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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

Print version ISSN 0102-0935

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.62 no.5 Belo Horizonte Oct. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-09352010000500040 

COMUNICAÇÃO COMMUNICATION

 

Atividade inibitória do óleo essencial de orégano em fungos de importância médica e veterinária

 

Inhibitory activity of origanum essential oil against important fungus in veterinary

 

M. B. CleffI; A.R. MeinerzII; R.O. FariaII; M.O. XavierI; R. SantinII; P.S. NascenteII; M.R. RodriguesIII; M.C.A. MeirelesI

IFaculdade Veterinária - UFPel - Pelotas, RS
IIAluno de pós-graduação - FV-UFRGS - Porto Alegre, RS
IIIInstituto de Química, UFPel - Pelotas, RS

 

 


Palavras-chave: fungos, óleo essencial, orégano


ABSTRACT

The in vitro activity of Origanum vulgare essential oil against fungal isolates was evaluated. A total of 27 clinical isolates were used, including: C. albicans, S. schenckii, M. pachydermatis, Aspergillus flavus, and A. fumigatus. Microdilution in broth technique (NCCLS M27-A2 and M-38) was used and susceptibility was expressed as Minimum Inhibitory Concentration (MIC). Essential oil was obtained by hydrodistillation in Clevenger and analyzed by gas chromatography, showing the presence of 4-terpineol, alpha-terpineol, 4-terpinene, thymol and carvacrol, as the main compounds. Origanum oil MIC for C. albicans varied from 125 to 500mL/mL; for S. schenckii, from 250 to 500mL/mL; for M. pachydermatis, from 15 to 30mL/mL; and for Aspergillus, from 30 to 60mL/mL. Isolates sensitivity showed to the origanum oil stimulates the accomplishment of new studies, including in vivo tests, contributing to the search of alternative treatments to mycosis.

Keywords: fungal, essential oil, origanum


 

 

A crescente importância clínica atribuída às micoses em animais domésticos (Meinerz et al., 2007; Prestes et al., 2008), aliada às dificuldades representadas pelo tempo de administração, toxicidade e alto custo dos antifúngicos, tem impulsionado a realização de pesquisas na tentativa de se obter outras opções terapêuticas (Chami et al., 2004; Giordani et al., 2004). Nesse contexto, os extratos vegetais vêm ganhando espaço no cotidiano veterinário (Carmo et al., 2008; Prestes et al., 2008; Rusenova e Parvanov, 2009; Cleff et al., 2010). Assim, o estudo teve como objetivos avaliar a ação do óleo essencial do orégano (Origanum vulgare) em isolados fúngicos de importância na clínica veterinária, assim como analisar os constituintes químicos do óleo testado.

Utilizaram-se dois isolados humanos e 25 isolados clínicos de animais: Candida albicans (n=8); Sporothrix schenckii (n=7); Malassezia pachydermatis (n=8); A. flavus (n=2) e A. fumigatus (n=2). O óleo foi extraído por hidrodestilação em Clevenger e analisado por cromatografia em equipamento GC/FID (Schimadzu-17 A), nas seguintes condições: 40ºC - 2ºC/min; 145ºC -10ºC/min; 280ºC - 10 min; Td = 280ºC; Tinj = 280ºC; T col = 40ºC e split = 1:50, sendo este comparado com os tempos de retenção de padrões terpênicos (Rodrigues et al., 2004).

A técnica de microdiluição em caldo foi a utilizada (NCCLSM27-A2 e M3). Os inóculos fúngicos foram ajustados em 1-5x106UFC/mL para as leveduras e S. schenckii, e ajustados em 5x104UFC/mL para Aspergillus. O óleo foi submetido a nove diluições (2,0 a 0,004%) em RPMI 1640 e adicionado de Tween 80 (0,01%); para M. pachydermatis, utilizou-se Sabouraud líquido. As microplacas foram incubadas a 37ºC por 48h e por 72-96h para os isolados de Aspergillus. A leitura da CIM correspondeu à menor concentração do óleo capaz de inibir o crescimento fúngico.

A análise cromatográfica identificou 34 constituintes, sendo 4-terpineol (41.17), timol (21.95), gamaterpinemo (5.91), alfaterpineol (4.98), carvacrol (4.71), betacariofileno (3.22) e metilcarvacrol (3.04), aqueles em maiores concentrações (Fig. 1). A literatura cita que fenóis, como carvacrol, timol, gamaterpeno e p-cimeno, representam 70,2% a 98% dos compostos ativos do óleo de O. vulgare (Rodrigues et al., 2004).

Dentre os fungos estudados, M. pachydermatis, A. flavus e A. fumigatus apresentaram maior sensibilidade ao óleo de orégano (Tab. 1; Fig. 2), concordando com outros autores, que obtiveram CIM do óleo entre 0,06% e 0,25% para M. pachydermatis (Prestes et al., 2008; Rusenova e Parvanov, 2009), enquanto Carmo et al. (2008) observaram atividade do orégano anti-Aspergillus com CIM entre 20 e 80μL/mL.

A CIM para C. albicans e S. schenckii foi, em média, 0,3% (Tab. 1; Fig. 2), resultado satisfatório, já que estes agentes apresentam fatores de virulência e de resistência reconhecidos e são considerados de importância em saúde púbica (Chami et al., 2004; Meinerz et al., 2007; Cleff et al., 2010). Outros autores avaliaram compostos isolados do óleo em C. albicans e obtiveram CIM de 6.5mM para carvacrol e 12mM para eugenol (Chami et al., 2004). Em estudo prévio realizado por Cleff et al. (2010), ao utilizarem óleo de O. vulgare com alta concentração de 4-terpineol e proporções equilibradas de timol e carvacrol, demonstrou-se MIC de 2.72μg/mL-1.

Os valores de CIM podem ter sido influenciados pela razão molar dos compostos timol/carvacrol (4:1) associados à alta concentração de 4-terpineol no óleo utilizado, já que estes têm sido descritos como responsáveis pela ação antimicrobiana do orégano (Lambert et al., 2001; Ultee et al., 2002; Chami et al., 2004). Estes compostos atuam induzindo deformações na membrana celular, alterando a permeabilidade. Além disso, é possível que núcleos aromáticos, contendo um grupo polar, possam fazer ligações de hidrogênio com os sítios ativos de enzimas microbianas alvo, o que favoreceria a atividade antimicrobiana (Lambert et al., 2001; Ultee et al., 2002).

Os resultados in vitro permitem concluir que o óleo do O. vulgare apresenta ação antifúngica, porém é importante realizar análises in vivo que confirmem a relação destes resultados, avançando na busca de alternativas terapêuticas aos antifúngicos.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Recebido em 27 de novembro de 2009
Aceito em 10 de setembro de 2010

 

 

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