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Scientia Agricola

versão On-line ISSN 1678-992X

Sci. agric. v.56 n.1 Piracicaba  1999

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-90161999000100021 

NITROGÊNIO E POTÁSSIO NA FIXAÇÃO SIMBIÓTICA DE N2 POR SOJA CULTIVADA NO INVERNO

 

Maria do Carmo de Salvo Soares Novo1,*; Roberto Tetsuo Tanaka1,3; Hipolito Assunção Antonio Mascarenhas1,3; Nelson Bortoletto1; Paulo Boller Gallo1; José Carlos Vela Novo Alves Pereira1; Álvaro Augusto Teixeira Vargas2
1Instituto Agronômico de Campinas, C.P. 28, CEP: 13001-970 - Campinas, SP.
2Bioagri Biotecnologia Agrícola, C.P. 573, CEP: 13416-145 - Piracicaba, SP.
3Bolsista do CNPq.
*e-mail: mcdsalvo@barao.iac.br

 

 

RESUMO: O efeito do nitrogênio e do potássio sobre a nodulação, fixação simbiótica do nitrogênio, teor de N nos grãos e produtividade de soja, foi avaliado no inverno em experimentos conduzidos nas Estações Experimentais de Mococa, Ribeirão Preto e Votuporanga, do Instituto Agronômico de Campinas, SP, em solos podzólico vermelho-escuro, latossolo roxo e latossolo vermelho-escuro, respectivamente. Doses de nitrogênio na forma de uréia (0, 50 e 100 kg.ha-1 de N), de potássio na forma de cloreto de potássio (0, 30 e 60 kg.ha-1 de K2O) e cultivares de soja (IAC-8 e IAC-14), foram arranjados em fatorial e dispostos no campo, em blocos ao acaso, com três repetições. As sementes foram tratadas com inoculante comercial turfoso na dose de 8 g.kg-1 de semente. No florescimento, plantas foram amostradas para avaliações da nodulação e da atividade da nitrogenase. No final do ciclo, avaliou-se a produtividade e o teor de N dos grãos. Os resultados mostraram que apenas a inoculação não forneceu nitrogênio nas quantidades exigidas para maximizar a produtividade da soja. A adubação nitrogenada prejudicou a nodulação e a fixação simbiótica do nitrogênio mas aumentou a produtividade e o teor de N dos grãos de soja nas três localidades. A adubação potássica não prejudicou a nodulação, a fixação simbiótica do nitrogênio e o teor de N dos grãos. A cultivar IAC-14 apresentou nodulação e produtividade de grãos maiores quando foi adicionado potássio.
Palavras-chave: nodulação, produtividade, cultivo de inverno

 

NITROGEN AND POTASSIUM IN NITROGEN SYMBIOTIC FIXATION OF WINTER SOYBEAN

ABSTRACT: The objective of these experiments was to study the effect of nitrogen and potassium fertilizations on the response to nodulation, nitrogen fixation, nitrogen seed content and yield of two soybean cultivars planted during the winter season. They were installed on the following soils: Eutric Lixisol (Mococa) and Rhodic Ferralsol (Ribeirão Preto and Votuporanga, SP, Brazil). The treatments consisted of three rates of nitrogen (0, 50 and 100 kg.ha-1 of N) as urea, three of potassium (0, 30 and 60 kg.ha-1 of K2O) as chloride and two soybean cultivars (IAC-8 and IAC-14). The experimental design was a random factorial with four replications. Soybean seeds of all treatments were inoculated with a commercial inoculant. At flowering, plants were sampled to evaluate nodulation and nitrogenase activity. At maturity, plants were harvest and seeds weighed.The results showed that inoculation did not provide the amount of nitrogen required to maximize soybean yield in the winter. The nitrogen treatment reduced nodulation and nitrogen fixation, but increased seed yield at the three localities. Potassium fertilization did not have any significant effect on nodulation, nitrogen fixation and yield of soybeans. Increased however dry matter weight and number of nodules of the cultivar IAC-14.
Key words: nodulation, yield, winter soybean

 

 

INTRODUÇÃO

A possibilidade de cultivar soja, com o objetivo de produzir sementes em regiões de inverno pouco rigoroso usando-se irrigação, está levando os agricultores a intensificarem a sua exploração, diminuindo os custos da tecnologia aplicada e amortizando o preço da terra. A produtividade é menor que a do cultivo de verão mas, como se destina à produção de sementes, cujo preço é normalmente superior em 40%, esse cultivo tem-se tornado econômico. Além disso, os fatores climáticos dessa estação são limitantes às pragas e às doenças, proporcionando sementes de melhor qualidade fisiológica e sanitária e com redução do investimento com defensivos agrícolas (Medina, 1994).

A soja é exigente em nitrogênio (N), principalmente nos estádios finais de seu desenvolvimento (Thomas & Raper Júnior, 1976). No cultivo de verão, não se usa a adubação nitrogenada sendo esta substituída pela inoculação com o rizóbio específico. Esse manejo tem proporcionado rendimento médio, no Estado de São Paulo, superior a 2100 kg.ha-1. Por outro lado, espera-se no inverno uma produtividade menor pois, além da soja requerer condições muito específicas quanto ao fotoperíodo, principalmente no período de pré-floração (Nogueira et al., 1984), os genótipos cultivados são os mesmos usados no verão. Vários autores constataram que a menor produtividade da soja cultivada no inverno é também devido à redução na altura da planta, função da menor duração do período vegetativo (Sanches & Yuyama, 1979; Tragnajo & Bonetti, 1984 e Board & Settimi, 1986).

Tanaka & Mascarenhas (1992) observaram que na soja cultivada no inverno, a simbiose não era capaz de suprir o N adequadamente devido, possivelmente, à menor disponibilidade de fotossintetizados em decorrência da baixa temperatura.

De maneira geral, a reserva de potássio nos solos brasileiros não é suficiente para suprir a quantidade extraída pela cultura de soja, devendo haver suplementação com adubações potássicas (Sfredo et al., 1994). Sua deficiência, além de ter efeitos na nodulação e na fixação simbiótica do nitrogênio, prejudica a qualidade final da semente formando frutos partenocárpicos (Mascarenhas et al., 1987).

O objetivo desse experimento foi verificar se as cultivares de soja respondem, no inverno, às adubações nitrogenada e potássica quanto à nodulação, fixação simbiótica do nitrogênio, teor de N e produtividade de grãos.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Os experimentos foram instalados nas Estações Experimentais de Mococa, Ribeirão Preto e Votuporanga, do Instituto Agronômico, SP, com a semeadura da soja efetuada em 29/05, 06/06 e 18/06/91, respectivamente. Os solos das áreas experimentais de Mococa, Ribeirão Preto e Votuporanga possuem características distintas e foram classificados, respectivamente, como podzólico vermelho-escuro, eutrófico, A moderado, Tb, textura argilosa ou muito argilosa; latossolo roxo, eutrófico, A moderado, textura muito argilosa, e latossolo vermelho-escuro, câmbico, eutrófico, A moderado, textura média. Os resultados das análises químicas do solo das três áreas onde foram instalados os experimentos são apresentados na TABELA 1. Cultivos anteriores feitos nessas áreas foram adubados para se obter máximas produtividades, o que explica o alto teor de fósforo e de potássio nas análises de solo. O solo para o cultivo da soja foi arado e gradeado.

 

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O delineamento experimental empregado foi o de blocos ao acaso, em esquema fatorial (3x3x2). Foram utilizados na forma de uréia, três doses de nitrogênio [0 (N0), 50 (N1) e 100 (N2) kg.ha-1 de nitrogênio], três de potássio na forma de cloreto de potássio [0 (K0) , 30 (K1) e 60 (K2) kg.ha-1 de K2O] e duas cultivares de soja, IAC-8 e IAC-14, com três repetições. Um terço das doses dos dois nutrientes foi aplicado em cobertura, dez dias após a germinação e o restante vinte dias após, em cobertura e em faixa.

As parcelas eram compostas por quatro linhas de seis metros espaçadas em 0,60m. Na semeadura, foram utilizadas 30 sementes por metro linear, tratadas com inoculante turfoso comercial na dose de 8 g por quilograma de semente. As estirpes empregadas foram a SEMIA 587 mais a SEMIA 5019. O experimento foi irrigado por aspersão, sempre que necessário. Considerou-se como área útil as duas linhas centrais, descontando-se 0,5 m de cada extremidade.

Na época do florescimento pleno amostraram-se três plantas representativas da parcela e avaliou-se a massa seca, o número de nódulos e a atividade da nitrogenase de raízes noduladas determinada pelo método da redução do acetileno (Patterson & LaRue, 1983). No final do ciclo da soja, avaliou-se a produtividade e o teor de N dos grãos.

O efeito dos tratamentos para cada local foi verificado pelo teste F e as médias das cultivares foram comparadas pelo teste de Tukey. Para análise de número de nódulos, os dados foram transformados em n1a21e1.gif (110 bytes) e assim apresentados nas tabelas. Nas análises do efeito de doses de nitrogênio e de potássio foram usadas regressões polinomiais. Não foi realizada análise conjunta para locais, devido à heterogeneidade dos dados, que foi verificada pelo teste de Hartley (Nogueira, 1991).

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Efeito de cultivar: As diferenças entre as cultivares IAC-8 e IAC-14, nos ensaios de Mococa, Ribeirão Preto e Votuporanga, quanto à nodulação, atividade da nitrogenase, produtividade e teor de N dos grãos estão apresentadas na TABELA 2. Observou-se que a cultivar IAC-8 foi superior em número e massa nodular nos três locais estudados, demonstrando o maior potencial genético deste material quanto à nodulação. Caldwell & Vest (1968) observaram que há diferenças significativas entre cultivares de soja quanto a sua aceitação por Bradyrhizobium japonicum e essa especificidade, em relação à bactéria e à planta, ocorre ao nível de cultivar, o que explicaria a superioridade obtida para a IAC-8. Também Vernetti (1971) verificou que há variação hereditária, dependendo da constituição genética das plantas em relação à bactéria.

 

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Quanto à atividade da nitrogenase, a cultivar IAC-8 somente foi superior em Votuporanga; nos outros dois locais a IAC-14 foi superior. Lynch & Smith (1993) relataram que o genótipo da hospedeira influenciava indiretamente a fixação do nitrogênio sendo função do tamanho do sistema radicular, da época do florescimento e da tolerância a fatores edáficos pois estes limitam o crescimento e o desenvolvimento da planta.

Apenas houve diferença entre cultivares, em relação ao teor de N e produtividade de grãos, respectivamente, em Ribeirão Preto e Mococa. O teor de N do grão em Ribeirão Preto foi maior na cultivar IAC-8 (TABELA 2). Em Mococa esse valor foi inferior e em Votuporanga superior àqueles obtidos por Hammond (1949) que observou teores variando entre 6,20 e 6,30 g.kg-1. Vasillas & Nelson (1992) observaram que não havia diferença entre genótipos de soja quanto ao acúmulo de N total no grão entretanto, Mascarenhas et al. (1980) verificaram, que cada material, tem suas próprias exigências nutricionais e diferentes capacidades de extração e acúmulo desse elemento. Em Mococa foi observado que a cultivar IAC-14 foi mais produtiva que a IAC-8 mas esta foi inferior à média de verão do Estado de São Paulo, em 1991, que foi de 2134 kg.ha-1 (Carrieri et al., 1993) mostrando maior potencial genético desse material em produzir grãos mesmo nas condições de inverno deste local (TABELA 2).

Efeito de doses de nitrogênio: Analisando-se o efeito de doses de nitrogênio nas variáveis estudadas, verificou-se que, em Mococa, a produção de massa seca de nódulos diminuiu e o teor de N do grão aumentou linearmente (TABELA 3). Nesse mesmo local, verificou-se ainda que o número de nódulos, a atividade da nitrogenase e a produtividade de grãos podiam ser representados por uma equação do segundo grau, com os valores máximos obtidos, respectivamente, com 28,4, 54,4 e 70,5 kg.ha-1 de N (TABELA 3). Segundo Giller & Wilson (1991), a concentração de nitrogênio necessária para causar supressão da nodulação varia com as espécies sendo que a adição deste elemento não alterava o número de nódulos por planta mas reduzia sua massa.

 

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Em Ribeirão Preto, a massa seca de nódulos foi linear e inversamente correlacionada com a dose de nitrogênio aplicada (TABELA 3). O aumento da dose de nitrogênio causou decréscimo no número de nódulos, sendo estimado que com 51,1 kg.ha-1 de nitrogênio seria alcançado o nível mínimo. A atividade da nitrogenase foi linearmente reduzida com o aumento da dose de N adicionado. Em relação ao teor de N e à produtividade de grãos, verificou-se que houve efeito linear positivo com a adubação nitrogenada indicando que com doses mais altas pode-se ter rendimentos maiores de semente. Tanaka & Mascarenhas (1992) recomendam que seja aplicado à soja de inverno 50 kg.ha-1 de nitrogênio, entretanto, com essa dosagem em Ribeirão Preto, não se conseguiria maximizar a produtividade. Seria obtido um acréscimo de 479 kg.ha-1 de grãos em relação ao tratamento sem nitrogênio e inoculado e com a adição de 100 kg.ha-1 , 648 kg.ha-1 de grãos a mais que na testemunha.

Em Votuporanga, a massa seca e o número de nódulos foram linearmente reduzidos com o aumento da dose de nitrogênio aplicada (Figuras 1a e 1b, respectivamente). O teor de N do grão foi elevado obtendo-se com a adição de 100 kg.ha-1, teor de 7,01 kg.ha-1 (Figura 1c). Tal comportamento em relação à aplicação de nitrogênio já havia sido verificado anteriormente por Weber (1966) e Eaglesham et al. (1982). Embora tenha ocorrido efeito linear positivo na produtividade esta foi baixa em relação ao potencial das cultivares (Figura 1d). Como a temperatura não foi limitante ao desenvolvimento da planta nessa localidade, suspeita-se que esse efeito seja devido a falta de irrigação no momento necessário e às condições de menor fotoperíodo.

 

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Figura 1 - Efeito de doses de nitrogênio quanto à massa seca, número de nódulos, teor de nitrogênio e produtividade de grãos da soja cultivada no inverno em Votuporanga. Médias de 18 repetições.

 

Efeito de doses de potássio: O potássio não afetou significativamente, nas três localidades estudadas, o número de nódulos, a produtividade e o teor de N dos grãos.

Em Mococa e Ribeirão Preto, a massa seca de nódulos foi reduzida com o aumento da dose de potássio sendo estimada que com a adição de 36,7 e 25,1 kg.ha-1 de K2O, respectivamente, seriam obtidos os seus valores mínimos (Figura 2a). Entretanto, com a adição de K2, em ambos os locais, a massa nodular atingiu valores similares àqueles obtidos sem potássio. Segundo Mascarenhas et al. (1982), a soja não responde à adubação potássica quando os teores no solo ultrapassam o limite de 0,12 emg/100ml de solo. Nesse caso, o efeito do potássio sobre a nodulação e a fixação simbiótica do nitrogênio parece ser indireto. A deficência de potássio afeta os fatores de crescimento e estes, subseqüentemente limitam a nodulação e a fixação simbiótica do nitrogênio (Duke & Collins, 1985). Em Votuporanga, houve resposta linear positiva na massa seca de nódulos com a adição de potássio (Figura 2a). O mesmo comportamento foi também verificado por Jones et al. (1977) e Barta (1982).

 

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Figura 2 - Efeito de doses de potássio quanto à massa seca de nódulos em Mococa, Ribeirão Preto e Votuporanga e à atividade da nitrogenase em Ribeirão Preto em soja cultivada no inverno. Médias de 18 repetições.

 

A atividade da nitrogenase foi positivamente aumentada com a dose de potássio em Ribeirão Preto (Figura 2b) sendo estimado que com 29,7 kg.ha-1 seria obtido a máxima fixação. Nos outros dois locais, não houve resposta à atividade da nitrogenase quanto à aplicação de potássio. Duke & Collins (1985) verificaram que a fixação do nitrogênio aumentava com a adição de potássio podendo esse efeito ser atribuído ao aumento da nodulação, da produtividade dos nódulos ou de ambos.

Cultivar versus doses de nitrogênio: Em relação à interação de cultivares dentro de doses de nitrogênio, observou-se que, sem nitrogênio (N0), a cultivar IAC-8 foi superior quanto à massa seca e número de nódulos nos três locais (TABELA 4 e Figuras 3a e 3b). Em Votuporanga, para quaisquer das doses de nitrogênio aplicadas, as cultivares não diferiram entre si quanto à atividade da nitrogenase mas, em Ribeirão Preto, a IAC-14 foi superior (TABELA 4). Não houve resposta em nenhum dos locais avaliados quanto ao teor de N dos grãos sendo o mesmo foi observado em Ribeirão Preto e Votuporanga para produtividade de grãos.

 

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Figura 3 - Efeito de doses de nitrogênio nas cultivares IAC-8 e IAC-14 cultivadas no inverno em Votuporanga quanto à massa seca e número de nódulos e no rendimento de grãos em Mococa. Médias de 9 repetições.

 

Com a aplicação de 50 kg.ha-1, em Mococa, Ribeirão Preto e Votuporanga, não houve diferença estatística entre cultivares em relação à massa nodular (TABELA 4 e Figura 3a). Em relação ao número de nódulos, verificou-se nos três locais, que a adição de N1 favoreceu a cultivar IAC- 8 (TABELA 4 e Figura 3b).

Com a aplicação de 100 kg.ha-1 de nitrogênio, houve diferença entre cultivares quanto à massa nodular em Ribeirão Preto e Votuporanga, sendo a IAC-8 superior. Nos três locais foi observado maior número de nódulos na IAC-8 (TABELA 4 e Figura 3). Não houve diferença entre cultivares na fixação do nitrogênio com a adição de N2 em Ribeirão Preto. Em Mococa, com essa dose de nitrogênio, a fixação foi maior na cultivar IAC-14. A produtividade de grãos também foi maior na IAC-14, produzindo 552 kg.ha-1 a mais que IAC-8 mostrando que este material responde diferentemente à adubação pesada de nitrogênio (Figura 3c).

Em relação ao efeito de doses de nitrogênio dentro de cultivares, verificou-se que, para ambas as cultivares, a massa nodular foi significativa, linear e negativamente afetada nos três locais (TABELA 4 e Figura 3a). Cabe ainda ressaltar que mesmo no tratamento sem nitrogênio, a massa nodular de ambas as cultivares foi baixa em relação àquela normalmente observada em cultivo de soja (Vargas et al., 1993).

Em Mococa, na cultivar IAC-8, houve aumento no número de nódulos até a dose de 31,8 kg.ha-1 de nitrogênio (TABELA 4). Em Mococa e em Votuporanga a cultivar IAC-14, teve seu número de nódulos linearmente reduzido com o aumento da dose de nitrogênio adicionado, ocorrendo o mesmo na IAC-8 em Votuporanga (TABELA 4 e Figura 3b). Em Ribeirão Preto, foi estimado que seria obtido o menor número de nódulo com a adição de 45,5 e 56,1 kg.ha-1 de N, respectivamente para as cultivares IAC-8 e IAC-14.

Na cultivar IAC-8, em Mococa, a adição de nitrogênio aumentou a atividade da nitrogenase, sendo estimado que seria obtido valor máximo com 44,4 kg.ha-1 de N e na IAC-14 haveria um acréscimo linear (TABELA 4). Em Ribeirão Preto, embora os ajustes das equações tenham sido baixos (respectivamente de 63,3 e 69,9% para as cultivares IAC-8 e IAC-14), as fixações simbiótica do nitrogênio foram linearmente reduzidas. Em Votuporanga não houve resposta a doses de nitrogênio nas duas cultivares.

Waterer & Vessey (1993) demonstraram que embora o nitrogênio seja particularmente inibitório ao crescimento do nódulo e à atividade da nitrogenase, é menos prejudicial ao processo de infecção. Isso somente foi verificado em Ribeirão Preto. Nos outros dois locais a adição de nitrogênio reduziu também o processo de infecção e o desenvolvimento dos nódulos confirmando os dados obtidos por Tanner & Anderson (1964).

Cultivar versus doses de potássio: Os dados relativos à interação entre cultivares dentro de doses de potássio são apresentados na TABELA 5 e Figura 4. Em Mococa e Votuporanga no tratamento (K0), verificou-se que a cultivar IAC-8 apresentou maior massa seca de nódulos (TABELA 5 e Figura 4a). O mesmo foi observado em Mococa quanto à atividade da nitrogenase (TABELA 5). Nos três locais, com quaisquer das doses de potássio aplicadas, IAC-8 apresentou maior número de nódulos (TABELA 5 e Figura 4b).

 

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Figura 4 - Efeito de doses de potássio nas cultivares de soja IAC-8 e IAC-14 cultivadas no inverno quanto à massa seca e número de nódulos em Votuporanga e quanto ao rendimento de grãos em Mococa. Médias de 9 repetições.

 

Com a adição de potássio, IAC-8 mostrou superioridade quanto à massa nodular em Ribeirão Preto ocorrendo o mesmo, em Votuporanga, apenas quando foi adicionado K1 (TABELA 5 e Figura 4a). Em Mococa, a atividade da nitrogenase da cultivar IAC-14, com a adição de K1 e K2,foi superior a da IAC-8 e em Votuporanga, não houve diferença entre cultivares quanto à fixação simbiótica do nitrogênio. Jones et al. (1977) observaram que a aplicação de potássio aumentava o número de nódulos, o peso total e individual dos nódulos e o número de vagens por planta. Relataram ainda que, o aumento na produção, no número e tamanho de nódulos e na fixação do nitrogênio não poderiam ser inteiramente atribuídos a tratamentos com potássio, o que já havia sido demostrado por Perkins em 1924.

Em relação à produtividade, em Mococa, foi observado que apenas quando foi aplicado K1 houve diferença significativa entre cultivares sendo a IAC-14 mais produtiva (Figura 4c).

Quanto à interação de doses de potássio dentro de cultivares, verificou-se que não houve diferença estatística, quanto ao rendimento e teor de N dos grãos nos três locais estudados. De maneira geral, à adição de potássio não aumenta diretamente a produção mas sim os seus efeitos, que são verificados pela maior retenção de vagem na haste, redução da deiscência, melhoria da qualidade das sementes e maior resistência às doenças. Apenas em casos de grande deficiência no solo, o potássio proporciona diretamente aumento de rendimento (Bataglia & Mascarenhas, 1982).

Em Mococa, verificou-se que a massa seca, o número de nódulos e a atividade da nitrogenase da cultivar IAC-8 foram reduzidos com o aumento da dose de potássio aplicada seguindo uma equação do segundo grau (TABELA 5). Entretanto, na cultivar IAC-14, o número de nódulos e a atividade da nitrogenase deram uma resposta positiva à adição de potássio. Nessa cultivar, verificou-se que o número de nódulos foi aumentado até a dose de 41,6 kg.ha-1 de K2O e a atividade da nitrogenase foi linearmente aumentada. Stamford et al. (1980) observaram que houve efeito depressivo devido ao potássio no número de nódulos e relataram que, para que haja formação de nódulos, o nível desse elemento deve ser baixo. No entanto, não relataram que esse fato seja dependente do cultivar.

Em Ribeirão Preto, houve diferença estatística quanto à massa seca de nódulo em ambas as cultivares (TABELA 5) sendo esta do tipo quadrática negativa, atingindo os valores mínimos com o fornecimento de 20,3 e 34,7 kg/ha de K2O, respectivamente para IAC-8 e IAC-14. O número de nódulos da IAC-14 foi reduzido seguindo uma equação do 2o grau, atingindo um valor mínimo com à adição de 30,8 kg.ha-1 de K2O. A atividade da nitrogenase também se ajustou a uma função do segundo grau, sendo que as maiores fixações seriam obtidas com a adição de 28,8 e 30,1 kg.ha-1 de K2O, respectivamente para IAC-8 e IAC-14.

Em Votuporanga, houve interação apenas entre doses de potássio dentro de cultivares quanto a nodulação (Figuras 4a e b). A nodulação foi positivamente afetada pelo aumento da dose de potássio. A massa seca e o número de nódulos da cultivar IAC-8 seguiram uma equação do segundo grau com coeficientes de determinação elevados. Estimou-se que ocorreria aumento na massa seca e no número de nódulos para essa cultivar até a adição de 30,4 e 27,9 kg.ha-1 de K2O, respectivamente. Com a aplicação de 60 kg.ha-1 de K2O, tanto a massa como o número de nódulos praticamente se igualavam com o tratamento sem potássio. A cultivar IAC-14 respondeu linear e positivamente à adição de potássio tanto para massa seca como para número de nódulos. O efeito diferencial do potássio para variedades e linhagens já havia sido observado por Franco & Dobereiner (1967). A exigência por potássio também variam com o genótipo e o estádio de desenvolvimento, como observaram Duke & Collins (1985).

 

CONCLUSÕES

- A inoculação com as estirpes recomendadas não forneceu nitrogênio nas quantidades exigidas para maximizar a produtividade de soja em condições de cultivo de inverno.

- A adubação com nitrogênio afetou negativamente o processo de nodulação e a fixação simbiótica do nitrogênio.

- Em condições de inverno, nos três locais estudados deve-se adicionar nitrogênio para maximizar a produção.

- A adição de potássio não afetou negativamente a nodulação, a fixação simbiótica do nitrogênio e o teor de N do grão. Houve efeito diferencial no comportamento de cultivares quanto à massa seca e no número de nódulos e produtividade de grãos sendo a IAC-14 mais produtiva em Mococa.

 

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem a técnica agrícola Ocimara Aparecida Alves, estagiária da Seção de Leguminosas do Instituto Agronômico, pela condução dos experimentos.

 

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Recebido para publicação em 21.11.97
Aceito para publicação em 08.09.98

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