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Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material

versão impressa ISSN 0101-4714

An. mus. paul. vol.17 no.2 São Paulo jul./dez. 2009

https://doi.org/10.1590/S0101-47142009000200001 

Apresentação

 

 

Cecilia Helena de Salles Oliveira

Diretora do Museu Paulista

 

 

Na obra Combats pour l'histoire, Lucien Fevbre não somente convidou os historiadores a problematizar e "complicar" o que parecia simples, como apontou o necessário alargamento dos horizontes em que, até então, a disciplina da história se situava. Essas lições, enunciadas em 1952, ainda se mantêm pertinentes e podem ser encontradas, de modo atualizado, no elenco de artigos que compõem este volume dos Anais do Museu Paulista.

Alargar horizontes significa incorporar temas e questões possibilitados pelo distanciamento temporal e pelo acúmulo de conhecimentos. Representa, também, elevar à condição de documentos certos vestígios e sinais que, passaram despercebidos quer sob o ponto de vista daquilo que registraram, quer em termos das práticas e concepções a partir das quais foram historicamente produzidos. Este é, sem dúvida, o caso das fontes cartográficas.

Os artigos apresentados nesta edição completam e desdobram o Dossiê publicado no número anterior dos Anais (vol. 17, n. 1), igualmente dedicado à divulgação dos resultados obtidos com o projeto de pesquisa e a exposição Cartografia de uma história - São Paulo colonial: mapas e relatos.

Fruto de uma exitosa parceria multidisciplinar entre pesquisadores da Universidade de São Paulo, ligados ao Museu Paulista, ao Departamento de História da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas, à Cátedra Jaime Cortesão e à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, a investigação resultou, como o leitor poderá observar, em contribuições importantes para a discussão dos sentidos políticos, culturais e simbólicos dos mapas, particularmente no âmbito da configuração de redes de poder, no período colonial, a entrelaçar Portugal e a América portuguesa. Mais do que isso, porém, os mapas suscitam interrogações a respeito das condições políticas e científicas de sua feitura e difusão, bem como sobre os nexos entre o esquadrinhamento dos espaços coloniais e a definição empírica e conceitual de um "território", em especial durante o século XVIII. Nesse sentido, o mapa e o território ali fixado emergem na condição de artefatos construídos sob circunstâncias históricas precisas, a demarcar conhecimentos e, particularmente, formas de dominação e de intervenção na terra e na gente que a habitava.

Mas, ao lado do Dossiê, o leitor encontrará um artigo que, à primeira vista, pouca articulação teria com o restante deste volume da revista. Trata-se de texto voltado para o debate em torno da realização do parque do Ibirapuera, na primeira metade da década de 1950, quando a Prefeitura Municipal de São Paulo, com o apoio do Governo do Estado, decidiu concretizar o projeto, com o objetivo de nele sediar as comemorações do 400º aniversário de fundação da cidade. Entretanto, o artigo discute, em outro momento da História e sob perspectivas metodológicas específicas, de que modo se criou, no espaço urbano paulistano, um "território" atravessado de intenções políticas e simbólicas que, aos poucos, transformou-se e foi reconhecido como referência do solo da metrópole paulista.

Mais uma vez, os Anais trazem a público artigos que iluminam os liames entre História e Cultura Material, valorizando o exercício da curadoria e o ofício do historiador nas instituições museológicas.

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