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Ciência Rural

Print version ISSN 0103-8478On-line version ISSN 1678-4596

Cienc. Rural vol.30 no.6 Santa Maria Nov./Dec. 2000

https://doi.org/10.1590/S0103-84782000000600027 

ANESTESIA EM AVES :AGENTES ANESTÉSICOS

 

ANESTHESIA IN BIRDS: ANESTHETICS AGENTS

 

Luciana Dambrosio Guimarães1 Aury Nunes de Moraes2

 

- REVISÃO BIBLIOGRÁFICA -

 

 

RESUMO

A prática da anestesia inalatória em aves vem ganhado grande popularidade principalmente na clínica de animais exóticos. Os programas de preservação de aves exóticas, principalmente da fauna brasileira, vem aumentando bastante, bem como, o número de problemas cirúrgicos e não cirúrgicos que, muitas vezes, requerem anestesia geral. Existe uma carência muito grande em relação à literatura sobre a anestesia dessas espécies, com pequeno número de trabalhos publicados com diversidade de protocolos anestésicos. O objetivo desta revisão é relatar os efeitos dos principais agentes anestésicos utilizados na medicação pré-anestésica e na manutenção anestésica de aves após uma revisão de literatura dos últimos 20 anos.

Palavras-chave: anestesia, ave, cirurgia.

 

SUMMARY

The preservation programs in exotics birds, mainly those the brazilian fauna, has increased as well the nunber of surgery and not surgery problems those required general anesthesia. There are few articles in the last years that talk about bird’s anesthesia, especially in inhalation anesthesia. The goal this review paper is discusses the effects of main anesthetic protocols used in birds in the last 20 years.

Key words: naesthesia, bird, surgery.

 

 

INTRODUÇÃO

Nos últimos anos, o aumento no interesse pela conservação da vida selvagem parece ter levado a uma crescente demanda pela anestesia de aves selvagens ou semi-selvagens para propósitos cirúrgicos (HALL & CLARKE, 1987).

Segundo LUDDERS & MATTHEWS (1996), os anestésicos injetáveis são utilizados freqüentemente, todavia existem várias desvantagens (SKARDA et al. , 1995; LUDDERS & MATTHEWS, 1996). De acordo com HALL & CLARKE (1987), LINN & GLEED (1987), SKARDA et al. (1995) e LUDDERS & MATTHEWS (1996), a anestesia inalatória é preferida aos anestésicos injetáveis, sendo a técnica de escolha para procedimentos extensos ou curtos (LINN & GLEED, 1987). O isofluorano e o halotano são os agentes mais utilizados (LUDDERS & MATTHEWS, 1996), sendo o isofluorano o preferido (DOHOO, 1990; SKARDA et al., 1995), mas recentemente estudos sobre a utilização do sevofluorano em pombos (KORBEL, 1998) e galinhas (GUIMARÃES, 1999) têm confirmado as vantagens desse agente em relação ao isofluorano.

O presente estudo tem como objetivo relatar os efeitos de vários agentes anestésicos e doses utilizadas em diversas espécies de aves, contribuindo para suprir as deficiências literárias e facilitar a escolha do agente ideal para uma determinada espécie e situação por parte do anestesiologista.

 

1. MEDICAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA

A medicação pré-anestésica (MPA) é raramente indicada para aves de pequeno tamanho e que podem ser contidas manualmente (SKARDA et al. , 1995; HARRISON, 1996) pois pode deprimir a respiração e prolongar a recuperaç ão (SKARDA et al., 1995). Pode ser indicada para aves com longa nuca para minimizar os traumas físicos (SKARDA et al., 1995) e antes da indução da anestesia com máscara para reduzir o estresse e agitação (LUDDERS & MATTHEWS, 1996). No entanto, a contenção manual tanto para a aplicação da medicação pré-anestésica quanto para a indução inalatória com máscara pode desencadear o estresse, sendo assim, em muitos casos, é mais vantajoso utilizar um agente inalatório que proporcione rápida indução e que seja rapidamente eliminado a partir do término da anestesia (GUIMARÃES, 1999).

1.1 Tranqüilizantes benzodiazepínicos

A dose de 2 mg/kg de midazolam em gansos canadenses promoveu sedação adequada para exame radiológico por um período de 20 minutos (VALVERDE et al., 1990; LUDDERS & MATTHEWS, 1996), podendo ser utilizada nessa espécie como substituto da anestesia geral com isofluorano para fins diagnósticos, causando mínimas alterações cardiovasculares e respiratórias (VALVERDE et al., 1990). Os efeitos prolongam-se por várias horas após o término da anestesia em aves de rapina e pombos, o que pode ser considerado inconveniente, no entanto não ocorrem complicações durante a recuperação (LUDDERS & MATTHEWS, 1996).

O diazepam apresenta a vantagem de ter curta duração de ação e proporcionar rápida recuperação (LUDDERS & MATTHEWS, 1996). A dose de diazepam ou midazolam indicada por SKARDA et al. (1995) foi de 0,5 a 1mg/kg; no entanto, VALVERDE et al. (1990) observaram que 1mg/kg de midazolam não produziu boa sedação em gansos canadenses para exame radiológico e, segundo CHRISTENSEN et al. (1987), 2,5mg/kg de diazepam intravenoso (IV) proporcionou leve grau de tranqüilização em galinhas.

1.2 Alfa2- agonistas

A xilazina geralmente é associada com fármacos anestésicos como a quetamina, sendo que já foi observado hipoxemia e hipercapnia em patos de pequim com o uso isolado ou associado dessa droga (LUDDERS & MATTHEWS, 1996). Além disso, promove importante depressão cardiovascular (LINN & GLEED, 1987; LUDDERS & MATTHEWS, 1996), prolongada recuperação e, em alguns casos, morte (LUDDERS et al., 1989a). Segundo MOHAMMAD et al. (1993), essa associação produz diferentes respostas em várias espécies. A dose é de até 5 mg/kg, segundo LINN & GLEED (1987).

 

2. ANESTÉSICOS INJETÁVEIS

Os anestésicos injetáveis geralmente são utilizados para anestesia de procedimentos curtos como exame radiológico, reparação de ferida e laparoscopia (LINN & GLEED, 1987; BENNETT, 1992) ou para a indução da anestesia inalatória (SKARDA et al., 1995), no entanto, FEDDE (1978) relatou que, em geral, as aves são menos tolerantes entre o plano anestésico e o óbito em relação aos mamíferos.

A utilização desses agentes apresenta vantagens relacionadas ao custo, facilidade de utilização (LUDDERS & MATTHEWS, 1996; MACHIN & CAULKETT, 1998) e ausência de poluição da sala cirúrgica (LUDDERS & MATTHEWS, 1996), mas as desvantagens superam as vantagens em termos de segurança ao paciente (GUIMARÃES, 1999).< /font>

PASCOE (1985) indicou a utilização desses fármacos somente quando os anestésicos inalatórios não são viáveis, como em toracotomias com abertura de sacos aéreos e procedimentos envolvendo os rins, pois há risco de perfuração desses sacos (CHRISTENSEN et al., 1987). Segundo ALLEN & COSTERHUIS (1986), veterinários e biólogos em condições especiais de pesquisa necessitam da utilização dessas drogas; no entanto, KORBEL (1998) relatou que existem equipamentos de anestesia inalatória que podem ser adquiridos ou montados a partir de peças que permitem mobilidade, ocupando pouco espaço e com baixo custo, fazendo com que a anestesia inalatória possa ser realizada mesmo a campo, substituindo os anestésicos injetáveis mesmo em situações favoráveis ao seu uso.

2.1 Quetamina e suas associações

A quetamina é o agente injetável mais comumente utilizado (CHRISTENSEN et al., 1987; LINN & GLEED, 1987; LUDDERS et al., 1989a, VALVERDE et al., 1990; BENNETT, 1992) e amplamente proposto como anestésico para uma ampla variedade de espécies, como periquitos, aves selvagens e outras pequenas aves de gaiola (McGRATH et al., 1984). Embora considerado seguro (MCGRATH et al., 1984; LINN & GLEED, 1987), o índice terapêutico é de 4,85 vezes em galinhas (LINN & GLEED, 1987) e sete a oito vezes em periquitos, tornando crítica uma dosagem acurada, porém a seguranç a é cinco vezes maior que com pentobarbital (McGRATH et al., 1984). Existem também algumas dúvidas sobre a eficácia em pombos e em aves de uma maneira geral, com resultados conflitantes (McGRATH et al., 1984).

O período de latência varia entre três e cinco minutos pela via intramuscular (IM) e a duração da anestesia é de 10 a 30 minutos. Também pode ser utilizada a via intravenosa (IV) em grandes aves, levando à rápida induç ão da anestesia com duração de 15 minutos a várias horas (LINN& GLEED, 1987; BENNETT, 1992).

LUDDERS & MATTHEWS (1996) relataram que a dose varia entre 100-200 mg/kg dependendo da espécie e via de administração, sendo que, em geral, a dose é inversamente proporcional ao peso corporal (LINN & GLEED, 1987; BENNETT, 1992). De acordo com LINN & GLEED (1987), boa anestesia para exames radiográficos e laparoscopia foi observada em aves de rapina com 30 a 40 mg/kg IM. Outros pesquisadores relataram um esquema em que a dose, pela via IM, é de 100 a 200 mg/kg (0,1 a 0,2 mg/g) para aves até 100g, 50 a 100 mg/kg (0,05 a 0,1 mg/g) para animais entre 250 e 500 g, 20 a 100 mg/kg (0,02 a 0,1 mg/g) para animais entre 500g e 3 kg e 20 a 50 mg/kg para animais acima de 3 kg (LINN & GLEED, 1987; BENNETT, 1992).

GREEN & SIMPKIN (1984), McGRATH et al. (1984) e LUDDERS & MATTHEWS (1996) relataram que a quetamina, quando utilizada isoladamente, foi conveniente para contenção química em procedimentos cirúrgicos simples ou diagnóstico, mas não foi adequada para anestesia geral ou procedimentos cirúrgicos; além disso, altas doses prolongaram a recuperação e diminuíram a margem de segurança (LUDDERS & ; MATTHEWS, 1996) e, segundo COLES (1984), não aumentaram a profundidade da anestesia.

Existem vários problemas associados ao uso da quetamina como pouco relaxamento muscular e analgesia questionável, recuperação prolongada (GREEN & SIMPKIN, 1984; McGRATH et al., 1984; LINN & GLEED, 1987; VALVERDE et al., 1990) com 30 minutos até 5 horas para a ave permanecer em estação, salivaç ão excessiva (LINN & GLEED, 1987; BENNETT, 1992), tremores e bater de asas (GREEN & SIMPKIN, 1984; McGRATH et al., 1984; LINN & GLEED, 1987; VALVERDE et al., 1990; BENNETT, 1992), recuperação violenta que ocasiona sérios problemas no pós-operató ;rio imediato de cirurgias ortopédicas (LINN & GLEED, 1987) e convulsão (McGRATH et al., 1984; GRENN & SIMPKIN, 1984). Vários autores sugerem que essas ocorrências podem ser amenizadas através da administração de diazepam IV ao protocolo (LINN & GLEED, 19987), contenção manual (McGRATH et al., 1984) ou com toalha (COOPER, 1984), e ainda, manutenção do animal em ambiente calmo (McGRATH et al., 1984).

O uso foi contra-indicado em aves aquáticas devido à possibilidade de lesões pelo fato dos animais se debaterem (VALVERDE et al., 1987) , todavia foi utilizada com sucesso associada ao diazepam (LAWTON, 1984). COOPER (1984) citou ter tido problemas com o uso IM em galinhas e GREEN & SIMPKIN (1984) não consideraram seguro o uso nesta espécie.

Apesar dos problemas citados, outros fármacos injetáveis, comumente utilizados, não são tão versáteis quanto a quetamina, além disso suas associações produzem resultados variáveis (VALVERDE et al., 1990) e ainda assim permanecem desvantagens graves, como excitação nos períodos de indução e recuperação, bem como, depressão respiratória (KORBEL, 1998).

Quando associada, a dose de quetamina varia entre 30 e 40 mg/kg e de diazepam entre 1 e 1,5mg/kg IV, sendo que quando utilizada a via IM existe uma variação na dose nas diferentes espécies (LINN & GLEED, 1987; BENNETT, 1992). A dose de 40mg/kg de quetamina associada a 1mg/kg de diazepam foi muito efetiva em psittaciformes (papagaios) e causou profunda sedaç ão em Galliformes (faisões, perus,etc) (GREEN & SIMPKIN, 1984). Corujas (ordem strigiformes) parecem ser muito sensíveis e a dose utilizada deve ser de 25mg/kg IV, administrada lentamente ou em doses separadas quando a dose total for maior que 50mg, pois pode resultar em apnéia e parada cardíaca (LINN & GLEED, 1987). SKARDA et al. (1995) indicaram para aves ratitas a associação de 0,2 a 0,3mg/kg de diazepam e 2,2mg/kg de quetamina IV.

LAWTON (1984) utilizou a associação de 50mg/kg de quetamina e 0,5mg/kg de diazepam e, quando necessário, aprofundou a anestesia com agente inalatório através da intubação, obtendo sucesso em aves de rapina, anseriformes (aves aquá ticas), psitacciformes (papagaios) e passeriformes (passarinhos) em vários tipos de procedimentos. Relatou, ainda, que a profundidade da anestesia foi monitorada pela diminuição do reflexo palpebral, sendo que os psitacciformes, quando em plano leve de anestesia, apresentam constrição rítmica e dilatação da pupila, diminuindo quando o plano de anestesia é aprofundado. CHRISTENSEN et al.(1987) relataram que a associação quetamina/ diazepam não promoveu anestesia adequada para procedimentos cirúrgicos, além disso, o autor citou que essa associação não é recomendada em galinhas. GREEN & SIMPKIN (1984) relataram que a associação 40mg/kg de quetamina e 2mg/kg de midazolam é efetiva.

MOHAMMAD et al. (1993) utilizaram detomidina a 0,2% na dose de 0,3mg/kg e após 10 ou 20mg/kg de quetamina IM em 16 galinhas, observando a perda dos reflexos em menos de cinco minutos, e a duração da anestesia foi de aproximadamente 94 minutos com doses mais altas de quetamina. Os autores concluíram que essa associação pode ser utilizada para muitos procedimentos cirúrgicos e clínicos, mas apresenta como desvantagem a depressão respiratória.

SKARDA et al. (1995) recomendaram para pequenas aves 0,2 a 0,4mg/kg de xilazina IM, sendo que alguns esquemas relatados por outros pesquisadores indicam 0,5 a 1mg/kg IM em aves ratitas e, após 15 minutos, 2 a 4mg/kg de quetamina IV ou 0,25mg/kg de xilazina associada a 2,2mg/kg de quetamina, ambos IV. RICHARDSON (1984) relatou ter anestesiado mais de 20 espécies de aves para procedimentos radiológicos até fixação externa de fraturas com esta associação na dose de 15mg/kg de quetamina e 1mg/kg de xilazina IM com boa anestesia cirúrgica por até 20 minutos.

LAWTON (1984) relatou ter deixado de usar a associação quetamina (40mg/kg) e xilazina (2mg/kg) após a morte de dois periquitos um dia após a aparente recuperação da anestesia para procedimento radiológico, e observou também a ocorrência de recuperação prolongada. LUDDERS et al. (1989b) citaram que aves aquáticas, principalmente patos e gansos canadenses, não respondem bem a essa associação.

COLES (1984) utilizou a associação quetamina e xilazina na indução da anestesia com agente inalatório em 300 aves de 68 espécies de 16 famílias diferentes com doses que variaram de 20 mg/kg de quetamina associada a 4mg/kg de xilazina, ou ainda 10 e 25mg/kg de quetamina associada com xilazina na proporção de 5:1. Em muitos casos, a associação causou sedação em menos de três minutos e a duração foi de aproximadamente 10 minutos, sendo que para períodos mais prolongados foi utilizado agente inalatório. A porcentagem de óbito foi de apenas 3%.

Segundo BENNETT (1992), a associação de xilazina (20mg/ml) e quetamina (100mg/ml) pode ser utilizada na relação 1:1, sendo que a dose calculada deve ser baseada na quetamina.

A associação quetamina (40 mg/kg) e metomidato (15mg/kg) causou profunda sedação e relaxamento muscular em galliformes (GREEN & SIMPKIN, 1984).

MACHIN & CAULKETT (1998) utilizaram a associação medetomidina (50m g), midazolam (2mg) e quetamina (10mg) IV observando anestesia e analgesia por 20 minutos em 12 patos, sendo que quatro morreram. A associação produziu bradicardia acentuada durante todo o procedimento, e hipotensão, e a anestesia foi revertida com atipamezole (250m g) e flumazenil (25m g), sendo que os animais recuperaram rapidamente a consciência e apresentaram bater de asas.

A reversão da anestesia é desejada na impossibilidade de promover condições seguras para uma recuperação prolongada (MACHIN & CAULKETT, 1998) ou para tratar sobredose relacionada com a xilazina, podendo-se utilizar antagonistas como tolazolina (15mg/kg IV) (ALLEN & COSTERHUIS,1986) ou yohimbina (0,1mg/kg) (LUDDERS & MATTHEWS, 1996). ALLEN & COSTERHUIS (1986) recomendaram a observação dos animais por aproximadamente 60 minutos após a aplicação de tolazolina, período em que os animais ainda permaneceram sedados apesar da habilidade para empoleirar-se.

2.2 Tiletamina e zolazepam

Foi indicada por SKARDA et al. (1995) para aves de pequeno porte na dosagem de 2 a 5mg/kg IM e em ratitas na dose de 2 a 6mg/kg IV ou 4 a 10mg/kg IM. Porém foi contra-indicada em galinhas (CHRISTENSEM et al., 1987).

2.3 Propofol

O propofol produziu depressão respiratória e apnéia em pombos (LUDDERS & MATTHEWS, 1996), patos e galinhas (MACHIN & CAULKETT, 1998), sendo considerado um agente anestésico com estreita margem de segurança (LUDDERS & MATTHEWS, 1996). MACHIN & CAULKETT (1998) utilizaram indução anestésica com 10mg de propofol em patos e manutenção com "bolus" de 1 a 4mg a, aproximadamente, cada cinco minutos, conforme o necessário, observando apnéia após a induç ão em todos os animais e intensa bradicardia em alguns. Na maioria dos animais, a pressão arterial e freqüência cardíaca foram bem mantidas, todavia os autores atribuíram isso à superficialidade anestésica, já que outros observaram diminuição destes parâmetros. A vantagem desse fármaco foi o bom relaxamento muscular e recuperação rápida e suave.

2.4 Barbituratos

Em geral, a margem de segurança relativamente baixa e o prolongado período de recuperação tornaram esses agentes menos desejáveis que alguns outros injetáveis (LINN & GLEED, 1987; BENNETT, 1992).

Barbituratos de ultra - curta duração foram utilizados em grandes aves de rapina, promovendo cerca de 10 minutos de anestesia. A dose recomendada de tiamilal foi de 0,2ml/kg IV de uma solução a 2,5 % administrada lentamente (LINN & GLEED, 1987; BENNETT, 1992).

A anestesia cirúrgica pode ser mantida por longos períodos (uma a 12 horas) através de barbitúricos de ação intermediária ou longa (LUDDERS & MATTHEWS, 1996). O pentobarbital é um dos mais versáteis, podendo ser utilizado em várias espécies pelas vias IM, IV ou oral (LINN & GLEED, 1987). A anestesia requer 10 a 15 minutos para o início da ação (LUDDERS & MATTHEWS, 1996) com 30 minutos (LINN & GLEED, 1987) até várias horas de duração (LUDDERS & MATTHEWS, 1996), porém a recuperação pode prolongar-se por até 12 horas (LINN & GLEED, 1987). A dose pela via IV varia entre 25 e 30mg/kg, sendo que, inicialmente, metade deve ser administrada em "bolus" e o restante em vários minutos até ser alcançado o plano anestésico desejado (LUDDERS & MATTHEWS, 1996). Pela via IM, a dose recomendada foi de 50mg/kg (LINN & GLEED, 1987).

O fenobarbital apresenta um período hábil de aç ão de até 24 horas quando administrado na dose de 130mg/kg. O início de aç ;ão é lento, necessitando cerca de 30 minutos até ser atingido o plano anestésico. Assim como com o pentobarbital, doses adicionais podem ser administradas para aprofundar o plano anestésico, mas a margem de segurança é pequena (LUDDERS & MATTHEWS, 1996). FEDDE (1978) relatou que esse fármaco pode ser utilizado em galinhas com duração de ação de até 36 horas e lenta alteração no plano anestésico.

2.5 Metomidato

LINN & GLEED (1987) e CHRISTENSEN et al. (1987) relataram que o medomidato foi amplamente utilizado, principalmente em aves de rapina, com duração de ação entre 10 e 40 minutos (LINN & GLEED, 1987). A dose variava entre 3 e 20mg/kg podendo ser repetida para prolongar o efeito. Baixas doses promoveram imobilização e altas, leve plano de anestesia, suficiente para procedimentos simples (LINN & GLEED, 1987). CHRISTENSEN et al. (1987) utilizavam a associação de metomidato (20mg/kg IM) e após 10 minutos, diazepam (2,5mg/kg IV) para laparotomia relatando que esta associação produziu plano instável de anestesia em aves domésticas, não sendo possível a realização da cirurgia.

GREEN & SIMPKIN (1984) observaram boa sedação com metomidado (10-15mg/kg), porém isoladamente não promoveu adequada analgesia.

O maior problema em relação ao uso desse fármaco era o longo período de recuperação, podendo ser de menos de seis até 40 horas, dependendo da espécie e dosagem utilizada. Além disso, produzia intensa salivaç ão não responsiva à atropina, podendo causar obstrução das vias aéreas (LINN & GLEED, 1987). CHRISTENSEN et al. (1987) citaram que, devido às reações adversas, deve-se ter cuidado com a administração em galinhas, podendo ocorrer acentuada bradicardia.

 

3. ANESTÉSICOS INALATÓRIOS

3.1 Óxido nitroso

O óxido nitroso pode ser utilizado, pois os sacos aéreos comunicam-se livremente com as vias aéreas e não existem espaços de gás fechado (BERDNARSKI et al., 1985). As considerações para uso em aves são as mesmas para mamíferos, sendo que algumas espécies merecem mais cuidado, como por exemplo, aves aquáticas como os pelicanos que possuem sacos de ar subcutâneos e que não se comunicam com o sistema respiratório, podendo resultar em enfisema subcutâneo (BERDNARSKI et al., 1985; LUDDERS & MATTHEWS, 1996). REYNOLDS (1983) relatou a ocorrência desse problema em um pelicano anestesiado com enfluorano e óxido nitroso em O2, sendo que o enfisema apareceu cinco a seis minutos após a induç ão e, com o término da anestesia, o problema desapareceu e a recuperação foi um sucesso.

3.2 Halotano

LUDDERS et al. (1988) e GOELZ et al. (1990) comentaram que a anestesia inalatória com halotano em oxigênio tem sido utilizada em vá rias espécies, porém causa alta incidência de arritmias (GREENLEES et al., 1990) e várias mortes em psittacideos (PASCOE, 1985).

A concentração indicada varia entre 2,5 e 3,0 V% (BENNETT, 1992) ou até 3,5 V% (SKARDA et al., 1995) para indução e 0,5 a 2,0 V% para manutenção (LUDDERS et al., 1988; BENNETT , 1992), porém se a DAM do halotano é de 0,85 V%, e se a anestesia for mantida com 2 V%, como comumente é feito, a dose anestésica é de 2,4 vezes a DAM. O halotano em concentrações semelhantes em mamíferos causa severa depressão cardiopulmonar ou insuficiência cardíaca (LUDDERS et al., 1988).

A indução da anestesia varia entre dois e quatro minutos (BENNETT, 1992) ou entre cinco e dez minutos (SKARDA et al., 1995). GOELZ et al. (1990) observaram 7,1 ± 2 minutos em patos com 3,5 V%, no entanto, GUIMARÃES (1999) observou perda postural e relaxamento da musculatura da região cervical em galinhas, com 1,13 ± 0,42 minutos com essa mesma concentração, sendo possível intubar os animais, desde que rapidamente.

O tempo de recuperação varia entre três e cinco minutos (BENNETT, 1992), 9,8 ± 3,55 minutos (GUIMARÃES, 1999) e cinco e 15 minutos (SKARDA et al., 1995).

O halotano deprime levemente a ventilação em concentrações próximas a DAM em galinhas (LUDDERS et al., 1988; PIZZARRO et al., 1990), porém essa depressão é acentuada com o aumento da concentração para 1,5 V% (LUDDERS et al., 1988). LUDDERS (1992) citou que efeitos depressores foram observados por outros em galinhas, porém a PaCO2 não excedeu a 87 mmHg. GUIMARÃES (1999) observou 45,46 ± 10,59 mmHg a 1,5 V%, relatando também que não houve diferença significativa quando comparado com isofluorano (2,2 V%) ou sevofluorano (4 V%). No entanto, em patos tem-se observado severa depressão respiratória e arritmias cardíacas com risco de vida com concentraç ões variando entre 1 e 1,5 V% (GOELZ et al., 1990) e 2,0 e 2,5 V% (LUDDERS, 1992).

PIZZARRO et al. (1990) relataram que o halotano causa um quadro estável de taquipnéia e diminuição do volume corrente em mamíferos, porém, em aves, causa instabilidade e alta incidência de mortalidade em algumas espécies , como os grous. De acordo com GOELZ et al. (1990), a ventilação deve ser assistida para equilibrar a depressão respiratória.

Os efeitos sobre a pressão sangüínea podem ser variáveis. Em galinhas e patos, o aumento da concentração levou à diminuição da pressão arterial média ou à nenhuma alteraç ão (LUDDERS & MATTHEWS, 1996). LUDDERS et al. (1990) citaram que embora a pressão arterial média tenha permanecido relativamente inalterada nos patos de pequim, o mesmo não ocorreu com a atividade cardíaca, ocorrendo alta incidência de arritmias (GOELZ et al., 1990). O tratamento de uma contração ventricular multifocal prematura foi realizado com lidocaína, porém o uso de anestésicos locais na terapia ou anestesia de aves tem sido desencorajadora devido a reações como convulsão e parada cardíaca. A toxicidade dos anestésicos locais é enorme e é considerada mais do que apenas uma sensibilidade das aves a esses fármacos (LUDDERS, 1992).

GREENLEES et al. (1990) avaliaram os efeitos do halotano (1,2V%), isofluorano (2,1V%) e pentobarbital (30 mg/kg IV) em galinhas, sem interferência dos efeitos ventilatórios, através de controle da PaCO2 com ventilação controlada, observando diminuição da pressão arterial média e da freqüência cardíaca similares entre os grupos de drogas. O mesmo foi observado por GUIMARÃES (1999) que embora não tenha controlado a PaCO2, observou que os aumentos não apresentavam grande intensidade e variação entre os grupos que pudessem influenciar sobre os valores cardiovasculares.

Por outro lado, GOELZ et al. (1990) observaram aumento na freqüência cardíaca em patos anestesiados com 2,0 a 2,5 V% de halotano ou 2,0 a 3,0 V% de isofluorano pelo efeito da hipercapnia sobre o sistema cardiovascular com ambos os agentes e associada à sensibilização do miocárdio aos efeitos das catecolaminas, provavelmente liberadas durante a contenção manual no período de indução, no grupo do halotano. No entanto, a hipoventilação é maior em patos do que em galinhas (LUDDERS et al., 1988).

3.3 Isofluorano

No artigo sobre os 20 anos de progresso na anestesia e cirurgia de aves, ALTMAN (1998) comentou que, provavelmente, o evento mais importante para o progresso da anestesia nessas espécies foi a introdução do isofluorano como agente anestésico. PASCOE (1985) citou que o isofluorano promove plano anestésico mais estável que o halotano e é o melhor agente viável, tornando-se o anestésico de escolha na medicina aviária (DOHOO,1990; OLKOWSKI & CLASSEN, 1998) e utilizado para anestesiar uma ampla variedade de espécies (DOHOO,1990). Apesar de ser considerado altamente seguro (HARRISON, 1996; OLKOWSKI & CLASSEN, 1998), é necessário cuidados com a indução com máscara e manutenção da anestesia (DAY, 1996), pois é um potente depressor respirató rio (LUDDERS et al., 1990; DAY, 1996). A DAM é de 1,3 V% em grous (LUDDERS et al., 1989b) e patos (LUDDERS et al., 1990).

O isofluorano é um potente depressor respiratório em patos a 1 e 1,5 DAM (LUDDERS et al.,1990) e em grous a 1,0, 1,5 e 2,0 DAM com PaCO2 de 100mm Hg, podendo afetar a performance cardiovascular (LUDDERS et al., 1989b). Em galinhas, foi mais depressor respiratório que o halotano, embora sem diferença significativa estatisticamente, com valores de PaCO2 de até 56,56 ± 16,34 (GUIMARÃES, 1999).

A concentração indicada para indução varia entre 2 e 3 V% (OLKOWSKI & CLASSEN, 1998), 3 e 4 V% (SKARDA et al., 1995) ou até 5 V% (BENNETT, 1992) e entre aproximadamente 1 e 2 V% para manutenção (BENNETT, 1992; SKARDA et al., 1995; OLKOWSKI & CLASSEN, 1998).

O período de indução é entre um e dois minutos (BENNETT, 1992) ou inferior a cinco minutos (SKARDA et al.,1995). GOELZ et al. (1990) observaram 4,2 ± 01 minutos a 3,5 V% em patos, KORBEL (1998) relatou 2, 57 ± 12 a 5 V% em pombos e GUIMARÃES (1999) pode realizar a intubação em 1,11 ± 0,53 minutos a 4,5 V% em galinhas.

O período de recuperação é inferior a cinco minutos para um procedimento de até 45 minutos (SKARDA et al., 1995), aproximadamente três minutos (KORBEL, 1998), cinco minutos (BENNETT, 1992), dois a três minutos (PASCOE, 1985) e 4,92 ± 2,35 minutos para a extubação e 7,6 ± 2,17 (GUIMARÃES, 1999) ou até 10 minutos para estação (PASCOE, 1985).

OLKOWSKI & CLASSEN (1998) relataram ter anestesiado, sem complicações, mais de 200 galinhas e 200 perus sadios ou debilitados (doenças ósseas, condições traumáticas, sintomas clínicos avançados de patologias cardíacas e várias arritmias cardíacas). A indução, manutenção e recuperação da anestesia foram notáveis quando o isofluorano foi associado ao óxido nitroso em um condor de 63 anos de idade para cirurgia intra-ocular (BERDNARSKI et al., 1985).

OLKOWSKI & CLASSEN (1998) relataram que a anestesia em pacientes com problemas cardíacos sempre apresenta consideráveis alterações e que a segurança do isofluorano em humanos e animais nessas condições é bem reconhecida. Aves traumatizadas devem ser consideradas como de alto risco cardíaco devido ao alto nível de estresse associado ao trauma e a possibilidade de lesão traumática do miocárdio, freqüentemente necessitando imediata atenção relacionada com a anestesia. Também, se necessário, a administração exógena de epinefrina parece produzir menor risco em aves anestesiadas com isofluorano.

Todavia, GOELZ et al. (1990) comprovaram, em seu estudo em galinhas, que a anestesia com isofluorano foi mais irritante ao coração que com halotano ou pentobarbital, sugerindo que existe maior risco na anestesia com este agente do que o previamente sugerido. OLKOWSKI & CLASSEN (1998) também já observaram arritmias, e HARRISON (1996) citou que o isofluorano, além disso, pode causar decréscimo na pressão sangüínea e freqüência respiratória. Segundo OLKOWSKI & CLASSEN (1998), a anestesia com isofluorano por si só não parece estar associada com a ocorrência de arritmias, mas estas alterações podem estar associadas ao estresse.

LUDDERS & MATTHEWS (1996) citaram que os efeitos sobre o sistema cardiovascular parecem causar consistente depressão da pressão arterial média. Quando comparado ao halotano e sevofluorano apresentou os menores valores, embora sem diferença estatisticamente (GUIMARÃES, 1999). A estabilidade cardíaca é a sua maior vantagem e por isso foi amplamente aceito na prática clínica aviária (LUDDERS & MATTHEWS, 1996) .

O isofluorano foi superior ao halotano em vários aspectos na anestesia de patos de pequim, como indução e recuperação mais curta, fazendo com que o estresse pré-operatório, hipoglicemia e hipotermia pós-operatória fossem minimizadas. Além disso, segundo outros, o sevofluorano é menos depressor cardiopulmonar e não induz arritmias cardíacas, tornando-o melhor anestésico, especialmente em aves debilitadas (GOELZ et al., 1990). No entanto, GUIMARÃES (1999) observou que o halotano proporcionou menor depressão respiratória e melhor manutenção da pressão arterial que o isofluorano, mas a maior desvantagem estaria relacionada aos efeitos arritmogênicos observados por outros pesquisadores e que não foram avaliados em seu experimento.

3.4 Sevofluorano

O sevofluorano foi utilizado por KORBEL (1998) em pombos em concentrações de 8 e 5 V% e por GUIMARÃES (1999) em galinhas a 7 e 4 V% para indução e manutenção, respectivamente. A DAM varia entre 1,8 e 2,2 V%, segundo KORBEL (1998).

KORBEL (1998) considerou como período de indução o tempo até a perda de todos os reflexos de dor, observando 1,58 minutos, tempo significativamente mais curto em relação ao sevofluorano (2,57 minutos), enquanto que GUIMARÃES (1999) considerou o tempo até a possibilidade de intubação, obtendo 1,03 ± 0,34 minutos, não havendo diferença significativa em relação ao isofluorano (1,11 ± 0,53 minutos) e halotano (1,13 ± 0,42 minutos).

A recuperação dos reflexos posturais ocorreu em 3,10 minutos segundo KORBEL (1998) e 5,5 ± 1,19 minutos, segundo GUIMARÃES (1999), sem diferença estatística em relação ao halotano (9,8 ± 3,55 minutos) e isofluorano (7,6 ± 2,17 minutos), no entanto, a extubação foi mais rápida com o sevofluorano (GUIMARÃES, 1999).

Segundo KORBEL (1998), a indução e recuperação são significativamente mais rápidas, preconizando o uso principalmente em animais de risco. De acordo com GUIMARÃES (1999), embora não tenha ocorrido diferença significativa entre os fármacos, o sevofluorano foi o melhor dos três agentes utilizados e parece apresentar grandes vantagens para espécies muito estressadas ou predispostas a hipoventilação mais acentuada, além de animais debilitados. O mesmo relatou que esse fármaco proporcionou menor hipotensão e depressão respiratória, provavelmente não havendo a necessidade de ventilação controlada, a qual é indicada quando é utilizado o isofluorano. Segundo KORBEL (1998), estudos avaliando a influência dessa droga sobre o sistema cardiovascular e respiratório estariam em andamento.

 

CONCLUSÕES

Tendo em vista as várias desvantagens relacionadas com o uso de anestésicos injetáveis, pode-se concluir que a anestesia inalatória com isofluorano ou sevofluorano proporciona maior segurança aos pacientes, principalmente em casos de risco, como em animais traumatizados e debilitados.

 

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1Médico Veterinário, doutoranda do Programa de Pós-graduação em Medicina Veterinária da Universidade Federal de Santa Maria, área de Cirurgia Veterinária. Rua Andradas 1400 / 302, Centro, 97010-030, Santa Maria, RS. E-mail: luguima@bol.com.br. Autor para correspondência.
2Médico Veterinário, Doutor, Professor Titular, Centro Agroveterinário, Universidade do Estado de Santa Catarina, Lages, SC.

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