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História, Ciências, Saúde-Manguinhos

versão impressa ISSN 0104-5970

Hist. cienc. saude-Manguinhos vol.21 no.3 Rio de Janeiro set. 2014

 

Press Release

Os escritos do comandante do Beagle sobre o Brasil

Gabriel Passetti


Gabriel Passetti, professor do Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense, analisou os escritos do britânico Robert FitzRoy - comandante do célebre navio HMS Beagle durante a expedição da qual participou Charles Darwin - sobre o Brasil. No artigo, relaciona-se o diário de bordo do navegador, e as formas pelas quais FitzRoy descreveu nosso país, às estratégias da Grã-Bretanha para expandir seu império.

A partir da análise dos interesses e estratégias da expansão britânica logo após a vitória sobre Napoleão, são relacionados interesses científicos, econômicos e políticos no financiamento a expedições como a do Beagle. O autor insere o comandante FitzRoy no grupo de viajantes exploradores típicos da primeira metade do século XIX, e descreve as conexões políticas que possuía na Corte (um de seus tios foi ministro de Relações Exteriores; outro era um influente duque) e na própria Marinha britânica.

Após participar de expedições de perseguição a navios negreiros nas costas africanas, FitzRoy comandou o Beagle - no qual estava embarcado Charles Darwin - na expedição de circum-navegação do planeta. O comandante era um homem vinculado aos projetos abolicionistas, crítico à escravidão e bastante próximo aos missionários anglicanos que atuavam na Oceania e na África.

A partir da análise do relato dessa viagem, publicado em 1839 em Londres, ficam claras suas críticas às estruturas econômicas e sociais brasileiras e seu ceticismo quanto à capacidade de organização política local. Segundo o britânico, o país estava viciado em escravidão, e esse sistema impregnava negativamente toda a sociedade.

Para aquele comandante, havia um contínuo desperdício de potencialidades na América do Sul. No entanto, segundo a análise de Passetti, essa forma de descrever a região estava diretamente relacionada aos interesses envolvidos na expansão imperial britânica e seus esforços para legitimar a conquista de territórios mediante a defesa de um modelo de gestão e exploração considerado mais justo e eficiente.

No artigo são apresentadas algumas das conclusões do doutorado em História Social pela Universidade de São Paulo (USP) de Passetti, financiado com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Sua pesquisa recebeu a menção honrosa no prêmio Capes de Teses em História e o prêmio História Social da USP, ambos em 2011.

Contato: Gabriel Passetti Departamento de Estudos Estratégicos e Relações Internacionais Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense +55 (11) 97676-6787 gabrielpassetti@id.uff.br

Creative Commons License  CC BY-NC 3.0