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Psicologia: Reflexão e Crítica

Print version ISSN 0102-7972

Psicol. Reflex. Crit. vol.26 no.3 Porto Alegre  2013

https://doi.org/10.1590/S0102-79722013000300020 

PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO

 

Experiência da paternidade aos três meses do bebê

 

Fatherhood experience in infant's third month

 

 

Tonantzin Ribeiro GonçalvesI,II; Lis Eguia GuimarãesI; Milena da Rosa SilvaI; Rita de Cássia Sobreira LopesI; Cesar Augusto PiccininiI

IUniversidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
IIUniversidade do Vale do Rio dos Sinos, São Leopoldo, Rio Grande do Sul, Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

O estudo investigou a experiência da paternidade aos três meses do bebê. Participaram 38 pais primíparos, casados, com idades entre 20 e 40 anos que responderam a uma entrevista semiestruturada. Foi realizada análise de conteúdo dos relatos que originou quatro categorias: Percepções sobre a própria paternidade, Convivendo com o filho, Convivendo com a esposa e Modelos parentais. Os achados evidenciaram uma experiência repleta de sentimentos positivos quanto à relação com o filho em que predominou a satisfação e o desejo de participar mais na vida deles. As dificuldades referiram-se ao dia-a-dia e cuidado com os filhos, revelando que a paternidade pode ser, por vezes, cansativa. Discute-se a experiência dos pais frente ao novo ideal de paternidade vigente na sociedade atual.

Palavras-chave: Paternidade, relação pai-bebê, família.


ABSTRACT

The study investigated the experience of fatherhood in the baby's third month. Participants included 38 married primiparous fathers, aged 20 to 40 years old, who answered a semistructured interview. A content analysis was carried out comprising four categories: Perceptions about their own fatherhood, Living with the child, Living with the wife, and Parental models. The results showed fatherhood is an experience full of positive feelings, satisfaction and desire for greater involvement in the child's live. Difficulties reported were related to care and daily situations with their child revealing fatherhood can be tiring and arduous. The fathers' experience was discussed in light of the new ideal of fatherhood in our society.

Keywords: Fatherhood, father-infant relationship, family.


 

 

A paternidade envolve profundas mudanças na vida do homem, que se iniciam mesmo antes do nascimento do filho, e que incluem a aquisição de novos papéis e responsabilidades (Brazelton & Cramer, 1992). As alterações envoltas nesse período de transição tendem a ser mais intensas no nascimento do primeiro filho e podem, inclusive, associar-se a uma sobrecarga relativa às inúmeras adaptações subjetivas necessárias para receber o bebê (Brazelton & Cramer, 1992; Genesoni & Tallandini, 2009). Ainda na gestação, a maioria dos pais já demonstra um grande envolvimento prático e emocional com seus filhos (Bornholdt, Wagner, & Staudt, 2007; Piccinini, Silva, Gonçalves, Lopes, & Tudge, 2004), o que contribui para a consolidação da relação pai-bebê.

Contudo, é com o nascimento que esse processo ganha maior impulso, ao concretizar-se a relação direta entre pai e filho. A partir da ativa participação do pai no parto e imediatamente após o mesmo, estudos evidenciam o estado de júbilo, grande absorção e interesse dos pais pelos seus recém-nascidos (engrossment) e que tende a se intensificar com as reações do bebê (Greenberg & Morris, 1974; Klaus & Klaus, 2001). Esta experiência precoce determinaria possibilidades novas da relação pai-bebê ao longo do primeiro trimestre quando o bebê passa a ficar cada vez mais tempo acordado, evidencia maior tônus muscular, direciona o olhar, sorri intencionalmente, firma o pescoço e ensaia os primeiros balbucios (Brazelton, Cramer, Kreisler, Schappi, & Soulé, 1987). Entende-se que esses aspectos impulsionariam a paternalização ao passo que o bebê busca, de modo cada vez patente, interagir com os pais. Assim, a relação pai-filho é frequentemente envolta por intensos sentimentos paternos de satisfação, alegria e vaidade pelo filho nos primeiros meses e, por vezes, de exclusão da relação mãe-bebê e de inexperiência (Ahlborg & Strandmark, 2001; Goodman, 2005; Krob, Piccinini, & Silva, 2009; Silva & Piccinini, 2007). É ainda nesse momento que muitos pais retomam aspectos das experiências infantis com seus próprios pais, o que pode ser difícil para alguns (Raphael-Leff, 1997).

A partir de um referencial psicanalítico, Houzel (2004) propôs três eixos conceituais para a compreensão das vivências emocionais e concretas da parentalidade: o exercício, a experiência e a prática. O exercício da parentalidade se refere aos direitos e deveres dos genitores na sociedade e envolve uma dimensão mais jurídica. A experiência diz respeito aos aspectos subjetivos da transição para a parentalidade e da relação dos pais com os filhos. Por fim, a prática relaciona-se às interações comportamentais e afetivas nos cuidados e brincadeiras com o filho. No presente estudo, se adotou a concepção de Houzel (2004) para investigar, particularmente, a experiência da paternidade, que contempla a vivência subjetiva do tornar-se pai, ampliando perspectivas centradas nos aspectos práticos que tem dominado outros estudos na área (Pleck, 1997).

Assim, no que tange a experiência da paternidade, ao mesmo tempo em que esta tem sido associada à grande realização e felicidade, a busca por conformar-se ao ideal de pai participativo pode trazer tensões (Gomes & Resende, 2004; Henwood & Procter, 2003). Nystrom e Ohrling (2004) revisaram 33 artigos qualitativos e quantitativos sobre a experiência da paternidade ao longo do primeiro ano da criança e encontraram preocupações e temas recorrentes entre os pais, tais como: ser confiável como pai e companheiro, lidar com novas demandas, o impedimento de conquistar intimidade com o filho como algo doloroso; e ser protetor e provedor da família. O estudo qualitativo de Barclay e Lupton (1999) que acompanhou 15 pais primíparos australianos ao longo dos seis primeiros meses dos seus bebês encontrou que, embora eles procurassem ver a paternidade positivamente, para muitos prevaleceram sentimentos de decepção e frustração. Isso acontecia porque eles julgavam ter tido um menor envolvimento com o filho nos primeiros meses do que esperavam, sentindo-se incompetentes frente às habilidades das esposas e identificando-se, portanto, com um modelo de pai ausente que desaprovavam. De modo semelhante, o estudo de Premberg, Hellstrom e Berg (2008) que utilizou uma abordagem fenomenológica para investigar 10 pais primíparos suecos que tinham filhos de um ano de idade revelou que o desafio dessa experiência fora colocar o bebê como o centro das preocupações sem deixar de lado a si próprio. Segundo os autores, nas primeiras semanas do bebê, os pais sentiram-se completamente tomados pelas mudanças na sua vida e pelas necessidades do filho, sendo que, aos poucos, adquiriam maior senso de controle e um novo sentido de completude e satisfação. Juntos, esses estudos sugerem que quanto maior o tempo e o engajamento dos pais no contato íntimo com seus bebês, maior satisfação com a paternidade e menor relato de dificuldades (Barclay & Lupton, 1999; Premberg et al., 2008).

Ao lado dessas mudanças íntimas somam-se aspectos da sociedade atual que têm influenciado na experiência de paternidade. Estudiosos têm destacado como a maciça entrada das mulheres no mercado de trabalho e a necessidade de uma divisão mais igualitária das tarefas domésticas entre o casal tem fomentado uma maior participação dos homens na criação dos filhos comparada há décadas atrás, quando predominava seu papel de autoridade e sustento material (Cabrera, Tamis-LeMonda, Bradley, Hofferth, & Lamb, 2000; Pleck, 1997). Alguns estudos, inclusive no contexto brasileiro, apontam o interesse e a crescente participação dos pais nas atividades diárias dos filhos e na sua educação desde os primeiros anos de vida (Piccinini et al., 2004; Silva & Piccinini, 2007; Tudge, 2008). Contudo, os pais tendem a se envolver de modo distinto ao longo do desenvolvimento dos filhos, sendo que nos primeiros anos da criança muitos privilegiam o contato social e as brincadeiras em detrimento do cuidado (Lamb, 1997). Assim, embora os novos padrões valorizem a participação paterna na criação e nos cuidados das crianças, nem sempre isso se traduz em envolvimento efetivo no dia a dia dos filhos, seja pela falta de modelos do "novo pai", seja pelas exigências do trabalho e da centralidade do papel materno.

Embora essas mudanças na vida familiar tenham impulsionado uma grande reflexão sobre a paternidade, esta ainda permanece sendo menos estudada do que a maternidade, o que se reflete também entre estudos brasileiros. Por isso, considera-se importante entender a vivência e os sentimentos de ser pai na sociedade atual. Assim, o presente estudo teve como objetivo investigar a experiência da paternidade aos três meses de vida do primeiro filho. Para tanto, se enfocará o eixo da experiência da paternidade, derivado das ideias de Houzel (2004), na perspectiva do próprio pai.

 

Método

Participantes

Esse estudo contou com a participação de 38 pais que tinham tido seu primeiro filho, com idades entre 20 e 40 anos (M=29,4 anos; DP=5,7) e que viviam com a mãe do bebê. As entrevistas foram realizadas quando os bebês tinham entre três e quatro meses de idade completos. Os pais eram de níveis socioeconômicos variados e residiam na região metropolitana de XX (Porto Alegre). Com relação à escolaridade, a maior parte dos pais tinha ensino superior (incompleto: 29%; completo: 21%; pós-graduação: 5,2%), sendo que os demais variaram entre o ensino fundamental incompleto (5,2%) e completo (8%), ensino médio incompleto (2,6%) e completo (29%). Quanto ao status ocupacional, os pais apresentaram profissões consideradas de "status baixo" (31,5% - profissões classificadas de 1 a 4) na escala de Hollingshead (1975), "status médio" (24% - profissões categorizadas de 5 a 6) e "status alto " (42% - profissões classificadas de 7 a 9).

Considerando esses critérios, os pais do presente estudo foram selecionados dentre os participantes do "Estudo Longitudinal de Porto Alegre: Da Gestação à Escola" (Piccinini, Tudge, Lopes, & Sperb, 1998). Este projeto acompanhou aproximadamente 80 famílias, cujas gestantes eram primíparas, representando várias configurações familiares, diferentes idades, escolaridades e níveis socioeconômicos. O contato para participar da pesquisa era feito com as mães no 3º trimestre de gravidez em hospitais públicos e privados, postos de saúde, e por indicação, sendo que houve aprovação dos Comitês de Ética dos hospitais envolvidos de dados e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Para este estudo foram selecionados os 38 pais adultos, casados, primíparos, cujas esposas não tiveram problemas de saúde na gravidez e que responderam a entrevista completa.

Procedimentos e Instrumentos

Os pais foram convidados para o estudo durante a gravidez da companheira. A mãe era informada sobre a pesquisa e respondia a uma Ficha de contato inicial a fim de verificar os critérios de inclusão. Depois disso, era marcado um encontro na casa dos casais, quando ambos assinavam o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e respondiam a uma Entrevista sobre dados demográficos, que registrava informações como idade, escolaridade, estado civil e ocupação.

Após a coleta de dados na gestação, as famílias foram contatadas quando o bebê completou o primeiro trimestre de vida e convidadas para novas entrevistas e uma filmagem da interação familiar nas suas residências. No presente estudo, foram usados os dados da Entrevista sobre a Experiência da Paternidade e o Desenvolvimento do Bebê no Primeiro Trimestre (Grupo de Interação Social, Desenvolvimento e Psicopatologia [GIDEP], 1999), que era respondida pelos pais nessa segunda etapa. A entrevista estruturada era realizada de modo semidirigido e investigava, dentre outras questões, impressões quanto ao filho, sentimentos e dificuldades como pai, o dia-a-dia com o bebê, os cuidados que assumia e suas percepções sobre a esposa como mãe. A entrevista durava cerca de uma hora, era gravada e, posteriormente, transcrita.

As respostas dos pais à entrevista foram examinadas através da análise de conteúdo qualitativa (Bardin, 1977; Laville & Dione, 1999), utilizando-se o Software NVivo 2, a fim de otimizar a codificação e recuperação dos relatos. O conteúdo manifesto dos relatos foi classificado em categorias temáticas, privilegiando-se as especificidades e nuanças de sentido, embora tenham sido consideradas as frequências de aparecimento das verbalizações para fins de maior clareza.

 

Resultados

Considerando o conteúdo das respostas dos pais à entrevista e a literatura sobre paternidade (Houzel, 2004; Krob et al., 2009; Silva & Piccinini, 2007), foram construídas quatro categorias de análise: Percepções sobre a própria paternidade, Convivendo com o filho e a paternidade, Convivendo com a esposa e a paternidade e Modelos parentais e a paternidade. Algumas dessas categorias foram subdivididas em subcategorias. A seguir, apresenta-se cada uma delas, ilustrando-as com vinhetas dos relatos dos pais. Dois juízes classificaram separadamente os relatos dos pais em cada categoria e subcategoria e, em casos de discordância, um terceiro juiz foi consultado.

Percepções sobre a Própria Paternidade

Essa categoria abarca as falas dos pais que remetem a experiência da paternidade no final do primeiro trimestre de vida dos filhos, além da avaliação que fazem de si como pais, incluindo-se suas impressões e sentimentos. Os aspectos aqui incluídos serão descritos em duas subcategorias: Mudanças, impressões e sentimentos frente à paternidade e Avaliação de si como pai.

Mudanças, Impressões e Sentimentos frente à Paternidade. A subcategoria se refere às impressões e sentimentos dos pais sobre a sua experiência da paternidade, envolvendo os relatos dos pais sobre as mudanças vividas a partir do nascimento do filho em sua rotina, atitudes, vida conjugal, profissional e na relação com as famílias extensas.

No presente estudo, 95% dos pais referiram sentimentos positivos frente à paternidade tais como orgulho, realização, prazer, satisfação e felicidade: "Eu acho que [estou me sentindo] como todo pai pela primeira vez, todo bobo. Muito alegre. Eu levei uma foto dela para o consultório e para todo mundo eu mostro: 'olha essa é minha filha'" (P8). Três participantes acrescentaram sentir maior tranquilidade depois de tornarem-se pais. A vivência da paternidade foi destacada por cinco pais (13%) como a concretização de um desejo pessoal, enquanto para outro (P20), lhe trouxe a vontade de ser pai novamente: "Alegre, muito feliz, realizado! Não só como pai, mas com a família, como pai, principalmente, porque o meu sonho era ter um filho" (P27).

Muitos pais (42%) associaram, de modo explícito, a satisfação com a paternidade à vivência gratificante com o bebê, sendo que para onze deles isso estava ligado ao envolvimento nos cuidados e no dia-a-dia com o filho, que lhes permitia acompanhar o seu desenvolvimento: "Você ver a criança já se distraindo, aquela coisa pequenininha já cresceu uns quinze ou dezesseis centímetros e tal já está mais gordinha, já dá para brincar, já responde a gente. É muito bom mesmo" (P25). Para sete desses (18%), esta convivência prazerosa com o filho compensava as adaptações na vida familiar que a sua chegada exigiu e, até mesmo os motivava frente à sobrecarga de trabalho: "Às vezes a gente se obriga a deixar de fazer umas coisas que a gente fazia, mas tem este outro lado recompensador, é bem legal, ficar com ela, e a gente passeia, vai aos parques, às praças" (P31). A percepção do filho como extensão e continuidade sua também contribuiu para uma intensa realização e completude frente à paternidade, citada explicitamente por três pais:

Todos os homens deveriam, sempre que tivessem a possibilidade, serem pais. É algo que realiza muito. Até para o ego da gente é muito bom, mas pra mim essa parte de você concluir alguma coisa, vou deixar alguém... . Ela [a filha] vai ser parte de ti, vai carregar para sempre essa herança. (P25)

Cinco pais (13%) relataram vivenciar uma ligação muito forte com o filho e uma sintonia com ele desde os primeiros momentos, o que reforçava seu sentimento como pais: "É indescritível, porque tem uma sintonia, tem uma coisa muito forte, e nenhum dos dois [pai e filho] tem como avaliar essa relação ainda. Mas há uma troca muito grande" (P19). Outros quatro (10%) disseram sentir muita saudade do filho quando estavam fora de casa, enquanto dois pais (P23, P37) referiram ter ciúmes do filho com outras pessoas.

Vários pais (32%) apontaram sentimentos e percepções relativas ao momento de transição para a paternidade. Dois pais (P1, P35) referiram que a paternidade se concretizou para eles apenas após o nascimento do bebê, enquanto para outros dois (P15, P25), a sensação foi de incredulidade ao ver o bebê pela primeira vez: "Tu concretiza realmente o ser pai depois que ele nasce. Então depois que tu começa a ver as diferenças do que é ser pai na imaginação e ser pai na realidade... Tem muitos 'senões' na história" (P35). Seis pais (16%) enfatizaram que as primeiras semanas após o nascimento foram momentos de muita ansiedade e desgaste físico, em função da dedicação que o bebê exigiu e/ou da insegurança e nervosismo frente a aspectos como a alimentação, choro e cólicas:

O primeiro mês foi horrível, foi um inferno... . Muda totalmente, as coisas para fazer. Depois começa a melhorar... . Começa a regularizar, a criança chora menos, começa a ter mais horários, mas o primeiro mês é a pior coisa que existe. (P36)

A maioria dos pais (79%) mencionou mudanças relativas ao nascimento do filho, seja em sua rotina, na relação com outros familiares e com a esposa, em seus planos para o futuro ou em aspectos subjetivos, sem, necessariamente, salientar essas modificações como algo negativo ou difícil. Quanto à rotina, doze pais (31,5%) especificaram a adaptação em horários das atividades em casa e no trabalho, além da diminuição da frequência de atividades de lazer como passeios, viagens e festas:

Muda totalmente a vida da gente, não é mais a mesma coisa... . O jeito assim que a gente vivia, de outro modo, saia muito, posava fora, festa e baile. Agora não, a gente está mais caseiro, mais cuidando dela [a filha]. (P34)

Outros doze pais (31,5%) destacaram que cuidar do filho durante a noite modificava a qualidade do seu sono. A diminuição do tempo disponível para o trabalho ou outros interesses para atender o bebê e/ou ajudar a esposa foram apontadas por quatro pais (10%) como uma alteração importante na sua rotina: "Rouba muito tempo, agora eu queria fazer a seleção para especialização... . Tinha que refazer o currículo. Eu queria fazer enquanto ele [filho] tivesse dormindo, só que nos dias que eu queria fazer ele não dormia" (P10).

Mudanças quanto à relação com a esposa foram referidas por dez pais (26%). Seis participantes (16%) explicitaram que a chegada do filho havia diminuído a liberdade e o tempo para a relação conjugal, já que as atenções se voltavam para o bebê:

A gente se priva de muitas coisas, mas é uma consequência que a gente já sabia... . Eu acho que o momento entre eu e a M. [esposa]. Eu acho que a gente encurtou esse momento, de trocar uma ideia, de conversar. (P16)

Contudo, quatro pais (10%) afirmaram que a chegada do filho melhorou aspectos da relação conjugal, trazendo maior satisfação e carinho pela esposa, união e até a sensação de completude do casal: "A criança na vida de um casal complementa aquela armação que um casal tem... . A relação ficou mais quente, o amor ficou mais forte" (P21).

Por fim, seis pais (16%) destacaram o impacto do nascimento do filho em sua convivência e relações com os familiares, enfatizando diferentes situações. Para dois destes pais, essas modificações se deram ao longo do primeiro mês do filho, a fim de facilitar a adaptação aos cuidados com ele, sendo que uma família (P33) foi morar na casa da sogra e outra (P12) hospedou a sogra em sua casa. Outro pai (P15) pontuou sua irritação frente à interferência excessiva dos sogros no dia-a-dia da filha e da família: "[Sogros] querem vestir do jeito deles. Isso é que é chato, que está me estressando um monte. Eles não tem hora, eles vem aqui às seis horas da manhã, eles vem aqui meia noite, eles não tem limites" (P15). Por outro lado, um participante (P25) mencionou que o nascimento da filha consolidou a ideia de que o casal saísse da casa dos pais da esposa, enquanto outro (P21) afirmou que naqueles momentos iniciais da filha sentiu falta de ter parentes por perto para ajudar, pois as famílias extensas moravam em outros estados.

Muitos pais (34%) referiram que, somadas às mudanças associadas à paternidade, vivenciavam um sentimento de maior maturidade e responsabilidades com a família e/ou com o trabalho: "Eu estou me sentindo diferente, no trabalho eu achei que eu estou diferente, estou pensando mais que eu tenho uma família agora. Antes que eu tinha só a J. [esposa]" (P18). Ainda, dois pais manifestaram que a chegada das filhas mudara aspectos de sua personalidade como aprender a ser mais paciente (P17) ou mais emotivo (P35).

Porém, essa necessidade de readaptação em vários aspectos da vida envolvia, em alguns momentos, uma vivência cansativa, trabalhosa e difícil para muitos pais (45%), devido à grande dedicação ao filho, bem como pelas preocupações e dificuldades em atendê-lo, acalmá-lo, lidar com as cólicas e/ou doenças: "Tem coisas que eu não consigo, acalmar quando ela chora. Talvez também porque ela [a esposa] fique mais tempo com ela, a minha dificuldade maior é essa" (P32). Diante disso, alguns desses pais demonstraram irritação e nervosismo (13%), certa ambivalência (8%) e até mesmo uma sensação de impotência por não conseguir suprir as necessidades do filho da mesma maneira que a esposa (P19): "Mas é ruim realmente, quando ela chora, e daí a gente não consegue acalmar ela" (P9). Outros dois pais (P24, P27) se queixaram do pouco tempo com os filhos em função do trabalho, o que marcava a sua experiência.Seis pais (16%) disseram não sentir dificuldades diante da paternidade e outros três julgavam que os embaraços nos cuidados com o filho faziam parte de sua obrigação e que deviam estar disponíveis para atendê-lo: "Satisfação eu tenho sempre, não tem: 'não gosto de fazer mamadeira, de dar banho, de trocar fralda, de fazer dormir, porque não dorme'. Não, eu faço tudo normalmente, sem problema nenhum" (P26).

Apesar de citarem modificações em sua vida em outras partes da entrevista, quando perguntados de modo direto, quatro pais (10%) afirmaram que a paternidade não trouxera mudanças importantes, destacando a sua adaptação a paternidade:

Sem grandes diferenças, uma coisa assim: "ah, como mudou a minha vida!" Sabe isso eu não senti... . É uma coisa que é normal, que entrou na minha vida, de uma maneira tranquila, de uma maneira legal que não trouxe transtorno. (P15)

Por fim, ao relatar suas percepções sobre a paternidade, a grande maioria dos pais (79%) também utilizou suas expectativas anteriores ao nascimento do filho para avaliar sua experiência aos três meses de vida do bebê. Em particular, alguns pais (18%) afirmaram que a paternidade estava sendo menos trabalhosa do que imaginavam que seria, e para um pai (P8) vivida com menos preocupações: "Eu achava que eu ia estar mais perdido, que eu não ia saber lidar tão direitinho. A gente imagina que é mais complicado, que é muito difícil, todo mundo fala que criar filho é muito difícil" (P28). Sete pais (18%) também enfatizaram a superação positiva de suas expectativas quanto à paternidade, enquanto para outros (16%) a paternidade corroborava suas expectativas anteriores, seja de satisfação, de dificuldades ou mudanças na rotina:

Depois que nasce o amor é tão grande, tão diferente que não cabe dentro da gente, é muito bom... . Tu tem ideia quando está gerando, ali dentro, mas depois que vem é muito melhor... . Na gravidez tu sabes que ele está ali, mas tu não podes tocar, tu não podes pegar, ele não ri para ti. (P1)

Cinco pais (13%) destacaram que a paternidade diferia, em algum ponto, de suas experiências com outros bebês e/ou da criação de filhos por outras famílias. Apenas um pai (P10) verbalizou que a paternidade estava sendo mais difícil do que imaginara devido aos cuidados do filho: "Eu achei que ia ser mais fácil, que eu ia ser mais paciente. Às vezes eu me vejo bem estressado, eu quero fazer alguma coisa e o cara [filho] não deixa" (P10). Outros três pais projetaram expectativas quanto à paternidade no futuro, seja quanto a ter uma boa relação com o filho (P11, P14), seja em lhe dar boa educação e carinho (P37).

Avaliação de Si como Pai. A categoria incluiu verbalizações dos participantes (97%) sobre a avaliação do seu desempenho como pais. Quase todos os participantes (87%) consideraram seu próprio desempenho de forma muito positiva, levando em conta uma diversidade de aspectos tais como: por estar presente e participar dos cuidados (55%), pelas suas manifestações de atenção, carinho e proteção ao filho (47%), em função do orgulho que sentiam dele (27%), e ainda por conversar e brincar com ele (10%), como pode ser visto nos seguintes relatos: "Sou um pai bobalhão. Eu quero é me aparecer, gosto de pegar ele [o filho] e mostrar: 'Olha esse aqui é o meu filho'" (P1); "Eu acho que eu sou participativo... . Não cem por cento, mas acho que estou acima da média" (P32). Treze pais (34%) sublinharam se considerar bons pais por se preocuparem com a educação do filho ou porque buscavam suprir as necessidades da família. Dois pais (P27, P33) relataram que, logo após o parto, sua participação foi mais intensa e outro (P5) referiu apenas auxiliar ocasionalmente.

Ao buscarem se definir no papel de pais, os participantes revelaram sentimentos de bem-estar, satisfação por estarem sendo bons pais (55%), tranquilidade (10%) e segurança (8%), sendo que dois deles (P9, P37) sentiam-se completamente envolvidos pelo filho, como no exemplo a seguir:

Dou bastante atenção, converso, dou todo o suporte material que precisa. Eu também me sinto responsável para dar, sempre fazer de tudo para que não falte nada e o afetivo. Também não é uma coisa de dar, é dar e receber, é uma troca. (P9).

Além disso, cinco pais relataram que se esforçavam para atender o filho o melhor possível e para atingir o seu ideal de paternidade: "Eu me esforço para atender o melhor possível, e daí nesse atendimento não falo só trocar fralda... . Mas assim de ter paciência, de dar atenção que ele [o filho] precisa" (P10). Outros três pais enfatizaram que sua boa avaliação como pais incluía o seu apoio nas tarefas domésticas e/ou com o filho.

Alguns pais (24%) demonstraram que o nervosismo, a inexperiência e a falta de paciência diante de algumas situações tais como a troca de fraldas, vestir o filho, acalmá-lo e fazê-lo dormir, se refletiam na avaliação que faziam de si mesmos como pais:

A dificuldade maior agora é do choro dela que me deixa nervoso... . Ninguém pode me dizer que não fica nervoso, que não dá vontade de pegar a cabeça e afogar no vaso, mas tem que se controlar. (P37)

Contudo, esses pais pareciam se apoiar em exemplos e crenças quanto à paternidade a partir das quais essas dificuldades eram aceitas e até esperadas, colocando-as como normais e permitindo que delegassem tarefas à esposa:

As fraldas eu já tentei, mas eu não me dei bem, porque é complicado e demora muito... . A mulher ela pega e parece que é a coisa mais fácil do mundo, o homem não tem nem jeito. (P1)

Sete pais (18%) ainda apontaram que sua convivência e participação nos cuidados do filho ficavam restritas devido às demandas de trabalho. Porém, para quatro desses pais estas dificuldades não dirimiam a percepção positiva quanto ao seu desempenho, pois procuravam priorizar o filho e dedicar-se a ele quando estavam juntos: "Gostaria de estar todo tempo possível. Mas dentro do período que eu posso estar com ela [filha], eu acho que tenho sido um bom pai" (P25). Já para outros dois (P16, P17), o pouco tempo com o filho parecia dificultar que se descrevessem como pais, enquanto outro (P24) considerava-se ausente: "Não sei te dizer, me avaliar mesmo, eu não saberia... . O tempo que eu tenho com a família é muito pouco" (P17).

Comparando seu desempenho atual com as suas expectativas prévias, cinco pais (13%) destacaram que a sua participação nos cuidados superou positivamente o que imaginaram. Estas expectativas referiam-se tanto a ser mais preocupado e ansioso, quanto a envolver-se menos nos cuidados do filho:

Eu imaginava que eu ia ser até um pai meio omisso no início, porque eu achei que ela [a filha] sendo meio mole, logo que nasce, eu não ia querer. Achava que eu ia deixar a J. [esposa] cuidar dela. E eu estou bem bobo, estou cuidando bastante e estou gostando. (P18)

Por fim, dois pais (P5, P29) esperavam envolverem-se mais nos cuidados em breve e outro (P12) considerava que seu desempenho estava dentro da sua expectativa.

Convivendo com o Filho e a Paternidade

Essa categoria diz respeito às percepções e sentimentos dos pais sobre o desenvolvimento físico, emocional, habilidades e características físicas e de temperamento do filho que, na sua visão, influenciavam a sua experiência como pais. A maioria dos pais (63%) descreveu aspectos do crescimento físico e cognitivo do filho aos três meses de vida que acreditavam possibilitar uma maior interação com ele. Dentre as habilidades do bebê referidas pelos participantes salientaram-se o maior tempo que a criança ficava acordada, a presença de sorriso direcionado, o maior tônus muscular, acompanhar os pais com o olhar e o balbucio:

Agora tu sente que ele [filho] está interagindo com a gente. Tinha horas que eu estava brincando com ele e ele ficava parado me olhando... Agora ele larga um sorriso, ele mexe a mão, ai tu vê: "oh, está tendo a relação mesmo". (P35)

Em especial, um pai (P29) percebia que o filho irritava-se por não conseguir emitir sons e pegar os objetos, por exemplo, interrompendo a sequência de interações para acalmá-lo.

A maioria dos pais (63%) manifestou entusiasmo e satisfação diante das aquisições do bebê, pois traziam a eles a sensação de que estavam conseguindo comunicar-se com o filho e de que eram reconhecidos por ele: "Ela [filha] me dá um sorrisão, vê na hora que sou eu. Poxa, com três meses só, imagina depois" (P18). Quatro destes pais mencionaram ter uma expectativa de que bebês, em geral, tivessem um desenvolvimento mais lento do que estavam observando no filho: "Eu tinha uma consciência de ser um pouquinho mais apática, mais dorminhoca, mas pelo contrário, ela gosta de ficar bastante acordada" (P17). Mesmo percebendo aquisições do filho, outros desses pais (P35) achava que não tinha muito como interagir com ele, além de estar junto e prestar cuidados. Ademais, para sete participantes (18%) a boa saúde do filho lhe trazia satisfação com a paternidade.

Também a maioria dos participantes (66%) identificava semelhanças e/ou diferenças entre suas próprias características físicas e de personalidade e as do filho sendo que, para alguns, isso influenciava sua interação com ele. Diante das semelhanças com o filho, vários pais (31,5%) manifestaram orgulho e satisfação, vendo o bebê como um reflexo seu, uma parte sua ou herança que será deixada no mundo: "Eu me sinto orgulhoso [de o filho ser semelhante a ele]... . Eu sou canhoto, a minha falecida avó era canhota, então se ele for canhoto eu ficaria mais orgulhoso ainda" (P7). Quanto às diferenças com o filho, cinco pais (13%) destacaram que características peculiares dele o personificava como alguém singular:

As pessoas, logo quando veem a J. [filha] dizem "ah, é parecido com um ou com o outro". Mas eu não consigo achar. Também nem quero que... ah, que ela seja parecida comigo ou que seja parecida com a mãe. Tem que deixar o espaço dela. (P9)

Outro pai (P13) disse ter se surpreendido positivamente porque a filha era parecida com ele, pois achava que um menino teria mais semelhanças.

Aspectos do temperamento do filho e características emocionais que influenciavam na relação pai-bebê também foram citados pela maioria dos pais (66%). O temperamento fácil do filho foi ressaltado por muitos pais (37%) como um facilitador da relação e somava maior satisfação à vivência da paternidade: "Eu acho que ele [filho] é super legal, tranquilo, acho que ele é calmo... . Ele passa isso ... de estar gostando de estar com a gente. É bem legal!" (P35). Nessa direção, cinco pais (13%) achavam que os filhos exigiam menos atenção do que tinham imaginado.

Nove pais (27%) avaliaram aspectos do temperamento do filho que influenciaram nos cuidados e na interação com ele: "Ela [filha] é braba, é geniosa. Ela é calminha, mas as coisas tem que estar como ela gosta, como ela quer, porque se não a coisa desanda" (P15). Três pais referiram apenas características de temperamento que dificultavam a interação e o cuidado: "Às vezes ele [filho] fica bravo e não tem o que faça ele parar. Por exemplo, ele chorou para teta e tu demorou a dar, ele começa a berrar e berrar" (P7). Ainda dois pais (P10, P37) enfatizaram que o sexo do bebê ter correspondido as suas preferências também contribuiu para a relação com o filho.

Convivendo com a Esposa e a Paternidade

Nesta categoria se buscou contemplar os relatos dos pais (81,5%) sobre atitudes e comportamentos da esposa que influenciavam na sua experiência de paternidade. Dez pais (26%) referiram que as esposas os incentivavam, auxiliavam e/ou alertavam sobre cuidados necessários nas tarefas nas quais eles sentiam dificuldades, como fazer dormir, dar de comer, dar o banho, trocar de roupa ou acalmar o filho. Conforme esses pais, a ajuda das esposas consistiu em dar dicas e instruções, fazer recomendações (13%), estimular e compartilhar a realização de atividades (10,5%) e/ou servir como modelo para a realização de determinada tarefa com o bebê (P7). Para quatro desses pais, atitudes de incentivo e sem críticas das esposas, os ajudava a se sentirem mais seguros e a se envolverem nos cuidados do filho: "Ela [esposa] estava me incentivando bastante para mim aprender, quando ela vai botar roupa ela me chama para mim ver, porque é a única coisa que eu não consigo me sentir seguro" (P7). Por outro lado, dois desses pais (P7, P38) relataram que as esposas lhe repreendiam sobre a necessidade de uma rotina para que os filhos dormissem, demonstrando desaprovação com o fato de o pai "agitar" a criança.

Seis pais (16%) afirmaram que as esposas manifestaram satisfação com o desempenho deles, valorizando sua participação nos cuidados: "Ela [esposa] disse que eu estou ultrapassando as expectativas dela em relação às atenções que eu dispenso para a I. [filha]" (P8). Em particular, um dos pais (P1) mencionou o reconhecimento da esposa por ter participado no momento da vacina e outro (P14) disse que a esposa aprovava suas brincadeiras com o filho, observando que este as apreciava. Apesar da avaliação positiva da esposa, outro participante (P9) preocupava-se com a maior responsabilidade dela com a filha e expressou que desejava ajudar mais e estar mais presente.

A divisão de tarefas nos cuidados com o filho entre o casal foi mencionado por seis pais (16%) como algo que favorecia sua participação em determinadas atividades: "Ela [esposa] me solicita mais na área dos mamás... . A gente se divide bastante nisso. Eu ajudo ela quando ela está cansada, às vezes eu ponho a L. para dormir" (P31). Outros três pais consideravam que a participação nos cuidados da criança era parte de sua obrigação como pais e encaravam com naturalidade as solicitações da esposa.

Nove participantes (24%) mencionaram que suas esposas exigiam, de modo explícito, uma maior participação nos cuidados com os filhos, criticando sua ausência ou omissão e alegando que se sentiam sobrecarregadas. Quatro deles (10,5%) salientaram que as esposas lhe solicitavam de modo mais diretivo, impondo-lhe a realização de atividades como, por exemplo, colocando o filho no seu colo:

Quando eu chego do serviço, ela [esposa] já vem me dando ele [filho]. Eu caminho um monte, quando eu chego em casa, eu quero me deitar, tomar banho e aí a L. [esposa] chega para mim e entrega ele. Ela diz: "Eu não tomei banho, não consigo fazer nada". (P1)

Em particular um pai (P38), verbalizou se sentir obrigado a atender o filho durante a noite já que a esposa não se acordava, enquanto outro (P4) revelou que, embora a esposa manifestasse insatisfação com o pouco cuidado que ele provia ao filho, quando ele estava com a criança, ela interferia:

Às vezes, quando ela está muito cansada, ela fala que eu não estou ajudando muito... . "Pois é, mas quando eu estou cuidando dele, tu chega e vem"... . Outra hora, ela queria que eu pegasse, daí eu fico esperando que ela me dê o nenê, daí eu fico esperando, brincando ali e não pego. Daí ela fala: "Tu só quer brincar, não quer cuidar!". (P4)

Um pai (P13) referiu que a esposa tinha ciúmes do envolvimento dele com a filha e oscilava entre solicitar o bebê ou reforçar a convivência pai-bebê.

Ainda quanto ao pouco tempo dos pais com os filhos, cinco pais (13%) acreditavam que as esposas os avaliavam pouco presentes, mesmo sem expressar isso de modo direto. Três destes pais entendiam que as esposas não os cobravam mais tempo ou participação nos cuidados já que a maior dedicação do marido ao trabalho era algo acordado entre o casal:

Não sei se ela [esposa] me vê assim tão participativo, até porque eu não tenho tanto tempo para ajudar como deveria... . Um está dando espaço para o outro, e eu estou aproveitando muito bem esse espaço que ela abriu pra mim para eu poder estudar e progredir, ganhar um pouco melhor do que eu ganho. (P21)

Um participante (P25) afirmou que o casal conversava muito sobre a filha e que a esposa lhe deixava informado sobre a rotina dela, o que fazia com que se sentisse presente no seu dia-a-dia mesmo de forma indireta.Em função do pouco tempo, outro pai (P27) destacou ser difícil participar das tarefas com o filho, uma vez que a esposa realizava todas as tarefas antes da sua chegada.

Cinco pais (13%) utilizaram suas impressões sobre as esposas como mães no sentido de se compararem a elas e avaliarem sua relação com os filhos, seu desempenho e até mesmo suas diferenças como pais. Em geral, as diferenças percebidas por esses pais se associaram com a maior proximidade e intimidade mãe-filho devido à amamentação e ao maior tempo da mãe com o bebê durante estes períodos iniciais: "[A esposa está se saindo] dez vezes melhor que eu... . E eu não tenho esse dia-a-dia para conhecer mais ela [filha]. E a M. [esposa] ela já está com uma prática" (P16). Outros seis pais (16%) pareciam considerar que as esposas tinham um conhecimento maior sobre bebês e sobre o filho, tendo, portanto, mais facilidade de lidar com a criança do que eles, cujas opiniões tendiam a ficar em segundo plano: "Eu pergunto para ela [a esposa], que ela sabe, de repente ela sabe mais do que a mãe [sogra], de repente ela sabe mais do que eu a respeito dele [filho], da saúde" (P7). Em especial, um pai (P13) verbalizou que a esposa não aceitava muito bem suas opiniões sobre a amamentação da filha, momento que ele considerava exigir grande tranquilidade, o que nem sempre era correspondido pela esposa. Já outro (P14) se sentia preterido quando a esposa buscava o auxílio de sua mãe. Por fim, dois pais (P30, P38) revelaram que as esposas desconsideravam de modo explícito algumas de suas opiniões sobre os cuidados do filho: "Ela [esposa] falou que passa mais tempo com ele [filho], eu falo alguma coisa e ela: 'Ah, mas tu não tava aqui!'. A gente acaba brigando, discutindo!" (P38).

Modelos Parentais e a Paternidade

Essa categoria refere-se aos relatos dos pais sobre os modelos que os influenciavam na paternidade, em particular no desempenho das atividades de cuidados com o filho e na criação que gostariam de dar a ele/a. Embora a entrevista utilizada não tenha abordado, de modo direto, os modelos de paternidade e maternidade dos próprios pais, alguns deles (21%) fizeram menção a esses aspectos na entrevista e, devido a sua relevância, foram agrupados em uma categoria.

Três participantes revelaram que percebiam diferenças no papel do pai na sua família de origem sendo que, na sua visão, atualmente, os novos pais participavam e se envolviam mais nos cuidados com os filhos. Eles consideravam que antigamente, na sua própria família, o papel do pai ficava restrito ao sustento da família. Em particular, dois participantes (P25, P37) mencionaram que sentiram falta de um maior envolvimento dos seus pais na sua criação, ainda que tenham tido vivências positivas com eles e, por isso, procuravam participar mais como pais:

Eu tenho procurado sempre participar, o meu pai de certa forma foi um bom pai e ele não foi tão participativo, pelo menos não me lembro de uma forma muito marcante. Ele mais garantia a nossa subsistência, trabalhava. Eu, particularmente, sentia muito essa falta. (P25)

Dois pais (P3, P7) valorizaram os exemplos recebidos de seus próprios pais, referindo a vontade de repetir aspectos positivos na criação dos seus filhos: "Eu vou tentar passar o melhor para ela [filha]. O que eu aprendi com meus pais, tentar passar o melhor para ela" (P3). Outro participante (P38) relatou que o fato de estar morando junto com seus pais facilitava o aprendizado de como cuidar do filho, valorizando os ensinamentos das avós. Por outro lado, um pai (P4) parecia temer que a ajuda e os conselhos da própria mãe e de outras pessoas quanto aos cuidados com o filho interferissem na construção do modelo de pais que ele e a esposa gostariam de seguir. Por fim, um pai (P5) relembrou falhas na relação com os próprios pais, parecendo buscar uma reparação disso com sua filha: "Ninguém nunca me cobrou, nem pai e mãe: 'Por que tu deixou de estudar?' ... Ela [filha] vai ter essa chance, vai poder escolher, eu acho que eu vou poder dar um estudo para ela" (P5).

 

Discussão

Em conjunto, o relato dos pais evidenciou que a experiência da paternidade aos três meses do primeiro filho é repleta de sentimentos positivos e satisfação. Essa vivência foi acompanhada de mudanças em vários aspectos da vida dos pais, com destaque para aquelas referentes à relação conjugal e familiar, bem como ao trabalho, como aponta a literatura (Genesoni & Tallandini, 2009; Nystrom & Ohrling, 2004). Todavia, mais do que a reestruturação de sua rotina, a paternidade parece ter abrangido uma importante alteração nos investimentos afetivos dos pais, sendo que o filho passou a ocupar lugar privilegiado para eles (Ahlborg & Strandmark, 2001).

As primeiras semanas após o parto parecem ter exigido grande adaptação e dedicação ao bebê, trazendo sobrecargas para vários pais. Para alguns deles, uma vivência um tanto abrupta do parto e do encontro com o filho e suas exigências, sublinhou as peculiaridades deste momento de transição para os pais, uma vez que é com a presença física do bebê após o nascimento que a paternidade parece se instaurar de modo mais evidente (Genesoni & Tallandini, 2009). Ademais, alguns pais apontaram dificuldades no dia-a-dia com os filhos quando tiveram que lidar com o choro do bebê, as cólicas e ao fazê-lo dormir, por exemplo. Diante disso, alguns participantes manifestaram sentimentos ambivalentes, revelando que a paternidade pode ser cansativa e cercada de novas exigências e preocupações, corroborando outros estudos (Barclay & Lupton, 1999; Premberg et al., 2008). Porém, esses pais pareciam ter suas dificuldades amparadas por crenças e modelos que encaram o comportamento paterno como desajeitado e impaciente. Por outro lado, pensa-se que ambivalências e dificuldades são aspectos inerentes aos relacionamentos e que, no contexto das relações pais-bebê a percepção destas se constitui em elementos importantes aos abrir espaços para a singularidade da criança e para sua trajetória rumo à independência.

Os resultados revelaram que predominou a satisfação com a paternidade, sendo que a alegria com o filho parecia compensar o cansaço, problemas e renúncias, como outros autores constataram (Krob et al., 2009; Silva & Piccinini, 2007). É plausível pensar que os pais buscassem equilibrar ganhos e perdas após o nascimento do filho, ao mesmo tempo em que redimensionavam sua vida afetiva para incluir o bebê. Quase todos os pais avaliaram-se positivamente, acreditando serem bons pais, carinhosos e participativos. Porém, alguns tinham críticas sobre sua participação nos cuidados e no dia-a-dia dos filhos, principalmente em razão das demandas do trabalho, o que trazia desconforto a eles e fazia com que se sentissem distantes do seu ideal de paternidade.

Por outro lado, pode-se pensar que, no geral, os pais tendem a idealizar e superestimar seu envolvimento na rotina do filho, indicando discordâncias entre mães e pais sobre o comportamento paterno (Prado, Piovanotti, & Vieira, 2007). Futuros estudos poderiam investigar os relatos de mães e pais de modo conjunto, identificando diferentes perspectivas sobre o envolvimento dos pais.

Evidenciou-se ainda que as impressões positivas sobre a paternidade se associavam à gratificação trazida pelo filho, em especial quando os pais acreditavam que ele já mostrava certa intencionalidade nas interações, respondendo, segundo eles, de modo ativo as suas provocações. Na verdade, as novas aquisições do bebê que vão ocorrendo desde os primeiros meses de vida do bebê tendem a facilitar a constituição do vínculo pai-bebê (Brazelton et al., 1987). Para vários pais do estudo, a sensação de que o bebê os reconhecia e/ou lhes respondia reforçava seu sentimento de ligação e sintonia com o filho. Em consonância com esses achados, entende-se que o funcionamento paterno, já logo após o parto, demonstra particularidades relacionadas a um apaixonamento e grande atenção ao filho (Greenberg & Morris, 1974). Acredita-se que esse estado inicial do pai vai sendo reforçado pelas reações normais e cada vez mais intencionais do bebê ao longo dos primeiros meses num verdadeiro trabalho de sustentação do processo de parentalidade.

De modo similar, as semelhanças e/ou ainda as peculiaridades físicas e de temperamento demonstradas pelos filhos também influenciavam não apenas a interação pai-filho, mas também seus sentimentos como pais na medida em que o filho era visto como um reflexo seu ou portador do seu legado. Nesse sentido, a elevação da autoestima e a grande satisfação dos pais com a paternidade pode se associar a noção de acréscimo narcísico descrita na literatura como parte da alteração de investimentos afetivos promovida pela parentalidade, quando o filho tende a concentrar toda a perfeição do eu (Raphael-Leff, 1997). Muitos pais percebiam seus bebês como tendo temperamentos fáceis, o que, por sua vez, é considerado um elemento facilitador da interação pai-bebê e para a constituição do vínculo (Todd & Dixon, 2010). Apontamos ainda que os pais do presente estudo pareciam associar as dificuldades nos cuidados do bebê mais a sua própria inexperiência do que as características dos filhos, privilegiando os aspectos positivos destes.

Outros fatores que influenciavam a experiência dos participantes como pais foram as atitudes e comportamentos da esposa e aspectos da relação conjugal. Por um lado, alguns referiram ter o apoio e o incentivo das esposas para o desempenho de atividades de cuidado com o filho, sendo que estas abriam espaços e/ou valorizavam a participação dos maridos. A existência de uma clara divisão de tarefas entre os membros do casal parecia fazer com que estes pais se sentissem mais presentes e importantes na rotina do filho, mesmo que a carga de trabalho não lhes permitisse sempre uma participação direta. Por outro lado, outros pais sentiam-se cobrados pelas esposas, que criticavam o seu pouco envolvimento nos cuidados com o filho ou, que manifestavam ambivalência, ora exigindo mais participação, ora fazendo questão de encarregar-se do filho sem a ajuda do pai, até mesmo dificultando que isso acontecesse ou desaprovando comportamentos do pai. Diante desses achados, ficou sublinhada a influência da qualidade da relação do casal e o apoio mútuo dos pais de modo a facilitar e/ou a dificultar uma vivência mais positiva da paternidade, já evidenciada na literatura (Braz, Dessen, & Silva, 2005). Nesse cenário, algumas mães podem assumir uma posição de "guardas do portão" (Allen & Hawkins, 1999) na tentativa de preservar uma relação privilegiada com o filho, o que contribui para sentimentos de exclusão nos pais.

Para além das atitudes e dificuldades relacionadas às mães e ao casal, as impressões dos pais sobre a esposa como mãe também interferiram na experiência da paternidade. Como encontrado em outras pesquisas, alguns pais do presente estudo tenderam a se avaliar como em desvantagem com os filhos quando comparados à intimidade da relação mãe-bebê, seja em função da amamentação no seio, seja pelo maior tempo da companheira com ele (Barclay & Lupton, 1999; Premberg et al., 2008). Pensa-se que, em alguns casos, o saber sobre o cuidado de bebês parece permanecer associado ao universo feminino o que pode gerar frustração em alguns pais.

Apesar disso, predominaram a satisfação com a paternidade, o desejo de participação e a valorização da sua presença na vida dos filhos, o que indica uma tendência dentre esses pais a conformar-se ao novo ideal de paternidade (Bornholdt et al., 2007; Piccinini et al., 2004). Chamou a atenção a pouca referência dos participantes à provisão financeira da família como parte de sua experiência como pais, enquanto muitos enfatizaram as restrições que a carga de trabalho impunha ao seu contato diário com os filhos. Sobre isso, destaca-se a alta participação de pais com elevados níveis de escolaridade e status ocupacional no presente estudo. É possível que pais de menor nível socioeconômico tendam a refletir padrões mais tradicionais de paternidade, devido a configurações familiares em que a mulher é dona de casa e mãe, às necessidades financeiras destas famílias e suas crenças (Freitas et al., 2009). Ainda, pontua-se o viés da amostra como outra limitação do estudo, uma vez que as famílias são acompanhadas em um projeto longitudinal o que pode se constituir em um ponto de apoio importante quanto à parentalidade.

Foi possível perceber que o discurso sobre o novo pai, que participa do cuidado do filho e envolve-se mais afetivamente, está presente e atuante no imaginário dos pais que buscam reavaliar sua experiência com os seus pais para balizar a sua própria paternidade. É plausível argumentar que a experiência subjetiva desses pais reflete dilemas e transformações quanto a essa nova concepção de paternidade. O novo pai parece acolher, satisfeito, o discurso de uma maior participação na vida dos filhos. Ele parece ainda mais livre da obrigação de arcar sozinho com o sustento financeiro da família, participa voluntariamente dos cuidados e da divisão de tarefas domésticas, situações que podem estar sendo impulsionadas pelo trabalho das mulheres. Ao vislumbrar a experiência dos pais por meio dessa pesquisa, percebe-se que eles estão longe de forjar-se como simulacros das mães. Mesmo sem contar com modelos compatíveis com a nova configuração de sua experiência, os pais parecem valer-se da presença cada vez menos ostensiva de figuras femininas (avós, por exemplo) nas relações pais-bebê para construir sua experiência com base no deleite de uma relação positiva com o filho. A partir dessas reflexões, salienta-se as novas possibilidades que a relação pai-bebê apresenta para a proteção e promoção do desenvolvimento infantil, as quais precisam ser reconhecidas e potencializadas por todos os profissionais que atuam junto com essas famílias.

 

Referências

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Endereço para correspondência:
Tonantzin Ribeiro Gonçalves
Rua Ramiro Barcelos, 2600, Terreo
Porto Alegre, RS, Brasil 90035-003
E-mail: tonanrib@yahoo.com.br

Recebido: 11/07/2011
1ª revisão: 04/04/2012
2ª revisão: 02/07/2012
3ª revisão: 23/07/2012
4ª revisão: 24/07/2012
Aceite final: 26/07/2012

 

 

Agradecemos ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pelo apoio financeiro concedido para realização do presente estudo.

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