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Summa Phytopathologica

Print version ISSN 0100-5405On-line version ISSN 1980-5454

Summa phytopathol. vol.46 no.1 Botucatu Jan./Mar. 2020  Epub May 08, 2020

https://doi.org/10.1590/0100-5405/177193 

COMUNICAÇÕES

Análise patológica e tratamento alternativo de patógenos em sementes de gravioleira

David Vitor dos Santos1 
http://orcid.org/0000-0002-8122-1862

Edna Peixoto da Rocha Amorim2 
http://orcid.org/0000-0002-8668-0216

Valdeir Nunes Carvalho3 
http://orcid.org/0000-0001-6570-0524

Djison Silvestre dos Santos4 
http://orcid.org/0000-0002-4037-1733

Thiago Costa Ferreira5 
http://orcid.org/0000-0002-1811-1759

1Professor na Universidade Estadual do Mato Grosso. Departamento de Agronomia, UNEMAT - Campus Universitário de Cáceres. Av. São João, s/n, Bairro Cavalhada, CEP 78200-000, Cáceres-MT, Brasil

2Professora na Universidade Federal de Alagoas. Departamento de Proteção de Plantas, Universidade Federal de Alagoas - Centro de Ciências Agrárias, BR 104, Km 85, s/n, CEP 57100-000, Rio Largo, AL Brasil

3Doutorando em Agronomia (Proteção de Plantas). Departamento de Proteção Vegetal, Faculdade de Ciências Agronômicas - Unesp - Fazenda Experimental Lageado - Av. Universitária, nº 3780, Altos do Paraíso, CEP 18610-034, Botucatu- SP, Brasil

4Professor no Instituto Federal de Alagoas. Instituto Federal de Alagoas - Campus Satuba, Rua Dezessete de Agosto, s/n - Zona Rural, CEP 57120-000, Satuba - AL, Brasil

5Pesquisador PCI INSA. Av. Francisco Lopes de Almeida, s/n- Serrotão, Campina Grande - PB, Brasil.


A gravioleira (Annona muricata L.) é uma planta frutífera afetada por vários fungos fitopatogênicos, responsáveis por até 63% de perdas de frutos em campo (2). Grande parte da microflora superficial das sementes de gravioleira é constituída pelos fungos: Lasioplodia theobromae (Pat.) Griff., Aspergillus sp., Penicillium sp., Rhizopus stolonifer (Ehrenb.: Fr.) Vuill., Colletotrichum gloeosporioides (Penz.) Penz. & Sacc, Cladosporium sp., Pestalotiopsis sp., Fusarium sp., Curvularia sp., Alternaria sp. e Acremonium sp. (3) Entre esses, L. theobromae é uma ameaça à fruticultura tropical, principalmente pela sua ampla gama de hospedeiras e diversas formas de dispersão (1). Métodos alternativos de manejo de fungos são essenciais para a agricultura, uma vez que produtos químicos têm perdido sua eficiência pelo aumento da resistência de alguns patógenos. O tratamento de sementes das fruteiras com produtos alternativos tem se mostrado eficiente no controle de patógenos. Este trabalho teve por objetivo verificar a sanidade e a eficiência de diferentes tratamentos alternativos no controle de fungos em sementes de gravioleira. Para tanto, sementes de gravioleira foram coletadas de frutos maduros da cultivar FAO II, assintomáticos, em pomar comercial e avaliadas conforme metodologia do Blotter test. As sementes foram submetidas aos tratamentos: a) arroz colonizado por Trichoderma harzianum (Rifai) nas doses de 12 g L-1 e 36 g L-1, b) mancozeb na dose de 3 g L-1, c) formaldeído (CH2O) a 5% v/v); d) extrato de alho (Allium sativum L.) a 10% v/v, preparado através da trituração de 5 g de bulbo vegetal, e) óleo de hortelã – (Mentha sp.) a 25 µl mL-1, f) óleo de citronela (Cymbopogon sp.) na concentração de 25 µl mL-1 e g) testemunha com água destilada esterilizada-ADE. As sementes foram imersas em 100 mL de cada produtos por 10 minutos, e após secagem em bancada, acondicionadas em caixas plásticas do tipo Gerbox, contendo 20 sementes cada e incubadas por sete dias em câmara tipo BOD, regulada à temperatura de 25 ± 2 ºC e fotoperíodo de 12 horas. Após sete dias, as sementes foram avaliadas individualmente, em microscópio estereoscópico, para determinar o percentual de incidência fúngica pela expressão:

PIF = Número de sementes contaminadasNúmero total de sementes da amostra x100)

Tabela 1 Porcentagem de incidência e controle de fungos em sementes de graviola tratadas com produtos alternativos e químicos. 

Patógenos
Tratamentos Penicilium sp. L. theobromae Fusarium sp. Rhizopus sp. Total
Inc. Cont. (%) Inc. Cont. (%) Inc. Cont. (%) Inc. Cont. (%) Inc. T Cont. T (%)
EA 47,0 53,0 07,5 92,5 0,00 100 40,0 60,0 94,5 02,80ab
MB 10,0 90,0 05,0 95,0 07,5 92,5 40,0 60,0 62,5 22,50ab
FO 35,0 65,0 0,00 100,0 05,0 95,0 42,5 57,5 82,5 9,50ab
OC 17,5 82,5 07,5 92,5 15,0 85,0 45,0 55,0 85,5 08,22ab
OH 35,0 65,0 07,5 92,5 12,5 87,5 45,0 55,0 100 0,00a
TA 15,0 85,0 27,5 72,5 22,5 77,5 35,0 65,0 100 0,00a
T12 0,00 100,0 15,0 85,0 07,5 92,5 35,0 65,0 57,5 26,6b
T36 10,0 90,0 15,0 85,0 07,5 92,5 35,0 65,0 67,5 26,9b
C.V (%) 12,69

Legenda: Incidência (Inc), Controle (Cont), Incidência Total (Inc. T), Controle Total (Cont. T), Extrato de Alho (EA), Mancozeb (MB), Formaldeído (FO), Óleo de citronela (OC), Óleo hortelã (OH), Testemunha (TA), Trichoderma 12 (T12) e Trichoderma 36 (T36).

Médias seguidas da mesma letra não diferem entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5 % de probabilidade.

Nas análises foram identificadas, em todos os tratamentos, espécies dos gêneros Penicillium sp., Fusarium sp., L. theobromae e Rhizopus sp. (Tabela 1). Houve diferenças estatísticas entre os tratamentos avaliados. O tratamento com T. harzianum nas doses 12 g e 36 g L-1 apresentaram os maiores percentuais de controle fúngico, sendo esses superiores a 26% em relação à testemunha, na incidência total dos patógenos. Esses tratamentos também reduziram a incidência do Penicillium sp., assemelhando-se aos valores do produto químico amplamente utilizado no tratamento de sementes como o fungicida mancozeb, além de reduzir também a incidência de L. theobromae e Fusarium sp. Sua aplicação não foi eficiente apenas para controlar o Rhizopus sp. Os tratamentos contendo formaldeído, mancozeb e extrato de alho proporcionaram as maiores reduções na incidência de L. theobromae e Fusarium sp., sendo esses patógenos causadores de doenças na cultura. Os tratamentos avaliados, com exceção de T. harzianum, proporcionaram aumento na incidência de Rhizopus sp. e Penicillium sp. quando comparado à testemunha. A baixa eficiência no controle desses patógenos pode ser devido às baixas concentrações dos produtos avaliados no ensaio e/ou o tempo de exposição das sementes aos produtos. Os dados apresentados demonstram um grande potencial do uso de produtos biológicos e naturais no controle de fungos em sementes de gravioleira, porém, há necessidade de entender as dinâmicas envolvendo produtos e patógenos, uma vez que a microbiolização de sementes de gravioleira com T. harzianum ou outros agentes de controle alternativo pode ser viável na redução ou eliminação de patógenos associados às sementes de espécies frutíferas.

REFERENCES

1 CARDOSO, J.E.; BEZERRA, M.A.; VIANA, F.M.P.; SOUSA, T. R. M.; CYSNE, A.Q.; FARIAS, F.C. Ocorrência endofítica de Lasiodiplodia theobromae em tecidos de cajueiro e sua transmissão por propágulos. Summa Phytopathologica, Botucatu, v.35, n.4, p.262-266, 2009. [ Links ]

2 JUNQUEIRA, N. T. V.; CUNHA, M. M.; JUNQUEIRA, K. P. Doenças e Pragas de anonáceas. In: MANICA, I. et al. Frutas anonáceas: ata ou pinha, atemólia, cherimólia e graviola: tecnologia de produção, pós-colheita e mercado. Porto Alegre: Cinco Continentes Editora, v.1, p.387-440, 2003. [ Links ]

3 SANTOS, A. A.; CARDOSO, J. E.; FREIRE, F. C. O. Fungos associados a sementes de gravioleira e de ateira no Estado do Ceará. Fortaleza: Embrapa Agroindústria Tropical, Boletim de Pesquisa 33, 2000. 11p. [ Links ]

Recebido: 01 de Março de 2017; Aceito: 15 de Outubro de 2019

Autor para correspondência: David Vitor dos Santos (davidvitor.vitor@gmail.com)

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