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Serviço Social & Sociedade

Print version ISSN 0101-6628

Serv. Soc. Soc.  no.111 São Paulo July/Sept. 2012

https://doi.org/10.1590/S0101-66282012000300012 

HOMENAGEM

 

Adeus a Aloísio Teixeira

 

Farewell to Aloísio Teixeira

 

 

Faleceu no Rio de Janeiro, a 23 de julho, aos 67 anos de idade, vítima de um ataque cardíaco fulminante, o economista Aloísio Teixeira, que, por dois mandatos - com os votos de toda a chamada comunidade acadêmica (professores, servidores técnicos-administrativos e estudantes), entre 2003 e 2011 - foi reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), depois de dirigir o seu Instituto de Economia.

Filho do brigadeiro Francisco Teixeira, uma das primeiras vítimas da ditadura instaurada em abril de 1964, Aloísio, à diferença da maioria dos gestores acadêmicos, não foi um homem da universidade: foi um (grande) homem na universidade, na qual, aliás, só ingressou na década de 1980. Formou-se, muito jovem, nas memoráveis lutas políticas dos anos 1960. Militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), fez, na clandestinidade (quando seus camaradas o conheciam sob o pseudônimo de Samuca), a resistência ao regime ditatorial, foi preso e torturado nos anos 1970.

Com a derrota da ditadura, emergiu para a vida pública e ocupou importantes cargos executivos. Foram vários os postos em que se destacou pelo seu trabalho eficiente e pela sua rigorosa probidade: responsável pela Superintendência Nacional de Abastecimento (Sunab), dirigente do Conselho Ministerial de Preços e da Secretaria Especial de Preços e Abastecimento do Ministério da Fazenda, diretor de planejamento da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), diretor de administração da Embratel, secretário-geral do Ministério da Previdência e Assistência Social e secretário de planejamento do mu­-
nicípio do Rio de Janeiro. Já então sem vinculações partidárias, continuou sempre a professar abertamente o marxismo e o ideá­rio socialista - num posicionamento cuja coerência sempre lhe custou caro: em 1998, quando pela primeira vez candidatou-se à reitoria da UFRJ, obtendo votação majoritária, teve o seu nome vetado pelo ocupante do Ministério da Educação (figura que tanto se apequenou que nem deve ser lembrada) do governo de Fernando Henrique Cardoso.

Intelectual culto e sofisticado, Aloísio publicou dezenas de artigos técnico-científicos. É autor de um livro de leitura indispensável O ajuste impossível: um estudo sobre a desestruturação da ordem econômica mundial e seu impacto no Brasil. Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 1994; e organizador de um excelente volume sobre os precursores do pensamento social da nossa época: Utópicos, heréticos e malditos. Rio de Janeiro: Record, 2002. Mas a sua obra maior foi a sua vida: na luta política, na administração pública e na universidade, foi um educador extraordinário que, como poucos, serviu aos trabalhadores brasileiros. Não será esquecido.

Em tempo: como reitor, Aloísio contribuiu para (e prestigiou) a formação acadêmica dos assistentes sociais; foi, inclusive, docente e orientador de teses no Programa de Pós-Graduação da Escola de Serviço Social da UFRJ. Também aí deixou a marca duradoura da sua competência e da sua generosidade pessoal.

José Paulo Netto

Julho, 2012

Recebido em 24/7/2012
Aprovado em 25/7/2012

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