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Revista Brasileira de Ciências do Esporte

versão impressa ISSN 0101-3289versão On-line ISSN 2179-3255

Rev. Bras. Ciênc. Esporte vol.42  Porto Alegre  2020  Epub 06-Jul-2020

https://doi.org/10.1016/j.rbce.2018.06.011 

ARTIGO ORIGINAL

Relação entre maturação esquelética e a orientação esportiva em jovens futebolistas

Julio Cesar da Costaa  * 
http://orcid.org/0000-0003-1398-0901

Lidyane Zambrin Vignadellia 
http://orcid.org/0000-0002-2743-8315

Antonio Carlos Simõesb 
http://orcid.org/0000-0001-9550-2385

Felipe Arruda Mourab 

Helio Serassuelo Juniord 
http://orcid.org/0000-0002-1156-4237

Enio Ricardo Vaz Ronquec 
http://orcid.org/0000-0003-3430-3993

aPrograma de Pós-Graduação em Educação Física, Universidade Estadual de Londrina, Londrina, PR, Brasil.

bEscola de Educação Física e Esporte, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil.

cDepartamento de Educação Física, Universidade Estadual de Londrina, Londrina, PR, Brasil.

dDepartamento de Esporte, Universidade Estadual de Londrina, Londrina, PR, Brasil.


RESUMO

O objetivo foi verificar a relação entre a orientação esportiva e a idade esquelética em atletas de futebol de 12 a 15 anos. A amostra foi de 106 jovens futebolistas, do sexo masculino, e foram feitas medidas do tamanho corporal, idade esquelética e para avaliação do comportamento competitivo usou-se o Sport Orientation Questionnaire com as subescalas competir (TQ1), vencer (TQ2) e estabelecer metas (TQ3). A Ancova não verificou diferença significativa entre os diferentes grupos de maturidade (p> 0,05) com a orientação esportiva, já a correlação de Spearman observou uma relação negativa apenas no grupo de maturidade “no tempo”, com o TQ2 (r=-0,28). Conclui-se que a maturação esquelética apresentou fraca relação com o comportamento dos jovens atletas de futebol.

Palavras-chave: Futebol; Adolescentes; Atletas; Psicologia do esporte; Comportamento competitive

ABSTRACT

The objective was to verify the relationship between sportsmanship and skeletal age in soccer players aged 12 to 15 years. The sample was of 106 young male soccer players, and measurements of body size, skeletal age and competitive behavior were used. The Sport Orientation Questionnaire was used with the sub scales to compete (TQ1), to win (TQ2) and to establish goals (TQ3). The ANCOVA did not find a significant difference between the different maturity groups (P> 0.05) with the sports orientation, whereas the Spearman correlation observed a negative relation only in the maturity group “in time”, with TQ2 (r=- 0.28). It was concluded that the skeletal maturation presented a weak relation with the behavior of the young soccer athletes.

Keywords: Soccer; Adolescent; Athletes; Psychology sports; Competitive behavior

RESUMEN

El objetivo fue comprobar la relación entre la orientación deportiva y la edad esquelética en futbolistas de 12 a 15 años. La muestra estaba compuesta por 106 jóvenes futbolistas de sexo masculino y se tomaron medidas del tamaño corporal y la edad esquelética, y para la evaluación del comportamiento competitivo se utilizó el Sport Orientation Questionnaire con las subescalas competir (TQ1), ganar (TQ2) y establecer metas (TQ3). El ANCOVA no verificó ninguna diferencia considerable entre los diferentes grupos de madurez (p> 0,05) respecto a la orientación deportiva, mientras que la correlación de Spearman observó una relación negativa solo en el grupo de madurez «en el tiempo» con el TQ2 (r=-0,28). Se concluye que la maduración esquelética presentó una débil relación con el comportamiento de los jóvenes futbolistas.

Palavras Chave: Fútbol; Adolescentes; Futbolistas; Psicología del deporte; Comportamiento competitivo

INTRODUÇÃO

Entender a influência que a maturação biológica provoca no desempenho de jovens atletas durante o processo de treinamento tem sido bem explorado nas últimas décadas por pesquisadores ligados à formação esportiva (Malina et al., 2015; Matta et al., 2014; Ostojic et al., 2014). Isso ocorre devido ao aumento no número de jovens envolvidos no processo de formação dos esportes considerados de alto rendimento, sobretudo no processo de seleção, fato esse que tem acontecido cada vez mais em idades prematuras (Unnithan et al., 2012; Westerstahl et al., 2003).

A seleção desses atletas acontece em um momento de transição entre a infância e adolescência, período esse marcado por grande instabilidade das variáveis que compõem o desempenho físico e psicológico, principalmente quando considerada a interferência dos diferentes ritmos de crescimento e das taxas da maturidade biológica e sua associação com a idade cronológica (Figueiredo et al., 2010; Malina, 2014). Acredita-se que jovens jogadores com diferenças na idade biológica podem apresentar alguma vantagem e/ou desvantagem dentro do processo de formação esportiva (Figueiredo et al., 2009; Malina et al., 2015), mesmo qie pertençam à mesma categoria de jogo.

Por outro lado, os correlatos sobre as características comportamentais dos desportistas e a influência que a maturação biológica exerce dentro do processo competitivo sobre seu comportamento ainda é pouco explorada (Cumming et al., 2012; Malina et al., 2015). Dessa maneira, o conhecimento da orientação esportiva dos atletas torna-se importante no processo de compreensão da competitividade durante a formação esportiva, busca identificar as tendências individuais dos atletas em três subescalas de competividade: a orientação esportiva em competir, em vencer e para o estabelecimento de metas ().

Nessa subescala o competir se refere a um desejo, uma vontade, um ímpeto de lançar-se, de corpo e alma, a uma situação desafiadora e, por vezes, desconhecida sem preocupar-se com o resultado. O vencer é um processo lógico da competitividade, mas que afeta o indivíduo, separa-o da relevante posição de desafiante e/ou desafiador, que, ao mesmo tempo, pode ser o objetivo máximo de um confronto, o vencer configura-se a partir da superação de um objeto e/ou adversário externo. Finalmente, o estabelecimento de metas é a capacidade do indivíduo de se orientar para um determinado ponto futuro no qual visa, acima de tudo, superar as limitações internas (objeto interno) e, consequentemente, propiciar opções que o levem a uma evolução pessoal (Oliveira et al., 2006b).

Nesse sentido, a justificativa para se observar um fenômeno biológico, como o estado de maturidade, com um fenômeno comportamental (orientação esportiva), é entender que no período da adolescência ocorre uma série de alterações e interações simultâneas nos domínios fisiológicos, psicológicos, sociais e comportamentais, o que sugere uma análise voltada para a perspectiva biossociocultural dos atletas jovens (Cumming et al., 2011; Malina, 2014).

Desse modo duas hipóteses se destacam: a primeira é a hipótese de término do estágio ou maturação precoce, que se baseia no pressuposto de que a maturação precoce interrompe o curso normal do desenvolvimento comportamental, a criança passará por um menor tempo na adolescência, sofrerá maior pressão e expectativa dos adultos, não será condizente com seu desenvolvimento cognitivo e socioemocional. A segunda hipótese é do desvio de maturação ou de norma, pressupõe que qualquer desvio anormal (precoce e tardio) em relação a seus pares torna-se estressante, pode aumentar os riscos de problemas psicossociais (Sherar et al., 2010).

Assim, entender a influência de um desfecho biológico sobre um fator comportamental durante o processo de crescimento, especificamente na adolescência, torna-se importante durante o processo de formação, pois são as recompensas intrínsecas e extrínsecas dadas pelo esporte que irão nortear esse atleta na busca de ultrapassar possíveis barreiras que venham a ocorrer durante o processo competitivo da formação esportiva. Os diferentes estágios de maturidade causam consequências positivas e/ou negativas, atletas precoces podem apresentar maior autoestima, confiança e popularidade (Sherar et al., 2010), enquanto que os tardios em maturidade compensam sua desvantagem física com o desenvolvimento de habilidades técnicas e um perfil psicológico abrangente (Malina et al., 2015), fatores esses que podem estar associados ao sucesso na modalidade. Dessa maneira, o objetivo do presente estudo é verificar a relação entre a orientação esportiva e a idade esquelética em atletas de futebol de 12 a 15 anos.

MÉTODOS

Participantes

Este estudo caracteriza-se como descritivo correlacional, com abordagem transversal. A amostra foi constituída por 106 jovens jogadores de futebol, do sexo masculino (14,5± 1,0 anos, 57,5±12,1 Kg e 167,2±10,3cm), pertencentes a equipes de futebol estabelecidas na cidade de Londrina, Paraná. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual de Londrina (CAAE 03992312.0.000.5231), parecer de aprovação na Plataforma Brasil nº. 68350. Os responsáveis e os atletas foram informados sobre os procedimentos a serem adotados e assinaram um termo de assentimento e consentimento livre e esclarecido.

Antropometria

As medidas de tamanho corporal foram obtidas para caracterização da amostra. A massa corporal foi mensurada em uma balança de leitura digital, da marca Urano, modelo PS 180A, com precisão de 0,1kg, ao passo que a estatura foi determinada em um estadiômetro portátil com precisão de 0,1cm, marca Harpenden. Com base nessas informações, o índice de massa corporal (IMC) foi calculado.

Maturidade esquelética

A idade cronológica (IC) foi estabelecida de forma centesimal, com base na diferença entre a data de nascimento e a data de avaliação da radiografia de pulso e mão esquerda. Radiografias posteroanterior da mão esquerda e punho foram obtidas em um laboratório especializado. Para estimativa da idade esquelética (IE), as radiografias foram avaliadas pelo método Greulich-Pyle (GP) (Greulich e Pyle, 1959). O método usa atribuição da idade esquelética individual para 20 ossos da mão e punho através de radiografias, analisadas por um único observador qualificado. A IE corresponde ao nível de maturidade esquelética atingida pelo jogador em relação à amostra de referência e é expressa em relação à IC. A diferença entre a idade esquelética e a idade cronológica (IE-IC) fornece uma estimativa da idade esquelética relativa (IER). Os atletas foram classificados em três categorias de acordo com a IER: precoce IER>1; no tempo±1; tardio <1 (Malina, 2011).

Orientação esportiva

Para a análise da percepção da tendência competitiva foi usado o instrumento de pesquisa Inventário de Orientação Esportiva - Sistema de Orientação Esportiva (ACS-2) no processo de competir (TQ1), vencer (TQ2) e estabelecer metas (TQ3) validado e traduzido para a língua portuguesa por Simões (2003) que tem como base o Sport Orientation Questionnaire ().

Esse sistema possibilita observar o comportamento do atleta mediante a atribuição de índices ao seu nível de competitividade. Os índices de competitividade individual foram analisados segundo os resultados de um conjunto de 25 questões objetivas distribuídas em uma escala de pontuação que varia de um a cinco, a saber: Concordo totalmente, Concordo em parte, Indiferente, Discordo em parte, Discordo totalmente. Os dados obtidos são interpretados de forma inversa, os menores valores atribuídos ao comportamento das tendências pessoais demonstram as maiores atribuições e/ou aspirações.

Análise de dados

A estatística descritiva com valores de média e desvio-padrão foi empregada para caracterização da amostra. Para as comparações dos indicadores antropométricos e de maturidade foi aplicada a análise de variância (Anova one-way) e para orientação esportiva foi usada a análise de covariância (Ancova), adotaram-se como variáveis de controle idade cronológica, massa corporal e estatura. O teste post hoc de Bonferroni foi empregado quando p <0,05, para a localização das diferenças. Para relação entre a idade esquelética e orientação esportiva foi usada a Correlação de Spearman. Os dados foram tratados no pacote computacional IBM SPSS (Statistical Package for Social Sciences) versão 20.0.

RESULTADOS

A Tabela 1 apresenta as características descritivas para as variáveis idade cronológica, idade esquelética, idade esquelética relativa, massa corporal, estatura e IMC, expressos em média e desvio-padrão dos grupos precoce, no tempo e tardio.

Tabela 1 Características antropométricas em jovens futebolistas de acordo com a maturidade esquelética. 

Total n = 106 Precoce n = 44 No tempo n = 55 Tardio n = 7 f p
IC (anos) 14,5 ± 1,0 15,0 ± 0,7b 14,1 ± 1,7 14,2 ± 1,2 10,51 < 0,01
IE (anos) 15,2 ± 1,7 16,7 ± 0,8b,c 14,2 ± 1,2a,c 12,7 ± 1,5a,b 82,57 < 0,01
IER (IO-IC) 0,7 ± 1,1 1,7 ± 0,5b,c 0,8 ± 0,7a,c -1,5 ± 0,4a,b 143,28 < 0,01
Massa corporal (kg) 57,5 ± 12,1 65,0 ± 9,4b,c 53,5 ± 10,4a,c 40,5 ± 6,1a,b 28,71 < 0,01
Estatura (cm) 167,2 ± 10,3 172,3 ± 7,7b,c 164,6 ± 10,1a,c 154,0 ± 7,9a,b 17,03 < 0,01
IMC (Kg/m2) 20,3 ± 2,8 21,9 ± 2,9b,c 19,5 ± 2,2a,c 17,0 ± 1,4a,b 18,48 < 0,01
Tempo de prática (mês) 67,8 ± 29,5 69,3 ± 30,8 67,5 ± 27,3 60,7 ± 40,0 0,772 NS

aDiferença significativa com grupo precoce;

bDiferença significativa com o grupo no tempo;

cDiferença significativa com o grupo tardio; f = Anova; IC = idade cronológica; IE = idade esquelética; IER = idade esquelética relativa; IMC = índice de massa corporal; p = < 0,05.

Ao fazer a análise de variância, foram encontradas diferenças significativas entre os estágios de maturidade dos jovens atletas nas variáveis apresentadas, exceto para o tempo de prática. Ao comparar as médias entre os grupos de maturidade pelo teste de Bonferroni verificou-se que os atletas apresentaram diferenças significativas (p<0,05) entre todas variáveis, exceto para a idade cronológica, que apresentou diferença apenas entre o grupo precoce e no tempo (15,0 vs. 14,1; p <0,01).

A Tabela 2 apresenta os resultados de orientação esportiva de acordo com a maturidade dos jovens atletas, expressos por média e desvio-padrão por grupos precoces, no tempo e tardio. A análise de covariância (Ancova) não apresentou diferença significativa (p<0,05) em nenhuma das variáveis TQ1, TQ2 e TQ3 nos diferentes grupos de maturidade esquelética.

Tabela 2 Orientação esportiva em jovens futebolistas de acordo com a maturidade esquelética. 

Total Precoce No tempo Tardio f p
TQ1 19,1 ± 5,3 18,3 ± 4,6 19,6 ± 5,1 20,9 ± 9,1 0,28 0,972
TQ2 10,5 ± 3,8 9,5 ± 3,4 11,2 ± 3,8 11,7 ± 5,3 0,659 0,519
TQ3 8,8 ± 2,6 8,6 ± 2,1 8,8 ± 2,7 10,1 ± 4,9 1,08 0,343

f = Ancova; p = < 0,05; TQ1 = tendência para competir; TQ2 = tendência para vencer; TQ3 = tendência para estabelecer metas; médias controladas por idade cronológica, massa corporal e estatura.

Observa-se que todos os grupos de maturidade apresentaram melhor resultado na variável estabelecer metas (TQ3), no grupo precoce apresentou uma média de 8,6±2,1. Apesar de não ter sido observada diferença entre os grupos de maturidade (p>0,05), os atletas precoces apresentaram valores superiores que variaram de 8 a 23% em relação aos seus pares nas três tendências, independentemente da idade cronológica, massa corporal e estatura.

Na Tabela 3 apresentam-se os resultados referentes à relação entre a maturidade e a orientação esportiva dos jovens atletas.

Tabela 3 Relação entre a maturidade esquelética e a orientação esportiva em jovens futebolistas. 

[0,2-3]Precoce [0,4-5]No tempo [0,6-7]Tardio
rs p rs p rs p
TQ1 -0,16 0,275 -0,22 0,100 0,44 0,328
TQ2 -0,09 0,559 -0,28 0,040 0,16 0,728
TQ3 0,22 0,132 -0,02 0,866 0,34 0,448

p = < 0,05; rs = Correlação de Spearman; TQ1 = tendência para competir; TQ2 = tendência para vencer; TQ3 = tendência para estabelecer metas.

Os resultados demonstraram uma fraca correlação na análise no grupo precoce, assim como no grupo no tempo. Porém no grupo tardio encontrou-se uma correlação positiva, de fraca a moderada, com o TQ1 (r=0,44), no TQ2 (r=0,16) e TQ3 (r=0,34). Somente no TQ2 para o grupo no tempo o valor da correlação apresentou significância estatística (P=0,04).

DISCUSSÃO

Este estudo buscou verificar a relação entre idade esquelética e orientação esportiva em jovens futebolistas e o principal achado foi que o estado de maturidade (precoce, no tempo e tardio) não influenciou nos resultados da orientação esportiva TQ1, TQ2 e TQ3 e a relação foi de fraca a moderada nas tendências competitivas somente no TQ2 para o grupo “no tempo”.

Entender a influência que a maturidade exerce no processo de formação torna-se importante durante o processo de treinamento, pois os atletas são selecionados cada vez mais jovens para o esporte de rendimento (Unnithan et al., 2012; Westerstahl et al., 2003). Estudos apontam que atletas precoces apresentam resultados superiores aos seus pares em força, estatura e massa corporal (Malina et al., 2015) e que jovens futebolistas são em média mais altos e com maior peso corporal dp que a média da população de adolescentes (Figueiredo et al., 2010; Malina et al., 2005). Quanto às habilidades específicas, ainda não existem consensos na literatura, uma vez que em alguns casos os atletas precoces mostraram melhores resultados do que seus pares (Figueiredo et al., 2009), enquanto que outros estudos não confirmaram essa tendência (Gouvea et al., 2015; Malina et al., 2015). Esse fato foi confirmado no presente estudo nos indicadores de tamanho corporal, ao apontar que os precoces apresentaram resultados superiores comparados aos seus pares (massa corporal, estatura e IMC).

Apesar de não ter sido evidenciada diferença significativa na orientação esportiva (p> 0,05), se observarmos a magnitude da média entre os diferentes grupos maturacionais os atletas precoces apresentaram uma variação entre 8 e 23% superior aos demais no TQ1, TQ2 e TQ3, principalmente no estabelecimento de metas, oferecem maior importância para a visão em longo prazo de seu desempenho e no processo de formação. Em atletas adultos, os estudos têm mostrado uma orientação esportiva mais significativa para o competir, seguida pelo vencer e estabelecer metas (Oliveira et al., 2006a; Oliveira et al., 2006b; Serassuelo Junior et al., 2009). Em jovens atletas de voleibol masculino (Zambrin, 2011) também se verificaram tendências para a vitória, demonstraram o desejo de o sucesso imediato, fato esse que durante o processo de formação pode levar ao abandono precoce do esporte. Em uma amostra de jovens futebolistas da categoria sub-15 observou-se uma relação moderada entre a idade do pico de velocidade de crescimento e a orientação para vencer (TQ2) (Soares et al., 2015).

No entanto, em um grupo de atletas de voleibol de 15 anos os resultados encontrados foram semelhantes ao presente estudo, ou seja, com a orientação voltada para o estabelecimento de metas, vencer e competir, respectivamente, demonstraram que embora a orientação para vencer já ocorra muito cedo, os atletas em processo de formação tendem a apresentar uma visão em longo prazo, isso pode ser determinante no processo de excelência de formação do atleta (Zambrin et al., 2015).

Os resultados observados entre a orientação esportiva e a maturidade esquelética foram de certa forma inesperados, uma vez que analisar fenômenos biológicos e comportamentais centra-se na hipótese do término do estágio, os atletas no estágio precoce poderiam sofrer maior pressão social devido a sua vantagem física, a interrupção do curso regular do seu desenvolvimento comportamental e maior expectativa dos seus pares e dos adultos, o que levaria a uma maior tendência para a vitória (Sherar et al., 2010).

Uma das possíveis explicações para os resultados encontrados baseia-se no fato da dificuldade de analisar o processo de formação esportiva na perspectiva biossociocultural em que um conjunto de diferentes domínios ocorre simultaneamente nesse período de transformação. Unnithan et al. (2012) apontam que são necessários modelos multivariados para entender o processo de detecção de talentos, usam-se preditores antropométricos e fisiológicos, mas também se consideram os preditores psicológicos e sociológicos, que podem exercer forte influência na busca pelo sucesso esportivo.

Algumas limitações merecem serem apontadas no estudo: o delineamento transversal, não foi possível verificar se o comportamento manteve-se em momentos diferentes; o número reduzido de sujeitos no grupo tardio, fator esse que pode influenciar no resultado, haja visto que se trata de atletas pré-selecionados; e por fim não se avaliou a influência parental e do ambiente de treinamento. No entanto, como pontos fortes destacam-se a análise em diferentes grupos de maturidade, a estimativa da maturação biológica feita mediante a idade esquelética com raios X de mãos e punhos e os atletas analisados estavam em período competitivo.

Por fim, apesar dos resultados encontrados e as informações disponíveis na literatura ainda serem controversas e escassas sobre o tema, os achados podem contribuir para um melhor entendimento sobre os diferentes domínios presentes no processo de formação esportiva, bem como suas interações, além de potencializar a atuação dos profissionais envolvidos com futuros atletas nas equipes de base.

CONCLUSÃO

A relação entre idade esquelética e orientação esportiva foi fraca, sugeriu pouco envolvimento da maturação esquelética com o comportamento dos jovens atletas de futebol. Sugere-se que estudos futuros usem delineamento longitudinal na perspectiva de verificar as possíveis alterações nos indicadores biológicos e comportamentais e que sejam analisados domínios da influência parental, dos treinadores e o ambiente do treino.

AGRADECIMENTOS

Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico à bolsa concedida (J.C.C e L.Z.V) e a bolsa de produtividade outorgada (E.R.V.R.).

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Recebido: 02 de Janeiro de 2017; Aceito: 21 de Junho de 2018

*Autor correspondente: Julio Cesar da Costa E-mail: juliocosta@uel.com

CONFLITOS DE INTERESSE

Os autores declaram não haver conflitos de interesse.

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