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Revista Latino-Americana de Enfermagem

On-line version ISSN 1518-8345

Rev. Latino-Am. Enfermagem vol.13 no.spe Ribeirão Preto Oct. 2005

https://doi.org/10.1590/S0104-11692005000700014 

ARTIGO ORIGINAL

 

A formação do enfermeiro e o fenômeno das drogas no Sul do Brasil: atitudes e crenças dos estudantes de enfermagem sobre o cuidado1

 

Nursing formation and the drugs phenomenon in the South of Brazil: nursing students' attitudes and beliefs on care

 

La formación del enfermero y el fenómeno de las drogas en el Sul de Brasil: actitudes y creencias de estudiantes de enfermería sobre la atención

 

 

Telma Elisa CarraroI; Goolan Hussein RassoolII; Margarita Antonia Villar LuisIII

IEnfermeira, Mestre em Assistência de Enfermagem. Doutora em Enfermagem. Pós Doutora em Enfermagem na linha de pesquisa Álcool e Drogas. Docente do Departamento e da Pós-Graduação em Enfermagem da UFSC, e-mail: telmacarraro@nfr.ufsc.br
IIEnfermeiro, Psicólogo, Mestre, Doutor em Educação. University of London
IIIDocente da Escola de Enfermagem Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo, Centro Colaborador da OMS para o desenvolvimento da pesquisa em enfermagem, e-mail: margarit@eerp.usp.br

 

 


RESUMO

Pesquisa descritiva sobre a formação do enfermeiro e sua relação com o fenômeno das drogas, realizada com alunos do último período de Graduação em Enfermagem de cinco Instituições Federais de Ensino Superior do sul do Brasil. Este artigo apresenta e discute atitudes e crenças dos estudantes de enfermagem sobre o cuidado frente ao fenômeno das drogas. A coleta dos dados aconteceu de outubro/2003 a fevereiro/2004, a amostra, intencional, foi composta por 105 alunos que responderam a um instrumento contendo uma escala sobre atitudes e crenças dos enfermeiros em relação à alcoolismo e drogas. O estudo apontou que os alunos compreendem que o conhecimento sobre o fenômeno das drogas é fundamental para o exercício da profissão e incorporam o cuidado às pessoas envolvidas com substâncias psicoativas ao papel do enfermeiro. Evidenciou também desarticulação entre a teoria e a prática, conteúdos centrados nos modelos médico e moral, e dificuldades na comunicação interpessoal.

Descritores: alcoolismo; detecção do abuso de substancias; educação em enfermagem; estudantes de enfermagem, conhecimentos; atitudes e pratica em saúde


ABSTRACT

This is a descriptive study about the formation of nurses regarding to the drug phenomenon. It was conducted with last periods students of Nursing Schools from five Federal Educational Institutions in southern Brazil. It presents and discusses Nursing students´ attitudes and beliefs about care, when facing the drug phenomenon. The data collection happened from October 2003 to February 2004, with intentional sample constituted of 105 students. An instrument was applied to them, with a scale asking about nurses´ attitudes and beliefs regarding to alcoholism and drugs. The study showed that the students understand knowledge about the drug phenomenon as fundamental to the profession, and they incorporate the care of people involved with psychoactive substances, as nurses´role. The study also showed clearly a disarticulation between theory and practice, course´s contents centered on medical and moral models, and interpersonal communication difficulties.

Descriptors: alcoholism;, substance abuse detection; education nursing; students, nursing; health knowledge, attitudes, practice


RESUMEN

Investigación de modalidad descriptiva que trata sobre la formación del enfermero y surelación con el fenómeno de las drogas, realizado con los alumnos del último ciclo de Graduación en Enfermería de cinco Instituciones Federales de Educación Superior en el Sur del Brasil. El presente artículo presenta y discute las actitudes y las creencias de los estudiantes de enfermería sobre el cuidado frente al fenómeno de las drogas. La colecta de los datos aconteció durante el período de octubre del 2003 a febrero del 2004, la muestra intencional, estuvo compuesta por 105 alumnos, los cuales respondieron a un instrumento que contenía una escala sobre las actitudes y las creencias de los enfermeros con relación al alcoholismo y a las drogas. El estudio apuntó la comprensión de los alumnoscon respecto al conocimiento del fenómeno de las drogas como fundamental e imprescindible para el ejercicio profesional, asi también incorporan el cuidado a las personas envueltas con sustancias psicoactivas al papel que desempeña el enfermero. Se comprobó, asi mismo, una desarticulación entre la teoría y la práctica, contenidos centrados en los modelos médico y moral, asimismo las dificultades en la comunicación interpersonal.

Descriptores: alcoholismo; detección de abuso de sustancias; educación enfermería, estudiante de enfermería, conocimientos, actitudes y práctica en salud


 

 

INTRODUÇÃO

O cenário mundial vem apresentando mudanças cada dia mais dinâmicas, gerando incertezas sobre o processo de integração econômica e social. Estas incertezas influenciam e reconfiguram os papéis e as relações entre as nações. Neste contexto emerge o fenômeno das drogas como um problema tanto social quanto de saúde, exacerbado em conseqüência do processo de globalização(1).

Desde a segunda metade do século XX as drogas se transformaram num dos maiores negócios, numa industria poderosa e num comércio ramificado. O nível econômico em termos de insumos propiciados talvez seja ultrapassado apenas pela economia da energia e das telecomunicações (em se tratando de comercio lícito). Existem grandes interesses nos circuitos da produção, circulação, distribuição e consumo de drogas. As redes insinuam-se por todas as partes, de tal sorte que esse mundo obscuro, tem "suas faces" no mundo da legalidade, embora o invisível se superponha à aspectos que evidenciam essa relação(2).

Daí a importância de perceber esse fenômeno numa perspectiva ampla, pois somente dessa forma será possível identificar as possibilidades e limites da ação profissional.

A droga como fenômeno macro estrutural, se configura numa questão que abrange a saúde internacional. Nessa dimensão, a saúde é vista como uma questão de relações internacionais em que fatores políticos, econômicos, de segurança nacional e desenvolvimentais desempenham importante papel na determinação da saúde das populações. Envolve também uma dimensão nacional, que é determinada pela internacionalização dos riscos, propostas de ajustamentos e biopolíticas, exportação de modelos de serviços de saúde, ciência e tecnologia, bem como papel da universidade e das demais organismos de apoio à educação, incluindo também os da saúde (1).

O consumo mundial de álcool, tabaco e outras substancias regulamentadas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), vem aumentando entre as populações e tem contribuído para a carga de doença em todos os países do mundo. O tabagismo esta se espalhando nos paises em desenvolvimento é atingido as mulheres (50% dos homens e 9% das mulheres fumam) em relação ao álcool, embora seu consumo tenha diminuído nos paises desenvolvidos (nas duas ultimas décadas), aumentou nos países em desenvolvimento. No tocante às drogas ilícitas, pelas avaliações do UNODC(3), cerca de 200 milhões de pessoas em todo o mundo, consomem alguma substância ilícita. Isso representa 3,4% da população mundial e estima-se que 4,7% tenham quinze ou mais anos (dados obtidos em 2000 e 2001)(3-4).

No Brasil o primeiro levantamento domiciliar sobre o uso de drogas psicotrópicas foi realizado em 2001(5), com o objetivo de verificar como a sociedade brasileira de uma maneira geral se comporta frente ao uso de drogas e, com isso, propiciar a elaboração de políticas de Saúde Pública com vistas à prevenção do abuso de drogas. O estudo contemplou 107 cidades com população superior a 200.000 habitantes de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE de 1995. Os resultados dessa pesquisa mostraram a magnitude do problema no Brasil e para esta investigação são de particular relevância os dados sobre a Região Sul, obtidos em dezoito cidades (com mais de 200 mil habitantes) junto a 947 entrevistados (17,6% da população regional).

Dentre os resultados esse estudo mostrou que na região sul, o uso na vida de qualquer droga exceto tabaco e álcool foi de 17,1% (no Brasil foi de 19,4%). Já esse mesmo uso (na vida) de maconha (8,4%) e cocaína (3,6%) apresentou as maiores porcentagens do Brasil (comparando às demais regiões). O uso na vida de álcool foi de 69,4% e o tabaco foi de 44,1%, porcentagens ligeiramente mais elevadas que os dados para o Brasil, (68,7% e 41,1%, respectivamente). Como destaque a Região Sul apareceu na condição de ser aquela onde foi registrado o maior número de dependentes de tabaco (12,8%) e de maconha (1,6%)(5).

A reflexão a respeito de um assunto multifacetado como uso e abuso de drogas de natureza ampla e complexidade e contextualidade própria, certamente também demanda uma análise de natureza macro, entretanto não é esse o foco desta investigação, pois considerando os dados regionais, parece mais coerente, neste momento, voltar a atenção para as necessidades regionais, embora a perspectiva mais geral na qual estão imersas sempre estará presente como pano de fundo.

Por essa razão o olhar permaneceu circunscrito à educação e saúde, tendo como interesse central a universidade, no propósito de estudar a formação do enfermeiro nos cursos de Graduação no que diz respeito ao fenômeno das drogas.

Nessa perspectiva, o enfermeiro pode desempenhar importante papel na promoção da saúde diante de vários aspectos, dentre eles a formação e capacitação dos profissionais de saúde visando à redução da demanda de álcool e drogas na América Latina. Entendendo que com mudanças de paradigmas, atuando na formação dos enfermeiros, poderão ocorrer novas configurações no cuidado dos diversos grupos da sociedade nos níveis de promoção, prevenção e integração social.

As universidades não podem ignorar as questões das sociedades nas quais estão inseridas e que as mantêm, e tampouco aquelas que afetam a humanidade como um todo. Desta forma, a liberdade acadêmica e a autonomia da universidade são indissociáveis de sua responsabilidade social. A riqueza e o desenvolvimento social das nações dependem da capacidade de gerar conhecimento e as universidades representam um dos principais agentes institucionais geradores e aplicadores do conhecimento, junto com as empresas e com os órgãos públicos de pesquisa(6). Portanto o conhecimento gerado, seja na forma de ensino ou pesquisa, deve levar em conta a influencia de fatores macro-estruturais. As questões referentes do fenômeno das drogas não são uma exceção e mesmo que tal aspecto não seja o foco do interessado (investigadores profissionais) a lembrança da existência de uma "moldura" circunscrevendo assuntos pontuais, deve estar sempre presente.

Cabe à universidade, oferecer no decorrer da graduação as condições para que o aluno adquira as competências necessárias ao exercício da profissão. Portanto é durante a formação de enfermagem que deve ser fornecido o preparo para o futuro enfermeiro atuar na redução da demanda das drogas e para cuidar dos seres humanos que estão envolvidos neste contexto.

Pesquisas(7-8) sobre o uso do álcool, e a educação formal dos enfermeiros registram a necessidade de sensibilizar as instituições de ensino superior no sentido de investirem na ministração de conteúdos sobre álcool e outras substâncias psicoativas aos alunos de Graduação em Enfermagem. Tais estudos mostram ainda, que o uso de álcool e suas conseqüências via de regra, pouco tem sido mencionado nas discussões sobre currículo de graduação. Com isso, impede-se que o aluno receba uma educação básica ou mínima, pré-requisito para sua capacitação profissional na prestação de cuidados de qualidade e inclusive, o encaminhamento adequado dos clientes que fazem uso de substâncias psicoativas, aos serviços específicos para tratamento.

O ensino formal na área de Enfermagem sobre o uso e abuso de drogas parece não corresponder às reais necessidades que a temática vem impondo à sociedade nos últimos anos. Os currículos de Enfermagem têm contemplado de alguma forma, a abordagem do uso e abuso de substâncias lícitas e ilícitas, no entanto, este conteúdo é majoritariamente ministrado nas disciplinas que envolvem saúde mental, com uma carga horária que não tem permitido habilitar o enfermeiro para o desempenho adequado de suas funções no que tange a essa problemática.

Tal afirmativa é corroborada em estudos(8), indicando a necessidade de inserir conteúdos específicos no decorrer da graduação em enfermagem, enquanto condição facilitadora para o enfermeiro exercer suas atividades no manejo dos dependentes químicos. Pois conforme indicaram os resultados, os cuidados de enfermagem mostraram-se prejudicados em decorrência da falta de conhecimentos sobre álcool e drogas(7). Essa limitação foi mais vivenciada pelos enfermeiros dado que, lidam direta e continuamente com esses usuários (principalmente alcoolistas), por conseguinte, percebem mais a necessidade de conteúdos sobre intervenções especificas nos cuidados de enfermagem, do que alunos e professores. Grupos estes que também fizeram parte das investigações.

A dependência química vem se impondo como um problema de saúde publica e como tal, requer um modelo de atenção incluindo a promoção da saúde, o enfoque na prevenção do uso e abuso visando produzir as transformações sociais que propiciem uma melhor qualidade de vida da sociedade como um todo(9). Nesse sentido há de se deixar de lado o conceito de que é um problema do usuário, abordando-o através de medidas repressivas ou de comiseração na perspectiva do modelo moral, para tratá-lo como uma questão que afeta a todos: usuários, família e sociedade, ou seja, uma visão holística considerando os múltiplos, desdobramentos do fenômeno (econômicos, políticos e sócio-culturais).

Para tanto, é fundamental a inserção da enfermeira na equipe de saúde colaborando no enfrentamento do problema, mas há necessidade de uma ampla estrutura de conhecimento sobre "promoção e prevenção para a saúde de toda a sociedade e as medidas de prevenção do uso e abuso de todas as drogas lícitas e ilícitas"(9).

O desconhecimento sobre as especificidades que envolvem o uso de drogas e da dependência química, dos técnicos de saúde é produto de uma formação acadêmica e profissional que super estima e super valoriza as normas e regras em detrimento das atitudes sociais e valores éticos mais adequados a culturas determinadas. Nesta lógica, o saber que o enfermeiro adquire na sua formação acadêmica, que leva em consideração as necessidades das pessoas, numa visão holística, choca-se no confronto com uma infinidade de questionamentos ao lidar com pessoas usuárias de drogas lícitas e ilícitas no enfrentamento de situações de miséria, pobreza, marginalidade, discriminação, violência, silêncio, uso de drogas, dependência química, solidão, dentre tantas outras adjetivações(10).

A despeito dessa realidade caótica em que se encontram pessoas usuárias, o enfermeiro não deve ficar alheio ao "encanto da lealdade, da solidariedade, do prazer, da dificuldade, da amizade e de uma série de coisas boas que se aprende vendo e vivendo perto do que é considerado ruim, pecado, marginal, diferente, mal, imoral..."(10), no caso, o uso de drogas e o seu usuário.

O papel social que as Escolas de Enfermagem devem assumir no âmbito nacional e internacional e o seu compromisso com o ensino da promoção da saúde, prevenção de agravos e integração dos usuários de substâncias psicoativas coloca obstáculos inusitados. Temos que considerar que o profissional de Enfermagem constitui recurso humano imprescindível na drogadição, inclusive pela função que desempenha no processo de comunicação com diferentes grupos da comunidade: crianças, adolescentes, adultos, idosos e outros.

Assim, a ampliação de conteúdos sobre o fenômeno das drogas nos currículos de graduação é hoje uma necessidade premente para a formação do enfermeiro, que convive cotidianamente, seja na comunidade, nos ambulatórios, nos hospitais ou em outros setores, com pessoas que fazem ou que fizeram uso de substâncias psicoativas lícitas ou ilícitas.

Esse é um desafio que está posto para os enfermeiros do século XXI, saber lidar com essas situações que são cotidianas, com segurança, conhecimento e liderança para o encaminhamento das questões e as tomadas de decisões em diferentes âmbitos. Portanto, habilitar o enfermeiro para enfrentar esse desafio é uma iniciativa que deve ser desencadeada na sua formação básica, ou seja, a graduação.

Mediante a inquietação suscitada por essa necessidade surgiram indagações a respeito de como se configura a formação do enfermeiro a respeito do conhecimento, atitudes e crenças relacionadas ao fenômeno das drogas nos cursos de graduação em enfermagem.

Frente a isso a presente investigação teve o propósito de investigar o preparo dos estudantes de enfermagem de escolas da região sul, sobre ao conhecimento, às atitudes e crenças referentes ao fenômeno das drogas, adquiridos em sua formação profissional.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Trata-se de pesquisa descritiva sobre a formação do enfermeiro e sua relação com o fenômeno das drogas, cuja população foi constituída de alunos do último período de Cursos de Graduação em Enfermagem de cinco Instituições Federais de Ensino Superior do sul do Brasil.

O projeto de pesquisa seguiu todos os trâmites necessários para até a aprovação no comitê de Ética da Universidade Federal de Santa Catarina. Durante essa tramitação foi realizada a tradução de parte do instrumento no verso inglês e a sua validação. O mesmo estava constituído de três partes: características individuais; visão sobre o fenômeno das drogas (nos aspectos macro, micro e pontual) e uma escala para mensuração de atitudes e crenças em relação ao álcool e alcoolismo e às drogas. Esta consiste na escala do Project NEADA - Nursing Education im alcohol and Drugs Education, que depois de traduzida para o português foi submetida à back-translation para verificar se fora mantido o sentido original. Os dados desta pesquisa referem-se às informações obtidas mediante o uso da referida escala.

Após as correções devidas, a escala definitiva foi submetida ao Teste Piloto com a avaliação de 80 estudantes de Enfermagem, escolas privadas. Com os resultados positivos do teste piloto passou-se então à etapa da coleta de dados.

Após contato com as IFES (Instituições e Federais de Ensino Superior) e obtidas as devidas autorizações para realização da coleta de dados, os mesmos foram coletados no período de 11/2003 a 02/2004, com a colaboração de professores pesquisadoras das instituições integrantes da pesquisa. As pesquisadoras colaboradoras foram orientadas quanto aos procedimentos de coleta de dados via e-mail ou outras formas de contato (telefone, idas aos locais). Dentre as recomendações feitas orientou-se para que apresentassem aos alunos o termo de consentimento livre e esclarecido informando-lhes que sua participação era voluntária. Em seguida, deveriam recolher os termos e entregar o questionário (escala) àqueles alunos presentes no dia. Dessa forma, a amostra foi composta por 105 alunos (86% do total) de matriculados no ano.

 

RESULTADOS

As informações apresentadas referem-se àquelas sobre as atitudes e crenças dos acadêmicos de enfermagem frente ao cuidado em relação ao uso de álcool, de drogas e do uso de álcool e drogas. Entendendo que cuidado inclui o sentimento de estar apto a prestar cuidados aos usuários de álcool e drogas, a seus familiares e à comunidade com eles envolvida, bem como ter domínio dos meios de realizar as intervenções. Inclui também os sentimentos e percepções do enfermeiro com referência à intimidade e individualidade do outro.

A partir deste conceito efetuou-se a separação das variáveis que compõem a escala em três categorias de análise: Álcool, Drogas e Álcool e Drogas. Sendo apresentados na seqüência os dados organizados em quadros acompanhados da análise descritiva de seus resultados.

Na Tabela 1 pode-se observar que os alunos concordam fortemente que, "As pessoas que bebem muito podem ser ajudadas pelos enfermeiros a mudar seus hábitos de beber" (91%) e que "Os enfermeiros têm o direito de perguntar aos pacientes sobre seu beber quando suspeitam que os mesmos têm um problema relacionado ao beber" (90%). Como média concordância registra-se a afirmativa, "Os enfermeiros devem saber como recomendar limites", ou seja, diminuir, mas não necessariamente, sugerir a interrupção do beber para os pacientes que "bebem pesado, mas não são dependentes" (53%). Aponta ainda que os sujeitos discordem do item, "mesmo quando é reconhecido que o álcool está contribuindo para problemas de saúde do paciente, não é da competência do enfermeiro conversar com o paciente sobre o beber" (92%).

 

 

Estes dados demonstram que a amostra de acadêmicos de enfermagem, no que se refere ao álcool, acreditam no potencial do enfermeiro para atuar junto aos alcoolistas, que esse cuidado é da sua competência. Este fato denota o compromisso dos futuros profissionais com o bem estar dessa clientela, assim como sua crença em que é possível intervir frente à situação do alcoolismo. Por outro lado, quando se dividem nas respostas à terceira afirmação, isto pode ser um indicador da fragilidade na relação teoria-prática no exercício do cuidado.

Atitudes e crenças positivas sobre o papel do enfermeiro no cuidado ao alcoolista são evidenciadas ao analisar-se conjuntamente a percentagem de concordância com os itens apresentados na Tabela 1, o que é compreensível, por ser o álcool uma droga socialmente aceita e que provavelmente coloca o enfermeiro em uma posição mais confortável para lidar com esta problemática. Ao buscar uma relação de diálogo com estes pacientes os enfermeiros estarão criando a possibilidades de cuidado a estas pessoas, revertendo ou mesmo reorientando suas condutas em relação ao beber. Os dados apontam que os futuros profissionais acreditam no próprio potencial para cuidar dessa clientela.

Entretanto, deve-se considerar que esses itens abordam questões conceituais, facilitando a emissão de parecer, diferente do observado em relação ao terceiro item, relativo às atitudes concretas dos enfermeiros junto ao cliente.

 

DROGAS - CUIDADO

As respostas à afirmação "Os enfermeiros têm responsabilidade para intervir quando os pacientes estão usando droga, mesmo quando o problema do uso de droga não é a principal razão do tratamento", mostram porcentagem elevada de concordância dos acadêmicos (83%), indicando que os futuros profissionais acreditam possuir responsabilidades frente ao cuidado com o usuário de drogas.

Na Tabela 3 visualiza-se maior nível de concordância nas afirmativas: "O melhor meio para um enfermeiro intervir com um paciente dependente de álcool ou drogas é encaminhá-lo a um bom programa de tratamento" (63%) e "Eu penso que deixa o paciente incomodado, aflito perguntar sobre o seu uso de álcool e drogas" (58%). A discordância mais elevada aparece "Eu acredito nas afirmações: que falar sobre álcool e drogas com o paciente é invasão de privacidade" (90%), "Um enfermeiro pode intervir adequadamente em problemas relacionados ao álcool e outras drogas somente quando ocorre dependência" (88%) e "Uma história detalhada sobre uso de álcool e drogas não é necessária para todos os pacientes (75%)". Média discordância foi expressa nas afirmações: "A maioria das pessoas dependentes de álcool e drogas são desagradáveis para trabalhar como pacientes (57%)" e "Não é provável que os pacientes contem a verdade sobre seu uso de álcool e drogas quando entrevistados por um enfermeiro" (49%). Na afirmativa, "Os pacientes ficam irritados quando os enfermeiros perguntam sobre assuntos pessoais como o uso de álcool e drogas" as opiniões se dividem sendo que a maior parte dos futuros enfermeiros (38%) se manifestou com indiferença, seguidos da concordância (32%) e da discordância (30%).

 

 

 

 

As pontuações registradas na primeira, terceira, sexta, sétima e oitava afirmações remetem à temática das habilidades na abordagem do paciente e demonstram mais uma vez a dificuldade dos acadêmicos em fazer a relação teoria-prática na implementação do cuidado direto, podendo-se depreender que existem fragilidade na formação teórica do enfermeiro sobre essa temática, nas escolas pesquisadas.

Ressalta-se na sétima questão do tabela 3, que mais da metade dos sujeitos duvidam que o paciente possa falar a verdade durante os momentos de cuidado, demonstrando pré-conceitos e visões negativas a respeito dessa clientela.

Na oitava questão as opiniões se dividem, caracterizando despreparo quanto ao conhecimento a respeito do assunto, despertando a reflexão sobre como esse conteúdo foi abordado junto aos acadêmicos.

Ao responderem à quarta questão os futuros enfermeiros discordaram da mesma, denotando sua crença na possibilidade de promoção à saúdee prevenção junto às pessoas que têm contato com substâncias psicoativas. Essa inferência encontra reforço quando a maioria dos acadêmicos discorda da quinta afirmativa. Os dados apontam ainda a consciência da necessidade da relação teoria e prática para embasar suas ações de cuidado no exercício profissional.

Por outro lado, quando a maioria concorda com a segunda assertiva, os futuros enfermeiros estão demonstrando uma atitude de repassar a responsabilidade do cuidado com o usuário de álcool e outras drogas para outros profissionais, fatos que contraria uma posição anterior do grupo ao defender a não exclusividade de tratamento a essa clientela por especialista. Essa contradição pode ser entendida como a falta de uma fundamentação teórica e prática para que o enfermeiro preste um cuidado mínimo a esses dependentes.

 

DISCUSSÃO

Ponderando que as categorias propostas no estudo estão intimamente imbricadas referindo-se às substâncias psicoativas em sua complexidade e amplitude, optou-se por tecer a discussão sobre os achados no conjunto das mesmas.

O dever e a responsabilidade de cuidar de pessoas envolvidas com substâncias psicoativasaparecem evidenciados neste estudo demonstrando que os estudantes de Enfermagem manifestam consciência a respeito. Revelando atitude de comprometimento com a questão das drogas, ao expressarem atitudes positivas em relação ao papel do enfermeiro no cuidado a essa clientela, considerando que esta é uma competência do seu exercício profissional, mesmo não sendo especialistas. Mostram também atitudes indicando que acreditam no próprio potencial para o cuidado. Todavia, lacunas teórico-práticas são evidenciadas, deixando transparecer fragilidade no concernente ao cuidado direto.

Foram fortemente evidenciadas as dificuldades na abordagem, no diálogo e no relacionamento terapêutico com pessoas envolvidas com drogas. Mesmo afirmando que possuem preparo sobre o assunto, que os enfermeiros têm o direito profissional de perguntar aos pacientes sobre seus hábitos referentes às drogas, os acadêmicos deixam transparecer que não é fácil falar, não é fácil perguntar, ou seja, abordar esse assunto, mostrando tanto sua consciência profissional a respeito, quanto à falta de preparo para o exercício do cuidado a esta parcela da população. Os dados sugerem a existência de um hiato em sua formação, especificamente no que diz respeito à abordagem aos pacientes envolvidos com substâncias psicoativas.

A utilização de estratégias de abordagem ao paciente no processo de cuidado, buscando oferecer "conselhos diretos que promovam reflexões e mudanças de comportamento"(9), são fundamentais para a atuação do enfermeiro frente ao fenômeno das drogas. O diálogo com estes pacientes se constitui numa forma de oferecer-lhes ajuda, talvez no instrumento mais valioso nesse relacionamento. Ao estabelecer o diálogo os enfermeiros criam a possibilidade de cuidar destas pessoas, revertendo, ou mesmo reorientando suas condutas frente ao fenômeno das drogas.

Existe a preocupação em não desmerecer num primeiro contato elementos no relacionamento terapêutico, como a simpatia, comiseração e compaixão. "Muitas vezes é disto que o outro precisa: sentir que estamos com ele, junto dele! E, este estar com pode tomar diversas formas: o segurar suas mãos, o sorrir, o secar seu suor, um olhar... O ouvir, sim! Nem sempre precisamos falar! Muitas vezes é preciso ouvir e demonstrar: estou aqui!"(11). Esta preocupação deve permear a formação do enfermeiro, embora não deva se restringir a isso, que a despeito de sua importância é apenas uma parte da interação terapêutica.

A prática de profissionais dispostos a escutar, a respeitar o mundo de crenças de seus usuários de serviços e a compartilhar a responsabilidade do vínculo realizado, mostrará com certeza a maior eficácia e eficiência no atendimento(10).

Os enfermeiros devem perceber os alcoolistas como pessoas sensíveis, com problemas emocionais e que estabelecendo um relacionamento interpessoal mostrando interesse positivo, pode contribuir para seu restabelecimento. Portanto, "se o profissional não sentir no alcoolista alguém que mesmo muitas vezes recusando, precisa de ajuda, dificilmente cuidará eficientemente" (12). Esta atitude de cuidado deve ser expandida para pessoas envolvidas não só com álcool, mas também com outras drogas.

Os dados revelam que os alunos estão saindo da graduação com dificuldades, pré-conceitos e visões negativas sobre os usuários de drogas pois, uma percentagem significativa dos respondentes refere-se aos alcoolistas e usuários de drogas como pessoas agressivas e desagradáveis de cuidar. As crenças e atitudes dos estudantes podem, de estar centradas, nas experiências pessoais de cada um, ou calcadas na visão do modelo moral, o primeiro e o mais retrógrado de todos os modelos que tentam explicar o uso de substâncias psicoativas. Tal fato corrobora a falta do preparo teórico, especialmente sobre os modelos explicativos, subsídios para a abordagem das diversas situações que se apresentam em seus diferentes aspectos, quando se trata de cuidar dessa clientela. Salientando que a utilização de um modelo, no total ou em partes, pode contribuir para o julgamento de valores e a estigmatização por parte dos profissionais de saúde, pois não existe apenas um modelo a ser seguido para o planejamento do cuidado na área de álcool e drogas(13).

Os resultados desta pesquisa dão inícios de que o conhecimento teórico em relação à temática absorvido pelos futuros enfermeiros em sua graduação não tem oferecido subsídios consistentes para a implementação da prática do cuidado a essas pessoas, sendo insuficiente e superficial.

Os acadêmicos consideram sua formação adequada para cuidar dessa clientela; manifestam uma atitude positiva em relação à sua atuação junto a mesma; acreditam que precisam encontrar estratégias de abordagem com estes usuários; que esta é uma questão de saúde e que precisa de alguma forma de intervenção; e que é responsabilidade do enfermeiro atuar diante do uso e abuso de substâncias psicoativas. Mesmo expressando estas crenças, os resultados também mostram que ao se depararem com situações de cuidado direto a essa clientela eles são contraditórios, pois optam pelo encaminhamento para programas de tratamento ou para profissionais especialistas.

É necessário que dentro da formação acadêmica haja oportunidades para repensar os padrões estabelecidos em favor da imprevisibilidade que a prática impõe obrigando o profissional a encontrar novas maneiras de transpor o tradicional, o conservador, muitas vezes ultrapassado(10). Por outro lado, os enfermeiros apresentam resistência em inserir no seu dia-a-dia o cuidado aos usuários de álcool(5). Fato possivelmente explicado porque os mesmos não superaram suas crenças negativas a respeito desses clientes. Ao atuar com usuários de álcool e outras drogas, o profissional enfermeiro deve pesquisar, provar e testar modos de cuidar que sejam resolutivos, sem perder a característica humana no processo(14).

É comum os enfermeiros emitiram opiniões a respeito desta clientela predominantemente calcadas na visão de doença. Porque é esse o enfoque dado à questão nos cursos de graduação e por muitos serviços de atendimento, os quais adotam o modelo médico conjugado a alguns componentes das ciências sociais(15).

Há o entendimento que o cuidado profissional dispensado pelos enfermeiros aos seres humanos envolvidos com drogas está diretamente relacionado com sua formação, a qual pode ter influência positiva ou negativa em seu desempenho. Vale ressaltar que a formação acadêmica não dará conta de toda esta problemática, mas que poderá despertar no futuro profissional a busca de novos conhecimentos e habilidades que facilitem a prática do cuidado de enfermagem.

Os acadêmicos sujeitos deste estudo expressaram fragilidades e contradições sobre o exercício do cuidado a pessoas envolvidas com substancias psicoativas, podendo inferir-se que sua formação está prejudicada e que os futuros enfermeiros encontrarão dificuldades em sua prática profissional no que tange ao cuidado a esta clientela.

 

CONCLUSÃO

Como pontos fortes do estudo destacam-se a compreensão dos futuros enfermeiros sobre o conhecimento sobre o fenômeno das drogas ser de importância fundamental para o exercício da profissão e incorporarem o cuidado às pessoas envolvidas com substâncias psicoativas como inerente ao papel do enfermeiro, acreditando no seu potencial para atuar junto a esses clientes. Este entendimento deve-se ao fato de o fenômeno das drogas ser abordado nos cursos de graduação, o que subsidiou a manifestação dos alunos sobre a temática em suas diferentes dimensões.

A desarticulação entre a teoria e a prática, fortemente evidenciada no decorrer do estudo, apareceu como um dos pontos frágeis na formação do enfermeiro. Os dados sugeriram que os conteúdos abordados foram centrados predominantemente no modelo médico, em que as pessoas envolvidas com substâncias psicoativas são vistas como doentes.

Ao mesmo tempo nota-se a influência do modelo moral, quando os estudantes referem-se aos clientes de forma negativa, como sujeitos agressivos e desagradáveis para cuidar, denotando que o preparo destes futuros profissionais não acompanhou os avanços dos estudos sobre o tema.

A fragilidade na formação é evidenciada também quando os acadêmicos deixam transparecer que não acreditam no potencial de recuperação, integração social, reabilitação dos usuários de álcool ou de outras drogas, a partir de seu auto cuidado e autogerenciamento. Esta fragilidade poderá dificultar suas ações ou gerar desesperança e desestímulo na clientela.

As dificuldades na comunicação interpessoal ficaram muito evidentes. Tal fato pode ser decorrente da falta de abordagem adequada sobre o tema ou, que o mesmo não tenha sido absorvido pelos sujeitos deste estudo.

Mesmo acreditando que é de sua competência cuidar das pessoas envolvidas com substâncias psicoativas, os futuros profissionais afirmam que devem encaminhar essa clientela para especialistas ou programas específicos. Isto pode estar relacionado com a desarticulação entre os conteúdos, mas também com a falta de sua atualização. Esta atitude dos alunos mostra a dicotomia da relação teoria-prática do cuidado de Enfermagem.

Deste modo, coloca com base nos resultados deste estudo, sugere-se que os conteúdos de drogas a serem apresentados nos cursos de graduação em Enfermagem correspondam às exigências e às necessidades da população brasileira, considerando os aspectos de promoção e prevenção da saúde, tratamento e integração social dos indivíduos.

O espaço de produção de conhecimentos - a UNIVERSIDADE, não pode ignorar as solicitações emergentes da sociedade em que está inserida. Precisa estar atenta para corresponder a estas demandas sociais, preparando os profissionais para intervir nestes cenários. Portanto, enfatiza-se, a necessidade dos currículos agregarem conteúdos atuais sobre o fenômeno das drogas, associando-os em visões macro e micro, preparando os futuros profissionais para o exercício do cuidado nesse campo complexo e prioritário.

 

AGRADECIMENTOS

Agradecemos a Comissão Interamericana para o Controle de Drogas/ CICAD, ao Programa de Bolsas da OEA, ao Governo do Japão, a todos os docentes da Escola de Enfermagem Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo, Centro Colaborador da OMS para o desenvolvimento da pesquisa em enfermagem, e aos quinze representantes dos oito países da América Latina que participaram do "II Programa Regional de Capacitação em Investigação para Enfermeiros da América Latina" implementado na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo no ano de 2003.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Recebido em: 4.7.2005
Aprovado em: 30.9.2005

 

 

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