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Religião & Sociedade

versão On-line ISSN 1984-0438

Relig. soc. vol.33 no.2 Rio de Janeiro jul./dez. 2013

https://doi.org/10.1590/S0100-85872013000200012 

Homenagem a Clara Mafra

 

 

Joel Robbins

Professor de Antropologia da Universidade da Califórnia. San Diego - Califórnia - Estados Unidos

 

 

Eu e muitos outros colegas do Departamento de Antropologia da Universidade da California, em San Diego, ficamos profundamente tristes ao saber do falecimento de Clara Mafra. Ela passou o ano letivo de 2009-2010 em nosso departamento, e trabalhou em estreita colaboração com aqueles dentre nós que estudam o pentecostalismo global e, de forma mais geral, a religião. Ela foi uma daquelas raras pesquisadoras visitantes em um departamento universitário que genuinamente contribuem para elevar o lugar que as recebem, ajudando a congregar as pessoas e estimulando-as a pensar sobre seus trabalhos a partir de novas perspectivas. Para muitos aqui, ela rapidamente se tornou tanto uma amiga quanto uma colega, pois todos nós apreciamos seu entusiasmo, seu espírito e seu profundo amor pela vida intelectual.

Clara era uma das estrelas em ascensão no estudo antropológico do Cristianismo. Seu trabalho sobre as configurações cristãs do espaço foi pioneiro, e seu recente artigo sobre "A santidade e sinceridade" ("Saintliness and Sincerity")1 já é considerado como uma espécie de clássico, avançando com novas formas de tratamento sobre os pontos principais da discussão fundamental sobre a semiótica da religião. Mesmo sendo relativamente jovem, ela se tornou uma importante figura de articulação entre aqueles que trabalham sobre o Pentecostalismo no Brasil urbano e aqueles que estudam essa religião em outros lugares ao redor do mundo. Certamente ela estava destinada a continuar crescendo em influência muito rapidamente nos próximos anos.

Uma das primeiras obras de Clara lidas por mim era seu posfácio a uma coletânea sobre o tema da criatividade. É um artigo intitulado "Um Mundo sem Antropologia" ("A World Without Antropology")2, que tem todas as características de seu trabalho em geral - é original, questionador, e não tem medo de arriscar dizer algo de novo. Foi depois de lê-lo e, em seguida, encontrar Clara no Rio de Janeiro, que fiquei animado com a sua visita a San Diego. Agora temos que contemplar uma antropologia sem Clara, e isso é uma coisa triste de se imaginar. Sua morte é uma grande perda, e eu gostaria de compartilhar que muitos de nós aqui em San Diego sentem profundamente esta perda, como sabemos que todos vocês (aí do Brasil) também.

 

Notas

1 MAFRA, Clara. (2011), "Saintliness and Sincerity in the formation of the Christian Person". Ethnos, v. 76: 448-468.
2 MAFRA, Clara. (2007), "A World Without Anthropology". In: T. Ingold e E. Hallan. Creativity and Cultural Improvisation. Oxford: Berg Publishers.

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