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Texto & Contexto - Enfermagem

Print version ISSN 0104-0707On-line version ISSN 1980-265X

Texto contexto - enferm. vol.15 no.1 Florianópolis Jan./Mar. 2006

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-07072006000100012 

ARTIGO ORIGINAL
PESQUISA

 

Significados de avós sobre a prática do aleitamento materno no cotidiano familiar: a cultura do querer-poder amamentar

 

Grandparents' understandings about the practice of maternal breast-feeding in family daily life: the culture of possibilities for breast-feeding

 

Significados de las abuelas sobre las prácticas de la lactancia materna en su cotidiano familiar: la cultura del querer-poder amamantar

 

 

Marizete Argolo TeixeiraI; Rosane Gonçalves NitschkeII; Patricia De GasperiIII; Mônica Joesting SiedlerIV

IEnfermeira. Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Professora Auxiliar do Departamento de Saúde da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Membro do Núcleo de Pesquisa do Quotidiano, Imaginário e Saúde (NUPEQUIS/SC). Membro do Grupo Cuidando e Confortando da UFSC
IIEnfermeira. Doutora em Filosofia de Enfermagem pela UFSC/Centre d'Etudes sur l'Actuel et lê Quotidien (UFSC/CEAQ) na Sorbonne. Professora Adjunto III do Departamento de Enfermagem da UFSC. Coordenadora do Projeto Ninho e do NUPEQUIS/SC. Membro do Grupo de Assistência, Pesquisa e Educação da Área de Saúde da Família (GAPEFAM)
IIIEnfermeira. Mestre em Enfermagem pela UFSC. Professora Substituta do Departamento de Enfermagem da UFSC. Membro do Grupo de Pesquisa Cuidando e Confortando da UFSC
IVSocióloga. Mestre em Enfermagem pela UFSC. Membro da equipe multiprofissional do Núcleo de Estudos da Terceira Idade (NETI/UFSC)

Endereço

 

 


RESUMO

Trata-se de um estudo qualitativo, fundamentado no Interacionismo Simbólico, tendo como objetivos compreender como os avós experienciaram e/ou vivenciaram a prática do aleitamento materno no cotidiano familiar e refletir sobre seus significados. Os dados foram coletados durante uma oficina, tendo como informantes onze avós. Da análise temática, emergiram quatro categorias: "tive filhos, mas não amamentei"; "amamentei, mas apresentei problemas"; "minha esposa amamentou sem problemas"; "não amamentei, mas ajudei uma menina-mãe". Percebe-se que a prática do aleitamento materno foi experienciada por todos, sendo considerada importante, mas enfrentaram problemas expressos por diferentes culturas, que poderiam ter sido resolvidos com o apoio dos profissionais de saúde e dos familiares, ao negociarem com estas diferentes culturas. Concluímos que é preciso trocar, negociar e repensar a cultura do não amamentar e ter que amamentar, lembrando seus riscos e benefícios, oriundos de uma ditadura expressa por outras culturas que se entrelaçam, sem esquecer do querer, poder amamentar.

Palavras-chave: Aleitamento materno. Cultura. Enfermagem. Relações familiares.


ABSTRACT

This is a qualitative study that works with Symbolic Interactions. Its principle goal is to understand how the grandparent's life within the practice of maternal Breast-feeding. The data was collected in a workshop with ten grandmothers and one grandfather. From the analysis four categories have arisen: "has a son, but not breast feeding"; "breast feeding, but has problems"; "my wife breast feeds without problems"; "don't breast feed, but help a young mother." We understand that this practice was experienced by everybody, and considered important, but the problems that happened were because of different cultures that could have been decided with the support of health care professionals and relatives, when negotiating with these different cultures. We conclude that is necessary to change, to negotiate and to rethink the culture of not suckling and having to suckle, remembering that the risks and benefits come with an express dictatorship for other cultures that are interwoven, without forgetting wanting or being able to suckle.

Keywords: Breast feeding. Culture. Nursing. Family relations.


RESUMEN

Se trata de un estudio cualitativo, fundamentado en el Interaccionismo Simbólico. Tuvo como objetivo comprender como las abuelas experimentaron y/o vivenciaron la práctica de la lactancia materna en el cotidiano familiar y reflexionar sobre sus significados. Los datos fueron recolectados durante un encuentro, teniendo como informantes 11 abuelas. Del análisis temático emergieron cuatro categorías: "tuve hijos, pero no amamanté"; "amamanté pero presenté problemas"; "mi esposa amamantó sin problemas"; "no amamanté, pero ayudé a una niña-madre". Percibimos que la práctica de la lactancia materna fué experimentada por todas, considerándose importante, sin embargo, enfrentaron problemas expresadas por las diferentes culturas, las cuales pudieron ser resueltos con el apoyo de los profesionales de la y de los familiares, al negociar con estas culturas diferentes. Concluímos que es preciso intercambiar, negociar y repensar la cultura del no amamantar y tener que amamantar, recordando los riesgos y los beneficios, que vienen de una dictadura expresada por otras culturas que se entrelazan, sin olvidar del querer, poder amamantar

Palabras clave: Lactancia Materna. Cultura. Enfermería. Relaciones familiares.


 

 

INTRODUÇÃO

Os aspectos sócio-culturais muito têm influenciado a prática do aleitamento materno. O ato de amamentar é um ato natural, milenar, sem custo, essencial para a vida dos seres humanos. Minimiza a fome, salva vidas e faz o indivíduo crescer não só biologicamente, como também emocionalmente. Porém, ao longo dos anos vem sofrendo diversas influências sociais, econômicas e culturais em decorrência da incorporação de novos costumes pela sociedade.

Deparamo-nos, ainda, com a falta de informações e de segurança da mãe sobre as vantagens do leite materno, uso da chupeta, de bicos, de água e chás no intervalo das mamadas. Da mesma forma, a atuação dos serviços de saúde ainda é insuficiente no apoio à mãe nutriz e à família para que consigam resolver os principais problemas referentes à amamentação de forma satisfatória. Tal fato leva as nutrizes ao desmame precoce, diminuindo, assim, a prevalência do aleitamento materno exclusivo nos seis primeiros meses de vida.

As avós são cuidadoras significativas no âmbito familiar. Cuidam dos membros da família, principalmente de suas filhas e noras na fase puerperal. Transmitem seus conhecimentos e sua cultura, são valorizadas e respeitadas por sua experiência e vivência, especialmente nos cuidados com os recém-nascidos. "A opinião do idoso era mais ouvida e se valorizava mais a experiência do que a inovação".1:121 Em nossa prática cotidiana temos observado que esta afirmação se aplica especialmente no que diz respeito aos cuidados familiares.

Na contemporaneidade, a mulher ainda está ideológica e culturalmente vinculada ao mundo interno do lar independente da idade.2 A casa e a família continuam sendo seu reino e essa experiência avaliza a opinião das avós, herdeiras de um processo cumulativo de conhecimentos e experiências adquiridas ao longo dos anos podendo ser vistas como sábias, valorizadas e respeitadas.

As avós participam nos cuidados às suas filhas, noras e netos em processo de amamentação, interferindo às vezes, de modo a desestimular esta prática, quando incentivam o uso de água, chá, leite industrializado e preparado com amido, alegando que o leite materno é fraco e não "sustenta" a criança. Acreditamos que estas atitudes das avós estejam relacionadas com o contexto histórico vivido por elas, que expressam uma cultura, onde a prática da amamentação não era valorizada, ao contrário, era desestimulada.

Assim, ao exercerem os cuidados familiares, as avós trazem consigo os conhecimentos e experiências adquiridas durante o momento em que viveram e aleitaram seus filhos, muitas vezes permeados por mitos, crenças, valores e tabus enraizados e culturalmente aceitos no contexto vivido por elas.

A defesa da lactação natural, na metade do século XX, não acontecia de forma coletiva, e sim individual, principalmente depois da industrialização, onde a divulgação do leite artificial acontecia de forma rotineira. Tal informação nos possibilita imaginar que se falava muito pouco no aleitamento materno, fazendo as mulheres acreditarem mais no leite artificial do que no aleitamento natural.3

Atualmente, a prática do aleitamento materno está sendo retomada com intuito de aumentar a prevalência da amamentação exclusiva até o sexto mês, momento em que devem ser introduzidos outros alimentos complementares na dieta da criança, no entanto continua-se com a amamentação até o segundo ano de vida ou mais, a depender da nutriz, o que contribuirá para a diminuição dos índices de morbimortalidade infantil. Nesta luta pela lactação natural é imprescindível a participação de todos, dentre eles a intercessão dos familiares, destacando-se as avós, que estão presentes em quase todos os nascimentos dos netos (as), seja como mãe ou sogra das mulheres nutrizes, construindo uma cultura.

Pela importância da família, de suas relações e para que as avós promovam, protejam e apóiem a prática do aleitamento materno, fez-se necessário conhecer como elas vivenciaram e/ou experienciaram esta prática enquanto mães e avós. Este estudo teve como objetivo compreender como os avós experienciaram e/ou vivenciaram a prática do aleitamento materno no cotidiano familiar, bem como refletir sobre seus significados. Neste estudo, a denominação avós refere-se a ambos os sexos, a avó e o avô.

 

O REFERENCIAL TEÓRICO ESCOLHIDO

Para fundamentar teoricamente este estudo optamos pela Teoria do Interacionismo Simbólico. Entendemos que é necessário conhecer as percepções dos avós acerca da prática do aleitamento materno, bem como suas crenças e valores culturais, ou seja, o significado que a amamentação tem para eles, uma vez que, ao conhecer os significados que o aleitamento materno tem para os avós, podemos relacioná-los com as questões culturais que envolvem a prática do aleitamento materno.

"O Interacionismo Simbólico é uma perspectiva teórica da ciência, formada por um conjunto de idéias sobre a natureza das pessoas e a sociedade, com o foco na interação humana. Acredita-se que é através do processo de interação que os seres humanos formam os significados. Os seres humanos agem em relação às pessoas e às coisas com base nos significados que elas têm para eles. O Interacionismo Simbólico propõe uma base para o entendimento do significado na interação entre os seres humanos".4:43

George Herbert Mead foi o grande instigador do Interacionismo Simbólico, o gerador primordial do movimento, chamado o pai do Interacionismo Simbólico. Foi membro do grupo de pensadores da escola de Chicago, amigo e colaborador de Dewey, um dos principais pragmáticos norte americanos. Além de se inspirar no pensamento pragmático, inspirou-se na perspectiva naturalística de Charles Darwin (o ser humano deve ser considerado como parte da natureza e em constante mudança) e nas idéias do behaviorismo.5

Mead não publicou uma obra completa e sistemática sobre sua teoria. Suas idéias foram organizadas, editadas e publicadas após sua morte em 1931. Seu sistema de psicologia social, entretanto, é apresentado de forma completa em Mind, Self and Society (1934), um dos mais importantes livros na área da interação simbólica, onde o autor explora não somente a complexa relação entre a sociedade e o indivíduo, como expõe a gênese do self, o desenvolvimento de símbolos significantes e o processo de comportamento da mente.6

O mais destacado apóstolo de Mead foi Herbert Blumer, o qual criou a expressão Interacionismo Simbólico em 1937. Em sua mais importante publicação Symbolic Interactionism, Perspective and Method. Ele representa com clareza os pressupostos básicos da abordagem interacionista.

1. O ser humano age com relação às coisas na base dos sentidos que elas têm para ele. Estas coisas incluem todos os objetos físicos, outros seres humanos, categorias de seres humanos (amigos ou inimigos), instituições, idéias valorizadas (honestidade), atividades dos outros seres humanos e outras situações que o indivíduo encontra na sua vida cotidiana.6

2. O sentido destas coisas é derivado, ou surge, da interação social que alguém estabelece com seus companheiros.6

3. Estes sentidos são manipulados e modificados através de um processo interpretativo usado pela pessoa ao tratar as coisas que ela encontra.6

4. O ser humano tem a capacidade de aprender grande número de significados e valores através da comunicação simbólica. Ele os aprende através da interação com as pessoas, especialmente com os membros de sua família. Deste modo os símbolos podem ser pensados como significados e valores que são comuns ou compartilhados. Esse é o processo de socialização no qual o individuo aprende os valores e normas culturais e subculturais que ele segue.7,8

5. A sociedade precede o individuo. Os seres humanos nascem numa sociedade já existente e que desenvolveu uma cultura. Assim, eles são socializados para alguns significados de acordo com o comportamento esperado por esta sociedade. Contudo, isto não implica em determinismo cultural, devido às importantes pressuposições.7

A Teoria do Interacionismo Simbólico funcionou como guia para este estudo, uma vez que o tema envolve as interações familiares e o significado que o aleitamento materno tem para os avós, permitindo-nos relacionar este significado com as questões culturais que permeiam todo o processo do aleitamento materno.

Cultura refere-se a valores, crenças, normas e práticas de modos de vida aprendidos, compartilhados e transmitidos, de um grupo particular que orienta o pensamento, decisões e ações de maneira padronizada.9 A cultura faz parte do cotidiano do ser humano, tanto no âmbito individual quanto no social, ressaltando a potencialidade e a criatividade de cada sociedade, levando o indivíduo a desenvolver-se, ao mesmo tempo em que relaciona-se com o ambiente.

Entendemos  cultura  como todo este conjunto de significados, crenças, valores, imagens, imaginários e símbolos nos quais mergulhamos ao nascer e que construímos a cada dia, delineando o nosso viver. Agimos de acordo com a nossa compreensão das coisas, portanto, nossos comportamentos de saúde também são delineados pela  nossa cultura.

Entretanto, isto não significa um determinismo cultural, já que o ser humano tem capacidade de criação e transformação, como nos alerta o Interacionismo Simbólico. A cultura coloca-se como uma construção de vida de cada um, de cada povo, cada comunidade, cada  grupo, tribo, família, ser humano, ao longo de sua existência. Assim, cada um de nós  tem uma cultura. As instituições, inclusive, aquela na qual trabalhamos, bem como nossas famílias, têm uma cultura, que desenvolvemos a cada dia, através das interações que temos cotidianamente. Portanto, cultura não se limita a etnias, embora por ela também esteja  integrada. Podemos, então, falar de cultura institucional, cultura grupal, cultura familiar.*

 

CAMINHO METODOLÓGICO

Trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa, desenvolvida na cidade de Florianópolis - SC, no primeiro semestre de 2004, tendo como informantes um avô e dez avós, que participaram do Curso "Os Avós na Universidade", promovido pelo Núcleo de Estudos da Terceira Idade (NETI), vinculado a Pró-Reitoria de Cultura e Extensão (PRCE), da Universidade Federal de Santa Catarina.

Este curso teve como objetivo evidenciar a definição do papel dos avós, na ótica de uma multiplicidade de aspectos que se relacionam a si mesmo, ao tempo e aos outros. O curso aconteceu durante três semestres, com um encontro semanal, junto a alunos com mais de cinqüenta anos e que desejassem discutir relacionamento familiar. Participaram de aulas expositivas, trabalhos de grupo, assistiram a painéis e participaram de oficinas, em que foram discutidos assuntos concernentes ao relacionamento familiar.

Os participantes deste estudo são casados em sua maioria, apenas um não tem filhos, e a média etária é de 64 anos. A metade dos participantes é catarinense, sendo que um quarto é do lar, e os demais são funcionários públicos aposentados e de outras profissões de prestação de serviços. A média de filhos é três e mais da metade dos participantes possuem netos, sendo o número médio de 6 netos.

A coleta de dados foi realizada utilizando-se a entrevista semi-estruturada e observação participante durante uma oficina que durou duas horas, na qual utilizamos dinâmicas motivadoras, divididas em quatro momentos: primeiro momento houve apresentação dos participantes e das pesquisadoras; num segundo momento solicitamos que os participantes escrevessem em uma folha de papel como foi a experiência e vivência com a prática do aleitamento materno; no terceiro momento pedimos que relatassem o que haviam escrito trazendo significados, crenças e valores; e no quarto momento promovemos um debate com base no que havia sido descrito pelos participantes.

No quarto momento apresentamos conhecimentos teóricos com base nas recomendações do Ministério da Saúde acerca da prática do aleitamento materno, como: vantagens do aleitamento materno, anatomia da mama e fisiologia da lactação, composição do leite humano, principais problemas mamários, fatores sócio-culturais que envolvem a prática do aleitamento materno, posição e pega do bebê, entre outros.10

Como registro de dados utilizamos as folhas escritas pelos participantes e as notas do diário de campo (notas de observação, notas teóricas e notas metodológicas) em que as pesquisadoras anotaram alguns pontos de interesse discutidos durante o debate, como por exemplo: leite pouco, leite fraco, sentimentos positivos e negativos durante a prática do aleitamento materno, ingurgitamento e traumas mamilares, uso de medicação durante a lactação, choro do bebê, estética, sentimento de culpa, aleitamento materno cruzado.

As falas foram inicialmente digitadas e organizadas e, em seguida submetidas à análise temática de conteúdo, emergindo daí quatro categorias: 1) tive filhos, mas não amamentei; 2) amamentei, mas apresentei problemas; 3) minha esposa amamentou sem problemas; 4) não amamentei, mas ajudei uma menina-mãe durante a gestação, parto e puerpério. A partir daí, passou-se à análise das categorias com base no referencial teórico adotado.

Seguimos os aspectos éticos conforme a Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde.11 e o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. Vale salientar que o grupo dos avós, no ato de sua inscrição para o curso, assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido permitindo que os dados surgidos no grupo pudessem ser utilizados para pesquisas e estudos. Da mesma forma, deixamos os participantes livres para retirarem seu consentimento em qualquer momento da pesquisa.

Atribuímos-lhes nomes de flores, a fim de manter o anonimato dos informantes e por considerarmos a família como um jardim que precisa ser regado e cuidado e as avós e o avô são flores que fazem parte deste precioso jardim, que é a família.

 

MERGULHANDO NOS SIGNIFICADOS: ENCONTRANDO DIFERENTES CULTURAS

Os significados surgem do processo de interação entre os seres humanos, na maneira como eles agem com um com o outro em relação a uma determinada coisa ou evento. Os significados trazidos pelas avós e pelo avô sobre a prática do aleitamento materno surgiram da interação que estabeleceram com seus filhos quando aleitaram. Surgiram também da interação com a mãe, a sogra, a vizinha, o esposo, a esposa e os profissionais de saúde, sendo construídos ao longo dos anos e a cada interação que estabeleciam com as pessoas que vivenciavam ou experienciavam a prática do aleitamento materno.

A partir de agora apresentaremos os significados da prática do aleitamento materno para as avós e o avô revelados nas seguintes categorias:

"Tive filhos, mas não amamentei"

Os significados relacionados à quantidade de leite foram expressos pelas avós como uma forma de justificar a não amamentação de seus filhos, embora demonstrassem interesse em amamentá-los.

Angélica e Rosa são avós que relataram o fato de não terem amamentado por não ter tido leite. Angélica, por exemplo, relatou que tentou amamentar seus filhos, mas não conseguiu. Conversou com seu médico, que lhe receitou uma medicação para aumentar a produção do leite, mas não adiantou. Parecia triste por não ter conseguido amamentar. No caso de Rosa, a prática do aleitamento cruzado foi à solução para a falta de leite.

Eu queria muito ter amamentado os meus filhos, mas infelizmente não tive leite. O primeiro mamou um pouco, mas a segunda e a terceira nem uma gota (Angélica).

Tive apenas uma filha, mas não tive o prazer de amamentá-la por não ter uma gota de leite sequer. Na maternidade foi amamentada por uma cunhada que teve gêmeas e depois com leite em pó (Rosa).

Orquídea, outra avó do grupo, referiu ter tido três filhos, porém não os amamentou, uma vez que quando o leite descia, a mesma já havia introduzido leite artificial, não conseguindo mais amamentar.

Eu tenho 3 filhos ... tive problemas, quando o leite descia, eles já estavam na mamadeira. Que bom seria, se todas as mães pudessem amamentar seus filhos (Orquídea).

O primeiro movimento da mulher no processo de amamentar diz respeito às interações que precedem a experiência real deste ato. A forma como irá alimentar seu filho e as implicações envolvidas, permeiam toda gravidez, cabendo a mulher a decisão de amamentar ou não, o que vai depender de sua percepção, interpretação e atribuição de significados à amamentação.12

O significado do leite fraco foi outro motivo citado por Tulipa como justificativa a não amamentação.

Quando tive meus filhos não amamentei porque, como diziam os mais velhos, o leite era fraco. Hoje as jovens já são preparadas bem melhor, elas têm mais incentivo e acabam amamentando os filhos por um longo período (Tulipa).

Ousamos inferir que as avós apesar de expressarem sentimentos de pesar por não terem amamentado seus filhos, traziam consigo o significado do não ter leite como motivo para a não amamentação, uma vez que, poucas mulheres não são capazes de produzir leite em quantidade suficiente para seus bebês. Quase todas as mães podem produzir leite suficiente para um ou dois bebês. Algumas vezes, um bebê pode não receber leite materno suficiente, normalmente isto ocorre porque ele não está mamando ou não está sugando efetivamente. Assim, o importante não é pensar em quanto leite a mãe pode produzir, mas sim em quanto leite o bebê está recebendo.13

O leite fraco, este é considerado um mito, porque sabemos que o leite materno contém todos os nutrientes essenciais ao crescimento e desenvolvimento de uma criança nos primeiros dois anos de vida.

Ressaltamos que a mulher que passa por este problema não deve se sentir culpada por não amamentar, apesar de todas as vantagens do leite materno. A mulher-mãe ao optar por outra forma de alimentar seu filho, também pode transmitir carinho, amor e estreitar os laços afetivos com seu filho, utilizando-se de outras formas de contato, como o afagar, o mantê-lo próximo ao seu corpo, o falar, o olhar, entre outras.

"Amamentei, mas apresentei problemas"

A dificuldade para amamentar foi relatada por uma parcela significativa das avós, que, em função disso, utilizaram a amamentação artificial. Entre os maiores problemas estão os traumas mamilares, dor e o mito do leite fraco.

Não gostei de amamentar, pois sentia muita dor [...] (Sempre-viva).

A causa mais comum de dor para amamentar se deve a traumas mamilares por posicionamento e pega inadequado. Faz-se necessário prevenir e tratar tais problemas, já que a dor para amamentar é uma importante causa de desmame.

Amamentar é um ato de amor, queria puder amamentar mais, os tempos eram outros, leite fraco não satisfaz o rebento (Margarida).

Tive seis filhos, amamentei todos, o mais velho até um ano, os outros quatros até seis meses. Tinha também o leite fraco e tinha que dar mamadeira (Violeta).

As mulheres sempre enfrentaram dificuldades biológicas no processo de amamentação. A falta de conhecimento das nutrizes e dos familiares termina por dificultar o processo de amamentação, tornando este momento permeado por dificuldades. Isso nos leva a crer que a cultura do "leite fraco", que não sustentava a criança, era o motivo encontrado pelas avós para a introdução do leite artificial na alimentação da criança, contribuindo para o desestímulo à prática da amamentação, e conseqüentemente, o desmame precoce.

É importante ressaltar que "não existe leite fraco. Toda mulher, até mesmo as mães desnutridas (desde que não seja desnutrição grave) produz leite de bom valor nutritivo e que, portanto, satisfaz todas as necessidades do bebê nos primeiros seis meses de vida".10:22

O leite materno contém: proteína e gordura mais adequadas para a criança e na quantidade certa; mais lactose (açúcar do leite) do que a maioria dos outros leites, o que preenche as necessidades da criança; vitaminas em quantidade suficiente; ferro em quantidade suficiente; água em quantidade suficiente, mesmo em clima quente e seco; quantidades adequadas de sais, cálcio e fosfato; enzima especial (lípase) que digere gorduras.13

A dor é um problema biológico que pode ser solucionado tanto com medidas curativas quanto preventivas. No entanto, com relação ao leite fraco, nos parece que este significado foi construído a partir das interações da avó, não somente com seu filho, mas também com seus familiares, vizinhos, amigos e profissionais de saúde, demonstrando que os aspectos culturais permeiam a prática do aleitamento materno, contribuindo para o seu sucesso ou insucesso.

Quando uma mãe identifica, analisa e faz julgamentos sobre as manifestações do recém-nascido, estabelece, a partir daí as ações relativas ao ato de amamentar. O choro é um dos motivos que faz a mãe pensar que seu leite é fraco e não está sustentando seu filho. A mãe observa o choro da criança, analisa a situação e pensa que seu leite não a alimentou. Ao reavaliar a situação, ela pensa em uma ação para resolver o problema, e assim introduz o leite artificial, construindo o significado de leite fraco.

Uma das situações mais marcantes que encontramos nos relatos foi a gratificação sentida e referida por Bromélia e Flor-de-Liz quando amamentaram seus filhos. Mesmo enfrentando problemas, demonstraram quanto é gratificante amamentar e quanto este ato pode proporcionar prazer não somente para a criança, mas também para a mulher-mãe-nutriz, como nos mostra seus relatos:

é muito gratificante amamentar seu filho (Bromélia).

Fui mãe aos 30 anos. Amei amamentar, pois foram momentos únicos, meu e de minha filha. Amamentei-a até os 6 meses e adorei (Flor-de-Liz).

A amamentação prazerosa é nutritiva, tanto física quanto psicológica, traz benefícios não apenas para a criança, mas, sobretudo para as mães que se sentem gratificadas ao vivenciar estes momentos, construindo assim significados que traduzem a satisfação, o amor, a gratificação e o prazer de uma mãe em alimentar seu filho, e "os sentimentos de prazer, peso ou obrigatoriedade podem ser vividos simultaneamente ou alternadamente, obedecendo às percepções da sociedade em cada momento".14:266

"Minha esposa amamentou sem problemas"

Lírio, o único avô do grupo, falou positivamente sobre o ato de amamentar, inclusive contando as experiências na criação de outras crianças. Informou que sua esposa havia tido filhas gêmeas, além de amamentar as duas, também amamentou outras crianças, na época em que a prática do aleitamento cruzado era muito utilizada: minha esposa, todas as vezes que minhas filhas nasceram, além de amamentá-las, amamentava outras crianças cujas mães não tinham leite, ou tinham pouco. Parecia que, nessas oportunidades, provocava em minha esposa, a vinda de mais leite, e nunca teve problemas, a não ser no nascimento da segunda filha que apareceram nódulos, mas sem qualquer outro problema futuro (Lírio).

O depoimento de Lírio confirma na prática que quanto mais o recém-nascido mama, mais leite o peito produz. "Ao sugar o mamilo, o recém-nascido estimula as terminações nervosas existentes na aréola. Estas enviam uma ordem à hipófise para liberar os hormônios prolactina (hipófise anterior) e ocitocina (hipófise posterior). A prolactina vai através do sangue para a mama e estimula as células secretoras a produzirem leite. Quanto mais cedo o recém-nascido mama, mais prolactina é secretada e mais leite se produz".10:8

O leite materno é produzido pela ação de hormônios e reflexos. Logo após o parto, os hormônios fazem com que a mama comece a produzir leite. Quando a criança começa a sugar, dois reflexos fazem o leite "descer" na quantidade e no momento certo. Devemos utilizar o conhecimento sobre a fisiologia da lactação nas orientações às mulheres, gestantes, nutrizes, aos avós e demais membros familiares.13

O fato da esposa de Lírio ter amamentado suas filhas e os filhos de outras mães contribuiu para o aumento na produção do leite. Entretanto, não podemos deixar de comentar sobre o aleitamento materno cruzado, prática tão utilizada em épocas passadas, porém, hoje uma atitude proibida com o advento da AIDS e outras doenças que podem ser transmitidas através do leite materno.

O significado do aleitamento materno para Lírio surgiu da interação social que ele estabeleceu com sua esposa e suas filhas, fazendo-o compartilhar estes significados, socializando assim seus valores culturais que foram desenvolvidos no cotidiano familiar e trazidos para a sociedade.

"Não amamentei, mas ajudei uma menina-mãe durante a gestação, parto e puerpério"

Azaléia relata a história de uma adolescente que morava com ela. Quando a adolescente engravidou, cuidou da mesma tanto na gravidez quanto no parto e puerpério. Insistiu para que a mãe amamentasse o bebê, porém a adolescente só queria ir para festas, sair, divertir-se, e não queria se prender tomando conta da criança. Ela então precisou alimentar a criança com leite em pó, e terminou por criar o bebê.

Eu não tive filhos, porém tive oportunidade de cuidar de uma menina-mãe na gravidez e no parto e meu marido e eu fizemos tudo o possível para que ela amamentasse o filho, mas não conseguimos porque ele se recusou. Depois acabei criando o filho dela (Azaléia).

A preocupação de Azaléia em criar o filho de outra mãe nos faz refletir sobre o seu interesse em ser mãe. Nesse sentido, a consideramos como avó da criança, pois era como tal que ela se sentia, uma vez que havia participado do crescimento e desenvolvimento desta adolescente, e posteriormente adotou a criança (filho da adolescente) no seu convívio familiar, assumindo desta forma as responsabilidades por este novo ser.

Podemos verificar que os significados construídos por Azaléia sobre a prática do aleitamento materno contribuíram para que a mesma incentivasse a amamentação. Acreditamos que esses significados foram construídos durante a interação de Azaléia com membros da sociedade ou familiares, uma vez que ela não possuía a vivência do ato de amamentar, mostrando que não é precisa vivenciar esta prática para construir significados.

 

TRANSITANDO PELAS CULTURAS: ALGUMAS PALAVRAS FINAIS

Todos os participantes do estudo consideravam o aleitamento materno como sendo de grande importância para a mãe, filho, família e sociedade, porém viveram em um momento histórico, quando se desenvolveu uma cultura em que a prática do aleitamento materno era desestimulada, uma vez que era permeada de significados de que o leite era fraco e pouco, e conseqüentemente, não sustentava a criança, sendo necessário ser complementado com leite em pó.

Acreditamos também, que a falta de apoio e orientações quanto às questões referentes ao manejo da lactação levou as avós a apresentarem problemas, como ingurgitamentos, fissuras e dor durante o ato de amamentar, o que contribuiu ainda mais para o desmame precoce e o uso do leite artificial.

Todos estes aspectos foram construindo uma cultura, um mundo imaginal, ou seja, a bacia semântica,15 do não amamentar que viajou no tempo, e agora se encontra com outra cultura, outro mundo imaginal, ou bacia semântica do ter que amamentar.16

O aleitamento materno é um ato biológico, histórico, social e cultural. As crenças e os tabus influenciam a sua prática, interferindo na construção de uma herança sociocultural e determinando diferentes significados ao processo de amamentação, tanto para a mulher como para a rede social de apoio. Desconstruir os significados que desestimulam as mulheres a amamentarem e que estão arraigados em nossa cultura é um processo complexo e demorado, porque são significados que hoje não servem, mas que fizeram parte da vida em outros momentos. Torna-se importante abordar, discutir e refletir, juntamente com a sociedade, especialmente com as mulheres e seus familiares as questões culturais que permeiam a prática do aleitamento materno.

É necessário aproveitar espaços de discussão como esses proporcionados pelo NETI, "os Avós na Universidade", em que os avós se reúnem e discutem assuntos do seu cotidiano que muitas das vezes não são abordados em outros espaços e que são tão importantes no seu dia-a-dia.

No que se refere à amamentação, mesmo sabendo que as avós não mais amamentarão, entendemos que elas poderão apoiar suas filhas e noras no enfrentamento de problemas que poderão surgir durante a prática da amamentação, e ao cuidarem destas poderão transmitir mitos, crenças e tabus que, se não forem discutidos e refletidos, poderão interferir de maneira a desestimular esta prática, levando ao desmame precoce. Da mesma forma, poderão entrar em conflitos com suas noras ou filhas devido a um choque entre as culturas do não amamentar e do ter que amamentar. Pensamos ser possível contribuir para atenuar este choque de cultura geracional e, conseqüentemente, diminuir os conflitos familiares, não numa atitude ingênua, de que eles não mais existirão e que são de todo impeditivos de um desenvolvimento saudável.

Propomos um repensar, um compartilhar, negociando culturas, mundos imaginais e bacias semânticas, talvez, resgatando a idéia de Madeleine Leininger, envolvendo neste não amamentar e ter que amamentar, a negociação entre a cultura do cuidado popular e do cuidado profissional, sem imposições.9

Os avós precisam participar do processo de amamentação vivenciado pelo ser mulher que amamenta, colaborando para que as filhas ou noras se sintam mais seguras e confiantes ao aleitarem, uma vez que receberão cuidados, apoio e incentivo de suas mães e pais, adquirindo deste modo, experiências mais positivas que serão transmitidas futuramente.

Sabemos que é possível diminuir o índice de desmame precoce, e como conseqüência ter a diminuição da morbimortalidade infantil. O leite materno é um dos cuidados primordiais, claro que quando aliado a outras medidas de cunho político, econômico, social e cultural.

Dentro de um olhar produtivista, ainda diminuem os custos com internações hospitalares por problemas respiratórios, gastrintestinais e outras doenças e diminui o absenteísmo dos pais ao trabalho uma vez que a criança se mantém saudável. Daí porque precisamos promover, proteger e apoiar o aleitamento materno, não somente com as nutrizes, mas também com seus familiares que muito contribuem para que esta prática seja vivenciada e experienciada com tranqüilidade obtendo assim o sucesso merecido.

Enfim, a amamentação, além de trazer vantagens para a saúde da mulher e criança também traz vantagens para a família, para a sociedade e para o planeta, sendo considerado um ato ecológico.

Entretanto, deve-se lembrar que é preciso relativizar; é preciso mergulhar nestas diferentes culturas, nestes diversos mundos e distintas bacias, possibilitando ressignificações, sem imposições, autoritarismos ou paternalismos.

É preciso trocar, negociar; é preciso repensar a cultura do não amamentar e do ter que amamentar, lembrando seus riscos, vindos de uma ditadura expressa por outras culturas que se entrelaçam, não esquecendo do querer, poder amamentar,17 questionando se é sina ou prazer.18 Enfim, é preciso sair da lógica, poderíamos até dizer da cultura do ter que, do dever ser, para a lógica e a cultura do ser preciso. Esta brota das entranhas das necessidades e desejos de cada ser!

 

REFERÊNCIAS

1 Ruschel AE, Castro OP. A integeracionalidade na dinâmica das relações de poder familiar. In: Odair PC, organizador. Velhice, que idade é essa?: uma construção psicossocial do envelhecimento. Porto Alegre: Síntese; 1998.         [ Links ]

2 Barros MML. Testemunho de vida: um estudo antropológico de mulheres na velhice. In: Barros MML, organizador. Velhice ou terceira idade?: estudos antropológicos sobre identidade, memória e política. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas; 1998.         [ Links ]

3 Martins Filho J. Evolução do aleitamento materno no Brasil. In: Rego JD. Aleitamento materno. São Paulo: Atheneu; 2000.         [ Links ]

4 Althoff CR. Convivendo em família: contribuição para a construção de uma teoria substantiva sobre o ambiente familiar [tese]. Florianópolis: UFSC/Programa de Pós-Graduação em Enfermagem; 2001.         [ Links ]

5 Littlejohn SW. Fundamentos teóricos da comunicação humana. Rio de Janeiro: Zahar; 1982.         [ Links ]

6 Haguette TMF. Metodologias qualitativas na sociologia. 6a ed. Petrópolis: Editora Vozes; 1992.         [ Links ]

7 Rose AM. A systematic summary of symbolic interaction theory. In: Riehl JC, Roy C, editores. Conceptual models for nursing practice. 2a ed. New York: Appleton-Century-Crofts; 1980.         [ Links ]

8 Schvanevldt JD. The interctional framework in the studay of the family. In: Nye FM, Emerging conceptual frame-work in family analyses. New York: Praeger Publishers; 1981.         [ Links ]

9 Leininger ME. Teoria do cuidado transcultural: diversi-dade e universalidade. In: Anais do 1o Simpósio Brasileiro de Teorias de Enfermagem; 1985 Maio 20-24; Florianópolis, Brasil. Florianópolis: UFSC; 1985. p.255-76.         [ Links ]

10 Ministério da Saúde (BR). Promoção do Aleitamento Materno: texto básico para apoio ao ensino do aleitamento materno nas escolas de saúde. Brasília: Ministério da Saúde; 1995         [ Links ]

11 Ministério da Saúde (BR), Conselho Nacional de Saúde. Resolução No 196/96 sobre pesquisa envolvendo seres humanos. Bioética. 1996 Maio-Ago; 4(2supl.):15-25.         [ Links ]

12 Silva IA. Amamentar: uma questão de assumir riscos ou garantir benefícios. São Paulo: Robe Editorial; 1997.         [ Links ]

13 King FS. Como ajudar as mães a amamentar. Londrina: UEL; 1991.         [ Links ]

14 Almeida MS. Sentimentos femininos: o significado do desmame precoce para mulheres. Texto Contexto Enferm. 1997 Jan-Abr; 6(1):260-75.         [ Links ]

15 Mafessoli M. La contemplation du monde. Paris: Grasswt; 1993.         [ Links ]

16 Durand G. A imaginação simbólica. São Paulo: Cultrix/EDUSP; 1988.         [ Links ]

17 Araújo LDS. Querer/poder amamentar: uma conquista de representação? Londrina: UEL; 1997.         [ Links ]

18 Pereira CS. Amamentação: desejo ou sina?: ensinando e aprendendo com as mulheres [dissertação]. Florianópolis (SC): Programa de Pós-Graduação em Enfermagem/UFSC; 1999.         [ Links ]

 

 

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Recebido em: 15 de agosto de 2005
Aprovação final: 23 de fevereiro de 2006

 

 

* Nitschke RG. Conferência de Abertura do XII Encontro Catarinense de Enfermagem Pediátrica, Florianópolis, 2001.

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