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Saúde em Debate

Print version ISSN 0103-1104On-line version ISSN 2358-2898

Saúde debate vol.44 no.125 Rio de Janeiro Apr./June 2020  Epub July 27, 2020

https://doi.org/10.1590/0103-1104202012516 

ARTIGO ORIGINAL

Atributos da atenção primária na saúde fluvial pela ótica de usuários ribeirinhos

Maura Cristiane e Silva Figueira1 
http://orcid.org/0000-0001-9236-8299

Wellington Pereira da Silva1 
http://orcid.org/0000-0001-8478-9171

Dalvani Marques1 
http://orcid.org/0000-0002-4136-2564

Jennifer Bazilio1 
http://orcid.org/0000-0002-4926-7625

Jessica de Aquino Pereira1 

Maria Filomena Gouveia Vilela1 
http://orcid.org/0000-0002-5894-3365

Eliete Maria Silva1 
http://orcid.org/0000-0001-7549-2677

1Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) - Campinas (SP), Brasil. mauracsf@gmail.com


RESUMO

Este estudo teve como objetivo de avaliar os atributos da atenção primária na Estratégia Saúde da Família Fluvial na perspectiva de usuários ribeirinhos. Trata-se de uma pesquisa transversal e quantitativa, com dados coletados por meio do Primary Care Assessment Tool adultos versão reduzida e participação de 342 pessoas das comunidades. As análises foram pelos softwares Statistical Analysis System versão 9.4 e o Statistical Package for the Social Sciences versão 22. Nos resultados, o atributo mais bem avaliado foi coordenação-sistema de informações (8,95), e o pior foi orientação comunitária (2,51). Os atributos afiliação, coordenação-integração dos cuidados, integralidade-serviços disponíveis e prestados tiveram resultados insatisfatórios. As melhores avaliações dos atributos ocorrem em locais em que existem unidades de saúde fixas. O estudo mostra importantes considerações para o arranjo assistencial de equipes saúde da família fluvial, subsidiando políticas públicas para implantação e implementação de outras formas de assistência que alcancem as populações mais vulneráveis como no contexto ribeirinho.

PALAVRAS-CHAVE Atenção Primária à Saúde; Avaliação em saúde; Estratégia Saúde da Família; Política de saúde; Serviços de saúde; Serviços de saúde rural

ABSTRACT

This study aimed to evaluate the attributes of primary care in the River Family Health Strategy from the perspective of riverine users. This is a cross-sectional and quantitative survey, with data collected through the Primary Care Assessment Tool adults reduced version, and participation of 342 people from the communities. The analyzes were performed using the software Statistical Analysis System version 9.4 and the Statistical Package for the Social Sciences version 22. In the results, the best evaluated attribute was coordination-information system (8.95), and the worst was community orientation (2.51). The attributes affiliation, coordination-integration of care, integrality-services available and provided had unsatisfactory results. The best attribute assessments occur in locations where there are fixed health facilities. The study shows important considerations for the assistance arrangement of health teams of the river family, subsidizing public policies for the implementation and implementation of other forms of assistance that reach the most vulnerable populations, as in the riverine context.

KEYWORDS Primary Health Care; Health evaluation; Family Health Strategy; Health policy; Health services; Rural health services

Introdução

A Atenção Primária à Saúde (APS) expressa a atenção ambulatorial não especializada oferecida em unidades de saúde. Funciona como porta de entrada no sistema1, caracterizada por atividades de elevada complexidade e baixa densidade tecnológica. Extrapola os limites da clínica, sendo apresentada em diversos formatos a depender dos contextos existentes nos países. Além disso, a exemplo do Brasil, a APS inclui as ações de saúde pública2.

No Brasil, considera-se o termo ‘atenção básica’ para caracterizar as ações da APS, tendo como estratégia prioritária de atuação a saúde da família. A Estratégia Saúde da Família (ESF) visa à reorganização da atenção básica seguindo as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), estabelecendo vínculo entre os usuários e profissionais dos serviços e contato constante com o território3,4.

Um marco conceitual importante na APS foi proposto por Bárbara Starfield e compõe atributos essenciais e derivados. Os essenciais são o acesso de primeiro contato com os serviços de saúde; a longitudinalidade do cuidado ao longo do tempo; a integralidade, que são os diversos serviços ofertados para suprir os aspectos biopsicossociais do processo saúde-doença; e a coordenação da atenção, que pressupõe a integração do cuidado. Os atributos derivados são a orientação familiar, que considera a família como sujeito da atenção com potencialidades para o cuidado; a orientação comunitária, que é o reconhecimento das necessidades apresentadas pelas famílias em função do contexto geoeconômico e sociocultural em que vivem; e a competência cultural, que pressupõe a compreensão das características culturais dos usuários às situações de saúde facilitando a relação e a comunicação1,5.

Com o objetivo de ampliar o acesso e criar modelos que pudessem atingir regiões mais difíceis, o Ministério da Saúde instituiu, por meio da Portaria nº 2.191, de 3 de agosto de 2010, a ESF para o atendimento à população ribeirinha da Amazônia Legal e Pantanal Sul-mato-grossense. Posteriormente, as Portarias nº 2.488, de 21 de outubro de 2011, e nº 2.436, de 21 de setembro de 2017, trouxeram novos critérios para a implantação das equipes de Saúde da Família Fluviais (eSFF) e Ribeirinhas (eSFR) (4,6. Os municípios responsáveis por essa população, dependendo das especificidades locais, podem optar entre os dois arranjos organizacionais para equipes de saúde da família, além daqueles existentes para o restante do País4,6,7.

Em revisão de estudos com objetivo de examinar a avaliação da APS no Brasil, demonstrou-se que a maioria utilizou o Primary Care Assessment Tool (PCATool) como instrumento e que há insipiente quantidade de investigações nas regiões Norte e Centro-Oeste, o que evidencia que a avaliação no âmbito da atenção primária tem ocorrido de maneira desigual no País8.

Estudos sobre a APS, portanto, são importantes para avaliar o arranjo assistencial de saúde da família fluvial no contexto amazônico no norte do país, tendo em vista a dispersão populacional, diversidade geográfica e cultural nesses cenários, bem como pela escassez de estudos sobre esse tema e por fazer parte da Agenda Nacional de Prioridades de Pesquisa em Saúde no Brasil9.

Nessa perspectiva, tem-se como questão de pesquisa: qual a avaliação da APS na área de abrangência das ESF Fluviais em um município de médio porte que utiliza esse arranjo assistencial?

Propôs-se, como objetivo, avaliar os atributos da APS na ESF Fluvial na perspectiva de usuários ribeirinhos em município do estado do Pará. Este estudo se articula com a pesquisa de doutorado ‘Processo de Trabalho das Estratégias Saúde da Família Fluviais e Atributos da Atenção Primária em Saúde’ do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Enfermagem (FEnf) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Material e métodos

Trata-se de uma pesquisa com delineamento transversal e abordagem quantitativa, tendo como campo de investigação empírica eSFF em suas áreas de abrangência, no município de Santarém - Pará. Esse tipo de estudo corresponde ao julgamento das práticas sociais, principalmente das resultantes da ação social planejada, tais como políticas, programas e serviços de saúde10.

O município de Santarém está situado na região oeste do Pará, norte do Brasil, com população de 304.589 habitantes em 2019, com densidade populacional de 12,87 hab./Km211. Situa-se na mesorregião do baixo Amazonas, sendo o centro polarizador da região oeste do Pará, área que abrange 722.358 Km2 e abriga 27 municípios. No total, são 480 comunidades rurais, das quais 268 localizam-se nas regiões de rios e várzea, e 212 estão na zona de planalto; já a área urbana tem 48 bairros12. Possui localização privilegiada, situado na floresta amazônica e na confluência dos rios Amazonas e Tapajós.

Nas regiões de rios, vive uma população de 50.950 habitantes que utilizam pequenas embarcações como meio de transporte12. Nos distritos dos rios Tapajós e Arapiuns, estão vinculadas as eSFF a serem estudadas. Algumas comunidades são distantes do centro urbano cerca de 20 horas de viagem de barco/motor, passando por períodos de seca e cheia dos rios.

A rede de serviços de saúde na APS, no que se refere à saúde da família, de Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Unidade Básica de Saúde (UBS), no período da coleta, era composta de: 40 Equipes de Saúde da Família (eSF), duas Unidades Básicas de Saúde Fluvial (UBSF) com três equipes, uma eSF Quilombola, 22 equipes de Estratégia de ACS e 23 UBS. Nas eSF, tem-se, no total: 45 médicos, 67 enfermeiros, 21 odontólogos e 629 ACS com cobertura de 51%12.

Foram consideradas as três eSFF implantadas no município. A primeira equipe foi implantada em 2010, com área de abrangência no Rio Tapajós, chamada de Abaré, sendo a primeira embarcação no País credenciada pelo Governo Federal como ESF Fluvial. A designação de ‘Abaré’ foi sugerida pelos próprios comunitários da região que, em Tupi, significa ‘O Amigo Cuidador’13. Em 2012, foram implantadas mais duas equipes, com área de abrangência no Rio Arapiuns, chamada Abaré II. No território de abrangência, existem unidades de saúde em comunidades maiores para apoio assistencial em períodos em que as equipes fluviais não estão na área, sendo oito no Arapiuns e quatro no Tapajós, compostas por um enfermeiro e um técnico de enfermagem. Algumas comunidades foram cadastradas como indígenas no ano de 2017. As remoções de urgência e emergência das comunidades ocorrem por meio de ambulanchas (ambulâncias adaptadas para tráfego nos rios).

O instrumento utilizado para a coleta de dados foi composto por dados socioeconômicos (idade, sexo, ocupação, local de nascimento, estado civil, escolaridade, número de filhos, de pessoas no domicílio, renda familiar, participação social e se recebem Bolsa Família), e por itens específicos relacionados com os atributos da APS que compõem o PCATool versão reduzida aos usuários dos serviços de saúde, que avalia os atributos essenciais (acesso, longitudinalidade, integralidade e coordenação) e derivados (orientação familiar e comunitária) (14,15. Esse instrumento mostrou-se mais adequado para avaliação da APS, pois proporciona subsídios para contribuir para a qualificação da atenção básica16.

Dos itens do PCATool-Brasil que compõem a versão completa (87 itens), 23 foram selecionados pela importância conceitual para a composição da versão reduzida15,17. Avaliando a correlação entre os escores da versão reduzida e da completa, foi observado que estão correlacionados de forma positiva, indicando que a versão reduzida do instrumento pode, seguramente, avaliar os serviços de APS15.

Realizou-se um pré-teste com o instrumento na área ribeirinha, em que não há eSFF, havendo a necessidade de adequações de palavras utilizadas no instrumento para melhor compreensão dos participantes em função do contexto social, estrutural e geográfico das comunidades em que residem. Enfatiza-se que foi retirado do instrumento o uso de telefone, pois a maioria das comunidades não possui esse recurso.

Foram incluídos os usuários maiores de 18 anos, moradores das comunidades da área de abrangência há, pelo menos, um ano, cadastrados nas estratégias. Foram excluídos os usuários que mudaram de comunidade há menos de um ano, mesmo sendo na área de abrangência das equipes, e usuários das comunidades que se autodenominavam indígenas.

A amostra de usuários para a aplicação do instrumento PCATool foi definida de acordo com o número de famílias das comunidades não indígenas da área de abrangência (amostra intencional representada por família), visto que o foco da ESF é a abordagem familiar.

O cálculo amostral foi realizado considerando a metodologia para estimação de uma proporção em uma população de tamanho finito18. Foi considerada uma proporção p igual a 0,50, uma população composta por 1.377 famílias nas três equipes, com erro amostral de 5% e um nível de significância de 5%. Com isso, o tamanho amostral obtido foi de 301 usuários/famílias, sendo coletados 342, dividido proporcionalmente de acordo com o número de famílias de cada equipe, sendo para o Abaré I, n: 141 participantes; Abaré II equipe 1, n: 93; e para a equipe 2, n: 108.

A coleta de dados foi realizada durante o acompanhamento de viagens das unidades fluviais para as áreas. A equipe de campo foi composta por três entrevistadoras treinadas (duas enfermeiras e uma técnica de enfermagem). No total, foram realizadas três viagens com as equipes, sendo a coleta realizada somente em comunidades consideradas não indígenas. Para atingir a amostra de usuários em cada área, houve a necessidade de mais três viagens para comunidades nas regiões do Tapajós e do Arapiuns. O estudo foi realizado no período de outubro 2017 a maio de 2018.

No instrumento, as respostas possíveis para cada um dos itens são: ‘com certeza sim’ (valor=4); ‘provavelmente sim’ (valor=3); ‘provavelmente não’ (valor=2); ‘com certeza não’ (valor=1); e ‘não sei/não lembro’ (valor=9). O escore essencial é medido pela soma do grau de afiliação mais os escores médios de cada um dos componentes dos atributos essenciais divididos pelo número de componentes. O escore geral é medido pela soma dos escores médios dos componentes dos atributos essenciais mais os que pertencem aos atributos derivados mais grau de afiliação dividido pelo número total de componentes14.

Os escores para cada um dos atributos ou seus componentes são calculados pela média aritmética simples dos valores das respostas dos itens que compõem cada atributo transformado em escala de 0 a 10, utilizando a fórmula: ( Escoreobtido1x10/3 ) x 10/3. Consideram-se altos os valores iguais ou superiores a 6,6, sendo equivalentes ao valor três ou mais (≥3) na escala Likert, enquanto valores menores que 6,6 foram considerados baixos14.

As respostas foram organizadas no software Microsoft Excel® for Windows, e para as análises foram utilizados o Statistical Analysis System (SAS) versão 9.4 e o Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) versão 22. Realizou-se a dupla digitação com checagem dos resultados. Para a análise, procedeu-se à inversão dos valores dos itens C11 e D15 do PCATool-Brasil para: valor 4=1, valor 3=2, valor 2=3 e valor 1=4, pois, neles, quanto maior o valor atribuído, menor é a orientação para APS.

As variáveis qualitativas foram descritas por meio de frequências e porcentagens; e as variáveis quantitativas, por meio da média, desvio-padrão e valores mínimo e máximo.

A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Unicamp sob o parecer nº 2.079.984, de 24 de maio de 2017. Os participantes foram identificados por códigos para garantia do sigilo.

Resultados

Foram entrevistados 342 usuários da ESF Fluvial do município de Santarém - Pará. O perfil socioeconômico dos participantes é apresentado na tabela 1.

Tabela 1 Perfil socioeconômico dos 342 usuários entrevistados de áreas das Estratégias Saúde da Família Fluviais. Santarém, PA, Brasil, 2018 

Variáveis N %
Sexo
Feminino 272 79,53
Masculino 70 20,47
Idade (anos)
18-24 29 8,47
25-29 38 11,11
30-34 31 9,06
35-39 66 19,2
40-44 32 9,35
45-49 29 8,47
50-54 26 7,60
55-59 26 7,60
≥ 60 74 21,63
Estado civil
Casado 151 44,15
Divorciado 1 0,29
Solteiro 55 16,08
União estável 122 35,67
Viúvo 13 3,80
Escolaridade
Analfabeto 17 4,97
Alfabetizado 21 6,14
Fundamental Incompleto 117 34,21
Fundamental Completo 42 12,28
Médio Incompleto 41 11,99
Médio Completo 90 26,32
Superior incompleto 4 1,17
Superior Completo 10 2,92
Situação laboral
Aposentado 71 20,76
Do lar 76 22,22
Emprego formal 19 5,56
Emprego Informal 12 3,51
Lavrador 130 38,01
Pescador 34 9,94
Renda familiar (em salários mínimos*)
0 ˫ 1 223 65,20
1 ˫ 2 84 24,56
2 ˫ 3 29 8,48
3 ˫ 4 6 1,75

Fonte: Elaboração própria.

*Valor do salário mínimo em abr./2019 no Brasil: R$ 954,00.

A maioria dos usuários entrevistados é do sexo feminino (79,53%), com idades na faixa etária igual ou superior a 60 anos (21,63%) e de 35 anos a 39 anos (19,2%), casados (44,15%), com número de filhos de quatro (38,30%) a mais de cinco (29,82%), renda familiar abaixo de um salário mínimo (65,20%) e até um salário mínimo (24,56%). Em relação ao nível de escolaridade, possuem o ensino fundamental incompleto (34,21%) e médio completo (26,32%). Sobre a situação laboral, por serem comunidades do interior, mais de 46% são lavradores ou pescadores.

Em relação à pontuação apresentada pelos usuários para os escores essencial e geral, tiveram valores de escores satisfatório (6,88) e baixo (6,57) respectivamente, de acordo com o valor de referência de 6,6 na avaliação (tabela 2).

Tabela 2 Escores atribuídos aos atributos da Atenção Primária à Saúde pelos entrevistados nas Estratégias Saúde da Família Fluviais. Santarém, Pará, Brasil, 2018 (n=342) 

Atributos Escores(Média) Desvio-padrão Mínimo Máximo
Afiliação 6,08 2,59 3,33 10,00
Acesso-Utilização 8,75 1,89 0,00 10,00
Acesso-Acessibilidade 6,81 2,46 0,00 10,00
Longitudinalidade 6,94 1,42 2,50 10,00
Coordenação-Integração dos cuidados 6,08 2,43 0,00 10,00
Coordenação-Sistemas de informação 8,95 1,93 0,00 10,00
Integralidade-Serviços disponíveis 5,07 2,58 0,00 10,00
Integralidade-Serviços prestados 6,36 2,50 0,00 10,00
Orientação Familiar 8,12 1,93 3,33 10,00
Orientação Comunitária 2,51 3,48 0,00 10,00
Escore essencial 6,88 1,13 2,67 9,79
Escore geral 6,57 1,14 2,81 9,83

Fonte: Elaboração própria.

O atributo com melhor avaliação foi coordenação-sistema de informações com escore 8,95; e com mais baixo foi orientação comunitária (2,51). Os atributos que também ficaram com escores baixos foram: grau de afiliação (6,08), coordenação-integração de cuidados (6,08), integralidade-serviços disponíveis (5,07) e integralidade-serviços prestados (6,36).

As análises realizadas nas variáveis e por equipe demonstram individualmente as fragilidades e potencialidades que podem ser compartilhadas entre elas (tabela 3).

Tabela 3 Associação entre a quantidade de usuários por valor de escore total de acordo com as variáveis equipe, embarcação, sexo, e agrupados de idade, estado civil, escolaridade e renda, Santarém, Pará, Brasil, 2018 

Variável Escore geral p-valor*
< 6,6 ≥ 6,6
N % N %
Equipe < 0,0001
Equipe Abaré I 66 46,81 75 53,19
Equipe Abaré II:1 38 40,86 55 59,14
Equipe Abaré II:2 93 86,11 15 13,89
Embarcação 0,0007
Abaré I 66 46,81 75 53,19
Abaré II 131 65,17 70 34,83
Sexo 0,2412
Feminino 161 59,19 111 40,81
Masculino 36 51,43 34 48,57
Idade 0,0002
< 60 anos 173 62,45 104 37,55
>= 60 anos 24 36,92 41 63,08
Estado civil 0,0002
Sem companheiro 26 37,68 43 62,32
Com companheiro 171 62,64 102 37,36
Escolaridade 0,0628
Analfabeto - Fund. Inc. 80 51,61 75 48,39
Fund. comp. - Médio inc. 48 57,83 35 42,17
Médio comp. - Sup. comp. 69 66,35 35 33,65
Renda (salário mínimo) < 0,0001
Menor que 1 152 68,16 71 31,84
1 ou mais 45 37,82 74 62,18

Fonte: Elaboração própria.

*p-valor obtido por meio do teste Qui-quadrado.

Identificou-se associação significante entre o escore geral e as variáveis equipe, embarcação, idade, estado civil e renda. Nas variáveis sexo e escolaridade, não houve associação significante.

Observou-se proporção mais elevada de escore geral satisfatório nas equipes Abaré I e Abaré II:1, em comparação com a equipe Abaré II:2. Com relação à embarcação, obteve-se proporção maior do escore geral satisfatório na embarcação Abaré I. Na variável idade, proporção maior de usuários acima de 60 anos atribuiu escores satisfatórios. Relacionado com o estado civil, observaram-se proporções mais elevadas no escore geral satisfatório em usuários sem companheiro. Na renda familiar, constatou-se proporção maior de pessoas que recebiam um salário mínimo ou mais, as quais atribuíram melhores valores de escores.

Discussão

A avaliação dos atributos da APS pode contribuir para melhor resultado e qualidade da assistência prestada à população, sendo utilizado como parâmetro para nortear gestores, profissionais e pesquisadores, bem como serve de ferramenta para orientar a implantação e a implementação de políticas de saúde e avanços no sistema público de saúde19-21.

Existem evidências relacionadas com o impacto positivo da APS em países em desenvolvimento, além da associação entre o maior grau de orientação à APS e o aumento da efetividade dos sistemas de saúde, satisfação dos usuários, promoção da equidade, integralidade e eficiência22.

Sobre o perfil de usuários, destaca-se que a maioria é do sexo feminino (79,53%), com renda familiar abaixo de um salário mínimo (65,20%) e que relatou receber o benefício do Programa Bolsa Família (PBF), caracterizando vulnerabilidade socioeconômica na área. Mais de 40% relataram ter até o ensino fundamental incompleto. Tem-se que o nível de escolaridade é muito baixo entre os beneficiários do PBF, tendo mais de dois terços (69%) sem o ensino fundamental completo23.

Quanto à avaliação dos atributos, o grau de afiliação do usuário com os profissionais das equipes mostrou-se insatisfatório (6,08) mesmo sendo substituída no PCATool a palavra ‘médico’ por outro profissional (enfermeiro ou técnico de enfermagem). Esse resultado pode relacionar-se com a troca frequente de profissionais das equipes, irregularidade nas visitas nas comunidades e grande demanda de população para atendimento, dificultando o vínculo entre profissionais e usuários. Em estudo realizado em Teresina, Piauí, verificou-se, no grau de afiliação, que 58,83% indicaram o médico da UBS como referência para seu atendimento, e 28,99% indicaram o serviço de saúde, sendo o escore desse atributo 6,2824.

Sobre o acesso de primeiro contato, as dimensões acessibilidade e utilização referem-se ao uso da APS como a porta de entrada aberta e preferencial da rede de atenção, e a capacidade da APS em lidar e resolver diferentes problemas influenciados pelo contexto social4. A porta de entrada no arranjo assistencial fluvial tem períodos programados. Em outras ocasiões, recorre-se às UBS presentes nas comunidades. Entretanto, o escore do acesso-utilização foi de 8,75; e de acesso-acessibilidade, 6,81, referindo-se aos serviços da ESF Fluvial e da UBS das comunidades da área. Destaca-se que, quando a UBSF está na área adscrita ou quando a comunidade dispõe de UBS, o acesso torna-se facilitado, tendo dificuldades nos períodos e em locais em que não há tais estruturas para o atendimento dos usuários, demonstrando o quanto os arranjos são essenciais nessas áreas.

Estudo aponta que, em alguns locais, em que há populações vulneráveis, há dificuldade no acesso aos serviços de saúde, porém as redes sociais, de familiares, das comunidades e os costumes tradicionais são utilizados em diversas situações para a resolução ou amenização das necessidades em saúde25.

Estudos realizados apontam o acesso-utilização com alto escore entre os atributos avaliados, porém a acessibilidade obteve escore baixo, sugerindo que o processo de trabalho da equipe no primeiro contato é muito bem avaliado e que a estrutura disponibilizada apresenta deficiências26-28. O baixo desempenho pode refletir barreiras geográficas e organizacionais dos serviços na APS, como horário reduzido de funcionamento das unidades, dificuldades encontradas para marcação de consultas e tempo de espera do atendimento29.

O atributo longitudinalidade apresentou escore de 6,94, considerado satisfatório, demonstrando que os usuários têm as equipes como fonte regular de cuidados, apesar de haver rotatividade dos profissionais nas equipes. Boas avaliações por parte dos usuários da ESF reforçam que esse modelo de atenção possibilita a construção de vínculo e relação interpessoal entre profissional e usuário ao longo do tempo22,30. O resultado desse atributo ajusta-se com o bom desempenho do grau de afiliação e do acesso na dimensão utilização, que depõe a favor da equipe, a qual não tem dificuldade de abordar os usuários para o envolvimento nas ações e serviços da ESF24.

O atributo coordenação apresenta as dimensões integração dos cuidados e sistemas de informação. A integração dos cuidados foi avaliada por usuários que, em algum momento, receberam encaminhamento para serviços especializados. Esse atributo pressupõe a continuidade do cuidado, seja pelo mesmo profissional na APS, seja pelo reconhecimento da importância de problemas abordados em outros serviços31. Nos resultados, o escore atribuído à dimensão integração dos cuidados foi de 6,08, pressupondo dificuldades na referência e contrarreferência, principalmente em função dos deslocamentos para outros serviços.

Nesse contexto, sobre o fornecimento de informações por parte dos profissionais para que o usuário leve ao especialista ou serviço especializado, obteve considerável percentual de respostas positivas. Porém, quanto ao retorno das informações para as unidades, não há registro do especialista ao profissional que o encaminhou, sendo as informações relatadas pelo usuário, transmitidas segundo entendimento e linguagem próprios.

Na dimensão sistema de informação, sobre a disponibilidade do prontuário, a avaliação foi 8,95. No âmbito da ESF Fluvial, os usuários referem a disponibilidade no atendimento, sendo organizados por prontuário familiar e por microárea de ACS. A utilização do prontuário familiar possibilita o registro das informações de todos os membros da família, sendo um importante instrumento para a integração da equipe, e a disponibilidade durante os atendimentos é percebida como positiva pelos usuários31; e, quando não disponível, é considerado insatisfatório32.

Ao avaliar a integralidade, têm-se as dimensões serviços-disponíveis e serviços-prestados, que incluem ações de caráter biopsicossocial do processo saúde-doença bem como promoção, prevenção, cura/reabilitação e atenção em todos os níveis de complexidade26. O valor do escore na dimensão serviços-disponíveis foi de 5,07; e serviços-prestados, 6,36, considerados baixos. A avaliação insatisfatória sugere a descontinuidade assistencial, assim como a não disponibilização de recursos e estrutura necessários para o atendimento das necessidades de saúde. O propósito da integralidade é de que os profissionais percebam o usuário como sujeito histórico, social e político, articulado ao contexto familiar, ao meio ambiente, à sociedade na qual está inserido, permitindo a elaboração de planos de cuidados que atendam às necessidades da população e contribuindo para melhor qualidade dos serviços prestados33.

A orientação da APS ocorre, também, por meio de atributos derivados, que são a orientação familiar e a comunitária, avaliadas pelo PCATool, que tratam da estimulação da participação do usuário para sua autonomia, construção do cuidado individual e coletivo no território, no enfrentamento de situações que interferem na saúde, na organização dos serviços e estímulo ao controle social1.

A orientação familiar apresentou escore alto (8,12), demonstrando que há o estímulo da participação dos usuários no planejamento e para sua autonomia. Em outros estudos, observou-se que o atributo, juntamente com a orientação comunitária, obteve escores muito ruins20,26,28,34,35, sugerindo que os serviços atuam na lógica centrada no indivíduo, em práticas curativas, na ausência de contato com a população adscrita, de planejamento e avaliação, não contemplando a atenção à família nos serviços de saúde.

A orientação comunitária, que diz respeito ao conhecimento do contexto social no qual as pessoas vivem, obteve avaliação ruim apesar de considerar também o vínculo com as famílias, a participação no planejamento da assistência e o envolvimento comunitário. No PCATool, pergunta-se sobre os profissionais fazerem pesquisas sobre a satisfação dos usuários nos serviços ofertados, sendo que essa prática não é realizada nos serviços estudados. No contexto da ESF Fluvial, esse atributo foi avaliado com o valor mais baixo de todos (2,5). Tem-se que a participação social é uma importante ferramenta para empoderar as pessoas sobre seus direitos em relação aos serviços de saúde36. A perspectiva do usuário, por meio de pesquisas sobre a satisfação, precisa ser considerada para o planejamento de ações que venham a suprir as suas necessidades de saúde.

Cita-se como limitação deste estudo que os resultados são referentes a três eSFF de um município, além da impossibilidade da coleta em todas as comunidades pertencentes às áreas de abrangência.

A importância da avaliação da APS constitui-se ferramenta para subsidiar o processo decisório, de planejamento, de repensar as práticas profissionais, reorganizar os processos de trabalho, aprimorar as redes de serviços em todos os níveis assistenciais, bem como para a efetivação e reformulação das políticas públicas e ações específicas, para arranjos assistenciais, que possam alcançar populações vulneráveis e com dificuldades no acesso e, consequentemente, nos demais atributos inerentes aos serviços em saúde. Destaca-se que a expansão de tais arranjos assistenciais, como no modelo de saúde fluvial, deve considerar a realidade e as necessidades de cada população, bem como a participação destas nas decisões que melhorem suas condições de vida.

Conclusões

Os resultados apresentados neste estudo mostram importantes considerações para o arranjo assistencial de eSFF, assim como servem para subsidiar políticas públicas para a implantação e implementação da APS e para aprimorar a assistência de modo a alcançar populações vulneráveis como no contexto ribeirinho.

A oferta dos serviços de saúde no município fica limitada por várias questões, como as grandes distâncias e dificuldade no acesso em alguns períodos pelas cheias e seca dos rios, reduzindo, portanto, as opções dos usuários. No entanto, para proporcionar a integralidade da assistência, fornecendo os recursos capazes de responder às necessidades dos usuários em sua área adscrita, o município aderiu a políticas ministeriais para abranger a população ribeirinha que são as ESF Fluviais e as UBS em comunidades maiores e estratégicas para o acesso geográfico.

Sabe-se que os serviços disponíveis não contemplam todas as demandas em saúde dos usuários, principalmente em uma região com características tão adversas, porém, identificou-se que metade dos atributos alcançou avaliação satisfatória (acesso-acessibilidade e utilização, longitudinalidade, coordenação-sistemas de informação, orientação familiar) demonstrando a valorização dos serviços que, apesar de escassos e com limitações, é a opção essencial para o atendimento das comunidades. Atributos, tais como o acesso e suas dimensões, foram avaliados de forma satisfatória destacando-se que, quando a UBSF está na área adscrita ou quando a comunidade dispõe de UBS, o acesso torna-se facilitado, havendo dificuldades nos períodos e em locais em que não há tais estruturas para o atendimento dos usuários, demonstrando o quanto os arranjos são essenciais, fundamentais e necessários para essas regiões.

O desempenho adequado da saúde da família fluvial depende da gestão dos serviços, do contexto social, cultural, econômico, geográfico e da participação dos usuários na construção de melhores processos de trabalho, do que é possível dispor, levando em conta todas as condições existentes.

Sobre o instrumento utilizado para a avaliação, tem-se que o PCATool versão reduzida demonstrou aplicabilidade prática, apresentando-se como importante ferramenta para a busca da melhoria da qualidade dos serviços em saúde. Entretanto, verificou-se ausência de características específicas, tais como terapias alternativas, parteiras, benzedeiras, puxadores, plantas medicinais e outras opções presentes no contexto amazônico.

Por fim, configura-se um cenário impactado pelas mudanças propostas pela Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) 2017, em que as diferenças e dificuldades locorregionais foram negligenciadas, levando ao descredenciamento de duas eSFF consideradas de alto custo para o município, levando-os à opção de permanência de equipes de atenção básica nas comunidades em que já existia o serviço (enfermeiro e técnico de enfermagem), que podem significar portas de entrada fechadas, proporcionando menor acesso às populações ribeirinhas.

Os resultados deste estudo foram discutidos com gestores, trabalhadores e lideranças das áreas ribeirinhas, sendo formuladas propostas para organização do trabalho nas áreas para melhorar a assistência prestada aos usuários.

Suporte financeiro: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) - bolsa de pós-graduação (nº 38P-4842/2018); Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) - financiamento da pesquisa (nº 142491/2017-9)

Agradecimentos

Aos usuários ribeirinhos e trabalhadores das equipes de Saúde da Família Fluvial da Secretaria Municipal de Saúde de Santarém - Pará. Ao MSc Henrique Ceretta Oliveira pela análise estatística. À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) pela concessão de bolsa de pós-graduação (nº 38P-4842/2018) e ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pelo financiamento da pesquisa (nº 142491/2017-9).

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Recebido: 13 de Agosto de 2019; Aceito: 05 de Maio de 2020

Colaboradores

Figueira MCS (0000-0001-9236-8299)* e Silva WP (0000-0001-8478-9171)* foram responsáveis pela concepção do artigo, redação, análise e interpretação dos dados, revisão da versão final. Marques D (0000-0002-4136-2564)*, Bazilio J (0000-0002-4926-7625)*, Pereira JA (0000-0002-4926-7625)*, Vilela MFG (0000-0002-5894-3365)* e Silva EM (0000-0001-7549-2677 )* - redação, análise e interpretação dos dados e revisão crítica final.

*Orcid (Open Researcher and Contributor ID).

Conflito de interesses: inexistente

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