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Ciência Rural

Print version ISSN 0103-8478

Cienc. Rural vol.44 no.12 Santa Maria Dec. 2014

 

Press Release

Estudo demonstra ação antifúngica de Moringa oleifera em camarões cultivados em água doce

Raimunda Sâmia Nogueira Brilhante


Pesquisadores da Universidade Estadual do Ceará e da Universidade Federal do Ceará, em Fortaleza, Ceará, demonstraram que o extrato clorofórmico de flores de Moringa oleifera possui atividade antifúngica frente a fungos isolados de camarões cultivados em água doce. O estudo foi publicado no periódico Ciência Rural, v.44, n.12, de dezembro de 2014.

O objetivo do estudo foi avaliar a atividade antifúngica de extratos de M. oleífera frente a fungos isolados de camarões e testar a sua toxicidade em larvas de Macrobrachium amazonicum. Para isso, os pesquisadores testaram os extratos etanólicos de vagens, sementes, folhas, caules e flores de M. oleifera contra 14 cepas de Candida spp. e 10 cepas de Hortaea werneckii isolados da água de cultivo e do trato digestório de M. amazonicum. A atividade antifúngica foi determinada por microdiluição, com base nos documentos M27-A3 e M38-A2 do CLSI. A toxicidade foi avaliada por exposição das larvas de M. amazonicum a concentrações entre 10-1000 mg mL-1 dos extratos, realizando contagem de larvas mortas (CL50), após 24 horas.

Os resultados mostraram que diferentes extratos de Moringa oleífera apresentaram atividade antifúngica ante a Candida spp. e H.werneckii. O extrato clorofórmico de flores de Moringa oleifera foi o que apresentou uma melhor atividade antifúngica, inibindo o crescimento de todas as cepas fúngicas testadas. Os extratos etanólicos de folhas, flores e sementes também apresentaram uma atividade antifúngica, inibindo 22/24, 21/24 e 20/24 cepas, respectivamente. O extrato de vagens foi eficaz contra cepas de Candida spp. (14/24) e o extrato de caule apenas contra quatro cepas de H. werneckii (4/24). Os extratos de sementes, flores (fração clorofórmica), caules e folhas apresentaram baixa ou nenhuma toxicidade, enquanto que extratos de vagens e flores (fração etanólica) apresentaram toxicidade moderada.

Segundo a pesquisadora Sâmia Brilhante, na prática, os resultados do estudo trazem perspectiva para o uso de extratos da Moringa oleifera como uma alternativa para a prática da carcinicultura sustentável. "O estudo pode ajudar a diminuir o impacto ambiental da produção de camarões, pela redução da eutrofização e carga de microrganismos potencialmente patogênicos em águas residuais descartadas sem tratamento prévio nos efluentes da carcinicultura, assim como na microbiota dos camarões cultivados", comenta ela.

O uso de Moringa oleifera no tratamento de água para consumo humano já é bem relatado em regiões com população de baixo poder aquisitivo, especialmente em populações da África. Em outros estudos esta planta demonstrou ação inibitória frente espécies bacterianas e fúngicas, inclusive frente espécies com potencial patogênico frente humanos e animais. A inovação desta pesquisa está em conectar as pesquisas sobre tratamento de água e a inibição de fungos isolados do cultivo de camarão com extratos de Moringa oleifera, o que ainda não tinha sido relatado.

Pesquisadora: Raimunda Sâmia Nogueira Brilhante Universidade Federal do Ceará, Centro de Ciências da Saúde, Departamento de Patologia. Rua Costa Mendes S/N, Biomedicina, 1 andar, Centro Especializado em Micologia Médica (CEMM) Rodolfo Teofilo 60441-750 - Fortaleza, CE - Brasil - Caixa-postal: 3163 Telefone: (85) 33668319 Fax: (85) 32951736 E-mail: brilhante@ufc.br

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