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Ciência Rural

Print version ISSN 0103-8478

Cienc. Rural vol.24 no.1 Santa Maria  1994

https://doi.org/10.1590/S0103-84781994000100011 

EXIGÊNCIAS TÉRMICAS E CARACTERÍSTICAS AGRONÔMICAS DE CULTIVARES COMERCIAIS E EXPERIMENTAIS DE GIRASSOL NA DEPRESSÃO CENTRAL DO RIO GRANDE DO SUL

 

TERMAL REQUIRENMENT AND AGRONOMIC TRAITS OF COMERCIAL AND EXPERIMENTAL SUNFLOWER CULTIVARS AT DEPRESSÃO CENTRAL OF RIO GRANDE DO SUL, BRAZIL

 

Paulo Regis Ferreira da Silva1 Andréa Brondani da Rocha2 Paulo Ricardo Azevedo Silva2

 

 

RESUMO

A utilização de métodos baseados nas exigências térmicas da cultura do girassol permite avaliar a possibilidade de adaptação de cultivares às regiões de cultivo, bem como definir diferenças entre as mesmas, prever a maturação de plantas e determinar a melhor época de semeadura. Objetivando quantificar as exigências térmicas do subperíodo emergência-florescimento de cultivares comerciais e experimentais de girassol e avaliá-las quanto a rendimento de grãos, teor e rendimento de óleo e outras características agronômicas, foram realizados dois experimentos durante o ano agrícola de 1991/92, no município de Eldorado do Sul-RS. No experimento 1 (Ensaio Final) foram avaliadas 11 cultivares e no experimento 2 (Ensaio Intermediário), 14. No experimento 1 foi possível distinguir quatro grupos de cultivares em relação à duração do subperíodo emergência-florescimento e no experimento 2 observou-se a formação de três grupos distintos de cultivares em relação ao mesmo parâmetro. No experimento 1, as cultivares ICI EX 9001, S 430, DK 180, BR-G 89 V2000, Contisol 711, GR 18 e VI KI compuseram o grupo de maior rendimento de grãos. Já no experimento 2, as variedades DK 180, Pioneer XF 3617, Pioneer 91012 e Cargill 9102 fizeram parte do grupo que apresentou maior rendimento de grãos.

Palavras-chave: Helianthus annuus L., soma térmica, rendimento de grãos, teor e rendimento de óleo.

 

SUMMARY

The utilization of methods based on thermal requirenment of sunflower permits to evaluate the possibility of cultivars adaptation to different áreas, as well as define differences among these cultivars, preview plant maturity and realize a better choice of planting date. With the objective of determining thermal exigence of emergence-flowering subperiod of comercial and experimental sunflower cultivars and evaluate these cultivars in relation to grain yield, oil content and other agronomic characteristics, two experiments were carried out during 1991/92, at Eldorado do Sul, RS. In experiment 1 (Final Trial) 11 cultivars were tested, and in experiment 2 (Intermediary Trial), 14 cultivars. In the first experiment it was possible to distinguish four groups of cultivars in relation to emergence-flowering subperiod duration and in the second trial three different group of cultivars were observed for the same parameter. In experiment 1. the varieties named ICI EX 9001, S 430, DK 180. BR-G 89 V2000, Contisol 711, GR 18 and VIKI compounded the group with the highest grain yield, while in experiment 2, DK 180, Pioneer XF 3617, Pioneer 91012 and Cargill 9102 were in a group with the highest grain yield.

Key words: Helianthus annuus L., thermal requirenment, grain yield, oil content and yield.

 

 

INTRODUÇÃO

Devido ao contínuo surgimento de novas cultivares de girassol, desenvolvidas por instituições de pesquisa públicas ou privadas, faz-se necessário testá-las por um determinado número de anos e em diversos locais, visando recomendações para cultivo comercial. Com a execução destes testes são geradas informações que são utilizadas como subsídios pela Comissão Nacional de Cultivares de Girassol para indicar as mais adaptadas para cultivo nas diferentes regiões produtoras.

Em estudos de competição de cultivares de girassol é importante a avaliação da duração de seus subperíodos de desenvolvimento e do ciclo total da planta dentre outros parâmetros. Como o método dos dias do calendário apresenta grande variabilidade no que diz respeito à previsão de estádios fenológicos de diferentes cultivares, à medida em que se varia de local, época de semeadura ou ano, foi proposto o método de cálculo de unidades térmicas de desenvolvimento (ROBINSON, 1971). Esta técnica baseia-se no princípio geral de que certas fases de desenvolvimento de algumas culturas são antecipadas com aumentos progressivos de temperatura, dentro de certos limites (Chang apud SANGOI & SILVA, 1986). A utilização de métodos baseados em exigências térmicas de uma dada cultura permite definir diferenças entre cultivares, bem como prever, com razoável exatidão, a maturação de plantas, adaptação de variedades a diversas regiões e a época de semeadura mais propicia, de maneira a fazer coincidir os períodos críticos da cultura com condições climáticas mais favoráveis. Além disto, o método da soma térmica é utilizado para se fazer coincidir a época de florescimento de linhagens para a obtenção de híbridos e posterior produção de sementes.

O presente trabalho teve como objetivos: a) determinar a exigência térmica necessária para completar o subperiodo emergência-florescimento das distintas cultivares através dos métodos de cálculo de unidades térmicas e dias do calendário; e b) avaliar cultivares comerciais e experimentais de girassol, quanto a rendimento de grãos, teor e rendimento de óleo, e tolerância à moléstias, na região fisiográfica da Depressão Central do Rio Grande do Sul.

 

MATERIAL E MÉTODO

Foram conduzidos dois experimentos na Estação Experimental Agronômica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (EEA/UFRGS), durante o ano agrícola de 1991/92. No experimento 1 (Avaliação de cultivares do Ensaio Final de Girassol) foram avaliadas as seguintes cultivares: S430 e S530 (Cargill Agrícola S.A.), IAC-Anhandy (IAC-Campinas), VIKI (CNPSo/Hungria), GR 10, GR 16 e GR 18 (Rogobrás Sementes), BR-G89V2000(CNPSo/EMBRAPA), Contisol 711 e EX 9001 (ICI sementes) e DK 180 (Braskalb Sementes). No experimento 2 (Avaliação de Cultivares Experimentais de Girassol) foram testadas quatro cultivares procedentes da Pioneer Sementes (Pioneer 6445, Pioneer 6510, Pioneer 91012 e Pioneer XF3617), quatro da Cargill Agrícola S.A. (Cargill 3, Cargill 4, Cargill 9101 e Cargill 9102) e duas cultivares procedentes da Hungria/CNPSo (Citosol 3 e Citosol 4). Foram utilizadas como testemunhas as cultivares BR-G 89 V2000 (CNPSo/EMBRAPA), GR 16 (Rogobrás Sementes), Contisol 711 (ICI Sementes) e DK 180 (Braskalb Sementes).

O delineamento experimental utilizado nos dois ensaios foi o de blocos completamente casualizados, com quatro e três repetições, respectivamente, nos experimentos 1 e 2.

Os experimentos foram instalados em 28 de agosto de 1991 e a densidade de semeadura foi de 50.000 plantas/ha. A adubação constou na aplicação de 25, 100 e 100kg/ha de N, P2O5 e K2O, respectivamente, e de 2kg/ha de B, antes da semeadura, e de 80kg/ha de nitrogénio em cobertura quando as plantas estavam no estádio V4 da escala de SCHNEITER & MILLER (1981).

Plantas daninhas e pragas foram controladas a nível que não afetasse a expressão do potencial de rendimento das cultivares avaliadas nos dois experimentos.

As determinações realizadas foram as seguintes: duração do subperíodo emergência-floração, considerando-se atingida a floração quando 50% das plantas na parcela estavam no estádio R5.5 da escala de SCHNEITER & MILLER (1981); índice de infecção causada por Puccinia helianthi; rendimento de grãos; teor e rendimento de óleo.

O índice de infecção causada por Puccinia helianthi foi calculado de acordo com a metodologia proposta por ALMEIDA et al. (1981), na qual eram avaliadas e atribuídas notas de acordo com a percentagem da superfície atingida na face inferior das plantas. Os valores obtidos numa mesma parcela foram utilizados para a obtenção da nota média final, através da fórmula:

Índice de infecção = ∑(nota da infecção x frequência)/ n° de leituras

O cálculo das unidades térmicas para o sub-período emergência-florescimento das cultivares avaliadas nos dois experimentos, foi realizado através da seguintes expressão:

Temperatura = (T. máx. + T. min.) - Tb/2

onde: T. màx. é a temperatura atmosférica máxima diária, T. min. a temperatura atmosférica mínima diária e Tb a temperatura base. A temperatura base utilizada foi de 7,2°C, conforme sugerido por ROBINSON (1971). Os valores das temperaturas foram obtidos na Estação Agrometeorológica da EEA/UFRGS em Eldorado do Sul. Os dados obtidos foram submetidos à análise da variância pelo F-Teste e as médias das cultivares foram comparadas pelo teste de Duncan, a 5% de probabilidade.

 

RESULTADOS

Os dados de soma térmica, rendimento de grãos, teor e rendimento de óleo e índice de infecção de ferrugem relativos ao Ensaio Final de cultivares encontram-se na Tabela 1. As cultivares comerciais de girassol diferenciaram-se em quatro grupos em relação à duração do subperíodo emergência-florescimento: o constituído pelas variedades BR-G 89 V2000, GR 16, GR 18 e Contisol 711, com soma térmica variando de 600 a 700 unidades térmicas (UT). As cultivares ICI EX 9001 e IAC-Anhandy constituíram o segundo grupo, apresentando soma térmica entre 700 e 800 UT. O terceiro grupo, cuja variação foi de 800 a 900 UT, foi formado pelas variedades VI KI, DK 180, GR 10 e S 430. A cultivar S 530 apresentou-se como a mais tardia, com soma térmica superior a 900 UT.

 

 

O rendimento de grãos variou de 1733 a 2369kg/ha, com diferenciação de três grupos de cultivares: o das mais produtivas, composto por ICI EX 9001, DK 180,430, BR-G 89 V2000, GR 18, VIKI e Contisol 711. No grupo das menos produtivas foram incluídas as cultivares GR 10 e S 530. As demais cultivares formaram um grupo intermediário.

A cultivar VIKI fez parte do grupo que apresentou maior rendimento de óleo devido ao seu alto teor de óleo nos aquênios. As demais cultivares que compuseram este grupo o fizeram em função de apresentarem rendimento de grãos elevados.

Os dados relacionados às características fenolôgicas e fenométricas, correspondentes ao Ensaio Intermediário encontram-se na Tabela 2.

 

 

As cultivares experimentais de girassol foram agrupadas em três grupos em relação à duração do subperíodo emergência-florescimento. O constituído pelas cultivares BR-G 89 V2000, GR 16 e Contisol 711, que apresentou até 705 unidades térmicas (UT). As cultivares Pioneer 91012, Cargill 9101, Pioneer XF 3617 e Cargill 3 compuseram o segundo grupo, cuja variação foi de 705 a 800 UT. O terceiro grupo foi formado pelas cultivares Cargill 4, Pioneer 6510, Cargill 9102, Citosol 3, Citosol 4, DK 180 e Pioneer 6445, com soma térmica superior a 800 UT.

O rendimento de grãos variou de 2091 a 3090 kg/ha, destacando-se no grupo das mais produtivas as cultivares DK 180, Pioneer XF 3617, Pioneer 91012 e Cargill 9102 e, no das menos produtivas, a cultivar Pioneer 6445; as demais cultivares formaram um grupo intermediário.

Com relação a rendimento de óleo, as cultivares Pioneer XF 3617, DK 180, Pioneer 91012, Citosol 4, Cargill 9102, Cargill 9101 e Pioneer 6510 foram as mais produtivas. Por outro lado, as cultivares que apresentaram menor rendimento de óleo foram: GR 16, Contisol 711, BR-G 89 V2000 e Citosol 3. Neste experimento, a cultivar Pioneer 6445, embora com baixo rendimento de grãos, apresentou maior rendimento de óleo, em função do alto teor contido nos aquênios. As variedades Cargill 9102, DK 180 e Pioneer 91012 também fizeram parte do grupo que mais produziu óleo, em função de seus elevados rendimentos de grãos. Já a cultivar Pioneer XF 3617, além de ser muito rica em óleo, apresentou alto rendimento de grãos.

Nos dois experimentos não se observou correlação entre o somatório de unidades térmicas calculadas durante o subperíodo emergência-florescimento com rendimento de grãos ou com teor de óleo nos aquênios. Estes resultados contrariam os obtidos em experimentos anteriores (SCHIOCHET et al., 1983). Nas cultivares de ciclo mais longo a duração do subperíodo antese-maturação fisiológica foi menor em relação ao das precoces, fazendo com que não houvesse expressão de seu maior potencial de produtividade.

Esta redução na duração do enchimento de grãos pode estar associada ao fato de que o índice de infecção por Puccinia heliankhi ter sido maior nas cultivares que requerem maior soma térmica para florescer. Com isto, a fotossíntese provavelmente foi afetada, pois a formação de pústulas reduz a área fotossintética, acelerando o processo de senescência foliar, com consequente redução na produtividade. Além da fotossíntese, também os fitohormônios desempenham papel importante na regulação do enchimento de grãos e senescência foliar (Michael & Berin-gerapud NEPOMUCENO, 1989). Sob o ponto de vista da ação hormonal, estresses ambientais podem provocar" mudanças no balanço de fitohormônios, alterando as relações de fonte e demanda (EGLI et al, 1985) e, conseqüentemente, o ciclo das cultivares. Considerando que a ocorrência de ferrugem seja um fator ambiental estressante, a sua ocorrência pode ter contribuído para a redução do subperíodo florescimento-maturação fisiológica nos genótipos de ciclo mais longo.

 

CONCLUSÕES

- Nos dois experimentos distinguiram-se, pelo método de cálculo de unidades térmicas de desenvolvimento, grupos de cultivares quanto a duração de ciclo.

- No experimento 1, as cultivares ICI EX 9001, S 430, DK 180, BR-G 89 V2000, Contisol 711, GR 18 e VI KI compuseram o grupo de maior rendimento de grãos e de óleo, enquanto as cultivares GR 10, S 530, GR 16 e IAC Anhandy formaram o grupo com menor rendimento.

- No experimento 2, as cultivares DK 180, Pioneer XF 3617, Pioneer 91012 e Cargill 9102 fizeram parte do grupo que apresentou maior rendimento de grãos e de óleo; Citosol 4, Cargill 9101 e Pioneer 6510, também participaram do grupo com maior rendimento de óleo, embora tivessem feito parte de um grupo intermediário quanto ao rendimento de grãos. As cultivares GR 16, Contisol 711, BR-G 89 V2000 e Citosol 3 compuseram o grupo que apresentou os menores rendimentos de óleo, com valores inferiores a 1000 kg/ha.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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1Engenheiro Agrônomo, Ph.D., Professor Adjunto do Departamento de Plantas de Lavoura, UFRGS e Bolsista do CNPq, Caixa Postal 776. 90001-970 - Porto Alegre, RS.

2Acadêmicos do Curso de Agronomia da UFRGS, bolsistas de Iniciação Cientifica do CNPq.

 

Recebido p/ publicação em 26/02/93. Aprovado em 18/08/93.

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