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Saúde e Sociedade

Print version ISSN 0104-1290

Saude soc. vol.22 no.3 São Paulo July/Sept. 2013

https://doi.org/10.1590/S0104-12902013000300010 

PARTE I - DOSSIÊ

 

Inatividade nos deslocamentos para o trabalho e fatores associados em industriários1

 

Inactive commuting to work and associated factors in industrial workers

 

 

Carla Menêses HardmanI; Simone Storino Honda BarrosII; Elusa Santina Antunes de OliveiraIII; Markus Vinicius NahasIV; Mauro Virgilio Gomes de BarrosV

IDoutoranda em Educação Física. Endereço: Rua do Futuro, 595, ap. 105, Graças, CEP 52050-010, Recife, PE, Brasil. E-mail: carlinhams@gmail.com
IIDoutoranda em Educação Física. Professora assistente da Escola Superior de Educação Física da Universidade de Pernambuco. Endereço: Rua Neto de Mendonça, 165, ap. 902, Tamarineira, CEP 52050-100, Recife, PE, Brasil. E-mail: sihonda@hotmail.com
IIIDoutora em Educação Física. Endereço: Centro de Desportos da Universidade Federal de Santa Catarina, Campus Universitário, Trindade, CEP 88040-900, Florianópolis, SC, Brasil. E-mail: elusaoliver@gmail.com
IVDoutor em Educação Física. Endereço: Centro de Desportos da Universidade Federal de Santa Catarina, Campus Universitário, Trindade, CEP 88040-900, Florianópolis, SC, Brasil. E-mail: markus@cds.ufsc.br
VDoutor em Ciências do Movimento Humano. Professor Associado da Universidade de Pernambuco. Endereço: Rua Neto de Mendonça, 165, ap. 902, Tamarineira, CEP 52050-100, Recife, PE, Brasil. E-mail: maurovgb@gmail.com

 

 


RESUMO

O objetivo deste estudo foi analisar a prevalência e identificar fatores associados à inatividade física nos deslocamentos para o trabalho em trabalhadores da indústria do Estado de Pernambuco, Brasil. Dados para realização desse estudo transversal foram coletados numa amostra com 1.910 trabalhadores mediante utilização de questionário previamente validado. Informações sobre a prática de atividades físicas nos deslocamentos foram obtidas pelo tempo despendido e pelo modo como os sujeitos relataram que se deslocavam para ir ao trabalho, na maioria dos dias da semana. Análise dos dados foi realizada por regressão logística binária com modelagem hierárquica. Verificou-se que 84,2% dos trabalhadores são fisicamente inativos nos deslocamentos para o trabalho. Após ajustamento para fatores demográficos, socioeconômicos e outros fatores relacionados à saúde, observou-se tanto em homens quanto em mulheres que a renda familiar e o porte da empresa estavam diretamente associados à inatividade nos deslocamentos para o trabalho. Nos homens, a inatividade nos deslocamentos estava também diretamente associada à escolaridade e à diabetes autorreferida. Concluiu-se que a prevalência de deslocamento inativo é alta e está associada a fatores individuais, sociais e organizacionais.

Palavras-chave: Atividade motora; Deslocamento residência-trabalho; Caminhada; Ciclismo; Trabalhadores; Brasil.


ABSTRACT

This study analyzed the prevalence of and identified the factors associated with inactive commuting to work among industrial workers from Pernambuco, Brazil. Data for this cross-sectional study were gathered from a sample of 1,910 industrial employees by using a previously validated questionnaire. The measure of inactive commuting to work was based on self-reported time and mode of transportation to work on most days of a typical week. Data analysis was carried out through binary logistic regression using a hierarchical approach to include variables in the model. It was observed that 84.2% of workers were inactive commuters. After adjustment for demographic, socio-economic, and other health-related factors in both men and women, it was found that family income and company size were directly associated with inactive commuting to work. Moreover, among men, inactive commuting was directly associated with schooling level and was associated with a diagnosis of diabetes. It was concluded that the prevalence of inactive commuting to work was high and directly associated with individual, social, and organizational factors.

Keywords: Motor Activity; Commuting; Walking; Cycling; Workers; Brazil.


 

 

Introdução

Os deslocamentos na forma de caminhada ou ciclismo podem constituir uma importante oportunidade para a prática diária de atividades físicas (Tudor-Locke e col., 2001) e contribuir para redução da prevalência de inatividade física observada na população brasileira (Brasil, 2010). A atividade física nos deslocamentos (caminhar e pedalar) é importante também porque estudos internacionais evidenciaram que indivíduos fisicamente ativos no deslocamento para o trabalho têm menor risco de morbimortalidade por doenças crônicas não transmissíveis (Gordon-Larsen e col., 2009; Hamer e Chida, 2008; Andersen e col., 2000).

Há evidências de que o deslocamento ativo é uma conduta de saúde que está diretamente associada a melhores indicadores de aptidão física tanto em homens quanto em mulheres, além de estar inversamente associada ao índice de massa corporal, obesidade, triglicérides séricos e pressão arterial em homens (Gordon-Larsen e col., 2009). Um estudo de metanálise conduzido por Hamer e Chida (2008) evidenciou que o deslocamento ativo está associado à redução total de 11% no risco cardiovascular, observando-se que o transporte ativo confere forte efeito protetor nas mulheres. Além disso, estudo realizado por Andersen e colaboradores (2000) demonstrou que a prática de ciclismo no trajeto de casa para o trabalho reduz o risco de mortalidade por todas as causas.

Embora as evidências demonstrem que a prática de atividade física nos deslocamentos está associada a diversos benefícios à saúde, a prevalência de jovens e adultos que caminham ou andam de bicicleta para ir ao trabalho é baixa. Estudos disponíveis revelam que aproximadamente 72% dos americanos não realizam caminhadas como forma de deslocamento (Kruger e col., 2008) e 37,4% dos europeus realizam pouco ou nenhum tipo de deslocamento ativo (Abu-Omar e Rütten, 2008).

No Brasil, poucos inquéritos epidemiológicos foram realizados para identificar a proporção de indivíduos fisicamente inativos no domínio do deslocamento, mas as evidências disponíveis sugerem que, na população adulta em geral, a prevalência de inatividade física nos deslocamentos é alta (Santos e col., 2009; Peixoto e col., 2008). Resultado semelhante ao observado na população de trabalhadores residentes na zona urbana do município de Pelotas, onde somente 17,2% dos indivíduos utilizavam a bicicleta como meio de deslocamento para o trabalho (Bacchieri e col., 2005).

As evidências disponíveis e as consideráveis lacunas de conhecimento a este respeito sugerem que a prática de atividade física no contexto do deslocamento tem sido ignorada, apesar de representar uma alternativa importante para as ações visando à promoção da atividade física em nível populacional (Mutrie e col., 2002; Tudor-Locke e col., 2001). Diante do exposto, o objetivo deste estudo foi analisar a prevalência e identificar os fatores associados à inatividade física nos deslocamentos para o trabalho em uma amostra representativa dos trabalhadores da indústria do Estado de Pernambuco, Brasil.

 

Métodos

Para desenvolvimento do presente estudo foi utilizado um delineamento transversal baseado na análise secundária de dados de um levantamento epidemiológico, intitulado "Estilo de vida e hábitos de lazer de trabalhadores das indústrias brasileiras". O protocolo do estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal de Santa Catarina (Parecer nº 009/2007). Todas as diretrizes estabelecidas nas resoluções 196 e 251, do Conselho Nacional de Saúde, foram observadas no desenvolvimento deste estudo.

A população-alvo foi de aproximadamente 132 mil trabalhadores da indústria, conforme dados fornecidos pela Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) do Departamento Regional em Pernambuco do Serviço Social da Indústria. Foram excluídas as empresas com menos de 20 trabalhadores, consideradas como microempresas, devido à volatilidade da força de trabalho e informalidade das relações de trabalho com os seus colaboradores.

Para seleção da amostra, recorreu-se a amostragem por conglomerados em dois estágios, no qual a indústria e o trabalhador representaram, respectivamente, a unidade amostral no primeiro e no segundo estágio. A seleção amostral permitiu incluir indústrias e trabalhadores na área de atuação de todas as unidades de atendimento do departamento regional do Serviço Social da Indústria em Pernambuco, abrangendo assim os principais polos industriais do Estado.

No primeiro estágio, recorreu-se à seleção aleatória de empresas, considerando-se a sua distribuição em relação ao tamanho (porte): empresas de grande (500 ou mais trabalhadores), médio (100 a 499) e pequeno porte (20 a 99). Foram selecionadas, aleatoriamente, aproximadamente 10% do total de empresas proporcionalmente ao tamanho das empresas instaladas em cada região do Estado, fixando-se, ao final, em 101 o número de empresas a serem visitadas (11 empresas de grande porte, 22 de médio porte e 68 de pequeno porte). Em seguida, mediante cálculo do quociente entre o quantitativo de trabalhadores a serem selecionados e de empresas já sorteadas em cada unidade de atendimento, determinou-se o número de participantes por empresa.

No segundo estágio, conhecendo as empresas sorteadas e o número de trabalhadores a serem sorteados, os pesquisadores recorreram a listas alfabeticamente ordenadas com os nomes dos trabalhadores de cada empresa para procederem à seleção sistemática dos participantes. Em seguida, foi efetuado um contato formal com a administração das empresas a fim de obter o consentimento para aplicação dos questionários e definição das datas, locais e horários disponíveis para realização da coleta. As empresas que se recusaram a participar do estudo foram substituídas mediante sorteio de outra empresa do mesmo porte e preferencialmente do mesmo ramo. O mesmo procedimento foi adotado em relação aos trabalhadores sorteados que se recusaram ou estavam ausentes no dia de realização da coleta de dados na empresa.

No cálculo do tamanho amostral foram adotados os seguintes critérios: população estimada em 132.647 mil sujeitos; intervalo de confiança de 95%; poder estatístico de 80%; erro amostral de três pontos percentuais; prevalência estimada em 50%; e efeito do delineamento amostral fixado em 1,5. A estimativa inicial de tamanho amostral foi aumentada em 20% a fim de compensar a necessidade de realizar ajustamento das análises para possíveis fatores de confusão. O tamanho requerido da amostra foi fixado em 1.910 sujeitos, representando cerca de 1,4% do total de industriários pernambucanos.

Recorrendo-se a cálculos de poder estatístico a posteriori, verificou-se que este dimensionamento amostral permitiria efetuar análise de associação entre as variáveis com possibilidade de detectar como estatisticamente significativas razões de odds (OR) de 1,4 ou superiores, considerando-se: prevalência do desfecho entre 20% a 81% nos expostos e entre 25% a 75% nos não expostos; prevalência do desfecho no grupo de não expostos do sexo masculino de 57,4%; prevalência do desfecho no grupo de não expostos do sexo feminino de 33,8%; poder estatístico de 80%; e nível de confiança de 95%.

A coleta dos dados foi realizada durante o primeiro semestre de 2006. As informações foram autorreferidas e obtidas mediante aplicação de um questionário previamente testado (Barros, 1999; Fonseca, 2005) e que vem sendo utilizado em diversos estudos com trabalhadores do setor industrial (Del Duca e col., 2012; Silva e col., 2012; Del Duca e col., 2011; Silva e col., 2011; Fonseca e col., 2008). A validade de face e de conteúdo foi verificada pela consulta a especialistas (pesquisadores com experiência na realização de pesquisas epidemiológicas com foco na saúde do trabalhador). A consistência de medidas (reprodutibilidade teste-reteste) foi testada em um grupo de servidores da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina/Serviço Social da Indústria (FIESC/SESI), adotando-se um intervalo de uma semana entre as aplicações. A consistência de medidas teste-reteste foi de moderado a forte na maioria das questões que integram o questionário. Os coeficientes de concordância (índices Kappa, k) indicaram indicadores de reprodutibilidade aceitáveis para medidas de características demográficas e socioeconômicas (k=0,90), assim como para os fatores relacionados ao estilo de vida (k=0,40). O coeficiente kappa para a medida da variável desfecho neste estudo foi de 0,55. Não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre as medidas aferidas e autorrelatadas de massa corporal e estatura (Barros, 1999).

A aplicação do instrumento foi efetuada por aplicadores previamente treinados, sendo que os respondentes podiam no momento da aplicação solicitar esclarecimentos e a ajuda dos aplicadores. Na eventualidade de que um trabalhador não pudesse preencher sozinho o seu questionário este era auxiliado pelo aplicador que conduzia uma entrevista individual. A aplicação do questionário em um pequeno grupo de trabalhadores (8 a 15 sujeitos por aplicação) durava aproximadamente 30 minutos.

Informações relativas à prática de atividades físicas nos deslocamentos para o trabalho foram obtidas através de duas questões: "na maioria dos dias da semana, como você se desloca para ir ao trabalho?" e "considerando os trajetos de ida e volta ao trabalho, na maioria dos dias da semana, quanto tempo do percurso você gasta caminhando ou pedalando?". Foram classificados como "fisicamente inativos" aqueles trabalhadores que relataram que não caminhavam ou pedalavam para ir para o trabalho e aqueles que, independentemente do modo de deslocamento, referiram que no trajeto despendiam tempo inferior a 10 minutos por dia.

As variáveis demográficas e socioeconômicas incluídas no estudo foram: sexo (masculino, feminino); faixa etária (<39 anos, ≥ 40 anos); estado civil (casado, não casado); renda familiar bruta (até 1.500 reais, acima de 1.500 reais); escolaridade (ensino médio incompleto, ensino médio completo ou superior); porte da empresa (pequena, média, grande). A percepção de saúde foi determinada por uma única pergunta ("Como você classifica seu estado de saúde atual?"), sendo que os sujeitos que referiram a saúde como sendo "excelente" ou "boa" foram classificados numa categoria positiva e aqueles que referiram a saúde como sendo "regular" ou "ruim" foram classificados numa categoria negativa. Similarmente, a medida da percepção de estresse foi obtida por uma única pergunta ("Como você classifica o nível de estresse em sua vida?") e dicotomizada em dois grupos (positiva, negativa), sendo que aqueles que referiram que se sentem "quase sempre estressados" ou "sempre estressados, com dificuldade para enfrentar a vida diária" foram classificados com uma percepção negativa.

Determinou-se também a presença de excesso de peso, mediante classificação do índice de massa corporal que foi calculado a partir de medidas autorreferidas de massa e estatura corporal. A prática de atividade física no lazer (ativo, inativo) foi determinada pelas respostas dos sujeitos a uma única pergunta ("você realiza, regularmente, algum tipo de atividade física no seu lazer, como exercícios físicos, esportes, danças ou artes marciais?"), considerando-se ativo aquele que referiu participação nessas atividades em cinco ou mais dias de uma semana típica (normal). Foram consideradas ainda medidas autorreferidas da presença das seguintes condições: pressão arterial elevada, colesterol elevado e diabetes.

A construção do banco de dados dos trabalhadores da indústria foi realizada através da leitura ótica dos questionários por meio do software SPHYNX (Sphynx Software Solutions Incorporation, Washington, Estados Unidos). Para detectar possíveis erros e outliers, os dados de cada variável foram revisados e corrigidos eletrônica e manualmente.

Para realização das análises, utilizou-se o pacote estatístico STATA (versão 10), empregando-se procedimentos de estatística descritiva (distribuição de frequência) e inferencial. Na análise bivariada, recorreu-se à aplicação dos testes de Qui-quadrado e Qui-quadrado para tendência. Este procedimento foi empregado para apresentar ao leitor uma comparação das prevalências de inatividade física no deslocamento entre as categorias das variáveis independentes.

Na análise multivariável, utilizou-se a regressão logística binária, adotando a inatividade física no deslocamento para o trabalho como desfecho. Um modelo hierárquico foi empregado para estabelecer a ordem de entrada das variáveis independentes, conforme sugerido na literatura (Dumith, 2008). O modelo conceitual de análise adotado considerou três níveis de determinação causal (proximal, intermediário, distal). No primeiro nível, foram incluídos os fatores demográficos (faixa etária, estado civil); no segundo nível, foram adicionados os fatores socioeconômicos (renda familiar bruta, escolaridade, porte da empresa); e, no último nível, foram inseridos fatores relacionados à saúde: percepção de saúde, percepção de estresse, excesso de peso, prática de atividade física no lazer e dados autorreferidos de pressão arterial elevada, colesterol elevado e diabetes (figura 1).

 

 

Nas análises de regressão, foram analisadas as variáveis de cada bloco, hierarquicamente, ajustadas para aquelas que se encontravam no nível imediatamente superior, sendo mantidas no modelo apenas as variáveis que tiveram valor p inferior a 0,2 pelo teste de verossimilhança. No modelo final de regressão foram considerados fatores significativamente associados à inatividade física nos deslocamentos somente aqueles para os quais o valor p foi inferior a 0,05.

 

Resultados

Foram visitadas 101 empresas (~10% do total de indústrias do Estado) alocadas nas 12 unidades regionais de atendimento do Serviço Social da Indústria em Pernambuco, como previamente estabelecido no planejamento amostral. Não houve recusa de empresas e, no segundo estágio do procedimento amostral, não houve perdas porque o procedimento foi conduzido com reposição das recusas e faltas, conforme descrito na seção "métodos". O quantitativo de recusas e faltas ao trabalho no dia da coleta de dados não foi registrado pelos pesquisadores.

A amostra foi composta por 1.910 trabalhadores do setor industrial, com maior proporção de homens (78,5%). Cerca de 70% dos industriários tinha menos de 39 anos de idade e 64,2% viviam em comunhão estável com um(a) parceiro(a). A tabela 1 apresenta as características da amostra quanto aos fatores demográficos, socioeconômicos e relacionados à saúde, com estratificação por sexo.

A prevalência de inatividade física nos deslocamentos para o trabalho foi de 84,2% (IC95%: 82,0-85,4). Não foi observada diferença estatisticamente significativa (p=0,55) entre a proporção de mulheres (85,2%) e homens (83,9%) fisicamente inativos no domínio dos deslocamentos.

Na análise bivariada, as variáveis associadas à prevalência de inatividade física nos deslocamentos para o trabalho foram: renda familiar, escolaridade, porte da empresa e nível de colesterol elevado. Verificou-se uma maior proporção de indivíduos fisicamente inativos nos deslocamentos entre os trabalhadores que relataram ter uma renda familiar acima de 1.500 reais e com maior nível de escolaridade, em comparação, respectivamente, com aqueles que referiram ter uma renda inferior ou igual a 1.500 reais e com menor nível de escolaridade. Adicionalmente, verificou-se tendência de elevação na prevalência de inatividade física nos deslocamentos com aumento do tamanho da empresa. A inatividade física neste domínio foi estatisticamente maior (p<0,01) entre os industriários que relataram trabalhar em empresas de grande porte (87,2%) quando comparados àqueles que referiram trabalhar em empresas de médio (83,9%) e pequeno porte (76,6%). Além disso, a prevalência de inatividade física nos deslocamentos foi maior (p=0,03) entre os trabalhadores que referiram serem portadores de colesterol elevado (92,6%) quando comparado àqueles que relataram não serem portadores desta condição (86,1%).

A prevalência de inatividade física nos deslocamentos para o trabalho segundo fatores demográficos, socioeconômicos e relacionados à saúde está apresentada na tabela 2. Recorreu-se à estratificação das análises por sexo, buscando caracterizar subgrupos populacionais de maior risco e verificar diferenças entre homens e mulheres quanto aos fatores associados ao desfecho sob análise.

Análises de regressão multivariáveis evidenciaram que, tanto entre os homens quanto entre as mulheres, a inatividade física nos deslocamentos para o trabalho estava diretamente associada à renda familiar e ao porte da empresa (tabelas 3 e 4). Além disso, entre os trabalhadores do sexo masculino, identificou-se que a inatividade física nos deslocamentos para o trabalho estava diretamente associada à escolaridade e à presença de diabetes autorreferido. Os industriários que relataram ter diabetes têm menor chance de inatividade física nos deslocamentos em comparação àqueles que referiram não ter diabetes (tabela 3).

 

Discussão

O presente estudo evidenciou que a prevalência de inatividade física nos deslocamentos para o trabalho entre os industriários pernambucanos foi alta em comparação ao relatado em estudos internacionais e nacionais. Em ambos os sexos, identificou-se que a renda familiar e o porte da empresa são fatores diretamente associados a este desfecho. Além disso, entre os trabalhadores do sexo masculino, a prevalência de inatividade física nos deslocamentos foi maior entre os sujeitos com maior renda e, curiosamente, menor entre os trabalhadores que referiram ser diabéticos.

Além das limitações intrínsecas aos estudos transversais, este levantamento pode apresentar viés de aferição. Informações relativas a algumas variáveis foram baseadas em autorrelato, o que pode conduzir à superestimativa ou subestimativa das medidas realizadas. A baixa prevalência de hipertensão arterial, colesterol elevado e diabetes que foi observada no presente estudo podem ser decorrentes do chamado "viés do trabalhador saudável", gerado pela reposição de empresas e trabalhadores durante o processo amostral. Como todas as informações foram coletadas num mesmo momento, as associações observadas estão sujeitas também à possibilidade de viés de causalidade reversa.

Deve-se considerar ainda que algumas variáveis relativas às condições pessoais (habilitação para guiar e posse de veículo motorizado) e ambientais (segurança das vias públicas, disponibilidade de ciclovias ou ciclofaixas, segurança no trânsito, existência de calçadas e trilhas para caminhadas) não foram investigadas. A distância da residência para o trabalho é um fator que pode interferir nas opções de prática de atividade física no domínio dos deslocamentos, mas infelizmente não foi possível efetuar ajustamento para este potencial viés de confusão porque não foram coletados dados sobre esta variável. Estudos prévios indicaram que maiores distâncias entre as residências e o local de trabalho podem diminuir as oportunidades para que os trabalhadores se desloquem a pé ou de bicicleta na realização desse trajeto (Badland e col., 2008; Badland e col., 2007). Esta limitação tem sido relatada em estudos congêneres devido à dificuldade de obter dados razoavelmente precisos, tendo em vista a discrepância entre as distâncias percebidas pelos trabalhadores e as distâncias que foram efetivamente percorridas (Yang e Diez-Roux, 2012; Badland e col., 2007).

Para avaliar as recomendações de saúde pública referentes à prática de atividade física, é importante determinar frequência, intensidade e duração da atividade, entretanto, a intensidade e o tipo de deslocamento ativo (caminhada ou deslocamento de bicicleta) não foram coletados, aspecto que impediu a realização de análises importantes como a estratificação por tipo de deslocamento. Essas limitações necessitarão ser superadas em futuras investigações porque estudos internacionais (Yang e col., 2010; Wen e Rissel, 2008) têm evidenciado que o deslocamento de bicicleta é mais benéfico à saúde do que aqueles realizados a pé, possivelmente devido a um efeito de dose já que o custo energético e a intensidade desses dois modos de deslocamentos são bastante distintos.

Por outro lado, os cuidados adotados para padronização quanto à aplicação do questionário e quanto aos procedimentos de entrada dos dados são pontos positivos que merecem ser destacados. O tamanho da amostra permitiu também razoável poder estatístico para as análises efetuadas, aspecto que aliado ao modo de seleção dos sujeitos garantem precisão e representatividade ao estudo.

Os resultados deste levantamento indicam que a prevalência de inatividade física nos deslocamentos para trabalho foi alta em relação ao observado em estudos realizados com adultos chineses (Hu e col., 2002) e dinamarqueses (Andersen e Haraldsdóttir, 1994), mas foi baixa ao verificado em americanos (Gordon-Larsen e col., 2009; Kruger e col., 2008) e australianos (Wen e Rissel, 2008). Em relação aos estudos nacionais, verificou-se que a prevalência de inatividade física nos deslocamentos para o trabalho foi inferior à constatada em indivíduos do Rio de Janeiro (Gomes e col., 2001) e de Goiânia (Cunha e col., 2008; Peixoto e col., 2008), mas foi similar ao observado entre os trabalhadores de Pelotas (Bacchieri e col., 2005).

No presente estudo, o sexo não discriminou a proporção de trabalhadores fisicamente inativos nos deslocamentos. Achados divergentes foram observados em estudos conduzidos por Bacchieri e colaboradores (2005), Kruger e colaboradores (2008) e Wen e Rissel (2008). Porém, estes resultados divergem daqueles que foram relatados em estudo realizado no Rio de Janeiro, no qual se verificou que 7% das mulheres e 9,6% dos homens relataram caminhar ou andar de bicicleta para ir à escola ou ao trabalho (Gomes e col., 2001).

Em certa medida, os resultados apresentados neste estudo quanto aos fatores socioeconômicos associados à inatividade física no domínio dos deslocamentos convergem para as evidências apresentadas na literatura de que, independentemente do sexo, quanto maior a renda familiar e o nível de escolaridade menor a frequência da prática de atividade física no domínio dos deslocamentos. Hu e colaboradores (2002) verificaram que a prática de atividade física no domínio dos deslocamentos foi significativamente maior entre os indivíduos de baixa renda quando comparado àqueles de alta renda. Kruger e colaboradores (2008) identificaram que a prevalência de caminhada no domínio dos deslocamentos foi maior nos grupos de menor renda. Bacchieri e colaboradores (2005) sugeriram que os trabalhadores de níveis socioeconômicos mais baixos veem na bicicleta uma forma de economia diante dos custos de aquisição e manutenção de um automóvel ou mesmo em relação ao transporte coletivo.

Do mesmo modo, verificou-se que a inatividade física nos deslocamentos para o trabalho estava diretamente associada ao aumento da escolaridade. No estudo realizado por Mantilla-Toloza (2006), verificou-se que a proporção de indivíduos classificados como insuficientemente ativos foi significativamente maior entre os sujeitos com ensino superior quando comparados àqueles com escolaridade equivalente ao ensino básico.

Dentre os resultados obtidos neste estudo, evidenciou-se que a inatividade física nos deslocamentos estava diretamente associada ao aumento do porte da empresa. Observou-se que a frequência de inatividade nos deslocamentos para o trabalho foi maior entre os funcionários que trabalhavam em indústrias de grande porte quando comparados aos trabalhadores de empresas de médio e pequeno porte. Há duas possíveis explicações para esse resultado: primeiro, as empresas de grande porte estão, usualmente, situadas em áreas afastadas dos centros urbanos e, portanto, a sua distância em relação às áreas residenciais pode ser grande para ser realizada em deslocamentos fisicamente ativos; e segundo, porque empresas com maior número de trabalhadores podem oferecer transporte coletivo para o local de trabalho, tornando menos provável a opção por modos de deslocamento fisicamente ativos.

No presente estudo, a inatividade física nos deslocamentos para o trabalho não estava associada ao excesso de peso. Estudos de base populacional realizados em diversos países sugerem que a prática de atividade física nos deslocamentos está inversamente associada ao excesso de peso, particularmente em indivíduos do sexo masculino (Gordon-Larsen e col., 2009; Kruger e col., 2008; Peixoto e col., 2008; Wen e Rissel, 2008). No entanto, esta associação não está suficientemente esclarecida. A análise dos diferentes modos de deslocamentos para o trabalho com a ocorrência de sobrepeso e obesidade entre homens e mulheres é interessante e merece uma investigação mais aprofundada.

Verificou-se também que a prática de atividade física nos deslocamentos para o trabalho não estava associada ao nível de atividade física no lazer. Gordon-Larsen e colaboradores (2009) verificaram que a caminhada no tempo de lazer foi positivamente associada ao deslocamento ativo, sendo que a associação mais forte foi observada entre os que caminhavam regularmente em comparação aos que não caminhavam.

Poucos estudos nacionais avaliaram as relações do deslocamento ativo com fatores de risco à saúde (Santos e col., 2009). Neste estudo, a pressão arterial elevada e o colesterol elevado autorreferidos não foram identificados como fatores associados à prática de atividade física nos deslocamentos para o trabalho. Entretanto, verificou-se em trabalhadores do sexo masculino que aqueles que referiram ter diabetes apresentaram menor chance de inatividade física nos deslocamentos quando comparados àqueles que referiram não ter diabetes. Não se trata de estabelecer relação causal entre estes dois fatores, mas estudos internacionais demonstraram que o deslocamento ativo está relacionado tanto à redução do risco de diabetes para a população em geral (Hu e col., 2003) quanto ao controle da diabetes tipo 2 (Mantilla-Toloza, 2006). Franchi e colaboradores (2008) verificaram que 52,3% dos diabéticos se exercitavam regularmente quando comparado aos não diabéticos (27,8%). Estes resultados parecem demonstrar que indivíduos que reconhecem a importância da prática de atividade física, principalmente quando estão doentes, tendem a ser mais propensos a adotarem um estilo de vida fisicamente mais ativo.

Portanto, recomenda-se a implantação de intervenções no ambiente ocupacional e de políticas públicas intersetoriais que auxiliem esses trabalhadores a adotarem um estilo de vida ativo. Diante da larga proporção de trabalhadores fisicamente inativos nos deslocamentos, acredita-se que o incentivo ao uso da bicicleta como meio de transporte pode constituir uma importante estratégia de promoção da atividade física. Por fim, recomenda-se que, em futuras investigações, a análise da associação entre a prática de atividades físicas nos deslocamentos com fatores pessoais, ambientais e relacionados à saúde possa ser estratificada por tipo de deslocamento a fim de elucidar se os fatores associados são distintos.

 

Referências

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Recebido em: 09/01/2012
Reapresentado em: 24/03/2013
Aprovado em: 04/06/2013

 

 

1  Este trabalho foi realizado com o apoio logístico do Serviço Social da Indústria de Pernambuco (SESI/PE).

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