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Texto & Contexto - Enfermagem

Print version ISSN 0104-0707On-line version ISSN 1980-265X

Texto contexto - enferm. vol.14 no.4 Florianópolis Oct./Dec. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-07072005000400015 

ARTIGO ORIGINAL
REFLEXÃO TEÓRICA

 

O método de pesquisa histórica na enfermagem

 

The methodology of historic research in the nursing

 

El método de investigación histórica en la enfermería

 

 

Maria Itayra Coelho de Souza PadilhaI; Miriam Süsskind BorensteinII

IEnfermeira. Doutora em Enfermagem pela Escola de Enfermagem Anna Nery da Universidade Federal do Rio de Janeiro (EEAN/UFRJ). Professora Adjunto do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Coordenadora do Programa de PósGraduação em Enfermagem (PEN/UFSC). Vice-líder do Grupo de Estudos de História do Conhecimento de Enfermagem (GEHCE). Pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)
IIEnfermeira. Doutora em Enfermagem pelo PEN/UFSC. Professora Adjunto do Departamento de Enfermagem da UFSC. Coordenadora do GEHCE. Pesquisadora do CNPq

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Este estudo apresenta a pesquisa histórica como método, buscando instrumentalizar os profissionais de saúde e áreas afins para a elaboração de um estudo de natureza histórica em todas as suas etapas constituintes. Foi implementado a partir da experiência das autoras em estudos relativos a profissão de enfermagem e sua constituição histórica.

Palavras-chave: Métodos. História da enfermagem. Pesquisa em enfermagem.


ABSTRACT

This study presents historical research as a methodology, trying to enable health professional and others of related areas to elaborate a study of a historical nature in all their constituent stages. It was implemented from the experience of the authors in studies related to nursing and their historical constitution.

Keywords: Methods. History of nursing. Nursing research.


RESUMEN

Este estúdio presenta la investigación histórica como método, buscando instrumentalizar a los profisionales de la salud y áreas afines para la elaboración de estudios de naturaleza histórica en todas sus etapas. Fue implementado a partir de la experiencia de las autoras en estudios relativos a la profesion de enfermería y su constitución histórica.

Palabras clave: Métodos. Historia de la enfermeria. Investigación en enfermería


 

 

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Quando se pergunta a um historiador: como considera o conhecimento da história? Ele provavelmente responderia com outras perguntas do tipo: é importante o ar para respirar? A ingestão de alimentos para crescer e se desenvolver? Ou ainda, é importante o cérebro para pensar?1 Estes questionamentos nos levam imediatamente para outras questões: é possível fazer sentido no mundo sem abordar a questão da história? Quais os caminhos devemos seguir e por quê? Quais são os fatores que levam as profissões a se caracterizarem de forma tão particular?

Considerando a trajetória da enfermagem, como compreender seu contexto profissional sem conhecer sua história? Como compreender a natureza quantitativa e qualitativa do trabalho que as enfermeiras desenvolvem? Como entender seu desprendimento que envolve carga de trabalho muitas vezes excessiva sem contabilização material e realizada por opção consciente, ou não? Estas são algumas das inúmeras perguntas que se pode fazer e que dizem respeito ao cotidiano do trabalho das enfermeiras. No entanto, os possíveis encaminhamentos ao encontro de respostas podem acrescentar preconceitos, estereótipos e até construir equívocos confundindo a realidade, quando não se conhece a história. A própria história da enfermagem inserida nos cenários sociais ao longo dos tempos, torna-se aberta a aproximações e afastamentos das verdades e seus significados. A enfermagem é uma profissão que ao longo do tempo vem desconstruindo e construindo sua história. A sua relação com a sociedade é permeada pelos conceitos, preconceitos e estereótipos que se estabeleceram na sua trajetória histórica e que influenciam até hoje a compreensão de seu significado enquanto profissão da saúde composta de gente que cuida de gente.2

A história3 parece ter-se desenvolvido sobre o modelo da rememoração, da anamnese e da memorização dos grandes historiadores. Os historiadores do passado davam a fórmula das grandes mitologias, ia-se da história à memória coletiva. Já a nova história,4 se interessa virtualmente por toda atividade humana isto é, tudo tem uma história, ou seja, tudo tem um passado que pode ser um princípio reconstruído e relacionado ao restante desse passado. Daí a expressão de "história total" tão importante aos historiadores da École des Annales, movimento originado na França no final da década de 20, decorrente da criação da Revista Annales d'Histoire Economique et Sociale idealizada e editada por Lucien Febvre e Marc Bloch.5

A partir da década de 60 do século XX, o território do historiador estendeu-se a tudo o que é perceptível à observação. O historiador relê os documentos de seus predecessores com novos olhos, com nova interpretação e análise. Por exemplo, o que foi escrito baseado na história econômica e demográfica sobre a educação, o sexo, corpo, mito, imagem, a morte e a família, podem ser revistos e obtidas novas respostas historiográficas. Outros temas, como a alimentação, o vestuário, a saúde, a vida privada, as habitações, as festas, a loucura, as mulheres e os negros, também são revisitadas provando que tudo e todos têm uma história a ser desvendada e reconhecida.4

As informações sobre a história da enfermagem ao longo dos séculos nos são fornecidas por outras disciplinas, como a medicina, a sociologia, a história, dentre outras; não sendo portanto uma história contada por mulheres, mas sobretudo enaltecendo ora o enfoque religioso e submisso, ora depravado e profano, dificultando assim a visibilidade da sua ação enquanto produtora de saúde. A história serve para elucidar o contexto vivido e fornecer os significados deste contexto. Assim, o conhecimento histórico da enfermagem elucida o contexto e fornece os significados para a cultura da enfermagem.1 O desconhecimento das correntes sócioeconômicas, culturais e políticas que influenciaram o longo percurso da história sobre a prática dos cuidados, bem como o poder exercido pela igreja e posteriormente pelos médicos, fizeram com que as parteiras, seguidas pelas mulheres consagradas e posteriormente pelas enfermeiras, ficassem desarmadas, prisioneiras de sua herança passada. A medida em que se conhece a história da enfermagem, é que se percebe quanto esta não é inseparável de outras atividades da vida, do mundo da saúde e seus compromissos sociais. Desenvolver a pesquisa histórica para construir a memória da enfermagem e analisar criticamente a história das enfermeiras e da enfermagem é um desafio a ser enfrentado crescentemente. Este texto tem por objetivo apresentar ao leitor a pesquisa histórica como método, buscando instrumentalizar os profissionais de saúde e áreas afins para a construção de uma pesquisa histórica em todas as suas etapas constituintes. Para a enfermagem, é um novo modo de produzir conhecimentos e refletir sobre a história da profissão.

 

O MÉTODO DE PESQUISA HISTÓRICA

Os estudos de natureza sócio-histórica, compreendem o estudo dos grupos humanos no seu espaço temporal e preocupada em discutir os variados aspectos do cotidiano das diferentes classes e grupos sociais. O método de pesquisa histórica caracteriza-se como uma abordagem sistemática por meio de coleta, organização e avaliação crítica de dados que tem relação com ocorrências do passado.6 Três passos são considerados essenciais na produção de um trabalho histórico ou seja: 1) levantamento de dados; 2) avaliação crítica destes dados e finalmente, 3) apresentação dos fatos, interpretação e conclusões.7 Um dos objetivos da investigação histórica é lançar luzes sobre o passado para que este possa clarear o presente, inclusive fazer perceber algumas questões futuras. A metodologia histórica pode surgir dentro de uma abordagem quantitativa ou qualitativa, entretanto a natureza da história é fundamentalmente narrativa (qualitativa) e não numérica (quantitativa).6 Partindo, sobretudo, de uma concepção, de que o conhecimento é produzido socialmente, e que o pesquisador ao produzir o conhecimento sobre qualquer tempo, estará trabalhando a perspectiva do passado com o seu presente. Essa relação de passado e presente se estabelece na busca do conhecimento, de maneira a se questionar o passado numa série de questões que são o "agora".

Para problematizar a historiografia ou fazer uma tese historiográfica é necessário saber o que buscamos, ou seja, a definição de uma situação histórica que se configure na possibilidade de realização de uma pesquisa. A problematização é um ponto de partida para o trabalho, e não apenas uma idéia inconclusa relativa a historiografia ou aos livros que já foram escritos. Passa-se em outras palavras, pelo teste do real, mas apoiado na teoria, nos supostos teóricos fundamentais, que tem a ver com o presente que queremos compreender, com a nossa vivência presente. Ou seja, ao olhar o passado, o fazemos com o olhar e as ideologias e ausência de neutralidade do presente. O campo da história é um campo de possibilidades que vai ser trabalhado com "os agoras" a serem investigados.

Abandonamos a idéia de que vamos reconstruir o passado tal qual aconteceu mesmo porque isso é impossível mas, ao mesmo tempo, o que fazemos do passado é uma leitura, em termos de referências recentes, que abrangem o hoje e o agora, com perspectivas sociais, teóricas, ou uma concepção de vida, de mundo...e trabalhar por este ângulo é trabalhar a história de "uma forma", reconhecendo que nela existe toda uma diversidade de abordagens.8

Percebe-se que a concepção de verdade sofre uma grande mudança, como também a aceitação do que vem a ser o resultado da produção do conhecimento, além da concepção, não só de ciência, como de valor do conhecimento produzido. "O historiador busca as chaves das estratégias comunitárias, dos sistemas de valor, das organizações coletivas, isto é, de todas as condutas que constituem uma cultura rural ou urbana, popular ou elitista".9:23 Os estudos de natureza sócio-histórica, compreendem o estudo dos grupos humanos no seu espaço temporal e preocupada em discutir os variados aspectos do cotidiano das diferentes classes e grupos sociais. É o fazer que identifica a classe, com homens reais, vivendo suas experiências cotidianas.10 E essas experiências, absolutamente, não podem ser todas elas traduzidas apenas através de movimentos políticos, ou no partido, associação ou sindicatos, etc. O seu movimento no cotidiano, de se fazer historicamente, está presente em todas as suas ações, considerando que o movimento social é mais amplo. A pesquisa histórica tem o propósito de demonstrar os sucessos, fracassos, ocorrências em geral ou eventos no âmbito de interesse do historiador; e se entende por metodologia o modo pelo qual são enfocados os problemas e se buscam as respostas.

A construção da história de vida social tem sido em maior ou menor grau atravessada por conflitos sociais que mais do que meros "acidentes de percurso" no caminho do equilíbrio são, na verdade, elementos constitutivos e essenciais da vida social. O conhecimento que se procura por meio da investigação histórica depende inteiramente da informação que tenha sido transmitida ao longo do tempo por aqueles que viveram o evento ou assunto que se investiga em lugar e tempo apropriado. As diversas formas de transmissão desta informação constituem o que se conhece como fonte de informação. Os assuntos que se estuda não são parte da experiência do historiador, mas sim, daqueles que testemunharam a história, dos documentos escritos, filmes, fotos, gravações, obras de arte, mapas, dentre outros.11 A fim de compreender como efetivamente deve-se realizar uma investigação histórica é necessário que o pesquisador siga alguns passos fundamentais, que serão apresentados a seguir.

Etapas da pesquisa histórica

Alguns passos devem ser seguidos para a elaboração de um projeto de pesquisa histórica. O historiador deverá estar atento, buscando organizar o projeto e posteriormente a pesquisa propriamente dita com a seguinte estrutura: 1) definição, justificativa e delimitação do tema; 2) objetivos da pesquisa; 3) quadro teórico e as hipóteses; 4) coleta de dados, as fontes; 5) a crítica e a validação dos dados; 6) a análise e interpretação dos dados, a síntese.12

A definição, justificativa e delimitação do tema

Para a escolha do tema de projeto de pesquisa histórica, alguns critérios devem ser considerados como por exemplo: o de relevância, o de viabilidade, o de originalidade, além da coerência e consistência na argumentação.

Em relação a relevância, existem dois aspectos a considerar: o da relevância social e o da relevância científica. O historiador deve atuar na sua época e, na sociedade de modo a contribuir para com esta, atendendo as prioridades sociais do momento em que vive. Por outro lado, existe a relevância científica, que a ciência histórica, como as demais, evolui e em cada etapa redefine os objetivos, conceitos, prioridades e possibilidades. Por isso é importante ser levado em consideração quando se pretende selecionar um tema para pesquisar. Dentre os critérios políticos de demarcação científica, encontra-se a relevância social dos estudos científicos, ou seja, é importante que as dissertações de mestrado e teses de doutorado, para além do discurso da responsabilidade acadêmica, possam confrontar-se com os problemas sociais que enfrentamos e nos estudos históricos, relacionar o passado com o presente e apontar perspectivas para o futuro.13

O critério de viabilidade é fundamental, não basta que o tema seja válido ou interessante. É importante que o historiador avalie os recursos (humanos, materiais e tempo) que possui, no sentido de concretizar o trabalho de pesquisa. Não é possível por exemplo, realizar uma ampla pesquisa sobre as comunidades indígenas brasileiras, ou a evolução social da Aids, se não possui equipe qualificada de pesquisadores e apoio técnico com conhecimentos econômicos e estatísticos. A falta de material e equipamentos pode ser considerada outra limitação na realização da pesquisa. Finalmente, o tempo reduzido, tem sido considerado um dos grandes entraves a realização das pesquisas cientificas. Além disso, no caso específico da pesquisa histórica, a viabilidade se orienta na existência e no acesso do pesquisador aos documentos de um determinado período histórico.

O critério relativo a originalidade, significa contribuir com algo novo ao corpo de conhecimentos. Levando-se em consideração à dois critérios: a) trabalhando sobre temas ainda não pesquisados, o que permite preencher lacunas do conhecimento e b) voltando-se a pesquisar temas já estudados, porém com uma documentação radicalmente renovada, partindo de bases teóricas ou metodológicas diferentes, ou rebatendo teses anteriormente aceitas.

A coerência é a ausência de contradição no texto; argumentação bem estruturada; corpo sistemático e bem deduzido de enunciados; desdobramento do tema de modo progressivo e disciplinado; com começo, meio e fim; dedução lógica de conclusões. E por último, a consistência é a capacidade de resistir a argumentações contrárias; ou pelo menos merecer o respeito das opiniões contrárias. Fazer ciência é saber argumentar, não só como técnica de domínio lógico, mas sobretudo como arte reconstrutiva; saber argumentar começa com a capacidade de estudar o conhecimento disponível, teorias, autores, conceitos, dados, práticas, métodos, ou seja, de pesquisar, para, em seguida, colocar tudo em termos de elaboração própria; vai além da descrição do tema.13

A escolha de um tema/problema começa sempre com um interesse por um campo de estudos, uma problemática ampla e ainda pouco definida, despertada em geral por leituras prévias ou mesmo por experiências pessoais diversas. O pesquisador pode utilizar fontes documentais diversas encontradas nos arquivos e bibliotecas, e até na possibilidade de entrevistar pessoas ou fazer diferentes contatos. Através destas atividades, ele poderá perceber lacunas do conhecimento, diferenças de opiniões com estudos anteriores, o que lhe permitirá finalmente formular um tema preciso de pesquisa, delimitando no tempo (corte temporal), no espaço (geográfico) e como universo de análise (homogeneidade das fontes).

A escolha de uma problemática não depende do acaso ou da simples inspiração pessoal do investigador. Ele próprio faz parte de uma época, com seus problemas, seus acontecimentos marcantes, seus debates, sensibilidades e correntes de pensamento em evolução.14 O pesquisador deve delimitar claramente o problema a ser investigado, para permitir um aprofundamento do mesmo em tempo e espaço. Isto se dá quando o pesquisador estabelece uma ou várias perguntas específicas frente a um feito ou evento histórico com a finalidade de torná-lo preciso, estabelecer comparações ou determinar causas e conseqüências.

Os objetivos da pesquisa

Após a delimitação do tema, o seguinte passo, caracteriza-se por estabelecer os objetivos da pesquisa. Estes devem ser claros, precisos, de modo a dar a entender a que o pesquisador se propõe. Abrange as finalidades ou metas que o pesquisador espera alcançar com a pesquisa. Tem a finalidade de expressar o que o pesquisador pretende fazer para responder a questão de pesquisa. Deve explicitar: o que, onde, quem e quando. Na pesquisa histórica a delimitação do espaço temporal a que se refere o estudo deve ser explicitado e justificado de modo a esclarecer ao leitor os motivos da escolha do pesquisador. Os objetivos delimitam a pretensão do alcance da investigação, o que se propõe fazer, que aspectos pretende analisar. A descrição do objetivo indica a forma, o contexto e os meios de intervenção do pesquisador. São os indicadores do que se pretende alcançar com a pesquisa. Os objetivos definem muitas vezes, a natureza do trabalho, o tipo de problema a ser solucionado e a metodologia a ser utilizada.

As hipóteses do trabalho

Todo o processo de pesquisa parte de uma base teórica implícita ou explicita. O que se sugere ao pesquisador que ele formule as hipóteses de forma precisa. As hipóteses ou pressuposições constituem-se no instrumental mais importante ao pesquisador, uma vez que a partir delas, o pesquisador poderá decidir que tipos de fontes deve buscar. A hipótese é a resposta lógica que o pesquisador propõe ao problema de pesquisa. Está fundamentado em seu conhecimento sobre o problema, identifica as respostas mais plausíveis a pergunta de pesquisa, para então dedicar-se a tarefa de recolher evidências e dados que permitam comprovar a viabilidade das hipóteses traçadas. "A hipótese é o ponto de chegada de todo o primeiro movimento de um itinerário de pesquisa. Torna-se, em seguida, o ponto de partida do segundo movimento, indicando a direção a seguir para que se possa resolver o problema de partida, verificar sua solução antecipada".15:78

A hipótese vislumbra prováveis soluções, envolve uma possível verdade, um resultado provável.16 O pesquisador ao formular as hipóteses históricas, deverá ter presente o seguinte: 1) construção lógica do texto, eliminando inconsistências, erros semânticos de enunciação, entre outros; 2) definir os termos incluídos nas hipóteses; 3) evitar hipóteses negativas ou explicativas; 4) apresentar hipóteses concisas; 5) apresentar hipóteses que reflitam mudanças que ocorrem na sociedade; 6) apresentar hipóteses elaboradas e baseadas na realidade social.12

O marco teórico e a revisão de literatura

Modelo teórico ou marco teórico refere-se a uma teoria ou grupo de teorias que fornecem fundamentos para as hipóteses, políticas e currículos de uma ciência.17 Marco conceitual é um conjunto de elaborações mentais sobre aspectos relacionados ao objeto em estudo. Um ponto que serve como força, como orientação. Uma proposta da qual queremos nos aproximar.18 A "revisão sistemática e crítica das literaturas especializadas mais importantes publicadas a respeito de um tópico específico".6:76 Deve servir de fonte para idéias de pesquisa: o conhecimento de assuntos práticos e teóricos relacionados com um problema pode ajudar os investigadores a gerar idéias e a centrar-se em um tema de investigação; orientar sobre os conhecimentos já existentes em relação a um problema de interesse, podendo, dessa forma, levar o pesquisador a perceber aspectos do problema pouco pesquisados anteriormente (lacunas no conhecimento); estabelecer um contexto conceitual no qual se adapte o problema de pesquisa; informar sobre o enfoque da pesquisa destacando estratégias de investigação, procedimentos específicos, instrumentos de mensuração e análise estatísticas que serão utilizadas; estimar a probabilidade de sucesso da pesquisa proposta, a significância e a utilidade dos achados; fornecer informações específicas para identificar definições, proposições, limitações e hipóteses de pesquisa; auxiliar o pesquisador a perceber o momento em que eu problema de pesquisa estiver suficientemente especificado; identificar a importância de um trabalho e relacioná-lo com outros estudos já realizados; contribuir (modestamente) para a construção de uma teoria em determinada área.19

A metodologia: as fontes

A escolha do método e das técnicas/fontes a empregar na pesquisa depende muito do tema escolhido cada ramo de estudos históricos apresenta peculiaridades próprias. Levanta-se então o problema das fontes históricas que na maioria das vezes é o grande problema de quem desenvolve pesquisas históricas. Os fatos, os documentos existem como evidências dos acontecimentos. Quem constrói os fatos é o historiador. Do seu diálogo com as evidências é que se produzem os fatos históricos, inseridos ou não no passado. Os fatos não tem voz em si mesmos, como diziam os positivistas. Quem dá voz e vida aos fatos é o historiador, interrogando as evidências. A história é uma construção do sujeito, este reconstrói o passado, atribui-lhe um sentido, sob a influência de suas crenças, valores, convicções, idéias e sua própria personalidade.20

Nesta etapa da pesquisa, os dados serão coletados, criticados, avaliados, processados e interpretados. As fontes assumem necessariamente um papel importante, pois a elas estão ligadas as possibilidades da análise e do processamento de dados, e em geral delas, depende a constatação das hipóteses, de modo a garantir a objetividade e a intersubjetividade.

As fontes históricas são todos os tipos de informações acerca do devir social no tempo, incluindo noção igualmente aos próprios canais de transmissão dessa informação, isto é, as formas em que foi preservada e transmitida. Assim serão fontes históricas as redações que nos chegaram em papiros, tijolos de barro, paredes de monumentos, pergaminhos, papéis, dentre outros. Objetos materiais diversos como templos, túmulos, moedas, cerâmicas, móveis, quadros, fragmentos de tecidos, utensílios, armas, instrumentos musicais, detritos humanos, entre outros. Além disso, restos ou contornos de paisagens agrárias ou monumentos desaparecidos perceptíveis através da fotografia aérea. Na investigação histórica, os dados podem-se apresentar ainda através de registros do passado, tais como: livros, revistas, jornais, cartas, diários, livros de atas de reuniões, processos judiciais, atestados de casamentos, de óbitos, entre outros. Podem também se apresentar na forma de documentos como filmes, fotografias, microfilmes e outros objetos desse tipo. Muitas destas fontes não se encontram com facilidade e em bom estado geral, exigindo uma boa dose de paciência, tempo e um trabalho minucioso por parte do investigador.

Quando o que se investiga ocorreu num tempo relativamente recente e há falta de informações a respeito desse período, é possível identificar as pessoas que vivenciaram e participaram do processo histórico, a fim de integrarem a pesquisa. Neste caso pode-se utilizar a História Oral (H.O) ou a Historia de Vida (H.V.) como fontes históricas. Na verdade essas fontes serão construídas pelo próprio historiador. A história oral é um recurso relativamente moderno utilizado para elaboração de documentos, arquivamento e estudos referentes à vida social de pessoas. Ela é sempre uma história do tempo presente e reconhecida como história viva. 21

O estudo da oralidade veio sendo utilizado pela antropologia, no âmbito da pesquisa dos processos de transmissão das tradições orais, principalmente aquelas pertencentes as sociedades rurais, em que o recurso da oralidade ainda era o mais relevante. A tradição oral foi um objeto de conhecimento incorporado a antropologia, no entanto ultrapassou este campo específico sendo atualmente objeto de estudo de outras disciplinas, como é o caso da corrente historiográfica reconhecida como "história oral".22 A história oral moderna surgiu em 1947, na Universidade de Columbia, em New York. Este termo foi oficializado por Allan Nevins, indicando uma nova postura para o uso e divulgação de entrevistas. Este fato acontece em um período chamado pós-guerra, em que os avanços tecnológicos (surgimento do gravador) combinam-se com a necessidade de captar experiências importantes, como as experiências vividas por combatentes, familiares e vítimas de conflitos. Apenas recentemente, a oralidade vem sendo cobiçada como fonte de captação e meio capaz de promover a análise social através de entrevistas.21

A introdução da história oral no Brasil se deu na década de setenta, porém se expandiu significativamente nos anos 90. A criação da Associação Brasileira de História Oral em 1994, a publicação de seu Boletim, assim como, a realização de eventos têm estimulado a discussão entre pesquisadores e praticantes da História Oral. O III Encontro Nacional de História Oral, realizado em Campinas em 1996, foi marcado pela participação relevante de historiadores ligados a academia e pelo aumento da participação de alunos de pós-graduação e bolsistas de iniciação científica. O considerável aumento de estudos voltados para as camadas populares, revelou a retomada de uma antiga tradição da história oral.22 Como metodologia a história oral se remete a uma dimensão técnica e teórica, estabelecendo e ordenando procedimentos de trabalho, funcionando como ponte entre teoria e prática.22 "A história do tempo presente contribui particularmente para o entendimento das relações entre a ação voluntária, a consciência dos homens e os constrangimentos desconhecidos que a encerram e a limitam[...]. Trata-se, portanto, de um lugar privilegiado para uma reflexão sobre as modalidades e os mecanismos de incorporação do social pelos indivíduos de mesma formação social".22:24

Quanto à história de vida, esta implica na crença do indivíduo, valorizando o seu eu e sua história. É um testemunho vivido, chamado também de história oral ou história vivida.23 São relatados dois tipos de história de vida: a primeira é a história de vida completa, que relata toda a experiência de vida de uma pessoa, grupo ou instituição; a segunda, a história de vida tópica, que focaliza determinada etapa ou setor da vida pessoal ou de uma organização.24

No levantamento de dados, o pesquisador necessita distinguir entre as fontes primárias e as fontes secundárias. As primeiras caracterizam-se por tratarem de informações de primeira mão, como os documentos originais, as relíquias ou objetos. As fontes primárias são os contatos mais diretos com os acontecimentos ou situações históricas. As fontes primárias tanto podem ser manuscritas quanto impressas.

Num primeiro grupo de fontes primárias colocamos aquelas que estão diretamente relacionadas em termos de tempo e espaço com o evento, feito, sucesso ou ocorrência que se estuda. Podem ser o testemunho de pessoas que participaram ou observaram diretamente o fato; isto se obtém mediante a entrevista. Outras fontes primárias são os documentos elaborados com o propósito expresso de transmitir a informação que possa ser usada no futuro. Como exemplo podemos mencionar: as autobiografias, atas, leis, constituições, decisões de tribunais, informes oficiais, faturas, prospectos, catálogos, fotografias, vídeos, discos, transcrições, periódicos, anúncios, mapas, receitas, cartas. Em um terceiro grupo de fontes primárias são as relíquias. São testemunhos históricos cuja existência não tiveram o objetivo deliberado e consciente de transmitir informação para ser utilizada no futuro. Exemplo disto podem ser vistos em: fósseis, moedas, objetos de arte, vestimentas, ferramentas, moradias, que podem revelar muito do contexto socioeconômico cultural em que viviam.

As fontes secundárias caracterizam-se por serem relatos de segunda ou terceira mão dos acontecimentos históricos. Tem em geral um valor limitado pelas distorções que a informação sofre ao passar por vários autores. Em geral, estas fontes se constituem em relato dos fatos por meio de livros texto, periódicos, crônicas, coletâneas, revisões de literatura, e outras obras de consulta. que já contém a interpretação de quem as escreveu. As fontes secundárias podem ser consideradas explicações de acontecimentos escritos por outras pessoas que analisaram, interpretaram ou resumiram as fontes primárias. Como conseqüência o pesquisador que se utiliza somente de fontes secundárias, corre o risco de obter documentos não completamente fidedignos e acurados, de valor limitado. Por isso a necessidade de sempre que possível, coletar dados a partir de fontes primárias. No entanto quando as fontes primárias forem perdidas, as secundárias mais próximas tornam-se primárias.

Na história tradicional, só era considerado relevante aquilo que estava documentado, ou seja, o melhor historiador seria aquele que conseguisse ficar o mais próximo dos documentos e que procurasse tirar desse o máximo de proveito. Daí a importância dos atos do governo, atuação das grandes personalidades, questões de política internacional, dentre outros. Na nova história, o importante é a relação que o historiador tem com o documento. O documento já não fala por si mesmo, porém necessita de perguntas adequadas. A intencionalidade já passa a ser alvo de preocupação por parte do historiador, num duplo sentido: a intenção do agente histórico presente no documento e a intenção do pesquisador ao se acercar desse documento.

A fase da coleta de dados é a mais longa do processo de pesquisa, e também a que apresenta os maiores perigos, na forma de atrasos possíveis e de esforços inúteis. Os três problemas fundamentais para o historiador são: 1. a localização dos acervos documentais; 2. evitar a dispersão e a perda de tempo; 3. manter um controle permanente e total sobre os materiais acumulados, mediante uma organização eficiente da coleta de informações.

Ao começar uma pesquisa, convém lançar mão de todos os recursos disponíveis para a localização da informação pertinente disponível. Os mais óbvios consistem na leitura de: 1) notas de referências e listas de fontes; 2) no uso dos catálogos e fichários de arquivos e bibliotecas; 3) na consulta de repertórios documentais e bibliográficos publicados; 4) na busca de coletâneas de fontes primárias impressas, revistas e boletins dos arquivos.25

Mas principalmente procurar consultar especialistas ou estudiosos sobre o assunto: os historiadores, os intelectuais, as bibliotecárias e os arquivistas. Estas pessoas poderão indicar lugares e dados preciosos em que o pesquisador com certeza irá se beneficiar. Pode utilizar também a Internet, do correio eletrônico e outras fontes A fim de evitar perder tempo e ânimo, o pesquisador somente deverá entrar na coleta de dados quando o tema estiver bem claro e delimitado. Após coletar todos os dados, o pesquisador deverá organizar racionalmente todo o material. Para tanto duas regras são básicas: a) dispor de um plano de classificação; b) elaborar os tipos pertinentes de fichas e folhas de coleta. Em geral pode ser temática, e sub-temática e não cronológica. Como o pesquisador não sabe ao certo tudo que virá obter, esse plano de classificação poderá ser aperfeiçoado gradativamente. Poderão ser organizadas fichas documentais ou bibliográficas de identificação, com a identificação da obra, do autor e do conteúdo. Em primeiro lugar, é preciso elaborar, para cada documento de arquivo, fonte primária impressa ou peça de bibliográfica de identificação, uma ficha documental ou bibliográfica de identificação. As funções das fichas de identificação são as seguintes: a) servem para elaborar as notas de referência do trabalho na qual os resultados da pesquisa serão apresentados; b) servem para elaborar a lista de fontes e bibliografia do mesmo trabalho; c) permitem, caso seja necessário, voltar a localizar rapidamente um documento ou publicação para uma nova consulta. Estas fichas deverão ser elaboradas em forma semelhantes às que encontramos nos catálogos de arquivos e bibliotecas.

A crítica e validação dos dados

Após identificar e classificar as fontes, o historiador tem diante de si uma difícil tarefa, a de determinar a qualidade e relevância da informação. Os dados devem ser sujeitos a uma análise cuidadosa a fim de diferenciar o falso do verdadeiro. O processo pelo qual se avalia e valida as fontes de informação foi denominado pelos historiadores de crítica externa e interna. É mediante o processo de critica à fonte que o historiador determina as evidências históricas nas quais se apoiará para interpretar ou comprovar suas hipóteses. Este deverá ser devidamente documentado e poderá auxiliar nas conclusões do estudo.11

A crítica externa indaga a natureza dos documentos, isto é, se o texto é original ou cópia, qual a procedência ou autoria, enfim a autenticidade dado histórico. Dispomos atualmente de várias técnicas científicas para precisar a idade do documento, como os procedimentos de Raio X e outros radioativos. Pode incluir outras análises físicas e químicas de tinta, pintura, papel, pedra, madeira. Quando tratar-se de história oral é importante determinar a viabilidade da presença do sujeito no lugar e momento que se está estudando. Existe o problema também das transcrições, traduções e as versões mecanográficas dos materiais históricos. Quando o pesquisador coloca em dúvida a legitimidade do documento, é prudente excluí-lo.

A crítica interna está preocupada com a avaliação do peso e valor das provas. Esta é feita após o pesquisador determinar a autenticidade da fonte. A crítica interna não se orienta aos aspectos físicos dos materiais, mas com o seu conteúdo. O importante é a verdade dos fatos. É importante saber se o autor que aborda tal trabalho, não é parcial, tem condições de discutir os dados, tem profundo conhecimento sobre as informações que aborda. A critica interna busca apreender o significado da declaração dentro do documento e determina a autenticidade e fidedignidade.25 O pesquisador ao fazer a critica interna de um documento, poderá basear em alguns pontos fundamentais como: se a fonte ou o autor era competente para relatar os acontecimentos e se conhecia verdade dos fatos, e se estava apoiado por depoimentos ou informações mais ou menos concordantes.

A análise e interpretação dos dados - a síntese

Nesta fase se tem uma visão totalizadora do trabalho. A narrativa histórica é o estágio final do processo de pesquisa histórica. Neste estágio o pesquisador conta a história a partir da interpretação dos dados e envolve o leitor no debate histórico. A síntese ocorre e os achados são conectados, e suportados num todo relacionado. Na exposição histórica o pesquisador explica o que aconteceu e porque aconteceu a partir da documentação ou relato obtido. Relações entre eventos, idéias, pessoas, organizações e instituições precisam ser exploradas dentro do contexto do período em que o estudo foi realizado. O conjunto de fatos políticos, econômicos e sociais, determinam um estágio ou referência para comparar e contrastar os dados históricos coletados. Julgamentos históricos, são baseados em evidências históricas, necessitam passar por um filtro a compreensão humana pela experiência humana. "O conhecimento histórico está ligado à época de sua produção, ao presente do historiador, que é sempre novo. Se o presente é sempre novo e reinterpreta de forma nova o passado, a verdade do passado será também sempre nova, pois dominada pela novidade do presente".20:150

O historiador deve procurar ser muito sensível ao material utilizado, e se mostrar suficientemente engajado no trabalho, e mostrar um equilíbrio entre as forças do seu interesse, com o interesse social e o interesse histórico. O pesquisador dentro de seus atributos, necessita ser criativo e realizar uma conexão convincente entre os acontecimentos que considera mais significativos para o tema em estudo. Quando o pesquisador escrever a narrativa, ele deverá fazê-lo com criatividade, se rendendo aos eventos, explicando os resultados encontrados e fornecendo suporte as idéias. Isto requer disciplina, organização e uma boa dose de imaginação, acompanhado de um trabalho hercúleo. O historiador precisa ainda permanecer em um espaço de tempo concentrado para contemplar os resultados encontrados, observar os detalhes desses resultados, o que está escrito nas entrelinhas dos manuscritos e de outros documentos. Ele precisa planejar a história a partir dos dados e usar o tempo e o espaço para fazer um balanço, construindo a história, criticando e interpretando os dados adequadamente.26;27 Finalmente devemos compreender que o trabalho final do historiador também deve aparecer como um momento de reflexão e não como um produto acabado; deve reconstituir o próprio percurso da investigação. Ao apresentar o caminho percorrido, trazendo luz as evidências, o porquê de sua escolha, as fontes foram tratadas, o pesquisador está trazendo, ao mesmo tempo o lugar de onde fala e as implicações metodológicas de seus procedimentos.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A enfermagem tem caminhado para a formação de um corpo de conhecimentos científicos próprio, buscando através de estudos e pesquisas a sua definição como ciência. A pesquisa em enfermagem tem crescido substancialmente nos últimos anos, abrindo perspectivas do conhecimento em múltiplas direções. A enfermagem como profissão vem sofrendo transformações ao longo de sua história. Dentro do contexto político e social, é impossível querer entender a profissão sem estabelecer sua relação com os acontecimentos históricos que ocorreram ao longo do tempo. Alguns aspectos foram decisivos para o desenvolvimento da profissão como: o surgimento dos hospitais e o desenvolvimento das áreas das ciências biológicas e da saúde. Inúmeros autores tem procurado abordar a enfermagem sobre os diversos aspectos.28

No que se refere a pesquisa histórica em enfermagem, esta foi introduzida por Teresa E. Christy, que estabeleceu como um método legítimo de investigação há mais de uma década. Christy aperfeiçoou o método e a necessidade de realizar pesquisa histórica, muito antes do que a grande maioria dos estudiosos de enfermagem a aceitasse como um método de pesquisa.6 Ao realizarmos uma busca na literatura brasileira sobre a história da enfermagem e também sobre a utilização da pesquisa histórica, nos deparamos ainda com escassa bibliografia. Entretanto a partir das duas últimas décadas, começa a ocorrer no espaço brasileiro, um interesse maior por parte dos enfermeiros em contar ainda que de forma tímida, a história da enfermagem. Nos Estados Unidos (EUA) e Canadá, as enfermeiras tem se preocupado em introduzir mais recentemente trabalhos históricos em livros textos para uso na formação dos estudantes de enfermagem. Estes textos não somente refletem conhecimentos, mas também, procuram oferecer aos estudantes uma visão de si mesmos, procurando fortalecer suas identidades e suas relações com o público.28

Entretanto alguns enfermeiros, preocupados com a nossa história tem procurado nos últimos tempos, utilizando-se do método histórico, escrever teses, dissertações, monografias, livros e artigos a respeito. No Brasil, embora haja uma certa consciência a esse respeito, ainda são poucos os trabalhos publicados, que buscam explorar esse assunto. Estas obras que vem sendo lançadas no mercado brasileiro e que de uma forma ou de outra, vem retratando um pouco do que tem sido a enfermagem brasileira no contexto social. É importante que o registro sistematizado da história da enfermagem nas suas diversas faces seja o início do conhecimento dos próprios enfermeiros sobre sua identidade e importância, e do reconhecimento pela sociedade do profissional enfermeiro individualmente e do grupo como um todo. Conhecer esses fatos, torna-se relevante em função da necessidade de uma maior compreensão do que somos hoje como profissão e como profissionais de enfermagem, pois "todas as lutas contemporâneas giram em torno de uma questão: quem somos nós? Elas são uma recusa às abstrações, ao estado de violência econômico e ideológico, que ignora quem somos individualmente, e também uma recusa a uma investigação científica ou administrativa que determina que somos".29:235

 

REFERÊNCIAS

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Endereço para correspondência:
Maria Itayra Coelho de Souza Padilha
R. José Dutra, 106, Bloco A, Ap. 102
88036-210 Trindade, Florianópolis, SC
E-mail: padilha@nfr.ufsc.br
Artigo original: Reflexão teórica

Recebido em: 28 de junho de 2005
Aprovação final: 17 de outubro de 2005

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