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Estudos Avançados

versão impressa ISSN 0103-4014

Estud. av. vol.26 no.74 São Paulo  2012

https://doi.org/10.1590/S0103-40142012000100001 

EDITORIAL

 

 

Á palavras que definem os valores de uma época. Civilização, progresso, evolução foram os termos-chave do século XIX. Ao longo do século XX, preferiu-se desenvolvimento, termo que ainda serve de motor e guia ao pensamento que enforma os projetos das nações contemporâneas. Mas, no bojo desse mesmo conceito central, vêm se formando valores igualmente básicos, e que têm a ver com certos aspectos críticos do desenvolvimento econômico.

Na esfera das relações entre a sociedade civil e o Estado, exige-se, cada vez mais energicamente, que o crescimento econômico não ignore as normas democráticas; e aqui, o valor emergente é o da cidadania. Mas há também outra ordem de exigência: a que preside à relação entre o ser humano e a sua morada, a natureza. Desenvolvimento sem democracia é tecnoburocracia. Desenvolvimento sem respeito ao ambiente é barbárie. A palavra-chave para dizer essa dimensão é sustentabilidade; quando acoplada à matriz econômica, serve para dar-lhe uma conotação ética: o valor resultante é o desenvolvimento sustentável.

Este número de ESTUDOS AVANÇADOS está centrado no conceito e em algumas formas de sustentabilidade que deveriam aplicar-se aos projetos de desenvolvimento concebidos pelas nossas políticas públicas. O dossiê de abertura convida à reflexão sobre o significado e o alcance de uma proposta nacional de ecodesenvolvimento. Daí, a sua composição, que vai de ideias abrangentes ao estudo de situações particulares. Seguem-se ensaios sobre dois aspectos fundamentais de toda política de sustentabilidade: o clima e a energia. Os problemas ambientais inerentes a ambas as dimensões acham-se aqui denunciados com nitidez. Não há, porém, predições catas-tróficas. No caso particular da energia, a hipótese da suficiência de nossas fontes é alentadora e alimenta a esperança de que é possível evitar o risco desnecessário de explorar a energia nuclear.

A oportunidade deste dossiê está comprovada pelos textos dedicados à Rio+20, conferência internacional da ONU, que se dará em junho de 2012. O evento foi objeto de análises pontuais conduzidas por um grupo de trabalho da Universidade de São Paulo. A sua divulgação neste número conforta o projeto do IEA de aliar a competência científica à militância ambiental.

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