SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.1 issue1A CONSTITUIÇÃO COMO PROJETO POLÍTICOAS CIÊNCIAS SOCIAIS E A PESQUISA SOBRE EDUCAÇÃO author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Tempo Social

Print version ISSN 0103-2070On-line version ISSN 1809-4554

Tempo soc. vol.1 no.1 São Paulo Jan./June 1989

http://dx.doi.org/10.1590/ts.v1i1.83320 

Articles

OS ANARQUISTAS: DUAS GERAÇÕES DISTANCIADAS

Azis simão1 

*Professor Emérito da Universidade de São Paulo.


RESUMO

O ensaio compara dois momentos do anarquismo no Brasil, intervalados por três décadas. Embora o pensamento libertário se tenha preservado em essência, ocorreram alterações quanto à quantidade e origem social dos adeptos, à situação do movimento na sociedade industrial moderna, às relações institucionais e técnicas de ação social. Em termos gerais, o terreno de semeadura do anarquismo passou da classe operária e do sindicato às classes médias e à universidade. Só agora se inicia a formação de algumas minúsculas ligas operárias nos moldes do anarco-sindicalismo. Disto resultam problemas que ferem princípios e práticas elaborados pelo anarquismo originário. Doutra parte, foi rompida a mútua marginalização que no passado se faziam o Estado e o operariado, o que favorecia o anti-estatismo libertário. O ingresso do proletariado no espaço do Estado, através do sindicato oficial e do partido político, deixou sem ressonância naquela classe a conclamação anti-estatal libertária. Bloqueado pelo sindicato único e recusando a organização partidária, o anarquismo tende a ficar no plano dos movimentos sociais.

Palavras-Chave: Anarquismo - Brasil; classes sociais; Estado; Sindicato; movimentos sociais

ABSTRACT

This essay compares two periods, separated by three decades, of anarchism in Brazil. Even thoug its libertarian thought has essentially been preserved, the movement underwent significant transformations, both in the number and social origin of its followers and in its situation in modern industrial society, along with its institutional relations and techniques of social action. In general terms, the terrain for sowing anarchist thought passed from the working class and unions to the middle class and universities. Minuscule anarco-syndicalist leagues have only recently been formed. As a result, new problems have arisen, since it all injuries the original anarchists’ practices and principles. At the same time, the State’s and workers’ mutual marginalization - which favored libertarian “anti-statism” - has been done away with. The working class’ entrance into the State’s space by way of official unions and political parties left that class’ anti-state libertarian prepositions without resonance. Blocked by the official union and rejecting party structures, anarchism tends to remain in the area of social movements.

Key words: Anarchism - Brazil; social classes; State; trade union; social movements

Texto completo disponível em PDF.

1Concepções tomadas de Rousseau, de quem também Marx é devedor. Os anarquistas ainda proveitaram outras de suas idéias, como as pedagógicas e naturistas. Sobre a obra deste filósofo, veja FORTES, José Roberto Salinas. Rousseau: da teoria a prática. São Paulo, Ed. Ática, 1976.

2Este é o drama, não só dos anarquistas, mas também dos socialistas democráticos: como conciliar na prática a liberdade substantiva e a organização funcional, se esta pode instrumentalizar aquela.

3Foi-me contado por João da Costa Pimenta, gráfico, ex-anarquista, fundador e membro da primeira Comissão do Partido Comunista do Brasil, depois participante da dissidência trotskista e, no pós-guerra, membro destacado do Partido Socialista Brasileiro.

4Agradeço a Jaime Cubero, secretário do Centro de Cultura Social de São Paulo, a rica informação referente ao atual movimento anarquista no Brasil, nem toda aproveitada neste artigo.

5Isto É -17/4/85.

6Pecado de Simonia, de Neno Vasco, representado pelo grupo Forja: e O 1º de Maio, de Pietro Gori, lida pelo Grupo Teatral da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo.

7O INIMIGO DO REI, nº 22, mar./abr. 1988, e Confederação Operária do Brasil - Carta de Princípios.

Creative Commons License This is an Open Access article distributed under the terms of the Creative Commons Attribution Non-Commercial License which permits unrestricted non-commercial use, distribution, and reproduction in any medium, provided the original work is properly cited.