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História, Ciências, Saúde-Manguinhos

Print version ISSN 0104-5970On-line version ISSN 1678-4758

Hist. cienc. saude-Manguinhos vol.9  suppl.0 Rio de Janeiro  2002

https://doi.org/10.1590/S0104-59702002000400012 

FONTES

 

Fontes para a história das ciências da saúde no Brasil (1808-1930)

 

Sources for the history of health sciences in Brazil (1808-1930)

 

 

Maria Rachel Fróes da Fonseca

Pesquisadora do Departamento de Pesquisa da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz - Av. Brasil, 4036/402b - Manguinhos - 21040-361 Rio de Janeiro - RJ Brasil - froes@coc.fiocruz.br

 

 


RESUMO

O objetivo deste estudo é apresentar um panorama das fontes documentais e dos arquivos, bibliotecas e centros de documentação representativos para a história das ciências da saúde no Brasil (1808-1930). O historiador, notadamente aquele que investiga a história das ciências biomédicas no país, depara-se com um conjunto de fontes bastante amplo e diversificado. E é justamente desta convergência de diferentes testemunhos que viabilizamos a investigação histórica. Esta diversidade de registros e testemunhos caracteriza o repertório de fontes potencialmente relevantes para a história das ciências biomédicas e da saúde.

Palavras-chave: história das ciências, Brasil, história das ciências da saúde-Brasil, história das ciências da saúde-fontes.


ABSTRACT

The article presents a panorama of documental sources and of the most representative archives, libraries, and documentation centers pertinent to the history of health sciences in Brazil (1808-1930). Historians, especially those investigating the biomedical sciences, will find here a broad and diversified set of sources. It is precisely from such a convergence of different witnesses that historical investigation is viable.

Keywords: history of sciences, Brazil, history of health sciences-Brazil, history of ealth sciences-sources.


 

 

Panorama das fontes documentais

Questões teórico-metodológicas

As pesquisas mais recentes no campo da história das ciências da saúde vêm afirmando a necessidade do abandono de algumas concepções, até então presentes em abordagens tradicionais, especialmente a visão triunfante da ciência, expressa na ênfase aos 'grandes' eventos e personagens, e a idéia da evolução linear na trajetória das instituições e na produção do conhecimento biomédico. Esta revisão pautou-se pela eliminação destas concepções e pela adoção de uma abordagem que compreendesse a ciência numa perspectiva outra, ou seja, da história social das ciências.

A historiografia, durante muito tempo, produziu trabalhos sobre a experiência científica na América Latina, e mais especificamente no Brasil, que, na realidade, nada mais eram do que grandes cronologias e relatos comemorativos, desconsiderando, por completo, as especificidades daquela formação da prática científica. Por outro lado, negava-se, até bem recentemente, a possibilidade da existência de uma tradição científica em regiões como a América Latina. As sociedades latino-americanas eram entendidas como regiões periféricas, unicamente como receptoras dos modelos científicos produzidos no Velho Mundo.

Acreditamos ser importante compreender a história das ciências fora dos rigores de uma linha progressiva e necessariamente encadeada por avanços e descobertas. A historiografia da ciência, nos últimos trinta anos, modificou-se profundamente, considerando a existência de uma produção científica em regiões como a América Latina. A ciência deixou de ser compreendida como uma entidade autônoma e regida por leis internas de racionalidade, e passou a ser entendida como uma atividade social, sujeita ao contexto em que era produzida.

Dessa forma, entendemos a necessidade de uma compreensão mais ampla da história da produção e difusão de conhecimentos científicos, não mais restringindo-se a uma investigação sobre o patrimônio científico e técnico, mas sim percebendo-a como um processo, onde um conjunto de fatores atuam e articulam-se entre si.

Todo este esforço analítico insere-se na linha da história social da ciência, compreendendo a interação das diversas instâncias da sociedade na produção dos conhecimentos. Nesta perspectiva, acredita-se que não se deve adotar uma visão descontextualizada da atividade científica, ou centrar-se unicamente na dinâmica internalista deste processo, ou seja, no estudo da estrutura conceitual e lógica do conhecimento científico. O "fazer ciência" é aqui compreendido como inseparável das condições econômicas, sociais e políticas características do meio no qual os cientistas estão atuando.

Destaco, neste cenário, a história das instituições científicas, que igualmente vem merecendo distintas abordagens nas últimas décadas. O redimensionamento da história das instituições foi conduzido pela adoção de novas perspectivas na história das ciências, nas quais atribuiu-se outro significado para os espaços institucionais. Adota-se aqui o conceito de institucionalização como um processo de construção de uma prática e de um discurso científicos, que, como assinalou Lopes (1999), requerem um conjunto de procedimentos de implantação, desenvolvimento e consolidação em certas conjunturas espaço-temporais específicas. Os espaços institucionais são compreendidos não só como as instituições científicas propriamente ditas e mais reconhecidamente visíveis, como os institutos de pesquisa, mas reconhecendo também as instâncias de realização e divulgação de atividades científicas, como um museu de ciências, uma publicação periódica, um observatório e uma expedição de exploração.

Esta concepção de história das ciências, e por conseqüência, da história das ciências da saúde, implica uma determinada metodologia na análise e definição das fontes. Amplia-se sobremaneira o cenário de fontes, na medida em que compreendemos como elementos constitutivos destas ciências seus atores (profissionais médicos, professores, cientistas, gestores), seus espaços institucionais (instituições de ensino e de pesquisa, laboratórios, hospitais e órgãos oficiais), e seus espaços de representação (associações profissionais, sociedades científicas e periódicos). Nesse sentido, são fontes os subsídios arquivísticos e bibliográficos que fornecem informações sobre a vida e a carreira dos principais médicos, cientistas e professores, sobre a estrutura e funcionamento dos espaços onde estes trabalhavam e desvendavam as questões científicas — hospitais, laboratórios e campos de aprendizagem clínica — e sobre as instâncias de discussão e de socialização de seus estudos e de suas observações — sociedades, academias, imprensa científica.

Tradicionalmente, e especialmente na obra de Santos Filho (1977), renomado historiador da medicina no Brasil, o conjunto de subsídios arquivísticos e bibliográficos para a história das ciências da saúde é apresentado compreendendo fontes gerais e fontes especializadas. As obras gerais seriam aquelas que, tanto de origem primária quanto secundária, fornecem informações amplas extraídas de descrições da vida social, cultural e política, relatos de viajantes, obras de memorialistas, histórias do Brasil e histórias regionais, histórias da educação, documentação oficial da administração pública, periódicos gerais, textos etnográficos, crônicas, bibliografias e dicionários. As obras especializadas compreenderiam aquelas que, igualmente de origem primária e secundária, tratam da história das ciências da saúde propriamente dita, obras de história da medicina (de origem européia ou brasileira), histórias gerais e regionais da medicina, e os "modernos estudos".

Importa ressaltar, ainda, que não retomaremos aqui a discussão com relação à primariedade e secundariedade dos documentos, pois como bem ressaltou Celina A. Lértora Mendoza (2000), esta conceituação, se adotada de forma ingênua, pode apresentar reconstruções arbitrárias e inúteis. Destaca, nesse sentido, a questão da primariedade relativa dos documentos científicos, no interior dos quais podem existir diversos níveis de recepção.

Partindo, então, da abordagem metodológica das fontes para a história das ciências da saúde, preconizada neste trabalho, ampliamos o quadro de fontes, e por conseguinte, de centros de pesquisa, incluindo outros subsídios fundamentais para a investigação histórica neste campo de conhecimento. Nesse sentido propomos trabalhar com a concepção mais ampla de documentos, ou seja, aqueles que, em seus vários tipos e origens, fornecem os subsídios necessários para a reconstrução da história destas ciências, ou seja, de seus elementos constitutivos, seus atores, seus espaços institucionais e seus espaços de representação.

a) Documentos administrativos e legislativos: atas, relatórios, ofícios, regulamentos e decretos relativos à criação e à administração das instituições de ensino, das instituições de pesquisa, das instituições hospitalares e de assistência, e dos órgãos governamentais. Exemplos de documentos:

  • Ordens, cartas, licenças etc. pelo cirurgião-mor do reino, estados e domínios e ultramarinos (Fisicatura-mor, 1808-28).

  • Decreto de 2 de abril de 1808. Estabelece uma cadeira de anatomia no Hospital Militar. Em Brasil. Collecção de Leis do Brazil de 1808. Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1891.

  • Lei de 3 de outubro de 1832. Dá nova organização às atuais academias médico-cirúrgicas das cidades do Rio de Janeiro, e Bahia. Em Brasil. Collecção de Leis do Imperio do Brazil de 1832, parte I. Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1906.

  • Decreto de 21 de maio de 1808. Crêa uma botica no Hospital Militar e da Marinha. Em Brasil. Collecção das Leis do Brazil de 1808. Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1891.

  • Decreto nº 9.093, de 22 de dezembro de 1883 (Regulamento do Laboratório de Higiene da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro). Em Brasil. Collecção das Leis do Império do Brazil de 1883, parte I. Rio de Janeiro, Typographia Nacional, 1884.

  • Regimento Interno da Academia Imperial de Medicina, a que se refere o Aviso do Ministério do Império de 26 de outubro de 1885. Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1885.

  • Decreto nº 2.449, de 1º de fevereiro de 1897. Cria a Diretoria Geral de Saúde Pública. Em Brasil. Collecção das Leis da República dos Estados Unidos do Brazil de 1897, partes I e II. Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1898.

Muitos documentos oficiais permanecem inéditos, bem como um número significativo de documentos, pontuou Lycurgo de Castro Santos Filho (op. cit., pp.17-8),

até o momento não se publicou e muito menos se interpretou toda a documentação que, sobre o Brasil, existe em arquivos nacionais e estrangeiros. ... Em relação, por exemplo, ao capítulo da fisicatura-mor (1808-1828) há cerca de trinta volumes depositados no Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, contendo alvarás, ordens, licenças, cartas, todo um acervo susceptível de ajuntar novos dados aos já conhecidos.

b) Documentos de caráter didático-pedagógico: programas dos cursos, pontos para as teses, lições das disciplinas, representativos da prática do ensino, revelando a orientação programática e científica adotada nas instituições de ensino médico. Exemplos:

  • Guia dos estudantes da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro do Império do Brasil (Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Laemmert, 1885).

  • Compêndios de matéria médica feitos por ordem de Sua Alteza real e organizados por José Maria Bomtempo, médico de Sua Real Câmara (José Maria Bomtempo. Rio de Janeiro, Régia Oficina Tipographica, 1814).

  • Lições elementares de química orgânica com aplicação à medicina e à farmácia (Domingos José Freire Junior. Rio de Janeiro, Tip. Lit. de Molarinho F. Mont'Alverne, 1880).

  • Clínica cirúrgica do Hospital da Misericórdia ou lições professadas durante os anos de 1873 a 1879 (Vicente Cândido Figueiredo de Sabóia. Rio de Janeiro, Tip. Nacional, 1880).

  • Compêndio para o curso de química (Joaquim Vicente Torres Homem. Rio de Janeiro, Souza, 1837).

c) Documentos de caráter acadêmico e cultural: Memórias históricas das faculdades de medicina, correspondência entre professores e/ou alunos, conferências e textos acadêmicos, ilustrando os diversos ângulos do cotidiano nas academias e nas escolas médicas. Exemplos:

  • Memória histórica da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro sobre os acontecimentos mais notáveis ocorridos no ano de 1867 (Rio de Janeiro, s. ed., 1867).

  • Memória sobre a medicina na Bahia; elaborada para o centenário da independência da Bahia — 1823-1923 (Antônio Pacífico Pereira. Bahia, Imp. Oficial do Estado, 1923).

  • O darwinismo, seu passado, seu presente, seu futuro (Augusto César de Miranda Azevedo. Conferências Populares. Rio de Janeiro, nº 1, jan. 1876).

d) Documentos de viajantes, religiosos, naturalistas, cronistas: relatam o cotidiano, do século XVIII ao XIX, de muitas regiões do país, descrevendo as práticas médicas, as terapêuticas e os remédios utilizados pelos colonizadores, pelos negros e pelos indígenas. Exemplos:

  • Viagem ao redor do Brasil, 1875-1878 (João Severiano da Fonseca. Rio de Janeiro, 1880-81).

  • Artes e ofícios dos jesuítas no Brasil (Serafim Leite. Rio de Janeiro, Edições Brotéria, Livros de Portugal, 1953).

  • Natureza, doenças, medicina e remédios dos índios brasileiros (Karl Friederich Phillipe von Martius. São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1884).

e) Documentos de caráter geográfico e corográfico: apresentam descrições sobre as epidemias e endemias, sobre os vegetais utilizados para as curas, sobre os estabelecimentos hospitalares, e sobre "profissionais" das vilas e cidades. Exemplo:

  • Apontamentos históricos, geográficos, biográficos, estatísticos e noticiosos da província de São Paulo (Manuel Eufrásio de Azevedo Marques. Rio de Janeiro, 1879).

f) Documentos de sistematização: referem-se a obras de sistematização do conjunto de obras médicas e cirúrgicas brasileiras. Exemplos:

  • Catálogo da Exposição Médica brasileira realizada pela Biblioteca da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro a 2 de dezembro de 1884 (Carlos Antonio de Paula Costa. Rio de Janeiro, Imp. Nacional, 1884).

  • Catálogo sistemático da Biblioteca da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro organizado pelo dr. Carlos Antonio de Paula Costa (Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1892).

  • Catálogo da Exposição de História do Brasil (Rio de Janeiro, Biblioteca Nacional, 1881).

  • Ensaio de bibliografia médica do Rio de Janeiro anterior à fundação da Escola de Medicina. Resenha das obras médicas e cirúrgicas impressas nesta cidade ou publicadas fora dela, por médicos e cirurgiões seus antes da época mencionada (Francisco José do Canto e Melo Castro Mascarenhas, 1852).

  • Índice-Catálogo Médico Paulista (Jorge de Andrade Maria, 1938).

  • Comemoração do Centenário do Ensino Médico (Academia Nacional de Medicina. Rio de Janeiro, Tip. Jornal do Commercio, 1908).

  • Catálogo das teses, 1831-1985 (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Faculdade de Medicina. Rio de Janeiro, Centro de Ciências da Saúde, 1985).

g) Documentos de divulgação: compreendem os periódicos especializados em ciências da saúde, almanaques gerais e almanaques específicos. Exemplos:

  • Gazeta Médica do Rio de Janeiro;

  • Gazeta Médica da Bahia;

  • Revista dos Cursos Práticos e Teóricos da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro;

  • União Médica;

  • Anais Brasilienses de Medicina;

  • Arquivo Médico Brasileiro;

  • Brazil Médico;

  • Semanário de Saúde Pública;

  • Almanaque Brasileiro Garnier (Rio de Janeiro, Livraria Garnier);

  • Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro (Almanak Laemmert). (Rio de Janeiro, Casa de Eduardo e Henrique Laemmert, 1844-1928);

  • Almanaque do Jeca Tatu (São Paulo, Biotônico Fontoura, 1920).

h) Documentos científicos: livros e artigos de professores e pesquisadores brasileiros, relatórios de viagem científica, teses, espelhando a produção científica "nacional". Exemplos:

  • Dissertação sobre as plantas do Brasil (Manuel Arruda da Câmara. Rio de Janeiro, Imp. Régia, 1810).

  • Considerações sobre as plantas medicinais da flora cearense (Francisco Freire Alemão. Rio de Janeiro, Laemmert, 1862).

  • A Litetricia (Domingos Marinho de Azevedo Americano. Rio de Janeiro, Tip. Imp. e Const. De JH. Villeneuve, 1839).

  • Febre amarela e o mosquito (Nuno de Andrade. Rio de Janeiro, Tip. do Jornal do Commercio, 1903).

  • Elementos de Botânica (Joaquim Monteiro Caminhoá. Rio de Janeiro, Tip. Nacional, 1877).

  • Doctrine microbiénne de la fiévre jaune et ses inoculations preventives (Domingos José Freire Junior. Rio de Janeiro, Imp. Nacional, 1885).

  • Higiene e educação na infância (Joaquim dos Remédios Monteiro. Resende, s. ed., 1858).

  • Traité theorique et pratique de la science et de l'art des accouchements (Vicente Cândido Figueira de Sabóia. Paris, P. Asselin, 1873).

  • Dos espasmos nas affecções dos centros nervosos (Miguel Couto. Tese da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, 1898).

  • Peste (Oswaldo Cruz. Rio de Janeiro, Tip. Bernard Frères, 1906).

  • Estudos hematológicos no impaludismo (Carlos Chagas. Rio de Janeiro, Tip. Papelaria União, 1903).

  • Clima e doenças do Brasil (Afrânio Peixoto. Rio de Janeiro, Imp. Nacional, 1907).

i) Documentos de referência teórica: as principais obras de autores estrangeiros citadas e utilizadas como referenciais no ensino e na prática da medicina. Exemplos:

  • Colóquios dos simples e drogas e cousas medicinais da Índia e assim de algumas frutas achadas nela (várias cultivadas hoje no Brasil) (Garcia de Orta. Lisboa, Imp. Nacional, 1872, 1ª ed., 1563).

  • Tratado da educação física dos meninos para uso da nação portuguesa, publicado por ordem da Academia Real das Ciências de Lisboa (Francisco de Melo Franco. Lisboa, Oficina da Academia Real das Ciências, 1790).

  • Ensaio dermasográfico — ou descrição das doenças cutâneas (Bernardino Antônio Gomes. Lisboa, s. ed., 1823).

  • Traité d' anatomie descriptive (Marie François Xavier Bichat. Paris, s. ed., 1823).

  • Précis élémentaire de physiologie (François Magendie. Paris, A. Marvis Père et Fils, 1833).

  • Pathologie des tumeurs (Rudolf Ludwig Karl Virchow. Paris, Germer Baillière, 1867-76).

j) Documentos regionais e gerais: obras gerais, de história do Brasil, e histórias regionais. Exemplos:

  • Tratado descritivo do Brasil em 1587 (Gabriel Soares de Sousa, s. d.).

  • Chronica geral e minuciosa do Imperio do Brasil desde a descoberta do Novo Mundo ou América até o anno de 1879 (Alexandre José de Mello Moraes. Ed. fac.-sim. Brasília, Senado Federal, 1879).

  • O Rio de Janeiro Imperial (Adolfo Morales de los Rios Filho. 2ª ed., Rio de Janeiro, Topbooks/Univercidade Editora, 2000).

l) Documentos memorialistas e biográficos: obras que retratam a trajetória de médicos e de outros profissionais de áreas afins. Exemplos:

  • Médicos mineiros no Brasil Colônia, no Império e na República (Lúcio Otávio Nelson de Sena. Rio de Janeiro, Agir, 1947).

  • Traços biográficos de Oswaldo Cruz (Ezequiel Caetano Dias. Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1945).

  • O conselheiro Jobim e o espírito da medicina do seu tempo (Reginaldo Fernandes. Brasília, Senado Federal, 1982).

  • Vultos da medicina brasileira (Carlos da Silva Lacaz. São Paulo, Helion, 1977).

  • Medicina, médicos e charlatões do passado (Oswaldo Rodrigues Cabral. Santa Catarina, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 1942).

  • Os nossos médicos e a nossa medicina (José Octavio de Freitas. Recife, s.ed., 1949).

  • Figuras e fatos da medicina no Brasil (Lourival Ribeiro. Rio de Janeiro, Ed. Sul Americana, 1964).

  • Dicionário Bibliográfico Brasileiro (Augusto Victorino Sacramento Blake. Rio de Janeiro, Imp. Nacional, 1883-1902).

  • Dicionário bio-bibliográfico brasileiro (João Francisco Velho Sobrinho. Rio de Janeiro, Pongetti/MEC, 1937-40).

m) Histórias das ciências biomédicas e da saúde: são obras fundamentalmente de autoria de profissionais da área biomédica, que retratam a história destas ciências e a trajetória dos profissionais que nelas se destacaram, numa abordagem mais descritiva, marcada pela adoção da idéia de evolução linear das instituições e da presença de biografias dos principais expoentes. Exemplos:

  • A biologia no Brasil (Cândido de Mello Leitão. São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1937).

  • História e descrição da febre amarela epidêmica que grassou no Rio de Janeiro em 1850 (José Pereira Rego. Rio de Janeiro, Tip. de F. de Paula Brito, 1851).

  • História Geral da Medicina Brasileira (Lycurgo de Castro Santos Filho. São Paulo, Hucitec, 1977).

  • Fatos e personagens da história da medicina e da farmácia no Brasil (Carlos Benjamin da Silva Araújo. Rio de Janeiro, Continente Editorial, 1979).

  • Capítulos da história da medicina no Brasil (Pedro Nava. Rio de Janeiro, Brasil Médico Cirúrgico, 1949).

  • Medicina no Brasil (Leonídio Ribeiro. Rio de Janeiro, Imp. Nacional, 1940).

  • O ensino da medicina no Rio de Janeiro (Francisco Bruno Lobo, 1964-69).

  • Instituições culturais e de educação superior no Brasil (Ernesto de Sousa Campos, 1954).

  • O Centenário da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (Fernando A. Ribeiro de Magalhães. Rio de Janeiro, 1932).

  • História da Literatura Médica no Brasil (Álvaro Augusto de Sousa Reis, Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Rio de Janeiro, CIHA, tomo especial, vol. 9, 1922, pp. 501-49).

  • Notícia histórica sobre a Fundação Oswaldo Cruz; Instituto de Manguinhos. Separata das Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, tomo 48, ano 1950 (Henrique Beaurepaire Aragão. Rio de Janeiro, 1950).

  • Os serviços de saúde pública do Brasil, especialmente na cidade do Rio de Janeiro de 1808 a 1907 — Esboço histórico e legislação (Plácido Barbosa. São Paulo, Rev. dos Tribunais, 1909).

  • Assistência pública e privada no Rio de Janeiro (Brasil). História e Estatística (Comemoração do centenário da Independência nacional. Rio de Janeiro, Typographia do Annuario do Brasil, 1922).

  • O Centenário da Academia Nacional de Medicina do Rio de Janeiro, 1829-1929: primórdios e evolução da medicina no Brasil (Alfredo Nascimento. Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1929).

  • As Ciências no Brasil (Fernando de Azevedo [org.]. Rio de Janeiro, Editora UFRJ, 1994).

n) Histórias sociais das ciências biomédicas: Ressalta-se que, especialmente nas últimas duas décadas, presenciamos o surgimento de inúmeras obras de autoria de historiadores, cientistas sociais, sociólogos e cientistas políticos, destacando, sob novas perspectivas de análise e de abordagem teórica e metodológica, os temas da institucionalização das ciências, das políticas de saúde pública e da atuação do Estado em relação às ciências.

n.1) Histórias das instituições de ensino: Exemplos:

  • As reformas do ensino médico e a profissionalização da medicina na Corte do Rio de Janeiro (1854-1884) (Flavio Coelho Edler. Dissertação mestrado em história, São Paulo, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, 1992).

  • Norte-americanos no Brasil: uma história da Fundação Rockefeller na Universidade de São Paulo (1934-1952) (Maria Gabriela S. M. C. Marinho. Campinas/São Paulo, Autores Associados/Universidade de São Francisco, 2001).

  • A ciência dos trópicos: a arte médica no Brasil do século XVIII (Márcia Moisés Ribeiro. São Paulo, Hucitec, 1997).

n.2) Histórias das associações profissionais e da imprensa médica

Exemplos:

  • A Academia Nacional de Medicina e a política sanitarista do governo Rodrigues Alves (Silvia Regina Pantoja Serra de Castro. Dissertação de mestrado em ciências sociais, Rio de Janeiro, Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, UFRJ, 1996).

  • 'O império dos miasmas': A Academia Imperial de Medicina - 1830-1850 (Lorelai Brilhante Kury. Dissertação mestrado, Rio de Janeiro, Instituto de Ciências Humanas e Filosofia, UFF, 1990).

  • A Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo 1895-1913 (Luiz Antonio Teixeira. Tese de doutoramento, São Paulo, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, USP, 2001).

n.3) Histórias das instituições de pesquisa: Exemplos:

  • História das ciências no Brasil (Mário Ferri Guimarães e Shozo Motoyama [coords.]. São Paulo, EPU-Edusp, 1980).

  • Espaços da ciência no Brasil: 1800-1930 (Maria Amélia M. Dantes [org.]. Rio de Janeiro, Editora Fiocruz, 2001).

  • Um espaço para a ciência: a formação da comunidade científica no Brasil. (Simon Schwartzman. Brasília, Ministério da Ciência e Tecnologia, Centro de Estudos Estratégicos, 2001).

  • Universidades e instituições científicas no Rio de Janeiro (Simon Schwartzman. Brasília, CNPq, 1982).

  • Manguinhos do sonho à vida: a ciência na belle époque (Jaime Larry Benchimol. Rio de Janeiro, Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, 1990).

  • O Brasil descobre a pesquisa científica, os museus e as ciências naturais no século XIX (Maria Margaret Lopes. São Paulo, Hucitec, 1997).

  • Dos micróbios aos mosquitos: febre amarela e a revolução pasteuriana no Brasil (Jaime Larry Benchimol. Rio de Janeiro, Editora Fiocruz/ Editora UFRJ, 1999).

  • Gênese e evolução da ciência brasileira: Oswaldo Cruz e a política de investigação científica e médica (Nancy Stepan. Rio de Janeiro, Artenova, 1976).

n.4) Histórias da saúde pública: Exemplos:

  • Medicina e ordem política brasileira: políticas e instituições de saúde —1850-1930 (Terezinha Madel Luz. Rio de Janeiro, Graal, 1982).

  • História sem fim ... inventário da saúde pública, São Paulo, 1880-1930 (Maria Alice Rosa Ribeiro. São Paulo, Editora da Universidade Estadual Paulista, 1993).

  • O movimento sanitarista dos anos 20, da conexão sanitária internacional à especialidade em saúde pública no brasil (M. E. Labra. Dissertação de mestrado, Rio de Janeiro, Escola Brasileira de Administração Pública, FGV, 1985).

  • Power, ideology and public health in Brazil (1889-1930) (Luiz Antonio de Castro Santos. Tese de doutoramento, Harvard University, 1987).

  • Cidade febril: cortiços e epidemias na Corte Imperial (Sidney Chalhoub. São Paulo, Companhia das Letras, 1996).

  • A Revolta da Vacina — mentes insanas em corpos rebeldes (Nicolau Sevcenko. São Paulo, Brasiliense, 1984).

  • A era do saneamento — as bases da política de saúde pública no Brasil (Gilberto Hochman. São Paulo, Hucitec, 1998).

A produção citada ainda não contempla, de forma ampla, as diversas disciplinas que constituem as ciências biomédicas, como também não recupera a história da saúde pública no país, em toda sua amplitude, excluindo inúmeros espaços produtores e/ou reprodutores destes conhecimentos científicos. Por outro lado, as obras de caráter biográfico produzidas até o momento apresentam, em sua maioria, as biografias dos chamados vultos mais célebres, numa ótica bastante questionável, excluindo, dessa forma, importantes personalidades e representativas instituições, como o conjunto mais amplo dos cientistas, pesquisadores e catedráticos, dos fundadores das instituições de pesquisa, dos gestores de instituições públicas (hospitais por ex.) e de órgãos oficiais. A relevância dos periódicos especializados é, igualmente, ainda pouco considerada por significativa parcela desta produção.

 

Arquivos, bibliotecas e centros de documentação

Os arquivos, bibliotecas e centros de documentação direcionados especificamente para a memória histórica, e para a produção de conhecimentos, no campo das ciências biomédicas e da saúde são os espaços fundamentais para a produção e preservação de conhecimentos neste área.

Os arquivos, bibliotecas e centros, públicos e privados, que abrigam acervos de referência para esta área de conhecimento, são inúmeros e distribuídos por entre vários estados brasileiros. Verifica-se, entretanto, uma grande dispersão das fontes, distribuídas, muitas vezes, de forma aleatória, entre diferentes instituições e em poder de particulares.

Observa-se ainda que estas fontes encontram-se, em grande parte, desorganizadas e sujeitas a processos de deterioração. Por outro lado, parte destes acervos está parcialmente organizada, sob diversas formas de classificação e de recuperação da informação, dificultando a localização dos documentos. A ausência de instrumentos de pesquisa específicos reduz o volume de investigações e, conseqüentemente, paralisa a produção de conhecimentos sobre a história da medicina no país.

Destacaremos as instituições localizadas na cidade do Rio de Janeiro, cujos acervos são expressivos quanto a fontes, em seus vários suportes, que subsidiem a reconstituição histórica das ciências da saúde no Brasil, abrangendo seus elementos constitutivos, seus atores, seus espaços institucionais e seus espaços de representação. Dessa forma, amplia-se o elenco de arquivos, bibliotecas e centros de documentação, contemplando espaços institucionais de diversas subordinações (públicos e privados) e características (gerais e especializadas). Observe-se que, em alguns casos, as bibliotecas arroladas no segundo tópico integram a estrutura dos centros de documentação e são novamente citadas pela relevância específica dos seus acervos e coleções bibliográficas.

a) Arquivos e centros de documentação

  • Arquivo da Policlínica Geral do Rio de Janeiro

  • Arquivo da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

  • Arquivo da Escola de Enfermagem Anna Nery/Universidade Federal do Rio de Janeiro

  • Arquivo do Museu Imperial

  • Arquivo do Núcleo de Documentação da Universidade Federal Fluminense

  • Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro

  • Arquivo Histórico do Exército

  • Arquivo Nacional

  • Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro

  • Casa de Oswaldo Cruz/Fundação Oswaldo Cruz

  • Centro Cultural da Saúde

  • Centro de Memória Fluminense/Núcleo de Documentação da Universidade Federal Fluminense

  • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC)/Fundação Getúlio Vargas

  • Departamento de Arquivo do Serviço de Documentação Geral da Marinha

  • Fundação Casa Rui Barbosa

  • Museu Nacional

b) Bibliotecas

  • Biblioteca Barbosa Rodrigues/Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro

  • Biblioteca Biomédica B/Universidade do Estado do Rio de Janeiro

  • Biblioteca Biomédica C/Universidade do Estado do Rio de Janeiro

  • Biblioteca Central da Marinha

  • Biblioteca Central da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

  • Biblioteca Central do Centro de Ciências da Saúde/Universidade Federal do Rio de Janeiro

  • Biblioteca da Academia Brasileira de Ciências

  • Biblioteca da Academia Nacional de Medicina

  • Biblioteca da Associação Brasileira de Educação Médica

  • Biblioteca da Associação Brasileira de Farmacêuticos

  • Biblioteca da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto

  • Biblioteca da Escola de Enfermagem Anna Nery/Universidade Federal do Rio de Janeiro

  • Biblioteca da Faculdade de Farmácia/Universidade Federal do Rio de Janeiro

  • Biblioteca da Fundação Casa de Rui Barbosa

  • Biblioteca da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro

  • Biblioteca de Manguinhos/Fundação Oswaldo Cruz

  • Biblioteca do Exército (BIBLIEX)

  • Biblioteca do Hospital Central do Exército

  • Biblioteca do Instituto de Biologia do Exército

  • Biblioteca do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais/Universidade Federal do Rio de Janeiro

  • Biblioteca do Instituto Hahnemaniano do Brasil

  • Biblioteca do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro

  • Biblioteca do Instituto Vital Brazil

  • Biblioteca do Museu Histórico Nacional

  • Biblioteca do Museu Imperial

  • Biblioteca do Museu Nacional

  • Biblioteca do Real Gabinete Português de Leitura

  • Biblioteca Neomil Portella (Ministério do Exército)

  • Fundação Biblioteca Nacional

  • Setor de Biblioteca do Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz/Fundação Oswaldo Cruz

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Este trabalho é uma versão modificada e resumida de 'Centros de pesquisa e as fontes para a história das ciências da saúde no Brasil', comunicação apresentada no simpósio Archives of Science in Latin américa, no XXX International Congress of History Science, promovido pela International Union of History and Philosophy of Science, México, 11.7.2001.

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