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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

versão impressa ISSN 0102-0935versão On-line ISSN 1678-4162

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. v.59 n.5 Belo Horizonte out. 2007

https://doi.org/10.1590/S0102-09352007000500038 

COMUNICAÇÃO COMMUNICATION

 

Freqüência de parasitos gastrintestinais em cães e gatos atendidos em hospital-escola veterinário da cidade de São Paulo

 

Frequency of gastrointestinal parasites in dogs and cats referred to a veterinary school hospital in the city of São Paulo

 

 

M.R. Funada; H.F.J. Pena; R.M. Soares; M. Amaku; S.M. Gennari*

Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia-USP Av. Prof. Orlando Marques de Paiva, 87 05508-270 – São Paulo, SP

 

 


Palavras-chave: cães; gatos; helmintos; protozoários; freqüência


ABSTRACT

Fecal samples from 1755 dogs and 327 cats were examined for the presence of helminths and protozoan forms. From the total samples, 486 (27.7%) dogs and 103 (31.5%) cats presented at least one parasite. The main genus of parasite in dogs were Ancylostoma (12.7%), Giardia (8.5%), Cystoisosopora (4.4%), Toxocara (2.6%), and Cryptosporidium (2.4%). The ocurrence of Ancylostoma was associated to male dogs, older than one year, while Giardia, Cryptosporidium, Cystoisospora and Toxocara were associated to dogs younger than one year (P<0.05). Among cats, the most frequent parasites were Cryptosporidium (11.3%), Giardia (8.3%), Cystoisosopora (8.3%), Toxocara (6.1%), and Ancylostoma (2.1%). Cryptosporidium and Cystoisosopora were more prevalent in cats younger than one year (P < 0.05).

Keywords: dog; cat; helminths; protozoa; frequency


 

 

As parasitoses gastrintestinais causadas por helmintos e protozoários estão entre as enfermidades mais comuns em cães e gatos, podendo ser especialmente graves em animais jovens ou imunocomprometidos (Bowman, 1995). Alguns desses parasitos como Ancylostoma spp., Toxocara spp., Giardia spp. e Cryptosporidium spp. podem provocar infecção em seres humanos (Robertson e Thompson, 2002).

Este estudo teve como objetivos determinar a freqüência dos diferentes gêneros de helmintos e protozoários gastrintestinais em amostras fecais de cães e gatos domiciliados, atendidos no Hospital Veterinário da Universidade de São Paulo, no período de janeiro de 2000 a dezembro de 2004, e identificar possíveis relações entre a presença dos parasitos e características dos hospedeiros como sexo, idade e raça.

As fezes foram examinadas pelos métodos de centrífugo-sedimentação em água-éter (Ferreira et al., 1962), centrífugo-flutuação em solução de sacarose (d=1,203g/cm3) (Ogassawara et al., 1989) e flutuação em solução saturada de NaCl (Willis, 1921). O diagnóstico de Dipylidium caninum baseou-se na presença de proglotes nas fezes. Devido à impossibilidade de diagnóstico diferencial pelos métodos empregados, os oocistos de Hammondia heydorni ou Neospora caninum, quando encontrados nas fezes de cães, foram classificados como Hammondia-Neospora. Procedeu-se da mesma maneira para Hammondia hammondi ou Toxoplasma gondii, sendo classificados como Hammondia-Toxoplasma, quando presentes nas fezes de gatos.

Para fins de análise estatística, cães e gatos foram agrupados de acordo com a raça (com ou sem definição racial), idade (<ou>1 ano) e sexo (macho ou fêmea). As diferenças entre as freqüências de parasitos entre cada agrupamento, foram analisadas pelo teste c2, utilizando o programa Minitab 13 (Minitab Inc.). As diferenças foram consideradas estatisticamente significativas para P<0,05.

Das 1755 amostras fecais de cães examinadas, 486 (27,7%) apresentaram um ou mais agentes parasitários. Ancylostoma spp. foi o parasito mais freqüente, seguido por Giardia spp., Cystoisospora spp., Toxocara canis e Cryptosporidium spp. (Tab. 1). Dentre os cães positivos, 386 (79,4%) estavam infectados por um único parasito e 100 (20,6%) por mais de um parasito. Giardia spp. ocorreu em 64% das amostras nas quais mais de um agente parasitário foi encontrado, sendo observada com maior freqüência em associações com Cryptosporidium spp. (16%) e Cystoisospora spp. (14%). Ainda, 51,7% eram machos e 48,3% fêmeas. Exceto para Trichuris vulpis, a freqüência de parasitos foi maior entre os machos para todos os gêneros de parasitos, mas diferença (P<0,05) foi observada somente para Ancylostoma.

 

 

A idade teve considerável influência (P<0,05) sobre a freqüência da maioria dos parasitos. Ancylostoma spp. esteve associado a cães com idade acima de um ano, semelhante aos resultados encontrados por Gennari et al. (2001) e Eguía-Aguilar et al. (2005). Os gêneros Giardia, Cryptosporidium, Cystoisospora e Toxocara estavam presentes com maior freqüência em cães com idade inferior a um ano (P<0,05), assim como relatado por Gennari et al. (2001). Visco et al. (1977) e Ramírez-Barrios et al. (2004) também verificaram prevalência mais alta de Cystoisospora e Toxocara em filhotes, quando comparadas à de adultos.

Não houve diferença significativa (P>0,05) entre as freqüências de cães infectados com e sem definição racial, e 78,7% deles eram de raças definidas. Dentre as 10 raças mais comuns, as com maiores freqüências de parasitos foram Husky Siberiano (42,9%), Labrador (40,3%) e Rottweiller (37,9%). Dachshund, Yorkshire e Poodle foram as raças menos afetadas, com freqüências de 10,2%, 13,6% e 16,4%, respectivamente. Cães domiciliados de grande porte parecem sofrer maior exposição aos parasitas. Pode-se supor que a maioria deles viva em casas, onde é mais freqüente a presença de solos permeáveis, favoráveis à presença das formas infectantes. O maior acesso à rua também aumentaria os riscos de infecção, principalmente por meio do contato com solos contaminados.

Em 103 (31,5%) dos 327 gatos foi observada a presença de pelo menos um gênero de parasito. O protozoário Cryptosporidium spp. foi o mais freqüente, seguido por Giardia spp., Cystoisospora spp. e Toxocara cati (Tab. 2). Maior freqüência de protozoários em relação aos helmintos também foi encontrada por McGlade et al. (2003), na Austrália. A freqüência de parasitos entre os gatos foi semelhante (P>0,05) em relação ao sexo, como observado por Visco et al. (1978). Quanto à idade, 81,1% dos gatos com Cryptosporidium spp. e 66,7% com Cystoisospora spp. tinham menos de um ano (P<0,05).

 

 

O número de gatos sem raça definida (77,1%) predominou sobre os com raça definida (22,9%). Não houve diferença (P>0,05) entre as freqüências de gatos infectados com ou sem raça definida.

Os resultados deste estudo mostram que os parasitos mais freqüentes tanto nos cães (Ancylostoma spp. e Giardia spp.) quanto nos gatos (Cryptosporidium spp. e Giardia spp.) são agentes de doenças zoonóticas e, portanto, de grande relevância na saúde pública. Deve-se ressaltar a importância do controle periódico das parasitoses gastrintestinais em cães e gatos, com base no correto diagnóstico e uso adequado de antiparasitários, bem como o emprego de medidas de preventivas.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BOWMAN, D.D. Georgis' parasitology for veterinarians. 6.ed. Philadelphia: Saunders, 1995. 430p.        [ Links ]

EGUÍA-AGUILAR, P.; CRUZ-REYES, A.; MARTÍNEZ-MAYA, J.J. Ecological analysis and description of the intestinal helminths present in dogs in Mexico City. Vet. Parasitol., v.127, p.139-146, 2005.        [ Links ]

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Recebido em 18 de janeiro de 2006
Aceito em 31 de outubro de 2007

 

 

*Autor para correspondência (corresponding author)
E-mail: sgennari@usp.br

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