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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

Print version ISSN 0102-0935On-line version ISSN 1678-4162

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.53 no.4 Belo Horizonte Aug. 2001

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-09352001000400021 

Influência do grupo genético e do nível de energia sobre características produtivas de frangos de corte

[Influence of genetic group and level of energy on productive characteristics of broilers]

 

C.F.A. Viana1, M.A. Silva2,5*, A.V. Pires3, P.S. Lopes4,5, G.R.Q. Lana4

1Bolsista da EPAMIG
2
Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais
Caixa Postal 567
30123-970 - Belo Horizonte, MG
3
Estudante de Doutorado da Universidade Federal de Viçosa
4
Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Viçosa

5
Pesquisador do CNPq

 

Financiamento: FINEP, CNPq, FAPEMIG
Recebido para publicação em 18 de setembro de 2000
Recebido para publicação, após modificações, em 25 de abril de 2001.
*Autor para correspondência
E-mail: martinho@vet.ufmg.br

 

 

RESUMO

Avaliou-se o desempenho de características produtivas de sete grupos genéticos (M1C1, C1C1, C2C2, M1C2, C2F1, C1F1, M1F1) de frangos de corte obtidos a partir do cruzamento entre dois genótipos desenvolvidos pela UFV (M1 e F1) e duas das principais marcas comerciais (C1 e C2). As aves foram distribuídas ao acaso em 84 boxes (15 aves/boxe e 12 repetições), onde permaneceram até o 42o dia de idade. No primeiro período (1o ao 21o dia de idade) as aves receberam ração com 3000 kcal de EM/kg, e no segundo período (22o ao 42o dia de idade) foram utilizadas rações com quatro diferentes níveis de energia (2900, 3050, 3200 e 3350 kcal EM/kg). Foram avaliadas as características: consumo de ração, ganho de peso e conversão alimentar no primeiro e segundo períodos e no período total (1 a 42 dias). No primeiro período observaram-se diferenças entre os grupos genéticos quanto ao ganho de peso e consumo de ração, mas não houve diferença entre os grupos quanto à conversão alimentar. No segundo período e no período total observaram-se diferenças no consumo de ração, no ganho de peso e na conversão alimentar entre grupos genéticos e níveis de energia. Os grupos C1C1 e C2C2 apresentaram, em geral, os melhores resultados. O efeito do nível de energia foi linear para essas características.

Palavras-chave: Frango de corte, grupo genético, nível de energia, consumo de ração, conversão alimentar, ganho de peso

 

ABSTRACT

Performance traits of seven genetic groups (M1C1, C1C1, C2C2, M1C2, C2F1, C1F1, M1F1) of broilers obtained from crosses of two genetic groups developed by UFV (M1 and F1) and two commercial lines (C1 and C2) was studied. The birds were randomly allotted in 84 boxes (15 birds/box) whith 12 replicates. In the first period (1 to 21 days) the birds were fed on diet with 3000 kcal of EM/kg, and in the second period (22 to 42 days) they were fed on diets with four different levels of energy (2900, 3050, 3200 and 3350 kcal EM/kg). The following traits were analyzed: feed intake, weight gain and feed:gain ratio in the first (1 to 21 days), and second (22 to 42 days) periods and in total period (1 to 42 days of age). In the first period, significant differences among the genetic groups for weight gain and feed intake were observed, but no significant differences among the groups for feed:gain ratio were found. In the second period and in the total period, significant differences among the genetic groups and levels of energy for feed intake, weight gain and feed:gain ratio were observed. The effect of the levels of energy was linear for all traits studied.

Keywords: Broiler, genetic group, energy level, performance

 

 

INTRODUÇÃO

O desempenho de frangos de corte pode ser influenciado pela linhagem e pela dieta fornecida às aves. Em função da crescente demanda do mercado por material genético de melhor qualidade, há sempre a necessidade de programas de melhoramento para desenvolver linhagens que, combinadas, forneçam material com melhor desempenho.

Vários estudos têm sido conduzidos para avaliar os diferentes fatores que influenciam o desempenho do frango de corte. Diferentes grupos genéticos de frangos de corte, submetidos a dietas com diferentes densidades de nutrientes, foram comparados por Azevedo (1990), Abreu et al. (1996) e Lana (1992). Efeito do nível de energia da ração sobre o desempenho de frangos de corte vem sendo estudado para se encontrar o nível que maximize o desempenho e o retorno econômico.

Os resultados de desempenho de frangos de corte (ganho de peso, consumo de ração e conversão alimentar) alimentados com dietas com diferentes níveis de energia são consistentes e mostram que a elevação do nível de energia da ração reduz a ingestão de alimentos e melhora o ganho de peso e a conversão alimentar.

Mellor (1978), citado por Bertechini (1987), comenta que as aves tendem a diminuir o consumo de ração quando os níveis energéticos são maiores em função do controle de ingestão de calorias, havendo assim menor consumo de proteína e de outros nutrientes. Isso justifica a importância de se manter constante a relação entre energia e nutrientes.

Nobre et al. (1994) forneceram a frangos de corte rações com níveis energéticos de 2850, 3050 e 3250 kcal/kg de ração nas duas fases de criação (1 a 28 e 29 a 49 dias) e verificaram que o aumento da energia proporcionou aumento linear no ganho de peso e redução no consumo de ração.

Abreu et al. (1996), ao trabalhar com linhagens de frangos de corte da UFV, não observaram diferenças significativas entre cruzamentos quanto ao peso vivo, consumo de ração e conversão alimentar. Lana (1992) comparou duas marcas comerciais, "Hubbard" e "Cobb", com cruzamento de linhagens produzidas na UFV e observou diferenças significativas entre as linhagens cruzadas e as marcas comerciais apenas quanto ao peso vivo e consumo de ração.

O objetivo deste trabalho foi avaliar o desempenho de sete grupos genéticos (M1C1, C1C1, C2C2, M1C2, C2F1, C1F1, M1F1) oriundos do cruzamento de duas linhas de matrizes de frango de corte desenvolvidas da UFV (M1 e F1) e duas das principais marcas comerciais (C1 e C2), alimentadas com quatro diferentes níveis de energia na fase final (22 a 42 dias de idade).

 

MATERIAL E MÉTODOS

Este experimento foi conduzido na seção de avicultura do Departamento de Zootecnia do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, MG, no período de 4 de junho a 16 de julho.

Os pintos de um dia vieram do cruzamento de quatro linhagens de matrizes pesadas, duas desenvolvidas na UFV (M1 – macho e F1 – fêmea) e duas marcas comerciais (C1 e C2) existentes no mercado, obtendo-se, dessa forma, sete diferentes grupos genéticos: M1C1, C1C1, C2C2, M1C2, C2F1, C1F1, M1F1.

Mil duzentos e sessenta pintos de um dia, 180 de cada grupo genético, não sexados, separados por cruzamento, foram alojados aleatoriamente em 84 boxes (15 aves/boxe e 12 repetições) de dimensões de 2,00´1,60m, onde permaneceram até o 42º dia de idade.

A dieta fornecida às aves no primeiro período (1 a 21 dias) foi a mesma, com 3.000 kcal/kg de energia metabolizável (EM), formuladas para atender às exigências nutricionais segundo Rostagno et al. (1983). No período final (22 a 42 dias de idade) foram utilizadas quatro rações isoprotéicas com níveis de energia de 2900, 3050, 3200 e 3350 kcal/kg. Cada grupo genético foi subdividido em quatro tratamentos de acordo com o nível de EM na ração para se verificar a existência de interação entre grupos genéticos e níveis de energia.

Foram avaliados o consumo de ração, o ganho de peso e a conversão alimentar no primeiro (1o ao 21o dia de idade) e segundo períodos (22o ao 42o dia de idade) e no período total (1o ao 42o dia de idade).

Foi utilizado o programa SAEG (Euclydes, 1983) para realizar as análises estatísticas das características de desempenho. Para a comparação entre médias utilizou-se o teste de Newman-Keuls. O nível de energia da ração da segunda fase foi decomposto nos seus efeitos linear, quadrático e cúbico. Foram utilizados os seguintes modelos:

a) primeiro período
yik
= m + Gi + c, em que:
yik
= observação k do grupo genético i;
m
= média geral;
Gi
= efeito do grupo genético, i = 1, 2, ..., 7;
Gi
= erro associado a cada observação yik.

b) segundo período
yijk = m + Gi + Ej + GEij +eijk, em que:
yijk = observação k, no nível de energia j, do grupo genético i;
m
= média geral;
G
i = efeito do grupo genético, i = 1, 2, ..., 7;
E
j  = efeito do nível de energia, j = 2900, 3050, 3200 e 3350;
GE
ij = interação do grupo genético vs. nível de energia;
eijk = erro associado a cada observação yijk.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Observaram-se diferenças significativas (P£0,05) no consumo de ração e no ganho de peso entre grupos genéticos no primeiro período (1 a 21 dias de idade), mas a conversão alimentar entre os grupos genéticos não diferiu significativamente.

As médias de consumo de ração, ganho de peso e conversão alimentar para cada grupo genético no primeiro período encontram-se na Tab. 1.

 

 

Para a característica consumo de ração, verificou-se que os grupos genéticos C2C2 e C1C1 apresentaram maior consumo em relação aos grupos C2F1, C1F1 e M1F1. C2C2 e C1C1, e C2F1, C1F1 e M1F1 não diferiram entre si.

O ganho de peso foi maior no grupo genético C2C2 e menor nos grupos C2F1, C1F1 e M1F1 que não diferiram entre si.

Estes resultados são semelhantes aos obtidos por Nobre et al. (1994), que encontraram diferenças significativas para consumo de ração e ganho de peso entre três grupos genéticos de um a 21 dias de idade, e também por Lana (1992) que observou diferenças significativas entre grupos genéticos para consumo de ração e ganho de peso aos 28 dias de idade das aves. Abreu et al. (1996) encontraram diferenças no comportamento de vários cruzamentos de frangos de corte para consumo de ração, ganho de peso e conversão alimentar.

Entre 22 e 42 dias de idade observou-se efeito significativo (P £ 0,05) no consumo de ração, no ganho de peso e na conversão alimentar segundo o grupo genético e o nível de energia, contudo não houve interação significativa entre grupo genético e nível de energia para as características estudadas.

As médias de consumo de ração no período de 22 a 42 dias de idade são apresentadas na Tab. 2, podendo-se verificar que os grupos genéticos M1C1, C1C1, M1C2, C2F1, C1F1 não diferiram entre si, o grupo C2C2 apresentou o maior consumo, e o grupo M1F1 o menor consumo.

 

 

Verificou-se efeito linear do nível de energia (Fig.1), correspondendo a um decréscimo de 0,493g por unidade de aumento no nível de energia da ração.

 

 

Na Tab. 3 são apresentadas as médias para ganho de peso no segundo período, indicando que os grupos genéticos C1C1 e C2C2 não diferiram entre si e apresentaram os melhores resultados, enquanto o grupo M1F1 apresentou o menor valor, não diferindo estatisticamente de C2F1, que não diferiu de C1F1. Os grupos genéticos M1C1 e M1C2 comportaram-se de forma intermediária e não diferiram entre si. M1C2 não diferiu de C1F1.

 

 

Pelo estudo da regressão verificou-se que o efeito do nível de energia foi linear (Fig.2), correspondendo a um acréscimo de 0,242g por unidade de aumento no nível de energia da ração.

 

 

O grupo genético C2F1 apresentou a pior conversão alimentar (2,14), não diferindo significativamente (P > 0,05) de M1C1, C2C2, M1C2, C1F1, M1F1. O menor valor foi observado para C1C1 (1,92) que não diferiu significativamente (P£0,05) de M1C1, C2C2, M1C2, M1F1 (Tab.4).

 

 

Verificou-se efeito linear do nível de energia (Fig.3) que melhorou a conversão alimentar à medida que se aumentou o nível de energia da ração.

 

 

Pode-se observar que os grupos genéticos constituídos por linhagens comerciais obtiveram melhores resultados no período de 22 e 42 dias de idade, seguidos pelos grupos genéticos constituídos pelas fêmeas das linhas comerciais e machos da UFV. Resultados semelhantes foram obtidos por Lana (1992) e Nobre et al. (1994).

Para os níveis mais altos de energia houve redução do consumo e aumento do ganho de peso, resultando em melhoria da conversão alimentar. Como os melhores resultados foram encontrados para os níveis de energia metabolizável mais altos, pode-se afirmar que o melhor nível de energia para o período estudado é de 3350kcal/kg.

Observaram-se diferenças significativas (P£0,05) no consumo de ração, ganho de peso e conversão alimentar entre os grupos genéticos e níveis de energia no período de 1 a 42 dias de idade. Não se observou interação significativa entre grupos genéticos e níveis de energia para as características estudadas.

Entre 1 a 42 dias de idade, o maior valor de consumo de ração foi obtido por C2C2, e o menor valor por M1F1 (Tab. 5). Os grupos genéticos M1C1, C1C1 e M1C2 não diferiram entre si (P > 0,05) e o mesmo ocorreu entre M1C1, M1C2 e C1F1, e entre M1C2, C2F1 e C1F1.

 

 

As médias de ganho de peso são apresentadas na Tab. 6. Os grupos genéticos C2C2 e C1C1 não diferiram entre si e apresentaram os melhores resultados, enquanto M1F1 apresentou o menor valor e não diferiu de C2F1, que não diferiu de C1F1. Os grupos genéticos M1C1 e M1C2 também foram iguais (P > 0,05).

 

 

A conversão alimentar no período de 1 a 42 dias de idade das aves (Tab. 7) dos grupos genéticos C2F1 e C1F1 diferiu apenas da conversão alimentar do grupo C1C1 que apresentou o menor valor.

 

 

O efeito do nível de energia foi linear podendo-se verificar que o aumento do nível de energia reduziu o consumo de ração (Fig. 4), aumentou o ganho de peso aumentou (Fig. 5) e reduziu a conversão alimentar (Fig. 6), sugerindo que para os níveis de energia estudados, o nível ótimo é de 3350kcal/kg de EM.

 

 

 

 

 

 

Neste período, o desempenho de frangos de corte também foi influenciado pela linhagem e pela dieta, aspectos já discutidos com os resultados do período de 22 a 42 dias de idade. Estes são semelhantes aos resultados obtidos por Lana (1992) e Nobre et al. (1994) que trabalharam com diferentes níveis de energia na ração de frangos de corte.

 

CONCLUSÕES

Houve redução no consumo de ração e aumento no ganho de peso os quais resultaram em melhoria na conversão alimentar com o aumento do nível de energia da ração, sendo 3350kcal/kg de EM o nível no qual se obtiveram os melhores resultados para todas as características estudadas. Estudos devem ser conduzidos para se verificar qual o nível de energia ótimo para se obter o melhor desempenho das aves, uma vez que a tendência (linear) indicou uma possível extrapolação do intervalo estudado. Os melhores resultados na avaliação dos grupos genéticos foram obtidos para C1C1 e C2C2, seguidos, bem próximos, por M1C1 e M1C2. Os grupos genéticos que, em geral, apresentaram os piores resultados foram C1F1, C2F1 e M1F1.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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