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Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material

versão impressa ISSN 0101-4714

An. mus. paul. vol.19 no.1 São Paulo jan./jun. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-47142011000100001 

Apresentação

 

 

Cecilia Helena de Salles Oliveira

Diretora do Museu Paulista da USP

 

 

Os leitores dos Anais do Museu Paulista encontrarão neste número contribuições que se entrelaçam, a despeito das questões singulares que os artigos abordam e procuram encaminhar. Todos remetem a espaços e dimensões que dizem respeito à construção da memória, à cultura material e à visualização da história. A arquitetura fabril, tematizada por Telma de Barros Correia na passagem do século XIX para o século XX, e a cartografia de Dom Luiz de Céspedes Xeria, no século XVII com suas repercussões, discutidas por Airton José Cavenaghi, incidem sobre os modos pelos quais foram registrados saberes e práticas que representam a sociedade, a dominação sobre a natureza e, especialmente no caso das fábricas, relações de trabalho e formas de controle sobre seres humanos.

Os nexos entre conhecimento histórico, exposições e representações visuais estão no cerne dos textos dedicados a instituições museológicas. Em quais pilares se sustentam as propostas de visualização do passado e de relatos históricos promovidas por exposições, organizadas nas cidades de Luján, Fortaleza e Salvador? Maria Elida Blasco interroga a configuração de espaço memorial para o general José Félix Benito Uriburu y Uriburu, presidente da Argentina entre 1930 e 1932. No Museu Histórico e Colonial da província de Buenos Aires, onde se localiza a cidade de Luján, logo depois da dramática morte do então presidente, foram reunidas evidências materiais e simbólicas de sua personalidade assim como do golpe que liderou. Nelson Rodrigues Sanjad investiga o patrimônio arqueológico da Amazônia e suas vinculações com a política imperial da segunda metade do século XIX e, em particular, com a figura de Domingos Soares Ferreira Penna, fundador do Museu Paraense. Francisco Régis Lopes Ramos volta-se para o percurso do Museu do Ceará, questionando a posição conferida a artefatos e à cultura material nas conexões simbólicas entre presente e passado. E Suely Moraes Cerávolo discorre a respeito da trajetória do Museu do Estado da Bahia, dando publicidade a resultados obtidos pela pesquisa de pós-doutoramento que desenvolveu recentemente no Museu Paulista. É possível, assim acompanhar um pouco da história de museus cujos objetivos vão se configurando, simultaneamente aos trabalhos de reflexão e curadoria, necessários à própria perpetuidade dessas instituições, . Enfocam-se, através desses encaminhamentos, preciosas articulações entre arte, história, ciência e memória, problemas que emergem de maneira peculiar no artigo de Eide Sandra Azevêdo Abrêu e no de Marcus Granato e Luiz Roberto Martins de Miranda.

O texto de Eide Sandra Azevêdo Abrêu é também desdobramento de pesquisa em nível de pós-doutorado, realizada no Museu Paulista. Traz um convite para refletir sobre o trabalho do historiador no espaço museológico, debruçando-se sobre coleção que se vincula, ao mesmo tempo, ao arquivo textual do Museu Paulista e à memória de próceres da Independência e do Império, como Estevão Ribeiro de Rezende. Já o estudo de Marcus Granato e Luiz Roberto Martins de Miranda trata dos procedimentos e critérios de conservação/restauração, utilizados pelo Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast) em relação a um teodolito, instrumento ótico para medir ângulos horizontais e verticais, usado amplamente, até hoje, na exploração de territórios e na demarcação de limites, entre outras funções. O objetivo do artigo extrapola, porém, o âmbito descritivo, dedicando-se a indagar sobre a trajetória social de objetos e coleções, a revelar a complexidade dos trabalhos de curadoria de patrimônios culturais.

Como se percebe, este é um número muito especial dos Anais não só por reunir pesquisas originais mas, sobretudo, por reiterar a relevância dos museus como locais para a produção de conhecimentos científicos inéditos.

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