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Revista Paulista de Pediatria

Print version ISSN 0103-0582On-line version ISSN 1984-0462

Rev. paul. pediatr. vol.38  São Paulo  2020  Epub Mar 20, 2020

https://doi.org/10.1590/1984-0462/2020/38/2019080 

ARTIGO ORIGINAL

EXCESSO DE PESO E SINTOMAS GASTRINTESTINAIS EM UM GRUPO DE CRIANÇAS AUTISTAS

Dayane Verissimo da Silvaa  * 
http://orcid.org/0000-0003-4163-7772

Poliana Novais Moreira Santosa 
http://orcid.org/0000-0002-2591-252X

Danielle Alice Vieira da Silvab 
http://orcid.org/0000-0002-5180-2607

aCentro Universitário Tiradentes, Maceió, AL, Brasil.

bUniversidade Federal de Alagoas, Maceió, AL, Brasil.


RESUMO

Objetivo:

Avaliar o estado nutricional e a presença de alterações gastrintestinais em crianças com transtorno do espectro autista.

Métodos:

Estudo transversal, descritivo, composto por 39 crianças autistas com idades entre três e dez anos, cadastradas na associação participante. O estado nutricional foi analisado a partir do índice de massa corporal/idade e do peso/idade, tendo como referências as curvas da Organização Mundial da Saúde. Para investigação das alterações gastrintestinais, o entrevistado respondeu sobre a presença de alterações nos últimos 30 dias. Na avaliação do consumo alimentar foi aplicado um recordatório de 24 horas e os alimentos listados foram categorizados em: fontes de glúten, fontes de caseína e ultraprocessados. A análise estatística utilizou o software Epi-Info, versão 7.2. Foi realizada a análise de regressão logística multivariada para avaliar os fatores associados às alterações gastrintestinais.

Resultados:

Observou-se alta prevalência de excesso de peso nas crianças com transtorno do espectro autista (64,1%), não sendo registrada nenhuma criança com déficit de peso. Um total de 34 crianças (84,2%) apresentava alterações gastrintestinais. O consumo de glúten esteve associado às manifestações gastrintestinais (β=0,38; IC95% 0,07-0,75; p=0,02).

Conclusões:

A elevada prevalência do excesso de peso deve ser tratada com maior atenção em crianças com transtorno do espectro autista. Foi observada a influência do consumo de glúten no aparecimento das alterações gastrintestinais, sendo necessário que as causas envolvidas nessas alterações sejam mais bem investigadas.

Palavras-chave: Transtorno autístico; Estado nutricional; Obesidade; Disbiose

ABSTRACT

Objective:

To evaluate the nutritional status and gastrointestinal changes in children with autism spectrum disorder (ASD).

Methods:

Cross-sectional, descriptive analysis of 39 children with ASD aged between three and ten years old, registered in the participating association. Nutritional status was evaluated by body mass index/age and weight/age, according to the guidelines from the World Health Organization. In order to investigate whether gastrointestinal alterations occurred, the interviewees answered a questionnaire about the presence of these symptoms within the last 30 days. In order to evaluate food consumption, a 24-hour recall questionnaire was applied and the food reported were grouped as: gluten sources, casein and ultra-processed sources. For the statistical analysis, Epi-Info software version 7.2 was used. Multivariate logistic regression analysis was performed to evaluate the variables associated with gastrointestinal alterations.

Results:

There was a high prevalence of overweight children with autism spectrum disorder (64.1%). No child was underweight. Thirty-four children (84.2%) had gastrointestinal symptoms. Consumption of gluten was associated with gastrointestinal symptoms (β=0.38; 95%CI 0.07-0.75; p=0.02).

Conclusions:

The high prevalence of being overweight should be considered during the follow-up visits of children with ASD. The influence of gluten consumption on the presence of gastrointestinal symptoms was observed in this study, and the causes involved in these alterations need to be further investigated.

Keywords: Autistic disorder; Nutritional status; Obesity; Dysbiosis

INTRODUÇÃO

O autismo é um transtorno global do desenvolvimento (também chamado de transtorno do espectro autista - TEA) e caracteriza-se por déficits persistentes na comunicação social, seja linguagem verbal e/ou não verbal, e em habilidades para desenvolver, manter e compreender relacionamentos. Além dos déficits na comunicação social, os portadores apresentam comportamento estereotipado, repetitivo, com gama restrita de interesses. As causas do TEA ainda não estão claramente identificadas, sendo complexa a compreensão de sua fisiopatologia.1

A prevalência do TEA tem tido um grande incremento nos últimos anos, chegando à escala de uma epidemia mundial, porém nenhuma causa central foi definida e as intervenções aplicadas ainda demandam mais estudos para confirmar sua eficácia.2 No Brasil, não há nenhuma pesquisa sobre a prevalência do transtorno em escala nacional, entretanto, segundo dados do Center of Disease Control and Prevention (CDC), existe hoje um caso de autismo a cada 110 pessoas. Dessa forma, estima-se que no Brasil, com seus 200 milhões de habitantes, existam cerca de dois milhões de autistas.3

Apesar da etiopatogenia complexa desse agravo, a literatura atual já elenca de forma bem consolidada que seu desenvolvimento está ligado a uma série de fatores genéticos, metabólicos e ambientais que, ao se conectarem, tornam-se uma espécie de gatilho desencadeador do agravo.4,5 Dentre os fatores envolvidos na gênese do TEA, algumas variáveis nutricionais têm sido estudadas, como deficiência de vitamina D e disbiose intestinal.5,6,7

Embora não esteja incluso no conjunto de alterações comportamentais características do autismo, manifestações inadequadas relacionadas direta ou indiretamente com a alimentação também estão presentes em 30 a 90% dos casos, sendo as mais comuns a seletividade alimentar e as alterações gastrintestinais (constipação, diarreia, dor abdominal, doença inflamatória intestinal, doença celíaca, intolerância alimentar).6,8

Diante das diversas alterações já citadas, o público acometido por TEA sofre grande risco de desenvolver agravos nutricionais, tanto déficits quanto excesso de peso, o que acarreta maior prejuízo à saúde de indivíduos já espoliados com tantas alterações.8,9 Dessa forma, o presente estudo teve como objetivo avaliar o estado nutricional e a presença de alterações gastrintestinais em crianças autistas assistidas por uma associação de apoio no município de Maceió, Alagoas.

MÉTODO

Estudo transversal descritivo, conduzido com crianças entre três e dez anos de idade, portadoras de TEA, cadastradas em uma associação de apoio a autistas em Maceió, Alagoas.

A instituição oferece assistência a 140 crianças e adolescentes, dos quais 49 estavam na faixa etária elegível. Foram excluídas dez crianças que apresentavam autismo secundário a anomalias congênitas e síndromes genéticas, tais como síndrome de Down, distrofia muscular e esclerose tuberosa, por causa da conhecida associação desses diagnósticos com alterações gastrintestinais, sendo a amostra final composta por 39 crianças.

A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário Tiradentes sob o parecer consubstanciado nº 2.785.018 e a coleta de dados ocorreu em 2018, por pesquisadores previamente treinados, após assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido por parte dos responsáveis legais das crianças.

A entrevista ocorreu em um local reservado para manter a integridade e evitar a exposição do paciente, sendo aplicado um questionário semiestruturado, contendo dados de identificação, socioeconômicos, antecedentes perinatais, clínicos e nutricionais e dados antropométricos. Para avaliação das alterações gastrintestinais, o entrevistado respondeu sobre a presença de diarreia, constipação, distensão abdominal, gases, náuseas, vômitos e refluxo gastroesofágico nos últimos 30 dias que antecederam a pesquisa. Na avaliação do consumo alimentar foi aplicado um recordatório de 24 horas e os alimentos listados foram categorizados em: fontes de glúten, fontes de caseína e ultraprocessados, podendo um mesmo alimento ser alocado em mais de uma categoria.

A avaliação antropométrica foi realizada pela aferição de medidas do peso corporal, por meio da balança digital, com o voluntário vestindo roupas leves e descalço, posicionado no centro da plataforma da balança. A estatura foi obtida por meio do estadiômetro portátil, estando o voluntário em posição ereta, braços estendidos ao longo do corpo, pés unidos e descalços. Foi calculado o índice de massa corpórea/idade (IMC/idade) e peso/idade, para diagnosticar o excesso de peso. A classificação do estado nutricional foi expressa em escores Z, adotando-se os pontos de corte estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS).10 Para o IMC/idade, adotaram-se os seguintes pontos de corte para categorização dos resultados: déficit de peso, ≤-2 escores Z; peso adequado, >-2 a <1 escores Z; excesso de peso, aqui representado pelo somatório de sobrepeso e obesidade, com valor ≥1 escore Z. Para o índice peso/idade foram consideradas com déficit de peso as crianças com ≥-3 a <-2 escores Z; peso adequado ≥-2 a <2 escores Z; excesso de peso: ≥+2 escores Z. A transformação dos valores antropométricos (estatura/altura e peso) em escores Z dos índices avaliados foi efetuada por meio do programa Anthro-2007 (WHO Antro-2007, Genebra, Suíça). O conjunto de curvas de crescimento da OMS foi utilizado como parâmetro de referência e comparado aos gráficos de crescimento do grupo estudado.11

Os dados foram tabulados em dupla entrada no Excel® 2010, sendo posteriormente realizada análise estatística com o auxílio do software Epi-Info, versão 7.2 (CDC, Atlanta, EUA). Para descrever as características referentes a sexo, idade, renda e estado nutricional, utilizaram-se frequências absolutas e relativas. A análise de regressão logística foi utilizada para avaliar os fatores associados às alterações gastrintestinais. As variáveis que apresentaram valor p<0,20 na análise bivariada, obtido por meio do teste do qui-quadrado, foram incluídas na análise multivariada uma a uma, de maneira crescente, conforme sua significância estatística. O nível de significância foi estabelecido em p<0,05 e o intervalo de confiança em 95%.

RESULTADOS

A amostra foi predominantemente do sexo masculino (84,62%), com variação de idade entre sete e dez anos (61,54%). Constatou-se ainda que a maioria das famílias vive com renda familiar inferior a um salário mínimo (Tabela 1).

Tabela 1 Caracterização de crianças portadoras de transtorno do espectro autista de três a dez anos, segundo sexo, idade e renda familiar. 

Variáveis

  • Frequência

  • n=39

%
Sexo
Feminino 6 15,4
Masculino 33 84,6
Idade
3 a 6 anos 15 38,5
7 a 10 anos 24 61,5
Renda familiar
≤1 salário mínimo 25 64,1
>1 salário mínimo 14 35,9

Referente à classificação do estado nutricional das crianças de acordo com o padrão de crescimento estabelecido pela OMS em 2007,10 observou-se que mais de um terço dos indivíduos avaliados apresentavam excesso de peso (Tabela 2). As crianças do presente estudo apresentaram, de forma geral, valores mais elevados de escores Z, segundo IMC/idade e peso/idade, quando comparados com as curvas de referência utilizadas, o que é demonstrado graficamente pelo desvio da curva à direita, sugestivo de tendência a excesso de peso, nas categorias analisadas (Figuras 1 e 2). Salienta-se que nenhuma criança apresentou déficit nutricional segundo os parâmetros adotados.

Tabela 2 Classificação do estado nutricional de crianças portadoras de transtorno do espectro autista de três a dez anos, a partir do índice de massa corpórea por idade e peso/idade. 

Variáveis

  • Frequência

  • n=39

%
IMC/idade
Adequado 14 35,9
Excesso de peso 25 64,1
Peso/idade
Adequado 26 66,7
Excesso 13 33,3

IMC: índice de massa corpórea.

Figura 1 Comparação da curva de crescimento de crianças autistas de três a dez anos, com a curva da Organização Mundial da Saúde, segundo o índice de massa corpórea/idade, 2018. 

Figura 2 Comparação da curva de crescimento de crianças autistas de três a dez anos, com a curva da Organização Mundial da Saúde, segundo peso/idade, 2018. 

Na análise de consumo alimentar e alterações gastrintestinais (Tabela 3), observa-se que quase todas as crianças que consumiam glúten, caseína e ultraprocessados apresentaram algumas alterações gastrintestinais, tais como refluxo, gases, distensão, diarreia e constipação (n=34). Entretanto, na análise de regressão logística ajustada para as variáveis de consumo alimentar (consumo de glúten, consumo de caseína e consumo de ultraprocessados), observou-se que apenas o consumo de glúten esteve associado às manifestações gastrintestinais (β=0,38; IC95% 0,07-0,75; p=0,02).

Tabela 3 Análise de regressão logística para fatores associados a sintomas gastrintestinais de crianças autistas de três a dez anos. 

Consumo alimentar Sintomas gastrintestinais (n=34)

  • Análise bruta

  • n (%)

Análise ajustada
β IC95% p-valor
Glúten
Sim 32 (91,3) 0,38 0,07-0,75 0,02
Não 2 (9,7)
Caseínaa
Sim 33 (89,2) 0,26 -0,96-0,88 0,11
Não 1 (10,8)
Ultraprocessados
Sim 30 (88,2) 0,08 -0,25-0,41 0,2
Não 4 (11,8)

IC95%: intervalo de confiança de 95%; aproveniente de leite e derivados nas versões integrais, desnatados, semidesnatados e sem lactose.

DISCUSSÃO

O autismo vem mostrando prevalência consideravelmente alta, sendo caracterizado por déficits persistentes na comunicação social e comportamento estereotipado, comportamentos esses que se estendem também aos hábitos alimentares, causando desordens nutricionais.8 O acompanhamento nutricional apresenta-se como uma ferramenta importante nessas crianças, pois serve de subsídio para melhor avaliação, intervenção e monitoramento.12

Dentre as crianças avaliadas, a maior parte era do sexo masculino, todavia ainda não há evidências que expliquem a relação entre sexo e ocorrência do agravo. Semelhante a este estudo, Morales et al. afirmam que a incidência de autismo é quatro vezes mais comum em garotos do que em garotas.13 No tocante ao estado nutricional, pode-se observar que nenhuma criança apresentou comprometimento do peso segundo os índices avaliados. Geralmente, a prevalência de desnutrição no TEA ocorre em crianças com graus mais graves do transtorno, podendo ser explicada por possuírem deficiências nutricionais, pois a maioria apresenta uma alimentação monótona e insuficiente na maioria dos micronutrientes.14 Em contrapartida, foi possível identificar um número expressivo de crianças com excesso de peso, que já é apontado como um grave problema de saúde pública em crianças não autistas.15 Esses resultados são semelhantes aos apresentados por Zheng et al. e Criado et al., que sinalizam que crianças com TEA podem ter maior prevalência de sobrepeso e obesidade quando comparadas a crianças com desenvolvimento típico.16,17

Segundo alguns autores, dentre os fatores de risco que podem contribuir para a prevalência aumentada de sobrepeso e obesidade em crianças com TEA está a maior seletividade alimentar desses pacientes, favorecendo o aumento no consumo de salgadinhos e alimentos altamente calóricos devido à sua maior palatabilidade, podendo assim levar ao ganho de peso excessivo.18,19 Além disso, já tem sido observada uma relação entre as terapias farmacológicas, o sono desordenado e a elevação do peso em indivíduos com o transtorno.20 Em indivíduos com TEA, o sobrepeso e a obesidade, além de configurarem um fator de risco para agravos cardiovasculares, podem contribuir para o agravamento do isolamento social, uma vez que é comum uma não aceitação da imagem corporal por parte do próprio indivíduo e também pela sociedade.21

Ressalta-se que o presente estudo aponta também para um expressivo consumo de ultraprocessados, grupo de alimentos desaconselhado pelo guia de alimentação saudável para a população brasileira.22 Segundo a literatura, existe uma forte preferência por amidos, alimentos processados e ultraprocessados, juntamente com uma rejeição de frutas, legumes ou proteínas em crianças com TEA, podendo assim contribuir não apenas para o ganho ponderal como também para o surgimento de outras doenças crônicas não transmissíveis.23

Assim como os ultraprocessados, os laticínios e cereais são bastante consumidos pelo público avaliado. Sugere-se que o consumo desses alimentos pode contribuir para o aparecimento de alterações gastrintestinais. Os principais problemas gastrintestinais em crianças com TEA são: constipação crônica, diarreia, dor abdominal e inflamação gastrintestinal.19

A teoria atual dos que defendem a exclusão de glúten e caseína da dieta parte de achados que afirmam que o consumo dessas proteínas alteraria a permeabilidade intestinal por uma reação inflamatória ainda não bem descrita, sendo a presença de alergia à proteína do leite de vaca e de doença celíaca comuns nesses pacientes.24,25 Todavia, a Sociedade Brasileira de Pediatria reforça que a dieta de exclusão não deve ser feita como medida profilática aos agravos intestinais, mas apenas nos casos em que a alergia seja confirmada.26

Diante desse cenário de alta prevalência de alterações gastrintestinais, estudos recentes têm levantado evidências que associam a relação da disbiose intestinal com as alterações gastrintestinais e neurológicas em crianças com TEA.7,27 Apesar da escassez de evidências que correlacionem doenças do sistema nervoso central (SNC) e transtornos comportamentais com a microbiota intestinal, Lach et al. afirmam que o desequilíbrio na composição e na diversidade desse ambiente na infância pode favorecer o desenvolvimento e o agravamento de doenças do SNC, bem como alterar funções cognitivas e a sociabilidade.28

No contexto de prevenir ou melhorar a disbiose, alguns fatores protetores já são descritos como facilitadores para o desenvolvimento de uma microbiota saudável, como a prática de amamentação exclusiva, parto normal e nascimento a termo.29 Entretanto, não foi observada associação entre essas variáveis e menor frequência de alterações gastrintestinais na amostra estudada. De acordo com Berding e Donovan, crianças alimentadas com leite artificial possuem maior risco de desenvolver comunicação cognitiva prejudicada.7 Em contrapartida, a manutenção do aleitamento materno contribui para o melhor desenvolvimento do SNC e também traz benefício adicional no final do primeiro e segundo anos de vida, pois sua presença no lúmen intestinal estimula o desenvolvimento de sua mucosa e da atividade da enzima lactase, prevenindo assim alterações gastrintestinais.2 Apesar das diversas teorias que permeiam a influência da alimentação nas alterações gastrintestinais, no presente estudo o consumo alimentar não exerceu influência em tais manifestações.

Diante do que foi apresentado, conclui-se que, nessa população, a questão do excesso de peso se manifesta como um problema relevante e deve ser tratada com uma maior atenção, sobretudo por se tratar de um público de maior vulnerabilidade para algumas complicações e por entendermos que as alterações nutricionais favorecem o aparecimento de outros agravos. Evidenciou-se também que a ingestão de glúten esteve associada ao maior aparecimento de alterações gastrintestinais, sendo recomendadas pesquisas mais abrangentes a fim de esclarecer a rede de causalidade entre consumo alimentar e o TEA.

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Financiamento

O estudo não recebeu financiamento.

Recebido: 08 de Março de 2019; Aceito: 04 de Julho de 2019; Publicado: 26 de Fevereiro de 2020

*Autor correspondente. E-mail: dany.alice.nutricionista@gmail.com (D.A.V. Silva).

Os autores declaram não haver conflito de interesses.

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