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Physis: Revista de Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 0103-7331versão On-line ISSN 1809-4481

Physis v.14 n.2 Rio de Janeiro jul./dez. 2004

https://doi.org/10.1590/S0103-73312004000200001 

Editorial

 

 

Uma das marcas constituintes do campo da Saúde Coletiva, e em particular do próprio Instituto de Medicina Social e de sua publicação, esta Physis, que o leitor tem em mãos, tem sido o debate qualificado sobre questões controversas de interesse público, fugindo ao lugar comum e às posições doutrinárias congeladas. Entendemos que essa é uma das atribuições fundamentais da vida acadêmica, qual seja, a de contribuir para um debate de fato, sem pretender de forma alguma tutelar quaisquer participantes.

Este número de Physis, encerrando 2004, traz alguns exemplos dessa contribuição, a começar pelo conjunto de artigos temáticos que focaram a discussão sobre os conceitos de raça e racismo, com contribuições de vários pesquisadores com diferentes abordagens e objetos circunscrevendo a questão, como se vê na apresentação de Laura Moutinho, a editora convidada desse tema.

Na seção de atualização, outro debate contemporâneo é o tema do artigo de Márcia Arán e Marilena Corrêa, que apresentam o estado da arte do debate sobre o reconhecimento jurídico e social do casal homossexual, tema que transcende a própria área da Saúde Coletiva.

Os artigos de tema livre são abertos pelo texto de Hésio Cordeiro, ex-diretor e um dos fundadores do IMS, ator dos mais relevantes na história recente da Saúde Coletiva em nosso meio, que faz uma reconstrução histórica da trajetória do chamado movimento sanitário até a configuração do SUS, com destaque para a contribuição do meio acadêmico, e em particular do IMS, para o processo. Ainda que marcado, como não poderia deixar de ser, pelo protagonismo de seu autor nos eventos que descreve e analisa, nem por isso deixa de lado o necessário rigor acadêmico, concluindo com a proposição de uma renovada agenda de pesquisas para nosso setor. Esse artigo foi preparado a partir de uma conferência proferida pelo professor Hésio Cordeiro, como parte do ciclo de eventos que marcaram a comemoração, em 2004, dos 30 anos do Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva do IMS.

Segue-se o artigo de Larissa Pereira, sobre a gestão da força de trabalho na saúde pública em nosso país ao longo da década de 90, apontando para o paradoxo de tentativa de construção de uma rede de serviços para garantir e expandir direitos de cidadania, à custa de negá-los, ao menos em parte, aos seus próprios trabalhadores, crescentemente precarizados pela expansão de processos de terceirização.

Encerrando a seção, temos a honra de contar novamente com a contribuição de Claudine Herzlich, uma das mais importantes autoras na área de Ciências Sociais em Saúde em todo o mundo. Nesse novo artigo, trata da dualidade presente na experiência do adoecer, ao mesmo tempo privada e pública, apresentando uma revisão histórica dos vários momentos e abordagens presentes no seu campo disciplinar ao longo das últimas cinco décadas (ao menos), concluindo com uma reavaliação do impacto e sentido apresentado pela pandemia de HIV/aids como fenômeno social.

Na seção de resenhas, Simone Monteiro comenta a coletânea organizada por Marcelo Burgos, A utopia da Comunidade Rio das Pedras, uma favela carioca; Martha Celia Ramírez-Gálvez escreve sobre A arte de enganar a natureza: contracepção, aborto e infanticídio no início do século XX, de Fabíola Rohden; Sonia Maria Giacomini aborda Nu & Vestido: dez antropólogos revelam a cultura do corpo carioca, coletânea organizada por Mirian Goldenberg e outros; e finalmente a resenha de Osmundo Pinho, sobre Etnicidade na América Latina: um debate sobre raça, saúde e direitos reprodutivos, coletânea organizada por Simone Monteiro e Livio Sansone, encerra este volume.

A partir deste número, o professor André Rangel Rios deixa a editoria principal da Physis. Em nome do Conselho Editorial da revista, gostaria de agradecer ao André por sua dedicação e trabalho exemplar, essenciais para a manutenção do padrão editorial já consagrado de nossa revista. Esperamos estar à altura do desafio de prosseguir no rumo traçado por sua editoria, e desejamos sucesso aos novos projetos a que se dedicará.

 

KENNETH R. DE CAMARGO JR

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