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Cadernos de Saúde Pública

On-line version ISSN 1678-4464

Cad. Saúde Pública vol.32 no.10 Rio de Janeiro Oct. 2016  Epub Nov 03, 2016

https://doi.org/10.1590/0102-311X00081315 

ARTIGO

Associação entre cor/raça, obesidade e diabetes em idosos da comunidade: dados do Estudo FIBRA

Asociación entre color/raza, obesidad y diabetes, en ancianos de la comunidad: datos del Estudio FIBRA

Maria Clara Moretto1  * 

Anne Marie Fontaine2 

Cássia de Almeida Merlo Sarzedo Garcia1 

Anita Liberalesso Neri1 

Maria Elena Guariento1 

1 Universidade Estadual de Campinas, Campinas, Brasil.

2 Universidade do Porto, Porto, Portugal.


Resumo:

O objetivo deste trabalho foi investigar o efeito da cor/raça em medidas indicadoras de adiposidade corporal (índice de massa corporal - IMC, circunferência de cintura - CC e relação cintura-quadril - RCQ), bem como sua relação com o diabetes, em idosos residentes na área urbana de sete localidades brasileiras, conforme o gênero. O estudo transversal foi realizado com uma amostra probabilística composta por 2.566 idosos de 65 anos ou mais, participantes do Estudo FIBRA (Fragilidade em Idosos Brasileiros). Foram utilizadas variáveis sociodemográficas autorrelatadas (gênero, idade, cor/raça, escolaridade e renda familiar), medidas antropométricas indicadoras de obesidade geral (IMC) e abdominal (CC e RCQ) e diabetes autorreferida. Ajustando-se para escolaridade e renda, a cor/raça branca associou-se a maiores valores de CC (p = 0,001) e RCQ (p > 0,001), no gênero masculino, independentemente do diabetes. Entretanto, ao considerar apenas a amostra de diabéticos, a cor/raça preta passou a associar-se à obesidade geral (IMC) (p = 0,007) e central (CC) (p > 0,001), apenas entre as mulheres.

Palavras-chave: Idoso; Diabetes Mellitus; Obesidade; Distribuição por Raça ou Etnia

Resumen:

El objetivo de este trabajo fue investigar el efecto del color/raza en las medidas indicadoras de adiposidad corporal (índice de masa corporal - IMC, circunferencia de cintura - CC y relación cintura-cadera - RCC), así como su relación con la diabetes, en ancianos residentes en el área urbana de siete localidades brasileñas, conforme género. El estudio transversal se realizó con una muestra probabilística compuesta por 2.566 ancianos de 65 años o más, participantes del Estudio FIBRA (Fragilidad en Ancianos Brasileños). Se utilizaron variables sociodemográficas autorrelatadas (género, edad, color/raza, escolaridad y renta familiar), medidas antropométricas indicadoras de obesidad general (IMC), abdominal (CC y RCC) y diabetes autorreferida. Ajustándose a la escolaridad y renda, el color/raza blanca se asoció a mayores valores de CC (p = 0,001) y RCQ (p > 0,001), en el género masculino, independientemente de la diabetes. No obstante, al considerar sólo la muestra de diabéticos, el color/raza negra pasó a asociarse a la obesidad general (IMC) (p = 0,007) y central (CC) (p > 0,001), solamente entre las mujeres.

Palabras-clave: Anciano; Diabetes Mellitus; Obesidad; Distribución por Raza o Etnia

Abstract:

This study sought to investigate the effect of race on measures of body fat (body mass index - BMI, waist circumference - WC and waist-hip ratio - WHR), as well as its relationship with diabetes, among elderly individuals living in urban areas in seven places in Brazil, according to gender. This is a cross-sectional study carried out with a probabilistic sample comprising 2,566 individuals with 65 years of age or more who participated in the FIBRA Study (Frailty in Elderly Brazilians). We used several self-reported sociodemographic variables (gender, age, race, schooling and family income), anthropometric measures of general (BMI) and abdominal obesity (WC and WHR) and self-reported diabetes. Adjusting for schooling and income, white race was associated with higher WC values (p = 0.001) and WHR (p > 0.001) for male gender, regardless of diabetes status. However, when we considered only diabetic individuals, black race became associated with general (BMI) (p = 0.007) and central obesity (CC) (p > 0.001), only among women.

Keywords: Aged; Diabetes Mellitus; Obesity; Race or Ethnic Group Distribution

Introdução

A raça e a etnia são conceitos utilizados em serviços de saúde e na literatura científica para a identificação de disparidades socioeconômicas, e, embora apresentem definições distintas, são variáveis frequentemente confundidas 1. Descrita como um grupo de indivíduos que compartilha determinadas características morfológicas ou fenotípicas 1, a raça é representada pela cor de pele autodeclarada nos principais censos brasileiros, realizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 2. A etnia vai além das características físicas; envolve também variáveis culturais, sociais, linguísticas, religiosas, territoriais e dietéticas 1.

Apesar de sua relevância quanto à identificação de indivíduos expostos a riscos de saúde, há questionamentos sobre o uso da raça e da etnia em pesquisas, considerando a heterogeneidade, a complexidade metodológica dessas variáveis e a consequente ausência de consenso referente ao que medem, à forma de coleta dos dados e à categorização mais adequada à população de estudo 3.

A obesidade, definida como excesso prejudicial de gordura corporal, é considerada hoje epidemia mundial, com prevalência crescente em toda a população, inclusive entre idosos (4. Segundo dados do National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES) 5, um terço dos idosos norte-americanos (65 anos e mais) é obeso, pelo índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30kg/m2. No Brasil, 57,8% e 19,8% dos indivíduos com 65 anos ou mais apresentam sobrepeso e obesidade, respectivamente, de acordo com dados recentes do Ministério da Saúde 6. Silva et al. 7 constataram prevalências de obesidade de 13,7% (60-69 anos), 11,5% (70-79 anos) e 8,3% (80 e mais anos), em amostra representativa de idosos brasileiros.

A obesidade apresenta um papel etiológico fundamental em uma série de condições crônicas, com destaque para o diabetes mellitus 4), (8), (9, responsável por 5,1 milhões de óbitos no mundo, em 2013 10. Particularmente em idosos, a obesidade, especialmente a abdominal, e o diabetes, apresentam características semelhantes que incluem inflamação crônica (caracterizada pela elevação de marcadores inflamatórios), e resistência à insulina (11, e que acarretam comorbidades comuns, como síndrome metabólica, doenças cardiovasculares e renais, fragilidade óssea, depressão, demência e distúrbios do sono. Tais condições levam a desfechos de saúde desfavoráveis, como incapacidades e redução da qualidade de vida do indivíduo 8.

As disparidades socioeconômicas na obesidade, assim como em outras condições de saúde, são bem estabelecidas na literatura 12), (13), (14), (15), (16. A raça e a etnia, características demográficas também amplamente correlacionadas ao estado socioeconômico 17), (18), (19), (20, evidenciam associações com a obesidade, avaliada por parâmetros antropométricos indicadores de adiposidade geral (IMC) 7), (9), (21), (22), (23 e central (circunferência de cintura - CC e relação cintura-quadril - RCQ) 9), (24), (25.

A relação entre adiposidade corporal geral e central com raça e etnia não é ainda muito clara 7), (9), (24), (25. Alguns estudos apresentam associações de elevados valores de IMC e CC em homens brancos 21), (24), (25, enquanto em outras investigações a obesidade se associa a mulheres ou participantes de ambos os gêneros e raça/etnia negra (9), (15), (22), (23 e hispânica 22), (23, em comparação às brancas. Enquanto isso, achados nacionais e internacionais têm mostrado associações entre o diabetes e raças/etnias minoritárias 26), (27), (28), (29, o que é explicado por um conjunto de fatores sociais, econômicos, biológicos e ambientais 29.

Tendo em conta a escassez de dados descritivos, particularmente no Brasil, quanto à associação entre raça e obesidade em idosos, inclusive na presença de doenças crônicas, entre as quais o diabetes, o presente estudo teve como objetivos: investigar o efeito da cor/raça em medidas indicadoras de adiposidade geral (IMC) e central (RCQ e CC), conforme o gênero, em amostra de idosos residentes na área urbana de sete localidades brasileiras, ajustando-se para variáveis de escolaridade e renda familiar; e posteriormente avaliar a variação desse efeito na presença de diabetes autorreferido.

Materiais e métodos

Participantes

O estudo incide sobre uma amostra de 2.566 idosos de 65 anos ou mais, residentes de comunidades das seguintes localidades brasileiras: Campinas (São Paulo), Belém (Pará), Parnaíba (Piauí), Campina Grande (Paraíba), Poços de Caldas (Minas Gerais), Ivoti (Rio Grande do Sul) e distrito de Ermelino Matarazzo (São Paulo). Trata-se de uma investigação seccional, que utilizou dados secundários do estudo multicêntrico, multidisciplinar e populacional FIBRA (Fragilidade em Idosos Brasileiros) - Polo Unicamp, conduzido em 2008-2009, cujo objetivo principal foi avaliar a fragilidade em idosos urbanos residentes em comunidades (65 anos ou mais) conforme aspectos socioeconômicos, psicológicos e biológicos.

A amostra dos participantes do FIBRA foi selecionada por amostragem aleatória simples de setores censitários da zona urbana das sete localidades brasileiras. Para cada uma dessas localidades, foram pré-estabelecidas cotas dos setores censitários (90 em Campinas, 93 em Belém, 75 em Poços de Caldas, 62 em Ermelino Matarazzo, 60 em Campina Grande, 60 em Parnaíba e 27 de Ivoti) a serem visitados pelos recrutadores. As amostras deveriam abranger cotas de homens e mulheres, dos grupos de idade de 65-69, 70-74, 75-79 e 80 anos e mais, de forma proporcional à distribuição desses segmentos na população idosa residente na zona urbana. Em todas as localidades, para cada setor censitário, foi planejado o recrutamento de uma sobreamostra correspondente a 25% dos idosos pretendidos, respeitando-se os critérios de gênero e idade, para compensar eventuais não comparecimentos ou desistências por ocasião da coleta de dados.

Para o cálculo do tamanho da amostra de cada cidade, foi estimado o tamanho amostral necessário para se obter uma proporção populacional de 50% de uma determinada característica em estudo - valor em que o tamanho amostral obtido é o máximo possível (p = 0,50; q = 0,50). O número de setores censitários sorteados foi equivalente à razão entre o número de idosos pretendidos e o número de setores censitários urbanos existentes em cada local. Foi estabelecido um plano amostral que estimou um tamanho mínimo de 601 idosos (para um erro amostral de 4%), para as localidades com mais de 1 milhão de habitantes (Campinas e Belém), e de 384 idosos (para um erro amostral de 5%), para as outras localidades, com menos do que 1 milhão de habitantes. Ivoti, que apresentava um universo de idosos de 646 indivíduos, foi exceção, sendo a sua amostra estimada em 235 idosos (para um erro amostral de 5%).

Todos os participantes compreendiam as instruções, eram residentes permanentes do domicílio e setor censitário, e concordaram em participar da pesquisa (assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido - TCLE). Os critérios de exclusão adotados foram os mesmos utilizados no Cardiovascular Health Study30. A sessão de coleta de dados ocorreu em locais da comunidade, para os quais os participantes recrutados para a investigação se dirigiram, por meios próprios. Maiores detalhes quanto ao processo de amostragem e recrutamento dos participantes do FIBRA são fornecidos em publicação específica 31.

O Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas aprovou este estudo, protocolado sob o nº 208/2007, conforme as exigências e procedimentos da Resolução nº 466/201232 do Conselho Nacional de Saúde, que regulamenta a pesquisa envolvendo seres humanos.

Instrumentos e medidas

Dados demográficos e socioeconômicos referentes a gênero, idade, cor/raça, nível de escolaridade e renda familiar foram obtidos por itens de autorrelato (data de nascimento, gênero masculino vs. feminino, anos de escolaridade e renda familiar em valores brutos). As variáveis idade, escolaridade e renda foram agrupados nas seguintes categorias, respectivamente: 65-69, 70-74, 75-79, e ≥ 80 anos; nunca foi à escola, 1-4 anos, e ≥ 5 anos; 0,0-1,0, 1,1-3,0, 3,1-5,0, e ≥ 5,1 salários mínimos. A cor/raça baseou-se nos critérios do IBGE (2, e envolveu a autodeclaração do idoso em relação a sua cor de pele. No presente estudo, foram utilizados somente os dados relativos às cores/raças branca, preta e parda/mulata, sendo as outras (indígenas e amarelos) minoritárias na amostra.

As medidas antropométricas foram coletadas por examinadores treinados de acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) 33. Os participantes foram pesados com uma balança digital (marca G-Tech. Accumed-Glicomed, Rio de Janeiro, Brasil); e a altura mensurada por uma escala (200cm) graduada em centímetros e milímetros. O IMC foi calculado pela equação: IMC = peso (kg) ÷ altura2 (m), e classificado conforme critérios estabelecidos pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) para idosos 34 (baixo peso < 23; peso normal ≥ 23 e < 28; sobrepeso ≥ 28 e < 30; obesidade ≥ 30). As medidas de CC e de circunferência quadril (CQ) foram realizadas com uma fita métrica inelástica milimetrada (150cm de extensão). Com essas medidas, obteve-se o valor da RCQ (CC ÷ CQ), classificado conforme o risco metabólico, de acordo com as recomendações de Bray & Gray 35 (risco para homens e mulheres, respectivamente: < 0,91 e < 0,76 baixo; 0,91-0,98 e 0,76-0,83: moderado; > 0,98 e > 0,83: alto/muito alto). A CC foi classificada de acordo com valores sugeridos pela OMS (risco para homens e mulheres, respectivamente: ≥ 94 e ≥ 80: aumentado; ≥ 102 e ≥ 88: substancialmente aumentado) 26.

O Mini-Exame do Estado Mental (MEEM) foi aplicado antes da coleta de dados referentes à saúde física, que incluiu o diabetes autorrelatado. Os idosos com pontuação inferior à nota de corte para seu nível de escolaridade foram excluídos da pesquisa (valores de corte estabelecidos por Brucki et al. 36, menos um desvio-padrão: 17 para analfabetos; 22 para 1-4 anos; 24 para 5-8 anos; 26 para 9 ou mais anos de escolaridade).

O diabetes foi avaliado pela seguinte questão dicotômica de autorrelato: "algum médico já disse que o(a) senhor(a) tem as seguintes doenças?", sendo o diabetes uma das doenças crônicas apresentadas nesse item.

Algumas variáveis apresentaram missings por conta da não resposta do participante ou à impossibilidade de aferição das medidas antropométricas. As perdas de informações corresponderam a 13,9% da renda familiar; 0,15% do nível de escolaridade; 0,97% da raça; 0,89% do IMC; 2,02% da CC; e 2,06% da RCQ.

Análise estatística

Os dados foram analisados pelo software IBM SPSS, versão 20 (IBM Corp., Armonk, Estados Unidos). Para a descrição do perfil da amostra, foram realizadas análises de frequência (frequências absolutas e valores percentuais) com os dados categóricos, e estabelecidos valores de média e desvio-padrão para as variáveis numéricas contínuas. Análises pelo teste do qui-quadrado foram realizadas para a comparação das categorias de raça com o estado socioeconômico, o diabetes autorreferido e as medidas indicadoras de adiposidade corporal.

Considerando que a amostra do presente estudo não assumiu todos os pressupostos necessários para a realização da Análise de Covariância (ANCOVA) (normalidade das variáveis dependentes, homogeneidade de variâncias e homogeneidade dos declives), foram realizadas ANCOVA não paramétricas de Quade (conforme procedimentos descritos por Marôco 37)), para a verificação do efeito da cor/raça sobre as medidas antropométricas de adiposidade corporal (IMC, CC e RCQ, como variáveis dependentes), ajustando-se para escolaridade e renda familiar (covariáveis). Tais análises foram realizadas com a amostra geral e posteriormente com a amostra dos idosos diabéticos (todas estratificadas por gênero). Para as comparações múltiplas das médias estimadas (± erro-padrão) entre os grupos raciais, utilizou-se o Teste de Bonferroni. Em todas as análises, adotou-se uma probabilidade de erro tipo I (α) de 5%, ou seja, um p < 0,05.

Resultados

A amostra foi composta predominantemente por mulheres (65,51%), participantes brancos e pardos e idosos com idades entre 65 e 74 anos (idade média = 72,38 ± 5,58). Parcela significativa dos indivíduos referiu nunca ter ido à escola (19,5%) e metade da amostra informou ter cursado de 1-4 anos de estudo formal, assim como renda familiar equivalente à faixa de 1,1-3,0 salários mínimos (Tabela 1). A frequência de diabetes autorreferido foi de 19,4% em homens e 21,7% em mulheres.

Ao classificar os idosos conforme a cor/raça (Tabela 2), observou-se maior proporção de analfabetos em pretos e pardos (X2(4) = 23,78; p < 0,001), além de brancos mais ricos (X2(6) = 34,29; p < 0,001). As mulheres brancas eram mais escolarizadas (X2(4) = 54,35; p < 0,001) e mais ricas (X2(6) = 59,32; p < 0,001), do que as idosas de outras cores/raças.

Tabela 1: Características gerais da amostra. Estudo FIBRA (Polo Unicamp), Estado de São Paulo, Brasil, 2008-2009. 

Tabela 2: Associação entre cor/raça e variáveis referentes ao estado socioeconômico, ao diabetes autorreferido e à adiposidade corporal, conforme o gênero. Estudo FIBRA (Polo Unicamp), Estado de São Paulo, Brasil, 2008-2009. 

Quanto às medidas indicadoras de adiposidade corporal, verificou-se associação dos homens brancos (em relação aos pretos e pardos) com maior obesidade abdominal, representada pela CC (X2(4) = 16,62; p = 0,002) e pela RCQ (X2(4) = 15,82; p = 0,003). Na análise ajustada para a escolaridade e a renda familiar, constatou-se no gênero masculino o mesmo efeito da cor/raça branca, nos maiores valores de CC e RCQ, em comparação aos pardos (p = 0,001) e pretos e pardos (p < 0,001), respectivamente (Tabela 3). Porém, entre as mulheres, não foi encontrada variação de nenhuma medida antropométrica conforme o grupo racial.

Tabela 3: Efeito da cor/raça sobre a adiposidade corporal conforme o gênero, em análise ajustada para escolaridade e renda familiar. 

Nos homens, a frequência de diabetes não variou de acordo com a cor/raça, enquanto nas mulheres, a referência a essa enfermidade foi mais relevante entre as pretas e pardas, em comparação às brancas (X2(2) = 15,40; p < 0,001) (Tabela 2).

Na presença do diabetes, o efeito da cor/raça nas medidas de adiposidade corporal não se manteve nos homens, porém se tornou evidente no IMC e CC de mulheres, na análise ajustada para condições socioeconômicas (Tabela 4). As idosas diabéticas de cor/raça preta foram as que apresentaram maior IMC (30,30kg/m2) e CC (98,67cm), quando comparadas às pardas (p = 0,007 e p < 0,001), valores indicativos de obesidade geral e, sobretudo, abdominal. As idosas diabéticas pardas foram as que apresentaram menor adiposidade abdominal, em comparação aos demais grupos raciais.

Tabela 4: Efeito da cor/raça sobre adiposidade corporal em idosos diabéticos, conforme o gênero, em análise ajustada para escolaridade e renda familiar. 

Discussão

O presente estudo buscou descrever e comparar medidas antropométricas indicadoras de adiposidade corporal de acordo com diferentes grupos raciais de idosos brasileiros, além de avaliar o efeito da raça nesses indicadores já mencionados, em presença de diabetes autorreferido.

Observou-se nesta amostra, elevada frequência de homens e mulheres da cor/raça branca, seguida da parda. A raça, indicada pela cor de pele autodeclarada, embora represente uma característica fenotípica do indivíduo, resulta também de uma construção sociocultural, dependente do contexto individual 17.

Segundo Penner & Sapperstein 38, a percepção dos indivíduos referentemente à raça autodeclarada é fluida e mutável no tempo, por relacionar-se em parte, ao status social. Os pesquisadores observaram em amostra de norte-americanos que os desempregados, encarcerados ou pobres eram mais propensos a se identificarem como pretos, do que como brancos. Em investigação brasileira, demonstrou-se que homens de 40 anos e mais tenderam a se autoclassificar como pardos (do que como brancos), em resposta a entrevistadoras de cor/raça preta (em comparação às brancas). Ainda, as entrevistadoras pretas (comparadas às brancas) apresentaram menores chances de avaliar homens (40 ou mais anos) como pretos (do que como brancos). Esses dados sugerem que a interação entre idade, gênero e raça/cor dos sujeitos de pesquisa e dos entrevistadores pode mediar os resultados obtidos nos processos classificatórios da raça 39.

Entretanto, o mesmo critério foi avaliado por Fuchs et al. 40 como uma medida confiável e útil, particularmente em estudos epidemiológicos, além de representar a principal medida para a avaliação deste parâmetro nos censos brasileiros.

No presente estudo, a cor/raça branca apresentou associação com grau elevado de adiposidade abdominal (CC e RCQ), comparada aos pretos e pardos, apenas quando se considerou o gênero masculino. Dados semelhantes foram encontrados em outros estudos brasileiros. Ferreira et al. 24, em amostra composta por 1.235 homens, embora mais jovens (20-59 anos), também não encontraram associação da raça com o IMC. No entanto, maiores valores de CC (p < 0,01) e RCQ (p = 0,05) foram encontrados em brancos com mais de 30 anos (comparados aos negros), em análise ajustada para idade, percentual de massa gorda, etilismo, tabagismo, atividade física, renda e escolaridade.

Castanheira et al. 25, em investigação realizada com indivíduos entre 20 e 69 anos, também evidenciaram maior perímetro abdominal em brancos do que nos pretos e pardos (p < 0,001), somente no gênero masculino. Segundo dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), o IMC ≥ 25kg/m2 foi associado com a raça branca, em relação à parda, em idosos com mais de 60 anos (7.

Contudo, a literatura internacional evidencia resultados distintos daqueles encontrados na presente investigação, e a maioria deles apresenta relação entre a raça/etnia negra e hispânica com a obesidade geral (IMC), em amostra de adultos e idosos 9), (21), (22), (24. Dados do NHANES demonstraram associação da obesidade geral (IMC) e abdominal (CC) com a raça/etnia negra, comparada à branca e à hispânica, em idosas (> 60 anos) norte-americanas 9.

A discrepância verificada em relação aos achados internacionais pode decorrer primeiramente das diferentes classificações utilizadas para a definição de raça/etnia, que se constitui em fator limitante desse tipo de investigação e que dificulta a comparação e discussão dos dados. Além disso, devem-se considerar as diferenças existentes, quanto ao perfil socioeconômico e suas implicações no estilo de vida e hábito alimentar entre as distintas raças/etnias no Brasil e nos países desenvolvidos.

A literatura estabelece forte relação do pior status socioeconômico com cor/raça preta ou parda 17, e com piores condições de saúde 13, incluindo a obesidade 12), (15. Porém, apesar de os idosos de cor/raça preta e parda da presente investigação terem apresentado níveis de escolaridade e renda desfavoráveis, foram os brancos que tiveram pior condição metabólica, indicada por maiores valores de CC. Monteiro et al. 41 constataram que nível elevado de renda, que refletiria maior consumo alimentar, constitui-se em fator de risco para a obesidade, particularmente em homens.

Apesar de as análises do presente estudo terem sido ajustadas para a escolaridade e renda, fatores ambientais referentes a comportamentos em saúde, tais como nível de atividade física, consumo alimentar, tabagismo e etilismo não foram abordados, mas poderiam influenciar os achados dessas diferenças raciais.

Além disso, a avaliação do estado socioeconômico ao longo do curso de vida de um indivíduo explicaria melhor a obesidade em adultos, conforme aponta a literatura. Condições de riqueza ou pobreza durante a infância poderiam afetar o estado nutricional e a deposição de gordura em etapas posteriores 42), (43. González et al. 42 verificaram que independentemente da renda familiar no momento em que se realizou a pesquisa, homens nascidos de famílias com elevado poder aquisitivo apresentavam maior CC na fase adulta. Assim, a interpretação dos resultados do presente estudo deve ser realizada com cautela, uma vez que o controle de variáveis socioeconômicas não elimina completamente o efeito das variáveis na cor/raça.

Outro aspecto importante refere-se ao nível de dispêndio calórico desses indivíduos, apresentados no decorrer da vida, particularmente quanto às atividades laborais e de deslocamento. Evidências demonstraram que homens com menor nível de escolaridade 44 e renda 44), (45 eram mais ativos em nível do desempenho no trabalho e no deslocamento. Esses indivíduos são mais propensos a realizar trabalhos não formais (que demandam maior esforço físico), tendem a morar em áreas distantes de seu local de trabalho, utilizam mais o transporte coletivo e gastam mais tempo com deslocamento 44. Tendo em vista no presente estudo que os homens de cor/raça preta e parda tinham pior condição de escolaridade e renda do que os homens brancos, pode-se supor que a elevada adiposidade abdominal dos idosos brancos poderia apresentar relação com melhores condições de vida e de trabalho, que se acompanhariam de mais sedentarismo e menor consumo energético.

No entanto, na presente investigação, ao se considerar o diabetes autorrelatado, observou-se entre as idosas que haviam referido cor/raça preta, valores maiores de IMC e CC, em comparação às pardas, independente da condição econômica (renda) e do nível de escolaridade.

A relação entre adiposidade abdominal e diabetes já é bem estabelecida pela literatura, que apresenta a obesidade (geral e central) como fator de risco para diabetes, já que favorece um estado de inflamação crônica e de resistência à insulina, contribuindo para o aumento da prevalência dessa enfermidade, especialmente em idosos 4), (9), (11.

Na literatura, tem se demonstrado associação entre maior prevalência e incidência de diabetes com raças ou grupos étnicos minoritários, como negros e hispânicos 23), (27), (28. Noble et al. 27, em investigação conduzida com 941 mulheres e homens idosos, observaram maior prevalência de diabetes em não brancos, correspondente a 19,6% e 20,1% em hispânicos e negros, respectivamente, versus 8,2% em brancos (p < 0,001).

De forma semelhante, Whitson et al. 28, em análise ajustada para gênero e condição socioeconômica, demonstraram que idosos negros eram mais obesos, incapacitados e apresentavam maior prevalência de diabetes, quando comparados aos brancos.

Diferenças raciais associadas à maior morbidade 19), (46), (47, obesidade 9), (15), (22), (29 e incapacidade 16), (28 são explicadas, em grande parte, por condições socioeconômicas desfavoráveis, que refletem no acúmulo de comportamentos e estilo de vida pouco saudáveis, em decorrência de menor acesso à informação, à educação de qualidade e aos serviços de saúde. Segundo Chor 20, raça, condição socioeconômica e gênero são variáveis fundamentais a serem analisadas em conjunto, dadas as suas interrelações, que influenciam as disparidades e criam grupos vulneráveis a riscos de saúde.

Quanto aos dados do presente estudo, a maior obesidade em idosas diabéticas de cor/raça preta, pode ter sido influenciada por condições desfavoráveis desse grupo no decorrer da vida 15), (47, mesmo em casos de um maior nível de escolaridade 17, devido às reduzidas oportunidades de ascensão e mobilidade social, além de diferenças e pior assistência em serviços de saúde, reflexo da discriminação racial e exclusão social 20), (47. Cunningham et al. 48 demonstraram que, em um período de oito anos, houve aumento significativo da CC e do IMC em mulheres negras que reportaram maior discriminação racial (o mesmo não foi verificado em homens negros e brancos e em mulheres brancas).

Autores destacam, ainda, que tais diferenças raciais na obesidade 15 e no diabetes 29 resultam de interação complexa que abrange, além dos fatores socioeconômicos e ambientais (estilo de vida), condições biológicas/fisiológicas que incluem: menor gasto energético em repouso e total em negros (principalmente mulheres) do que em brancos 29; nível mais baixo de adiponectinas (associadas à maior adiposidade corporal e à síndrome metabólica) em negros (versus brancos) 15; além de uma possível predisposição das minorias étnicas para a resistência à insulina 29), (49), (50. Entretanto, mais estudos são necessários para melhor esclarecer tais associações.

Interessante notar ainda, que as idosas diabéticas pardas apresentaram menores valores de CC, particularmente em relação às brancas (também com a enfermidade), o que poderia ser parcialmente explicado pelas piores condições de renda e escolaridade das pardas, que as levariam a ter um maior gasto energético, em decorrência do maior uso dos transportes públicos ou da realização de mais atividades domésticas do que as mulheres mais ricas 45. Esse argumento, contudo, não seria válido na comparação das idosas pardas com as de cor/raça preta, considerando que ambos os grupos apresentam condições socioeconômicas desfavoráveis.

Vale ressaltar as limitações apresentadas por esta investigação. Primeiro, referente ao delineamento transversal, que não permite estabelecer relação de causalidade entre as variáveis analisadas. Outra limitação inclui a utilização da medida de autorrelato para a avaliação do diabetes mellitus, que possibilitaria subestimar a prevalência da doença, considerando os idosos que desconhecem tal diagnóstico. Apesar disso, em investigação realizada com 10.321 indivíduos (idade média = 63 anos), o uso do diabetes autorrelatado produziu boa validade e especificidade na identificação da prevalência e incidência da morbidade, quando comparada com recomendações-padrão, baseadas em níveis plasmáticos de glicemia de jejum, hemoglobina glicosilada (HbA1c) e uso de medicação 51. Ainda, a metodologia adotada para a classificação da raça pode ser considerada outra limitação deste estudo, em razão do caráter subjetivo e dinâmico do critério baseado na cor de pele autodeclarada. Todavia, destaca-se a relevância do presente estudo, que estabeleceu um perfil da relação entre tais variáveis em uma amostra de idosos brasileiros, dados que ainda são escassos na literatura.

Conclusão

Em amostra de idosos brasileiros, verificou-se o efeito da cor/raça branca nos maiores valores de CC e RCQ, somente no gênero masculino, independentemente da presença de diabetes autorrelatado. Entretanto, ao considerar apenas os indivíduos diabéticos, a cor/raça preta passou a associar-se à obesidade geral (IMC) e central (CC), em comparação à cor/raça parda, apenas entre as mulheres. O efeito da cor/raça nas medidas de adiposidade corporal ocorreu mesmo com o ajuste de variáveis socioeconômicas (escolaridade e renda familiar).

Tais dados enfatizam a importância do planejamento de políticas públicas que englobem estratégias individualizadas e direcionadas às especificidades de cada grupo racial e que visem à promoção à saúde, tendo-se em conta a prevenção da obesidade como principal fator de risco do diabetes, assim como o manejo adequado dessas condições, tendo como foco a funcionalidade e a qualidade de vida dos indivíduos.

Agradecimentos

Ao CNPq (n. 555082/2006-7) e à Capes (n. BEX12339/13-0)

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Recebido: 21 de Maio de 2015; Revisado: 06 de Novembro de 2015; Aceito: 05 de Janeiro de 2016

* Correspondência Universidade Estadual de Campinas. Rua Tessália Vieira de camargo 126, Cidade Universitária Zeferino Vaz, Campinas, SP 13083-020, Brasil. mcmoretto@hotmail.com

Colaboradores M. C. Moretto contribuiu na concepção do projeto, análise e interpretação dos dados; redação do artigo ou revisão crítica relevante do conteúdo intelectual; ser responsável por todos os aspectos do trabalho na garantia da exatidão e integridade de qualquer parte da obra. A. M. Fontaine, C. A. M. S. Garcia e A. L. Neri colaboraram na redação do artigo ou revisão crítica relevante do conteúdo intelectual; aprovação final da versão a ser publicada. M. E. Guariento participou na concepção do projeto, análise e interpretação dos dados; redação do artigo ou revisão crítica relevante do conteúdo intelectual; aprovação final da versão a ser publicada; ser responsável por todos os aspectos do trabalho na garantia da exatidão e integridade de qualquer parte da obra.

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