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Revista Brasileira de Terapia Intensiva

Print version ISSN 0103-507XOn-line version ISSN 1982-4335

Rev. bras. ter. intensiva vol.32 no.1 São Paulo Jan./Mar. 2020  Epub May 08, 2020

http://dx.doi.org/10.5935/0103-507x.20200001 

EDITORIAL

Pandemia COVID-19

Marcelo Moock1 
http://orcid.org/0000-0003-0260-7108

Patrícia Machado Veiga de Carvalho Mello2 

1Hospital Regional de São José dos Campos - São José dos Campos (SP), Brasil.

2Hospital de Terapia Intensiva - Teresina (PI), Brasil.


Mais uma vez, uma doença avança e preocupa a todos. Diferentemente das outras epidemias e graças aos avanços da ciência, essa gripe foi considerada distinta, seu agente etiológico foi isolado e identificado, e novos testes de detecção foram desenvolvidos em período de tempo recorde. Ainda não há vacinas nem antivirais efetivos para o SARS-2, o coronavirus causador da gripe COVID-19 (coronavirus disease).

A pandemia se alastra da Ásia para o Ocidente. Dispomos de informações epidemiológicas e técnicas qualificadas dos relatos científicos vindos da China e de outros países, publicados nas principais revistas científicas categorizadas. De modo geral, o esforço da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da comunidade científica se volta para ordenar e consolidar essas informações, que são imprescindíveis para a orientação dos profissionais e gestores de saúde, na construção de estratégias seguras e eficazes para o enfrentamento da pandemia.

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) está contribuindo com os Gabinetes de Crise e as Forças Tarefa instalados nos diversos níveis de governo, dando-lhes instruções com informações qualificadas. A partir das recomendações destes conselhos, as autoridades aplicam medidas pertinentes para conter ou mitigar a propagação do vírus.

A ponta da assistência é outro foco relevante do esforço da AMIB. Nosso desafio deve ser o de prover o melhor cuidado possível aos pacientes, com segurança para os profissionais encarregados em seus respectivos turnos de trabalho. Os relatos disponíveis informam que houve contaminação ocupacional e mesmo mortes de profissionais infectados. Diante destas evidências, é fundamental adotar com todo o rigor as medidas já divulgadas pela AMIB em seu site (https://www.amib.org.br). Não é seguro qualquer quebra dos protocolos anunciados. A aderência a essas recomendações aumenta o tempo dedicado ao cuidado dos pacientes, e os gestores devem ficar atentos para mobilizar outros profissionais para tarefas de retaguarda, desonerando aqueles que estão diretamente envolvidos nos cuidados com os pacientes. Outra responsabilidade dos Responsáveis Técnicos e Gestores é assegurar que todos os Equipamentos de Proteção Individual recomendados estejam sempre disponíveis. Nossa força de trabalho não pode ser exposta a riscos adicionais. Deve-se, quando possível, escalar os mais jovens para os cuidados diretos. Os mais velhos podem supervisionar e cumprir as tarefas de retaguarda. As visitas e o fluxo de pessoas nas unidades devem ser restringidos.

As autoridades anunciam a expansão dos serviços de tratamento intensivo no Brasil para o enfrentamento da pandemia. É possível que não haja pessoal qualificado em todas as localidades. A AMIB apoia a expansão e deve prover consultoria remota aos médicos encarregados na assistência. Nosso objetivo é reduzir a mortalidade e a morbidade. Há um enorme capital de conhecimento acumulado na associação e urge expandir e disponibilizar este importante ativo neste momento.

Nossa comunidade está mobilizada e, embora haja apreensão, natural e desejável para a aderência às diretrizes de segurança, triunfará a chama que nos move, que é a de cuidar de todos e salvar a maioria.

Creative Commons License Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.