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Texto & Contexto - Enfermagem

versão impressa ISSN 0104-0707versão On-line ISSN 1980-265X

Texto contexto - enferm. vol.28 no.spe Florianópolis  2019  Epub 22-Jul-2019

https://doi.org/10.1590/1980-265x-tce-cicad-1-10 

ARTIGO ORIGINAL

A ASSOCIAÇÃO ENTRE O USO DE ÁLCOOL, MACONHA E COCAÍNA E AS CARACTERÍSTICAS SOCIODEMOGRÁFICAS DE UNIVERSITÁRIOS DE RIBEIRÃO PRETO, BRASIL

Ana Carolina Guidorizzi Zanetti1 
http://orcid.org/0000-0003-0011-4510

Francisco Cumsille2 

Robert Mann3  4 

1Universidade de São Paulo, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Departamento de Enfermagem Psiquiátrica e Ciências Humanas. Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil.

2Inter-American Observatory on Drugs, Inter-American Drug Abuse Control Commission. Washington, DC, Estados Unidos.

3University of Toronto. Toronto, Canada

4Centre for Addiction and Mental Health. Toronto, Canada


RESUMO

Objetivo:

determinar a prevalência do uso na vida e nos últimos três meses de álcool, maconha e cocaína entre universitários das áreas de ciências sociais e da saúde de Ribeirão Preto, Brasil e avaliar a associação entre uso na vida e nos últimos três meses de álcool, maconha e cocaína e as variáveis sexo, área de conhecimento do curso, com quem mora, importância da religião, idade e ano de estudo.

Método:

estudo transversal, realizado com uma amostra por conveniência de 275 alunos de uma universidade pública de Ribeirão Preto-SP. Para coleta de dados foram utilizados dois instrumentos contendo questões sociodemográficas, de formação e sobre o uso de substâncias psicoativas. Para análise foram utilizados os testes: Exato de Fisher, Qui-quadrado de Person e Mann-Whitney.

Resultados:

quanto aos fatores sociodemográficos houve associação significante entre o sexo dos participantes entre o uso de maconha e cocaína na vida (p=0,024 e p=0,005, respectivamente) e nos últimos três meses (p=0,013 e p=0,009, respectivamente), entre a importância da religião e o uso na vida de álcool, maconha e cocaína (p<0,001, p<0,001 e p=0,024, respectivamente) e o uso nos últimos três meses apenas para maconha (p<0,001) e entre o uso de maconha nos últimos três meses e o ano de graduação (p=0,003). Em relação à idade, os resultados apontam diferença significante apenas entre os grupos que referiram ou não uso na vida de álcool (p=0,037).

Conclusão:

os universitários investigados apresentaram uma prevalência de uso na vida e nos últimos três meses de maconha e cocaína maior entre os homens, mais não para o álcool. A importância da religião foi negativamente associada ou uso das drogas investigadas. Os resultados podem fornecer subsídios importantes para a estruturação de medidas preventivas para uso indevido de substâncias psicoativas entre universitários e a necessidade de novas investigações que abarquem a temática.

DESCRITORES Bebidas alcoólicas; Cannabis; Cocaína; Estudantes; Fatores socioeconômicos; Universidades; Drogas

ABSTRACT

Objective:

to determine the prevalence of use in life and in the last three months of alcohol, marijuana and cocaine among university students from the social and health Sciences areas of Ribeirão Preto, Brazil and to evaluate the association between use in life and in the last three months of alcohol, marijuana and cocaine and the variables gender, area of the course, with whom the student lives, importance of religion, age and year of study.

Method:

a cross-sectional study, carried out with a convenience sample of 275 students from a public university in Ribeirão Preto-SP. For data collection, two instruments were used, containing sociodemographic, training and psychoactive substances. For the analysis, the following tests were used: Fisher's exact test, Chi-square test of Person and Mann-Whitney test.

Results:

As for sociodemographic factors, there was a significant association between the gender of the participants among the use of marijuana and cocaine in life (p=0.024 and p=0.005, respectively) and the last three months (p=0.013 and p=0.009, respectively), among the importance of religion and the lifetime use of alcohol, marijuana and cocaine (p <0.001, p <0.001 and p = 0.024, respectively) and the use of only marijuana in the last three months (p <0.001) and among the use of marijuana in the last three months and the year of graduation (p=0.003). Regarding age, the results showed a significant difference only between the groups that reported not to use alcohol in life (p=0.037).

Conclusion:

the investigated university students presented a prevalence of use in their lifetime and in the last three months of marijuana and cocaine greater among men, but not for alcohol. The importance of religion was negatively associated with the use of investigated drugs. The results can provide important subsidies for the structuring of preventive measures for abuse of psychoactive substances between university students and the need for new investigations that cover the subject.

DESCRIPTORS Alcoholic beverages; Cannabis; Cocaine; Students; Socioeconomic factors; Universities; Drugs

RESUMEN

Objetivo:

determinar la prevalencia del uso de alcohol, marihuana y cocaína en la vida y en los últimos tres meses, entre universitarios del área de ciencias sociales y de la salud de Ribeirão Preto, Brasil, y evaluar la asociación entre el alcohol, la marihuana y la cocaína entre el uso en la vida y en los últimos tres meses, y las siguientes variables: sexo, área de conocimiento de la carrera, con quién vive, importancia de la religión, edad y año de la carrera.

Método:

estudio transversal, realizado con una muestra por conveniencia de 275 alumnos de una universidad pública de Ribeirão Preto-SP. Para la recolección de datos, se utilizaron dos instrumentos que contienen preguntas sociodemográficas, de formación y sobre el uso de sustancias psicoactivas. Para el análisis, se utilizaron los tests: Exacto de Fisher, Qui-cuadrado de Person y Mann-Whitney.

Resultados:

en relación a los factores sociodemográficos hubo asociación significativa entre el sexo de los participantes y el uso de marihuana y cocaína en la vida (p=0,024 y p=0,005, respectivamente) y en los últimos tres meses (p=0,013 e p=0,009, respectivamente); entre la importancia de la religión y el uso de alcohol, marihuana y cocaína en la vida (p<0,001, p<0,001 e p=0,024, respectivamente); el uso en los últimos tres meses solo para marihuana (p<0,001); y el uso de marihuana en los últimos tres meses y el año de graduación (p=0,003). En relación a la edad, los resultados señalan diferencia significativa solo entre los grupos que afirmaron o no haber consumido alcohol en la vida (p=0,037).

Conclusión:

entre los universitarios investigados, los hombres presentaron una prevalencia mayor respecto al uso de la marihuana y cocaína en la vida y en los últimos tres meses, pero no en relación al alcohol. La importancia de la religión se asoció de forma negativa al uso de las drogas investigadas. Los resultados pueden generar importantes subsidios para estructurar medidas preventivas para el uso indebido de sustancias psicoactivas entre universitarios y la necesidad de nuevas investigaciones que abarquen la temática.

DESCRIPTORES Bebidas alcohólicas; Cannabis; Cocaína; Estudiantes; Factores socioeconómicos; Universidades; Drogas

INTRODUÇÃO

O uso de drogas na atualidade tem sido associado a uma série de fatores que interagem mutuamente, incluindo fatores genéticos, traços de personalidade e influências do meio ambiente.1-3

Estima-se que, em todo o mundo, 246 milhões de pessoas, ou seja, uma em cada 20 pessoas, com idade entre 15 e 64 anos, fizeram uso de drogas ilícitas em 2013.4 Além disso, aproximadamente dois bilhões de pessoas usam álcool, mais de um bilhão faz uso de tabaco.5

A experimentação destas substâncias geralmente se dá muito cedo e o uso precoce é considerado fator determinante da continuidade do uso no futuro.6-7 Além disso, seu uso crônico pode desencadear diferentes consequências negativas no âmbito social e da saúde.2,8 Nos adultos jovens, o abuso de substâncias psicoativas pode interferir no desenvolvimento cognitivo e emocional, aumentar as chances de lesões acidentais, mortes e ampliar as possibilidades de desenvolvimento de transtornos relacionados ao uso de substâncias.5,9-10

O contexto universitário consiste num ambiente promissor à experimentação e consumo de drogas,2,6-7principalmente por deter um grande número de jovens; logo, este ambiente merece atenção especial em termos de prevenção.1,11-12

Ressalta-se que o consumo abusivo de drogas, especialmente o de álcool é uma das principais causas de morte entre estudantes universitários além de outras consequências como problemas acadêmicos, gravidez indesejada, doenças sexualmente transmissíveis e consequências legais que podem comprometer as perspectivas de trabalho no futuro.9,12-13Entende-se, portanto, que a análise do consumo de drogas entre estudantes universitários é essencial para informar ações preventivas específicas para esse setting.11-14

Dessa forma, estabeleceu-se como objetivos do presente estudo determinar a prevalência do uso na vida e nos últimos três meses de álcool, maconha e cocaína entre universitários das áreas de ciências sociais e da saúde e avaliar a associação entre uso na vida e nos últimos três meses de álcool, maconha e cocaína e as variáveis sexo, área de conhecimento do curso, com quem mora, importância da religião, idade e ano de estudo.

Este estudo é parte de um projeto multicêntrico que buscou estudar o consumo de drogas entre estudantes de graduação dos cursos das áreas de ciências sociais e da saúde de universidades de países da América Latina e do Caribe.

MÉTODO

Trata-se de um estudo transversal, quantitativo, multicêntrico, conduzido em 2012, financiado pelo Governo do Canadá em parceria com a Inter-American Drug Abuse Control Commission/Organization of American States (CICAD/OAS) e organizado pelo CICAD/OAS em parceria com o Centre for Addiction and Mental Health (CAMH), que envolveu a participação nove de universidades de seis países da América Latina e três países do Caribe. A população alvo foi constituída por universitários dos cursos das áreas de ciências sociais e da saúde de Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil.

Foram incluídos os estudantes dos cursos de Ciências da Informação e Documentação, Direito, Enfermagem e Terapia Ocupacional do campus de uma universidade pública de Ribeirão Preto-SP, com idade superior a 18 anos, que estavam regularmente matriculados e perpetuando os referidos cursos durante o ano de 2014. A amostra de conveniência foi constituída por 275 estudantes que atenderam aos critérios de inclusão do estudo.

A coleta de dados foi realizada mediante aplicação de questionário. As variáveis incluídas no estudo foram sexo, idade, área de estudo, com quem mora, o nível de importância atribuída à religião e ano de estudo atual. Além disso, foram incluídas duas questões relacionadas ao uso de álcool, cocaína e maconha durante a vida e o respectivo consumo nos últimos três meses. Esse período foi incluído com a finalidade de avaliar o uso recente dessas substâncias. Tais questões foram construídas a partir da versão em português do Brasil do Questionário para Triagem do Uso de Álcool, Tabaco e outras Substâncias (ASSIST),15 estruturado contendo oito questões sobre o uso de nove classes de substâncias psicoativas (tabaco, álcool, maconha, cocaína, estimulantes, sedativos, inalantes, alucinógenos e opiáceos). As questões abordam a frequência de uso, na vida e nos últimos três meses, problemas relacionados ao uso, preocupação a respeito do uso por parte de pessoas próximas ao usuário, prejuízo na execução de tarefas esperadas, tentativas mal sucedidas de cessar ou reduzir o uso, sentimento de compulsão e uso por via injetável.15

Para apoio na coleta de dados, foram selecionados quatro enfermeiros com nível mínimo de mestrado, devidamente treinados para aplicação do questionário. A coleta foi conduzida no período de junho a agosto de 2014. Inicialmente, o pesquisador obteve a lista de classes potenciais para participarem do estudo. Os responsáveis de cada turma foram contatados para obtenção de sua aprovação para administrar o estudo, durante um período de aula. No período acordado, em cada classe participante, os enfermeiros entraram na sala de aula apresentados pelo responsável, que, então, suspendeu a aula e saiu da sala. O pesquisador explicou sobre o estudo aos presentes e foi concedido o tempo necessário para que o estudante convidado a participar da pesquisa pudesse refletir, consultando, se necessário, seus familiares ou outras pessoas que pudessem ajudá-lo na tomada de decisão livre e esclarecida. Assim, os enfermeiros retornaram a sala de aula em outro momento para o início da coleta de dados. Desse modo, na data combinada os estudantes que aceitaram participar do estudo, receberam uma via do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e o instrumento de coleta de dados. O tempo médio para o preenchimento do questionário foi de 15 minutos.

Para a análise estatística adotou-se o nível de significância de 0,05 e foi utilizado o software SPSS versão 17.0. Os dados foram apresentados por meio de análises descritivas e aplicado o teste Qui-quadrado de Pearson, para verificar as associações entre as variáveis uso na vida e nos últimos três meses de álcool e maconha e o sexo dos universitários, uso na vida e nos últimos três meses de maconha e a importância da religião e uso na vida e nos últimos três meses de álcool e maconha e o ano de graduação; e o teste Exato de Fisher para as variáveis uso na vida e nos últimos três meses de cocaína e o sexo, uso na vida e nos últimos três meses de álcool e cocaína e a importância da religião e uso na vida e nos últimos três meses de cocaína e o ano de graduação.

Para comparar a idade dos universitários entre os grupos que referiram sim e não para o uso na vida e nos últimos três meses de álcool, maconha e cocaína aplicou-se o teste Mann-Whitney, uma vez que a variável não apresentou distribuição normal, verificada pelo teste Shapiro-Wilk.

RESULTADOS

Conforme pode ser observado na Tabela 1, a maioria dos universitários era do sexo feminino (68%), tinha entre 17 e 54 anos e média etária de 21 anos (DP=4,8), realizava curso vinculado à área de ciências sociais (56%), morava com amigos (53%), atribuiu alta importância à religião (71%) e estava matriculado no segundo ano ou mais (67%).

Tabela 1 Distribuição dos universitários, segundo as variáveis sociodemográficas (n=275). Ribeirão Preto-SP, 2014 

Características sociodemográficas n(%) Intervalo Mediana Média(DP)
Sexo
Feminino 187(68)
Masculino 88(32)
Idade (anos) 17-54 20,0 21,0(4,8)
Área
Ciências da saúde 120(44)
Ciências sociais 155(56)
Com quem mora
Familiares 85(31)
Amigos 147(53)
Sozinho 43(16)
Importância da religião
Alta 195(71)
Baixa 80(29)
Ano de estudo atual
Primeiro 91(33)
Segundo ou mais 184(67)

A Tabela 2 mostra a prevalência do uso de álcool, maconha e cocaína na vida e nos últimos três meses de acordo com o sexo dos universitários. 87,6% dos universitários utilizaram álcool na vida e a maioria fez uso de álcool nos últimos três meses (83,3%), 24,4% experimentaram maconha e 2,5% cocaína. Foram encontradas diferenças significantes apenas entre o sexo dos universitários e o uso de maconha e cocaína na vida (p=0,024 e p=0,005, respectivamente) e nos últimos três meses (p=0,013 e p=0,009, respectivamente).

Tabela 2 Uso na vida e nos últimos três meses de álcool, maconha e cocaína de acordo com o sexo dos universitários. Ribeirão Preto-SP, 2014 

Drogas Masculino Feminino Total p
(n=88) (n=187) (n=275)
Sim Não Sim Não Sim Não
n(%) n(%) n(%) n(%) n(%) n(%)
Uso na vida
Álcool 78(88,6) 10(11,4) 163(87,2) 24(12,8) 241(87,6) 34(12,4) 0,629*
Maconha 29(33,0) 59(67,0) 38(20,3) 149(79,7) 67(24,4) 208(75,6) 0,024*
Cocaína 6(6,8) 82(93,2) 1(0,5) 186(99,5) 7(2,5) 268(97,5) 0,005†
Nenhuma substância 9(10,2) 79(89,8) 23(12,3) 164(87,7) 32(11,6) 243(88,4) 0,317*
Uso nos últimos três meses
Álcool 77(87,5) 11(12,5) 152(81,3) 35(18,7) 229(83,3) 46(16,7) 0,437*
Maconha 23(26,1) 65(73,9) 27(14,4) 160(85,6) 50(18,2) 225(81,8) 0,013*
Cocaína 4(4,5) 84(95,5) 0(0,0) 187(100,0) 4(1,5) 271(98,5) 0,009†
Nenhuma substância 11(12,5) 77(87,5) 34(18,2) 153(81,8) 45(16,4) 230(83,6) 0,228*

*Teste Qui-quadrado; †Teste Exato de Fisher

De acordo com os resultados, não houve associação significante entre as variáveis uso de álcool, maconha e cocaína na vida e nos últimos três meses e a área de conhecimento do curso universitário (ciências sociais ou ciências da saúde) ou entre tal uso e morar com familiares, amigos ou sozinhos.

No entanto, houve associação significante entre a importância da religião (Tabela 3) e o uso na vida de álcool, maconha e cocaína (p<0,001, p<0,001 e p=0,024, respectivamente) e o uso nos últimos três meses apenas para maconha (p<0,001).

Tabela 3 Uso na vida e nos últimos três meses de álcool, maconha e cocaína e a importância da religião para os universitários. Ribeirão Preto-SP, 2014 

Drogas Muito importante Pouco importante Total p
(n=195) (n=80) (n=275)
Sim Não Sim Não Sim Não
n(%) n(%) n(%) n(%) n(%) n(%)
Uso na vida
Álcool 161(82,6) 34(17,4) 80(100,0) 0(0,0) 241(87,6) 34(12,4) <0,001†
Maconha 31(15,9) 164(84,1) 36(45,0) 44(55,0) 67(24,4) 208(75,6) <0,001*
Cocaína 2(1,0) 193(99,0) 5(6,3) 75(93,7) 7(2,5) 268(97,5) 0,024†
Nenhuma substância 163(83,6) 32(16,4) 80(100,0) 0(0,0) 243(88,4) 32(11,6) <0,001†
Uso nos últimos três meses
Álcool 152(77,9) 43(22,1) 77(96,3) 3(3,7) 229(83,3) 46(16,7) 0,064†
Maconha 17(8,7) 178(91,3) 33(41,3) 47(58,7) 50(18,2) 225(81,8) <0,001*
Cocaína 1(0,5) 194(99,5) 3(3,8) 77(96,2) 4(1,5) 271(98,5) 0,098†
Nenhuma substância 43(22,1) 152(77,9) 2(2,5) 78(97,5) 45(16,4) 230(83,6) <0,001†

*Teste Qui-quadrado; †Teste Exato de Fisher

Em relação ao ano do curso, houve associação significante apenas entre o uso de maconha nos últimos três meses e o ano de graduação que os participantes estavam cursando (p=0,003) (Tabela 4).

Tabela 4 Uso na vida e nos últimos três meses de maconha o ano de graduação dos universitários. Ribeirão Preto-SP, 2014 

Drogas 1º ano 2º ou acima Total p
(n=91) (n=184) (n=275)
Sim Não Sim Não Sim Não
n(%) n(%) n(%) n(%) n(%) n(%)
Uso na vida
Álcool 78(85,7) 13(14,3) 163(88,6) 21(11,4) 241(87,6) 34(12,4) 0,352*
Maconha 19(20,9) 72(79,1) 48(26,1) 136(73,9) 67(24,4) 208(75,6) 0,333*
Cocaína 1(1,1) 90(98,9) 6(3,3) 178(96,7) 7(2,5) 268(97,5) 0,431†
Nenhuma substância 13(14,3) 78(85,7) 19(10,3) 165(89,7) 32(11,6) 243(88,4) 0,335*
Uso nos últimos três meses
Álcool 77(84,6) 14(15,4) 152(82,6) 32(17,4) 229(83,3) 46(16,7) 0,743*
Maconha 8(8,8) 83(91,2) 42(22,8) 142(77,2) 50(18,2) 225(81,8) 0,003*
Cocaína 0(0,0) 91(100,0) 4(2,2) 180(97,8) 4(1,5) 271(98,5) 0,304†
Nenhuma substância 13(14,3) 78(85,7) 19(10,3) 165(89,7) 32(11,6) 243(88,4) 0,335*

*Teste Qui-quadrado †Teste Exato de Fisher

Em relação à idade (anos), os resultados apresentados na Tabela 5 apontam que houve diferença significante apenas entre os grupos que referiram ou não uso na vida de álcool (p=0,037).

Tabela 5 - Valores da idade (anos) dos universitários que referiram uso na vida e nos últimos três meses de álcool, maconha e cocaína. Ribeirão Preto-SP, 2014 

Drogas Sim Não p*
Intervalo Mediana Média (DP) Intervalo Mediana Média (DP)
Uso na vida
Álcool (n=273) 17-54 20,0 21,1(4,9) 17-42 19,0 20,3(4,5) 0,037
Maconha (n=274) 17-54 20,0 20,8(4,8) 18-54 20,0 21,5(5,1) 0,068
Cocaína (n=274) 17-54 20,0 21,7(2,1) 17-54 20,0 21,0(4,9) 0,068
Uso nos últimos três meses
Álcool 17-54 20,0 21,1(5,0) 18-42 20,0 21,3(5,4) 0,854
Maconha 18-54 20,0 21,5(5,3) 17-52 20,0 21,0(4,4) 0,263
Cocaína 19-25 20,5 21,2(2,6) 17-54 20,0 21,0(4,6) 0,495

*Teste Mann-Whitney

DISCUSSÃO

Entre as substâncias investigadas, o álcool foi a droga mais consumida pelos estudantes universitários, seguido da maconha corroborando estudos prévios que apontam estas drogas como as preferidas pela população universitária.1-2,5-7,11-12,16 Em relação ao uso de cocaína na vida e nos últimos três meses a taxa identificada foi relativamente baixa. É importante ressaltar que, para este estudo, não foi considerado o tipo de consumo de álcool (problemático ou social) feito pelos universitários. Estudo realizado entre estudantes universitários no Brasil apontou a prevalência de 86,2% para o uso de álcool ao longo da vida e 26,1% para o uso de maconha.5 Entre os universitários chilenos a prevalência do consumo de álcool foi 96%, da maconha 22% e da cocaína 1,4%.17 Já em relação à Espanha um estudo demonstrou prevalências mais altas do uso de maconha entre os universitários, em torno de 90,5%,14 enquanto no Kwait tal prevalência foi mais baixa, 14,4%.7

Cabe destacar, que tornar-se universitário pode ampliar as oportunidades para a exposição às drogas, principalmente ilícitas como maconha e cocaína.4,6,10 Porém as baixas taxas em relação ao uso de cocaína encontradas podem estar associadas à dificuldade de assumir o consumo ou em relação ao acesso a essa substância.

Em relação ao sexo dos participantes, apesar de a maioria da amostra se constituir de estudantes do sexo feminino, a prevalência do uso de maconha e cocaína na vida e nos últimos três meses foi maior entre os universitários do sexo masculino (associação significante) corroborando resultados de outras pesquisas.14,17-21 Por outro lado, a prevalência de uso na vida e nos últimos três meses de álcool foi semelhante entre universitários do sexo feminino e masculino.

Os homens experimentam as drogas em idades mais precoces e a cocaína é consumida preferencialmente por eles. Poucos estudos reportaram prevalência de consumo de álcool semelhante entre homens e mulheres.13 Desse modo, é importante destacar as mudanças ocorridas relacionadas ao papel da mulher na sociedade atual. O acúmulo de funções, ou seja, ser mãe, esposa, profissional, cidadã, mulher, entre outros papéis podem estar relacionados significativamente ao aumento da vulnerabilidade ao estresse entre as mulheres. Além disso, apesar das conquistas femininas, a violência física e verbal ainda permeia o contexto das mulheres.22-23 As repercussões dessas mudanças podem ser responsáveis pelo aparecimento de alguns transtornos mentais como ansiedade e depressão, e o uso de drogas.20-21

A maioria dos universitários participantes referiu morar com amigos e, apesar de tal situação ser considerada um fator de risco para o uso de drogas quando comparada a morar com os pais,13,16,18,24não houve diferença significante entre estes grupos. Estudo conduzido com estudantes de enfermagem em Honduras identificou a família como fator tanto protetor quanto de risco para o uso de drogas.3,11,25

O fato dos universitários que moram com os pais não diferirem dos que moram com os amigos, em termos de consumo de substâncias, sugere que, certamente, outros fatores estão envolvidos neste evento, ou seja, são necessários estudos adicionais que integrem variáveis tanto relacionadas ao consumo de substâncias pelos pais (que pode influenciar no consumo dos estudantes), quanto à percepção de apoio social destes estudantes, pois o fato isolado de coabitar com os pais ou amigos não implica, necessariamente em ser apoiado, compartilhar afetos e/ou efetivar parcerias. Tais componentes afetivos poderiam elucidar melhor se, de fato, com quem estes estudantes moram tem ou não associação com o uso de substâncias.25

Quanto ao quesito religião, o percentual de universitários que referiram uso de álcool, maconha e cocaína na vida ou uso de maconha nos últimos três meses é maior entre aqueles que não acham a religião importante (associação significante). Tal resultado corrobora outros estudos que apontam a religião como importante fator de proteção relacionado ao uso de drogas.2-3,11-12,26

O presente estudo apontou que o uso de maconha nos últimos três meses foi mais prevalente entre os estudantes do segundo ano ou mais, em detrimento daqueles que estavam ainda no primeiro ano, para as outras substâncias não houve associação significante. Tal resultado certamente tem relação com o fator idade, mas pode também refletir outras questões como dificuldades acadêmicas que tem sido descrito como um importante fator de risco para o consumo de maconha por estudantes.12,16 Além disso, a maior permanência na universidade amplia o tempo de exposição às drogas.

Em relação à idade (anos), os resultados apresentados apontam que houve diferença significante apenas entre os grupos que referiram ou não uso na vida de álcool. Estudo feito no Kwait,7 que mostrou que, para cada um ano a mais na idade do universitário, o risco relativo de consumo de drogas ilícitas aumentava em 10%; e, outro feito com estudantes do ensino médio na Espanha, descreveu que à medida que os estudantes aumentavam de idade, concomitantemente aumentavam o consumo de drogas e outras situações de risco como aumento do sobrepeso e da obesidade.27 Um estudo numa amostra de universitários iranianos também apontou que quanto mais velhos os estudantes, maior a tendência de consumirem mais substâncias lícitas e ilícitas.10

No tocante ao aumento da idade e/ou do ano do curso de graduação estar associado ao maior consumo, também traz à reflexão a questão da sociabilidade dos participantes, isto é, os resultados podem refletir que, à medida que os estudantes progridem no curso, tendem a ampliar suas redes de relações e, certamente, as oportunidades de trocas e lazer com seus pares possam encorajar o uso destas substâncias. Por outro lado, o estresse desencadeado pelas exigências crescentes ao longo da progressão do curso podem ser também fatores importantes a serem considerados em estudos posteriores, como potenciais preditores do consumo de drogas nesta população.

Como limitações do presente estudo, destaca-se principalmente que o consumo de álcool, maconha e cocaína foi avaliado apenas na vida dos individuos e nos últimos três meses, ou seja, não foi considerado o tipo de consumo realizado feito pelos universitários, que poderia oferecer um resultado mais completo e amplo do uso e abuso de drogas.

CONCLUSÃO

Os resultados do presente estudo permitem concluir que houve elevada prevalência de uso na vida e nos últimos três meses de álcool e maconha entre os universitários investigados em contrapartida ao uso de cocaína que foi relativamente baixo. Os universitários investigados apresentaram uma prevalência de uso na vida e nos últimos três meses de maconha e cocaína maior entre os homens, mas não para o álcool. A importância da religião foi negativamente associada ou uso das drogas investigadas.

Os resultados refletem a importância da estruturação de medidas preventivas para uso indevido de substâncias psicoativas entre universitários e a necessidade de novas investigações que abordem a temática. Assim, as instituições de ensino devem focalizar estratégias mais eficientes e viáveis para a prevenção do consumo de substâncias psicoativas por meio da criação de espaços de acolhimento dos universitários, troca de experiências e suporte profissional. Além de uma maior inserção da temática na formação acadêmica para que esse fenômeno seja amplamente compreendido.

AGRADECIMENTO

Ao governo do Canadá/DFAIT, Organização dos Estados Americanos, Comissão Interamericana para o Controle e Abuso de Drogas, Centre for Addiction and Mental Health, estudantes e colaboradores.

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NOTAS

APROVAÇÃO DE COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA

O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética do Centre for Addiction and Mental Health, University of Toronto, e pelo Comitê de Ética da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo CAAE 12663213.2.0000.5393.

Recebido: 19 de Junho de 2018; Aceito: 01 de Abril de 2019

AUTOR CORRESPONDENTE: Ana Carolina Guidorizzi Zanetti carolzan@eerp.usp.br

CONTRIBUIÇÃO DE AUTORIA

Concepção do estudo: Zanetti ACG, Cumsille F, Mann R. Coleta de dados: Zanetti ACG. Análise e interpretação dos dados: Zanetti ACG, Cumsille F, Mann R. Discussão dos resultados: Zanetti ACG, Cumsille F, Mann R. Redação e/ou revisão crítica do conteúdo: Zanetti ACG, Cumsille F, Mann R. Revisão e aprovação final da versão final: Zanetti ACG.

CONFLITO DE INTERESSES

Não há conflito de interesses.

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