram ajustadas equações de regressão com auxílio do software Sigma Plot 11.0.

A análise estatística das AACPDs referentes aos tratamentos avaliados no controle do mofo-preto do cajueiro, demonstra que houve diferenças significativas entre os tratamentos (Figura 1), com os melhores resultados para a mistura dos óleos de alecrim-pimenta + capim citronela, acibenzolar-S-methyl e ácido salicílico, quando comparados à testemunha. Pelas curvas de progresso do mofo-preto do cajueiro, verificou-se também que as notas de severidade da doença nesses tratamentos, foram menores em todo o ciclo epidêmico avaliado. Esta pesquisa ratifica o efeito indutor de resistência de acibenzolar-S-methyl ao mofo-preto do cajueiro, demonstrado em estudo anterior (4), além de relatar dois novos produtos alternativos para o controle da doença: ácido salicílico e a mistura dos óleos de alecrim-pimenta + capim citronela.

Indutores de resistência são eficientes na redução da severidade do mofo-preto em cajueiro anão ‘BRS 09’.

(*) AACPD: teste de significância da análise de variância: (Probabilidade > F = 0,0019; médias seguidas da mesma letra não diferem pelo Teste de Tukey a 5% de significância.

Figura 1 Efeito de indutores de resistência na área abaixo da curva de progresso da doença (AACPD) e curvas de progresso da severidade do mofo-preto do cajueiro. 

Y= 0,0580+1,2128/(1+abs(x/62,4958)-12,3982) (R2= 0,97) Pr > F = 0,0008(2) Y= 0,0408+1,0347/(1+abs(x/62,9334)-7,5395) (R2= 0,96) Pr > F = 0,0017(3) Y= 0,0684+1,8992/(1+abs(x/61,4753)-5,2894) (R2= 0,98) Pr > F = 0,0003(4) Y= 0,0062+1,3757/(1+abs(x/58,8769)-5,4494) (R2= 0,99) Pr > F = 0,0001(5) Y= -0,0154+2,8200/(1+abs(x/64,1943)-2,5839) (R2= 0,98) Pr > F = 0,000(6) Y= if(x<=54,7116-128950,6678*ln(2)(1/7448,2862) (R2= 0,99) Pr > F = 0,0001

REFERENCES

1 Campbell, C.L.; Madden, L.V. Introduction to plant disease epidemiology. New York: John Wiley, 1990. 532p. [ Links ]

2 Cardoso, J.E.; Santos, A.A.; Freire, F.C.O.; Viana, F.M.P.; Vidal, J.C.; Oliveira, J.N.; Uchoa, C.N. Monitoramento de doenças na cultura do cajueiro. Fortaleza: Embrapa Agroindústria Tropical, 2006. 24p. (Documentos, 47). [ Links ]

3 Viana, F.M.P.; Cardoso, J.E.; Martins, M.V.V.; Freire, F.C.O. Doenças do cajueiro. Informe Agropecuário, Belo Horizonte, v.37, n.290, p.34-46, 2016. [ Links ]

4 Viana, F.M.P.; Lima, J.S.; Lima, F.A.; Cardoso, J.E. Control of cashew black mould by acibenzolar-S-methyl. Tropical Plant Pathology, Brasília, DF, v.37, n.5, p.354-357, 2012. [ Links ]

Recebido: 09 de Junho de 2019; Aceito: 15 de Outubro de 2019

Autor para correspondência: Wéverson Lima Fonseca (weverson.limaf@gmail.com)

Creative Commons License Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.