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Texto & Contexto - Enfermagem

Print version ISSN 0104-0707On-line version ISSN 1980-265X

Texto contexto - enferm. vol.16 no.2 Florianópolis Apr./June 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-07072007000200017 

ARTIGO ORIGINAL
RELATO DE EXPERIÊNCIA

 

Trabalhando educação popular em saúde com a arte construída na cotidiano da enfermagem: um relato de experiência

 

Using art in popular health education, constructed in the daily nursing: an experience report

 

Trabajando la educación popular en salud con el arte construido en el cotidiano de la enfermería: el relato de una experiencia

 

 

Maria Cristina Soares Figueiredo TrezzaI; Regina Maria dos SantosII; Jirliane Martins dos SantosIII

IDoutora em Enfermagem. Professora Associado da Escola de Enfermagem e Farmácia da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Líder do Grupo de Pesquisa PROCUIDADO
IIDoutora em Enfermagem. Professora Associado da Escola de Enfermagem e Farmácia da UFAL. Pesquisadora do PROCUIDADO. Líder do Grupo de Estudo Drª Isabel Macintyre (GEDIM) vinculado ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e à UFAL
IIIEspecializanda em Docência do Ensino Superior pela UFAL. Professora Substituta da Escola de Enfermagem e Farmácia da UFAL. Membro do PROCUIDADO

Endereço

 

 


RESUMO

Trata-se de um relato de experiência sobre a realização do I Festival Enfermagem na Arte de Educar em Saúde pela Escola de Enfermagem e Farmácia da Universidade Federal de Alagoas, no qual se apresentaram criações artísticas, nascidas no cotidiano da Enfermagem, como instrumento para desenvolver processos de educação em saúde. O evento foi realizado em três fases: o Festival, apresentação das peças para comissões julgadoras; mostra pública das produções vencedoras e a publicação em livro das produções apresentadas. Foram 77 produções, sendo vencedoras 15 peças produzidas por enfermeiros, auxiliares e estudantes de Enfermagem, descortinando a criatividade dos profissionais de enfermagem na difícil tarefa de educar em saúde. O Festival e o livro dele resultante revelaram como os autores desenvolveram estratégias pedagógicas que davam aos sujeitos da aprendizagem o lugar ativo que por direito lhes pertencia. A experiência mostrou que quando se age inovadoramente, os resultados podem surpreender.

Palavras-chave: Educação em saúde. Enfermagem. Saúde.


ABSTRACT

This article reports the experience of accomplishing the I Nursing Art Festival in Health Education for the School of Nursing and Pharmacy of the Federal University of Alagoas, Brazil. This event provided the opportunity to present artistic creations born from daily Nursing, as an instrument to develop health education processes and then take them to communities. The festival was carried out in three phases, the first being the Festival, where the artistic productions were presented to the public and judging commissions. The second showed the public the winning productions; and the third, a book publishing the productions presented. The event congregated 77 productions, awarding 15 studies produced by nurses, nurses’ assistants, and nursing students, placing the creativity of the nursing professionals in the difficult challenge of health education. The festival and its book showed how the authors developed pedagogical strategies that gave to the learning subjects their rightful active place. The experience was proved that when we act in innovative forms, the results tend to be surprising.

Keywords: Health education. Nursing. Health.


RESUMEN

Este trabajo trata sobre el relato de la experiencia de la realización del I Festival: Enfermería en el arte de educar en Salud, realizado por la Escuela de Enfermería y Farmacia de la Universidad Federal de Alagoas. En este evento se presentaron creaciones artísticas realizadas en el cotidiano de la Enfermería, las cuales surgieron como un instrumento para desarrollar procesos de Educación en salud. El evento fue realizado en tres fases: el Festival con la presentación de las creaciones para los jueces de las comisiones; la exposición de las creaciones ganadoras; y la publicación de un libro con las producciones presentadas. De las 77 creaciones presentadas, 15 fueron vencedoras, las cuales fueron hechas por enfermeros, auxiliares y estudiantes de enfermería, revelando así la creatividad de los profesionales de la enfermería en la difícil tarea de educar en salud. El Festival así como el libro que de él resultó, mostraron cómo los autores desarrollaron estrategias pedagógicas a través de las cuales los sujetos del aprendizaje alcanzaron el lugar que por derecho les pertenecía. La experiencia demostró que cuando se actúa innovadoramente, los resultados pueden sorprender.

Palabras clave: Educación en salud. Enfermería. Salud.


 

 

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Este trabalho tem como objetivo descrever a experiência de realizar um festival de música, poesia, paródia, teatro, conto, dança e história, que teve como eixo temático a Educação em Saúde da População. Para realizá-lo tomamos como fontes primárias os documentos resultantes do evento como fotografias, textos e as produções artísticas apresentadas. Como fontes secundárias adotamos autores que explicam o efeito da arte no processo de educação das pessoas.

ENARTES significa Enfermagem na Arte de Educar em Saúde. A idéia de realizá-lo sob a forma de um festival foi discutida no bojo das comemorações dos trinta anos do curso de graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), acontecidas no decorrer do ano de 2004. Foi a estratégia adotada para levar essas comemorações para o âmbito da sociedade alagoana, divulgando as habilidades da Enfermagem na arte de educar em saúde. No entanto, dadas às solicitações recebidas no período de divulgação do edital do correspondente projeto de extensão, seus horizontes foram ampliados e recebeu-se também produções artísticas de outras áreas do saber humano, desde que voltadas para o tema central, o que só enriqueceu o evento.

O processo de educar em saúde, parte essencial do trabalho de cuidar da enfermagem, pode ser entendido como "um diálogo que se trava entre as pessoas com o objetivo de mobilizar forças e a motivação para mudanças, seja de comportamento, atitude ou adaptações às novas situações de vida".1:10 A educação em saúde é uma das principais funções dos profissionais da enfermagem e uma área de atuação em que nossos colegas de todos os níveis usam e abusam da criatividade, inovação e capacidade de improvisação.

Não obstante, mesmo que para ser educador no desenvolvimento de atividades do cotidiano não seja preciso tornar-se especialista em teorias da educação, em teorias pedagógicas, ou em teoria da comunicação, é preciso entender algo sobre a existência de relações fundamentais entre educação e sociedade, no sentido de que toda teoria sobre educação contém uma visão de mundo e de sociedade ou de uma ideologia. É preciso entender ainda que devem ser respeitados alguns pressupostos a respeito do processo ensino-aprendizagem, considerando que grande parte do trabalho do profissional de saúde envolve transmissão de conhecimentos e orientações. Deve-se ter também, uma visão geral de como a educação em saúde tem sido desenvolvida enquanto concepção e prática nas instituições de saúde brasileiras e, por fim, deve-se proceder a análise crítica do tipo de mensagens relacionadas à educação em saúde. "Os profissionais/alunos devem sentir-se o tempo todo sujeitos do processo educativo e, da mesma maneira, aprender a considerar sujeitos o usuário e os outros profissionais".2:483 Esta forma de ver e agir poderá encontrar sustentação nas metodologias ativas de aprendizagem, onde se pode lançar mão de estratégias que possam levar as pessoas a aprenderem a ser, a aprender a aprender e aprender a fazer.

Com este entendimento, o grupo que promoveu o ENARTES acredita que a arte é parceira da enfermagem quando se trata de cuidar educando para promover, proteger e recuperar a saúde ou reabilitar a pessoa para a vida em sociedade. É possível que a música, a dança e a prosa consigam tocar o íntimo de cada um e ajudá-lo a promover em si mesmo as mudanças necessárias a viver com saúde e felicidade.

Neste artigo, descreveremos o processo de organização do ENARTES, seu desenvolvimento e os resultados alcançados. O objetivo do festival é divulgar estratégias artísticas para levar às comunidades informações sobre temas variados conforme a necessidade de cada grupo. Espera-se que esta experiência possa ser reproduzida em outros cenários, respeitando-se a cultura de cada povo e as possibilidades de cada instituição.

 

DEFININDO AS CATEGORIAS ARTÍSTICAS DO FESTIVAL

Uma das questões levantadas nos preparativos da comemoração dos 30 anos do curso foi: que atividade será capaz de, ao mesmo tempo, divulgar o curso, envolver a comunidade e incluir profissionais de todos os níveis? Em resposta, foi proposta a realização do festival que daria visibilidade às produções artísticas que se sabia existir no cotidiano da Enfermagem alagoana, no exercício da sua função educativa. Este festival seria aberto à sociedade, divulgando-se nas comunidades e nos meios de comunicação em massa. Através desta estratégia seria possível identificar onde estariam, quantas e quais seriam estas produções e sobre que aspectos da educação em saúde estariam versando.

Aceita a proposta, foi necessário estabelecer as categorias artísticas que comporiam o festival, a fim de que se pudesse organizar o evento e dar consistência e propriedade às produções que buscariam inscrição. Nesta fase a equipe organizadora buscou o apoio de autores que explicavam cada modalidade artística adotada sendo elas: músicas e paródias; histórias e contos; poesia; dança; e teatro. A equipe organizadora justificou, conforme exposição a seguir, esta categorização.

Músicas e paródias

A música pode ser definida como companheira quase inseparável da dança e a paródia como uma variação da letra original da música. Esta, por sua vez, é uma manifestação das mais características dos sentimentos humanos. "Desde os tempos remotos os homens já usavam os sons para prover informações a respeito do mundo que os cercava e para comunicar-se entre si".3:11 O som é universal e a música é um tipo especial de som, uma linguagem usada em ritos de passagem, parte integrante da natureza e dos seres humanos. A música possui notável poder para motivar grupos e comunidades. Ela tem excepcional capacidade de atuação sobre o indivíduo em vista da sua extraordinária força biológica porque é no próprio organismo que "reside a forma primária de espontaneidade musical, pois seus instrumentos originais foram sempre suas cordas vocais como produtoras de ritmo musical e seu aparelho auditivo como receptor".4:37 Com todo esse poder, a música jamais deixou de ser usada como veículo de mensagens de amor, coragem, incentivo, esperança e, em larga escala, para educar. A paródia, por sua vez, é "uma imitação cômica ou burlesca de uma composição literária ou ainda comédia satírica e, por extensão, um subgênero musical".5:1272 As paródias musicais acabam se tornando um dos "recursos pedagógicos mais utilizados por professores de diversas disciplinas com resultados igualmente variados".6:1 As paródias têm como finalidade permitir que as informações sejam memorizadas mais facilmente a partir do uso de melodias conhecidas. Assim é uma estratégia poderosa quando se trata de ensinar coisas que sejam rapidamente assimiladas ou em situações em que se deseje aumentar o interesse pelo assunto que se está abordando. Na educação em saúde é muito comum o uso de paródias que abordam temas ligados a contracepção, estímulos a amamentação, prevenção de DST(s), doação de órgãos, cuidado com grupos humanos, incentivo à paz e a convivência saudável, entre outros.

Histórias e contos

Nesta categoria, buscou-se dar visibilidade ao potencial dos contos e histórias, definidas como narrativas de fatos ou acontecimentos reais ou imaginários com o objetivo de alertar para perigos, divulgar valores éticos e morais, apresentar regras de conduta e para educar os grupos humanos para a prática de hábitos sociais. A arte de contar histórias provavelmente surgiu com a humanidade. É uma prática bastante antiga ainda hoje encontrada no seio familiar de pequenas comunidades. Relatando com emoção e fidelidade a intenção da mensagem que se quer transmitir, as histórias ajudam tanto a criança como adultos a assimilarem conceitos sejam eles éticos, políticos, filosóficos, religiosos, dentre outros. Não importando o tipo, a história é uma forma simples e direta de mostrar uma idéia, de ensinar um conteúdo, além de ser uma ótima estratégia para garantir a permanência da informação por muito mais tempo, em quem a escuta. A história "aquieta, serena, prende a atenção, informa, socializa e educa. Há quem conte histórias para enfatizar mensagens, transmitir conhecimentos, disciplinar e até fazer uma espécie de chantagem".7:2 Já o conto é a mais breve e simples narrativa centrada em um episódio da vida. O conto brasileiro diz que "o caráter múltiplo do conto já desnorteou mais de um teórico da literatura ansioso por encaixar a forma conto no interior de um quadro fixo de gênero".6:4 Na verdade, se comparada à novela e ao romance, a narrativa curta condensa e potencializa no seu espaço todas as possibilidades da ficção, assim prestando-se também para passar conhecimentos, informar e educar. A linguagem escrita, pelo valor social que tem, está presente nas relações sociais, muitas vezes de modo pouco explícito. Basta considerar a oralidade de quem é usuário da escrita que se apresenta muito marcada por ela, às vezes dificultando a compreensão do sentido do que é falado por aqueles que não são tão próximos dessa modalidade de linguagem.

Poesia

É definida como a arte de "escrever em versos uma composição poética de pequena extensão, para despertar o sentimento do belo, o que há de elevado e comovente nas pessoas e nas coisas".5:1352 Tal como a dança e a arte de contar histórias, a poesia acompanha a humanidade desde tempos remotos, encantando, exaltando e até denunciando, como fez Castro Alves em seu livro "Espumas Flutuantes".8:43 São muitas as variações da arte de escrever poesias, desde as mais puras até o sentido despojado da modernidade e pós-modernidade de expressão que a poesia atual aceita e a diversidade dos autores em seus objetivos, admitindo vários modos para educar, elogiar e até conquistar os corações... Além da poesia tradicional, o cordel é um tipo de poesia que tem sido veículo da cultura popular nordestina, "equivalente à farsa medieval, cheia de graças e equívocos".9:2 Embora tenha sido assim, no passado, a necessidade de expressar situações de vida e comunicar valores, tradições em condições muito precárias, transformaram os temas de jocosos em sérios, embora conservando a sua principal característica que é a forma de apresentação, qual seja "uma folha de papel dobrada em oito partes ou páginas, exposta como um livrinho pendurado em um fio de barbante para ser vendido em feiras e nas ruas".9:1 Esta forma de apresentação, sine qua non do cordel nordestino, "reflete as características deste povo: conservador, católico ortodoxo, amigo do vigário, defensor do governo e da tecnologia, o que é bem representado por Patativa do Assaré".10:2 Os cordéis têm como vantagem a possibilidade de falar sobre os mais diversos temas, podendo ser excelente veículo para educar em saúde. Outro tipo de poesia é a parlenda caracterizada pela conjunção de palavras ou versos, na maioria das vezes infantis, rimados ou não, sempre com propósitos definidos. É uma "arrumação de palavras sem acompanhamento de melodia, mas, às vezes rimadas, obedecendo a um ritmo que a própria metrificação lhe empresta".11:1 A parlenda é conhecida desde muitos anos e sempre foi utilizada para entreter crianças. Sua finalidade é divertir ao tempo em que ensina, ajudar a decorar ou acalmar. É uma forma carinhosa ou engraçada de transmitir idéias, com o artifício da repetição ou cantilenas. Pode ser excelente meio para enfermeiras(os) que trabalham com crianças, em escolas, em postos de saúde, em campanhas de vacinação ou até em unidades de internamento para apoiar atividades educativas de higienização, alfabetização, para ensinar procedimentos a serem utilizados no lar, entre outras.

Dança

Define-se dança como a forma artística mais antiga de comunicação entre os povos. É uma atividade que, por intermédio do corpo em movimento, "inspira e motiva o homem, desde tempos imemoriais, a expressar seus sentimentos mais nobres e profundos, organizar-se como membro de uma sociedade e a compreender as transformações do mundo, da realidade e de si próprio".12:1 A dança é uma linguagem pela qual se comunicam idéias não expressas verbalmente. Todos os povos do mundo perpetuam suas tradições e seus sentimentos através de danças e sempre as usaram para transmitir valores e histórias do seu desenvolvimento. Muitos, no passado, usaram a dança para espantar maus espíritos e atrair as forças positivas do universo. Os membros da tribo dançavam antes da guerra, nos sepultamentos, casamentos e nascimentos. Hoje, observa-se as mais variadas formas de dança e são inúmeras as coreografias que movimentam centenas de pessoas nos carnavais. Com a convicção de que cada pessoa é um dançarino em potencial, a dança vem com o objetivo de ajudar o homem moderno a encontrar uma relação corporal com a totalidade da própria existência.12:3 Nesta perspectiva pode se utilizar a dança com propósitos educativos, levando as pessoas, através do movimento corporal, a melhorar-se e melhorar o mundo.

Teatro

O teatro, como categoria artística, pode ser definido como a representação de uma obra através da arte cênica. O teatro como expressão humana remonta aos povos primitivos, tempo em que tomava características ritualistas. Com o tempo e o desenvolvimento sócio-cultural ganhou as ruas, depois às casas dos artistas e por fim os palácios, quando toma grande impulso e caminha em direção ao estado em que o conhecemos hoje, sendo sua essência: divertir, educar, provocar reflexões e traduzir sentimentos humanos, coletivos ou individuais. "No Brasil, o teatro tem sua origem com os jesuítas que encenavam peças com objetivos catequéticos",13:1 expandindo-se depois para a corte, seguindo os caminhos trilhados na Europa. No entanto, até os dias atuais ainda são vistos grupos chamados mambembes, levando aos lugares mais distantes uma nota de alegria e informação. Neste sentido, cabe dizer que são muitas as formas de apresentação da arte teatral e seus objetivos dependem das idéias que os autores querem veicular. Daí o teatro diversão, o teatro denúncia e o teatro pedagógico (pois educativos todos são, de uma forma ou outra). Lançar mão da arte cênica para educar é "se apropriar de um poderoso meio para gravar na memória um determinado tema, ou para levar, através de um impacto emocional, à reflexão sobre valores morais".14:4 Na comunidade o teatro com intenções educativas encontra excelente espaço, não só sobre a forma de dramatização, mas como teatro amador, veiculando conhecimento sobre higiene, prevenção de doenças e outros temas, pois, a arte teatral é a que "mais facilmente atrai o interesse das pessoas, porque é arte viva e dinâmica e, como tal, é possuidora de um apelo muito forte, conseguindo convencer muito mais [...] contribuindo para modificar seu modo de ver as coisas ou até mesmo seu comportamento".15:1

 

A ORGANIZAÇÃO DO ENARTES

Uma vez definidas as categorias artísticas, deu-se início à organização do evento compondo-se uma equipe de trabalho que reuniu primeiro docentes do Departamento de Enfermagem da UFAL e alunos deste curso. Esta equipe elaborou um projeto de extensão que foi devidamente aprovado pelo PROCUIDADO, grupo de pesquisa proponente, na plenária departamental e na Reitoria, garantindo-se o apoio e participação da Pró-Reitoria de Extensão (PROEX) como nossa maior parceira na assessoria da organização e divulgação do evento.

Para garantir melhor organização o projeto foi dividido em três fases: a) o festival; b) a mostra e c) o livro. A mais urgente foi a primeira, a qual é descrita a seguir. De posse do projeto, foi iniciada a busca por patrocínio, apresentando-o a algumas agências financiadoras, Vale ressaltar que os recursos destinados aos prêmios previstos somaram três mil reais, assim distribuídos: quinhentos reais (R$ 500,00) para o primeiro lugar de cada categoria e cem reais (R$ 100,00) para o segundo lugar de cada categoria. Esta fase do processo foi desafiadora, considerando-se que as contribuições dependiam do interesse que a proposta despertava nas entidades contatadas.

Uma vez tomadas essas providências, deu-se atenção aos aspectos logísticos, centralizando na secretaria do Departamento de Enfermagem o recebimento das inscrições, Vale a pena esclarecer que ao inscrever a obra, o autor já informava os objetivos da obra, motivo da criação, público alvo, duração, seqüência de apresentação, cenário necessário e autorizava a publicação da obra. As músicas e paródias deveriam estar cifradas. Como o prazo para inscrições foi considerado pequeno, a equipe organizadora se viu instada, pelos profissionais que desejavam participar do concurso a adiar a data final, aproximando-a do período de apresentação ao público. Apesar do receio de tumultuar a organização, o desafio foi aceito e não houve prejuízos neste sentido.

Estando o edital publicado, foram tomadas as providências para a divulgação do festival. Também foi um período de muita atividade, tendo a equipe responsável visitado escolas, unidades básicas de saúde, hospitais e outras organizações, não só para informar, mas, principalmente para incentivar as pessoas a prepararem suas peças. A Escola Técnica de Saúde Dra. Valéria Hora foi importante agente de divulgação, levando a notícia para os municípios onde estavam funcionando turmas de cursos de auxiliar de enfermagem, de onde vieram muitas contribuições. Além deste trabalho corpo a corpo, durante todo o tempo em que o edital permaneceu aberto, a divulgação foi feita por outdoor, informativo da UFAL, cartazes, faixas, folders, rádio e na página da UFAL na internet.

Depois desta fase, foram providenciadas as comissões julgadoras, por categorias, as quais foram compostas por professores dos cursos de Arte, Teatro, Música, Letras, além de eminentes personalidades de cada categoria. Na comissão era obrigatória a presença de uma enfermeira que se responsabilizava pelo julgamento da pertinência do conteúdo com o tema do festival e pela propriedade das informações de educação para a saúde. Uma pessoa da comunidade e um estudante também integraram cada comissão, somando-se cinco membros.

Enquanto as providências eram tomadas a equipe procurou estimular os alunos das escolas de enfermagem de nível médio e superior de todas as formas possíveis, envolvendo enfermeiros professores e de serviço para trazerem suas experiências de educação em saúde, mostrando as suas criações para o público. Os professores do curso de Enfermagem da UFAL foram muito estimulados e pôde-se perceber um ar de alegria nos espaços de aulas nesta fase do ENARTES. Era comum ver entre as aulas professores e alunos compondo e ensaiando. Ao final do período de inscrições, havia 77 obras assim distribuídas: 11 peças de teatro, 04 danças, 21 músicas/paródias, 06 poesias e 05 contos/histórias. 30 cordéis foram inscritos, mas não foram apresentados no Festival, por decisão da autora, somando 77 produções totais.

Mais próximo da data do festival foi providenciado o local. Nesta fase a participação da PROEX e da Reitoria foi fundamental. Determinado o local, foram tomadas as providências relativas ao aluguel do serviço de som e iluminação. Os cenários, descritos pelos autores, foram por eles providenciados, assim como o figurino, os arranjos das músicas/paródias e os instrumentos.

Na semana do evento a equipe providenciou para os participantes o dia do ensaio geral. Os mesmos puderam, então, conhecer o ambiente, familiarizar-se com a estrutura oferecida e ensaiar tantas vezes quantas fossem necessárias. Foi um momento muito importante porque conferiu segurança e tranqüilizou a equipe organizadora, considerando que era a primeira vez que se haviam com uma tarefa desta natureza. Além disso, os concorrentes que compareceram puderam conhecer uns aos outros e, numa atitude muito interessante, se ajudaram.

Nesta semana anterior ao evento a equipe providenciou também uma reunião com as comissões julgadoras para definir os critérios de julgamento, sendo assim definidos: a) que a produção abordasse aspecto de Educação em saúde; b) que guardasse harmonia; c) que atendesse aos requisitos da categoria onde estava inscrito e d) que provocasse a melhor reação possível no público. Critérios específicos foram adotados pelas comissões específicas de cada categoria.

Ao fim dos ensaios, a equipe organizadora providenciou a decoração do ambiente, de uma forma simples, nas tonalidades lilás e amarelo, cores do evento, com faixas, confetes, serpentinas e bolas. No fundo do palco foi colocada uma grande faixa, doada pelo Sindicato dos Enfermeiros de Alagoas, alusiva ao festival. O cenário estava pronto para receber os participantes. A ansiedade estava presente em todos e no ambiente.

 

O FESTIVAL

A abertura do Festival aconteceu na noite do primeiro dia com a presença das autoridades que foram significativas para a preparação do evento. No pronunciamento da coordenadora do evento foram colocadas todas as explicações sobre o funcionamento dos trabalhos e as razões que determinaram a escolha desta estratégia para promover educação em saúde, como já foi dito anteriormente. As regras de participação foram divulgadas assim como os critérios de julgamento.

No dia seguinte primeiro do festival, foram apresentadas as composições da primeira categoria, as danças, seguidas das paródias e cordéis. Dessas categorias, escolhemos três peças que simbolizam muito bem o espírito do ENARTES, independente de terem ou não sido premiadas e que, podem ser facilmente reproduzidas pelos leitores desta conceituada revista. É oportuno esclarecer que, as obras e seus autores são públicos, uma vez que constam de livro1 que, para ser editado exigiu que todos os autores encaminhassem à Editora a autorização para publicar suas peças e seus nomes, as quais estão arquivadas naquela Instituição.

Feita esta ressalva, passamos a apresentar as peças selecionadas. Na categoria dança escolhemos Caminhar é muito bom, de autoria de Maria Cristina Soares Figueiredo Trezza e Regina Maria dos Santos. A paródia teve como motivo da criação a necessidade de trabalhar com grupos de idosos, hipertensos e diabéticos de uma forma lúdica, a importância de caminhar para se manter saudável, podendo ser usada em reuniões nos postos de saúde ou pelas equipes de saúde da família. A música que animou a dança na modalidade de dança circular é a de Escravos de Jó, e a letra que os participantes cantam é uma paródia criada pelas próprias autoras sobre o tema que se propunham, assim descrita: Caminhar é muito bom/ muito bom/ muito bom/ Ontem/ hoje/ sempre e amanhã/ E dançando/ e cantando/ vem saúde paz e amor [bis]. Para que possa ser facilmente reproduzida, descrevemos a seqüência de apresentação: Os participantes se colocam em uma roda, com a frente voltada para o centro do círculo, com as mãos dadas em V; lentamente começam a cantar e depois iniciam a dança, na parte da paródia que pela primeira vez se pronuncia a palavra bom, dando três passos laterais para à direita, trazendo o pé esquerdo para junto do direito; ao cantarem a palavra ontem, dão um passo para trás com o pé direito: ao cantarem a palavra hoje dão um passo para frente com o pé direito; nessa última posição, ao pronunciarem a frase sempre amanhã afirmam duas vezes para os participantes da roda, com a cabeça e virando o corpo primeiro para direita e depois para esquerda, como se fosse um cumprimento, afirmando a todos a importância de caminhar; ao pronunciarem a frase e dançando e cantando a cada palavra dão um passo lateral para a direita, com a frente voltada para o centro, trazendo o pé esquerdo para junto do pé direito; ao pronunciarem a palavra saúde, dão um pequeno salto primeiro para a direita, na palavra paz um pequeno salto lateral para esquerda e termina na palavra amor dando novamente um pequeno salto para direita; repete-se a seqüência mais duas vezes. Na segunda vez a dança é feita numa velocidade mais rápida que na primeira e na terceira vez numa velocidade mais rápida ainda.1:21

Na categoria paródia, selecionamos para esse artigo a paródia "Amamentar é bom" é bom composta por Ellen Karla C. V. Koga, a partir da música original "Xi Bom Bom" das autoras "As meninas" e que tinha com o objetivo incentivar o aleitamento materno exclusivo. A letra era assim: "Amamentar é bom/ é bom/ é bom/ Amamentar é bom/ é bom/ é bom/ Amamentar é bom/ é bom/ é bom/ Amamentar é bom/ é bom/ é bom (REFRÃO) /E comparando uma criança que mama/ Com uma criança que nunca mamou no seio/ E comparando uma criança que mama/ Com uma criança que nunca mamou no seio/ A que mama cada vez fica mais forte/ A que não mama cada vez fica mais frágil/ E o motivo todo mundo já conhece/ É que o leite materno é o mais completo/ (REFRÃO) E comparando uma criança que mama/ Com uma criança que nunca mamou no seio/ A que mama/ Fica muito inteligente/ A que não mama/ Adoece facilmente/ E o motivo todo mundo já conhece/ É que o leite materno é o mais completo/ (REFRÃO) Mas eu só quero amamentar meu filho/ Pra ele crescer sadio e me deixar mais a vontade/ Pra eu me divertir/ Pra eu me arrumar/ E o dinheiro do leite/ Vou economizar/ E o motivo todo mundo já conhece/ É que o leite materno é o mais completo/ (REFRÃO)".1:102

Na modalidade poesia/cordel, apresentamos um cordel denominado de Cordel da DST de autoria de Gilmary dos Santos Alexandre e mais nove colaboradores. Teve como objetivo incentivar a prevenção das DST(s) e assim foi composto: "Minha amiga, minha ouvinte/ Um recado para você/ Agora vou te contar/ O que é DST/ Parece complicado/ Mas nada é tão impossível/ DST é doença/ Sexualmente transmissível /Gonorréia, cancro mole/ Sífilis, crista de galo/ Nomes feitos e engraçados/ Se transmitem como eu falo / Você pega pelo homem/ Que pegou de outra pessoa/ E é melhor ficar atenta/ Que pegar se pega à toa / Pode ser uma coceira/ Ou ardência no lugar/ Pode ser um molhadinho/ Mais difícil de secar / Também pode ser ferida/ O modo que ela aparece/ E assim dá pra se ver/ Quando a doença acontece/ Melhor mesmo é prevenir/ Do que só remediar/ E é usando camisinha/ Que a coisa chega pra cá/ Se o homem não quiser/ Você deve dizer não/ Vá embora pró seu canto/ E deixa ele ficar na mão/Assim fica bem melhor/ Com o que eu vou te revelar/ Tem a Aids que é pior/ Porque essa é de matar/ mata homem, mata mulher/ Mata moço, mata criança/ E enquanto a cura não tem/ Não se mata a esperança/na hora da injeção/ Peça uma agulha novinha/ Essa já é condição/ Pra continuar bem vivinha/Tudo isso aborrece/ Mas se pode controlar/ Consultando o doutor/ Sem vergonha de mostrar/E na hora de ir pra cama/ É camisinha outra vez/ Pode ser com namorado/ Amigo, noivo, freguês/ E se o cabra reclamar/ Explique a situação/ branco, preto ou chinês/ O negócio é dizer não/ Se você desconfiar/ Que o marido te traiu/ Manda ele usar camisinha/ Sabe lá com quem saiu?/ Ele pode ter doença/ E você não quer pegar/ Por maior que seja a crença/ Não resolve só rezar/ Na hora da transfusão/ Exija sangue testado/ Crie muita confusão/ Se isso te for negado/ Agora você já sabe/ O jeito é prevenir/ Seguro morreu de velho/ E a vida tem que seguir/ E pro rumo continuar/ Do jeito que a gente quer/ Tem que ter muita coragem/ E orgulho de mulher/ Amiga não vá já não/ Não precisa ficar brava/ A Aids não pega na mão/ No beijo ou na palavra/ Se você conhece alguém/ Que tenha a enfermidade/ Seja amiga e vá além/ Dê a solidariedade".1:62

Nos demais dias, foram apresentados as peças de teatro, as histórias, os contos, as poesias e as parlendas, que preencheram todos os espaços de tempo e que não são aqui relatados por obvias limitações de espaço. Esses três dias de apresentação foram maravilhosos, cheios de entusiasmo, e lições que tivemos o cuidado de preservar na memória do evento, na esperança de que na realização do próximo ENARTES possamos aprimorar sua organização e superar melhor, as dificuldades vividas. Não houve desistentes e as reclamações, justas ou não, tiveram um caráter positivo, não gerando mal estar para ninguém. Ao final do terceiro dia, todos cansados e felizes, aguardavam o pronunciamento das comissões julgadoras.

A segunda e terceira fases do ENARTES

Finalizadas as apresentações, foi aberta a sessão de divulgação dos resultados, tendo as comissões julgadoras entregue à equipe organizadora, em envelopes lacrados, as produções premiadas. Neste momento quase todos os participantes estavam presentes e os resultados tanto provocaram gritos e risos de alegria como protestos e tristezas, como acontece em todo festival. As peças premiadas foram comunicadas que se reapresentariam no dia seguinte, a partir das dezenove horas, quando ocorreria a sessão de premiação.

Para a Mostra ao público, foram convidadas as autoridades que colaboraram durante todo o evento, sendo importante registrar o reconhecimento da reitora da importância e dimensão que o Festival alcançou. A coordenadora do evento, Profª. Maria Cristina Trezza, além de agradecer a todos, refletiu sobre a enorme capacidade demonstrada pela equipe de enfermagem de criar estratégias para educar em saúde, o que ficou tão visível nas reações do público às obras apresentadas.

Após a mesa oficial foram reapresentadas as produções vencedoras, com grande participação da platéia. A dança vencedora foi o "Toré das DST(s)", composto e interpretado pelos índios Xocó, das margens do Rio São Francisco, cuja temática foi incentivar as pessoas a se protegerem das doenças sexualmente transmissíveis, valendo-se da sua própria cultura. A torcida vibrou porque a dança era emocionante! Na categoria história/conto foi vencedora a "João Sujão", de autoria de Maria Anunciada Casado de Albuquerque, auxiliar de enfermagem, que trabalhou a necessidade das crianças adotarem hábitos de higiene e entenderem a sua importância. Entre as poesias foi vencedora a "Sexo com Segurança", demonstrando a importância das pessoas praticarem o sexo seguro, contribuindo para prevenção das DST(s), de autoria de Sônia Maria Rodrigues Teixeira Santos, estudante de enfermagem.

O próximo premiado na categoria paródia/música foi o "Xote dos Vovôs", de autoria de Yanna Cristina Morais Santos Lira e Renata Fernandes do Nascimento, alunas do terceiro ano da graduação da UFAL, que teve como objetivo incentivar o auto-cuidado por parte dos idosos. Por fim, entre as peças de teatro, foi vencedora a "O relógio do Hospital", texto de Graciliano Ramos adaptado para o teatro amador por Paulo Marconi Silva Bezerra, ator amador e Maria da Glória Freitas Silva Bezerra, enfermeira, que levou a platéia a refletir profundamente sobre as relações equipe de saúde/paciente. Após a premiação, foi sorteada entre os membros da platéia uma televisão gentilmente cedida pelos Supermercados Viabox.

Na terceira fase do ENARTES foi composto um livro com todas as produções inscritas, incluindo as que não foram apresentadas no festival, totalizando as 77 obras. Este livro também foi um desafio, considerando-se o tempo que foi exíguo, a carência de recursos, o tempo necessário para receber o ISBN e a necessidade de encontrar uma gráfica que colaborasse com a EDUFAL, gráfica da UFAL, que estava sobrecarregada e não daria conta de terminar a impressão a tempo de enviá-lo para o lançamento previsto para sessão solene do 56º Congresso Brasileiro de Enfermagem, em Gramado, RS. O livro acabou sendo financiado pelas autoras, com todas as dificuldades possíveis, porém tornou mais gratificante o desafio de vencer cada obstáculo que se apresentou. Infelizmente não foi possível finalizar o CD-ROM com a filmagem realizada do evento. Este movimento pode ser compreendido como uma prova de que "o gostar daquilo que faz é algo muito importante, principalmente quando o objeto de trabalho é o cuidado ao ser humano. O prazer/satisfação é demonstrado na alegria em realizar algo, no sucesso, no exercício de ser".16:476 Acredita-se que enfermeiros, técnicos, auxiliares e estudantes de Enfermagem "apresentam este sentimento no momento em que estão atuando com os seus clientes, por conseguirem sentir-se como membros importantes do processo vivido daquele momento".16:477

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este trabalho teve como objetivo descrever a experiência de realizar um festival de enfermagem na arte de educar em saúde. Acredita-se que este objetivo foi alcançado, na medida em que foi possível descrever a fase preparatória do evento, a fase de realização do festival, a mostra e a produção do livro que reuniu as obras inscritas.

A experiência de reunir num festival e posteriormente num livro produções artísticas de participantes de várias áreas e de variados graus de escolaridade veio comprovar o quanto se tem a ganhar em experiência e prazer quando se trabalha na pluralidade. Esta experiência também teve o mérito de atender "a necessidade de valorizar conquistas obtidas no cotidiano da atuação dos serviços de saúde, que, às vezes, parecem pequenas, mas que, na verdade, constituem importantes avanços no sentido de não se perder o já conseguido e, sobretudo, de conservar e ampliar a dimensão ética que todo profissional de saúde deve assumir na sua prática".2:481

Educar em saúde é uma das funções de maior relevância no trabalho da(o) enfermeira(o), uma vez que por seu intermédio as pessoas, sujeitos de sua aprendizagem, podem ser motivadas a transformarem suas vidas, sendo esta premissa um dos objetivos deste tipo de educação. As 47 peças artísticas apresentadas revelaram os esforços desenvolvidos nos serviços, socializando a criatividade existente no cotidiano da prática da Enfermagem, lançando mão das artes para alcançar seu objetivo de orientar a adoção de hábitos saudáveis de vida. Para tanto, essas pessoas que inscreveram suas criações mostraram como desenvolveram metodologias pedagógicas ativas, dando aos sujeitos da aprendizagem o lugar ativo que por direito lhes pertence. Ao procederem desta maneira, provaram que quando agem de forma inovadora, os resultados tendem a serem surpreendentes.

Espera-se que os resultados alcançados venham a estimular a realização de outros festivais semelhantes, capazes de detectar e divulgar a criatividade dos diversos grupos de brasileiros, num país reconhecido internacionalmente pela riqueza de suas expressões artísticas, pela diversidade de seu folclore, retratando o compromisso da Enfermagem com a transformação do mundo, num espaço de vida com justiça e solidariedade. A proposta é começar todo dia a mudar alguma coisa, mesmo que seja uma mudança por vez, em cada um de nós.

 

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Endereço:
Maria Cristina Soares Figueiredo Trezza
R. Augusto Dias Cardoso, 291, Ap. 101
57.052-735 - Gruta de Lourdes, Maceió, AL
E-mail: trezzacris@gmail.com

Recebido em: 16/11/2006.
Aprovação final: 17/04/2007.

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