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Acta Paulista de Enfermagem

Print version ISSN 0103-2100On-line version ISSN 1982-0194

Acta paul. enferm. vol.18 no.1 São Paulo Mar. 2005

https://doi.org/10.1590/S0103-21002005000100002 

ARTIGOS ORIGINAIS

 

Dimensionamento do pessoal de enfermagem das unidades de internação do Hospital São Paulo*

 

Nursing staff dimensioning in the hospitalization units of the Hospital São Paulo

 

Dimensionamiento del personal de enfermería de las unidades de internación del Hospital São Paulo

 

 

Mari Sahamura MatsushitaI; Nilce Piva AdamiII; Maria Isabel Sampaio CarmagnaniIII

IEnfermeira, Mestre em Enfermagem pela UNIFESP
IIProfessora Titular do Departamento de Enfermagem da UNIFESP – Orientadora
IIIDoutora em Estudos da Comunicação Humana. Professora Adjunto do Departamento de Enfermagem da UNIFESP. Co-orientadora

 

 


RESUMO

Este estudo descritivo foi realizado no Hospital São Paulo, visando dimensionar o pessoal de enfermagem das unidades de internação desta instituição, e comparar os resultados encontrados com o quadro de pessoal de enfermagem existente . A coleta de dados foi realizada no ano de 2002, nas 40 unidades de internação, onde foram estudadas a classificação de pacientes e as ausências não previstas dos profissionais de enfermagem do ano anterior, sendo aplicado o método de dimensionamento de pessoal proposto por Gaidzinski1. As principais conclusões foram: os pacientes internados demandaram cuidados mínimos (30,8%), seguidos pelos cuidados intermediários (27,5%), cuidados de alta dependência (22,0%), cuidados intensivos (12%), e cuidados semi-intensivos (7,6%). O tempo de assistência de enfermagem destinado aos pacientes classificados foi maior para os de cuidados intensivos (30,9%).Cerca de 50,0% das ausências não previstas das enfermeiras foram referentes às licenças maternidade e as dos técnicos/auxiliares de enfermagem foram distribuídas de forma eqüitativa entre faltas, licenças médicas e licenças maternidade. A comparação entre os quadros de pessoal de enfermagem existente e o calculado demonstrou carência de 76 enfermeiras e excesso de 97 técnicos/auxiliares de enfermagem.

Descritores: Recursos humanos de enfermagem; Recursos humanos de enfermagem no hospital; Reorganização de recursos humanos; Administração de recursos humanos em hospitais; Dimensionamento de pessoal


ABSTRACT

This descriptive study was carried out at the hospital São Paulo aiming nursing staff dimension of the hospitalization units of this Institution. Data collect was performed in 2002, in the 40 hospitalization units in which patient’s classification and non anticipated absences of the nursing staff of the previous year were studied, applying the staff dimensioning calculation proposed by Gaidzinski(1). The main conclusions were regarding levels of complexity of the nursing care, the hospitalized patients demanded minimum care of nursing (30.8%) followed by intermediary care (27.5%), high dependence care (22.0%), intensive care (12%) and semi-intensive care (7.6%). Time of nursing assistance for the classified patients was greater for intensive care (30.9%) followed by high dependence (21.8%), intermediary (21.2%), minimum (15.3%) and semi-intensive (10.7%). Almost 50.0% of the non-anticipated absences were due to maternity permissions and those of nursing technicians/assistants and others were homogeneous as no show at work, medical authorization, maternity permission and others. The comparison between the nursing staff in the Hospital São Paulo and the calculated according to the Gaidzinski model showed a need of 76 nurses and superlative of 97 nursing technician/assistants.

Descriptors: Nursing staff; Nursing staff, hospital; Personnel turnover; Personnel administration; hospital. Personnel downsizing


RESUMEN

Este estudio descriptivo fue realizado en el Hospital São Paulo con el objetivo de dimensionar el personal de enfermería de las unidades de internación de esta institución. La colecta de datos fue realizada en el año 2002, en las 40 unidades de internación, donde se estudió la clasificación de pacientes y las ausencias no previstas de los profesionales de enfermería del año anterior, siendo aplicado el cálculo de dimensionamiento del personal propuesto por Gaidzinski (1). Las principales conclusiones fueron: cuanto a los niveles de complejidad de los cuidados de enfermería, los pacientes internados demandaran de cuidados mínimos (30.8%), seguidos por los cuidados intermediarios (27.5%), cuidados de alta dependencia (22.0%), cuidados intensivos (12%) y cuidados seme-intensivos (7.6%). El tiempo de asistencia de enfermería destinado a los pacientes clasificados fue mayor para los cuidados intensivos (30.9%), seguidos por los de alta dependencia (21.8%), intermediarios (21.2%), mínimos (15.3%) y seme-intensivos (10.7%). Cerca de 50.0% de las ausencias no previstas de las enfermeras fueron referentes a las licencias de maternidad a las de los técnicos / auxiliares de enfermería fueron homogéneas entre faltas, licencias médicas, licencias de maternidad y otras. La comparación entre los cuadros de personal de enfermería existente en el Hospital São Paulo y lo calculado según el modelo de Gaidzinski demostró carencia de 76 enfermeras y superávit de 97 técnicos / auxiliares de enfermería.

Descriptores: Personal de Enfermería; Personal de enfermería en hospital; Reorganización del personal; Administración de personal en hospitales; Reducción de personal


 

 

INTRODUÇÃO

A função dos hospitais foi se modificando ao longo do tempo, acompanhando a evolução da medicina. Atualmente, o hospital é considerado a mais complexa das organizações de saúde, face à diversidade de profissionais, usuários, tecnologias, relações interpessoais, processos de trabalho, formas de organização e espaços que alberga(2)

O serviço de enfermagem, como parte integrante das organizações hospitalares, tem acompanhado a evolução ocorrida nesta área, desenvolvendo uma estrutura de trabalho dentro de modelos cientificamente fundamentados. No entanto, um dos pontos polêmicos, quando se analisa ou se estrutura um serviço de enfermagem, é o dimensionamento de recursos humanos para assistir à clientela(3).

Assim, o provimento dos recursos humanos de enfermagem de hospitais públicos e privados, merece um amplo estudo devido à sua complexidade, face às variáveis envolvidas no seu cálculo. Os trabalhos publicados nas últimas cinco décadas do século XX têm evidenciado uma evolução nos modelos propostos para o dimensionamento de pessoal contemplando, atualmente, maior número de variáveis, permitindo melhor visibilidade da realidade, e gerando maior complexidade para sua operacionalização(1). Também o desconhecimento de enfermeiras acerca destas variáveis gera confrontos entre os objetivos por elas definidos, centrados nos valores humanos, com os objetivos da instituição hospitalar, que visa a eficácia e a eficiência da organização(1).

O dimensionamento de pessoal de enfermagem é definido como sendo a:

etapa inicial do processo de provimento de pessoal, que tem por finalidade a previsão da quantidade de funcionários por categoria, requerida para suprir as necessidades de assistência de enfermagem, direta ou indiretamente prestada à clientela (4).

Com fundamento nos dados apresentados na literatura sobre o tema, Gaidzinski(3) caracterizou a evolução dos métodos utilizados para dimensionar o pessoal de enfermagem em quatro períodos, citados a seguir: o método intuitivo ou das relações de proporção (antes de 1939); introdução da variável horas médias de cuidado (1939); introdução das variáveis relativas às ausências (1947); introdução do Sistema de Classificação de Pacientes (1960) (1).

Assim, verifica-se no Brasil, a partir de 1930, quando se iniciou a fase legal da administração de pessoal, que o método de cálculo de pessoal era fundamentado na proporção de trabalhadores necessários para realizar o número de tarefas a serem efetuadas diariamente, contando com dados subjetivos oriundos da vivência do administrador (1). Este método, que não previa nenhum direito trabalhista, como folgas semanais remuneradas, férias, ou outras ausências, ainda tem sido utilizado em muitas instituições hospitalares brasileiras, por ser referendado por órgãos oficiais, como o Ministério da Saúde(5-6).

No quarto período de evolução de dimensionamento de pessoal de enfermagem, os diferentes graus de complexidade assistencial passaram a ser considerados como instrumentos para o cálculo de estimativa de pessoal de enfermagem. No início da década de 80 do século XX, um trabalho apresentou um instrumento de classificação de pacientes estabelecendo o perfil de cada tipo de cuidado, a partir do conceito do Cuidado Progressivo ao Paciente, classificando os pacientes internados em quatro níveis de cuidado(7). Em 1994 foi desenvolvido um instrumento de classificação, estabelecendo cinco categorias de cuidados, de acordo com a complexidade assistencial dos pacientes internados: intensivos(I), semi-intensivos(S), alta dependência (AD), intermediários (IN) e mínimos (M) (8) .

A publicação da Resolução COFEN nº 189/96 oficializou o cálculo de pessoal de enfermagem por meio de parâmetros para o quantitativo mínimo dos diferentes níveis de formação dos profissionais de enfermagem, recomendando que o dimensionamento do quadro de profissionais fundamente-se nas características referentes à instituição, ao serviço de enfermagem e à clientela (9).

A competência para o dimensionamento do pessoal de enfermagem é das enfermeiras que atuam diretamente na assistência, uma vez que identificam e avaliam continuamente os recursos existentes, face às necessidades da clientela assistida, podendo elaborar propostas adequadas para a prestação da assistência de enfermagem (10-11).

Considerando as divergências existentes entre as chefias dos Serviços de Enfermagem e a Diretoria do Hospital São Paulo acerca do quantitativo do pessoal de enfermagem, foi desenvolvido este estudo visando dimensionar o pessoal de enfermagem segundo o modelo proposto por Gaidzinski (1) e comparar os resultados obtidos com o quadro de pessoal de enfermagem dimensionado pela Diretoria de Enfermagem deste hospital.

 

MÉTODO

Este estudo do tipo descritivo foi realizado no Hospital São Paulo (HSP), cujas finalidades são a assistência, o ensino e a pesquisa.

A coleta de dados foi realizada após a aprovação do projeto de pesquisa pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UNIFESP, seguindo as etapas recomendadas pelo modelo proposto por Gaidzinski (1) :

• Conhecimento do perfil dos pacientes quanto à complexidade assistencial

A classificação dos pacientes foi realizada pelas enfermeiras das 40 unidades de internação, nos meses de março a maio de 2002, utilizando-se o instrumento de Fugulin et al.(8).

• Levantamento do tempo de assistência de enfermagem

Para esta variável, foram utilizadas as horas médias de assistência de enfermagem preconizadas pela Resolução COFEN nº 189/ 96(9), acrescentando, para os pacientes que requerem cuidados de alta dependência, uma estimativa de seis horas, uma vez que esta Resolução não contempla este tipo de cuidado.

• Determinação do percentual de cada categoria profissional

Neste estudo foram considerados os percentuais recomendados por essa Resolução, acrescentandose os mesmos valores dos cuidados mínimos para os cuidados de alta dependência.

• Identificação da jornada efetiva de trabalho

Considerando que os trabalhadores não são igualmente produtivos o tempo todo do turno de trabalho, optou-se, pelo percentual de 85,0% da jornada média de seis horas de trabalho, avaliado como excelente (12).

• Identificação do percentual de ausências previstas e não previstas da equipe de enfermagem

As ausências previstas (dias destinados às folgas e férias), foram calculadas seguindo as equações do cálculo de pessoal(1), adaptados às peculiaridades da instituição, como a inclusão dos feriados do ano nas folgas mensais.

As informações relativas às ausências não previstas (soma de diversas ausências, tais como faltas, licenças médicas, licenças maternidade, paternidade e nojo), foram coletas retrospectivamente, das escalas mensais de trabalho do período de janeiro a dezembro de 2001.

• Aplicação da equação para dimensionar o pessoal de enfermagem

O cálculo do pessoal de enfermagem foi realizado com a inserção dos dados coletados em planilha eletrônica, que facilita a operacionalização da equação, cedida pela Profª. Dr.ª Raquel R. Gaidzinski e as etapas deste cálculo foram armazenadas neste banco de dados.

Os dados obtidos foram comparados com o quadro de dimensionamento de pessoal de enfermagem do HSP, que utiliza a equação da Associação Americana de Hospitais/ Liga Nacional de Educação de Enfermagem(13) com alguns ajustes. Desta forma, os dados utilizados para este cálculo são os utilizados desde 1998:

• Classificação de pacientes: calculada segundo o instrumento de Classificação de Pacientes de Fugulin et al.(8), realizada apenas por um mês;

• Índice de Segurança Técnica: 35,0% (acordado com o Diretor Superintendente );

• Produtividade: 100%;

• Carga horária semanal: 36 horas;

• Percentual de cada categoria profissional: 40,0% de enfermeiras e 60,0% de técnicos e auxiliares de enfermagem para cuidados intensivos; 30,0% de enfermeiras e 70,0% de técnicos e auxiliares de enfermagem para cuidados semiintensivos; 20,0% de enfermeiras e 80,0% de técnicos e auxiliares de enfermagem para cuidados de alta dependência, intermediários e mínimos.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Classificação dos pacientes internados

A admissão dos pacientes nas unidades de internação do HSP é realizada tendo em vista o ensino das disciplinas médicas, desconsiderando a complexidade assistencial. Esta situação produz distorções nos resultados do dimensionamento de pessoal e, dependendo do momento da coleta de dados referente a esta classificação, ocasiona a previsão maior ou menor do número de pessoal de enfermagem

No período da coleta de dados foram classificados 43.228 pacientes, sendo que o maior percentual destes (30,8%) exigia nível de cuidados mínimos, apesar do HSP, ser categorizado de nível terciário e ser referência para a realização de procedimentos médicos de alta complexidade. A seguir, encontram-se os pacientes que demandaram cuidados intermediários (27,5%), cuidados de alta dependência (22,0%), cuidados intensivos (12,0%) e, cuidados semiintensivos (7,6%) -Tabela 1.

 

 

O agrupamento de pacientes por sistemas de classificação da complexidade assistencial, além de melhorar a qualidade dos cuidados prestados, é viável também para alocar recursos humanos e materiais, diminuindo o custo dos cuidados de enfermagem(14). A autora recomenda ainda que o instrumento de classificação seja utilizado como critério para a transferência dos pacientes.

Os critérios tradicionalmente adotados, em hospitais públicos e de ensino, distribuem os pacientes por especialidades médicas e sexo, dificultando tanto a prestação da assistência de enfermagem como a manutenção de recursos humanos e materiais para atender pacientes que requerem níveis de cuidados diversificados(8). Estes critérios ocasionam também situações de desconforto para pacientes e familiares, quando são obrigados a conviver com pacientes cujo estado geral encontra-se comprometido. A assistência de enfermagem nessa situação restringe-se ao atendimento das necessidades biológicas, em detrimento das psico-sócio-espirituais e educativas, comprometendo a integralidade dos cuidados prestados a esta clientela.

O instrumento de classificação utilizado mostrou-se inadequado para as unidades pediátricas, segundo as enfermeiras que realizaram a coleta de dados, por não caracterizarem o perfil desta clientela.

Levantamento do tempo de assistência de enfermagem

Os dados sobre as médias de horas de enfermagem despendidas por paciente/dia, segundo os níveis de complexidade assistencial, são demonstrados na Tabela 2.

 

 

Apesar da classificação dos pacientes demonstrar que aqueles que requeriam cuidados mínimos constituíram a maioria dos internados nas unidades, verifica-se na Tabela 2 que os pacientes de cuidados intensivos demandaram maior tempo de assistência prestada pela equipe de enfermagem (30,9%), seguidos pelos de cuidados de alta dependência (21,8%), cuidados intermediários (21,2%), cuidados mínimos (15,3%) e cuidados semi-intensivos (10,7%).

Ausências previstas e não previstas da equipe de enfermagem

Os dados relacionados às ausências previstas e não previstas e o total de acréscimo referentes às enfermeiras e aos profissionais de nível médio são apresentados nas Tabelas 3 e 4.

 

 

 

 

Pode-se observar, na Tabela 3, que as unidades que apresentaram um percentual maior de ausências não previstas das enfermeiras foram: Ala C do 9º andar (17,0%); Cirurgia Plástica (16,4%); UPOCC (15,7 %) e Pediatria (11,4%). Este resultado foi devido às licenças maternidade e às licenças prolongadas por perícia médica, e indica que provavelmente as licenças médicas não estejam associadas ao ambiente de trabalho, uma vez que apenas uma das unidades (UPOCC) é de terapia intensiva, onde se supõe que o trabalho seja mais estressante e com maior risco ocupacional.

Analisando os motivos que levam os trabalhadores de enfermagem ao absenteísmo, um estudo ressalta que não se pode tratar os dados meramente sob o ponto de vista quantitativo, mas também sob a óptica qualitativa, considerando os trabalhadores como pessoas que têm vínculos fora da instituição (15). As folgas representaram um percentual maior das ausências, sendo que os valores de 44,8%, da Otorrino+Oftalmologia e 45,4%, da Retaguarda do Pronto Socorro Crônicos, foram atribuídos ao maior número de enfermeiras com vínculo UNIFESP, que tiveram dez folgas por mês, em 2001. A necessidade de acréscimo mais expressiva foi a da UPOCC (76,0%), seguida da unidade de Cirurgia Plástica (73,0%).

Quanto aos profissionais de nível médio, observa-se na Tabela 4 que a unidade de internação da Cirurgia Plástica apresentou o maior percentual de ausências não previstas (12,4%), devido aos funcionários em perícia médica. As folgas representaram o maior percentual das ausências, com valores de 38,3%, encontrados nas unidades de: Neurocirurgia; Cirurgia Pediátrica; Gastroclínica; Geriatria+ Endócrino+Tórax; Berçário; DIPe; UTI Cardiologia; UTI Geral e UTI Neurocirurgia. O percentual de total da necessidade de acréscimo mais significativo foi de 62,0%, nas unidades de: Neurocirurgia; Cirurgia Plástica e UTI Neurocirurgia.

Observa-se nas Tabelas 3 e 4 que as ausências previstas representaram um percentual maior que o de ausências não previstas, nas categorias de enfermeiras e de técnicos/ auxiliares de enfermagem, sendo que os valores mais expressivos foram os referentes às folgas. Esta proporção elevada reflete a política de Recursos Humanos da UNIFESP, freqüentemente estendida aos funcionários contratados pelo HSP, de compensar os baixos salários com um maior número de folgas, e até mesmo diferenciar as unidades de internação consideradas "fechadas" ou insalubres com uma folga a mais. Esta medida gera a necessidade de maior acréscimo de funcionários para a cobertura das ausências.

A Tabela 5 apresenta o quadro de pessoal atual e o projetado resultante da aplicação do modelo de Gaidzinski(1), segundo as unidades de internação.

 

 

Na Tabela 6 estão apresentados os mesmos quadros de pessoal da Tabela 5, distribuídos segundo os grupos de unidades de internação.

 

 

A comparação entre os quadros de pessoal de enfermagem existente e projetado, nas Tabelas 5 e 6, mostra discrepância entre o número de enfermeiras e dos técnicos/auxiliares de enfermagem.

Quanto às enfermeiras, o número projetado é maior do que o quadro existente nas unidades cirúrgicas, clínicas, de cuidados intensivos e pediátricas. Em relação aos profissionais de nível médio, o quadro atual é maior do que o projetado em quatro grupos de unidades, principalmente nas UTIs e clínicas. Pelos cálculos efetuados segundo o modelo Gaidzinski1, seria necessário admitir mais 76 enfermeiras e reduzir em 97 o número de técnicos/auxiliares de enfermagem do quadro dimensionado pela Diretoria de Enfermagem do HSP.

Quanto à relação número de leitos por enfermeiras do quadro projetado, observa-se na Tabela 5 que, quando analisada por unidades de internação, a menor foi para a UPOCC (0,4) e a maior para a Psiquiatria (6,0). Para os técnicos/auxiliares de enfermagem, a menor relação foi na UTI Neurocirurgia (0,5) e a maior para a unidade da Psiquiatria (2,2).

Na Tabela 6, a distribuição por grupos de unidades permite verificar que a menor relação encontrada foi para as UTIs (0,5 leitos/enfermeiras e 0,6 leitos por técnicos/auxiliares de enfermagem), e a maior foi para a unidade obstétrica (4,1 leitos/ enfermeiras e 1,5 leitos/ técnicos/ auxiliares de enfermagem).

Ressalta-se que, apesar do estudo realizado demonstrar que, pela aplicação do modelo de Gaidzinski (1), o quadro de pessoal de enfermagem do HSP, com alguns ajustes, é compatível com a necessidade de assistência aos pacientes internados, permanece ainda a percepção das enfermeiras quanto à insuficiência de pessoal no quadro existente. As causas atribuídas a esta percepção são: inconstância do número e grau de complexidade dos pacientes internados na maioria das unidades; falta de alocação de pessoal para cobrir licenças médicas prolongadas e licenças maternidade; e morosidade na reposição das vagas decorrentes de desligamentos e aposentadorias.

Um estudo semelhante realizado no Hospital Universitário da Universidade de São Paulo, sugere que, para corrigir a distorção provocada pela distribuição irregular do número de pacientes internados, podem ser incorporados ao cálculo, além da média diária de pacientes, o desvio padrão e a mediana das amostras diárias do número de pacientes(6). A soma do desvio padrão, segundo a autora, adequa o resultado, melhorando o provimento de pessoal para a assistência de enfermagem, porém este recurso só deve ser empregado em unidades onde a ocupação dos leitos não é de 100%.

 

CONCLUSÕES

Face aos resultados encontrados neste estudo, concluiu-se que:

• Quanto aos níveis de complexidade dos cuidados de enfermagem, apesar do Hospital São Paulo ser categorizado como de nível terciário, os pacientes internados demandaram principalmente de cuidados mínimos (30,8%); seguidos pelos intermediários (27,5%); cuidados de alta dependência (22,0%); cuidados intensivos (12,0%) e cuidados semi-intensivos (7,6%). A distribuição dos pacientes segundo este sistema de classificação foi diversificada nas unidades de internação, com algumas exceções, dificultando o provimento adequado de pessoal de enfermagem na rotina diária destas unidades;

• o tempo destinado à prestação da assistência de enfermagem aos pacientes classificados foi maior para os pacientes que necessitavam de cuidados intensivos (30,9%), seguidos pelos de alta dependência (21,8%), intermediários (21,2%), mínimos (15,3%) e semi-intensivos (10,7%);

• cerca de 50,0% das ausências não previstas das enfermeiras foram referentes às licenças maternidade. A distribuição destas ausências para os técnicos/auxiliares de enfermagem foi homogênea entre faltas, licenças médicas, licenças maternidade e outras;

• o dimensionamento do pessoal de enfermagem realizado segundo o modelo de Gaidzinski(1) indicou um total de 337 enfermeiras e 557 técnicos/auxiliares de enfermagem. A comparação entre os quadros de pessoal de enfermagem existente no HSP e o projetado, demonstrou carência de 76 enfermeiras e excesso de 97 técnicos/auxiliares de enfermagem.

A análise das variáveis intervenientes no processo de dimensionamento do pessoal de enfermagem do HSP apontou a necessidade de reorganização do processo de trabalho referente ao agrupamento de pacientes por complexidade assistencial; e a diminuição do valor do acréscimo relativo às ausências.

Ressalta-se a importância da realização de novos estudos, a fim de obter subsídios para diminuir as ausências programadas e não programadas, assim como comparar os resultados obtidos com hospitais de porte e complexidade semelhantes

 

REFERÊNCIAS

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Artigo recebido em 12/08/04 e aprovado em 28/09/04

 

 

* Trabalho extraído da Dissertação de Mestrado "Dimensionamento do pessoal de enfermagem das unidades de internação do Hospital São Paulo.", 2003 Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP. E-mail: Mari@oftamo.epm.br

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