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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

Print version ISSN 0102-0935On-line version ISSN 1678-4162

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.53 no.4 Belo Horizonte Aug. 2001

https://doi.org/10.1590/S0102-09352001000400004 

Ecocardiografia Doppler em cães neonatos

[Echodoppler cardiography in newborn dogs]

 

R.O. Alves1, R.B. Araújo2*, E.F. Silva2, F.A.B. Viana2, J.L.B. Pena3

1Mestre em Medicina Veterinária
2
Departamento de Clínica e Cirurgia da Escola de Veterinária da UFMG
Caixa Postal 567
30123-970 – Belo Horizonte, MG

3
Médico, Hospital Felício Rocho, Belo Horizonte

 

Recebido para publicação em 23 de março de 2000.
*Autor para correspondência
E-mail: baracat@vet.ufmg.br

 

 

RESUMO

Utilizaram-se 10 cães neonatos (cinco machos e cinco fêmeas), obtidos a partir de cinco ninhadas (um casal de cada) com o objetivo de estabelecer o perfil ecodopplercardiográfico normal durante a fase neonatal (de um até 30 dias). Por meio do Doppler pulsado foram mensurados os picos de velocidade dos fluxos sangüíneos através das valvas mitral, tricúspide, aórtica e pulmonar. Observou-se correlação positiva de todas as mensurações com o peso corporal e a idade dos neonatos de ambos os sexos. Não houve diferenças significativas no padrão de velocidade dos fluxos sangüíneos estudados entre machos e fêmeas durante a fase neonatal.

Palavras-chave: Cão, ecodopplercardiografia, neonato

 

ABSTRACT

Ten healthy puppies (five males and five females) were used to establish the regular echodopplercardiography profile during the neonatal period (from one to 30 days) utilizing Doppler (pulsed-wave and color flow). Mitral, tricuspid, aortic and pulmonary blood flows were measured. Positive correlations of all the measures, with body weight and age of the puppies for both sexes were observed. No differences in the cardiac development between male and female during the neonatal phase were observed.

Keywords: Dog, Doppler echocardiography, puppy

 

 

INTRODUÇÃO

Cães neonatos diferem dos adultos em vários aspectos morfofuncionais. A compreensão dessas diferenças é fundamental para o profissional na formulação de planos de diagnóstico e terapêuticos para neonatos doentes. Atualmente, estima-se que 20 a 30% de todos os filhotes morrem durante as primeiras semanas de vida (Poffenbarger et al., 1990).

A avaliação ecodopplercardiográfica das doenças cardíacas congênitas é provavelmente uma das mais desafiantes aplicações do ultra-som cardíaco. Se a investigação caminha de maneira lógica e todos os aspectos do coração são sistematicamente examinados, a maioria dos defeitos será evidenciada e corretamente diagnosticada (Boon, 1998). Essas patologias podem levar ao crescimento deficiente, à diminuição da atividade e à intolerância ao exercício (Gelens & Ihle, 1999).

Como o exame ultra-sonográfico cardíaco permite obter maiores informações sobre o tamanho e função das câmaras, espessura das paredes, integridade valvar, padrões de fluxo sangüíneo e sobre alguns indicadores da função ventricular, dependendo da anomalia identificada a terapia clínica ou cirúrgica pode ser indicada (Darke, 1992; Gelens & Ihle, 1999).

Com o Doppler as possibilidades de diagnóstico avançaram ainda mais. O Doppler demonstra acuradamente a direção e a velocidade do fluxo sangüíneo no coração e nos vasos, sendo estes parâmetros de grande valor de diagnóstico e de prognóstico em animais jovens com lesões congênitas (Kirberger & Berry, 1992; Bonagura et al.,1998).

Durante a sístole o fluxo aórtico é representado graficamente como uma onda negativa e apresenta rápida fase de aceleração laminar (Kirberger et al.,1992). Em geral, o pico de velocidade do fluxo aórtico em adultos varia de 65 a 229cm/s (Kirberger et al.,1992; Darke et al., 1993; Boon, 1998).

O fluxo pulmonar também é representado graficamente como uma onda negativa, no entanto a respiração exerce visível efeito sobre o pico de velocidade desse fluxo. A inspiração resulta em picos de velocidade mais altos (Kirberger et al.,1992; Darke et al., 1993). Os valores para o pico de velocidade do fluxo na artéria pulmonar em adultos encontram-se entre 34 e 129cm/s (Kirberger et al., 1992; Boon, 1998).

O fluxo através da valva mitral é graficamente positivo e laminar com duas fases principais, cada uma com aparência triangular. O pico inicial ocorre durante a fase de preenchimento rápido do início da diástole, sendo o ponto E seu pico de velocidade. O segundo, e usualmente menor pico, ocorre no final da diástole como resultado da contração atrial, sendo o ponto A o seu pico de velocidade. A distância entre E e A depende da freqüência cardíaca (Kirberger et al., 1992a; Darke et al., 1993; Kienle & Thomas, 1995).

Os valores para os picos de velocidade do fluxo na valva mitral estão compreendidos entre 59 e 118cm/s (ponto E) e 33 e 94cm/s (ponto A) (Kirberger et al.,1992; Boon,1998).

Em condições nas quais a contração atrial torna-se o maior contribuinte para o preenchimento ventricular (diminuição da complacência), a excursão do ponto A pode exceder aquela do ponto E (Kienle & Thomas, 1995).

Harada et al. (1995), ao estudarem o fluxo transmitral em um grupo de 226 crianças com idades entre 7 dias e 195 meses, demonstraram que a onda E aumenta com o decorrer da idade até os 36 meses, enquanto a onda A apresenta poucas variações. Os autores descreveram que o miocárdio do neonato humano é menos complacente que o miocárdio do adulto e detectaram um padrão de velocidade mostrando um pico menor da onda E quando comparado à onda A. Isso sugere que as mudanças na onda E relacionadas à idade refletem a maturação ou alterações de desenvolvimento nas propriedades diastólicas do ventrículo esquerdo.

Veille et al. (1999), observando os fluxos da mitral e tricúspide em um grupo de 79 fetos até um ano após o nascimento, demonstraram que a proporção E/A para ambos os ventrículos aumenta significativamente com o avanço da gestação e que apenas a onda E mitral aumenta significativamente durante o período fetal. A E tricúspide não muda significativamente durante esse período. Esses autores postulam que os fetos são dependentes da contração atrial e esta é a principal responsável pelo preenchimento ventricular. Além disso, os ventrículos não atingem o padrão de preenchimento adulto até um ano de vida.

O fluxo através da valva tricúspide é similar ao da valva mitral, com pontos E e A. A respiração também exerce efeito sobre o pico de velocidade do fluxo. A inspiração resulta em altas velocidades, em especial da onda E (Kirberger et al.,1992; Darke et al., 1993). Os valores para o pico de velocidade do fluxo na valva tricúspide estão compreendidos entre 49 e 131cm/s (ponto E) e 33 e 94cm/s (ponto A) (Kirberger et al.,1992; Boon, 1998).

Este trabalho teve por objetivo estabelecer o perfil de velocidade dos fluxos sangüíneos através das valvas mitral, tricúspide, aórtica e pulmonar, sob o ponto de vista quantitativo e qualitativo, de cães neonatos, em função da escassez e até mesmo da ausência de dados na literatura.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Foram utilizados 10 filhotes de cães (cinco machos e cinco fêmeas) sem raça definida, clinicamente sadios, oriundos de mães que pesavam entre 10 e 20kg.

Os filhotes e suas respectivas mães foram identificados com colares numerados e as informações referentes a cada filhote foram anotadas em fichas próprias que continham o número de ordem, a ascendência, a data de nascimento e o peso corporal. A avaliação clínica dos filhotes consistiu em exame físico e pesagem a cada 48 horas e baseou-se nas recomendações para exame de neonatos descritas por Bright (1997).

Os filhotes foram escolhidos aleatoriamente (um macho e uma fêmea de cada ninhada) para constituir o modelo de desenvolvimento cardíaco fisiológico entre um e 30 dias de idade, bem como as possíveis variações relacionadas ao sexo. Eles foram submetidos à avaliação ecodopplercardiográfica em dias alternados (a cada 48 horas).

Os exames foram realizados em aparelho (HP SONOS 100CF) próprio da EV/UFMG, composto pelos modos bidimensional, modo-M e Doppler (pulsado, contínuo e de fluxo colorido), utilizando-se o transdutor de varredura setorial de 5,0-7,5 MHz. Todos os exames foram registrados em papel para ultra-som (UPP 110 HA/ 5010 SONY) .

Os métodos utilizados para aquisição das imagens, posicionamento do cursor e mensuração dos picos de velocidade dos fluxos sangüíneos estudados seguiram as recomendações de Kirberger et al. (1992).

Em função do porte e da idade dos animais em estudo, e ainda das dificuldades de contenção, algumas adaptações foram efetivadas neste experimento: para a realização do exame, cada neonato foi posicionado em decúbito lateral direito sobre um colchão térmico e o gel para ultra-som foi previamente aquecido, a fim de proporcionar ambiente mais confortável; o ansdutor foi posicionado sobre a parede torácica esquerda e, em função das suas dimensões, as imagens foram obtidas através de vários espaços intercostais simultaneamente (Fig. 1).

 

 

Os dados para cada medida refletiam a média de quatro medidas obtidas de quatro ciclos cardíacos diferentes.

O Doppler de fluxo colorido foi utilizado para identificação e avaliação direta da direção dos fluxos através das valvas mitral, tricúspide, aórtica e pulmonar, bem como para auxiliar o posicionamento do cursor para a mensuração do pico de velocidade desses fluxos por meio do Doppler pulsado. Nesta modalidade foram mensurados os picos de velocidade nas valvas aórtica, mitral, pulmonar e tricúspide.

Todas as variáveis estudadas foram correlacionadas com o peso corporal e idade. Quando essas variáveis apresentaram correlação significativa com a idade ou com o peso, pôde-se atribuir a elas um efeito causal sobre a resposta medida.

Em relação ao sexo, foi utilizado o teste t para a comparação dos valores médios entre machos e fêmeas e estabeleceu-se o nível de significância de 5% dentro de uma mesma idade.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados obtidos neste estudo são apresentados nas Tab. 1 a 6 e Fig. 2 a 5.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

As adaptações feitas para realização dos exames ecodopplercardiográficos em cães neonatos mostraram-se bastante satisfatórias, tornando o exame agradável ao neonato, permitindo sua contenção e fácil obtenção dos dados. Assim, a utilização do colchão térmico propiciou ambiente confortável e familiar ao neonato, e o aquecimento prévio do gel contribuiu para a tranqüilidade do ambiente, pois na temperatura natural os neonatos mostravam-se bastante intolerantes ao toque do gel e posteriormente ao do transdutor. Esses procedimentos foram possivelmente inéditos em medicina veterinária, já que não existem citações na literatura consultada.

Os exames ecodopplercardiográficos, em sua maioria, foram realizados enquanto os neonatos dormiam e em nenhum momento foi necessária imobilização severa, uma vantagem dessa técnica, segundo Wingfield & Boon (1987).

Observou-se correlação positiva das medidas dos picos de velocidade dos fluxos sangüíneos com a idade e o peso corporal em ambos os sexos (Tab. 3 a 6).

A ecocardiografia Doppler mostrou-se particularmente valiosa para a avaliação da velocidade do fluxo sangüíneo conforme afirmaram Kirberger & Berry (1992), Kienle & Thomas (1995) e Bonagura et al. (1998).

O fluxo através da valva mitral foi graficamente positivo e laminar (Fig. 2). A onda E apresentou aumento significativo no decorrer do período, no entanto permaneceu menor ou igual à onda A, que não apresentou aumento significativo no decorrer do período. Tal perfil de velocidade sugere que em cães neonatos a complacência do miocárdio é menor que em cães adultos, sugerindo que a contração atrial tem maior importância no preenchimento ventricular. Estes resultados ainda não foram relatados na medicina veterinária, mas são semelhantes aos observados por Harada et al. (1995) e Veille et al. (1999), em fetos e neonatos humanos.

Quando a freqüência cardíaca foi superior a 230bpm, observou-se a fusão das ondas E e A, o que também foi descrito por Kirberger et al. (1992) e Kienle & Thomas (1995).

Os valores encontrados para os picos de velocidade de fluxo na valva mitral foram menores do que os descritos por Kirberger et al. (1992) e Boon (1998) para cães adultos e isso provavelmente se deveu ao menor tamanho das câmaras dos neonatos, quando comparadas ao tamanho das dos adultos.

Com relação à valva tricúspide, o fluxo foi graficamente similar ao da valva mitral, sendo também positivo e laminar (Fig. 3). No entanto, as ondas E e A não aumentaram significativamente durante o período estudado. A onda A foi sempre maior do que a E, sugerindo que a contração atrial foi a que mais contribuiu para o preenchimento ventricular, situação semelhante à descrita por Kirberger et al. (1992). Este perfil foi também bastante semelhante ao observado por Veille et al. (1999) quando trabalharam com fetos e neonatos humanos.

Durante a inspiração, ou quando os neonatos não se encontravam em sono profundo, o pico de velocidade do fluxo através da valva tricúspide apresentou visível aumento, denotando o efeito exercido pela respiração no padrão do fluxo. Esse efeito deve ser considerado e foi também observado por Kirberger et al. (1992). Os valores encontrados assemelharam-se aos mínimos descritos por Kirberger et al. (1992) e Boon (1998) para cães adultos.

O fluxo aórtico foi graficamente representado por uma curva negativa, apresentando rápida fase de aceleração laminar (Fig. 4). Seu pico de velocidade aumentou de forma significativa durante o período observado e aos 30 dias seus valores aproximavam-se dos valores mínimos para o pico de velocidade desse fluxo descrito por Kirberger et al. (1992) e Boon (1998) para cães adultos.

O fluxo pulmonar também foi graficamente negativo e a respiração exerceu nítido efeito sobre o seu pico de velocidade (Fig. 5). Esse fluxo apresentou valores próximos aos mínimos descritos por Kirberger et al. (1992) e Boon (1998) para cães adultos. O pico de velocidade do fluxo pulmonar aumentou de forma significativa durante o período observado.

A imagem Doppler de fluxo colorido foi de grande valor para a observação e identificação dos fluxos, bem como para auxiliar o posicionamento do cursor para mensurar o pico de velocidade do fluxo, utilizando o Doppler pulsado. A direção dos fluxos foi identificada a partir de sua codificação em vermelho ou azul, conforme descrito por Bonagura & Miller (1998) e foram determinantes para a compreensão da hemodinâmica do pequeno coração do neonato canino.

As informações obtidas por meio do exame ecodopplercardiográfico nos neonatos deste estudo denotaram a importância desse exame como complemento da avaliação clínica global. Assim, pode-se inferir que esse método poderia ser capaz de diagnosticar as diversas cardiopatias congênitas que acometem os filhotes de cães, o que viria a contribuir para o estabelecimento das reais causas de morte durante esse período, como descritas por Gelens & Ihle (1999).

 

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