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Tempo Social

Print version ISSN 0103-2070On-line version ISSN 1809-4554

Tempo soc. vol.1 no.1 São Paulo Jan./June 1989

http://dx.doi.org/10.1590/ts.v1i1.83315 

Articles

A SOCIOLOGIA E O MUNDO MODERNO*

Octavio lanni** 

**Professor colaborador do Programa de Pós-Graduação do Departamento de Sociologia FFLCH-USP.

RESUMO

Este ensaio procura esclarecer o “compromisso” da sociologia com o mundo moderno formado com o desenvolvimento do capitalismo. Primeiro, examina as principais teorias clássicas. Mostra como elas nascem com os desafios com os quais se defronta a sociedade a partir de meados do século XIX. E lembra que essas teorias continuam a propiciar paradigmas para as correntes sociológicas que se propõem no século XX. Segundo, registra os temas fundamentais da sociologia, também criados no âmbito dessa sociedade; temas que continuam básicos nas correntes que se ensaiam no século XX. Terceiro, analisa as relações entre a sociologia e a modernidade, sugerindo que essa disciplina expressa dilemas e perspectivas do pensamento em fase da modernidade. E quarto, por fim, sugere que a sociologia pode ser lida como uma forma literária, na qual se destacam as criações épicas. Por seus temas e explicações, a sociologia muitas vezes parece uma épica do mundo moderno.

Palavras-Chave: Sociologia: teorias clássicas; temas fundamentais; modernidade; épica do mundo moderno

ABSTRACT

This essay attempts to clarify sociology's "commitment" to a modern world based on capitalist development. First, the principal classical theories are examined. They are shown to have risen alongside the challenges confronting society in the mid-19th Century. We are reminded that these theories continue providing models for sociological currents proposed in the 20th Century. Second, sociology's fundamental themes, also created in the atmosphere of that society, are listed - themes that are still basic to the currents developed in the 20 Century. Third, the relationships between sociology and modernity are analysed. It is suggested that, in light of modernity, this discipline expresses dilemmas and perspectives of thought. Finally. it is suggested that sociology can be read as a literary form in which epic creations can be distinguished. Because of its themes and explanations, sociology often resembles an epic of the modern world.

Key words: Sociology: classical theories; fundamental themes; modernity; epic or the modern world

Texto completo disponível em PDF.

*Aula inaugural, proferida no dia 19 de março de 1988, para os alunos do Curso de Ciências Sociais, promovida pelo Departamento de Sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, da Universidade de São Paulo. Escrita depois da fala.

1Macaulay, Ensaio sobre Bacon, citado por STEINER, George. Dans le château de Barbe-Bleue: Notes pour une redéfinition de la culture. Trad. Lucienne Lotringer. Paris, Gallimard 1973, p. 18.

2NIETZSCHE, F. A Gaia Ciência. Trad. Márcio Pugliesi, Edson Bini e Norberto de Paula Lima. São Paulo, Hemus Livraria Editora Ltda, 1976, p. 134 (citação do aforisma nº 125).

3HEGEL, G.W.F. Princípios da filosofia do direito. Trad. Orlando Vitorino. Lisboa Guimarães Editores, 1959, p. 13 (citação do prefácio).

4BAUDELAIRE, C. A Modernidade de Baudelaire. Org. Teixeira Coelho, trad. Suely Cassal. Rio de Janeiro, Editora Paz e Terra 1988. p. 173-4.

5MARX, K. & ENGELS, F. Manifesto do Partido Comunista. Trad. Alvaro Pina, notas Vasco Magalhães-Vilhena. São Paulo, Editora Novos Rumos, 1986, p. 84-5.

6MARX, K. Discurso pronunciado na festa de aniversário do “People’s Paper”. In: MARX, K. & ENGELS, F. Textos. São Paulo, Edições Sociais, 1977, vol. III, p. 298-9.

7ADORNO, T.W. Minima Moralia. Trad. Norberto Silvetti Paz. Caracas, Monte Avila Editores, 1975, p. 153-4. Consultar também HABERMAS, Jürgen. Problemas de legitimación en el capitalismo tardío. Trad. José Luis Etcheverry. Buenos Aires, Amorrortu Editores, 1975, p. 142-155, item intitulado “El final del individuo?”.

8HEGEL, G.W.F. Lecciones sobre la filosofia de la historia universal. Trad. José Gaos. 4.ed., Madrid, Revista de Occidente, 1974, p.

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