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Revista Brasileira de Educação Médica

versão impressa ISSN 0100-5502

Rev. bras. educ. med. vol.37 no.3 Rio de Janeiro jul./set. 2013

https://doi.org/10.1590/S0100-55022013000300014 

REVISÃO

 

Qualidade de vida de estudantes de Medicina: uma revisão

 

Medical students' quality of life: a review

 

 

André Luiz Oliveira FeodrippeI; Maria Carolina da Fonseca BrandãoII; Tânia Cristina de Oliveira ValenteI

IUniversidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
IIUniversidade Federal Fluminense, Niterói, RJ, Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Apresenta-se uma revisão de literatura sobre a qualidade de vida dos estudantes de Medicina, por meio da análise de bibliografia, usando como descritores "qualidade de vida" e "estudantes de Medicina", tendo como fonte de busca a Biblioteca Virtual em Saúde nas Bases Eletrônicas Medline, Lilacs, SciELO e PubMed, e a plataforma Mendeley. Foram claramente identificados dois grupos de publicações: um de cunho quantitativo, que focaliza a medida da qualidade de vida de cada grupo de estudantes; e outro de abordagem qualitativa, voltado não só para a avaliação da percepção do aluno sobre o tema, mas também para o entendimento dos motivos que transformam o curso em um fator estressor para esse indivíduo. O predomínio de artigos quantitativos e a escassez de qualitativos, além de poucas conclusões que poderiam motivar intervenções práticas, mostram que o tema necessita ser mais estudado e debatido.

Palavras-chave: Qualidade de Vida;. Estudantes de Medicina; Educação Médica.


ABSTRACT

This article aimed to review scientific publications concerning the quality of life of medical students. The bibliography was compiled by searching for keywords "quality of life" and "medical students" in the Brazilian Virtual Health Library on the databases Medline, Lilacs, SciELO and PubMed, and also the Mendeley platform. Two kinds of publication could be clearly identified: those with a quantitative focus on measuring the quality of life of different groups of students; and those of a qualitative profile, with the objective of evaluating not only how students perceive their quality of life, but also understanding the reasons why medical school can become a stressor for the individual. The predominance of quantitative articles and lack of qualitative publications, as well as sparse conclusions that could lead to practical interventions indicate that this subject requires further study and debate.

Keywords: Quality of Life; Medical Students; Medical Education.


 

 

INTRODUÇÃO

O termo medicina originou-se do latim (ars medicina) e significa a arte da cura. Esta possui um lado científico - baseado em diagnósticos e tratamentos - e outro humano, que busca aliviar o sofrimento e manter o bem-estar do indivíduo.

A graduação no curso de Medicina é uma das mais procuradas dentre os processos seletivos universitários1. A dedicação daqueles que desejam seguir essa carreira concorrida, portanto, deve começar cedo, antes mesmo do início da faculdade2.

Muitos dos interessados, porém, não têm grande conhecimento sobre a rotina vivenciada tanto na graduação quanto na carreira em si. Ao ingressarem na faculdade, ainda despreparados, têm que enfrentar realidades complexas e diversas. Os alunos de Medicina apresentam muitas dificuldades em comum, incluindo falta de tempo e exaustão nos primeiros períodos de intenso estudo, além do convívio com o sofrimento e a dor que acompanham o processo de adoecimento e morte3.

Ao se deparar com tantas dificuldades, o estudante é afetado por insegurança, cansaço, tristeza. Ainda assim, não deve se deixar abater: além de todos os obstáculos que deve transpor, o futuro médico precisa aprender a se portar de modo a corresponder às demandas dos professores, dos colegas e da sociedade. Há exigência por um profissional totalmente comprometido, capaz de manter a calma e a sanidade em situações adversas, além de, muitas vezes, sacrificar a própria condição de vida a fim de se dedicar à de outros2.

O quadro descrito implica, de forma crescente, o comprometimento da qualidade de vida dos graduandos desse curso. Nesse contexto, o estudo e a análise do tema permitem subsidiar ações que amenizem essas dificuldades, cujos reflexos poderão ser percebidos no atendimento prestado por esses indivíduos como futuros profissionais.

Apesar de amplamente empregado, o termo "qualidade de vida" ainda não possui definição unânime. Campbell et al.4 demonstraram essa dispersão de significados ao escreverem: "qualidade de vida é uma vaga e etérea entidade, algo sobre a qual muita gente fala, mas que ninguém sabe claramente o que é."

A partir da década de 1990, dois aspectos relevantes ligados ao conceito ganharam destaque: a subjetividade e a multidimensionalidade. Assim, a qualidade de vida só poderia ser analisada individualmente, já que as diferentes conotações que adquire dependem de aspectos intrínsecos e pessoais5.

Atualmente, observa-se a existência de duas tendências quanto à conceituação do termo: a generalização e a associação com o processo saúde-doença em determinadas afecções. A generalização se relaciona com uma acepção mais ampla, sem fazer referência a quaisquer disfunções de saúde do indivíduo; ou seja, estudos que utilizam tal definição incluem pessoas saudáveis, sem se restringirem a amostras específicas de doentes5. Na ótica generalizante, a qualidade de vida seria "a percepção do indivíduo sobre a sua posição na vida, no contexto da cultura e dos sistemas de valores nos quais ele vive, e em relação a seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações"6.

A associação do termo qualidade de vida ao processo saúde-doença, por sua vez, é mais específica quanto à definição das dimensões que compõem o indivíduo e podem ser afetadas pela doença. Desta forma, é possível relacionar a percepção da piora da qualidade de vida com as debilidades decorrentes da história natural das doenças.

O estudo da qualidade de vida pode ser feito quantitativa ou qualitativamente. No primeiro caso, recorre-se ao uso de instrumentos científicos, que tentam mensurar a qualidade de vida do indivíduo em valores; no segundo, a busca principal é o entendimento dos múltiplos aspectos que compõem o indivíduo - favorecendo mudanças práticas em sua rotina e comportamento.

Este artigo estuda a qualidade de vida do estudante de Medicina a partir de uma revisão da bibliografia disponível sobre o tema.

 

MÉTODO

Para a revisão bibliográfica, foram consultadas as seguintes fontes: Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) nas bases eletrônicas Medline (Medical Literature Analysis and Tetrietal System On-Line), Lilacs (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde), SciELO (Scientific Eletronic Library OnLine) e PubMed, assim como a plataforma de pesquisa Mendeley, abrangendo o período 1996-2011.

Os descritores utilizados na busca foram: qualidade de vida e estudantes de Medicina. Com base neste levantamento, foram realizados a seleção, o ordenamento e a análise bibliográfica. Os critérios de inclusão empregados foram: a explícita menção das palavras qualidade de vida e estudantes de Medicina nos objetivos, e a proposta de estudo do tema na metodologia, publicação nos idiomas português, inglês ou espanhol e possibilidade de acesso aos artigos nas bases de dados pesquisadas. Como critérios de exclusão elegeram-se a inexistência de referência a qualidade de vida e estudantes de Medicina nos objetivos dos trabalhos pesquisados, publicação em outros idiomas que não os estabelecidos e publicação fora do período definido como de interesse.

O ordenamento das publicações foi realizado de modo a avaliar e discutir os aspectos principais apresentados, considerando sua distribuição temporal e país de origem. Com essa organização, foram descritos os instrumentos de estudo utilizados, assim como fonte, objetivos, métodos e resultados de cada artigo.

 

RESULTADOS

Na busca inicial, 76 trabalhos se encaixaram nos critérios preestabelecidos. Entretanto, embora alguns elencassem entre os descritores as palavras-chave pesquisadas, uma íntegra e cuidadosa leitura dos mesmos revelou que seus temas eram "estresse" e "burnout", em vez de "qualidade de vida". Assim, foram incluídas nesta revisão apenas 26 (34,2% do total) publicações específicas sobre a qualidade de vida dos estudantes de Medicina (ou relacionadas com a temática). Dentre os trabalhos selecionados, havia 25 (96,15%) artigos e uma (3,84%) tese de doutorado. Dentre esses, 3 (11,53%) tinham enfoque qualitativo, 22 (84,61%) quantitativo e 1 (3,7%) utilizava uma abordagem quali-quantitativa.

No que diz respeito ao ano de publicação, o Gráfico 1 mostra que, no período de 15 anos incluído nesta revisão, houve um aumento crescente de publicações sobre o tema, observado principalmente na segunda metade da década de 2000, além de manutenção do padrão nos primeiros anos da década de 2010.

 

 

O Gráfico 2 mostra a distribuição das publicações segundo o país de origem dos estudos, verificando-se que o continente americano é o que produz mais publicações associadas ao tema, com 76,9% dos trabalhos. Deve-se levar em consideração, porém, que, devido à restrição quanto à língua utilizada nos trabalhos, tal resultado pode estar superestimado. É notável o crescente interesse pelo tema principalmente no final da década de 2000 e início de 2010, sobretudo no Brasil e nos Estados Unidos.

 

 

Outro fator a ressaltar é a diversidade de instrumentos validados empregados na avaliação da qualidade de vida dos estudantes de Medicina, sendo os mais utilizados o World Health Organization Quality of Life - Bref (Whoqol-bref) e o Medical Outcomes Study 8-Item Short Form Health Survey (SF-8), conforme indica a Tabela 1.

 

 

A Quadro 1 apresenta a distribuição das publicações segundo fonte, título e autor, objetivo e métodos de estudo e resultados.

 

DISCUSSÃO

Nos trabalhos voltados especificamente para a qualidade de vida, observa-se a divisão do tema em duas vertentes de análise: a relacionada com o processo saúde-doença12,18,30 e a generalizante9,15,16.

Os trabalhos que utilizaram metodologia qualitativa, na tentativa de melhor definição do conceito "qualidade de vida dos estudantes de Medicina", foram minoria11,29,31. Alguns estudos objetivaram uma análise mais ampla do tema, com abordagem tanto quantitativa como qualitativa, favorecendo uma discussão com maior embasamento sobre fatores determinantes para os resultados obtidos por meio de seus questionários objetivos21.

Outro ponto importante a considerar é o fato de que o ensino da Medicina segue diferentes padrões em cada país - ou até mesmo em diferentes regiões de um só país, como no caso do Brasil. Portanto, análises exclusivamente quantitativas não deveriam ser comparadas diretamente entre si sem uma contextualização adequada ante os fenômenos que geraram tais resultados.

Muitas publicações relacionaram qualidade de vida com outros conceitos, como síndrome de burnout, estresse e sintomas depressivos, por meio seja de relação causa-consequência, seja da simples comparação entre tais variáveis nas amostras8,13,17,27. Esse padrão indica que, apesar das diferenças em cada modelo de ensino, os estudantes são submetidos a diversos fatores de estresse, cujas consequências não podem ser completamente previstas. Há de se ressaltar, porém, que, embora esses termos estejam frequentemente relacionados, não abarcam as mesmas questões, merecendo, cada um, diferente interpretação e instrumento metodológico para avaliação, levando-se em conta o contexto e o objetivo do trabalho.

Para Caruana et al. Apud Furtado et al.33, os principais motivos de estresse em estudantes de Medicina podem ser resumidos como fatores ligados a: sobrecarga acadêmica (exames); relações e conflitos interpessoais; problemas pessoais; contato com a morte e o sofrimento; outros problemas relacionados com os estudos33.

É inegável que esses elementos afetam o universitário durante a vida acadêmica e podem comprometer não somente sua qualidade de vida, mas também sua visão ante a medicina e seu papel como médico.

Como comentam Dyrbye et al.13, a redução da qualidade de vida inicialmente afeta os domínios pessoais do indivíduo, tendo como consequência dificuldades em relacionamentos sociais e abuso de substâncias. O efeito secundário, porém, dependendo da severidade e da cronicidade do quadro, pode ser visto na vida profissional, podendo gerar comportamentos clinicamente desonestos (por exemplo, relatar normalidade em um exame físico que não foi sequer realizado), atitudes antiéticas perante a indústria farmacêutica ou perda dos valores altruísticos profissionais13.

Assim sendo, esses autores evidenciam a possibilidade de existência de relação íntima entre as experiências pelas quais o estudante passa e o profissional que se tornará, afetando não apenas a formação médica desse jovem, mas também a sociedade que estará sob seus cuidados.

Outro elemento a ressaltar é a forte relação entre os baixos níveis de qualidade de vida e o aparecimento de ideias relacionadas ao abandono da carreira, mostrando que a baixa qualidade de vida é fator importante, capaz de influenciar até mesmo a decisão de se manter ou não no curso14.

Além da questão profissional e acadêmica, escores baixos de qualidade de vida, tanto física quanto mental, estiveram associados a ideias suicidas entre estudantes de Medicina nos Estados Unidos, mostrando a relevância do assunto e a necessidade de seu debate em todos os currículos médicos23.

Os trabalhos que tratam da relação entre a qualidade de vida e os estados de saúde exemplificam o que Bullinger et al.34 tipificam como qualidade de vida. Seguindo seu conceito, qualidade de vida se caracterizaria como uma "variedade de condições capazes de afetar a percepção, os sentimentos e o comportamento relacionado ao funcionamento diário do indivíduo, incluindo, mas não se limitando, à sua condição de saúde e intervenções médicas".

Diversas publicações, no entanto, não correlacionaram o tema com qualquer enfermidade, mas compararam quantitativamente a qualidade de vida de forma genérica entre os estudantes de Medicina em diferentes momentos do curso de graduação - ou até mesmo com outros grupos de indivíduos.

Alves et al.15, por meio do questionário Whoqol-bref, mostrou um declínio nos escores de domínio psicológico dos estudantes de Medicina que estavam concluindo o curso, quando comparados aos daqueles que estavam iniciando o curso. Além desse dado, os alunos iniciantes apresentavam melhores índices em sua autoavaliação de qualidade de vida. Apesar de esse resultado indicar um desgaste psicológico do universitário durante o curso, não foi encontrada associação com possíveis fatores15.

O mesmo instrumento foi escolhido por Ramos-Dias et al.16, que identificaram diferenças estatisticamente significantes apenas no quesito relações sociais entre escores de alunos do primeiro e do sexto ano do curso de Medicina de Sorocaba (SP). Mesmo com tal diferença, esses autores concluíram que a presença de índices elevados em todos os domínios para ambos os grupos indicava qualidade de vida considerada boa em toda a amostra16.

Algumas publicações compararam alunos de diferentes cursos universitários, como Medicina e Direito. Embora a qualidade de vida de ambos os grupos tenha sido considerada boa, os resultados sugeriram piora da qualidade de vida no decorrer do curso de Medicina22. Menéndez et al.28, confrontando os dados dos alunos do curso de Medicina com os de Enfermagem, identificaram semelhança entre os dados de qualidade de vida, com tênue diferença negativa para os estudantes de Enfermagem, em decorrência principalmente dos quesitos de apoio social e satisfação profissional.

A análise de tais dados não pode ignorar outros fatores, extrínsecos ao curso de Medicina, que concorrem para a qualidade de vida do estudante. Eventos negativos, como a morte ou doença grave de um parente próximo, por exemplo, podem estar relacionados com o decréscimo na avaliação por parte do indivíduo26.

Percebendo a complexidade do tópico "qualidade de vida", alguns pesquisadores objetivaram um entendimento maior dos componentes que o definem, questionando o conceito entre os alunos. Ao avaliarem os critérios relevantes para qualidade de vida relacionada com a saúde de pacientes, Tanaka e Gotay31 mostraram que os estudantes de Medicina consideram o fator "dor e sofrimento" como o que mais influi em tal variável para os pacientes. Também mostraram que, tanto para os pacientes com chance de cura quanto para aqueles submetidos apenas a cuidados paliativos, os alunos consideraram a qualidade de vida mais importante do que a própria sobrevivência31.

Alguns estudos se dispuseram a criar e validar métodos de análise quantitativa, considerados de suma importância para outros trabalhos, em vista da necessidade de avaliar objetivamente a qualidade de vida7,20. Entretanto, a subjetividade intrínseca ao tema e as idiossincrasias de cada população de estudantes, assim como a diversidade de estruturas curriculares dos cursos de um mesmo país e de diferentes países revelam a impossibilidade da proposta de unificação de instrumentos para a avaliação da qualidade de vida.

Por fim, percebendo a ampla diversidade de abordagens sobre o assunto, Fiedler21 realizou uma pesquisa abrangente, a fim de não somente obter dados quantitativos sobre a qualidade de vida dos alunos, mas também encontrar fatores que poderiam influenciá-la, a partir da pesquisa qualitativa com grupos focais. Buscou, assim, a compreensão do indivíduo a ser pesquisado, com base em suas crenças e experiências, levando em conta suas percepções. Conseguiu, desse modo, explicitar uma grande insatisfação perante o curso, além da constante angústia vivida pelo estudante de Medicina, que deve herculeamente corresponder às expectativas da sociedade de ser um excelente médico, não se abater com o fracasso e o sofrimento ao seu lado, além de satisfazer as próprias aspirações financeiras e conciliar os fatores anteriores com uma vida social satisfatória.

Fica evidente, portanto, a necessidade de estudos mais apurados sobre o tema que remetam valores à qualidade de vida dos estudantes de Medicina e também tentem entendê-los holisticamente. O avanço do entendimento sobre a questão pode estimular propostas de melhorias para os currículos médicos, formando profissionais capazes de entender e agir tomando por base as diferentes dificuldades vividas pelos pacientes.

 

CONCLUSÃO

A carreira médica se inicia muito antes de qualquer exame físico ou diagnóstico. O processo seletivo concorrido, as pressões familiares e a necessidade de autoafirmação de suas escolhas levam o indivíduo, ainda muito jovem, a se privar de diversos prazeres para atingir um objetivo maior: o ingresso no curso de Medicina. A conquista de uma vaga na universidade, porém, não encerra as angústias desse estudante. Ao contrário: durante o curso, a qualidade de vida desse aluno pode ser ainda mais comprometida para corresponder à necessidade de uma boa formação teórico-científico-prática.

No cenário atual, porém, o tema qualidade de vida, especificamente no grupo dos estudantes de Medicina, vem ganhando importância e destaque. Não é mais aceitável que a escola médica não o utilize como uma variável a ser considerada na proposta de um currículo adequado.

Os artigos incluídos nesta revisão mostram que a qualidade de vida tem influência direta no comportamento pessoal e profissional do estudante, enfatizando a relevância do tópico e suas consequências.

Os trabalhos que trataram qualitativamente o tema foram minoria, mostrando a necessidade de trabalhos que debatam o conceito e suas relações com fatores cotidianos dos alunos.

Poucas publicações propõem soluções para a reduzida qualidade de vida, sendo esperado, portanto, que este seja um objetivo natural dos próximos estudos sobre o tema.

O maior conhecimento acerca da qualidade de vida do estudante de Medicina permite compreender as frustrações deste, suas angústias e percepções do mundo. Tal bagagem será carregada pelo sujeito por toda a vida, refletindo-se em sua prática médica e, consequentemente, nas ações de saúde experimentadas pela sociedade.

 

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Endereço para correspondência:
Tânia Cristina O. Valente
Travessa Soledade, 25 - apto 214 Praça da Bandeira
Rio de Janeiro CEP. 20270-120 RJ
E-mail: taniaunitau@gmail.com

Recebido em: 22/01/2013
Aprovado em: 02/06/2013
CONFLITO DE INTERESSES: Declarou não haver.

 

 

CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES
André Luiz Oliveira Feodrippe e Maria Carolina da Fonseca Brandão elaboraram a pesquisa bibliográfica e todos participaram na redação do artigo.

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