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Revista Latino-Americana de Enfermagem

On-line version ISSN 1518-8345

Rev. Latino-Am. Enfermagem vol.28  Ribeirão Preto  2020  Epub May 11, 2020

https://doi.org/10.1590/1518-8345.3221.3267 

Artigo Original

Intensidade do trabalho em enfermagem nos hospitais públicos*

Tatiane Araújo dos Santos1 
http://orcid.org/0000-0003-0747-0649

Handerson Silva Santos1 
http://orcid.org/0000-0002-4324-8888

Elieusa e Silva Sampaio1 
http://orcid.org/0000-0003-1702-7296

Cristina Maria Meira de Melo1 
http://orcid.org/0000-0002-8956-582X

Ednir Assis Souza1 
http://orcid.org/0000-0001-5845-6527

Cláudia Geovana da Silva Pires1 
http://orcid.org/0000-0001-9309-2810

1Universidade Federal da Bahia, Escola de Enfermagem, Salvador, BA, Brasil.


Resumo

Objetivo:

analisar a intensidade do trabalho em enfermagem nos hospitais públicos.

Método:

estudo transversal, quantitativo, realizado em 22 hospitais públicos. A amostra totalizou 265 enfermeiras e 810 técnicas e auxiliares em enfermagem. Os dados foram coletados por meio de questionário e analisados com a Análise Fatorial Exploratória. O cálculo da distribuição da intensidade do trabalho por categoria foi feito por escore que abarca de -1 a +1 desvio padrão dos dados e utilizou-se o teste Exato de Fisher (0,05 <p≤0,10) para observar a significância entre os grupos de acordo com o vínculo de trabalho.

Resultados:

a intensidade do trabalho contribuiu com 13% da precarização do trabalho para as enfermeiras e 51,2% para as técnicas e auxiliares. Para as técnicas e auxiliares as variáveis com maior carga fatorial foram trabalho exige mais do que pode fazer (0.6696) e assume múltiplas atribuições devido à escassez de pessoal (0.6156). Entre as enfermeiras as maiores cargas fatoriais foram observadas nas variáveis pressão do tempo no trabalho (0.6779) e ritmo de trabalho (0.6651).

Conclusão:

as variáveis analisadas indicam que a intensidade do trabalho ocorre de forma distinta entre as trabalhadoras em enfermagem, o que se revela pela polivalência, subdimensionamento e flexibilização do trabalho.

Descritores: Trabalho; Enfermagem; Enfermeiras e Enfermeiros; Auxiliares de Enfermagem; Técnicos de Enfermagem; Hospitais Públicos

Abstract

Objective:

to analyze the intensity of nursing work in public hospitals.

Method:

cross-sectional, quantitative study, carried out in 22 public hospitals. The sample was composed of 265 nurses and 810 nursing technicians and assistants. Data were collected through a questionnaire and analyzed with Exploratory Factor Analysis. The calculation of the distribution of the work intensity by category was done using a score ranging from -1 to +1 standard deviation of the data. Fisher’s exact test (0.05 <p≤0.10) was used to observe the significance between groups according to the employment bond.

Results:

work intensity contributed to the explanation of precarization of work, with a value of 13% for nurses and 51.2% for technicians and assistants. For the technicians and assistants, the variables with the highest factor loadings were ‘work requires more than she can do’ (0.6696) and ‘takes on multiple tasks due to staff shortages’ (0.6156). Among nurses, the highest factor loadings were observed in the variables ‘time pressure at work (0.6779) and ‘Work pace’ (0.6651).

Conclusion:

the variables analyzed indicate that work intensity occurs differently among nursing workers, and is revealed by the versatility, understaffing and flexibility of work.

Descriptors: Work; Nursing; Nurses; Nurses’ Aides; Licensed Practical Nurses; Hospitals, Public

Resumo

Objetivo:

analizar la intensidad del trabajo en enfermería en los hospitales públicos.

Método:

estudio transversal, cuantitativo, realizado en 22 hospitales públicos. La muestra totalizó 265 enfermeras y 810 técnicas y asistentes de enfermería. Los datos fueron recolectados a través de un cuestionario y analizados con el Análisis Factorial Exploratorio. El cálculo de la distribución de la Intensidad del trabajo, por categoría, se realizó utilizando una puntuación que varía de -1 a +1 desviación estándar de los datos, y se utilizó la prueba Exacta de Fisher (0,05 <p≤0,10) para observar la significancia entre grupos según la relación laboral.

Resultados:

la Intensidad del trabajo contribuyó con el 13% de la explicación trabajo precario para las enfermeras y el 51,2% para técnicas y asistentes. Para las técnicas y auxiliares, las variables con la carga de factor más alta fueron trabajo requiere más de lo que puede hacer (0,6696) y asume múltiples asignaciones debido a la escasez de personal (0,6156). Entre las enfermeras, las cargas de factor más altas se observaron en las variables presión de tiempo en el trabajo (0,6779) y ritmo de trabajo (0,6651).

Conclusión:

las variables analizadas indican que la intensidad del trabajo ocurre de manera diferente entre los trabajadores de enfermería, lo que se revela por la versatilidad, por condiciones laborales reducidas y la flexibilización del trabajo.

Descriptores: Trabajo; Enfermería; Enfermeros; Auxiliares de Enfermería; Enfermeros no Diplomados; Hospitales Públicos

Introdução

O controle sobre o tempo de trabalho sempre foi o foco dos empregadores na sociedade capitalista. Com isso, a classe que detém os meios de produção busca assegurar o controle desse tempo, impondo a sua concepção de que esse é quantitativo e racional, sendo tal construção ideológica universal e que prefigura como o padrão da sociedade moderna(1).

Para compreender o uso do tempo de trabalho pelo empregador é necessário abordar suas três dimensões: a duração desse tempo (jornada de trabalho), a sua distribuição e a intensidade do trabalho. A duração da jornada de trabalho refere-se ao tempo total de trabalho. É a categoria mais perceptível e, por isso mesmo, a que está no cerne do conflito entre sindicatos e empregadores. A distribuição do tempo de trabalho é a organização em dias, semanas, meses e/ou anos. A distribuição inclui o trabalho intermitente, o banco de horas, o tempo de trabalho executado em casa ou remotamente e todo o tempo livre do trabalhador que é usado para a qualificação para o mundo do trabalho(2-3).

A intensidade do trabalho é um termo que ainda não é consensual no campo da sociologia do trabalho. Neste artigo adota-se o seguinte conceito: “intensidade é o esforço efetuado pelos trabalhadores para atender aos constrangimentos da organização do trabalho durante uma unidade de tempo”(2).

Portanto, a intensidade do trabalho não significa apenas prolongamento da jornada, mas a capacidade do trabalhador de produzir mais trabalho na mesma jornada. Por isso, essa intensidade é difícil de ser percebida, tendo que estudar os constrangimentos que levam o trabalhador a despender mais energia física, psíquica, mental, social, cultural e relacional durante o seu trabalho(1-3).

É preciso destacar que a intensidade do trabalho afeta, desigualmente, trabalhadores terceirizados e estatutários, homens e mulheres, sendo elas submetidas aos trabalhos mais intensos(3-5). Dado que o campo profissional em enfermagem é composto majoritariamente por mulheres no Brasil(6), as autoras do presente estudo optam por utilizar os termos no feminino, para dar visibilidade à tal intensidade do trabalho.

A intensidade do trabalho também revela-se pelo fluxo tenso de trabalho, em que o encadeamento de atividades deve ser feito agilmente para não romper o fluxo continuo do trabalho coletivo. O trabalho intenso e de fluxo tenso é cada vez mais comum nos hospitais e está relacionado à forma como o trabalho é organizado(4-5). O modelo de organização do trabalho em enfermagem mescla características do toyotismo e do taylorismo, que contribuem para a intensificação do trabalho, submetendo as trabalhadoras aos constrangimentos da organização.

O fluxo tenso e intenso é uma das características do trabalho em enfermagem(4-5). Estudos revelam que a intensidade do trabalho acarreta sérias consequências para as trabalhadoras da equipe de enfermagem como, por exemplo, a ocorrência de erros profissionais, de acidentes de trabalho e de seu adoecimento físico e psíquico(7-10).

A intensidade é uma das formas de precarização do trabalho. A imposição de metas, a extensão de jornada de trabalho e a exigência de polivalência do trabalhador são aspectos da intensidade que precarizam as relações e as condições de trabalho. Cabe ressaltar que todos esses aspectos são sustentados na gestão pelo medo através do assédio moral, o que coage os trabalhadores e trabalhadoras a submeterem-se à intensidade do trabalho(3,11).

Na revisão do estado da arte sobre intensidade do trabalho na plataforma Biblioteca Virtual em Saúde, tendo como marcadores o limite temporal entre os anos de 2015 a 2018, dado o aumento de publicações sobre esse tema nesse período, usando o operador booleano and e os artigos em texto completo, foram encontrados 13 artigos que tratam da intensidade do trabalho em enfermagem. Contudo, esses artigos abordam-na como um dos fatores para o estresse ou adoecimento da enfermeira, sem relacioná-la à conjuntura contemporânea de precarização do trabalho.

Posto isso, o objetivo deste artigo é analisar a intensidade do trabalho em enfermagem em hospitais públicos.

Método

Trata-se de um estudo transversal, de natureza quantitativa. Foi executado em 15 (quinze) hospitais públicos com administração direta e 7 (sete) com administração indireta da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (SESAB), que aceitaram participar da pesquisa e forneceram, previamente, o cadastro com o quantitativo de enfermeiras, técnicas e auxiliares em enfermagem.

Para estimar o tamanho da população foi utilizado o software STATA versão 11 e consideraram-se as informações fornecidas pelos cadastros supracitados. Como a prevalência dos fenômenos estudados foi desconhecida (p=0,50), admitiu-se um erro amostral de 3% (d=0,03) sob o intervalo de confiança de 95% (α=0,05). O total de elementos em cada estrato correspondeu ao total de trabalhadores da enfermagem registrados nas organizações com gestão direta (n=7.140, sendo: 1.712 enfermeiras, 2.597 técnicas de enfermagem e 2.831 auxiliares) e nas organizações sob a gestão indireta (n=1.681, sendo: 436 enfermeiras, 1.160 técnicas de enfermagem e 85 auxiliares).

Foi calculada a distribuição da amostragem estratificada com alocação proporcional das trabalhadoras de acordo com o tipo de administração, categoria e vínculo, totalizando 265 enfermeiras (n=161 estatutárias e n=104 terceirizadas) e 810 técnicas e auxiliares em enfermagem (n= 597 estatutárias e n= 213 terceirizadas).

A coleta dos dados ocorreu entre março de 2016 a fevereiro de 2017, realizada pelas pesquisadoras e bolsistas do grupo de pesquisa. A técnica utilizada para a coleta de dados foi o inquérito por meio de questionário com 96 perguntas divididas em sete sessões: I. Características sociodemográficas; II. Informações sobre outros vínculos de trabalho; III. Informações sobre este trabalho; IV. Informações sobre processo de trabalho; V. Informações sobre condições de trabalho; VI. Informações sobre atividades domésticas e VII. Informações salariais. A elaboração do instrumento foi apoiada em extensa revisão de literatura, na experiência em serviço de enfermeiras que trabalham em organizações de saúde e a partir da leitura dos instrumentos utilizados em outras pesquisas.

A validação do instrumento foi realizada no período de janeiro a fevereiro de 2015 com 347 trabalhadoras de uma organização hospitalar externa à amostra e que possuía características semelhantes às esperadas nos campos de coleta. Observou-se a necessidade de adequar a redação de algumas questões para facilitar a compreensão da trabalhadora. O instrumento de coleta foi também validado em múltiplas oficinas das quais participaram enfermeiras expertises sobre o trabalho em enfermagem e trabalhadoras em enfermagem, com posterior orientação de profissional especializado em estatística.

A sistemática de seleção adotada foi a abordagem direta da trabalhadora(or) ativa(o) nos respectivos setores. Os critérios de inclusão foram: enfermeiras, técnicas e auxiliares em enfermagem com mais de 6 (seis) meses de trabalho(12) na organização de saúde, bem como ter capacidade de responder as questões, ou seja, compreender o que está sendo perguntado, dado que essa capacidade não se revela, necessariamente, pelo nível de escolaridade.

Para análise dos dados utilizou-se a Análise Fatorial Exploratória (AFE), que permite a redução de dados, buscando-se as variáveis latentes (fatores) que tenham poder explicativo relevante para o objeto de estudo. Os principais motivos para o uso da AFE é a validação dos resultados de uma avaliação e o desenvolvimento de uma teoria, tendo em vista que essa técnica apreende o constructo e a síntese de suas relações, resultando em fatores que podem ser usados em outras análises(13).

Para o uso da AFE foram desenvolvidas as seguintes etapas: 1. Com base no estudo sobre tipologias da precarização do trabalho(11) foram alocadas variáveis no constructo intensidade do trabalho, construindo uma matriz de fatoração; 2. A matriz foi submetida à fatoração segundo categoria de trabalhadora e tipo de vínculo de trabalho. Realizou-se o teste Kaiser Maeyer-Olkin (KMO), com escore global 0.8307 para enfermeiras e de 0.8794 para técnicas e auxiliares. Foi utilizado o Coeficiente Alfa de Cronbach para validar a consistência interna das variáveis, sendo o escore global para a matriz das enfermeiras de 0.8822 e para a matriz das técnicas e auxiliares de 0.8839, o que demonstra forte homogeneidade entre as respostas.

Para a extração dos fatores, utilizou-se o screetest. Prosseguiu-se com a rotação fatorial, com ponto de corte da carga fatorial de 0.40. Posteriormente foram testadas duas formas de rotação fatorial ortogonal, com o método varimax e obliqua, com o método promax, com 4, 5 e 6 fatores cada uma, respectivamente. A decisão de uso da matriz com 4, 5 ou 6 fatores, e se esses deveriam ser dependentes ou independentes, coube às pesquisadoras responsáveis pelo estudo.

Após a fatoração, do total das 96 variáveis iniciais permaneceram 11 na matriz das enfermeiras e 13 na matriz das técnicas e auxiliares em enfermagem para o constructo Intensidade do trabalho.

Para avaliar a contribuição das variáveis na explicação do constructo intensidade do trabalho foi calculada a carga fatorial; já para verificar como a intensidade do trabalho contribuía para o constructo precarização do trabalho calculou-se o eigenvalue, a difference, proporção de explicação, cumulative e o uniqueness. Essas matrizes foram debatidas e avaliadas em seis momentos com expertises sobre trabalho em enfermagem, precarização do trabalho, epidemiologia e estatística.

Após a definição da matriz da intensidade do trabalho pela organização do processo de trabalho, calculou-se a mediana, quartil 1 (Q1) e quartil 3 (Q3), para analisar as respostas das trabalhadoras. Foi utilizada a escala Likert na qual as alternativas eram: 1 = nunca, 2 = raramente, 3 = algumas vezes, 4 = frequentemente e 5 = sempre.

Para observar como a intensidade do trabalho distribuía-se por tipo de vínculo e por categoria de trabalhadora, criou-se um escore que abarca de -1 a +1 desvio padrão (dp) dos dados e utilizou-se o teste Exato de Fisher (0,05 <p≤0,10) para o cálculo da significância entre os grupos de acordo com o vínculo de trabalho. Desse modo, a categoria intensidade do trabalho pela organização do processo de trabalho pode apresentar três escores: <=-1 dp baixa intensidade; > -1dp a < + 1dp intensidade intermediária; >+1dp alta intensidade.

A pesquisa obedeceu aos preceitos éticos emanados na Resolução n. 466/12 do Conselho Nacional de Saúde e foi apreciada, bem como aprovada pelo Comitê de Ética da Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia, parecer número 398.772/2013.

Resultados

As participantes do estudo são maioria do sexo feminino (enfermeiras: 90,1%, técnicas e auxiliares: 86,9%), concentradas na faixa etária de 31 a 55 anos (enfermeiras: 76,9%, técnicas e auxiliares: 82,9%), com tempo de experiência na profissão entre 6 a 15 anos (enfermeiras: 79,8%, técnicas e auxiliares: 48,1%) e com maior proporção na raça/cor negra (enfermeiras: 83,9%, técnicas e auxiliares: 91,3%).

O cálculo da proporção demonstra que a intensidade do trabalho contribui com 51,2% da explicação da precarização do trabalho, para as técnicas e auxiliares em enfermagem (Eingevalue: 7.75547; Difference: 5.87457; Cumulative: 0.5198). Para as enfermeiras, essa proporção é de 13,0% (Eingevalue: 2.06570; Difference: 0.20992; Cumulative: 0.5974).

Na Tabela 1 nota-se que para técnicas e auxiliares em enfermagem as variáveis relacionadas com a execução do trabalho assistencial são as que apresentam a maior carga fatorial. Algumas variáveis apresentam carga fatorial negativa, o que indica um impacto reverso no fator, ou seja, embora presentes no cotidiano do trabalho não são consideradas relevantes para a intensidade do trabalho.

Tabela 1 Carga Fatorial, Quartis (Q1* e Q3) e medianas das variáveis da intensidade do trabalho, técnicas e auxiliares em enfermagem (n=810). Bahia, Brasil, 2016-2017 

Variáveis da intensidade do trabalho Carga fatorial Estatutária Terceirizada
Q1* Mediana Q3 Q1* Mediana Q3
Trabalho exige mais do que pode fazer 0.6696 2 3 4 2 3 4
Assume múltiplas atribuições devido à escassez de pessoal 0.6156 2 3 5 2 3 4
Assiste mais pacientes do que é capaz 0.5844 2 3 4 2 3 5
Pressão de tempo no trabalho 0.5518 3 3 4 3 3 4
Ritmo de trabalho 0.5251 3 4 5 3 4 5
Faz atividades que não são da sua atribuição 0.4804 2 3 4 2 3 4
Faz muitas coisas com as quais não concorda 0.4551 2 3 3 2 3 3
Sente-se pressionada pelo chefe no cumprimento da tarefa 0.4542 1 2 3 1 2 3
Faz atividades para as quais não foi qualificada 0.4328 1 2 3 1 2 3
Tarefas são interrompidas antes que possa concluí-las 0.4323 1 2 3 1 2 3
Pausa para descansar durante a jornada de trabalho -0.4510 2 3 4 2 3 4
Trabalho permite o desenvolvimento de atividades e o alcance de metas de modo tranquilo -0.4863 2 3 4 2 3 4
Alimenta-se com tranquilidade durante a jornada de trabalho -0.5046 2 3 4 2 3 4

*Q1 = Quartil 1;

Q3 = Quartil 3

Observa-se que os quartis para as técnicas e auxiliares em enfermagem apresentaram diferença em duas variáveis quando comparados os grupos de trabalhadoras estatutárias e terceirizadas. Na variável assume múltiplas atribuições devido à escassez de pessoal o Q3 é mais elevado entre as estatutárias (5=sempre) do que entre as terceirizadas (4=frequentemente). A variável assiste mais pacientes do que é capaz o Q3 é mais elevado (5=sempre) para o grupo das terceirizadas do que as estatutárias (4=frequentemente) (Tabela 1).

Para as enfermeiras, a maior carga fatorial está na variável que se relaciona com a pressão de tempo para a execução das tarefas, ou seja, as enfermeiras percebem que tem menos tempo para executar cada vez mais tarefas (Tabela 2).

Tabela 2 Carga Fatorial, Quartis (Q1* e Q3) e medianas das variáveis de intensidade do trabalho, enfermeiras (n=265). Bahia, Brasil, 2016-2017 

Variáveis de intensidade do trabalho Carga fatorial Estatutária Terceirizada
Q1* Mediana Q3 Q1* Mediana Q3
Pressão do tempo no trabalho 0.6779 3 3 4 3 3 4
Ritmo de trabalho 0.6651 4 5 5 4 4 5
Trabalho exige mais do que pode fazer 0.6052 2 3 4 3 3 4
Assiste mais pacientes do que é capaz 0.5700 3 4 5 3 4 5
Assume múltiplas atribuições devido à escassez de pessoal 0.5494 2 4 4 3 4 4
Supervisiona mais trabalhadoras do que é capaz 0.4307 1 3 4 2 2 4
Tarefas são interrompidas antes de concluí-las 0.4140 2 3 4 2 3 3
Gestos repetitivos 0.4039 3 4 5 3 4 5
Pausa para descansar durante a jornada de trabalho -0.4589 1 2 3 1 3 3
Trabalho permite o desenvolvimento de atividades e alcance de metas de modo tranquilo -0.4946 2 3 3 2 3 3
Alimenta-se com tranquilidade durante a jornada de trabalho -0.5517 2 3 4 2 3 4

*Q1= Quartil 1;

Q3 = Quartil 3

As diferenças de respostas entre os grupos das estatutárias e terceirizadas são expressas em seis variáveis. Quanto à variável ritmo de trabalho a mediana das respostas das trabalhadoras estatutárias foi 5 (sempre), enquanto para as terceirizadas foi 4 (frequentemente).

Na variável trabalho exige mais do que pode fazer, o Q1 para as enfermeiras estatuárias foi 2 (raramente), enquanto para as enfermeiras terceirizadas foi 3 (algumas vezes). Entre as estatutárias, a variável assumir múltiplas atribuições devido à escassez de pessoal é uma condição que ocorre raramente (2) para 25% das trabalhadoras. Entre as enfermeiras terceirizadas essa mesma condição ocorre algumas vezes (Q1=3).

A supervisão de mais trabalhadoras do que é capaz nunca ocorre para 25% das estatutárias (Q1=1), enquanto para as terceirizadas isso ocorre raramente (Q1=2). Para 75% (Q3) das estatutárias, as tarefas são frequentemente interrompidas antes que possam concluí-las; já para as terceirizas isso ocorre algumas vezes (Q3=3). Raramente (Mediana = 2) as enfermeiras estatutárias pausam para descansar durante o trabalho, enquanto entre as enfermeiras terceirizadas a mediana das respostas é de algumas vezes (3).

Quanto ao escore da variável precarização pela intensidade pela organização do processo de trabalho (Tabela 3), não se observa diferença estatisticamente significante entre as proporções dos grupos de estatutárias e terceirizadas para as técnicas e auxiliares (p=0,431). Contudo, ao se analisar proporções, nota-se que as trabalhadoras terceirizadas concentram-se mais nos estratos intermediário (62,0%) e alto (21,6%) do que as técnicas e auxiliares estatutárias (intermediário = 60,5% e alto = 19,3%).

Tabela 3 Escore da intensidade do trabalho de técnicas e auxiliares em enfermagem, segundo tipo de vínculo. Bahia, Brasil, 2016-2017 

Escore da intensidade do trabalho Estatutária Terceirizada Valor de p
N % N %
<=-1dp * baixo 121 20,3 35 16,4 0,431
>-1dp* a <=+1dp* intermediário 361 60,5 132 62,0
>+1dp* alto 115 19,3 46 21,6
Total 597 100,0 213 100,0

*dp = Desvio padrão

Também, não se observa diferença estatisticamente significante entre as proporções dos grupos de enfermeiras estatutárias e terceirizadas (p=0,449) para o escore da intensidade do trabalho (Tabela 4). No entanto, as enfermeiras estatutárias concentram-se em maior proporção no estrato alto da intensidade do trabalho (21,7%) do que as enfermeiras terceirizadas (15,4%).

Tabela 4 Escore da intensidade do trabalho de enfermeiras, segundo tipo de vínculo. Bahia, Brasil, 2016-2017 

Escore da intensidade do trabalho Estatutária Terceirizada Valor de p
N % N %
<=-1dp* baixo 28 17,4 19 18,3 0,449
>-1dp* a <=+1dp* intermediário 98 60,9 69 66,3
>+1dp* alto 35 21,7 16 15,4
Total 161 100,0 104 100,0

*dp = Desvio padrão

Discussão

Segundo o conceito de intensidade(2) assumido neste artigo, as trabalhadoras utilizam a sua força de trabalho para sanar os déficits e constrangimentos da organização de saúde, de modo a viabilizar a continuidade da assistência, evidenciando a intensidade do trabalho ao qual estão submetidas.

As matrizes sobre intensidade do trabalho revelam a posição distinta que cada trabalhadora ocupa no processo de trabalho. Para técnicas e auxiliares em enfermagem, as variáveis relacionadas com a assistência direta ao usuário foram as que obtiveram a maior carga fatorial. Com isso, essas trabalhadoras estão propensas ao adoecimento por alta carga de trabalho, bem como a cometerem erros assistências(14-15).

Para as enfermeiras as variáveis refletiram a posição gerencial-assistencial que essa ocupa no processo de trabalho em enfermagem. A intensidade do trabalho para enfermeiras causa impacto na tomada de decisão, comprometendo a parte gerencial de seu trabalho. Ademais, a execução de atividades assistenciais e gerenciais ao mesmo tempo faz com que as enfermeiras percebam, em maior proporção, a intensidade do seu trabalho(16-17).

A intensidade do trabalho é uma das nuances da sua precarização social, que tem por objetivo a dominação do trabalhador pelo medo(11), através das novas demandas do modelo de produção em voga - o toyotista- que prega a polivalência, a multifuncionalidade e a flexibilidade. No atual contexto, ser flexível e multifuncional significa aceitar mudanças em curto prazo, ser ágil para cumprir demandas do empregador, assumir riscos, não se basear em normas e regulamentos para a negociação no trabalho, estar o tempo todo disponível seja para cumprir demandas ou para se qualificar para o mercado, utilizando o seu tempo livre(1,3). Com isso, a intensidade do trabalho somada à vulnerabilidade das novas formas de contratação, condições de trabalho insalubres e perda de direitos trabalhistas amplia e reforça a precarização social do trabalho.

Estudos do campo da sociologia revelam que a precarização do trabalho não se dá, igualmente, entre os trabalhadores. Mulheres, negros e negras, jovens, bem como trabalhadores e trabalhadoras terceirizadas estão mais vulneráveis à precarização; logo são mais submetidas e submetidos à intensidade do trabalho(11,18).

As variáveis relacionadas à intensidade do trabalho identificadas neste estudo demonstram que a polivalência e a flexibilidade são características hodiernas do trabalho em enfermagem nos hospitais públicos da Bahia/Brasil. Contudo, estudos realizados em outros países(19-23) evidenciam que a intensidade do trabalho é um fenômeno global, sendo a polivalência no trabalho a sua principal característica.

Dentre os fatores que intensificam o trabalho em enfermagem, destaca-se o subdimensionamento de pessoal, que “tornou-se modus operandi ‘naturalizado’ de todas as instituições”(4).. Isso revela a adoção da flexibilidade na racionalização do trabalho em Enfermagem, ou seja, o número de pacientes, o grau de complexidade e, consequentemente, os procedimentos de cuidado requeridos são executados por uma quantidade de profissionais sempre abaixo do necessário(4).

O subdimensionamento das trabalhadoras, associado com as variáveis que revelam a polivalência, coloca em risco não só a saúde da trabalhadora, mas o próprio usuário. A análise dos processos éticos arquivados no Conselho Regional de Enfermagem da Bahia demonstrou que, todas as vezes que uma trabalhadora cometeu um erro, a intensidade do trabalho provocada pelo subdimensionamento era fator causal(22). Estudo americano sobre o impacto da intensidade e subdimensionamento na segurança do paciente revelou que a cada paciente adicional internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) investigada gerou sobrecarga de trabalho para a enfermeira, aumentando em 7% a probabilidade de um paciente morrer(23).

Nesse contexto de trabalho subdimensionado, em que a trabalhadora precisa ser polivalente, aparecem outras características da organização do trabalho no modelo toyotista. O ritmo e a pressão intensa em relação ao tempo aumentam a produtividade no trabalho, o que sempre foi o objetivo do controle de tempo no modo de produção capitalista(1-3).

Para as trabalhadoras estatutárias, cuja venda da força de trabalho não gera lucro, esse aumento de produtividade faz com que as enfermeiras, técnicas e auxiliares atendam uma demanda elevada de trabalho, ainda que nem sempre tenham as condições necessárias para isso sanando, em parte, os constrangimentos do Estado na oferta dos serviços hospitalares(11,18).

Para as trabalhadoras terceirizadas, cuja venda da força de trabalho gera mais valia às empresas que as terceirizam, o aumento da produtividade somado ao subdimensionamento de trabalhadoras permite aumentar o lucro das empresas(11,18), visto que não contratam o quantitativo necessário de enfermeiras, técnicas e auxiliares e, ainda assim, conseguem extrair mais trabalho, atingindo as metas pactuadas com o Estado - o seu contratante.

Entretanto, estudo sobre a terceirização do serviço de enfermagem em hospital público iraniano revela o não alcance da eficiência nos resultados do trabalho, sobretudo porque após a terceirização houve o aumento nos custos por leito, registrou-se queda na produtividade e variação positiva da satisfação dos usuários inferior a 1%(24).

Todas as variáveis analisadas podem determinar o desgaste físico e emocional de enfermeiras, técnicas e auxiliares, o que também pode explicar o desejo manifesto dessas trabalhadoras em abandonar a profissão(25), o adoecimento(26-27) e/ou o erro no trabalho(22,28).

A semelhança das respostas nos Quartis e mediana, assim como a não existência de diferença estatística no escore da intensidade do trabalho entre enfermeiras, técnicas e auxiliares estatutárias e terceirizadas demonstra que, independentemente do tipo de vínculo, a intensidade é um fato para todas as trabalhadoras no campo. Alguns estudos da sociologia do trabalho(29-31) revelam que trabalhadores terceirizados estão mais vulneráveis à intensidade do trabalho do que os não terceirizados; contudo, isso não foi observado nesta pesquisa.

Como limite do estudo registra-se o período de coleta extenso, devido às condições do campo de pesquisa e o fato de ter sido realizado apenas em hospitais públicos.

Destaca-se como avanço para o conhecimento científico para o campo da enfermagem a abordagem da intensidade do trabalho como elemento central da precarização do trabalho, revelando que esta é distinta para cada uma das três categorias de trabalhadoras, necessitando assim de estudos específicos sobre o trabalho e a intensidade, de acordo com a categoria profissional.

Conclusão

Para as trabalhadoras em enfermagem de hospitais públicos da Bahia a intensidade do trabalho foi revelada por meio das variáveis relacionadas ao subdimensionamento de trabalhadoras, polivalência e flexibilidade na execução de tarefas e atividades.

Os resultados das cargas fatoriais demonstram que as variáveis da intensidade do trabalho ocorrem de forma distinta entre as categorias profissionais, guardando relação com o trabalho executado. Assim, para as técnicas e auxiliares em enfermagem são as variáveis relacionadas à execução direta da assistência que mais intensificam o trabalho, enquanto para as enfermeiras são as variáveis vinculadas à gestão do processo de trabalho.

A inexistência de diferença estatística significante entre os grupos de trabalhadoras terceirizadas e estatutárias para o escore da precarização por intensidade do trabalho revela que enfermeiras, técnicas e auxiliares em enfermagem estão submetidas à essa condição nos hospitais do Sistema Único de Saúde.

Sendo a intensidade do trabalho uma das nuances da precarização, esta será mais evidente à medida que o trabalho seja mais precarizado. Para o exercício em enfermagem significa jornada elevada, baixos salários mas, também, subdimensionamento, polivalência e flexibilização do trabalho.

*Artigo extraído da tese de doutorado “Precarização do trabalho em enfermagem em hospitais públicos da Bahia: 2015-2017”, apresentada à Universidade Federal da Bahia, Escola de Enfermagem, Salvador, BA, Brasil. Apoio Financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia, Edital PPSUS 020/2013, Brasil.

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Recebido: 28 de Novembro de 2018; Aceito: 07 de Fevereiro de 2020

Autor correspondente: Tatiane Araújo dos Santos E-mail: tatianearaujosantos@yahoo.com.br https://orcid.org/0000-0003-0747-0649

Editora Associada: Maria Lúcia do Carmo Cruz Robazzi

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