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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

Print version ISSN 0102-0935

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.65 no.2 Belo Horizonte Apr. 2013

https://doi.org/10.1590/S0102-09352013000200020 

ZOOTECNIA E TECNOLOGIA E INSPEÇÃO DE PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL

 

Exigências líquidas de energia e proteína de tourinhos Santa Gertrudes confinados, recebendo alto concentrado

 

Energy and protein requirements of Santa Gertrudis young bulls in feedlot, fed high concentrate diets

 

 

G.M. RibeiroI; W. HenriqueII; P.R. LemeIII, VII; D.P.D. LannaIV, VII; G.F. AlleoniV; A.A.M. SampaioVI, VII

IUniversidade Federal do Tocantins - Araguaína, TO
IIAPTA - São José do Rio Preto, SP
IIIFZEA - Universidade de São Paulo - Pirassununga, SP
IVESALQ - Universidade de São Paulo - Piracicaba, SP
VInstituto de Zootecnia - APTA - Nova Odessa, SP
VIFCAV - Unesp ­Jaboticabal, SP
VIIBolsista de produtividade do CNPq

 

 


RESUMO

Com o objetivo de determinar as exigências de energia e proteína para ganho de tourinhos Santa Gertrudes, 33 tourinhos, com idade de 12 meses e peso inicial médio de 314,6±33,2kg, foram confinados durante 115 dias, após 56 dias de adaptação. Seis animais foram abatidos após adaptação, para determinação da composição química corporal inicial. Os animais receberam dietas contendo 80% de concentrado, avaliando-se a inclusão de 0; 4,5; e 9,0% do subproduto concentrado da produção de lisina na matéria seca. As exigências de energia líquida de ganho (ELg) foram estimadas em função do peso de corpo vazio (PCVZ) e do ganho de PCVZ (GPCVZ), e as exigências líquidas de proteína para ganho (PLg) foram estimadas em função do GPCVZ e da energia retida (ER). As equações obtidas para ELg e PLg foram: ELg (Mcal/dia) = 0,0061×PCVZ0,75×GPCVZ0,578; e PLg (g/dia) = 208,1×GPCVZ - 1,0868×ER. A exigência de energia líquida encontrada para ganho de 1kg de PV foi de 3,93; 4,88 e 5,76Mcal, e a exigência de proteína metabolizável foi de 367,81; 393,59 e 391,63g, respectivamente, para animais com 300, 400 e 500kg de peso corporal. O valor de exigência líquida para mantença foi obtido por meio da regressão do logaritmo da produção de calor (PC), em função da ingestão de energia metabolizável, chegando-se ao valor de 75,6kcal/PVz0,75/dia. Concluiu-se que, devido ao aumento do teor de gordura na composição do ganho, animais de maior peso de corpo vazio apresentam maiores exigências líquidas de energia.

Palavras-chave: bovinos, mantença, ganho, requerimentos, subproduto concentrado da produção de lisina


ABSTRACT

The objective of this study was to determine the energy and protein requirements for gain of Santa Gertrudis young bulls. Thirty-three 12-month-year-old animals, with initial body weight of 314.6±33.2kg, were kept in individual pens during 115 days, after 56 days of adaptation. Six animals were slaughtered after adaptation and determined the chemical composition of initial body. The concentrate proportion in the diet was 80%, on dry matter basis, and the levels of LPB studied were: 0, 4.5 or 9.0%. It was verified that the net energy requirement observed for weight gain of 1kg was 3.93, 4.88 and 5.76Mcal, and the metabolizable protein requirement was 367.81, 393.59 and 391.63g, respectively, for animals with 300, 400 and 500kg of body weight. The estimated maintenance energy requirement observed was 75.6kcal/LW0.75/day. The conclusion was thatbecause of the fat content in the gain composition, animalswith higher EBW have higher net energy requirements.

Keywords: body weight gain, cattle, concentrated lysine production byproduct, maintenance, requirements


 

 

INTRODUÇÃO

Nos últimos anos, o Brasil vem se destacando na produção agropecuária mundial, porém, de acordo com Paulino et al. (2004), os índices de produtividade observados caracterizam a pecuária de corte brasileira como uma atividade ineficiente e extrativista, apesar de lenta tendência de avanço.

De acordo com Silva et al. (2002), a melhoria no desempenho produtivo do rebanho nacional exige o aprofundamento de estudos sobre exigências nutricionais em condições brasileiras, considerando-se as peculiaridades dos animais criados, do tipo de alimentação e das condições ambientais.

Siqueira et al. (2007) afirmaram que programas de acasalamento envolvendo raças europeias e zebuínas possibilitam a conciliação da adaptação ao ambiente tropical, ao potencial produtivo e à alta qualidade de carcaça. De acordo com alguns autores (Fox et al., 1992; Lana et al., 1992; Lanna et al., 1995; Lanna, 1997), os requerimentos de animais mestiços seriam intermediários, e não simplesmente proporcionais à composição genética, tornando necessária a determinação de suas exigências nutricionais.

As duas principais exigências a serem determinadas são de energia e de proteína, segundo Lofgreen e Garret (1968), Agricultural..., (1993) e National..., (1996). A exigência de energia divide-se em energia líquida de mantença (ELm), que consiste na energia necessária para os processos ou funções ligados à regulação da temperatura corporal, aos processos metabólicos essenciais e à atividade física (National..., 1996), e energia líquida para ganho (ELg), definida por Lofgreen e Garret (1968) como sendo a energia depositada no ganho, que, segundo National... (1996), consiste na quantidade de energia depositada na forma de proteína e gordura. Van Soest (1994) definiu ainda a energia líquida para produção de leite (ELlac) e para gestação (ELgest).

Segundo Paulino et al. (2004), a determinação das exigências de proteína são imprescindíveis tanto quanto as de energia, sendo que a demanda de proteína para mantença de um bovino é igual às perdas metabólicas fecais e urinárias, além das perdas por descamação.

Dos métodos de avaliação de exigências para gado de corte, o de abate comparativo está entre os mais usados, constituindo a base do sistema californiano de energia líquida, utilizado pelo NRC (National..., 2000).

O objetivo deste trabalho foi determinar as exigências de energia e proteína de bovinos Santa Gertrudes não castrados em terminação, alimentados com diferentes dietas, a fim de gerar novas informações para programas nutricionais.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido na Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento/Apta, em São José do Rio Preto, SP. Foram selecionados do rebanho da instituição 33 tourinhos Santa Gertrudes, com idade de 12 meses e peso médio inicial de 314,6±33,2kg.

Os animais foram mantidos em baias coletivas da desmama até o início do experimento, quando foram distribuídos em blocos, de acordo com o peso, e alocados em baias individuais parcialmente concretadas e com cocho coberto, com livre acesso à água. Os animais permaneceram confinados durante 171 dias, dos quais os primeiros 56 dias foram para adaptação. Seis animais foram abatidos após o período de adaptação e utilizados como animais-referência para a estimativa de composição química corporal inicial.

Os tratamentos consistiram na inclusão do subproduto concentrado da produção de lisina (SPL): 0; 4,5 e 9,0% na matéria seca, substituindo parte da fração proteica da dieta (Tab. 1). O SPL utilizado originou-se da produção da lisina por meio da fermentação do xarope de cana-de-açúcar com bactérias do gênero Brevibacterium, tendo sido caracterizado por Henrique et al. (2005). O tratamento com 4,5% de SPL foi definido segundo o teor máximo estimado em simulações pelo modelo Cornell Net Carbohydrate and Protein System - CNCPS (Sniffen et al., 1992). O tratamento com 9,0% de SPL foi exatamente o dobro do máximo sugerido pelo modelo. O volumoso utilizado foi silagem de milho com 40% de grãos na matéria seca, determinada no momento da ensilagem.

 

Tabela 1. Composição das dietas experimentais (% da matéria seca), valores estimados de energia metabolizável (EM), nutrientes digestíveis totais (NDT) e proteína bruta (PB), fornecidas para tourinhos Santa Gertrudes confinados

1SPL - subproduto concentrado da produção de lisina.
2Níveis de garantia por kg: Ca 271g, P 29g, Mg 20g, S 31g, Na 62g, Zn 1.350mg, Cu 340mg, Fe 1.064mg, Mn 940mg, Co 10mg, I 25mg e Se 10mg.
3Calculados a partir de equações propostas por Weiss (1992) e National... (2000)

 

Os alimentos foram fornecidos na forma de ração completa, em duas refeições diárias. A quantidade de volumoso foi corrigida diariamente, e a de concentrado semanalmente, permitindo-se sobras de, aproximadamente, 10%, as quais foram retiradas duas vezes por semana. Semanalmente foram determinados os teores de MS das sobras e dos alimentos fornecidos, para o ajuste da relação volumoso:concentrado.

Ao final do experimento, os animais foram pesados, após jejum completo de 18 horas, e abatidos em frigorífico comercial. As carcaças foram pesadas para determinação do seu rendimento, e, em seguida, foram resfriadas. Após 24 horas de resfriamento, foram retirados os cortes das 9ª, 10a e 11a costelas da meia carcaça esquerda, segundo Hankins e Howe (1946). A matéria seca desse corte foi determinada por liofilização durante 80 horas, após moagem com motor de 15 HP.

O peso inicial da carcaça, do início do período experimental, foi estimado considerando-se o rendimento de carcaça dos animais-referência, de 54,41%. Com os pesos iniciais e finais das carcaças, foi estimado o peso do corpo vazio dos animais, inicial e final, utilizando-se a equação abaixo, desenvolvida por Henrique et al. (2003):

Peso do corpo vazio = 1,6093 peso da carcaça quente + 0,6784 (R2 = 0,99).

Para estimativa da composição química corporal inicial, foram utilizados os valores observados nos animais-referência: 64,12% de água; 11,35% de extrato etéreo; 19,85% de proteína; 4,68% de minerais; e 2,24Mcal/kg de energia.

Já a composição química do corpo vazio (CVz) foi estimada utilizando-se as equações abaixo, desenvolvidas por Henrique et al. (2003) para tourinhos Santa Gertrudes, que correlacionam a composição química da seção da 9ª,10a e 11a costelas com a composição química corporal:

% água no CVz = 1,1221 x % de água na 9ª,10a e 11a costelas - 6,4839 (R2 = 0,95);

% EE no CVz = -1,0192 x % água no CVz + 76,8675 (R2 = 0,94);

% proteína bruta no CVz = 82,52% da matéria seca desengordurada;

% minerais do CVz = 17,48% da matéria seca desengordurada.

Para determinar a energia ingerida, consideraram-se as frações nutritivas determinadas nas dietas, as equações do National... (1996) e a ingestão individual de alimentos (Henrique et al., 2005).

As quantidades de energia no corpo vazio e no ganho de peso do corpo vazio foram determinadas comm base na composição corporal dos animais, utilizando-se os valores de energia preconizados pelo ARC, Agricultural... (1980), conforme equação abaixo:

E (Mcal) = 5,641 X + 9,343 Y, em que: E = energia; X = proteína (kg); Y = extrato etéreo (kg).

As exigências de ELm foram estimadas pela regressão do logaritmo da produção de calor, ou seja, pela diferença entre a ingestão de energia metabolizável (EM) e a energia retida, em função do consumo de EM, em kcal por unidade de peso metabólico, extrapolando-se a equação para zero de EM (Lofgreen e Garret, 1968).

As exigências de ELg foram estimadas por meio de equações não lineares, com base no peso de corpo vazio (PCVz) e no ganho de peso de corpo vazio (GPCVz), utilizando-se o seguinte modelo:

ELg (ER) = a x PCVz^0,75 x GPCVz^b.

As exigências de PLg foram estimadas por meio de equações não lineares, com base no ganho de peso de corpo vazio (GPCVz) e na energia retida (ER), utilizando-se o seguinte modelo:

PLg = a x GPCVz - b x ER.

As exigências de proteína metabolizável (PM) foram calculadas conforme metodologia proposta pelo National... (2000), em que a eficiência de utilização da PM para ganho é de 49,2% para animais acima de 300kg de peso de vivo (PV), e para animais com peso menor ou igual a 300kg de PV utiliza-se a equação (Ainslie et al., 1993):

eficiência = (83,4 - (0,114 x PCVz),

sendo a proteína metabolizável para mantença (PMm) calculada com base no peso vivo metabólico, utilizando-se a equação NRC (National..., 2000):

PMm = 3,8g/PV^0,75.

Os modelos propostos foram ajustados aos dados experimentais por meio do procedimento NLIN do SAS (Statistical..., 2000), com utilização do método de Gauss-Newton, sendo os parâmetros gerados submetidos ao teste F com nível crítico de probabilidade de 0,05.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A equação obtida para estimativa da ELm foi:

PC = 0,0016 x IEM + 1,8787,

em que: PC = produção de calor e IEM = ingestão de energia metabolizável.

Baseando-se no cálculo do antilog do intercepto dessa equação, obteve-se o valor de 75,6kcal/PVz0,75, como exigência diária de ELm dos animais.

Apesar de o presente experimento não ter previsto um delineamento para a determinação exata das exigências de ELm, verificou-se que o valor obtido não diferiu daqueles encontrados na literatura. Berndt et al. (2002) observaram valor de 82,2kcal/kg de PVz0,75/dia, ao trabalharem com animais Santa Gertrudes provenientes do mesmo rebanho do presente ensaio. Boin (1995) encontrou valores de ELm diária entre 69,8 e 79,8kcal/kg de PVz0,75, enquanto Paulino et al. (2004) observaram 74,51kcal/kg de PVz0,75. Moraes et al. (2009) determinaram valor de 69,3kcal/kg de PVz0,75, todos com animais zebuínos. Essas variações de exigências estão relacionadas à maturidade fisiológica dos animais, bem como às raças estudadas (Veloso et al., 2002; Backes et al., 2005).

De acordo com o NRC (National..., 1996), os valores de exigência diária de ELm para animais taurinos estabulados, entre esses os da raça Shorthorn, são de 77kcal/kg de PVz0,75, e para animais zebuínos, entre esses os da raça Brahman, são 10% menores, ou seja 69,3kcal/kg de PVz0,75. Novamente os resultados encontrados no presente trabalho apresentam coerência com a composição genética dos animais estudados.

As equações obtidas para estimativa de ELg e PLg foram as seguintes:

ELg (ER) = 0,061 x PCVz^0,75 x GPCVz^0,578;

PLg = 208,1 x GPCVz - 1,0868 x ER.

As estimativas de exigências de ELm e de ELg para ganho de 1kg de PV são apresentadas na Tab. 2, enquanto as exigências líquidas de energia e proteína para ganho de 1kg PV são apresentadas graficamente na Fig. 1.

 

Tabela 2. Estimativas de exigências para ganho de 1kg de peso vivo (PV) de energia líquida para mantença (ELm) e de ganho (ELg), em diferentes faixas de peso do corpo vivo (PV) para tourinhos Santa Gertrudes

 

 

Figura 1. Estimativa de exigências de energia (Mcal/kg de ganho de peso vivo (GPV)) e proteína (g/kg de GPV) para 1kg de GPV.

 

Sales et al. (2009), ao estudarem as exigências de animais anelorados em pastejo, verificaram exigências de ELg de 2,87 e 3,17Mcal/kg de ganho, respectivamente, para os pesos corporais de 350 e 400kg. Esses valores são muito menores que os encontrados no presente trabalho, de 4,41 e 4,88Mcal/kg de ganho, respectivamente, para os mesmos pesos corporais. Tal diferença está possivelmente relacionada à quantidade de gordura dos animais por eles utilizada, cerca de 10% do PCVz, frente a 19% do PCVz do presente estudo.

Moraes et al. (2009), ao também estudarem animais anelorados em pastejo, verificaram exigências de ELg de 3,70; 4,05 e 4,38Mcal/kg de ganho de PCVz, respectivamente para os pesos de 300, 350 e 400kg. Os referidos autores também encontraram valores menores que no presente estudo, aumentando o distanciamento nos valores de exigências de ganho para animais mais pesados, possivelmente pela maior participação de tecido adiposo no ganho de peso dos animais estudados pelos referidos autores.

Berndt et al. (2002) estimaram valores de energia líquida para ganho de 1kg de PCVz em 3,64; 4,09; 4,54; 4,98Mcal, respectivamente, para os pesos de 300, 350, 400 e 450kg. Apesar de serem ensaios com animais provenientes do mesmo rebanho, à medida que se aumentou o peso dos animais, a distância entre essas exigências aumentou. Isto está relacionado, provavelmente, ao conteúdo de gordura no ganho de peso, que possivelmente foi afetado pelas diferentes dietas dos ensaios.

Verificou-se que os valores de exigência líquida de energia para ganho são crescentes, o que se deve à desaceleração do crescimento muscular e ao desenvolvimento do tecido adiposo (Grant e Helferich, 1991), acompanhado pela diminuição das exigências de proteína líquida para ganho. De acordo com Marcondes et al. (2011a), o aumento do desenvolvimento do tecido adiposo está relacionado ao aumento da maturidade dos animais, que resulta na diminuição da deposição de proteína, ocasionando a transferência metabólica do fluxo de energia para reservas corporais.

Verificou-se que as exigências de proteína para mantença (Tab. 3) são crescentes, pois possuem relação direta com o peso metabólico do animal. Em relação à fração para ganho, observou-se que, ao contrário das exigências de proteína líquida, as exigências de proteína metabolizável possuem um pequeno acréscimo para o intervalo entre 300 e 350kg de peso vivo. Isso ocorre, pois, no cálculo de exigência de proteína metabolizável, é considerada a eficiência de utilização, que, de acordo com Ainslie et al. (1993), é maior para animais mais jovens. Ao se compararem os valores para animais com mais de 350kg de peso vivo, em que se consideram eficiências semelhantes, as exigências são decrescentes, devido à menor deposição de tecido muscular, em detrimento do aumento de deposição de tecido gorduroso, como descrito acima.

 

Tabela 3. Estimativa das exigências de proteína metabolizável para mantença (PMm), para ganho (PMg) e total (PM), para ganho de um quilograma de peso vivo (PV), em função da faixa de PV

PCVz = PV x 0,891; GPCVz = GPV x 0,956 (National..., 2000).

13,8 g/kg PV0,75 (National..., 2000).

2Exigência líquida/(83,4 - (0,114 x PV)) para PV = 300kg.

Exigência líquida/0,492 para PV > 300kg (National..., 2000).

 

Os valores de exigências de PMg foram maiores que os observados por Paulino et al. (2004), ao trabalharem com animais zebuínos, os quais verificaram exigências de 227,2; 229,1 e 217,14g/kg de peso vivo, para animais com 300, 350 e 400kg, respectivamente. Silva et al. (2002), por sua vez, observaram valores mais próximos aos do presente estudo, ao trabalharem com animais Nelore: 336,9; 356,7 e 353,0g/kg de peso vivo, para animais com 300, 350 e 400kg, respectivamente. A diferença nos resultados está relacionada à composição do ganho, em tecido muscular e gordura.

Valores próximos também foram verificados por Marcondes et al. (2009), que apresentaram resultados com exigências líquidas de proteínas, mas quando essas informações converteram-se em exigências de PMg, utilizando-se as mesmas equações do presente estudo, os valores foram de 316,59; 309,34 e 303,20g/kg de PCVz, para animais com 300, 350 e 400kg de peso vivo, respectivamente.

Valores ainda mais próximos foram observados por Marcondes et al. (2011b), os quais, como no trabalho anterior, apresentaram os resultados com exigências líquidas de proteínas, que, quando convertidos para exigências de PMg, resultam nos valores de 342,3; 342,2 e 341,9g/kg de PCVz, para animais com 300, 350 e 400kg de peso vivo, respectivamente. É importante ressaltar que, como no presente estudo, as exigências decrescem à medida que os pesos aumentam, porém de maneira bastante sutil.

 

CONCLUSÕES

Animais de maior peso de corpo vazio apresentaram maiores exigências líquidas de energia e menores exigências líquidas de proteína, devido ao aumento do teor de gordura na composição do ganho. Ressalta-se a necessidade de novos ensaios, a fim de se ampliar a quantidade de informações, principalmente referentes à raça Santa Gertrudes, para que sirvam de subsídio para elaboração de tabelas de exigências nutricionais de ruminantes específicas para o Brasil.

 

AGRADECIMENTOS

À Ajinomoto do Brasil Indústria e Comércio de Alimentos Ltda., pelo financiamento da pesquisa.

 

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Recebido em 29 de março de 2011
Aceito de 26 de outubro de 2012

 

 

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