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Revista Brasileira de Farmacognosia

Print version ISSN 0102-695XOn-line version ISSN 1981-528X

Rev. bras. farmacogn. vol.19 no.2b João Pessoa Apr./June 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-695X2009000400006 

ARTIGO

 

Contribuição ao estudo farmacognóstico de Mikania laevigata Sch. Bip. ex Baker (guaco), visando o controle de qualidade da matéria-prima

 

Contribution to the pharmacognostic study of Mikania laevigata Sch. Bip. ex Baker "Guaco" for the quality control

 

 

Jane M. BudelI, II, *; Márcia R. DuarteI; Indianara KosciuvIII; Tatiane B. de MoraisII; Lilian P. FerrariII

ILaboratório de Farmacognosia, Universidade Federal do Paraná, Av. Pref. Lothário Meissner, 632, Jardim Botânico, 80210-170 Curitiba-PR, Brasil
IILaboratório de Farmacognosia, Unibrasil, Rua Konrad Adenauer, 442, Tarumã, 82820-540 Curitiba-PR, Brasil
IIILaboratório de Farmacobotânica, Uniguaçu, Rua Padre Saporiti, 717, Rio D'Areia, 84600-000 União da Vitória-PR, Brasil

 

 


RESUMO

O gênero Mikania, pertencente à família Asteraceae e à tribo Eupatoriae, tem cerca de 430 espécies distribuída principalmente na América do Sul. No Brasil, o gênero está representado por aproximadamente 171 espécies. Várias espécies do gênero Mikania de hábito trepador recebem a denominação vulgar de "guaco". Mikania laevigata Sch. Bip. ex Baker, conhecida como "guaco", "guaco-de-casa" e "guaco-do-mato", é uma espécie nativa do sul do Brasil. Suas folhas são empregadas na medicina tradicional como expectorante e como anti-reumáticas. É muito semelhante morfologicamente com M. glomerata, que é a espécie oficializada pela Farmacopéia Brasileira I. Alguns estudos de M. laevigata comprovaram atividades farmacológicas como, antiinflamatória, antimutagênica, antimicrobiana e antiulcerogênica. Objetivou-se estudar a morfologia externa e a anatomia do caule e da folha de M. laevigata, com a finalidade de fornecer dados farmacognósticos referentes à identificação e à diferenciação dessa espécie das demais Mikania, visando o controle de qualidade da matéria-prima. O material botânico foi submetido às microtécnicas fotônicas e eletrônicas de varredura usuais. As características morfoanatômicas descritas para a folha e o caule de M. laevigata auxiliam na identificação da espécie.

Unitermos: Asteraceae, Mikania laevigata, controle de qualidade.


ABSTRACT

The genus Mikania, belonging to the family Asteraceae and tribe Eupatoriae, has about 430 species mainly distributed in South America. In Brazil, the genus is represented by approximately 171 species. Various members of Mikania are lianas and commonly called "guaco". Mikania laevigata Sch. Bip. ex Baker, known as "guaco", "guaco-de-casa" and "guaco-do-mato", is native to the South of Brazil. Its leaves are used in folk medicine as expectorant and antirheumatic. It is morphologically similar to M. glomerata, whose monograph is included in the Brazilian Pharmacopoeia 1st Ed. Some studies on M. laevigata have demonstrated pharmacological activities, such as anti-inflammatory, antimutagenic, antimicrobial and anti-ulcerogenic. This work has aimed to study the morpho-anatomy of the stem and the leaf of M. laevigata, in order to supply pharmacognostic information related to the identification of this species and distinction from other Mikania for quality control purposes. The botanical material was prepared according to standard light and scanning electronic micro techniques. The morpho-anatomical characters described for the stem and the leaf contribute to the identification of this species.

Keywords: Asteraceae, Mikania laevigata, quality control.


 

 

INTRODUÇÃO

O gênero Mikania, pertencente à família Asteraceae e à tribo Eupatoriae, tem cerca de 430 espécies distribuída principalmente na América do Sul. No Brasil, o gênero, com 171 espécies, ocorre de norte a sul, tendo sua principal área de dispersão nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. (Oliveira, 1972; Ritter & Miotto, 2005).

Muitos trabalhos se detêm na determinação de compostos químicos, principalmente flavonóides (Aguinaldo et al., 2003), terpenos (Fabri et al., 1997; Lobitz et al., 1997, 1998; Veneziani et al, 1999; Reis et al., 2003; Nunez et al., 2004; Ohkoshi et al., 2004; Reis et al., 2008), lactonas sesquiterpênicas (Cuenca et al, 1993; Zamorano et al., 1994; Bardon et al., 1996; Veneziani et al., 1999; Rüngeler et al., 2001) e cumarinas (Biavati et al., 2004; Santos et al., 2006; Taleb-Contini et al., 2006; Saúde-Guimarães & Faria, 2007; Corrêa et al., 2008; Silva et al., 2008; Bolina et al., 2009).

A ação farmacológica de extratos ou de substâncias isoladas de Mikania têm sido investigada para diversas espécies, como as atividades antiinflamatória de M. involucrata Hook. et Arn. e M. hirsutissima DC. (Suyenaga et al, 2002), bactericida, antifúngica e hipoglicêmica de M. micranta Kunth (Lentz et al., 1998; Barbosa-Filho et al., 2005), bactericida, anti-ofídica, anti-alérgica, antiinflamatória, anti-diarréica, inibidora da MAO, antimalárica e broncodilatadora de M. glomerata Spreng. (Fierro et al., 1999; Holetz et al., 2002; Soares et al., 2002; Do Amaral et al., 2003; Falcão et al., 2005; Maiorano et al., 2005; Salgado et al., 2005; Santos et al., 2006; Botsaris, 2007), anti-carcinogênica, analgésica, anti-ulcerogênica e anticonvulsivante de M. cordata (Burm. f.) B.L. Rob. (Bishayee & Chaterjee, 1994; Paul et al., 2000; Ahmed et al, 2001; Quintans-Júnior et al., 2008), antiprotozoária de M. cordifolia (L. f.) Willd. (Arias et al., 1995; Muelas-Serrano et al., 2000), antibacteriana de M. lanuginosa DC. (Silva et al., 2002) e anti-Tripanosoma cruzy de M. obtusata (Saúde-Guimarães & Faria, 2007).

Diversas espécies do gênero Mikania de hábito trepador recebem a denominação vulgar de guaco, a exemplo de M. cordifolia, M. laevigata Sch. Bip. ex Baker, M. glomerata, M. scandens Willd., M. officcinalis Mart., M. opifera DC. (Barroso, 1958; Angely, 1965; Corrêa, 1984; Oliveira et al., 1999; Oliveira et al., 2000; Ritter & Miotto, 2005).

Mikania laevigata, conhecida como guaco, guaco-de-casa e guaco-do-mato, é uma espécie nativa do sul do Brasil. Suas folhas são empregadas na medicina tradicional como expectorante e anti-reumáticas (Alice et al., 1995). É muito semelhante morfologicamente com M. glomerata Spreng., que é a espécie oficializada pela Farmacopéia Brasileira I (Silva, 1929). Alguns estudos de M. laevigata comprovaram atividades farmacológicas como, antiinflamatória (Suyenaga et al., 2002), antimutagênica (Fernandes & Vargas, 2003), antimicrobiana e alelopática (Duarte et al., 2004; Baratto et al., 2008) e antiulcerogênica (Bighetti et al., 2005).

Objetivou-se estudar a morfologia externa e a anatomia do caule e da folha de M. laevigata, com a finalidade de fornecer dados farmacognósticos referentes à identificação e à diferenciação dessa espécie das demais Mikania.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O material vegetal foi coletado em dezembro de 2003 na Fazenda São Maximiano, situada na região da Serra do Sudoeste, em Guaíba, Rio Grande do Sul (30º 10' S e 51º 20' W, 27m). Foi realizada a confecção da exsicata, que foi identificada por taxonomista e se encontra depositada no Instituto de Ciências Naturais (ICN) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul sob o número ICN 51062 .

A partir de 5 cm do ápice da planta, o caule e as folhas de M. laevigata foram fixados em solução de FAA 70 (Johansen, 1940) e armazenados em álcool etílico a 70% (Berlyn & Miksche, 1976). Lâminas semipermanentes foram preparadas com o material seccionado nos sentidos transversal e longitudinal, à mão livre, e submetido à coloração de azul de astra e fucsina básica (Roeser, 1972) ou de azul de toluidina (O'Brien et al., 1964).

Utilizando-se do material previamente fixado e armazenado em álcool etílico a 70%, as lâminas permanentes foram preparadas empregando-se a técnica de inclusão em glicol metacrilato (Feder & O'Brien, 1968). O caule e a folha de M. laevigata foram seccionados no plano transversal em micrótomo, obtendo-se cortes de 7 a 9 µm. Os cortes foram hidratados, distendidos em lâminas e secos em mesa térmica a 40 ºC. Para coloração empregou-se azul de astra e fucsina básica (Brito & Alquini, 1996).

Para a análise microquímica foram utilizados os seguintes reativos: solução de floroglucina clorídrica para verificação de lignina (Foster, 1949), Sudan III para compostos lipofílicos (Sass, 1951), cloreto férrico para compostos fenólicos (Johansen, 1940), lugol para amido (Berlyn & Miksche, 1976) e ácido sulfúrico para verificação da natureza química dos cristais (Oliveira & Akisue, 1991).

A microscopia eletrônica de varredura da superfície foliar e caulinar foi realizada em alto vácuo e para tal procedimento, as amostras foram desidratadas em série etanólica crescente e pelo ponto crítico de CO2 e, após montagem em suporte, submetidas à metalização com ouro (Souza, 1998).

 

RESULTADOS

Mikania laevigata (Figura 1) é um sub-arbusto trepador que apresenta caule cilíndrico e lenhoso. A região dos nós é, freqüentemente, acompanhada por folhas de disposição oposta, estas se caracterizam por serem ovadas a oblongo-lanceoladas, de ápice acuminado e base obtusa, arredondada ou subcordiforme, de margem inteira, pecioladas, e por apresentarem base trinervada.

 



 

Em relação aos caracteres anatômicos, a lâmina foliar apresenta, em vista frontal, células de contorno de ondeado a sinuoso, de paredes anticlinais levemente espessadas (Figuras 2 e 3) A folha apresenta estômatos do tipo anomocíticos e anisocíticos somente na face abaxial, caracterizando a folha como hipoestomática (Figura 2) e estes se localizam no mesmo nível das demais células epidérmicas. Sobre o sistema de revestimento, ocorre presença de cutícula delgada e levemente estriada (Figura 4).

Evidencia-se tricomas glandulares pluricelulares unisseriados, curvos, formados por cerca de seis células (Figura 5), além de tricoma glandular pluricelular bisseriado (Figuras 6 e 7). Esses anexos epidérmicos aparecem em depressão na epiderme (Figuras 5, 6 e 7).

 



 

O mesofilo é do tipo dorsiventral, sendo constituído por cerca de três camadas de parênquima paliçádico e aproximadamente oito estratos de parênquima esponjoso, que evidencia pequenos espaços intercelulares. Subjacente à epiderme adaxial, observa-se uma camada contínua de células de formato retangular, alongadas no sentido periclinal e maiores que as células epidérmicas (Figura 8).

Feixes vasculares colaterais estão mergulhados na região mediana do mesofilo e aparecem envoltos por uma bainha parenquimática e freqüentemente estão associados a dutos secretores, estes são formados por cerca de sete células em estrato único (Figura 9).

A nervura central, em secção transversal, apresenta-se biconvexa. A epiderme é uniestratificada, recoberta por cutícula delgada e levemente estriada. O colênquima é do tipo angular e é representado por cerca de quatro estratos em ambas as faces. Mergulhado no parênquima fundamental, cerca de cinco feixes vasculares do tipo colateral, dispostos em arco aberto, são observados. Calotas de fibras esclerenquimáticas, aposta ao floema, podem ser encontradas. Dutos secretores são observados nas proximidades do feixe vascular e apresentam características semelhantes às anteriormente descritas. O xilema é constituído por elementos traqueais dispostos em fileira (Figura 10).

O pecíolo, em secção transversal (Figura 11), tem formato praticamente plano-convexo, e evidencia epiderme uniestratificada. Subjacentemente à epiderme, observam-se cerca de seis camadas de colênquima angular. Cerca de sete feixes vasculares, do tipo colateral, em arco aberto, estão mergulhados no parênquima fundamental.

O caule, em secção transversal, apresenta formato circular. A epiderme é uniestratificada e as células são alongadas no sentido periclinal e revestidas por cutícula moderadamente delgada. Adjacentemente à epiderme, cerca de seis camadas de colênquima angular são observados. Limitando internamente o córtex, observa-se um estrato de células parenquimáticas contendo amiloplastos, constituindo a bainha amilífera. Nas proximidades desta, em direção aos feixes vasculares, dutos secretores de estrato único, formados por cerca de oito células podem ser encontrados. O cilindro vascular é constituído por floema em direção centrífuga e xilema formado centripetamente, estabelecendo uma região medular. Calotas de fibras perivasculares são encontradas na região próxima ao sistema floemático. O parênquima medular compõe-se de células de diversos tamanhos, de parede delgada e evidencia vários dutos secretores (Figura 12).

 

DISCUSSÃO

Os caracteres morfológicos externos estão de acordo com as informações referentes à espécie (Oliveira et al., 1986a, b; Alice et al., 1995). Quanto ao formato da folha, M. confertissima Sch. Bip. ex Baker é muito parecida com M. laevigata, podendo causar confusão (Oliveira et al., 1986a) .O contorno das células epidérmicas, em vista frontal, encontrados na folha de M. laevigata concorda com o constatado para essa espécie (Oliveira et al., 1986a) e para M. glomerata (Neves & Sá, 1991).

Em secção transversal, M. laevigata mostrou epiderme e camada subepidérmica, esta com células retangulares e um pouco maiores que a epiderme e presença de cutícula delgada e levemente estriada. Esses caracteres vão ao encontro dos dados relatados para a espécie em estudo (Oliveira et al., 1986a) e para M. glomerata (Neves & Sá, 1991).

A descrição de tricomas constitui característica importante na diagnose do fármaco, principalmente quando o fármaco apresenta-se fragmentado ou pulverizado (Oliveira et al., 1993). No estudo em questão, M. laevigata evidenciou dois tipos de tricomas glandulares, a saber, pluricelulares unisseriados, curvos, formados por cerca de seis células, e pluricelulares bisseriados, localizados em depressão na epiderme. Os primeiros, foram citados no trabalho de Oliveira et al. (1986a), não havendo menção do segundo tipo de tricoma para M. laevigata.

Tricomas glandulares pluricelulares bisseriados, similares aos encontrados neste estudo foram encontrados em M. glomerata e classificados como capitados por Neves & Sá (1991) e como peltados por Milan et al. (2006). Tricomas curvos são característicos do gênero Mikania (Oliveira et al., 2000) e foram citados para M. conferta (Oliveira et al., 1999), M. glomerata (Neves & Sá, 1991), M. malacolepsis (Rodrigues et al., 1996) e M. cordifolia (Oliveira et al., 2000). Esses tricomas foram mencionados como simples pluricelulares do tipo claviforme para M. glomerata (Neves & Sá, 1991). Tricomas tectores não encontrados no estudo em questão, foram mencionados em M. cordifolia e M. malacolepsis e descritos como unisseriados pluricelulares terminado em ponta (Rodrigues et al., 1996; Oliveira et al., 2000) e podendo assumir a forma de ampola em M. conferta (Oliveira et al., 1999).

Segundo Metcalfe & Chalk (1950), os estômatos podem ser anomocíticos e anisocíticos na família Asteraceae, com predominância do primeiro tipo, e podem ocorrer em ambas as faces epidérmicas. Estas mesmas categorias foram descritas para diversas espécies do gênero Mikania (Alice et al., 1995; Rodrigues et al., 1996; Neves & Sá, 1991; Oliveira et al., 1999; Oliveira et al., 2000; Oliveira et al., 2005; Milan et al., 2006).

A folha de M. laevigata evidenciou a presença de estômatos anomocíticos e anisocíticos somente na face abaxial, caracterizando a folha como hipoestomática. Esta mesma característica foi observada em M. glomerata (Neves & Sá, 1991; Oliveira et al., 2005) e em M. hirsutissima (Oliveira et al., 2005).

A organização do parênquima fotossintetizante é do tipo dorsiventral em M. laevigata, característica que vai ao encontro dos relatos de diversas espécies do gênero (Neves & Sá, 1991; Alice et al., 1995; Rodrigues et al., 1996; Oliveira et al., 1999; Oliveira et al., 2000; Oliveira et al., 2005). Milan et al. (2006), relatam que a organização do mesofilo de M. glomerata é dorsiventral, mas pode variar de acordo com as diferentes regiões da folha. Adicionalmente, Neves & Sá (1991), descrevem o parênquima paliçádico de M. glomerata constituído por células braciformes em forma de H, V e Y.

Na nervura central da espécie em estudo, o formato biconvexo, a disposição dos feixes vasculares colaterais, a presença de colênquima angular, de calota de fibras perivasculares e de dutos secretores são características que coincidem com as relatadas para M. laevigata (Oliveira et al., 1986a), M. glomerata (Neves & Sá, 1991; Oliveira et al., 2005; Milan et al., 2006), M. malacolepsis (Rodrigues et al., 1996), M. conferta (Oliveira et al., 1999) e M. cordifolia (Oliveira et al., 2000).

O caule de M. laevigata mostra contorno circular, característica observada para esta espécie (Oliveira et al., 1986b) e também para M. glomerata (Neves & Sá, 1991), entretanto, M. malacolepsis (Rodrigues et al., 1996) e M. cordifolia (Oliveira et al., 2000) evidenciaram contorno hexagonal para o caule.

Segundo Oliveira et al. (2000), caules desenvolvidos de Mikania podem evidenciar na região cortical a presença de anel esclerenquimático, característica freqüente em Mikanias trepadoras. Todavia esse anel não foi observado em M. laevigata.

Dutos secretores próximos aos feixes vasculares e também na medula do caule de M. laevigata foram encontrados, essas informações concordam com o descrito para várias espécies do gênero (Oliveira et al., 1986b; Neves & Sá, 1991; Oliveira et al., 1999), contudo, dutos não foram encontrados na região medular de M. cordifolia (Oliveira et al., 2000).

Usualmente a morfologia do cristal, bem como a sua distribuição no órgão é conservada dentro de um específico táxon (Franceschi & Horner Junior, 1980). Nesse contexto, nos órgãos analisados de M. laevigata não foram encontrados cristais. A ausência destes parece ser característica do gênero (Neves & Sá, 1991; Rodrigues et al., 1996; Oliveira et al., 1999; Oliveira et al., 2000; Oliveira et al., 2005).

 

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem ao taxonomista Prof. Dr. N. I. Matzenbacher pela identificação da espécie e ao Centro de Microscopia Eletrônica da Universidade Federal do Paraná pelas eletromicrografias.

 

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Received 10 August 2007; Accepted 30 January 2008

 

 

* E-mail: janemanfronb@uol.com.br, Tel. +55-41-3361-4302

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