SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.20 issue3Adherence to an early rehabilitation program among women who underwent mastectomy author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Acta Paulista de Enfermagem

Print version ISSN 0103-2100On-line version ISSN 1982-0194

Acta paul. enferm. vol.20 no.3 São Paulo July/Sept. 2007

https://doi.org/10.1590/S0103-21002007000300001 

EDITORIAL

 

A importância da enfermeira nas ações governamentais de redução de morbi mortalidade materna e neonatal

 

 

O relatório de gestão da Área Técnica de Saúde da Mulher do Ministério da Saúde (2003-2006) aponta a estabilização da mortalidade materna, a partir de 2000, com razão de morte materna (RMM) de 51,52 em 2000, 50,23 em 2001, 53,77 em 2002, 51,74 em 2003 e 54,35 óbitos(1) por 100 mil nascidos vivos em 2004, podendo estar associada à melhoria na qualidade da atenção obstétrica e ao planejamento reprodutivo. No entanto, os números demonstram que a situação ainda é inaceitável, pois em países desenvolvidos este indicador oscila de 6 a 20 óbitos por 100 mil nascidos vivos.

Por outro lado, a mortalidade por causas perinatais representa atualmente o principal contingente das mortes no primeiro ano de vida. Os fatores causais estão intimamente ligados às condições de saúde e nutrição, nível de escolaridade e de vida das mulheres, assim como à qualidade da atenção prestada durante o pré-natal, no parto e ao recém-nascido. A diminuição da mortalidade infantil observada no País – 33,2/1.000 nascidos vivos em 1996 para 22,64/1.000 nascidos vivos em 2004 - decorreu principalmente da queda do componente pós-neonatal. A mortalidade neonatal passou a ser o principal componente da mortalidade infantil em termos proporcionais a partir dos anos 90 e, a Taxa de Mortalidade Neonatal foi de 15,8/1.000 nascidos vivos em 2003 e de 15,0/1.000 nascidos vivos em 2004.

O desafio de reduzir os indicadores de morbi mortalidade materna e neonatal no plano assistencial exige ações de saúde, especialmente voltadas para a atenção básica que se iniciam no pré-natal com o estabelecimento de um plano para redução da transmissão vertical do HIV, eliminação da sífilis na gestação e congênita, eliminação do tétano neonatal e, alcança assistência no espaço hospitalar por meio de uma campanha nacional pelo parto normal, redução das cesáreas desnecessárias e promoção da atenção obstétrica e neonatal qualificada e humanizada, incluindo a assistência ao abortamento em condições inseguras, para mulheres e adolescentes.

A participação da Enfermagem neste desafio recebeu o reconhecimento no plano legal e institucional para assumir um papel de liderança que foi referendado na última década por Portarias do Ministério da Saúde tais como: Programa de Humanização no Pré-Natal e Nascimento, Política Nacional de Atenção Obstétrica e Neonatal, Pacto Nacional pela Redução da Mortalidade Materna/Neonatal e Política Nacional de Atenção Básica.

Considerando que o objeto de trabalho da enfermagem é o cuidado, na sua dimensão individual e coletiva, construir a prática de enfermagem na saúde reprodutiva sob o enfoque epidemiológico e de gênero exige uma nova postura ética na construção coletiva das práticas e saberes. Esta construção deve ser norteada pela concepção de saúde como direito e pelos princípios básicos do Sistema Único de Saúde.

 

REFERÊNCIAS

1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Análise de Situação em Saúde. Saúde Brasil 2005: uma análise da situação de saúde no Brasil. Brasília (DF): Ministério da Saúde, 2005t. 822 p., il. (Série C. Projetos, Programas e Relatórios).

 

Prof. Dra. Janine Schirmer
Livre-Docente da Disciplina de Enfermagem Obstétrica

Creative Commons License All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License