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História, Ciências, Saúde-Manguinhos

versão impressa ISSN 0104-5970versão On-line ISSN 1678-4758

Hist. cienc. saude-Manguinhos v.6 n.2 Rio de Janeiro jul./out. 1999

https://doi.org/10.1590/S0104-59701999000300005 

 

 

História da descoberta da Biomphalaria occidentalis Paraense, 1981

History of the discovery of Biomphalaria occidentalis Paraense, 1981

 

 

 

 

Este artigo faz parte da tese de doutoramento em saúde pública Biologia básica e saúde pública: evolução do conhecimento dos planorbídeos neotropicais, parcialmente financiada pelo CNPq.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Laïs Clark Lima

Pesquisadora associada do Centro de
Pesquisas René Rachou/Fiocruz
Av. Augusto de Lima, 1715
30190-002 Belo Horizonte — MG Brasil
Caixa Postal 1743
e-mail: lclark@netra.cpqrr.fiocruz.br

 

 

LIMA, L. C.: ‘História da descoberta da Biomphalaria occidentalis Paraense, 1981’.História, Ciências, Saúde — Manguinhos, VI(2): 315-29, jul.-out. 1999.

O artigo trata da descoberta da Biomphalaria occidentalis, molusco de concha idêntica à da B. tenagophila, vetora natural do Schistosoma mansoni. A reconstrução dessa descoberta, ao mesmo tempo em que chama atenção para o próprio processo da descoberta e para as interveniências de fatores sócio-econômicos, envolve o percurso profissional do malacologista Wladimir Lobato Paraense e demonstra a importância da biologia básica e da sistemática na epidemiologia da esquistossomose mansoni.

PALAVRAS-CHAVE: Biomphalaria occidentalis, história, descoberta científica.

 

LIMA, L. C.: ‘History of the discovery of Biomphalaria occidentalis Paraense, 1981’. História, Ciências, Saúde — Manguinhos, VI(2): 315-29 July.-Out. 1999.

The article addresses the discovery of Biomphalaria occidentalis, a mollusk whose shell is indistinguishable from that of B. tenagophila, natural vector of Schistosoma mansoni. This reconstruction of the history of its discovery necessarily entails reference to the professional life of malacologist Wladimir Lobato Paraense. In addition to demonstrating how essential basic biology and taxonomy are in the epidemiology of schistosomiasis mansoni, the study also focuses on the discovery process itself and the socioeconomic factors which influenced it.

KEYWORDS: Biomphalaria occidentalis, history, scientific discovery.

 

     Este artigo tem como objetivo reconstruir o processo de descoberta da Biomphalaria occidentalis Paraense, 1981 — molusco de água doce pertencente à família Planorbidae. Pretende-se seguir o percurso de produção de conhecimento desenvolvido pelo dr. Wladimir Lobato Paraense1 — pesquisador em malacologia e responsável por essa descoberta —, demonstrando como a interveniência tanto de fatores sociais, políticos e biológicos, como de decisões circunstanciais referidas à história de vida e a um percurso individual de pesquisa, se concatenaram.
     A descoberta da Biomphalaria occidentalis reveste-se de importância fundamental, uma vez que entre as bionfalárias são encontrados os transmissores ou hospedeiros intermediários do trematódeo Schistosoma mansoni Sambon, 1907, parasita do sistema sangüíneo e causador da helmintose ou verminose denominada esquistossomose mansoni. Essa verminose, segundo cálculos conservadores, atinge oito milhões de pessoas no Brasil, onde podem ser encontradas as seguintes espécies vetoras do S. mansoni: Biomphalaria glabrata (Say, 1818); B. tenagophila (Orbigny, 1835) — de concha idêntica à da B. occidentalis —; e B. straminea (Dunker, 1848); sem considerarmos a B. peregrina (Orbigny, 1835) e a B. amazonica Paraense, 1966, que, por serem suscetíveis ao referido trematódeo em infecções experimentais, podem ser consideradas hospedeiras em potencial do verme (Souza e Lima, 1997).
     A reconstrução da história dessa descoberta tenta superar a tradicional dicotomia entre externalismo e internalismo, ou seja, o "contexto de descoberta" e o de "justificação" (Reichenbach apud Gadelha, 1995, p. 3) ou, ainda, o processo pelo qual se chega à descoberta versus o processo de validação da mesma, face às teorias que lhe dão suporte e ao conhecimento científico da época.

O conceito de espécie

     A definição de espécie é de fundamental importância quando se trata da sistemática dos seres vivos, uma vez que, por se basear em diferentes aspectos, é um conceito multidisciplinar, concernente a várias disciplinas, tais como: genética, ecologia, etologia, fisiologia, paleontologia, biogeografia, bioquímica, morfologia e outras. A opção teórico-metodológica multidisciplinar justifica-se, por um lado, pelo consenso já desenvolvido no meio científico de que os tão usados critérios morfológicos, quando isolados, não são uma prova, mas sinal do processo evolucionário de especiação (Descimon, 1977), ou, conforme Baker e Allen (1975, p. 506): "Nenhum critério único é suficiente para definir uma espécie." Por outro lado, justifica-se também pelo entendimento que alguns cientistas têm, de acordo com Wiley (1978), de que o conceito adotado pelo investigador influenciará sua percepção do processo de origem da espécie.
     Não obstante os diferentes pontos de vista teóricos e metodológicos, a definição sempre válida é a enunciada por Mayr (Descimon, op. cit.): "uma espécie é um grupo de populações naturais no seio das quais os indivíduos podem, realmente ou potencialmente, trocar material genético; toda espécie é separada das outras por mecanismos de isolamento reprodutivo".
     Na natureza, esses mecanismos podem ser decorrentes de diferentes situações, tais como: geográfica, quando, por exemplo, o alargamento de um rio constitui-se em um impedimento para o encontro entre as populações; estacional, quando duas populações habitam uma mesma área, mas se reproduzem em diferentes estações do ano; ecológica, quando as populações, que se encontram numa mesma região, são capazes de se intercruzar, mas não o fazem por viverem em nichos ecológicos diferentes, como, por exemplo, um campo e a mata próxima a este; fisiológica, quando as primeiras alterações entre as populações não impediriam o intercruzamento, mas diferenças ligadas à bioquímica dos gametas dificultariam a fertilização; e de comportamento, relacionada a rituais de cortejamento, como, por exemplo, a exibição da plumagem por pássaros machos ao atrair a fêmea para a cópula (Baker e Allen, 1975, p. 559).
     Paraense (1957), fundamentando-se nessas mesmas idéias, escreveu o artigo sobre especiação, com particular atenção aos moluscos planorbídeos. Para ele, na evolução de uma população, dois componentes são essenciais: o genótipo, que exerce a pressão de mutação, e as condições ambientais, que exercem a pressão de seleção.
     Entre os planorbídeos, foi verificada a autofecundação em indivíduos isolados precocemente (Colton, 1918; Brumpt, 1941, 1936, 1928; Allen, 1935; Larambergue, 1939; Paraense, 1955), o que pode levar à especiação simpátrica (Paraense, 1957). Entretanto, eles têm absoluta preferência pela reprodução por cruzamento (Paraense, 1955), constituindo populações mendelianas como comunidades reprodutivas que participam de um pool genético comum (Dobzhansky, apud Paraense, op. cit.). Vários graus de isolamento reprodutivo ocorrem entre populações alopátricas co-específicas (Paraense e Deslandes, 1955; Paraense, 1959), o que salienta o papel do mecanismo de especiação geográfica, que é necessariamente ecológico e genético.

Para que as modificações surgidas no seio de uma subpopulação possam ficar retidas como parte integrante do seu patrimônio genético particular, é preciso que a sua absorção por outras populações seja impedida pelo isolamento geográfico. Eis o componente geográfico da especiação. Tais modificações só poderão ser incorporadas ao patrimônio genético da subpopulação se possuírem valor seletivo ou adaptativo, pois do contrário sofrerão os efeitos da pressão de seleção. Eis o componente ecológico da especiação. Finalmente, entre as modificações assim acumuladas através do isolamento e da seleção, figuram aquelas que afetam a estrutura genética a ponto de tornarem incompatíveis os sistemas genéticos de duas subpopulações irmãs. Eis o componente genético da especiação (Paraense, 1957).

     Existem três tipos de sistemata (Mayr, 1976): os que trabalham com a taxionomia alfa, que enfatiza a descrição da espécie e sua inclusão no gênero cabível; os que empregam a taxionomia beta, trabalhando as relações mais cuidadosamente no âmbito da espécie; e aqueles que utilizam a taxionomia gama, trabalhando as variações intraespecíficas multidisciplinarmente.
     Sobre esse assunto, Paraense e Deslandes (1956) publicaram um artigo, após o desenvolvimento de um método genético (Paraense, 1956; 1955), utilizando o caráter albinismo como marcador que torna possível interpretar experiências de cruzamento, devido à facilidade de distinção da progênie de um indivíduo entre os resultantes de fecundação cruzada e aqueles produzidos por autofecundação. O método permite, ainda, a verificação de vários níveis de isolamento reprodutivo associado à distância geográfica (Paraense e Deslandes, 1955; Paraense, 1959), reforçando o critério morfológico. Assim sendo, Paraense emprega na sua metodologia os conceitos da taxionomia gama.

A represa de Itaipu

     As obras de construção da represa de Itaipu,2 iniciadas em meados de 1975 e, desde então, causadoras de impactos sociais, econômicos e sanitários, devido à imensa intervenção sobre o ambiente, fizeram com que a cidade de Guaíra (PR) se tornasse o centro de confluência dos imigrantes que iam trabalhar nessa área. Operários ali chegavam, de toda parte, à procura de serviço. Nos acampamentos, eles iam sendo selecionados e mandados para o canteiro de obras. Funcionários da Superintendência de Campanhas de Saúde Pública (Sucam) faziam exames nesse pessoal para detectar os que estavam aptos a enfrentar um trabalho pesado. Um alto índice de esquistossomose mansoni apareceu nos exames de fezes. Como ali havia grande quantidade de planorbídeos, o ministro da Saúde, dr. Paulo Machado, ficou preocupado com a possibilidade de introdução dessa doença no oeste do Paraná.
     A esquistossomose, encontrada no Paraná desde 1949 (Coutinho e Pessôa, 1949), estava avançando gradualmente para oeste, cada vez mais se aproximando da foz do rio Iguaçu, como pode ser verificado através da seguinte transcrição:

Tanto quanto estou informado, o primeiro registro da B. glabrata no Paraná consta da coleção de Adolpho Lutz, no Instituto Oswaldo Cruz, na qual encontrei quatro exemplares, com 21 a 26mm de diâmetro, coletados por Souza-Araújo em 5 de maio de 1919 na localidade de Jatahy. Esses exemplares foram etiquetados por Lutz como Planorbis confusus, mas sem a menor dúvida pertencem à espécie B. glabrata. A localidade referida, que não aparece nos mapas atuais do Paraná, era na época, segundo Souza-Araújo (1954, p. 478), "distrito judiciário da comarca do Tabagi, situado à margem direita do rio deste mesmo nome, a 300m de altitude e a cerca de 100km do rio Paranapanema". Essa situação corresponde ao atual município de Jataizinho, em plena zona endêmica do norte do Paraná, onde a B. glabrata parece estar avançando decididamente para o oeste. Até 1960, sua posição mais ocidental estava em Londrina (Lima e Luz, 1960) a 23o 18’S e 51o 09’W, correspondendo a um salto de 40km para sudoeste. Em Apucarana não tinha sido encontrada pelos autores referidos, durante cuidadosas pesquisas feitas em 1957, e, em 1961, apuraram ter sido a espécie trazida de Londrina em 1959 por uma criança que a introduziu nas valas de uma fazenda. Em 1972, Luz, Kotaka e Baranski (1973-74) estudaram um caso autóctone do município de Moreira Sales, encontrando vários criadouros de B. glabrata, algumas eliminando cercárias de S. mansoni, no distrito de Paraná do Oeste (24o 07’S, 52o 50’W), 130km a sudoeste de Apucarana. Em julho de 1975, recebi da Sucam do Paraná, para identificação, um lote de B. glabrata de Maringá (23o 25’S, 51o 55’W), situada a 50km a oeste de Apucarana. Finalmente, em 1976, a espécie foi encontrada pela Sucam em Goio-Erê (24o 12’S, 53o 01’W), a 20km a sudoeste de Paraná do Oeste, supondo-se que se disseminou a partir de um ranário então desativado. Tanto Paraná do Oeste como Goio-Erê estão situados na bacia do rio Piquiri, que deságua no rio Paraná cerca de 120km a oeste das duas localidades (Paraense, 1986).

O primeiro contato

     Wladimir Lobato Paraense, tendo em vista sua trajetória profissional,3 foi chamado pelo ministro da Saúde, para averiguar a questão da esquistossomose na região de Guaíra.

Eu estive lá, e realmente fiquei impressionado com a quantidade de caramujos parecendo Biomphalaria tenagophila. Estavam nas margens dos criadouros. Baixando a água, aparecia uma quantidade enorme de moluscos, que me fez pensar que ali, mais cedo ou mais tarde, ia haver introdução de esquistossomose. Então, peguei um bocado de caramujos, levei para o laboratório, em Brasília, e examinei. Estavam todos negativos. Dissequei e identifiquei como B. tenagophila. Aliás, o mapa de distribuição daquela época, que eu tinha preparado, dava a região toda como de tenagophila. A região era potencialmente esquistossomótica de acordo com ele. Com isto fiz o meu relatório oral justificando o receio da Sucam e do ministro em relação à introdução da doença no oeste do Paraná. Passados um ou dois anos, eu não pensei mais no assunto (Paraense, entrevista pessoal).

     Pelo relato, percebe-se que o primeiro momento da história da descoberta da Biomphalaria occidentalis foi de erro, levando a uma hipótese e predição incorretas. A identificação dos planorbídeos encontrados em Guaíra, como Biomphalaria tenagophila, vetora natural do trematódeo S. mansoni, levou à suspeição de introdução da esquistossomose na região, pelos imigrantes doentes. No entanto, aqueles moluscos pertenciam à espécie nova B. occidentalis — que, até então, não havia sido identificada como tal — e que não é transmissora do referido trematódeo de acordo com os trabalhos de infecção experimental de Paraense e Corrêa (1982) e Coimbra e Engel (1982).
     As figuras 1 e 2 mostram, respectivamente, a atual distribuição geográfica dos transmissores do S. mansoni e da B. occidentalis no Brasil.

Fig. 1 — Distribuição geográfica dos moluscos hospedeiros do Schistosoma mansoni no Brasil.
Fonte: Paraense (1986, atualizada).


Fig. 2 — Distribuição da Biomphalaria occidentalis no Brasil.
Fonte: Lima, Soares e Guimarães (1993).

 

Programa do Trópico Úmido

     O decreto 70.999, de 17 de agosto de 1972, criou o Programa do Trópico Úmido, a ser executado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), interessando à região da Amazônia. A finalidade do programa era fazer o estudo da região visando ao aproveitamento das várzeas da Amazônia, ou seja, das áreas inundadas pelos rios na época das cheias e fertilizadas com os nutrientes trazidos com as águas, tornando-se excelentes para a agricultura. O programa foi criado para o desenvolvimento de tecnologia desse tipo de trabalho e para a facilitação da ocupação com a migração, que ocorreu principalmente onde é o atual estado de Rondônia.
     Paraense (1967) já havia apresentado, em um simpósio sobre a biota amazônica, um levantamento das espécies de planorbídeos da Amazônia. Ele também já havia descrito uma espécie nova existente nessa região, encontrada em material coletado pelo Instituto de Pesquisas da Amazônia, na ocasião sob a direção do dr. Djalma Batista (Paraense,1966). As outras espécies por ele referidas no simpósio foram copiadas da literatura, que não apresentava dados suficientes para uma identificação segura das mesmas (Paraense, 1967).
     Um dos tópicos do Programa do Trópico Úmido estava relacionado à possibilidade de exposição dos imigrantes a agentes causadores de doenças e/ou de introduzirem doenças não existentes ali. Portanto, o supervisor do programa, dr. Antônio Dantas Machado, solicitou os préstimos de Paraense quanto à esquistossomose.

Como eu já tinha um pouco de experiência, assumi o trabalho. Lá não havia foco de esquistossomose autóctone. O que poderia acontecer é que, se este pessoal chegasse lá com Schistosoma, poderia encontrar hospedeiros capazes de transmitir a esquistossomose e aí alastrar. Então, a coisa principal a fazer seria saber quais os moluscos planorbídeos existentes na Amazônia, para ver se havia transmissores potenciais. Então me surpreendi com a presença dessa tenagophila — que eu achava que era tenagophila — no Acre, no Amazonas, em Rondônia e em outras áreas da Amazônia; desde o rio Amazonas, um trecho do Amazonas descendo pelos afluentes, até entrar pelo Mato Grosso e pelo que é hoje o Mato Grosso do Sul. Nesse tempo, Mato Grosso era um só, durante o trabalho ele foi dividido. Mas, como eu estava trabalhando na área, resolvi ver também o Mato Grosso do Sul e o Maranhão, do qual só uma parte é Amazônia, a parte oriental é Nordeste. E fui encontrando essa espécie em todas essas regiões, do oeste no Acre, descendo pelo Mato Grosso, e em lugares que para mim não tinha dúvida, no meu mapa de distribuição eram áreas de tenagophila (Paraense, entrevista pessoal).

     Observa-se que Paraense, em seus estudos preliminares à des-coberta da nova espécie de planorbídeo, continua identificando os moluscos como B. tenagophila, devido à extrema semelhança entre ela e a B. occidentalis que estava por ser descoberta. Vale ressaltar ainda que Paraense visitou Guaíra antes de 1975, ano do início da construção da represa, e que seu trabalho para o Programa do Trópico Úmido foi posterior a essa visita.

O acaso

     A convivência com o erro, experiência comum da prática científica, se associa a outro componente essencial, qual seja, retirar as melhores conseqüências oferecidas pelo acaso. Esse foi um elemento essencial da produção de conhecimento no caso da Biomphalaria occidentalis.
     Certo dia, Paraense, ao chegar no laboratório, encontrou um caramujo dissecado sob seu microscópio, embora não houvesse deixado o molusco ali, pois estava voltando de viagem. Observando o espécime, perguntou de quem era aquele caramujo de Guaíra, quando, então, a assistente Mara Lúcia Ferreira perguntou-lhe como ele sabia que o caramujo era de Guaíra.

Eu não soube responder... olhei o caramujo e... de tanto olhar, e de tanto ter visto caramujo de Guaíra, fiquei com aquilo no inconsciente; não sabia por que eu tinha dito que era de Guaíra. Mas aí fiquei com essa coisa na cabeça. Se eu disse que esse caramujo era de Guaíra deve ter alguma razão e eu vou procurar, vou prestar mais atenção (Paraense, entrevista pessoal).

     É interessante notar que o acúmulo de experiência tanto pode ser visto como um fator essencial para a capacidade analítica de distinção classificatória, como pode funcionar pela repetição de padrões, como obstáculo para perceber a novidade científica.
     Paraense (1981), ao comparar morfologicamente espécimes de B. tenagophila de Guaíra com espécimes de B. tenagophila de outras regiões, verificou diferenças quantitativas. A razão entre os comprimentos do prepúcio e bainha do pênis, nos espécimes de Guaíra, era de um e meio para um e, nos espécimes provenientes das outras regiões, de um para um. Ao procurar diferenças qualitativas — que em taxionomia têm mais valor (Martins, 1983), ou seja, um órgão encontrado numa espécie e ausente em outras, como, por exemplo, uma crista renal, que é típica da Biomphalaria glabrata (Say, 1818), e não é encontrada nas outras espécies (Paraense, 1972) — percebeu a ausência da bolsa vaginal encontrada na B. tenagophila.

As conchas não apresentavam diferenças

     Pensando que os espécimes de Guaíra podiam ser de outra espécie, Paraense utilizou o albinismo como marcador genético, e fez cruzamentos entre os planorbídeos suspeitos de Guaíra e B. tenagophila de vários outros lugares. Como já sabia que, com a distância, a fertilidade pode ser diminuída (Paraense, 1959), o pesquisador utilizou exemplares provenientes de locais distantes de 200 a 1.800km de Guaíra. Todos os cruzamentos foram inférteis (Paraense, 1981). Ele, então, concluiu que essa era uma espécie diferente e a nomeou Biomphalaria occidentalis por ela ter sua distribuição no Ocidente. As ‘B. tenagophila’, que ele vinha encontrando na Amazônia para o trabalho do Programa do Trópico Úmido, pertenciam, na verdade, a essa espécie nova (Paraense, 1983).
     A taxionomia moderna, como toda a biologia, tem tido uma orientação molecular. As espécies distinguem-se bioquimicamente. A eletroforese, "técnica pela qual moléculas orgânicas dotadas de carga elétrica podem ser separadas e identificadas segundo seu movimento característico em um campo elétrico" (Baker e Allen, 1975, p. 733), vem sendo usada para distinguir espécies.
     Cinco anos após a descrição da B. occidentalis, foi publicado um artigo (Bailey, Michelson e Paraense, 1986) mostrando que, através da análise bioquímica por eletroforese de hemoglobina, é mais provável confundir a B. occidentalis com a B. glabrata do que confundi-la com a B. tenagophila. Essa semelhança, do ponto de vista prático, é menos prejudicial, pois morfologicamente é mais fácil distingui-la da B. glabrata devido à crista renal típica desta espécie.
     O aspecto mencionado nos leva a pensar que, no processo evolucionário, a B. occidentalis pode estar mais próxima da B. glabrata do que da B. tenagophila. Entretanto, hipóteses relacionadas ao seu ancestral — baseadas nos dados morfológicos e bioquímicos atuais disponíveis — seriam apenas conjecturas, pois não podem ser corroborados ou refutados por testes válidos. Vale salientar que, entre os planorbídeos, só há processo de fossilização nas conchas, o que diminui as evidências.
     Mais recentemente foi demonstrada a diferença entre a B. occidentalis e a B. tenagophila através da eletroforese de suas glândulas digestivas (Mascara e Morgante, 1995) e da reação em cadeia da polimerase em baixa estringência, LS-PCR, descrita por Pires et alii. (1997), reforçando a distinção entre as espécies.

O estado de São Paulo

     No estado de São Paulo, segundo revisão (Piza e Ramos, 1960) de trabalhos de vários pesquisadores, a referida helmintose avançava para o oeste graças à migração interna, isto é, ao deslocamento, dos focos autóctones para outros municípios, de trabalhadores rurais doentes. A doença resistia às medidas de contenção realizadas pelos serviços de saúde a expensas, muitas vezes, dos próprios fazendeiros, como, por exemplo, a aplicação do lança-chamas após a colheita do arroz e drenagem das valas.
     A Campanha de Combate à Esquistossomose (Cacesq) foi instituída pelo decreto 50.081, de 24 de julho de 1968, e regulamentada pelo decreto 51.861, de 22 de maio de 1969, no governo do dr. Roberto Costa de Abreu Sodré, estando como secretário da Saúde o prof. Walter Leser. A campanha teve apoio integral do governo seguinte, do sr. Laudo Natel, que compreendeu a gravidade médico-social da doença. Sob a superintendência do dr. José de Toledo Piza, eram empregadas diversas técnicas: combate ao caramujo com moluscicida, exame dos imigrantes, tratamento dos positivos, polícia de foco e execução de obras de engenharia sanitária (Secretaria de Estado da Saúde, 1973). Posteriormente, a Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) deu continuidade aos trabalhos.
     Como já foi visto em seu depoimento, durante o trabalho para o Trópico Úmido, Paraense resolveu verificar também o Mato Grosso do Sul, criado em outubro de 1977, quando da divisão do antigo estado de Mato Grosso, apesar de o mesmo não fazer parte da Amazônia. Como encontrou a B. occidentalis no rio Paraná, fronteira de Mato Grosso do Sul com São Paulo, imaginou não haver motivo para essa espécie não estar também no estado paulista. Uma vez que, nessa ocasião, a Sucen, sob a direção do dr. George Ishihata, fazia em São Paulo uma campanha contra a esquistossomose, Paraense enviou um coletor de moluscos para lá. Dos seis municípios visitados, cinco só tinham a B. occidentalis e um, a B. tenagophila (Paraense, 1981).
     Para verificar o papel da espécie nova de planorbídeo na transmissão do S. mansoni, Paraense e Corrêa (1982) e Coimbra e Engel (1982) tentaram infectar experimentalmente um número significativo de exemplares do molusco com o referido trematódeo. Os resultados foram negativos, demonstrando que a B. occidentalis é refratária à infecção pelo Schistosoma, o que torna improvável sua contribuição para a expansão da esquistossomose.
     A doença começou a se estabilizar em São Paulo na altura do meridiano 50o. Acreditava-se que as medidas de controle estavam detendo o avanço da endemia. Entretanto, a verdadeira barreira consistia na presença, daí em diante, na direção oeste, da espécie nova de planorbídeo (Figs. 1 e 2).
     A descoberta da B. occidentalis contribuiu economicamente para o estado de São Paulo. Os serviços de contenção da endemia eram dispendiosos e, com a identificação dessa espécie no oeste de São Paulo, os trabalhos de contenção da esquistossomose puderam ser suspensos, empreendendo-se, então, a revisão da ‘Carta Planorbídica’ (Vaz, Teles e Takaku, 1985; Vaz et alii., 1987; 1986; 1983; Teles, 1989).

Conclusão

     Verifica-se por este relato que o conhecimento da biologia e a correta identificação dos planorbídeos são de fundamental importância na epidemiologia da esquistossomose. Através de estudos malacológicos, é possível explicar ou prever os surtos da doença, sua transmissão ou ausência, como no caso dos municípios que, devido à presença dos moluscos e à quantidade de imigrantes com alta prevalência da doença, eram considerados de alto risco com relação à endemia, mas nos quais, no entanto, não havia a transmissão.
     O entomologista padre Jesus Moure afirmou que "é preciso olhar para os bichos" (Aragão, 1988). Como vimos, a observação de Moure já foi demonstrada com o relato de Paraense (entrevista pessoal): "eu olhei o caramujo e... de tanto olhar, e de tanto ter visto caramujo de Guaíra, fiquei com aquilo no inconsciente".

     De acordo com a distribuição geográfica da B. occidentalis (Lima, Soares e Guimarães, 1993), essa espécie é encontrada no caminho das massas de ar polar — corredor que passa por Foz do Iguaçu e Guaíra — que causam forte resfriamento noturno (Serra e Ratisbonna, 1942). Esse fato nos leva a pensar numa superioridade adaptativa dessa espécie, o que a torna mais resistente aos resfriamentos bruscos.
     Esta história demonstra, ainda, no nosso entender, uma relação de causalidade baseada não só em questões sociais, político-econômicas e sanitárias e em decisões circunstanciais referidas à história de vida, mas também no efeito da associação do acaso a uma "mente preparada", segundo célebre aforismo de Pasteur (Roberts, 1995, p. 16).

 

NOTAS

1 Wladimir Lobato Paraense nasceu em 16 de novembro de 1914, em Igarapé-Mirim (PA). Atraído pelas ciências biológicas "por um impulso interno" (Schwartzman, 1979, p. 223), iniciou em 1931 o curso médico na Faculdade de Medicina e Cirurgia do Pará, onde foi auxiliar acadêmico da cadeira de histologia, ministrada pelo prof. Jayme Aben-Athar. Graduou-se em 1937 pela Faculdade de Medicina de Recife, onde foi auxiliar técnico do Serviço de Verificação de Óbitos do Departamento de Anatomia Patológica e interno do Hospital Oswaldo Cruz do Departamento de Saúde Pública do Estado de Pernambuco, por concurso. Um ano depois, em 1938, recebeu uma bolsa de estudos concedida por Assis Chateaubriand — dos Diários Associados — em anatomia patológica na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Em 1939, Paraense foi convidado por Evandro Chagas para organizar o laboratório de patologia do Serviço de Estudo das Grandes Endemias (Sege) do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) e entrou como assistente no Sege, sendo designado biologista do quadro permanente do IOC em 1945 (Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil, 1984, p. 201; Nara Britto (org.), 1991, p. 84).

2 A Usina Hidrelétrica de Itaipu é um empreendimento brasileiro-paraguaio localizado no rio Paraná, 14km acima da Ponte da Amizade, que liga as cidades de Foz do Iguaçu, no Brasil, e Ciudad del Leste (antiga Presidente Stroessner), no Paraguai. O reservatório da Central Hidrelétrica, com 29 bilhões de m3 de água represada, se estende da usina até o famoso Salto das Sete Quedas, formando um imenso lago com cerca de 1.400km2. A comercialização da energia produzida nas suas 18 unidades geradoras, de 700kW cada, está regulamentada pelo tratado de Itaipu e é dividida entre os dois países (Michalany, 1991, p. 86).

3 A partir de 1950, Paraense inicia os trabalhos que irão ordenar a sistemática dos planorbídeos (Katz, 1992) e assume vários cargos e funções que irão qualificá-lo como referência para as autoridades sanitárias nessa área, tais como o de pesquisador associado do Serviço Especial de Saúde Pública (Sesp) para o estudo de moluscos planorbídeos do Brasil (1954-56); o de comissionado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em 1956, e pelo Departamento Nacional de Endemias Rurais (DNERu), em 1959, para coletar planorbídeos em localidades-tipo — lugares geográficos de origem das espécies nominais que são os tipos ou padrões de referência para a classificação dos seres vivos nos seus taxons, tais como família, gênero, espécie (Papavero, 1983, p. 234) —, em diversos países das Américas do Sul e Central, e do Caribe; o de consultor temporário da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e da Organização Mundial de Saúde (OMS) para Desenvolvimento das Diretrizes para a Identificação dos Planorbídeos Americanos (1961); e o de membro do Quadro Permanente de Peritos em Doenças Parasitárias da OMS, desde 1964, quando seu laboratório foi indicado por esse órgão centro de referência de identificação de planorbídeos (Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil, op. cit., pp. 201-2; Nara Britto (org.), op. cit., p. 84).

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Recebido para publicação em fevereiro de 1998
Aprovado para publicação em outubro de 1998.

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