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Acta Paulista de Enfermagem

Print version ISSN 0103-2100

Acta paul. enferm. vol.24 no.2 São Paulo  2011

https://doi.org/10.1590/S0103-21002011000200001 

EDITORIAL

 

A educação em saúde: um campo de atuação clinica e de pesquisa na enfermagem

 

 

O viver complexo do ser humano e de possíveis problemas reais e potenciais que modificam o processo saúde-doença da população freqüentadora de serviços de saúde atualmente impõe novos desafios aos profissionais envolvidos na prática clínica(1).

A cada dia o ser humano precisa de intervenções mais acuradas e complexas e devido a sua multidimensionalidade, o profissional de saúde isoladamente não consegue atender a todas as demandas dos seus clientes o que evidencia a necessidade de promover uma abordagem interdisciplinar no cuidado despendido(1).

A educação e a saúde são dois campos de atuação em que os profissionais de qualquer nível de atenção à saúde agem no progresso do desenvolvimento humano.

As práticas educativas nesta área devem ser direcionadas para o desenvolvimento de capacidades individuais e coletivas visando à melhoria da qualidade de vida e saúde e melhora no autogerenciamento, principalmente quando relacionamos as doenças crônico-degenerativas(2).

A Organização Mundial de Saúde (OMS) sugere como práticas educativas em saúde a realização de workshops educacionais e de capacitação para pacientes e familiares, a utilização de materiais educativos para a complementação das orientações aos pacientes e às famílias com acesso à informação e apoio ao autogerenciamento fora do estabelecimento de saúde utilizando telefone ou Internet, assim como, o uso de recursos computadorizados para a preparação de materiais individualizados de autogerenciamento(2).

Assim, esta temática tem sido o foco de pesquisas nacionais e internacionais, sobretudo, os estudos relacionados à doenças crônicas, como por exemplo, os de educação em saúde para a modificação do estilo de vida em pacientes coronarianos, hipertensos e diabéticos.

Pesquisas têm demonstrado excelência de trabalhos em grupos para realizar educação em saúde e favorecer a inter-relação profissional-usuário-família, e resultados positivos em auxiliar os mesmos a enfrentar de forma mais adequada as doenças crônicas e possibilitando o empoderamento de seu autocuidado.

Muitas equipes interdisciplinares desenvolvem atividades de educação em saúde para clientes e seus familiares que favorecem a autonomia e a participação de todos na assistência que recebem. A interdisciplinaridade reconhece o crescimento do objeto das ciências da saúde e a conseqüente exigência interna de um olhar não mais singular, e sim plural assim como, traz a possibilidade de trabalho em equipe para encontrar soluções de maneira compartilhada para os problemas das pessoas e das instituições(3). O cuidado direto e indireto ao usuário atual deve ser refletida sobre a luz das propostas da saúde coletiva e educação construtivista.

Face a essas pesquisas constatadas nos principais bancos de dados eletrônicos algumas instituições acadêmicas brasileiras tem se mostrado engajado nesta área de construção de conhecimento na enfermagem criando serviços ambulatoriais que visam promover o acompanhamento longitudinal para pacientes e familiares com o intuito de promover orientações em relação à doença, terapêutica e modificação do estilo de vida.

Dentre esses serviços exemplificamos o ambulatório de educação em saúde inaugurado no começo do ano de 2010 pela Escola Paulista de Enfermagem da Universidade Federal de São Paulo com um espaço físico próprio com atendimento realizado por profissionais enfermeiros nas diversas áreas clinicas com o objetivo de orientação e acompanhamento dos pacientes e familiares usuários dos serviços do Hospital São Paulo, hospital universitário da UNIFESP.

No momento o acima referido mantém o funcionamento com o auxílio de profissionais voluntários e pesquisadores que realizam os atendimentos e acolhimento. Desta forma, as atividades são desenvolvidas desde a sala de espera do serviço até as consultas por telefone que auxiliam no reforço terapêutico concretizando o vínculo entre educador e educando, mas, também, também promovem o amadurecimento intelectual dos educadores por meio de discussões fundamentadas em literaturas sobre desvios identificados durante as consultas contemplados nas esferas bio-psico-social (necessidades humanas básicas).

Este tipo de atendimento que vem ocorrendo em nossa instituição e em outras instituições no Brasil tem sido um diferencial no cuidado em enfermagem e acreditamos que futuras pesquisas dentro desta servirão de base para compreendermos se o processo educacional contínuo para os pacientes e familiares altera a história natural da doença e a melhora na aderência terapêutica assim como, aprimorar os métodos educacionais de acordo com os aspectos sócio-culturais brasileiros.

 

REFERÊNCIAS

1. Matos E, Pires DE. Práticas de cuidado na perspectiva interdisciplinar: um caminho promissor. Texto Contexto Enferm. 2009; 18(2): 338-46.         [ Links ]

2. Organização Mundial da Saúde. Cuidados inovadores pra condições crônicas: componentes estruturais de ação. Relatório anual. Brasília: OMS; 2003.         [ Links ]

3. Saupe R, Cutolo LR, Wendhausen AL, Benito GA. Competência dos profissionais da saúde para o trabalho interdisciplinar. Interface - Comunicação, Saúde, Educação. 2005; 9 (18): 521-36.         [ Links ]

 

Alba Lucia Bottura Leite de Barros
Professora Doutora e Titular da Escola de Enfermagem de Universidade Federal de São Paulo-UNIFESP

Camila de Souza Carneiro
Enfermeira Assistencial da Unidade Coronariana do Hospital São Paulo, Especialista em Enfermagem Cardiovascular InCor-FMUSP, Educadora em Saúde CEDESS-UNIFESP, Mestre e doutoranda da UNIFESP

Vinícius Batista Santos
Especialista em Enfermagem Cardiovascular pela UNIFESP, encarregado das unidades de cardiologia dos Hospital são Paulo e Mestrando pela Escola Paulista de Enfermagem da Universidade Federal de São Paulo

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