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Brazilian Journal of Botany

versão impressa ISSN 0100-8404versão On-line ISSN 1806-9959

Rev. bras. Bot. v.27 n.1 São Paulo jan./mar. 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-84042004000100003 

Composição florística e estrutura do componente arbóreo de uma floresta altimontana no município de Camanducaia, Minas Gerais, Brasil

 

Floristic composition and structure of a tree component of a high montane forest in the municipality of Camanducaia, Minas Gerais, Brazil

 

 

Glauco S. França1; João R. Stehmann2

Universidade Federal de Minas Gerais, Instituto de Ciências Biológicas, Departamento de Botânica, Av. Antônio Carlos 6627, 31270-110 Belo Horizonte, MG, Brasil

 

 


RESUMO

Investigou-se a composição florística e a estrutura fitossociológica em 0,75 ha de floresta altimontana, a 1.900 m s.n.m., localizada na divisa dos municípios de Camanducaia e Gonçalves, na Serra da Mantiqueira. Essa área situa-se no maior remanescente de mata da região, que abriga diversas nascentes de rios cujas águas abastecem várias cidades do sul de Minas Gerais e de São Paulo. O levantamento fitossociológico foi realizado em 15 parcelas de 5 × 100 m, onde todos os indivíduos com circunferência do tronco à altura do peito (ca. 1,30 m) > 15 cm foram registrados, tendo seus diâmetros medidos e alturas estimadas. O levantamento florístico registrou a presença de 66 espécies arbóreas pertencentes a 29 famílias, muitas delas típicas de formações florestais de altitude do sul e sudeste do Brasil, bem como uma espécie ameaçada de extinção, Dicksonia sellowiana (Dicksoniaceae). As famílias com maior riqueza em espécies foram Myrtaceae e Solanaceae. No levantamento fitossociológico foram amostrados 1.501 indivíduos distribuídos em 58 espécies e 29 famílias. A densidade total calculada foi de 2.001 indivíduos por hectare. As famílias mais importantes foram Myrtaceae, Lauraceae e Meliaceae. As espécies com maior IVI foram Ocotea lancifolia (42,88), Cabralea canjerana (29,53) e Psychotria velloziana (22,95). O índice de diversidade (H') foi de 2,9 (nats.ind.-1). A proteção deste remanescente é de fundamental importância para a conservação da biodiversidade da floresta atlântica de altitude e dos recursos hídricos da região sul de Minas Gerais.

Palavras-chave: composição florística, estrutura fitossociológica, floresta tropical montana


ABSTRACT

The floristic composition and phytosociological structure were investigated in an area of 0.75 ha of a montane forest (1,900 m a.s.l.) located between the municipality of Gonçalves and Camanducaia in the Serra da Mantiqueira. This forest belongs to the largest forest remnant in the region, and keep several headwaters of rivers which waters supply many cities in southern Minas Gerais and São Paulo. The phytosociological survey was done on 15 plots of 5 × 100 m where all trees with DBH > 15 cm were recorded. The floristic survey listed 66 species and 29 families. The families with highest species richness were Myrtaceae and Solanaceae. The phytosociological survey recorded 1,501 individuals in 58 espécies, with density of 2,001 individuals per hectare. The most important families were Myrtaceae, Lauraceae and Meliaceae. The species with higher IVI were Ocotea lancifolia (42.88), Cabralea canjerana (29.53) and Psychotria velloziana (22.95). Species diversity (H') was estimated as 2.9 (nats.ind.-1). The floristic inventary showed an important richeness with typical relictual montane species and the presence of an endangered species, Dicksonia sellowiana (Dicksoniaceae). The protection of this remnant is very important as strategy of biodiversity conservation of atlantic tropical montane forest and as water resource to the southern Minas Gerais and São Paulo.

Key words: floristic composition, phytosociological structure, tropical montane forest


 

 

Introdução

As florestas montanas são reconhecidamente muito pouco estudadas e estão entre as mais ameaçadas de todas as vegetações florestais dos trópicos (Gentry 1995). Elas apresentam uma elevada biomassa de briófitas, uma alta riqueza em espécies de pteridófitas e uma menor riqueza de angiospermas em relação às florestas localizadas em baixas altitudes (Webster 1995). Essa diversidade de espécies permite fisionomias e estruturas florestais que se sucedem num gradiente montanha acima, diferenciando-se normalmente a curtas distâncias (Whitmore 1990).

No Brasil, as florestas de altitude ou montanas (sensu lato) ocorrem no alto dos planaltos ou serras, atingem até 2.200 m s.n.m. e têm sido subdivididas em montanas (sensu stricto) e altimontanas, distribuindose em diferentes faixas de altitude dependendo da latitude. Na região sudeste do Brasil, as florestas montanas estão situadas entre 16º e 24º de latitude S, ocorrendo em altitudes de 500 m até 1.500 m. As florestas altimontanas são encontradas acima dos limites estabelecidos para a formação montana (Veloso et al. 1991, Oliveira Filho & Fontes 2000). Nesta tipologia encontram-se incluídas também as florestas nebulares ou "matas nuvígenas", localizadas no cume das altas montanhas, geralmente acima de 2.000 m de altitude, como aquelas encontradas na Serra do Itatiaia (Segadas-Vianna 1968). No sul do Brasil, as florestas nebulares ocorrem em altitudes menores (700-1.600 m), ocupando as altas montanhas do complexo da Serra do Mar e a borda do planalto da Serra Geral (Falkemberg & Voltolini 1995).

A literatura conta com poucos levantamentos florísticos de vegetação florestal acima dos 1.000 m s.n.m. No Brasil, a maioria foi realizada em florestas montanas (s. str.) brasileiras do estado de São Paulo (Pagano & Leitão Filho 1987). Para a região sudeste podemos citar os trabalhos na Serra de São José, MG (Oliveira Filho & Machado 1993), na Reserva Biológica Poço Bonito, MG (Oliveira Filho et al. 1994a), no Parque Estadual do Ibitipoca, MG (Fontes 1997, Carvalho et al. 2000), na Serra do Cipó, MG (Meguro et al. 1996), na Reserva Ecológica de Macaé de Cima, RJ (Guedes-Bruni et al. 1997), no Parque Municipal da Grota Funda, SP (Grombone et al. 1990) e na Serra do Japi, SP (Rodrigues et al. 1989).

No Sul de Minas Gerais, a cobertura vegetal original era constituída por extensas formações florestais montanas (s. lato), caracterizadas por comunidades arbóreas mais ou menos densas, com indivíduos pouco ramificados na porção média e inferior do tronco, e formações campestres representadas pela Savana - Campos, Savana arborizada - Cerrado e Savana especial dos altos divisores (Azevedo 1962). As regiões florestadas corresponderiam às seguintes tipologias: Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Ombrófila Densa e Floresta Ombrófila Mista (Veloso et al. 1991). Nas últimas décadas este contínuo de vegetação foi reduzido a poucos remanescentes que se encontram atualmente em diferentes estádios de regeneração.

Um dos maiores remanescentes de floresta montana (s. lato) no sul de Minas Gerais encontra-se localizado nesta serra, mais especificamente na Área de Proteção Ambiental Fernão Dias (APA Fernão Dias) e é de extrema importância ambiental, pois abriga as principais nascentes dos rios Capivari, Sapucaí-Mirim, Jaguari e Camanducaia, cujas águas abastecem várias cidades do sul de Minas Gerais e o pólo industrial da região metropolitana de São Paulo.

Embora pouco estudada, a região da serra da Mantiqueira foi recentemente considerada área de importância biológica especial e prioritária para a conservação da biodiversidade em Minas Gerais, devido à alta riqueza de espécies da fauna e flora e a presença de endemismos (Costa et al. 1998).

O objetivo do presente trabalho foi estudar este remanescente, através do inventário florístico e da descrição do seu componente arbóreo, e compará-lo com outras florestas de altitude do sudeste do Brasil.

 

Material e métodos

O local estudado situa-se próximo à nascente do Rio Camanducaia, entre os municípios de Camanducaia e Gonçalves, MG (22°42'39''S e 45°55'54''W). Esse remanescente, conhecido como "Matão", possui aproximadamente 5.000 ha, e faz parte do Complexo da Serra da Mantiqueira. Para a localização das parcelas, escolheu-se a área mais plana e alta do remanescente, em uma altitude de cerca de 1.900 m s.n.m. Dentro da classificação proposta por Veloso et al. (1991), a mata enquadra-se na tipologia Floresta Ombrófila Densa Altimontana, embora floristicamente possua elementos da Floresta Ombrófila Mista.

A floresta está em bom estado de conservação e não se observam vestígios recentes de exploração seletiva de madeira. A maior perturbação é decorrente da presença do gado na floresta em algumas épocas do ano, formando trilhas e afetando a vegetação do sub-bosque. A borda da floresta é circundada de pastagens e culturas anuais. Existem relatos históricos de queimadas ocorridas há mais de 60 anos.

A região apresenta um clima do tipo Cwbl na classificação de Köppen (temperado, com verão fresco que se verifica até nas serras elevadas da zona tropical e valores médios de temperatura entre 10 ºC e 22 ºC - INMET 1982). Os dados fornecidos pelo 5º Distrito de Meteorologia (5º DISME-MG) para o posto meteorológico de Maria da Fé, MG (33º18'S e 56º23'W, 1.200 m s.n.m.), no período de janeiro de 1991 a fevereiro de 2001, mostram valores médios de temperatura de 19 ºC. Esta estação foi escolhida pela proximidade com a área de estudo, embora sua altitude seja 700 m menor e em latitude diferente, o que faz necessário ajustar aproximadamente menos 4 ºC para os valores de temperatura (Walter 1986). A precipitação anual média foi de 1.417 mm, sazonalmente distribuída. As chuvas estão concentradas no verão, nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro, e o inverno registra déficit hídrico, especialmente nos meses de julho e agosto. Tal fato, contudo, parece não afetar significativamente a fisionomia da floresta, e a caducifolia, ainda que presente, é menos marcante que aquela encontrada em outras Florestas Estacionais Semideciduais Montanas do sul de Minas Gerais.

No município de Camanducaia as altitudes variam de 1.100 a 2.100 m s.n.m. O relevo da região é fortemente ondulado, com vales profundos nas zonas de drenagem dos rios que nascem na área do remanescente estudado. Os solos da região foram analisados e classificados utilizando-se o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (Embrapa 1999) e a Classificação de Solos do Brasil (Oliveira 1992) e o Mapa de Solos do Brasil, escala 1:5.000.000 (Embrapa 1981). Predominaram o Latossolo Vermelho-Amarelo Distrófico textura média e o Organossolo com acúmulo de turfeiras nas regiões florestadas. Quanto à granulometria, verificou-se uma alta porcentagem de areia, média de argila e baixa de silte, caracterizando-o como franco arenoso. A análise química indicou um solo fortemente ácido (pH = 4,4). Foram verificadas altas taxas de Al (3,64 cmolc.dm-3), C (8,08 dag.kg-1) e N (0,63 dag.kg-1), além de elevada quantidade de matéria orgânica (13,92 dag.kg-1).

Para a realização do levantamento florístico, espécimes férteis foram coletados aleatoriamente no período de julho de 2000 a julho de 2001. O material botânico foi herborizado (Fidalgo & Bononi 1984) e incorporado ao Herbário BHCB, do Departamento de Botânica do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). As identificações foram feitas por comparação com espécimes depositados nas coleções dos herbários BHCB, IAC e UEC, além de consultas à literatura pertinente e envio de duplicatas para especialistas em instituições nacionais e estrangeiras.

No levantamento fitossociológico foram marcadas 15 parcelas (5 × 100 m), totalizando 0,75 ha, distribuídas de forma perpendicular a dois transectos, de 200 m cada, localizados próximos à nascente do rio Camanducaia. Foram amostrados os indivíduos arbóreos com CAP (circunferência do caule à altura do peito) > 15 cm, a 1,30 m do solo, sendo todos eles etiquetados com plaquetas de alumínio numeradas. A altura das árvores foi estimada visualmente com o auxílio do podão de coleta. Os indivíduos amostrados foram coletados em fase reprodutiva e/ou vegetativa, sendo herborizados e posteriormente identificados. Foram calculados os parâmetros fitossociológicos dedensidade, freqüência, dominância e valor de importância (Magurran 1988a). Calculou-se, ainda, o índice de diversidade de Shannon-Wiener (H') e o índice de equabilidade de Pielou (J'). Utilizou-se, para esses cálculos, o programa Fitopac (Shepherd 1994).

Para as comparações florísticas foram selecionados alguns trabalhos realizados em florestas montanas (s.lato) nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. A similaridade florística foi calculada através do coeficiente de Jaccard (Magurran 1988b).

 

Resultados

No levantamento florístico foram registradas 70 espécies arbóreas pertencentes a 29 famílias (tabela 1). As famílias com maior número de espécies no levantamento total foram: Myrtaceae (12), Asteraceae (9), Melastomataceae (5), Rubiaceae (5) e Solanaceae (5). Os gêneros com maior número de espécies foram: Myrceugenia (5), Solanum (4), Miconia, Psychotria e Symplocos (3).

Para o levantamento fitossociológico, foram amostrados nas 15 parcelas (0,75 ha), 1.501 indivíduos, dos quais 1.378 eram árvores vivas e 124, mortas ainda de pé. Os indivíduos vivos amostrados pertencem a 58 espécies (tabela 3) e 29 famílias, resultando em uma densidade estimada de 2.001 indivíduos.ha-1. A área basal foi estimada em 48,12 m2.ha-1. O índice de diversidade de Shannon-Wiener (H') foi de 2,9 nats.indivíduo-1 e o índice de equabilidade de Pielou (J) foi 0,71.

As famílias com maior número de indivíduos foram: Myrtaceae (326), Meliaceae (174), Winteraceae (169), Rubiaceae (164), Lauraceae (138), Melastomataceae (129), Myrsinaceae (94) e Monimiaceae (49). Juntas, estas famílias totalizaram 71,69% dos indivíduos marcados.

Quanto ao IVI (índice de valor de importância) destacaram-se: Myrtaceae (54,17), Lauraceae (46,09), Meliaceae (29,52), Rubiaceae (24,58) e Winteraceae (18,16). Os maiores valores de IVI de Myrtaceae pertenceram a Myrcia fallax (18,8), Myrceugenia alpigena (9,42) e Myrcia venulosa. (9,34). O maior IVI de Lauraceae pertenceu a Ocotea lancifolia (42,88), o de Meliaceae, a Cabralea canjerana (29,52) e o de Rubiaceae, a Psychotria velloziana (22,95). Dessa forma, oito famílias contribuíram com cerca de 72% do IVI total.

As famílias com maior riqueza de espécies foram: Myrtaceae (11), Solanaceae (6), Lauraceae (4), Rubiaceae (3), Symplocaceae (3) e Asteraceae (3). Juntas elas representaram 51,72% do total de espécies levantadas.

A mata estudada possui um dossel alto e uniforme, sem espécies emergentes, com árvores atingindo até 22 m. A estratificação é difícil de ser delimitada, mas grosseiramente podemos reconhecer três estratos. A altura média do primeiro estrato esteve em torno de 17 m e nele foram encontradas algumas espécies típicas como Ocotea lancifolia, Cabralea canjerana, Myrcia fallax, Drimys brasiliensis, Prunus myrtifolia, Lamanonia ternata, Weinmania paulliniifolia, Sapium glandulosum, Myrceugenia alpigena, Myrsine umbellata e Calyptranthes concinna. A altura média do segundo estrato foi de cerca de 11 m, com ocorrência freqüente de Macropeplus dentatus, Meliosma sellowii, Ilex paraguariensis, Croton urucurana e Maytenus evonymoides. A altura média do terceiro estrato esteve em torno de 5 m e ele é caracterizado pela presença de espécies exclusivas do subbosque, como Miconia cinerascens, Leandra carassana, Dicksonia sellowiana, Symplocos celastrinea e Alsophylla setosa.

Dentre as árvores que atingiram as maiores alturas, citam-se as espécies: Ocotea lancifolia, Cabralea canjerana, Myrcia fallax, Drimys brasiliensis, Myrsine umbellata, Myrceugenia alpigena, Ilex paraguariensis, Lamanonia ternata, Citronella paniculata e Prunus myrtifolia. Aquelas que apresentaram indivíduos em todos os estratos foram: Cabralea canjerana, Myrcia fallax, Drimys brasiliensis, Myrsine umbellata, Myrceugenia alpigena, Calyptranthes concinna e Citronella paniculata. Algumas espécies, como Lamanonia ternata e Weinmannia paulliniifolia,não apresentaram indivíduos jovens no estrato arbóreo.

As espécies com maior IVI foram: Ocotea lancifolia (42,88), Cabralea canjerana (29,52), Psychotria velloziana (22,95), Myrcia fallax (18,80), Drimys brasiliensis (18,16), Myrsine umbellata (16,60) e Myrceugenia alpigena (9,42). Essas sete espécies foram responsáveis por mais de 50% do IVI total (tabela 3).

O primeiro lugar em importância coube a Ocotea lancifolia, determinado não tanto pelo seu número de indivíduos, mas principalmente por sua grande área basal e elevada dominância relativa. Essa espécie representou 8,3% de todas as árvores amostradas, mas sua área basal equivale a aproximadamente 30% do total. As outras espécies apresentaram valores menores de dominância absoluta, dominância relativa e IVI. Em relação à densidade relativa, quatro espécies destacaram-se: Cabralea canjerana, Psychotria velloziana, Myrcia fallax e Drimys brasiliensis, por apresentarem valores maiores do que a espécie citada acima.

As espécies mortas apresentaram um IVI elevado, em torno de 25,87, o que constituiu o terceiro maior valor. Elas representaram 8,26% de todas as árvores amostradas, e sua área basal foi equivalente a 13,13% do total.

A análise da freqüência das classes de diâmetro, para a totalidade dos indivíduos amostrados, mostrou um padrão típico de florestas tropicais. A maior concentração dos indivíduos foi encontrada nas classes menores (10-15 cm), enquanto que nas classes intermediárias o número foi relativamente baixo e nas superiores apresentou-se descontínuo (atingindo até 130 cm). Algumas espécies, contudo, não acompanharam esse padrão, como Ocotea lancifolia,que apresentou número reduzido de indivíduos jovens, com menos de 15 cm de diâmetro.

O quadro comparativo entre os levantamentos florísticos encontra-se na tabela 2. Os resultados das comparações com outras florestas de altitude do sudeste do Brasil mostraram baixa similaridade. As maiores semelhanças (Ij > 10%) foram obtidas apenas para os levantamentos realizados no Complexo da Serra da Mantiqueira (Parque Estadual do Ibitipoca, MG) e da Serra do Mar (Reserva Ecológica de Macaé de Cima, RJ). O índice de diversidade de Shannon-Wiener para a mata estudada foi inferior ao de todos os trabalhos comparados.

 

Discussão

O remanescente estudado constitui vestígio da vegetação arbórea original que cobria os altos dos morros pertencentes ao complexo da Serra da Mantiqueira, que se estendia pelos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, acompanhando as diferenciações climáticas e de altitude (Azevedo 1962). Devido à ocupação humana nessas regiões, a grande extensão de floresta foi reduzida a vários remanescentes, localizados nas áreas mais elevadas e de difícil exploração, mas que provavelmente ainda guardam características da floresta que existiu no passado.

Nas cadeias montanhosas da região neotropical, as florestas nebulares ocorrem entre 1.000 e 3.000 m, mas há consideráveis variações locais e regionais nos limites altitudinais (Webster 1995). Para a Serra do Itatiaia, Segadas-Vianna (1968) sugeriu que acima de 2.000 m de altitude, o clima rigoroso, com invernos frios e secos, limita o estabelecimento de vegetação arbórea na maioria dos hábitats. Assim, a mata estudada provavelmente se encontra um pouco abaixo da altitude que limita a dominância da vegetação florestal na Serra da Mantiqueira.

Em relação aos solos verifica-se que os Latossolos Vermelho Amarelos observados são muito expressivos no domínio pedobioclimático do "Mar de Morros Florestados"(Resende 1995), paisagem encontrada na região dos municípios de Camanducaia e Gonçalves. Na área da mata estudada, os solos são bastante ácidos e há grande quantidade de matéria orgânica, chegando a ser turfoso em alguns locais, sendo portanto classificados como Organossolos. Isso é decorrente da decomposição restrita de "liter"(e conseqüente acúmulo de matéria orgânica), causado principalmente pelo excesso de água e drenagem pobre sob baixas temperaturas (Resende 1995, Carvalho et al. 2000).

Nas florestas andinas, as famílias Lauraceae, Melastomataceae e Rubiaceae possuem maior riqueza de espécies lenhosas em altitudes acima de 1.500 m s.n.m. (Gentry 1995). A grande importância relativa de algumas famílias, como Myrtaceae, Lauraceae, Meliaceae, Rubiaceae, Winteraceae, Melastomataceae, Myrsinaceae e Monimiaceae, encontradas neste trabalho, é característica das florestas localizadas acima de 1.000 m de altitude no sudeste do Brasil (Fontes 1997). A ausência de Fabaceae na área de estudo reflete o padrão de riqueza florística conhecido para a família, que decresce com o aumento da altitude (Gentry 1995, Oliveira Filho 2000).

Em termos florísticos, a floresta estudada pode ser comparada às comunidades arbóreas das regiões elevadas da Mantiqueira, do planalto de Poços de Caldas e do maciço do Itatiaia, indicando Podocarpus lambertii e espécies dos gêneros Nectandra e Ocotea como típicas do estrato arbóreo (Azevedo 1962). Para a região do Itatiaia, estas matas são descritas ainda como vegetação do nível montano médio (1.700 até 2.000 m), de 20 a 30 m de altura, dominadas pelo gênero Cabralea (Segadas-Vianna 1968). O estrato inferior é ocupado por árvores dos gêneros: Roupala, Drimys e Weinmannia. Samambaias arbóreas são comuns, geralmente formando colônias compactas. Tais matas corresponderiam à Floresta Ombrófila Densa Montana (Mata Alta), fortemente relacionada ao tipo do relevo (vales e depressões) e ao acúmulo de sedimentos e umidade (Lima & Guedes-Bruni 1997).

Os gêneros Drimys, Leandra, Psychotria, Croton e Weinmannia, especialmente Cabralea (representado por Cabralea canjerana), tiveram grande dominância, sendo observados também nas florestas montanas do Itatiaia (Segadas-Vianna & Dau 1968). A importância relativa de alguns gêneros pode aumentar com a altitude. Foram encontrados no levantamento florístico gêneros que se destacaram por serem fortemente relacionados a altitudes elevadas: Drimys, Weinmannia, Podocarpus, Meliosma, Ilex, Myrsine, Miconia, Prunus e Roupala (Mainieri & Pires 1973, Webster 1995, Fontes 1997, Oliveira Filho & Fontes 2000). Ocorreram também espécies indicadoras de altitude: Drimys brasiliensis, Weinmannia paulliniifolia, Podocarpus lambertii, Gordonia fruticosa, Meliosma sellowii, Nectandra lanceolata, Pimenta pseudocayophyllus e Symplocos celastrinea (Oliveira Filho & Fontes 2000).

A espécie com maior importância no estudo fitossociológico foi Ocotea lancifolia (Lauraceae). É citada como ocorrente na região Sudeste do Brasil (MG e SP) (Coe-Teixeira 1980). Em Minas Gerais, foi registrada para a Cadeia do Espinhaço, nas matas ripárias de altitude (1.200 m s.n.m) da Serra do Cipó (Meguro et al. 1996).

As espécies mortas obtiveram o terceiro lugar em importância, determinado principalmente por sua densidade absoluta e por sua área basal. Elas representaram 8,26% de todas as árvores amostradas. Esse valor pode ser considerado normal dentro das comunidades florestais que é estimado entre 2,7% e 10% da fitomassa viva (Martins 1991). A ocorrência de muitas árvores mortas no interior da floresta pode ser tanto uma decorrência de morte natural, como conseqüência de acidentes (ventos, tempestades, queda de galhos grandes, etc.), parasitismo, ou, ainda, decorrente de perturbações introduzidas pelo homem num passado recente (Martins 1991).

As florestas tropicais pluviais geralmente apresentam três estratos arbóreos (inferior, médio e dossel) e espécies emergentes (Richards 1976). Estes estratos foram observados na mata estudada, apesar de dois deles (médio e dossel) serem pouco diferenciados. As espécies emergentes não foram evidenciadas, visto que o dossel da mata apresentou-se contínuo com alturas semelhantes. A não evidência de alguns estratos arbóreos mais demarcados decorre da diminuição da altura das árvores com o aumento da altitude. Isso, provavelmente, é determinado por fatores que limitam o crescimento dos indivíduos como: a competição pela luz em vales profundos e estreitos, a maior irradiação solar em áreas abertas e o déficit hídrico sasonal, verificado por exemplo em regiões de cordilheiras (Oliveira Filho et al. 1994c). Outros fatores como a freqüência de geadas, a saturação, acidez e baixa fertilidade do solo também contribuem para determinar as características estruturais das florestas montanas (Bruijnzell & Veneklaas 1998). Algumas espécies encontradas no estrato inferior, como Miconia cinerascens, Leandra carassana, Dicksonia sellowiana, Symplocos celastrinea e Alsophylla setosa, também foram citadas para o sub-bosque de outras florestas montanas (Meira Neto et al. 1989, Grombone et al. 1990, Oliveira Filho & Machado 1993, Carvalho et al. 1995, Fontes 1997). Várias espécies encontradas no estrato superior, tais como Cabralea canjerana, Weinmannia paulliniifolia, Lamanonia ternata, Ilex paraguariensis, Citronella paniculata, Myrsine umbellata, Drimys brasiliensis, Calyptranthes concinna e Solanum pseudoquina foram registradas para o dossel da mata em alguns trabalhos com florestas montanas (Oliveira Filho et al. 1994a, b, c, Guedes-Bruni et al. 1997, Carvalho et al. 2000).

As espécies do estrato médio e superior que se destacaram pelo seu maior valor de importância parecem estar se regenerando na mata, pois foram encontrados indivíduos ocupando o dossel e o sub-bosque. Apenas duas espécies estiveram ausentes dos estratos inferiores, Weinmannia paulliniifolia e Lamanonia ternata,que podem constituir espécies do passado dessa floresta, e que hoje são observadas predominantemente no estrato superior.

O índice de diversidade encontrado foi menor do que aqueles obtidos para outras florestas montanas do sudeste do Brasil. Tal fato, provavelmente, se relaciona à elevada altitude. Uma correlação altamente significativa em relação à diminuição da diversidade de espécies com o aumento da altitude (acima de 1.500 m s.n.m.) foi verificada para as florestas montanas dos Andes (Gentry 1995). A baixa diversidade pode estar relacionada às condições climáticas influenciadas pela altitude elevada. O clima frio e seco nos meses de julho e agosto, a presença de geadas e a alta umidade nos meses de chuva, provavelmente limitariam o estabelecimento de algumas espécies (Oliveira Filho & Fontes 2000). O fato da área estudada estar situada numa região de "Mar de Morros Florestados", mais especificamente no topo de um desses morros, também poderia estar influenciando a diversidade, pois faltam os gradientes de declividade que poderiam contribuir com espécies para a comunidade, como ocorre em áreas de encosta.

O remanescente estudado apresentou baixa similaridade com outras florestas montanas do sudeste do Brasil, provavelmente por situar-se em altitude mais elevada (1.900 m s.n.m.). Apesar disso, a maior semelhança dentre as áreas comparadas ocorreu com a flora do Parque Estadual do Ibitipoca (Fontes 1997), compartilhando 17 espécies do total de 199 listadas, dentre elas Cabralea canjerana, Myrsine umbellata, Drimys brasiliensis e Solanum pseudoquina. Tal semelhança entre áreas, mesmo que pequena (< 8%), deve-se geralmente à maior proximidade geográfica, na medida que reflete maiores semelhanças ambientais, sobretudo climáticas (Oliveira Filho & Machado 1993) e de altitude, visto ser este fator relevante na diferenciação da florística arbórea (Fontes 1997, Oliveira Filho & Fontes 2000).

Diversos fatores conferem ao remanescente estudado uma grande relevância ambiental: a sua função de mantenedor das nascentes que abastecem diversos mananciais da região; o seu tamanho por ser a maior área de floresta nativa na região, o seu papel relitual para espécies típicas de florestas de altitude e a presença de espécie ameaçada de extinção (Dicksonia sellowiana). Considerando esses fatores e que a paisagem regional foi muito alterada, especialmente pelo reflorestamento com espécies exóticas e culturas anuais, a proteção deste remanescente é de fundamental importância para a conservação da biodiversidade da floresta atlântica na região sul de Minas Gerais.

Agradecimentos—Ao Altair Rezende de Souza, por permitir o desenvolvimento dos trabalhos em sua propriedade; ao Toninho Buta, pelo apoio logístico no trabalho de campo; aos especialistas que contribuíram na identificação das espécies: Alexandre Salino (Pteridófitas), H. Robinson (Asteraceae), Henk Van der Werff (Lauraceae), João Semir (Asteraceae), Marcos Sobral (Myrtaceae), Maria Lúcia Kawasaki (Myrtaceae); à Luciana Y. Kamino e ao Rubens Custódio da Mota, pelo auxílio na coleta de dados. Ao CNPq, pela bolsa de produtividade em pesquisa para J.R. Stehmann. Por fim, à Edivani V. Franceschinelli, coordenadora do projeto "Estudos de Conservação e Recuperação dos Fragmentos Florestais da APA do Camanducaia, MMA/Probio", pelo apoio e estímulo dispensados.

 

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recebido: 26 de dezembro de 2002
aceito: 9 de outubro de 2003

 

 

1 Parte da dissertação de mestrado - Pós-Graduação em Biologia Vegetal, ICB, UFMG
2 Autor para correspondência: stehmann@icb.ufmg.br

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